segunda-feira, 25 de junho de 2018

Resenha: "A Heroína da Alvorada" (Alwyn Hamilton)

Tradução: Eric Novello


Sinopse: Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.

Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.

Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: Antes de começar a ler esse post eu sugiro dar uma olhada nos outros volumes da Trilogia do Deserto, e assim evitar qualquer possível spoiler que possa aparecer nesse texto.

Armani e o o que sobrou do exercito rebelde estão presos por uma muralha de fogo dentro do território inimigo. Os inimigos do sultão estão nos portões enquanto o sultão cria suas máquinas demoníacas com a ajuda de sua filha Leyla, uma traidora da rebelião. Houveram muitas mortes no último volume, A Traidora do Trono, e até o final dessa guerra terão muitas outras.



Ela havia morrido para que outros pudessem viver. Para que pudéssemos salvá-los. Para que outras garotas não morressem enquanto estivéssemos fora da cidade. Talvez até tivesse entrado ali sabendo que uma de nós morreria e decidira que seria ela. Para que pudéssemos viver. Escapar.Ela havia morrido para que pudéssemos fugir. Então fugimos.

Esse foi um dos volumes mais emocionantes e intensos para mim. Amani amadureceu muito e agora é a líder de uma rebelião e tem que fazer escolhas extremamente difíceis. Por vários momentos simplesmente precisei fechar o livro, respirar fundo e preparar um chá. 



Amani terá que lidar com as consequências de suas escolhas, com os seus desejos e com forças primordiais de seres míticos. Será que ela está preparada para tudo o que acontecerá até o clímax dessa aventura que chega ao fim nesse volume?

Tive a impressão de se tratar de um livro sobre encontros e desencontros, digo isso porque muitas personagens que nos foram apresentados em volumes anteriores estarão de volta. Bem ao estilo final de novela para dar desfecho aos seus arcos. Alguns desses encontros mais marcantes para mim foi entre Amani e seu irmão desaparecido, Noorsham; e quase no final de tudo - ao menos era o que parecia -, entre Amani e seu pai djinni, Bahadur.

Amani narrou a história dela em meio a uma guerra onde ela deixou de ser aquela garota egoísta da Vila da Poeira para se tornar uma das principais apoiadoras da causa do príncipe rebelde, Ahmed. Uma coisa que mais deixa curioso ao longo da leitura é se ele conseguirá cumprir sua promessa: Uma Nova Alvorada. Um Novo Deserto. E assim se tornar um governante que o sultão, seu pai, jamais fora para o povo.

O príncipe rebelde é o verdadeiro herdeiro. Ele deve governar Miraji, ou nenhum outro sultão reinará. O país será destruído pela guerra e pela conquista, consumido por exércitos à espreita em nossos portões. Será dividido e sangrará até a morte nas mãos de nossos inimigos.Este sultão só pode trazer escuridão e morte. Apenas o verdadeiro herdeiro de Miraji pode trazer paz e prosperidade.Então, um grito aflorou na multidão. Mesmo assim, todos ouviram as palavras que se seguiram.O príncipe rebelde renascerá.Trazendo uma nova alvorada. Um novo deserto.

Fugir da cidade de Izman, libertar o restante dos rebeldes de sua prisão em Eremot e acabar com o sultão são alguns dos maiores arcos desse livro, entre muitos outros que vão se solucionando, é um livro com muitas outras narrativas amarradas. Enxergo essas páginas como aquelas tapeçarias que tinham a mesma função de transmitir as histórias de um povo ao longo dos anos. 

Eu devia saber melhor do que ninguém a distância que separava as lendas da verdade. As histórias nem sempre eram contadas inteiras. Os monstros das histórias eram menos ferozes no mundo real; os heróis menos puros; os djinnis mais complicados. Mas havia certas coisas que não deveriam ser cutucadas só para ver se os dentes eram mesmo tão afiados quantos as histórias diziam. Porque, considerando a mínima possibilidade de as histórias estarem certas, você acabarias perdendo um dedo. 

A trilogia, como um todo, é super rica em relação ao folclore árabe. Isso fica muito nítido ao revelar o dia-a-dia das personagens, sua cultura e suas relações. E por se tratar de uma ficção fantástica, muitos dos mitos e lendas são mais vivos do que se pode imaginar.


Intercalado com a narrativa há pequenos contos relacionados às personagens, esses capítulos são os únicos que têm título. Alwyn conseguiu dar um final épico para essa trilogia arrebatadora e seguiu de perto o exemplo de Sherazade como uma contadora de histórias árabes.


A guerra tomava vidas e mudava as dos sobreviventes.

