sexta-feira, 23 de junho de 2017

Resenha: “Uma Loucura Discreta” (Mindy McGinnis)

Tradução de Fábio Bonillo

Sinopse: Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite. Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante. Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações. Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres. Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas. Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.
Fonte: Skoob

Por Stephanie: Quando você lê a sinopse de Uma Loucura Discreta, pode pensar que esse livro é só mais um de YA, onde uma adolescente "louca" é salva pelo amor da sua vida (que ela acabou de conhecer). Pois bem, já vou te dizendo pra tirar essa ideia da cabeça, porque de romance meloso e dilemas bobos esse livro não tem nada.

Histórias passadas em manicômios são quase sempre sombrias, e neste caso o livro não foge à regra, trazendo consigo uma narrativa carregada e densa que chegou a me incomodar várias vezes. A opressão que os pacientes sofrem no asilo em que Grace vive no início do livro é sufocante e cruel, sendo impossível não sentir empatia pelos personagens que habitam aquele local.
Todos eles tinham seus terrores, mas pelo menos as aranhas que viviam nas veias da garota nova eram imaginárias. Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.
Passado o primeiro terço da história, o incômodo diminui, mas não vai embora completamente. Acompanhamos a jornada de Grace e o Dr. Thornhollow por investigações à la Sherlock Holmes, e isso faz com que o livro dê uma acelerada e inclua cenas em outros ambientes, trazendo dinamismo. Vi algumas pessoas reclamando dessa mudança de tom, mas confesso que foi uma das coisas que mais gostei. Mesmo amando livros com assuntos pesados, acho que variar um pouco o tema proposto é sempre válido.

O livro aborda, além da sanidade e investigação, assuntos muito pertinentes aos dias atuais, mesmo se passando no séc. XIX: o feminismo e a opressão sofrida pelas mulheres (além de uma menção leve ao movimento sufragista). É chocante imaginar que naquele tempo ser mulher era ser inferior, e que qualquer atitude feminina "fora do padrão" poderia selar pra sempre o futuro de uma mulher, de maneira negativa. A palavra do homem sempre era lei, mesmo sendo mentira. Infelizmente isso ainda ocorre atualmente, quando vítimas de abuso são tidas como culpadas e julgadas por uma sociedade machista e opressora.

Os personagens têm a psique abordada a fundo, algo que eu já esperava. Em vários momentos me peguei questionando o verdadeiro sentido da palavra sanidade e em quais casos ela se aplica. Afinal, o "normal" é apenas um mito criado pela sociedade, que limita as pessoas a seguirem apenas uma linha de pensamento e comportamento? Ainda não sei se encontrei uma resposta.

Foram poucos os pontos negativos que eu identifiquei em Uma Loucura Discreta. Um deles foi a rapidez com que Thornhollow reconheceu as "habilidades" de Grace, achei que quebrou o ritmo. O final também não é tão bom; gostei do desenrolar de alguns acontecimentos mais achei a conclusão muito rápida. Além disso, achei que a autora tentou abordar muitos assuntos ao mesmo tempo em poucas páginas, tornando alguns deles muito superficiais. Gostaria de um livro maior ou até mesmo uma duologia que pudesse explorar com calma aquilo que foi falado apenas "por cima".
(...) É uma loucura tão discreta que pode caminhar livremente pelas ruas e ser aplaudida em determinadas rodas sociais, mas não deixa de ser loucura.
Mas no geral eu gostei muito da leitura e indico pra qualquer pessoa, mas se você é sensível a temas como estupro e violência contra a mulher, recomendo cautela. Não vejo a hora de a editora lançar The Female of the Species para eu conhecer mais do trabalho da Mindy McGinnis!

Quem mais leu ou está louco (rs) pra ler esse livro? Me conta nos comentários! E não deixe de conferir essa e outras resenhas no meu blog, o Devaneios de Papel. Espero vocês por lá!

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

[Novidades] Leandro Reis é agora Leandro Radrak + ebooks

Leandro Reis, autor da trilogia fantástica Legado Goldshine (resenhas) e Garras de Grifo (resenha), agora assumiu a alcunha Leandro Radrak e traz seus livros em formato digital!

O Legado Goldshine, Sombras da Morte e contos Fragmentos de Grinmelken já foram disponibilizados no catálogo Amazon-Radrak. Apenas Garras de Grifo está em espera. Veja abaixo links direcionados – e trechos de resenhas da Sheila!



Filhos de Galagah (resenha) – Senhor das Sombras (resenha) – Enelock (resenha) 
"Filhos de Galagah" possui personagens complexos, uma trama bem elaborada e uma linguagem simples que faz com que as páginas praticamente virem sozinhas. Para quem gosta de Literatura Fantástica, posso dizer que não deixa nada a desejar aos títulos estrangeiros, prendendo a atenção do leitor do início ao fim - e ficando com gosto de quero mais, claro, já que a trama não é resolvida no primeiro livro. Vale ainda destacar que as cenas de ação são muito bem escritas, numa narrativa que, apesar de descritiva, não cansa por não ser extensa, mas precisa. Por mais que a temática explorada seja muiiiiiiittto antiga e extensamente usada - a luta do Bem contra o Mal - Leandro consegue nos transportar à um mundo paralelo, onde o Bem e o Mal descritos podem quase ser sentidos, tocados ... Enfim, diálogos inteligentes, ação, aventura, drama e até mesmo um toque de humor em algumas passagens, fazem do Livro I da trilogia não só um livro muito bom, mas, na minha modesta opinião, memorável.

** 
Além de chamar atenção para a ação neste segundo volume, muito maior que no primeiro, iremos encontrar um grupo menos entrosado, com Iallanara aprofundando-se mais em seu conflito interno entre luz e trevas, e Galatea mostrando-se mais humana e sujeita a falhas. Enfim, Leandro Reis consegue construir uma miscelânea de personagens, diálogos, espaços, narrativas e conteúdo para leitor de Literatura Fantástica nenhum colocar defeito. E se você não é muito fã deste tipo de livro, mesmo assim recomendo ler. Realmente muito bom.

** 
Mas o mais importante, com um final que não deixa nada a desejar, nem muito previsível nem fora do contexto da trama, que emociona e faz a leitura da trilogia e o acompanhar da jornada de todos os personagens valer – e muito – a pena. Vale destacar também que todas as pontas soltas e dúvidas são explicadas, e até umas passagens que ficaram um tantinho “forçadas” nos outros livros, são revisitadas e ampliadas, não só explicando mas também justificando sua presença na trama. E para quem, assim como eu, ficou com um “gostinho de quero mais” pode dar uma olhadinha no blog do autor no conteúdo extra do mundo de Grinmelken aqui, o lugar onde se passa a história.

