sexta-feira, 22 de março de 2019

Resenha: "Em Busca do Perdão da Minha Mulher" (Sara Ester)


Sinopse: O que é considerado válido na busca pelo perdão de alguém? Existem limites quando se almeja algo tão precioso? 

Andrew Cooper se via em uma situação na qual a culpa pelos seus erros se tornou constante em sua vida; assim como a sede pelo perdão da sua amada. O seu arrependimento é tão grande que o levará a extremos para reconquistar tudo aquilo que ele perdeu por consequências de suas más escolhas. 
O amor será capaz de voltar a unir dois corações feridos pela mentira e engano? 

Por Jayne Cordeiro: Este é o segundo livro da série Em Busca do Amor, continuação do livro "Eu Sou a Amante do Meu Marido", que resenhei recentemente. Agora Andrew está tendo que lidar com as consequências de suas mentiras. Marie não quer saber mais dele, e ainda por cima está grávida de seu filho. Ele precisa descobrir uma forma de ela o perdoar e lhe dar uma chance de ficarem juntos e mostrar o seu amor.

Longos três meses se passaram. Noventa dias de pura angustia e sofrimento. Viver longe dela era  como viver sem perspectiva, sem sonhos ou planos para o futuro; porque o meu amanhã dependia dela...dependia do seu sorriso, dos seus beijos. A sua presença era tudo o que eu precisava para prosseguir.

O livro tem quase a mesma quantidade de páginas que o primeiro e consegue não se alongar demais em um assunto que poderia se tornar chato, se fosse muito estendido. O tema central da história é o fato de o Andrew precisar ser perdoado pela Marie, que vai lutar contra seus sentimentos por ele, apesar de tudo o que aconteceu. Como eu já tinha comentado, a autora sobre explorar esse drama na medida certa, porque se durasse muito mais, o leitor poderia ficar cansado da dinâmica entre o dois.

- Eu te odeio. - sussurrei, olhando em seus olhos.
Sua mão repousou em minha nuca e me arrepiei com a delicadeza do seu toque.
- E eu amo você. - Lutei bravamente para não me deixar enganar por aquelas palavras, as quais eu sempre ansiei ouvir.

Conhecemos alguns personagens novos nesse livro, e vemos mais um pouco sobre James e Emily, que serão os protagonistas do próximo livro. A escrita da autora continua boa, com uma dose de drama e romance na medida certa. Dessa vez não há nenhum mistério, mas o livro continua tendo uma história que consegue prender o leitor a cada momento. É uma ótima continuação para a história de Andrew e Marie, e com um final que vai satisfazer a todos.




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quinta-feira, 21 de março de 2019

[Cineclube]: A Cinco Passos de Você







Cineclube é uma coluna que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.





Titulo: A Cinco Passos de Você
Data de lançamento (Brasil): 21 de março de 2019
Diretor: Justin Baldoni
Elenco principal: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Parminder Nagra, Claire Forlani, Emily Baldoni, Gary Weeks e Ariana Guerra
Gênero: Romance, Drama.


Aos dezesseis anos de idade, Stella Grant (Haley Lu Richardson) é diferente da maior parte dos adolescentes: devido a uma fibrose cística, ela passa muito tempo no hospital, entre tratamentos e acompanhamento médico. Um dia, conhece Will Newman (Cole Sprouse), garoto que sofre da mesma doença que ela. A atração é imediata, porém os dois são obrigados a manter distância um do outro por questões de saúde. Enquanto Stella pensa em quebrar as regras e se aproximar do garoto da sua vida, Will começa a se rebelar contra o sistema e recusar o rigoroso tratamento.


Passei um tempo longe, mas estou de volta com o Cineclube, e trazendo um lançamento da semana. Não é preciso muito para saber que esse filme promete ser no mesmo estilo de A Culpa é das Estrelas. E posso dizer que você vai gostar quase tanto quanto. A Cinco Passos de Você é uma história que gira em torno de dois jovens que carregam uma doença série e que lhe dão uma baixa expectativa de vida. Fora isso, eles ainda precisam se manter afastados, pois eles são mais suscetíveis a pegar bactérias que podem fazer grandes estragos, e Will está com uma bem difícil de matar.