Bônus: Um e-book grátis com contos extras no mesmo universo de A Rebelde do Deserto. Confiram os Contos de Areia e Mar

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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Resenha: "Oposição - Série Stellium" (Thaísa Lixa)

Por Sheila: Oi Pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje a primeira resenha de nossa nova editora parceira, a Chiado que, segundo o site da mesma "é especializada na publicação de autores portugueses e brasileiros contemporâneos, sendo a maior empresa em Portugal e no Brasil neste segmento." Legal né? Para quem quiser saber um pouquinho mais e dar uma olhada no catálogo, pode clicar aqui para acessar o site.

Bom, contrariando minhas resoluções de 2018 de NÃO ler mais séries/sagas/trilogias até que estas já estivessem concluídas, a fim de não morrer de ansiedade e aflição, acabei pedindo esse livro para editora. Mas também com essa sinopse, quem não o faria?

A oposição acontece quando dois ou mais planetas estão opostos em um ângulo de aproximadamente 180 graus, e tal ocasiona em conflitos internos, tensões, desgastes e o grande desafio é conseguir manter o equilíbrio entre essas energias.
Em uma dimensão chamada Constelação, são os supremos Deuses do Inferno que controlam e ditam as regras da sociedade, amedrontando os humanos e os deixando dóceis perante seus poderes nessa e em todas as outras dimensões que existem pelo universo. Entretanto, por conta de uma traição, o Deus principal e líder, Ahriman, decretou uma lei que jamais poderia ser quebrada: Ele definiu que as diversidades genéticas não existiriam; o que faria a população ter uma aparência padronizada de olhos e cabelo castanho-escuros ou negros.
E assim era, até o nascimento da jovem Lilith, uma menina de cabelo loiro e olhos azuis, acompanhada de uma beleza estonteante e que atraía olhares de todos à sua volta, por sua singularidade e magnetismo pessoal. Tratada desde perfeição até aberração pelas pessoas de seu mundo, Lilith tenta sobreviver em meio a tanta gente intolerante. De uma coisa ela não tinha dúvida: havia sido amaldiçoada. Só mesmo este fato explicaria o motivo de ter nascido com a aparência proibida e de ter macabros pesadelos todas as vezes que dormia. Lilith pensava isso consigo mesma, não tendo a real dimensão do quanto suas suposições eram verdadeiras.

Já de início somos apresentados ao nascimento dos Deuses do Inferno que, na verdade, nada mais são que pedaços de alma do grande Deus Principal, Ahriman, que acabou por entediar-se de ser uma divindade única, vendo nessa repartição uma forma de mudar, mas permanecer o mesmo, só que em partes. Assim surgiram os Deuses do Inferno.

O primeiro a tomar forma humana foi Ahriman, o líder dos cinco Deuses e Supremo Senhor do Inferno.(...)A segunda foi Satria, a Deusa dos Prazeres da Luxúria.O terceiro foi Gunab, o Deus da ira e da Virilidade. O quarto foi Thymr, o Deus da Avareza e da Pobreza . E o quinto, o menos poderoso de todos, por ter sido o último a nascer, foi Lothur, o Deus da Inveja e da Intriga.

Depois disso, passaremos a conhecer o mundo de Constelação, onde nasceu uma criança com aspecto singular: Lilith tem cabelos loiros e olhos azuis, uma genética que foi há muito tempo banida pelos Deuses. Lilith tem apenas sete anos quando começa a ser assombrada por inúmeros pesadelos com os Deuses onde se vê sendo levada ao inferno.

Apoiada por sua irmã mais velha, Alice, e sua mãe Helena - que foi abandonada pelo pai das meninas quando Lilith nasceu por considerá-la uma "aberração" -, Lilith consegue uma medicação que interrompe seus pesadelos, que eram diários tornando-os esporádicos, enquanto vai crescendo e se tornando uma bela jovem.

Também vamos ser apresentados a uma outra dimensão e aos seres chamados demnos, que, apesar de serem descritos como seres formados de pura maldade, possuem integrantes para lá de bonzinhos. Nessa dimensão, os humanos são escravizados pelos demnos, mas existem aqueles que se "rebelam" contra os deuses ao tratarem "bem" seus escravos. É o caso dos irmãos Collet e Brunott e sua amiga Isabelle.

Claro que nem todos os demnos são bonzinhos. Iremos ser apresentados também ao demno Seth, que parece ter um prazer sádico em estripar humanos (com algumas cenas bastante explicitas) e Nathan, seu melhor amigo humano (pois é, HUMANO) que aparenta ser uma pessoa boa para todos, mas, na verdade, é tão perverso quanto Seth.

Entender isso tudo é importante porque em uma noite específica as duas irmãs, Alice e Lilith, caem por um portal na terra dos Demnos e parece ser aí que a história propriamente dita de fato começa a ser contada pela autora, apesar de que bem pouco do mistério é revelado e muitas coisas serão explicadas nos volumes subsequentes.