*em espera*


Este é um livro de ação e aventura, onde a honra acaba sempre ficando em primeiro lugar, na luta contra a ganância e a sede de poder. A narrativa de Leandro é brilhante, consegue descrever todas as cenas de forma a fazer com que nos sintamos transportados até as batalhas que as gêmeas terão de lutar – em grande parte do livro separadas – para resgatar seu povo. Mas preparem-se para lutas ruidosas, com muito sangue derramado, membros decepados, mas também planos ardilosos e reviravoltas surpreendentes. Ah, e para quem leu Legado Goldshine, teremos também a participação de um personagem muito querido do clã de Galatea – mas que não vou contar quem é para não estragar a surpresa! Enfim seja você fã de literatura fantástica ou não, é um livro que realmente vale a pena ser lido, arte e capa bem feitos, narrativa empolgante, estória bem construída e amarrada, sem pontas soltas. Recomendo!




A bruxa vermelha – A garganta do macaco – A dama inevitável –
Esperança corrompida – A dama noturna – A lenda de Remiel –
Dia de caçada – Alma de Dragão

Os livros digitais da Amazon podem ser lidos no celular, Tablet, computador ou dispositivo Kindle; basta baixar o Software Kindle na Play ou Apple Store, se cadastrar e começar a usar. Se você tem o Kindle Unlimmited, as leituras saem de graça!

Para acompanhar mais do autor, curta a página

Leandro “Radrak” Reis, mora em São José dos Campos-SP. Colecionador de espadas, trilhas sonoras e miniaturas, é fascinado pelas estórias de dragões, elfos e magia. Começou a escrever valendo-se de um cenário imaginário de nome Grinmelken, mundo que surgiu quando, há mais de uma década, imaginou suas paisagens e personagens pela primeira vez.

Inspirado por diversas referências, escreveu contos e criou lugares, personagens e sociedades, baseado em pesquisas, imaginação e muita discussão. Decidiu investir no meio literário em 2006, dedicando-se fortemente às comunidades e listas relacionadas à literatura especulativa.

Após oito anos publicando pela editora IDEA, passou para o conteúdo digital, focando a disponibilização de suas publicações na Amazon.


Até a próxima!

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Resenha: “Antes Que Eu Vá” (Lauren Oliver)

Aviso de gatilho: Esse livro possui cenas de bullying e abuso sexual.

Tradução de Rita Sussekind


Por Stephanie: Olá, tudo bem com vocês? Hoje é dia de falar sobre um livro que recentemente voltou a ser assunto devido ao filme baseado nele que será lançado no Brasil no primeiro semestre de 2017. Estou falando sobre Antes Que Eu Vá, o primeiro livro publicado da autora Lauren Oliver. A Juny já fez uma resenha sobre ele aqui no blog que você pode conferir neste link. Então bora saber se as nossas opiniões são parecidas?

É comum pensarmos sobre a morte. Acredito que todo mundo tenha um pouco de interesse mórbido em saber como vai ser e o que vem depois. Mas já pensou se você ficasse preso em um looping infinito no seu último dia de vida? Seria uma tortura ou benção? Ao ler Antes Que Eu Vá, acho que consegui encontrar uma resposta.

Samantha Kingston, a protagonista, é a típica garota popular do Ensino Médio. Tem uma família amorosa, estuda em uma boa escola e tem pais com estabilidade financeira. Isso sem contar as amigas incríveis e o namorado perfeito. É uma personagem construída pra ganhar nossa antipatia (e que conseguiu a minha logo nos primeiros capítulos), pois trata as outras pessoas como inferiores e tem interesses fúteis. O acidente que tira sua vida e a prende nesse buraco-negro temporal vira seu mundo de cabeça para baixo e a faz questionar as escolhas que fez até então. E juntos iremos acompanhar a jornada da personagem em busca de um sentido nesta tragédia. 
Tente não me julgar. Lembre-se de que somos iguais, eu e você.
Também pensei que fosse viver para sempre.
Achei o clima da obra muito parecido com o livro Se Eu Ficar, até mesmo por tratarem de temáticas semelhantes. Mas em Antes Que Eu Vá, o drama é menos presente e tudo soa bem juvenil, já que o Ensino Médio é retratado diversas vezes ao longo da história (já que o dia em que Samantha morre é letivo). Isso é um pouco cansativo no começo, por conta da repetição. Mas Lauren Oliver conseguiu trazer dinâmica para o enredo lá pela metade da obra, com situações diferenciadas que mesmo sendo clichês, funcionam.

Falando em clichês, as escolhas feitas pela autora não são nada de novo. É fácil prever o que irá acontecer com certa antecedência, mas acho que isso se deve a ser seu livro de estreia, quando Lauren ainda não era tão experiente. A escrita se mostra encantadora mesmo e me fez sentir imersa na leitura desde a primeira página. 
(...) Foi quando percebi que certos momentos se estendem para sempre. Mesmo depois que terminam, continuam, mesmo depois que você está morta e enterrada, esses momentos perduram, no passado e no futuro, até a eternidade. São tudo e estão em todos os lugares ao mesmo tempo.
Os personagens também são clichês do gênero, mas destaco Juliet e Kent por possuírem personalidades tridimensionais e críveis. Devido à situação, não há espaço para o desenvolvimento de todos, e Sam é praticamente a única que cresce e evolui durante a história (o que achei um ponto negativo, de certa forma).

Antes Que Eu Vá é uma história sobre bullying, crescimento pessoal, família e escolhas. Vai te trazer reflexões e te fazer pensar quais caminhos você tomou para chegar até aqui, onde você está hoje. E claro, também é uma história sobre perdão, empatia e sacrifício, que acho que são coisas bem escassas nos dias de hoje. Só não me cativou como eu esperava, e o final deixou a desejar (por motivos que não posso explicar, se não seria spoiler). Estou curiosa pelo filme, e vocês? 

Pra deixar a ansiedade ainda maior, assista o trailer legendado abaixo. Até mais, pessoal!





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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Resenha: "Armadilha" (Melanie Raabe)

Tradução: Karina Jannini


Por Sheila: Oi Pessoas! Quem gosta de Thriller Psicológico aí levanta a mão (!!!) E se além disso ainda houver muito suspense, adrenalina a mil, reviravoltas e finais surpreendentes? Bom, era mais ou menos isso que a sinopse e algumas resenhas prometiam para essa leitura, o que me deixou com altas expectativas.