Como todos, já comecei a ver o filme com a expectativa de que iria chorar horrores (hipótese confirmada com sucesso), mas curiosa para ver como esse romance se desenrolaria, quando o casal não pode sequer se tocar. Será o clima aconteceria? Será que faria alguma falta? Na verdade não fez nenhuma falta. Eles ainda são muito legais juntos, e eu só ficava pensando ("não se toquem, não se toquem...não quero ninguém morrendo"). Gostei de como os protagonistas são tão diferentes. Stella, a metódica, focada no tratamento, e Will, o cara fatalista e que não se preocupa com nada. É interessante ver como um acaba ajudando ao outro a ser menos preocupado ou despreocupado.


Para mim, o Cole está ótimo no papel, e a Haley também. Os personagens/atores secundários também. O filme traz diversas cenas divertidas, principalmente envolvendo os protagonistas e Poe (interpretado pelo Moises). Com como eles lidam com a doença e as piadas, e rotinas. É sempre garantia de riso. Mas o filme também tem várias cenas emocionantes, que fazem chorar (eu sou uma manteiga derretida). Mas não vá para o filme achando que sabe como ele vai acabar, porque na verdade ele me trouxe até certa surpresa. Acho que isso é um ponto bem positivo no filme.


Quanto a questão técnica, o filme usa bem o espaço, e precisa ter muito cuidado com o enquadramento, já que os personagens não podem se aproximar, e é preciso pegá-los sempre de longe. A trilha sonora também está ótima. O filme também pode parecer longo, quando você olha os minutos, mas a história é legal, então passa bem rapidamente. É um clássico filme de romance com direito a lágrimas, mas ele consegue cumprir ao que se propõe. É uma ótima indicação para quem gosta do gênero.






Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

     Redes Sociais de Jayne:
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                         E você, o que achou da coluna? Deixe seu comentário!


Até o próximo Cineclube!
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Resenha: “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” (Mark Manson)

Tradução: Joana Faro

Por Kleris: Sabe aquelas conversas de bar que parece não dizer muita coisa, mas, entre um gole e outro, o lance faz muito sentido? O interlocutor nem é lá uma figura muito confiável, mas de repente tem um bom papo? Este é Mark Manson, que é ousado caso em contar sua “revolucionária” percepção sobre a vida e autodesenvolvimento, mas, lá e cá, força a barra nessa desconstrução. 
Os conselhos de vida mais comuns na verdade se concentram no que não temos. Eles miram direto no que já vemos como falhas e fracassos pessoais, só para torná-los ainda piores aos nossos olhos.

Mark nos fala sobre saúde mental, padrão, comportamento, quebra de impressões e algumas internalizações; fala sobre ir na raiz da questão quando se trata de ver quem somos e o que estamos fazendo no mundo. Ao começo, parece o Cortella em “Por que fazemos o que fazemos?” (reveja resenha aqui), investigando e desmitificando historietas que são exaltadas pelo senso comum. 
Tudo o que vale a pena na vida só é obtido ao superar o sentimento negativo associado a ele. 
Nossa dor e tristeza não são uma falha da evolução humana. Pelo contrário: são um recurso essencial dela.

Até a metade do livro você tá lá dizendo “cara, é isso mesmo”, embasbacada por todo o discurso estar fazendo muito sentido, mesmo de quem vem e como vem. Daí, da metade pro final, o autor se perde e se arrasta; senti falta de uma conclusão, algo que sustentasse mais sua proposta quanto a ligar o foda-se. Até porque a gente sai desse livro meio nauseada, tentando entender esse embrulho de informações, que ora faz muito sentido, ora tá muito “QUÊ?” – principalmente no capítulo que relaciona memória e vítimas de abuso, que é de um p* no c* tremendo.