Oposição é um livro muito bem escrito, ortográfica e gramaticalmente falando. A ideia por detrás da história também é bastante original e o universo muito bem construído. Porém, achei algumas passagens um tanto quanto forçadas e difíceis de aceitar. Demnos bonzinhos? As meninas caem em outra dimensão, descobrem que provavelmente nunca vão voltar para casa e cinco minutos depois estão brincando de adivinhar o signo das demnos?

Fora isso, fiquei bastante curiosa com a continuação, principalmente após a revelação final, que obviamente não vou estragar a surpresa de vocês! Mais alguém leu? O que achou? Abraços e até a próxima!

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quinta-feira, 21 de junho de 2018

[Cineclube]: Jurassic World - Reino Ameaçado




Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.






Titulo: Jurassic World - Reino Ameaçado
Data de lançamento (Brasil): 21 de junho de 2018
Diretor: Juan Antonio Bayona
Elenco principal: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, James Cromwell, Daniella Pineda, Justice Smith, e Isabella Sermon.
Gênero: AventuraFicção científica

Três anos após o fechamento do Jurassic Park, um vulcão prestes a entrar em erupção põe em risco a vida na ilha Nublar. No local não há mais qualquer presença humana, com os dinossauros vivendo livremente. Diante da situação, é preciso tomar uma decisão: deve-se retornar à ilha para salvar os animais ou abandoná-los para uma nova extinção? Decidida a resgatá-los, Claire (Bryce Dallas Howard) convoca Owen (Chris Pratt) a retornar à ilha com ela.



Agora em 2018 a franquia Jurassic Park completa 25 anos de lançada, exatamente no mesmo mês que o primeiro filme estreou em 1993. Depois do sucesso do retorno da série com Jurasssic World em 2015, esse universo interessante retorna com o novo filme Jurassic World - Reino Ameaçado, que se passa alguns anos após o fechamento do park. Temos o retorno dos atores Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, que para mim, conseguem ser perfeitos juntos. A química entre os dois e as características de seus personagens são uma parte importante do filme, e a personagem Claire está ainda melhor nesse filme, sem aquele ar metido que a personagem dela trazia no primeiro filme.



O filme também apresenta outros novos personagens (destaque para a jovem Isabella Sermon) e trás de presente o aparecimento do ator Jeff Goldblum, que participou da franquia original. Ele é o responsável em apresentar nas telas o dilema principal do filme, sobre o que deve ser feito com os dinossauros que correm risco na ilha que será dizimada pelo vulcão. Será que o ser humano deve resgatar uma espécie que já foi naturalmente extinta séculos atrás, ou deve deixar novamente a vida seguir seu curso? E ainda analisando como o ser humano pode coabitar com algo que ele nunca precisou ou que pode trazer riscos pra ele?


Em relação a qualidade visual do filme, não se pode fazer menos que elogiar. Ele mantém o alto padrão de seus efeitos visuais, associado a uma trilha sonora boa e uma fotografia excelente. A história em si é boa, e apesar de ser um filme longo, ele não desperdiça nenhuma cena, e o filme consegue ter uma dinâmica ótima, sempre deixando o telespectador ansioso e se divertindo. Em alguns momentos dá pra perceber que eles mantiveram algumas coisas na estrutura do filme que lembram muito o anterior e até mesmo a franquia original. No caso do primeiro Jurassic World, era muito legal, porque fazia referencia aos antigos, e servia para causar aquela nostalgia especial. Agora com esse segundo Jurassic World já fica parecendo algo repetitivo, e você pensa: será que vão fazer isso em todos os filmes?

Mas posso dizer que isso é algo pontual e não altera o filme no geral. Ele cumpre exatamente o que promete, e apresenta uma obra cheia de aventura, ação, cenas divertidas, e muitos dinossauros extremamente bem feitos. É um filme muito importante para a franquia, porque ele abre as portas para uma expansão de novas possibilidades, saindo daquele esquema tradicional de um parque em uma ilha fechada. Então isso promete muita coisa para o próximo filme que já foi confirmado para 2021, e que deve ser ainda melhor que os filmes já lançados, se eles conseguirem manter essa ideia e cuidado que tem envolvido a franquia. Então Jurassic World - Reino ameaçado é garantia certa de diversão no cinema para toda a família, e um belo presente de aniversário para a série, não trazendo aquele declínio que muitas vezes acontece quando as séries são esticadas demais. Espero que se divirtam!










Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.


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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resenha: "A Incendiária" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.
Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Por Sheila: Oi pessoas!!!! Vários pontos de exclamação por que eu sempre fico super, hiper, ultra MEGA empolgada quando o assunto é Stephen King. Juntamos o querido King com a Suma (sua linda!) + edição em capa dura + relançamento de livro esgotado e o que acontece? Eu SURTO, obviamente.

Lançado em 1980, estava esgotado há vários anos, e era um dos pedidos constantes de inclusão na Biblioteca Stephen King - Inclusive por mim! E a nossa querida Suma, mais uma vez, conseguiu se superar na escolha e no capricho!