Linda é uma escritora atormentada. Aliás, Linda é nossa narradora e, me desculpem os que não gostam de livros narrados em primeira pessoa, mas conversar com Linda e acompanhá-la nessa jornada de vingança e redenção é ótimo.

Mas voltando a Linda, ela não sai de sua casa há dez anos. Mais precisamente, desde que sua irmã foi assassinada. Em meio a tentativas de transformar sua casa ampla em mundos diferentes, para não se sentir tão presa, Linda tem pesadelos com o assassino da irmã, que viu de relance no dia fatídico.

Autora Best Seller, Linda mantém um contato quase nulo com o mundo exterior, o que faz com que muitos acreditem que esse seja um pseudônimo, e que a escritora reclusa e egocêntrica seja um artifício de marketing para chamar a atenção.

Deitada em seu quarto em meio a um de seus inúmeros pesadelos, ela percebe que neste, em particular, o monstro - como denomina o assassino de sua irmã - está diferente. Outro corte de cabelo, mais velho talvez? O terror que sempre a acompanha nos pesadelos vira choque: primeiro por que ela não esta dormindo, mas acordada e, segundo, por que agora ela finalmente tem meios de descobrir quem é o assassino de sua irmã. 
Uma frase que não consigo entender direito ecoa em minha cabeça. É uma voz. Pisco com os olhos grudentos, noto que meu braço direto esta adormecido, aperto-o tentando reanimá-lo. A televisão ainda esta ligada, e dela vem a voz que insinuou em meus sonhos, que me despertou.
É uma voz masculina, impessoal e neutra, tal como sempre soam nos canais de notícia que às vezes trazem esses belos documentários de que tanto gosto.
(...) Um repórter está diante do Reichstag, que se ergue, majestoso e imponente, na escuridão, e conta algo sobre a última viagem do chanceler ao exterior.

É só então que Linda de fato o vê. E reconhece. A partir de então, todos os esforços de Linda direcionam-se para encontrar um modo de confrontar o monstro, agora uma pessoa de carne e osso – Victor Lenzen, pai, jornalista de renome – e de fazê-lo admitir que assassinara sua irmã. Linda começa a preparar-se e montar sua Armadilha.

Mas como confrontá-lo se ela não sai de casa? Depois de muito se torturar a resposta pareceu-lhe clara como água. Ela era uma escritora, logo, iria escrever um livro onde narraria o assassinato de sua irmã, mesmo que isso fugisse do tema que geralmente escolhia para seus livros, o romance. Além disso, especificaria que sua primeira entrevista em muitos anos deveria se dar em sua casa, tendo um jornalista específico: Victor Lenzen.

Por mas que a autora, que é alemã, tenha ganhado o prêmio de melhor suspense policial de estreia, confesso que fiquei bastante decepcionada com a escrita e enredo. Talvez por que eu esperasse o que ele prometia: um thriller psicológico brilhante, e tenha recebido um suspense policial ate bem escrito e aceitável, que deixa algumas duvidas no ar e nos mostra que nem sempre nossas memórias são confiáveis. Mas só.

Claro que tenho quase certeza que a minha profissão influenciou de forma determinante à construção da minha crítica. Simplesmente não me parece possível que, uma mulher com a sintomatologia apresentada na obra, consiga em seis meses não só escrever um livro brilhante, mas se tornar capaz de enfrentar o assassino de sua irmã, de quem ela não possuía raiva, mas um pavor fóbico.

Também passa uma visão irreal do poder da terapia de dessensibilização sistemática, que nada mais é que um conjunto de técnicas de exposição/aproximação à experiência traumática, envolvendo treinamento ao relaxamento físico, estabelecimento de uma hierarquia de ansiedade em relação ao estímulo fóbico e contra condicionamento do relaxamento como uma resposta ao estímulo temido. No livro ela treina seu medo de aranhas para, mais tarde, poder suportar estar na mesma sala que o assassino de sua irmã (??????).

Fora isso, uma leitura dinâmica, com diálogos tensos, uma ideia bastante original e criativa. Recomendo.


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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Resenha: "A Prisão do Rei" (Victoria Aveyard)

Tradução: Alessandra Esteche/Guilherme Miranda/ Zé Oliboni

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês o terceiro livro de uma série da qual eu sou mega fã: A Rainha vermelha! Já resenhei o primeiro livro aqui, o segundo aqui e a autora também nos presenteou com alguns contos deste universo, resenhados aqui.

Para quem não lembra, o mundo de Mare é dividido entre vermelhos e prateados. O que define quem uma pessoa é, seu lugar  no mundo, é a cor de seu sangue, mas não somente isso: os prateados possuem poderes, o que os divide numa série intrincada de Casas com uma outra série intrincada de jogos políticos.

Aos vermelhos como Mare resta apenas uma coisa: servir. E, se mesmo essa pequena meta não for alcançada, morrer na guerra que já dura mais de um século contra os povos vizinhos.

Por motivos que você vai precisar ler os livros para descobrir, Mare acaba no palácio do atual Rei de Norta, onde vive e, em meio a um desafio para escolher a nova consorte do principe mais velho, futuro rei, e num acidente acaba-se descobrindo que ela, uma vermelha, ser considerado inferior, também possui uma habilidade, antes peculiaridade presente somente naqueles de sangue prateado.

Há murmúrios sobre uma onda de rebeldes levantando-se contra os prateados, a Guarda Escarlate e nesse primeiro livor, enquanto Mare, transformada em Mareena para encobrir sua origem, tenta descobrir quem é, acaba por servir de joguete e fantoche nas mãos de muitos: os próprios prateados, o príncipe Maven, segundo na linha de sucessão e que prova-se um tremendo traidor, e a Guarda Escarlate.

Em a Rainha Vermelha, Mare é uma personagem apagada, é a protagonista mas não protagoniza nada além de um triângulo amoroso entre dois príncipes, Cal o herdeiro, que é obrigado pela Rainha Elara e seu poder de se intrometer na mente de outras pessoas a matar o próprio pai; e Maven, que se disse a favor dos vermelhos e da Guarda Escarlate, mas queria apenas um bode expiatório em quem colocar a culpa pela morte de aliados de Cal, preparando o momento em que reclamaria a coroa.

No segundo livro, Espada de Vidro, teremos uma Mare mais forte, mas ainda um tanto quanto voluntariosa e atrapalhada em como lidar com sua habilidades. Fugindo junto com Cal, o principe renegado, alia-se à guarda escarlate e descobre que há outros como ela - e que estão sendo sumariamente caçados e executados por Maven de forma metódica e cruel.