A grande questão do livro é sua abordagem. A “arte de ligar o foda-se” é sim uma arte libertadora que nos leva a uma visão mais honesta da vida, porém, o modo com que Mark guia essa conversa é um tanto problemático. Ele vai jogando e jogando ideias, e em dado momento parece que estamos no meio de um tiroteio sem saber como fomos parar lá. Parece que ele tá gritando o tempo todo e precisa se reafirmar que não é um canalha sendo um canalha.

Acho que o que mais me incomodou foi a falta de empatia em suas narrativas. “Foda-se, é como me sinto” pode ser uma explicação, mas não quer dizer que eu deva aceitar esse argumento por completo. Não é uma abordagem que funciona comigo. E isso me fez pensar com quem funcionaria. 
A autoconsciência é uma cebola: cheia de camadas, e quanto mais você descasca, mais provável é que comece a chorar em momentos inadequados.

O que Mark traz em seu livro eu já estava familiarizada a partir dos livros da Brené Brown – sou, aliás, fã e adepta (reveja resenhas aqui) – e você já deve ter visto em alguns canais populares como da Jout Jout. Mas nem todo mundo consegue acompanhar ou estar aberto ao papo da vulnerabilidade (o que é compreensível), porque vai contra 90% do que a sociedade nos repassa. 
Grande parte do mercado autoajuda se sustenta em vender euforia em vez de ensinar as pessoas a resolver problemas legítimos. Muitos gurus ensinam novas formas de negação e enchem o público de exercícios que causam bem-estar a curto prazo, mas ignoram a raiz do problema. 
Eu não era apaixonado pela luta, e sim pela vitória. E a vida não funciona assim. Você é definido pelas batalhas que está disposto a lutar.

A sensação que dá é que Mark pega o grosso dos livros da Brené e joga na nossa cara dizendo “Não entendeu, porra? É isso, ISSO e isso”. Não sei dizer se ele realmente bebeu dessa fonte, mas a impressão é que essa sutil arte é “vulnerabilidade para inquietos”. Ou melhor, Brené para inquietos. 
Sabe quem baseia a vida nas emoções? Crianças de três anos. Cachorros. Sabem o que mais crianças de três anos e cachorros fazem? Cagam no tapete. 
O sofrimento é um fio inextricável que compõe o tecido da vida, e arrancá-lo não só é impossível como também é destrutivo: tentar desmantela todo o resto.

Outra coisa interessante é que o livro termina por tocar na questão de masculinidade e as vulnerabilidades quase inacessíveis dos homens, tópico esse que é um dos tabus mais abafados do mundo. Neste cenário, a sutil arte de Mark é uma bela introdução, pois populariza conceitos sobre relacionamentos saudáveis, nem que seja na base da pistolagem. É como funciona para alguns homens, afinal. E principalmente para homens que só validam a opinião de outros homens. 
Ligar o foda-se é encarar os desafios mais assustadores e mais difíceis da vida e agir. 
Se você deseja mudar a forma de ver os problemas, precisa mudar seus valores e/ou sua forma de medir sucessos e fracassos.

Se você também ficou um pouco perdida nesse tiroteio de Mark, sugiro que busque pelos livros da Brené para compreender melhor do assunto. Aí sim posso dizer: vai iluminar de um tudo na tua vida – e sem precisar de gritaria, só de abraços. 
Não espere por uma vida sem problemas – continuou o Panda. – Isso não existe. Em vez disso, torça por uma vida cheia de problemas pequenos. 
A tecnologia resolveu antigos problemas econômicos, mas nos trouxe novos problemas psicológicos. A internet não apenas disponibilizou informação para todos – ela fez o mesmo com a insegurança, a incerteza e a vergonha.