Para quem ainda não leu, vamos ao livro: no melhor estilo sci-fi, King irá nos apresentar aos jovens Andy e Vicky McGee, que foram usados em uma experiência secreta ainda adolescentes. Enquanto Andy consegue "empurrar" as pessoas e levá-las a pensar o que ele deseja, sua filha Charlene (Charlie) herda os genes modificados dos pais e parece ter poderes muito mais proeminentes. Enquanto Andy fica esgotado ao usar seus poderes, Charlie consegue fazê-lo sem nenhum efeito colateral.

Andy pegou a carteira, que tinha só uma nota de um dólar. Agradeceu a Deus por não ser um daqueles táxis com divisória à prova de balas, que não permitia contato entre passageiro e motorista, exceto por uma abertura para o dinheiro. Contato direto sempre facilitava o impulso. Nunca conseguiu descobrir se eraalgo psicológico ou não, e agora não importava.
— Vou dar a você quinhentos dólares — informou Andy, baixinho —, para você levar a minha filha e eu até Albany. Certo?
— Jeee-sus, moço… Andy colocou a nota na mão do taxista, e quando o sujeito olhou, Andy deu outro impulso… com força.
O motorista estava satisfeito. Não estava pensando na história enrolada do passageiro. Não estava questionando o que uma garotinha de sete anos estava fazendo visitando o pai por duas semanas em outubro, época de aulas. Não estava pensando no fato de que nenhum dos dois possuía bagagem . Não estava preocupado com nada. Ele tinha sido impulsionado. Agora, Andy pagaria o preço.

Acontece que os McGee nunca deixaram de ser vigiados pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora pessoas que apresentem qualquer tipo de poder especial. E assim, quando a pequena Charlie herda de seus pais a capacidade de produzir fogo, conhecida como pirocinesia, o casal faz de tudo para evitar que a mesma se exponha, ou exponha seus poderes especiais.

O início do livro é muito rápido, já começa com a fuga de pai e filha. Infelizmente, como Charlie tinha dificuldade em controlar seus poderes por causa de sua pouca idade, a Oficina descobriu seu dom, e tentou tirá-la de Andy e Vicky. Em meio a fuga, descobrimos que Vicky não os acompanha por que foi assassinada pela Oficina em sua tentativa de proteger a filha.

Papai, estou cansada — disse com agitação a garotinha de calça vermelha e blusa verde . — A gente não pode parar? — Ainda não, querida. Ele era um homem grande de ombros largos, vestindo um paletó de veludo gasto e puído e uma calça marrom de sarja. Ele e a garotinha estavam de mãos dadas, andando pela Terceira Avenida em Nova York. Caminhavam rápido, quase correndo. Ele olhou para trás, e o carro verde ainda estava lá, seguindo lentamente junto ao meio-fio. — Por favor, papai. Por favor. Ele olhou para ela e viu como seu rosto estava pálido. Havia círculos escuros embaixo dos olhos da menina. Ele a pegou no colo e a apoiou na dobra do braço, mas não sabia por quanto tempo conseguiria seguir assim. Também estava cansado , e Charlie não era mais tão leve. 

Um dos grandes antagonistas desta trama é o agente da Oficina, Rainbird, um indígena que persegue  a menina não pelos ideiais da organização que representa, mas por um motivo muito mais bizarro: Rainbird acredita que, ao matar Charlie, precisa olhar em seus olhos para receber uma grande revelação espiritual.

Adaptado para as telonas em 1984, chegou ao Brasil com o título Chamas da Vingança e tinha Drew Barrymore, ainda muito pequena, como Charlie e David Keith como Andy McGee, o pai. Infelizmente à época foi considerado um fracasso de bilheteria, mas ainda tenho a esperança de um remake.


Repleto de cenas de fuga desesperada, amizades desfeitas, dúvidas horrendas e muita ação nas mãos da pequena Charlie, que precisa usar seu dom para se defender, A Incendiária é um livro maravilhoso, que irá nos prender do início ao fim, não só por sua escrita, mas por nos fazer questionar a ética por trás da existência de diferenças que impactem a vida de outras pessoas.

Afinal, até onde podemos esperar que Charlie se torne uma pessoa "normal", ou que se torne uma incontrolável máquina de matar, incendiando tudo e todos em seu caminho? Teria tirado alguma vida se não tivesse sido tratada como um monstro? Seria seguro mantê-la em meio as ouras pessoas, sem poderes?

Um clássico obrigatório aos fãs de nosso querido King, e um trabalho mais que espetacular da nossa querida editora Suma, mais uma vez com capa dura em alto relevo, folhas amarelas, ótima revisão e diagramação que tornam a leitura um prazer. Recomendo!

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Resenha: "Pequenas Grandes Mentiras" (Liane Moriarty)

Tradução de Adalgisa Campos da Silva

Sinopse: Depois do sucesso de O Segredo do meu Marido, a autora australiana Liane Moriarty apresenta um livro ousado sobre as perigosas meias verdade que contamos a nós mesmos para sobreviver.

Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre.
Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou?
Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.
Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.
Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade.
Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida.
Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.

Fonte: Skoob

Por Stephanie: Eu já tinha ouvido falar bastante das obras de Liane Moriarty, principalmente de O Segredo do Meu Marido. Mas acabou que a oportunidade (e a vontade) de ler Pequenas Grandes Mentiras apareceu e eu decidi começar por esta que agora é sua obra mais famosa, graças à série Big Little Lies da HBO, que estreou em 2017.

Vou ser bem claro: isso não é um circo. É uma investigação de assassinato.

Desde o início da história já sabemos que um crime - mais precisamente, uma morte - aconteceu. Não sabemos quem e nem como ocorreu, mas aos poucos o mistério vai sendo desenrolado e a expectativa vai aumentando para sabermos logo tudo o que se passou na fatídica “Noite de Perguntas”.

Os capítulos são no passado, quase como uma contagem regressiva que vai diminuindo de acordo com o passar dos dias. O começo da história serve para nos situar nas vidas dos personagens principais e nos apresentar aos primeiros dramas da obra (que não são poucos). Adorei o fato de a história se passar em Sidney, em meio a praias e paisagens incríveis. Dá um ótimo contraste com todas as situações complicadas apresentadas no livro.

A narrativa de Pequenas Grandes Mentiras é em terceira pessoa, alternando os pontos de vista principalmente entre Celeste, Jane e Madeline. Gostei das três personagens mas minha favorita foi Madeline. Ela se mostrou uma excelente amiga, esposa e mãe, mesmo sendo um pouco impulsiva às vezes.

A obra aborda três principais assuntos: violência doméstica, abuso sexual e bullying. A forma com que esses temas vão se entrelaçando é muito bem feita e nos mantém curiosos para saber como tudo se resolverá no final, e claro que esse é o maior destaque da obra.

Porém, mesmo com a curiosidade a mil, achei o livro um tanto arrastado. Liane Moriarty passa muito tempo descrevendo dias comuns nas vidas de seus personagens, que muitas vezes soaram bem monótonos e desinteressantes pra mim. Acho que o livro poderia ter facilmente umas 80 páginas a menos, sem perder sua força ou sua mensagem principal.

A revelação final é muito boa. Apesar de eu ter desconfiado de tudo lá pelos 60% do livro, fiquei feliz de ter acontecido como eu imaginei. Passa uma mensagem de sororidade, de apoiar outras mulheres sempre, apesar das diferenças que possamos ter umas com as outras.E também faz refletir sobre a maldade do ser humano; se é algo que se nasce ou se aprende. Eu já sei no que acredito, mas vou deixar o suspense para que você tire sua conclusão sozinho.

A origem de todos os conflitos é o momento em que alguém se sente ofendido.

Já tive a oportunidade de assistir à série e gostei, apesar das diferenças de roteiro. O final é um pouco diferente no desenvolvimento, mas o resultado é idêntico e a mensagem principal também. Palmas para o elenco super competente e para a produção impecável, com certeza mereceu todos os prêmios que levou!

Essa e outras resenhas vocês encontram no meu blog, o Devaneios de Papel!

Até a próxima, pessoal!
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quinta-feira, 14 de junho de 2018

[Cineclube]: Sense8 - Episódio Final





Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.





Titulo: Sense8 -  Episódio Final
Data de lançamento (Brasil): 08 de junho de 2018
Diretor: Lana Wachowski
Elenco principal: Jamie Clayton, Max Riemelt, Miguel Ángel Sulvestre, Brian J. Smith, Bae Doona, Tina Desai, Tuppence Middleton, Toby Onwumere.
Gênero: Drama, ficção-cientifica.


Finalmente o grupo está reunido em um mesmo lugar, com exceção de Wolfgang que está preso nas instalações da OPB. Will e os outros precisam elaborar um plano audacioso para resgatar seu amigo e ao mesmo tempo impedir que os planos de Sussurros e da OPB sigam em frente, e destruam a eles e aos outros de sua espécie. É preciso então buscar a ajuda de aliados inesperados, antes que seja tarde demais.


Finalmente aconteceu o lançamento do episódio final da série Sense8 que conquistou milhares de fãs em todo mundo. Fui uma das muita pessoas arrasadas quando a série foi cancelada em 2017, após um final de temporada bombástico. Para muitos era inadmissível ficar sem um final para essa história que encantou a tantos, então uma campanha enorme nas redes sociais foi feitas e a Netflix decidiu lançar um último episódio dando as telespectadores a chance de ver mais um pouquinho do grupo que gostamos tanto e ter algumas respostas para questões que martelavam nossas cabeças: Será que Wolfgang vai sobreviver a OPB? Com quem Kala irá ficar no final? O que aconteceria com Sussurros e a OPB? Essas e outras questões foram realmente respondidas nesse episódio de 2:30 hs, que podia parecer longo, mas passou bem rápido.