Junto aos corpos dos agora chamados Sangues Novos, Mare encontra bilhetes de Maven, que se propõe a parar com o banho de sangue caso Mare se entregue. O segundo livro é denso, triste, cheio de solidão e um profundo desespero em sua narrativa, onde ainda encontramos uma Mare que não consegue acreditar que Maven, o seu Maven, não existia, e que encontra nos braços de Cal um refúgio.

Ao fim deste segundo livro, um dos resgates a Sangue Novos tem vários desdobramentos imprevistos que incluem a morte de Elara, a Rainha; a morte do irmão de Mare por um projétil destinado a ela; e por fim, sua rendição a Maven para poder se redimir e tentar salvar aqueles a quem ama.

Chegamos então ao terceiro livro, A Prisão do Rei. Ao contrário do que Mare imaginava, Maven não era apenas um joguete nas mãos da Rainha Elara, e segue em seu reinado de terror mesmo na ausência da Rainha. No entanto, seu interesse em Mare parece ser genuíno, quase beirando a obsessão, único motivo para que a mesma não tenha sido sumariamente castigada e executada por seus crimes.

Levanto quando ele permite.
Sinto um puxão na corrente presa à coleira no meu pescoço. As farpas cravam em mim, mas não o bastante para fazer sangrar - ainda não. Meus punhos ja sangram. As feridas são consequência dos dias de cativeiro inconsciente usando as algemas ásperas e dilacerantes. As mangas outrora brancas estão manchadas de rubro e escarlate vivo, passando do sangue velho para o novo como prova do meu tormento. Para mostrar à corte de Maven o quanto já sofri.

Ao invés disso, ela é feita de prisioneira e tratada como uma boneca ou bicho de estimação real: usada em jogadas políticas quando necessário, sendo usada como isca para a Guarda Escarlate, e como forma de enganar a população contra os rebeldes, bem como alistar o máximo possível de Sangues Novos, agora sob a tutela de Maven.

A história neste penúltimo volume é narrada por três vozes: da própria Mare, Cameron, uma sangue nova que se junta a Guarda Escarlate contra sua vontade e Evangeline Samos, numa reviravolta no que diz respeito ao desenvolvimento dessa personagem, que arrisco dizer que em alguns momentos gostei mais dela do que de Mare. 

Mas, pegando leve com Mare, ela soube demonstrar sua força e seu amadurecimento neste livro. Algumas páginas se arrastaram, momentos em que pudemos ver toda a angústia da personagem por estar totalmente separada de seu poder por ter de usar braceletes com pedras silenciadoras, ela pode ter seu corpo subjugado mas sua mente, nunca. Em complexas discussões e jogos de poder com Maven, ela vai desnudando as brechas da sua personalidade, bem como descobrindo sua maior fraqueza: ela mesma.

- Nossas conversas são tão agradáveis.- Se você prefere seu quarto ... - ele alerta. Mais uma ameaça vazia que faz todos os dias. Nos dois sabemos que isso é melhor que a alternativa. Pelo menos agora posso fingir que estou fazendo algo de útil e ele pode fingir que não esta completamente sozinho nesta prisão que cosntruiu para si mesmo. Para nós dois.

Além disso, a Guarda Escarlate mostra-se cada vez mais organizada, ramificada de uma maneira que inda é impossível saber de fato seu tamanho e extensão, com uma cadeia de comando que não pode ser apreendida, um dos motivos para seu crescimento e expansão, conquistando cidades e angariando cada vez mais aliados rebeldes entre os vermelhos.

Batalhas épicas, personagens marcantes, dramas comoventes, alianças improváveis e quebras dilacerantes fazem da leitura de A Prisão do Rei um misto de ansiedade, raiva da nossa querida Victoria por brincar com o nosso coraçãozinho e, claro, desespero pelo último capítulo dessa saga fenomenal, apesar do medo que ela traz, pois nada parece dizer que o final será feliz.
Recomendadíssimo.

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sábado, 10 de junho de 2017

[Novidades] Estante Virtual comemora o mês dos namorados com campanha “À flor da pele”



A curadoria do site, que é o maior do país no comércio de livros seminovos e usados, reúne 50 títulos que prometem despertar as emoções nos leitores.

Os amantes da literatura sabem que a companhia de um bom livro pode proporcionar um misto de emoções. Pensando nisso, a Estante Virtual preparou para o mês dos apaixonados a seleção “À flor da pele”, com 50 livros para despertar sentimentos. Quem acessar o portal verá que os títulos estão divididos em cinco categorias: para se apaixonar, para chorar, para sorrir, para gritar e para desplugar.

LIVROS PARA SE APAIXONAR


LIVROS PARA CHORAR

LIVROS PARA SORRIR

Veja mais títulos aqui

“Não existe nada mais romântico e verdadeiro do que compartilhar com quem se ama uma história que marcou a sua vida e, na Estante Virtual, a possibilidade de encontrar esses títulos, até mesmo os mais raros, é mais alta do que em qualquer outro e-commerce de literatura. Por isso, aqueles que ainda não encontraram a inspiração que precisavam, podem aproveitar a nossa lista cheia de emoções, e escolher um presente especial”, incentiva Erica Cardoso, gerente de marketing da Estante Virtual. 

O romance “Amor nos tempos de cólera”, do colombiano Gabriel García Márquez, é um dos livros selecionados “para se apaixonar”. Publicado originalmente em 1985, o livro conta a história de um homem que se apaixona pela trança de uma menina de família. Os dois trocam cartas, mas ao conhecer seu admirador, a moça rejeita-o e casa com outro. O amor, porém, persiste e dura a vida inteira. Nesta fábula de realismo-fantástico, o escritor mostra, numa narrativa extremamente envolvente, que a paixão não tem idade.

LIVROS PARA GRITAR


LIVROS PARA DESPLUGAR

Veja mais títulos aqui

O livro de William P. Young “A Cabana” – que no momento está fazendo sucesso na tela dos cinemas – também faz parte da lista e está na categoria “para chorar”. A história de esperança e resiliência conta sobre o bilhete que Mack Allen Phillips recebe de Deus depois do desaparecimento de filha mais nova durante uma viagem de família.  Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo, mudando para sempre seu destino.