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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Resenha: "Eu sou a amante do meu marido" (Sara Ester)


Sinopse: Algumas vezes a vida nos obriga a tomar atitudes drásticas, e o que é errado pode ser a única opção. Marie Cooper se vê em uma situação cuja única alternativa é o inusitado, pois não existem limites para a audácia de uma mulher cheia de desejos reprimidos. Casada com Andrew Cooper somente no papel, Marie almeja descobrir os desejos da carne. Ela quer conhecer o seu marido completamente, e pela primeira vez em sua vida cometerá uma loucura para conquistar aquilo que quer. Como? Se tornando a sua amante! Quais serão os segredos desvendados nessa reviravolta?

Por Jayne Cordeiro: O titulo deste livro é bem incomum e bem longo, mas acabei dando uma chance a ele, e não me decepcionei. Não é um livro muito longo, e a escrita é bem dinâmica e interessante. A história é contada pelo ponto de vista de ambos os protagonistas, principalmente pela Marie. Ele é uma mulher apaixonada que sofre com a rejeição do marido, que não aparenta ter nenhum interesse por ela, após o casamento. Andrew apresenta um comportamento bem confuso para ela, pois tem momentos em que a ignora, e outros em que parece que a deseja, mas sem nunca consumar o casamento.

Não havia um dia sequer no qual eu não me arrependia de ter aceitado aquele maldito acordo. Estávamos presos um ao outro, totalmente infelizes, eu a magoando de diversas formas e e sentindo-a se quebrar mais e mais.

O livro tem a sua história girando em torno deste drama vivido pela Marie, que está cansada deste tratamento, e decide elaborar um plano para conseguir finalmente se envolver sexualmente com o homem que ama. Mesmo que ele não saiba que se trata da própria esposa. Fiquei na dúvida no começo, de como isso poderia acontecer, mas a autora consegue encontrar uma forma convincente de fazer isso, e conseguindo passar de uma forma para o leitor, que é possível até mesmo não ter raiva ou se irritar com Andrew pela situação.

Suspirei e me recostei na pia, olhando-a.- Eu o vi, mas me acovardei na hora em que ele vinha na minha direção. - disse enfiando a escova na boca.- O que? Ficou louca? - Emily perguntou quase surtada. - Não era esse o objetivo desa loucura toda, Marie? Você ficar com ele nesse maldito clube?

Além desse drama, o livro também apresenta um pouco de suspense e mistério, já que passamos grande parte do livro querendo descobrir o porque de Andrew não se envolver com Marie, apesar de desejá-la tanto. E também a um perigo que ronda Marie, que trará uma surpresa no final. Assim, o livro tem uma história bem interessante, bem escrita, e recheada de romance, cenas quentes e mistérios. 

Delicadamente senti suas mãos deslizarem por meus braços, arrepiando minha pele.- É só fechar os olhos e imaginar que estamos a sós...sem plateia. - Andrew sussurrou e raspou os dentes no lóbulo da minha orelha.

Este é o primeiro livro de uma série da autora chamada Em Busca do Amor, que contêm cinco livros, que focam em casais diferentes, mas que já aparecem desde o primeiro livro. Particularmente, os dois primeiros livros (esse e "Em Busca do perdão da minha mulher") são sobre o mesmo casal, e um começa exatamente de onde o outro acaba. Contando uma história única. Trarei a resenha dele aqui também. 

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Resenha: "Apesar de tudo" (Dipacho)

Tradução de Mel Brittes

Por Stephanie: Apesar de tudo é um livro infantil do ilustrador colombiano Dipacho. A história é bem simples e aborda a relação entre dois pinguins que vivem em meio à ameaça do aquecimento global.

A obra possui poucas cores, ilustrações simples e frases curtas, mas repletas de significado. É o tipo de livro que, dependendo do leitor, pode ser interpretado de formas distintas. Acredito que as principais mensagens sejam de amor e união; de fazer tudo o que for possível para estar perto de quem se ama.

Os traços de Dipacho são encantadores, é impossível não achar os dois pequenos animais no mínimo simpáticos. A predominância do amarelo me agradou muito e acho que cumpriu muito bem o papel de transmitir a mensagem de preservação ambiental que o autor provavelmente desejava.