Este episódio começou praticamente de onde a temporada acabou no ano passado. Com Wolfgang preso na OPB e resto do grupo conseguindo pegar Sussurros e Jonas. E com a missão de resgatar o amigo e de lidar com a OPB de uma vez por todas, acabando com a perseguição contra a especie dos homo sensorium. Com o tempo disponível, conseguiram criar um enredo interessante e completo, sem dar aquela sensação de correria, que muitas vezes acontece quando uma série deixa muita coisa pra última hora.

É claro que se houvesse uma terceira temporada completa como era idealizado, muito mais coisa teria sido explorado, principalmente em relação a história secundárias e outros personagens. Mas acredito que souberam dosar bem o que era importante ser colocado nesse episódio final. Alguns finais ficaram bem claros e em outros casos ficaram bem encaminhados, ou realmente abertos, mas nada que tenha deixado o telespectador preocupado. 


Um dos pontos altos da série sempre foi o elenco e a forma como as relações deles eram exploradas. E esse último episódio conseguiu manter isso. Há muitas cenas divertidas e aquelas que você logo pensa que só poderia acontecer em Sense8, onde não existem regras ou medo de fazer algo diferente. As cenas de luta estão ótimas, e a forma como a edição é feita, trocando os personagens,  continua espetacular. Já vi quem reclamasse da forma como os episódios são conduzidos,  em relação as tomadas longas, mostrando o grupo junto em cenas que podem não parecer tão necessárias. Mas talvez sejam as minhas cenas favoritas, porque são as que aproximam mais o telespectador dos personagens, e também são os momentos mais descontraídos e divertidos, e muitas vezes com uma alta carga emocional.




Quando me falaram que esse episódio final estava bem fan service, eu já imagina como tudo seria, mas mesmo tendo certeza de que ele vai agradar a esmagadora maioria dos fãs da série, ele também vai surpreender muita gente. Do jeito certo que uma despedida deveria ser. Você vai se emocionar, dar risadas, ficar ansioso e tudo mais que se espera em um desfecho. E passando a mensagem que sempre foi destacada na série: que todos são diferentes e que devemos aceitar as pessoas como elas são ou como nós realmente somos. E como já falei anteriormente, o episódio vai passar tão rápido que vocês nem vão sentir, aproveitem!







Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.



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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Resenha: "Tempestade de Guerra - A Rainha Vermelha 4" (Victoria Aveyard)

Tradução: Cristian Clemente, Guilherme Miranda, Zé Oliboni e Lígia Azevedo


Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.
Por Sheila: E chegou ao fim! Foram três anos, quatro livros (mais os dois livros de contos) mais de 2000 páginas de torcida, sofrimento, angústia e lágrimas (não, titia Victoria não nos deu muitas alegrias, cada ganho veio acompanhado de uma grande perda), mas, enfim chegamos ao término da Saga A Rainha Vermelha.

Iniciado com livro que nomeia a Saga, já resenhado aqui pelo blog, teve como segundo volume Espada de Vidro e Prisão do Rei, finalizando agora com Tempestade de Guerra. E para quem gosta de evitar spoilers, talvez fosse bom parar por aqui e ler os livros anteriores primeiro.

Gentes! Eu terminei A Prisão do Rei com uma raiva, mas uma raivaaaaaaa do Cal! Ahhhhh que vontade de entrar no livro e dar umas boas de umas sacudidelas naquele menino! Como fiquei braba com aquele final! Trocar a Mare por uma coroa? Por poder? Como assim? Revolta me definia.

Tempestade de Guerra ajuda começando EXATAMENTE onde o último livro terminou: Cal reunido com o "Rei" de Rift para definir as próximas estratégias para a guerra de retomada de Norta, e Mare se afastando com Diana e tentando aguentar a dor de carregar um coração em pedaços.

FICAMOS EM SILÊNCIO POR UM LONGO MOMENTO. Corvium se estende à nossa frente, cheia de gente, mas parecendo vazia. Dividir e conquistar. As consequências estão claras, as linhas foram nitinitidamente desenhadas. Farley e Davidson me encaram com a mesma intensidade, e eu os encaro de volta. Imagino que Cal não tenha ideia, nem uma suspeita, de que a Guarda Escarlate e Montfort não têm a menor intenção de deixar que permaneça em qualquer trono que assumir. Imagino que se importa mais com a coroa do que com o que qualquer vermelho pensa. E imagino que não devo mais chamá-lo de Cal. Tiberias Calore. Rei Tiberias. Tiberias VII.

Só que, mais uma vez, Mare não tem tempo de parar para lamber suas feridas. Uma guerra está acontecendo, com adversários temíveis. Ao mesmo tempo em que Cal aceita ser o próximo rei de Norta, tendo Evangeline como sua relutante consorte, as mulheres de Lakeland - Rainha e princesas - choram a perda de seu amado rei e, claro, em seu coração transborda somente um desejo: vingança.