Já na direção do suspense, a categoria “para gritar” traz “Os últimos soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais. O livro conta a saga da Rede Vespa, um seleto grupo de agentes secretos que se infiltrou em organizações anticastristas em Miami. O autor leva o leitor para o universo das organizações criminosas internacionais, com aventuras mirabolantes, disfarces perfeitos, emissários secretos e conquistas amorosas. A obra contém todos os elementos de suspense de um romance de espionagem.

Criada em 2005, a Estante Virtual já ultrapassou a marca de 16 milhões de livros em todo o País. Formada por uma rede que integra 2.600 pequenas livrarias, a plataforma on-line reúne livros usados, seminovos e novos, além de exemplares raros, com preços que possibilitam uma redução de custos de até 75%.

Até a próxima!

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Resenha: “Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial” (Ethel Johnston Phelps)

Tradução de: Julia Romeu

*Por Mary*: “Era uma vez...”

Tenho uma sobrinha de sete anos, uma prima de oito e uma afilhada de quatro. Quando li a apresentação deste livro, pensei nelas e em como eu gostaria de ter tido acesso a histórias com heroínas rebeldes e corajosas na minha infância.

Sobretudo didático, uma introdução nos ensina a diferença entre narrativas folclóricas e contos de fadas, que, nesta obra, são tratados de maneira sinônima. Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial reúne uma coletânea de histórias contadas no mundo todo, oriundas de diversos povos, com o objetivo de reforçar crenças, entreter ou divertir crianças e adultos, sempre trazendo heroínas em seu plano principal. 
Essa história é tão confortável e familiar quanto um cobertor macio. É a mesma história que meninas e mulheres ouvem há décadas. Ela afirma que um final feliz é algo dado – não alcançado – e que a melhor maneira de obtê-lo é esperar pacientemente, de preferência cantando uma musiquinha bonita. [...] Não há muitas musiquinhas bonitas nos contos de Chapeuzinho Esfarrapado. O que estas histórias contêm é valentia e iniciativa, esperteza e coragem, humor e compaixão.

No século XIX, a protagonista era vista como uma rebelde, e seu comportamento não era aprovado. Sua irmã gêmea dócil e gentil tinha o comportamento que era considerado ideal. O folclorista do século XIX que adaptou o conto, descreveu Chapeuzinho Esfarrapado como uma “sirigaita”. Mas fica claro que ela é a personagem principal e a verdadeira heroína da história.

Em Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial, você conhecerá uma princesa que veste uma capa esfarrapada e anda por aí montada em um bode, uma mãe que enfrenta um elefante para salvar seus dois filhos, uma jovem que enfrenta o exército das fadas para salvar seu amado, três mulheres fortes que ajudam um lutador a impressionar o Imperador, três velhinhas que enfrentam o sobrenatural com muita coragem, uma égua vestida de noiva, uma donzela que salva seu amado de um feitiço terrível dos trolls, uma esposa que usa a inteligência para salvar seu marido de uma grande enrascada contra um gigante, dentre outros.

Todos os contos são narrados em terceira pessoa, no esquema do “era uma vez”, com animais falantes, fadas, encantamentos e “foram felizes para sempre”, em reinos muito distantes ou pequenas aldeias espalhadas pelo mundo.
- O rei me mandou perguntar o que vossa alteza gostaria que ele lhe trouxesse de presente de Dûr.
Mas Imani, que só pensava em como poderia desatar o nó sem partir o fio, respondeu:
- Paciência.
O que ela quis dizer foi que o mensageiro precisava esperar até que pudesse atende-lo. Mas o mensageiro foi embora com a resposta e disse ao rei que a única coisa que a princesa Imani desejava era paciência.
- Oh! – exclamou o rei. – Não sei se é possível comprar isso em Dûr. Eu próprio nunca tive, mas, se conseguir encontrar, comprarei para ela.
 
Diferentemente dos contos de fadas a que estamos acostumados, no entanto, as princesas destas histórias não são donzelas em perigo que esperam passivamente pelos atos heroicos dos príncipes que irão salvá-las com um beijo de amor verdadeiro. Muito pelo contrário, em muitas destas histórias, são as princesas quem salvam os príncipes, cumprindo funções heroicas que vão muito além de um mero beijo. Elas enfrentam exércitos de fadas, trolls, feitiços malignos e até o destino, para salvar a vida do ente amado.

Muito embora estes contos, em tese, sejam destinados ao público infantil, a equipe de edição realizou um maravilhoso trabalho de coleta e adaptação, elaborando textos explicativos que representam verdadeiros ensaios de análise literária, que esclarece e amplia os horizontes dos adultos que leem as belas tramas feministas. 
Enquanto discutíamos o livro, me dei conta de que havia subestimado não apenas o meninos (por que ele não iria gostar de um livro só por trazer histórias com protagonistas mulheres?), mas o poder da história em si. Foi um lembrete esclarecedor de que esta coletânea oferece janelas e espelhos para meninos também. Ver a si mesmos como, talvez, desejem ser – parceiros com os mesmos direitos, ajudantes de grande valor e, às vezes, beneficiários de um bom resgate – e ver meninas retratadas não como donzelas indefesas, mas como as pessoas fortes e capazes que eles sabem que elas são.
Fiquei com vontade de ler para as minhas garotinhas (e elas que me aguardem!).

Ainda que sejam contos feministas, acredito que é uma leitura indicadíssima para os meninos também, principalmente aqueles que gostam de aventuras. As meninas arrasam enfrentando muitos perigos e agindo em pé de igualdade com os personagens masculinos das histórias.

Portanto, se você deseja uma leitura leve, divertida, capaz de reporta-la a reinos tão, tão distantes, capaz de te levar até de volta para a sua infância, Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial é leitura para se fazer uma sentada só, e também para manter o livro dentro da bolsa para horas vagas, uma vez que são histórias rápidas, descomplicadas e curtas.
- Você não vai me perguntar por que uso essas roupas em frangalhos?
- Não – disse o príncipe. – Está claro que você as usa porque quer e, quando quiser trocá-las, vai fazer isso.
Ao ouvir isso, a capa toda rasgada de Chapeuzinho Esfarrapado desapareceu e em seu lugar surgiram um manto e uma saia de veludo verde. O príncipe apenas sorriu.
- Você fica muito bem com essa cor.
Quando o castelo surgiu no horizonte, Chapeuzinho Esfarrapado disse para ele:
- Não vai pedir para ver meu rosto sem essas manchas de fuligem?
- Isso também vai acontecer quando você quiser.
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Resenha: “Peça-me o que quiser ou deixe-me” (Megan Maxwell)



Tradução de: Ernani Rosa e Tamara Sender

Leia também as resenhas dos volumes anteriores:

*Por Mary*: E então, preparados para o terceiro livro desta trilogia que não acaba aqui?