(Clique para ampliar)

(Clique para ampliar)

Independentemente da idade do leitor, Apesar de tudo é uma obra tocante e gostosa de ler. Fiquei com o coração aquecido ao fechar esse livro tão belo e sensível. Fica a recomendação para os pequenos e grandes!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Resenha: "Minha História" (Michelle Obama)

Tradução de Débora Landsberg, Denise Bottman e Renato Marques

Por Stephanie: Minha História é o livro de memórias escrito por Michelle Obama, ex-primeira dama dos EUA e esposa do primeiro presidente negro da história desse país. Por meio de uma narrativa leve e poderosa, Michelle nos conta sua trajetória desde a infância até os dias vividos na Casa Branca, entre os anos de 2009 e 2017.

Eu conhecia muito pouco sobre Michelle, só aquilo que ouvia na mídia mesmo. Sabia que ela era uma mulher forte e determinada, mas ao ler seu relato, pude ver que sua personalidade distinta já se mostrava desde pequena, quando morava na região de South Side, em Chicago. Apesar de não ter passado por dificuldades financeiras, ela morava com a família em um bairro de classe média que ao longo dos anos foi se tornando predominantemente negro (e pobre).

O início do livro foi a parte mais arrastada para mim; a autora nos conta em detalhes como era a dinâmica familiar com seus pais e irmão mais velho, que moravam na casa acima de seus rígidos tios. A disciplina sempre fez parte da vida de Michelle, mas percebi também que ela viveu em um lar muito unido e amoroso.

Depois, somos apresentados à vida adulta e à carreira de Michelle, que eu nem sabia que era advogada (!). Adorei os tópicos abordados por ela durante essa parte, porque vemos claramente o racismo e machismo velado que existia nos anos 80 nas faculdades de renome (Michelle se formou em Princeton e Harvard).

"(...) Tentava não me intimidar quando a conversa em sala era dominada pelos alunos homens, o que era bastante comum. Ao escutá-los, me dei conta de que não eram mais inteligentes do que nós. Eram apenas mais incentivados a falar, navegando na maré ancestral da superioridade e estimulados pelo fato de que a história nunca lhes dissera o contrário."

Ao falar sobre sua carreira, a autora acaba entrando em uma parte muito relevante e conhecida para a maioria do público: seu relacionamento com Barack. Como eles se conheceram no ambiente de trabalho, Michelle traça diversos paralelos entre sua vida profissional e pessoal, como a ascensão de sua carreira e algumas das decisões difíceis que precisou tomar em prol do sucesso de Barack. Acho que essa foi minha parte favorita do livro; o relacionamento deles é muito maduro e repleto de momentos fofos. Adorei ver Barack como um rapaz sonhador e romântico e Michelle como uma mulher que se apaixonou mas nunca abriu mão de sua independência por amor.

"Nunca fui de ficar presa aos aspectos mais desmoralizantes de ser afro-americano. Fui criada para pensar positivo. (...) Mas, ouvindo Barack, comecei a entender que sua versão de esperança era bem mais ampla: eu me dei conta de que uma coisa era sair de um lugar empacado; outra, totalmente diferente, era tentar desempacar o lugar."
"O que acontece quando um individualista que gosta de solidão se casa com uma mulher sociável e extrovertida que detesta solidão? A resposta, imagino eu, é provavelmente a melhor e mais sólida dr todas para qualquer pergunta que surge num casamento, para qualquer pessoa e qualquer questão: você dá um jeito de se adaptar. Se o casamento é para sempre, não tem escolha."

Por fim, vemos a carreira de Barack até a chegada à presidência e como foram os anos da família Obama na Casa Branca. É muito interessante conhecer mais sobre esse mundo da política pelos olhos de Michelle; ela é uma mulher muito pé no chão e sempre fez questão de passar isso para suas filhas (por exemplo, as camareiras foram avisadas por Michelle que as meninas tinham que fazer a própria cama), sem permitir muito deslumbramento, afinal, aquela era uma residência apenas temporária.