Esperamos juntas, minha mãe, minha irmã e eu, com a atenção fixa na face sul do horizonte. Uma neblina baixa toma conta da boca estreita da baía, ocultando a península pontilhada por torres de vigia e o lago Eris mais adiante. Algumas luzes das torres piscam em meio à névoa, como estrelas baixas. Conforme ela se movimenta, levada pelo vento, mais e mais torres se tornam visíveis. Estruturas elevadas de pedra, aprimoradas e reconstruídas uma centena de vezes em centenas de anos. As torres viram mais guerra e ruína do que os historiadores podem contar. Suas luzes flamejam, muitas ainda vívidas tão perto do amanhecer. Os faróis continuarão acesos o dia todo, as tochas queimando e as luzes elétricas brilhando. As bandeiras que balançam ao vento são diferentes das que normalmente são vistas em Lakeland. Cada torre exibe o azul com faixas pretas. Para honrar os muitos mortos em Corvium. Para lamentá-los. Para se despedir do nosso rei.

Vamos encontrar diversos atores, em diversas situações distintas. Todos carregando sua dor. Todos com suas razões para fazer o que quer que tiverem que fazer. Cal com sua coroa. Mare com sua revolução. Lakeland com seu luto. Maven com sua loucura, plantada em sua cabeça pela rainha Elara ao longo de incontáveis anos. Evangeline, com sua rebeldia que esconde seu medo profundo em relação à autoridade do pai, o Rei Samos.

No fim das contas, se formos eleger vilões para essa saga, talvez reste a alguns poucos vender essa carapuça, todos das gerações anteriores. A geração mais nova, os adolescentes protagonistas de toda essa situação, Mare, Cal, Maven, Farley, Iris, Evangline, Ptolomeus. Todos estão só tentando fazer o melhor, perdidos entre o que foi, e a construção do Novo, em que eles são protagonistas em sua inépcia e esperança juvenis.

O que eu achei do livro? As lutas são mais políticas do que batalhas - apesar de que teremos uma grande batalha ao final. As palavras são mais usadas como armas do que qualquer outra coisa. Alianças improváveis se formam, máscaras caem, e aprendemos que por detrás de uma guerra não há apenas um exército, mas pessoas com emoções e sentimentos complexos, e que é isso o que pode fazer com que a balança penda, seja para um lado, seja para o outro.

Victoria escreve muito bem. Fluída, ágil, uma narrativa que prende, envolve, emociona e cativa. Mesmo que a ação tenha sido mais lenta, e algumas coisas tenham se desenvolvido de maneira aquém do esperado, foram todos desfechos possíveis, reais. Chegando a ser dolorosos em algumas passagens.

Por mais que muita gente (mas muita gente meeesssmooo) reclame do final aberto, cheio de possibilidades, eu gostei. Me pareceu um final REAL. Afinal de contas, acho que em meio a leitura talvez tenhamos esquecido mas todos eles eram adolescentes, nenhum com mais de 20 anos. Achei natural que o fim não fosse todo redondinho (e não posso explicar melhor para não lançar spoilers). 

E vocês o que acharam? Contem para a gente! Abraços!

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: "Mais que Amigos " (Lauren Layne)


Tradução: Alexandre Boide

Por Ili Bandeira: Sabe aquele livro que você está com altas expectativas? E quando termina a leitura elas todas são superadas. Apresento a vocês o livro Mais que Amigos, publicado pela Editora Paralela

"E se o cara certo... estiver bem na minha cara?"

Ben e Parker são melhores amigos desde a faculdade. Atualmente possuem uma vida financeira estável e moram juntos. Muitos acham impossível uma amizade entre um homem e uma mulher, mas nunca rolou nada entre eles. 

Na verdade, não poderia acontecer nada pois Parker namora Lance há 5 anos, enquanto seu melhor amigo é um galinha e não quer compromisso. A amizade deles é linda, tem uma conexão saudável e um apoio imenso. A dinâmica da casa é muito engraçada, com direito a lista de regras discussões tipicamente de casal.

"- Você não faz a menor ideia de como os hormônios funcionam.
- Na verdade, biologia é uma das minhas especialidades. 
- Você nem sabia o que era um útero. 
- Sabia, sim.
Quer dizer, mais ou menos."


Mas, agora Parker é dispensada pelo namorado. Então, por estar abalada com o término repentino, ela corre para os braços de seu melhor amigo e porto seguro.

Para se recuperar do coração partido Parker decide se aventurar pelo sexo casual, mas com o tempo percebe que isso não funciona para ela. Mas será que funcionaria com alguém que ela possua uma conexão legal? Então, porque não o Ben?

"Eu não quero que Parker se torne uma versão feminina de mim."