Dessa vez, não assustei o carteiro, juro... quer dizer, só quase beijei a carequinha dele.

Beijo, seu Carteiro! o/ Pense num cidadão que eu considero! :*




- Pequena, só você me interessa.
Vai me beijar, mas eu me afasto.
- Acaba de me virar o rosto, senhora Zimmerman?
Sua expressão, sua voz e seu riso conseguem por fim me fazer sorrir:
- Cuidado, senão, lá vai cotovelada, entendido?
Mas vamos lá, que aqui temos a playlist atualizada de Peça-me:



E dessa vez vou incluir um vídeo também, porque quero todo mundo sofrendo junto comigo:



Mas antes de começar esta resenha, preciso deixar um aviso aos navegantes, de que este texto contém SPOILER dos livros anteriores. Então, se você ainda não começou a ler o segundo livro e não tolera saber finais antes da hora, fique avisado e não venha me xingar depois.

- Legal. Se é uma ponte de namorados, acho legal que os nomes de vocês estejam aí. – E, olhando para os outros cadeados, continua: – E por que nesses cadeados há outros menores?
Abaixando-se também, Eric explica:
- Esses menores são o fruto do amor dos cadeados grandes. Quando os casais têm filhos, eles os incluem nesse amor.
Flyn olha para nós dois e pergunta:
- Viemos colocar o cadeado de Eric?
Nego com a cabeça. Em seguida meu amor tira do bolso dois cadeados pequenos, mostra ao garoto e diz:
- Viemos colocar dois cadeados. Num deles está escrito Flyn, e no outro Eric.
Ele pisca e diz, emocionado:
- Com meu nome também?
Em Peça-me o que quiser agora e sempre, vimos que Judith mais uma vez deu a louca e foi embora. E Eric, mais uma vez, foi atrás dela. Apesar de ter certeza dos sentimentos que alicerçam sua relação, Jud duvida que haja um futuro para os dois. A constante superproteção e os ciúmes de Eric, aliado aos gênios fortes de ambos, tornam a convivência bastante complicada.

Mas isso seria capaz de apagar o incêndio que surge quando estão juntos?
- É assim mesmo, moreninha! Não lembra o que sua mãe dizia?
- Não.
- Ela sempre dizia: “O homem que se apaixonar por Raquel terá uma vida sossegada, mas o homem que se apaixonar por Judith... tadinho! Vai ter encrenca todo dia!”
Sorrio ao lembrar essas palavras da minha mãe, e meu pai acrescenta:
- E é exatamente assim, moreninha. Raquel é como é, e você é como sua mãe, uma guerreira! E, pra aguentar uma guerreira, só há duas opções: ou você fica com um bobão que não abre a boca ou com um guerreiro como Eric.
Em Peça-me o que quiser ou deixe-me, Judith precisa decidir de uma vez por todas se embarca na montanha russa de sensações que uma vida ao lado de Eric Zimmerman representa ou em uma vida tranquila na Espanha, ao lado da família e dos amigos.

Consoante os livros anteriores, tem-se uma narrativa linear, em primeira pessoa, partindo do ponto de vista da protagonista feminina, Jud.

Pra ser bastante franca, desta vez as tramas secundárias me chamaram bem mais atenção do que a trama principal. Dexter e Graciela, por exemplo, têm um mote, a meu ver, absolutamente completo, que eu teria amado ler em um spin-off inteiramente dedicado à história deles.
- Tenho medo de magoá-la e de que ela me magoe. Conheço minha limitações e...
- Ela também conhece e, pelo que sei, não se importa. Talvez, se vocês fossem um casal típico, seria importante e preocupante pra você, mas vocês não são. E acho que vocês dois seguem a mesma direção em relação ao sexo. Portanto, não há com que se preocupar.
- E filhos? Também não devo me preocupar com isso? Ela é uma mulher e cedo ou tarde vai querer ter um bebezinho e isso eu não posso dar.
Ufa. Falar de filhos não é meu assunto preferido, mas pergunto:
- Como não?
Dexter me olha com cara de pirado. Deve pensar que enlouqueci.
- Há muitas crianças no mundo em busca de uma família. Não acho que um bebê precise nascer da gente pra que a gente o ame, cuide dele e o proteja. Tenho certeza de que, chegada a hora, Graciela e você poderão ter seu próprio filho se ambos desejarem. Vocês só precisam discutir isso. Você vai ver. Mas agora, curta, Dexter, divirta-se com Graciela e deixe que ela se divirta com você. Agora é o momento de vocês se amarem, de ficarem na boa, de se conhecerem e de não permitirem que nada nem ninguém estrague esse prazer.
Penso que afirmar a dispensabilidade deste terceiro livro seria um pouco forte. Na verdade, acredito que o clima deste livro foi diferente. Desde o primeiro volume desta trilogia, viemos nos aprofundando em um relacionamento, amadurecendo, tal qual em nossas próprias vidas.

Sim, acho que é isso: nós vivemos o relacionamento de Jud e Eric. O nervosismo inicial, as inseguranças, as brigas, o avançar da intimidade, o conhecer, o morar junto, enfim. Megan Maxwell proporciona ao seu leitor vivenciar cada fase do relacionamento de seus protagonistas.

Deste modo, mantendo a qualidade dos livros anteriores, este é claramente nostálgico e com a finalidade de encerrar um ciclo.

Apesar disso, não podemos deixar de notar que o conflito escolhido para movimentar a trama é um velho conhecido do leitor. Os ciúmes e superproteção do Eric não só vêm desde o primeiro livro, como também não são unilaterais. Quero dizer, Judith é tanto ou mais ciumenta que Eric, o que antes nunca pareceu ser, de fato, um grande problema para eles.

E quanto a isso, aliás, preciso dizer que a mania da Jud de culpar o Eric em tudo me cansa inexoravelmente, assim como a autora parece determinada a culpar sempre seu protagonista.