Passei a admirar muito Michelle após ler seus feitos durante o período em que foi primeira-dama. Ela sempre quis fazer a diferença e aproximar a Casa Branca da população, organizando eventos abertos ao público e criando projetos para melhorar a saúde e a vida como um todo dos norte-americanos. E em meio a isso, teve de lutar contra o machismo e a futilidade da mídia (e da oposição), que julgava seu corpo, suas atitudes e suas palavras sempre que possível.

"A forma mais fácil de desmerecer a voz de uma mulher é resumi-la a uma pessoa rabugenta."
"O poder de uma primeira-dama é uma coisa curiosa – suave e indefinido como o próprio papel. (...) A tradição mandava que eu emanasse uma luz suave, agradando ao presidente com minha devoção, agradando à nação sobretudo ao evitar confrontos. Mas eu começava a ver que essa luz, se usada com cuidado, tinha um poder maior (...)."

Michelle é uma mulher corajosa e por mais classe que possua, deixa seu posicionamento bem claro ao falar sobre a posse de Trump. Confesso que senti um aperto muito grande no peito ao ler seu depoimento sobre o dia da posse e foi inevitável enxergar as semelhanças com a nossa situação política atual.

É impossível resumir em apenas alguns parágrafos a história tão grandiosa de uma mulher como Michelle Obama. São quase 500 páginas de um relato muito verdadeiro, inspirador e emocionante, que mostram ao leitor a força e persistência de uma mulher que nunca se contentou em ser mediana e lutou para não ser resumida apenas à sua aparência ou suas fraquezas.

A edição da obra está muito bem feita, com uma parte dedicada a fotos em alta qualidade de momentos marcantes da vida da autora. Só acho que essas imagens poderiam ter ficado como um adendo ao final do livro, em vez de no meio de um capítulo.

No mais, é uma super indicação para qualquer pessoa que goste de biografias e livros de memórias e queiram conhecer mais sobre a vida dessa mulher que junto à seu marido e família, marcou a história dos EUA e do mundo (e continuará marcando, com certeza). Acredito que vá entrar para os meus favoritos de 2019 com facilidade!

Até a próxima, pessoal!

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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Resenha: “Gente de Resultados” (Eduardo Ferraz)


Manual Prático para formar e liderar equipes enxutas de alta performance


Por Kleris: O livro certo, na hora certa, para o propósito certo! Se você sente que precisa alinhar seu modus operandis de líder, é este o livro. É com certeza o manual para (re)começar as atividades com o pé direito. 
[...] será de extrema importância você conhecer seu estilo, não para mudá-lo, mas para aproveitá-lo ao máximo e, ao mesmo tempo, para fazer as melhorias necessárias. O objetivo será ajustar a forma, não o conteúdo.

Mais uma vez, o autor ousa em retratar o potencial que temos cá conosco; mais uma vez é luz para nossa caminhada. Para quem não sabe, Eduardo já trouxe um livro sobre desempenho profissional, chamado Gente que convence (veja resenha aqui). Aqui em Gente de Resultados, foca-se mais na gestão de pessoas, como podemos ter mais suporte quando se trata de liderança e alcançar altos voos. Afinal, líder que é líder não opera sozinho.


 

É comum que muitos assumam um cargo de autoridade apenas “indo” – acontece de em algum momento de sua caminhada profissional tornar-se líder e ter que tomar responsabilidades por um empreendimento e seus subordinados. O livro vem justo para dar amparo aos tantos desesperos anseios e deveres do cargo, sobre como podemos nos reorganizar enquanto gestores e trazer resultados mais prósperos a todos. Para tanto, é essencial saber quem somos, que perfil temos, o perfil do empreendimento, a demanda, como podemos agregar pessoas para essa jornada e fazer tudo funcionar. Alcançar a alta performance é isso: manejar o melhor de todos para um propósito maior – e por isso, uma relação win-win.