  Será que os sentimentos de ambos estão de acordo para não se apaixonarem?


Minha opinião sobre o livro e o enredo:


Mais que Amigos é um livro bem clichê, me senti vendo um desses filmes de comédia romântica e simplesmente adorei!

"Passamos anos e anos tentando explicar para o mundo inteiro que não somos amigos que transam de vez em quando, que não reprimimos uma paixão pelo outro, e agora ela está querendo jogar tudo pela janela."

Pelo enredo e premissa do livro já é possível prever o rumo que a história vai tomar, no entanto, não torna o livro nem um pouco desinteressante. Foi bem bacana acompanhar cada passo que essa relação foi se tornando, as reviravoltas e complicações que criaram.


A narrativa é rápida, fluída, simples, bem gostosa e descontraída. É uma leitura muito fácil e tem um ritmo leve que é impossível parar, o que possibilita uma leitura rápida. Li o livro inteiro em apenas uma tarde, creiam!


"Quando encostei em você... eu desmoronei." 

Ben é meu personagem preferido por causa do seu jeito divertido, engraçado e apaixonante. 

Lauren Layne tem uma escrita fluída e dinâmica que mantém o leitor querendo mais do enredo e dessa história maravilhosa. Quero ler tudo que essa mulher escreve, virou uma das minhas autoras favoritas.

Super recomendo para todos vocês essa comédia romântica sobre melhores amigos que complicaram a vida deles se apaixonando!

        Postagem publicada Originalmente no blog O Clube da Meia Noite


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Resenha: "Estamos Bem" (Nina LaCour)


Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Estamos Bem, de Nina LaCour, é pura e simplesmente um livro sobre solidão. Aquela sensação que todos nós conhecemos e nem sempre gostamos, mas que por muitas vezes é necessária em momentos específicos de nossas vidas.

Marin é uma garota que terminou o ensino médio recentemente e acabou de perder seu avô. Sua mãe também faleceu quando ela era pequena, portanto esta perda recente faz com que ela se sinta sem nenhuma família. Por isso ela decide ir para faculdade alguns meses antes do previsto e, após este período, acaba se isolando no alojamento ao final do primeiro semestre letivo, já que teoricamente não há ninguém para quem ela possa retornar nas festas de fim de ano. A obra aborda os três dias em que Marin recebe a visita de sua melhor amiga no alojamento para tentarem resolver suas pendências pessoais e emocionais. Tudo isso enquanto a própria Marin lida com seu luto e sua sexualidade ainda mal compreendida.

Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu.

A narrativa de Nina LaCour nos leva pelo passado da protagonista, em seu último verão com seu avô e seus amigos antes da faculdade começar. Os capítulos alternam entre presente e passado, nos mostrando o contraste da vida de Marin e como tudo era simples e feliz antes de seu avô falecer. O presente é repleto de melancolia e, claro, solidão. Sentimos o peso de se estar completamente sozinho, em uma vida bem diferente daquela que se conhecia.

Apesar de curta, a história de Estamos Bem é profunda e nos traz muitas reflexões sobre o autoconhecimento e como precisamos da solidão para o alcançarmos. Marin tem um fluxo de pensamentos constante sobre sua situação atual e sobre quem ela é e quem poderá ser daqui pra frente, e o encontro com Mabel só a faz sentir ainda mais melancólica e até mais sozinha. Conseguimos ver com a clareza a profundidade da relação das duas e a ligação forte que ainda possuem, mesmo após ficarem tantos meses separadas.

Apesar de não concordar com boa parte das atitudes de Marin, principalmente em relação a Mabel, eu consegui sentir empatia por ela. Às vezes precisamos nos afastar de quem amamos para podermos nos compreender melhor e conseguir encontrar nosso lugar e nosso papel no mundo, e pra mim, foi isso que Marin fez.

A vida é fina e frágil como papel. Qualquer mudança repentina pode rasgá-la.

A relação de Marin com o avô é mostrada de maneira delicada, e é difícil não sentir um carinho especial por um velhinho tão fofo. Só não gostei muito de uma coisa: Marin parece cobrar muito dele e dar muito pouco em troca. E acho que isso pesa bastante no resultado final e na culpa que ela sente após o falecimento do avô. Apesar de essa cobrança dela não ser algo distante da realidade, gostaria que a relação deles tivesse sido mais próxima e mais recíproca. Teria me feito sentir mais o luto da personagem.

No geral, é uma leitura fácil e bem fluida, que em nenhum momento me deixou entediada, por mais que nada “grandioso” aconteça. Não há revelações inesperadas ou plot twists, nenhum momento em que esperamos por um clímax. Mas mesmo assim, no final de tudo, sentimos que acompanhamos algo maior e mais esclarecedor do que o que esperávamos.

Essa e outras resenhas vocês podem encontrar no meu blog, o Devaneios de Papel! Espero vocês por lá :)

Até a próxima!
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Ana Liberato