Em minha opinião, o clímax deste volume foi desenvolvido rápido demais, mesmo tendo potencial para atingir proporções maiores; diferentemente do clímax do livro anterior, que poderia ter se resolvido com um simples pedido de desculpas, mas foi esticado de uma maneira desproporcional.
- Não. Vocês vão brigar e você vai embora de novo.
Ao ouvir isso, sorrio. Meu baixinho resmungão gosta de mim. Isso me toca o coração. Por isso, me sento ao lado dele e faço com que me olhe.
- Olha, Flyn, teu tio e eu nos amamos muito, mas mesmo assim somos muito diferentes em tantas coisas que vai ser muito difícil não discutir. Mas o fato de a gente discutir não quer dizer que eu vá embora e deixe vocês dois. Seria preciso acontecer uma coisa muito, mas muito grave, e não vou permitir que isso aconteça, ok?
O menino concorda. Pego-o pela mão e o sento no meu colo. Ainda me surpreendo ter conseguido essa intimidade. Quando ele me abraça e apoia sua cabeça no meu ombro, murmuro:
- Gosto muito dos teus abraços, sabia?
Noto que sorri. Durante mais de cinco minutos, continuamos assim, sem falar e sem nos mexermos. Por fim ele me olha:
- Gosto muito que você more com a gente.
Compreendo, por outro lado, que o objetivo de Peça-me o que quiser ou deixe-me foi mais de encerrar a trilogia, o que se demonstra pelo constante clima nostálgico e de fechamento de tramas. Megan tinha mais coisa a nos contar e, por esse motivo, optou por não dar muita importância ao conflito-gatilho da história. Neste caso, acredito que talvez teria sido mais adequado a autora inverter os conflitos, levando este para o anterior e trazendo o outro para cá.

Como já mencionei, é muito gostosa a sensação de acompanhar a evolução de um casal. A gente quase sente a felicidade como se fosse nossa. Mas você acha que a trilogia acaba aqui?

Pois senta aí, menina, que #HABEMUS continuação e spin-off! Primeiro vamos nos aventurar na história de Björn, nosso amado advogado, fiel escudeiro do casal protagonista. E quem é seu par? Ah, só posso dizer que vocês a conheceram neste livro (Será a poodle antipática?). Em seguida, teremos um quarto livro de Peça-me o que quiser, que se chama Peça-me o que quiser e eu te darei. E, por fim (por enquanto), outro spin-off: Passe a noite comigo, que foi lançando agora em Abril de 2017, pela Editora Planeta.

Então, aguardemos, porque a espanholada que você mais reixxxxxxpeita continua!
- Outra menina. Por que estou sempre cercado de mulheres? Quando vou ter um netinho homem?
Eric me olha. Meu pai também. Depois do que vi, não quero ter filhos nem morta!
Uma hora depois, Raquel está num quarto lindo e nós três vamos visitá-la. a pequena Lucía é uma gracinha, e Eric fica babando por ela.
Olho para ele boquiaberta. Desde quando gosta de crianças? Pede permissão à minha irmã, segura a neném com delicadeza e solta:
- Querida, quero uma!
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domingo, 4 de junho de 2017

Music Trip #5 – relaxamento

Algumas viagens acontecem nos intervalos
  



Uns meses atrás, enquanto pensava em musicoterapia, imaginava que se tratava, claro, de utilizar recursos da música como terapia, mas tinha comigo a impressão de que seriam músicas como a clássica ou aquelas ambientes – que não são lá muito atraentes. Nada contra, até já tenho certo apreço (gosto principalmente dos chillouts* com sons da natureza e/ou chuva). Porém, por um tempo, desajustada entre minhas próprias músicas, tive que procurar baixar minha guarda e, consequente, meu ritmo. 


Foi um período difícil por inúmeras razões e mais uma vez fui lá buscar um conforto na música – afinal, nessas épocas, nossas leituras despencam. Para minha sorte, tinha o hábito de fazer playlists conforme o humor ou estilo, então não fiquei tão desamparada nesse sentido; tinha comigo umas opções. Pra todo caso, resolvi expandir essa experiência ao buscar mais músicas, e, no sentido mais estrito da palavra, relaxar.

A propósito, o Google não tem opções interessantes.


(fonte da imagem)
O fato é que a gente não pode simplesmente pular de um estado para o outro sem um momento intermediário. Ao usar músicas ditas relaxantes em um alto momento de tensão, por exemplo, muitas são as chances de o resultado não ser o esperado. Primeiro por ter muitas expectativas, e segundo porque esse desespero para relaxar de vez vai nos bloquear de criar algum tipo de conexão com qualquer técnica ou recurso de relaxamento. É como a lei da inércia #fail

Na music trip anterior (aqui), pautei justo esse desacelerar do passo, que vem a ser esse “momento intermediário”. Neste post, em continuidade, busquei músicas comuns que podem auxiliar já no passo de relaxar, às vezes até induzir o sono – melhor ainda se aliados a exercícios de respiração, banhos ou bebidas quentes. Não testei com meditação por si, embora tenha a impressão que algumas cheguem bem próximo.


Considero as músicas aqui listadas algum tipo master de introspecção, não necessariamente deprê ou sofrência. Por isso, não é indicado ouvi-las enquanto trabalha, estuda, se exercita ou algo semelhante, pois elas pedem um momento que você fique off. Feche suas redes, procure um lugar calmo, evite distrações e dedique-se a você. Aí sim, resultados positivos! (e não deixe de conversar sobre isso com seu terapeuta). Acima de tudo, respeite seu tempo. 

Segue aí uma musicoterapia pra de-sar-mar

The Common Linnets – Calm After The Storm


Calma depois da tempestade diz tudo, né? Capturei essa do concurso Eurovision faz uns anos e ela é figurinha carimbada nas minhas listas de descanso/sono/relaxamento/ritmo zero. É um country leve, puxado pro blue folk, perfeito pra embalar a gente. Só de ouvir um pedacinho, já fecho os olhos e me desfaço toda. Em banhos de relaxamento então, nem dá vontade de sair da água.


The Dust Of Men – What The Morning Shows


O que a manhã demonstra é um doce alento, um abraço no escuro, uma esperança sobre o amanhã. Conforto, descanso, consolo. Todos esses ossos, tão cansados ​​e desgastados / Todas as minhas memórias são queimadas e rasgadas / Mas essa luz continuou em frente / E todas as minhas memórias são de beleza agora / A beleza da luz, despejando em cada sala desta casa / Brilhando até toda aquela escuridão ir embora. Fico modo gelatina e me deixo guiar por essa voz serena – voz essa que, nas horas certas, também é expurgante. É um rock alternativo suave na medida!