 
Para alcançar excelentes resultados, a equipe deve ir além das simples obrigações. Contudo, esse algo a mais só existirá se as pessoas sentirem que o líder tem credibilidade e transmite confiança. 
Só é possível continuar obtendo grandes resultados com as pessoas certas nos lugares certos [...]

Mas a sacada master aqui é que, além de ser um suporte prático, o livro é voltado para os líderes de pequenos empreendimentos e organizações. Achei interessante isso, pois traz uma visão mais direta e próxima da realidade, coisa que já me decepcionei em outros livros e/ou estudos na área. Desta forma, Eduardo traz um rol de conhecimentos dos grandes para os pequenos, possibilitando acesso e ferramentas para engrenar qualquer plano de ação. Aliás, meu relatório de desempenho para este ano (do coletivo cultural de participo) praticamente se fez sozinho durante a leitura.


Semelhante ao livro anterior, há narrativas e estudos de caso, todos descritos de maneira bem simples e clara. Mas nada fica só no campo da teoria ou dos conselhos. Para além das ótimas observações e/ou análises, podemos tecer nossos próprios planos de ação, desde os pessoais (como líderes) aos da organização (como empreendimento). Me surpreendi com como é traçado os perfis “operacionais” de cada um, do líder ao subordinado, para que se tenha o melhor aproveitamento. Eduardo, nesse sentido, é muito didático em nos fazer entender em que pé estamos, no que podemos mexer e em como agir, sendo assim este guia necessário. 
No começo, a empresa pode ficar um pouco bagunçada, mas faz parte da cura.

Para isso, reserve papel, caneta, marca-texto e, claro, um momentinho de dedicação, pois não há como fazer as mudanças certas se não houver a disposição certa para aprender. É interessante também que, mesmo quando nos focamos numa linha de liderança (há um teste para se identificar e você pode realizar online; aqui!), podemos seguir curiosos e atentos às outras narrativas-exemplo, pois nada como acompanhar outros casos para acrescentar mais ao nosso repertório. 
Se ainda tiver dificuldade de formar uma equipe de alta performance, dê um passo para trás.

Minha parte favorita, por certo, foi sobre como podemos influenciar pessoas ao nosso redor para atingir a alta performance. As atitudes podem ser pequenas e não menos significativas por isso. Também pude reavaliar as últimas e a atual liderança; ao ver um panorama mais claro, ficou mais fácil de identificar as faltas e falhas que deixei passar. Muitas vezes as decisões se tratam de sair da zona de conforto e do quanto podemos nos disponibilizar para fazer dar certo, tanto da parte do líder, quanto da sua equipe. 
Equipes bem-sucedidas dependem muito da dedicação e do talento de seu líder para tocar a gestão do dia a dia. No entanto, muitas vezes esse sucesso torna o gestor refém de si mesmo, pois ele sofre uma grande tentação de centralizar decisões e executar tarefas desnecessárias.

 

Gente de resultados me revelou o quanto seguimos muito “instintivos” na hora de assumir uma liderança. Por vezes a gente não sabe bem pra onde tá indo ou como ir, só vai, e segue aprendendo na marra na tentativa e erro. Ter esse livro conosco é justamente a lanterna que nos ajuda a tomar a decisão mais certeira. Além de dar visão sobre o caminho que estamos a andar, nos dá noção de quem somos em poder deste conhecimento, sendo possível, ainda, ver quem está ali perto e o que podemos fazer a respeito. É algo que a capa instiga muito bem: para chegar em algum lugar, você precisa de pessoas e é muito mais jogo quando você sabe o que tá fazendo e porque está fazendo. 
O sucesso só vira se a pessoa mantiver toda essa garra e motivação no decorrer das semanas, dos meses e dos anos seguintes, mesmo com todas as dificuldades e todos os desafios que certamente ocorrerão.