Rivers & Robots – Voice That Stills The Raging Seas


Fiquei numa dúvida terrível de qual música do Rivers & Robots colocar primeiro e Voz que acalma o mar revolto saltou na frente. Paz, aconchego, harmonia, suavidade. É uma música de nos colocar num potinho, nos sentir abraçados e nos desmantelar, tudo numa cadência muito, muito, muito relaxante. More Than Enough segue numa linha semelhante, tranquila e terna. Já em Home, gosto da calmaria e leves batidas aliadas a ligeiros sons da natureza. Your Love Reaches é outra pra derrubar, principalmente após uma situação de exaustação, ótima pra reajustar a agitação e, pelo senso arrastado, te permitir relaxar. Indie, folk, indietrônico, rock alternativo, tem de tudo um pouco. Uma ex-ce-len-te opção também é o álbum Still, que possui – wait for it! – toda uma seleção de relaxamento a partir de versões instrumentais da banda. Ao que diz na descrição, o álbum “oferece um oásis sonoro durante a troca de horas de pico”. Mergulha nessa, my friend!

Bethel Music – It Is Well (Dan Giffin Remix)**


It is well, original da Kristene DiMarco em parceria com o grupo Bethel Music, é uma música suave e de força interior, que foi expandida na versão do Dan Giffin. Mixes de piano, dubstep e outros elementos eletrônicos são de entrar em puro êxtase de relaxamento. Nussa, um chillout altamente catártico. Tem outra versão também, tão coração expandido quanto essa, aqui**. Outras do Bethel que te transportam são as parcerias com a Jenn Johnson, como Nearness e In Over My Head, ou a com Hunter Thompson, Home. Abracem todas!


Strahan – Daily Bread


Daily Bread é… fico até sem palavras; RT no What The Morning Shows! Sério. Um combo de blue, folk, indie, abraço sereno, um descanso profundo, uma viagem de muito chão. There Will Be A Day** e Water & Fire vão um rumo muito semelhante. Um frisson, como disse na Music Trip #1, é com Feel The Night. É de não querer largar nunca o sentimento de paz.


Kye Kye – Trees & Trust


A voz melodiosa, terna e branda em Trees & Trust é de um deleite perfeito. Indietrônico experimental, semelhante a uma canção de ninar, a música é de se sentir deitar nas nuvens – e que sono gostoso, mia gente! Parece que nos transportamos para o mundo dos sonhos, e lá, seguros, podemos desfrutar do mais puro descanso. Quer convite melhor?


 Brandon Flowers – Only The Young


Only The Young também me parece remeter ao campo dos sonhos, embora mais voltado pra fantasia – mais precisamente, uma fuga da realidade. A cadência envolve nossa criatividade, pra correr solta pelos cantos da mente, e, à distância, viver um momento só nosso. Vale a pena a viagem.

Dishwalla – Far Away**


Grunge das antigas, Far Away embala direitinho quando nos encontramos em um ponto de desajuste, indecisão, insegurança ou precisando de um tempo para reflexão. Ela nos transporta para um lugar longe e nos propõe uma busca interior. No outro dia / Estava procurando por mim mesmo novamente / Tentando repor todos os pedaços / Do jeito que eles eram / Às vezes não é tão fácil / Quando você tem tantas pessoas / Te dizendo o que fazer / Eu penso que eu consigo lidar agora/ Mas não tenho muita certeza. Às vezes a gente só precisa se achar de novo, né, não?


Boy – July


July é literalmente uma música pra desarmar – a letra enfatiza isso, para além de um abraço amigo. Empática, ela nos lembra dos dias difíceis, dos dias que nos sufocam, e que esses dias têm um fim. E não tem problema algum se você se sente exausto. O ritmo lento, arrastado até, remete – acho eu – a esse processo lento de aceitar ou mesmo admitir o que se está sentindo. No mais, ela diz: você não está sozinho; Tire os sapatos agora / Você veio de um lugar distante / Você andou todos esses quilômetros / E agora você está no lugar certo [...] Você percebe / Todas as quedas e voos / Todas as noites sem dormir / Todos os sorrisos e suspiros / Trouxeram você aqui / Trouxeram você para casa. Boy também traz um tipo semelhante de introspeção em Railway, que transcende nossa percepção com uma narrativa ao estilo fluxo de pensamento, e Into The Wild, que nos sugere procurar um caminho quando o coração está em dois lugares, indeciso. Ambas são de mergulhar no profundo eu e contemplar com calma o que temos ali.


Coldplay – Yellow


Yellow é uma música de esperança; dá uma guinada quando tudo parece estar escuro demais. Ela relembra que dias são dias, e eles passam – às vezes só lento demais; porém, se mudarmos um pouco a perspectiva, se nos colocarmos à distância, podemos confiar que vai ficar tudo bem. A confiança em si é um ponto-chave pra se permitir relaxar e deixar levar.



OBS:

1) Incrivelmente, depois de tanta procura e resolver montar meu próprio repertório, encontrei uma lista numa matéria da revista Veja, que vai de Coldplay a Mozart. A matéria fala sobre os efeitos harmônicos – quase um transe – de músicas relaxantes. Vale muito ler  aqui. 
De acordo com o estudo realizado no Reino Unido, a faixa foi apontada como tão eficiente em sua função de relaxamento que, um dos médicos do laboratório que conduziu a pesquisa, chegou a recomendar que motoristas não a escutassem enquanto estiverem dirigindo.

2) Estado de relaxamento não significa estado de sono. Pode auxiliar no sono sim e principalmente a diminuir os estados de alerta que ansiedades, pânicos e estresses provocam. Mas, atenção, ele não resolve o problema.

3) *Chillout é um estilo de música relaxante – geralmente eletrônicos suaves,  progressivos e com toques de piano. Gosto especialmente desta. As ambientes são mais conhecidas como downtempo.

4) Tem um aplicativo maravilhoso chamado Sons de Chuva (dica do Canal Sou Penso Ajudo); são vários tipos de chuva, em que você CALIBRA trovões e sons de piano, e tem acesso a outros aplicativo de sons relaxantes. Ah, e funciona offline! Só amorzinho <3


Tem dicas de músicas pra relaxar?
Só comentar aí embaixo.
E se você é team spotify, pode curtir as músicas do post por lá.
As poucas que só tem no youtube, marquei de ** 




Bônus: Playlist do álbum Still Vol.1 – Rivers & Robots



Veja mais music trips aqui

Kleris Ribeiro é beletrista, produtora e agente cultural. Garota dos bastidores, se joga em marketing digital, comunicação e, recentemente, zines. Fascinada pelos mistérios do universo do livro, é administradora do blog Dear Book e diretora do Clube do Livro Maranhão. Fangirl, diz que mantém a cabeça nas nuvens e os pés no chão.
 Até a próxima e boa viagem! 
#blogdearbook #musictrip #boaviagem


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Ana Liberato