Gente de resultados é, assim, uma leitura que esclarece, instrui, norteia e agrega. Em seus toques de coaching e consultoria, Eduardo trabalha de modo pontual para extrair o melhor de nós e, por consequência, impulsionar o ambiente empreendedor da melhor maneira possível. Não importa do que se trata seu empreendimento (se serviço, produto ou conteúdo), mas se você lida com pessoas e precisa gerir o todo, esse livro é pra você. Eduardo é O cara para te impulsionar!

Re-co-men-da-dí-ssssssssssssssiiii-mo! 
[...] esta obra é um precioso guia para nos orientar pelo tortuoso caminho de criar empresas fora de série, a partir daquilo que qualquer organização tem de mais importante e valioso: gente que faz a diferença. Ricardo Amorim. 
Desenvolver uma equipe de alta performance em sua organização requer um forte sistema de gestão de pessoas: uma liderança preparada para inspirar pessoas a realizarem objetivos e metas, mas, ao mesmo tempo, dar oportunidade aos sonhos delas! Janete Vaz.

Aos curiosos de plantão, deixo aqui o site oficial do livro pra conferir o índice e mais dos tópicos abordados. Lá, o autor também liberou 20 páginas para degustação. Clique na figura abaixo para ser direcionado:

Até!

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Resenha: "Céu sem Estrelas" (Iris Figueiredo)

Esta resenha pode ser encontrada também em O Clube da Meia Noite

Sinopse: Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento. 

Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.

Por Ili Bandeira: Na história, iremos conhecer a Cecília, uma garota inteligente e um pouco gordinha que não aceita bem o seu corpo. Cecilia tem alguns problemas familiares e de auto-estima, os quais a  levam a ter medos e incertezas. A jovem está fazendo 18 anos, mas esse dia não está nada fácil. Ela perdeu o emprego, brigou com a mãe e foi expulsa de casa.

Sem ter onde morar, Cecília vai passar um tempo na casa de sua melhor amiga, Iasmin. A garota agora terá que conviver com o irmão de Iasmin todos os dias. A questão é: Cecília nutre um sentimento platônico por Bernardo desde criança.

A vida de Bernardo também não é um mar de rosas. Ele precisa enfrentar suas inseguranças com base em relacionamentos anteriores que não deram certo. Cecília, por outro lado, está sofrendo por causa do desentendimento com sua mãe e, a cada dia, está mais depressiva com várias  desventuras em sua vida.

“Eu era grande e gorda, então as pessoas me chamavam de fortinha. Eu não me sentia forte. Demorei muito tempo até encontrar minha própria força.”

"Céu sem Estrelas" é um livro doloroso que aborda a fase mais complicada na vida de uma jovem. A autora trabalha esse período entre o final da adolescência e o início da vida de adulta através dos medos e anseios que a maioria dos jovens sentem. Além disso, a escritora, Iris Figueiredo, retrata muito bem a depressão, a ansiedade, ataques de pânico e até autoflagelação. Tais assuntos são tratados como tabus para várias pessoas, no entanto, ainda bem autores como Iris decidem explorar esse universo. O intuito que o livro tem de orientar as pessoas que passam por isso ou conhecem alguém que sofra dessas doenças do século.

A narrativa do livro é em primeira pessoa e intercala entre Bernardo e Cecília - o que nos dá uma perspectiva sobre os seus sentimentos e inseguranças que eles enfrentam ao longo do seu dia a dia, afinal, ambos passam por problemas de família, amizade e relacionamentos. Aqui temos um alerta para a necessidade de respeitar o momento de cada um, pois cada pessoa tem seu tempo e sua forma de lidar com seus medos e anseios.

Sem dúvida esse livro é muito importante para refletir. Uma mensagem de superação para aqueles que passam por isso diariamente ou para os que não passam, terem mais empatia.

Por fim, queria agradecer muito a autora, Iris Figueiredo, por ter escrito um livro que me tocou muito. Simplesmente maravilhoso. POR FAVOR, LEIAM ESSE LIVRO!



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Ana Liberato