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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Resenha: "Daisy Jones & The Six" (Taylor Jenkins Reid)


Tradução de Alexandre Boide

Por Stephanie: Não faz muito tempo que saiu a minha resenha de Evelyn Hugo aqui no blog, e quem leu deve se lembrar que eu rasguei muita seda para aquele livro – que inclusive está entre as minhas melhores leituras de 2019. Desde então, eu li um outro livro da autora (que achei apenas bom), até me deparar com Daisy Jones & The Six, lançado recentemente pela Cia das Letras e que está bombando lá fora há uns bons meses. É dele que irei falar um pouquinho hoje.

A obra de Taylor Jenkins Reid é uma ficção histórica que se propõe a contar a história da banda sensação dos anos 1970, Daisy Jones & The Six, desde seu início até a fatídica separação, que o público nunca soube bem por que ocorreu – até agora. Por meio de entrevistas, temos os diversos pontos de vista de membros e ex-membros da banda, além de outros depoimentos de pessoas que estiveram envolvidas com ela ao longo dos anos.

Muitas vezes a verdade não está nem de um lado nem de outro, e sim escondida num meio-termo.

Apesar de amar música, principalmente rock, confesso que não sou muito ligada nas bandas e músicas que fizeram sucesso antes da década de 80. Por isso, quando soube que a autora havia se inspirado em Fleetwood Mac para criar a história contada nesse livro, corri para ouvir a banda e conhecer um pouco mais do rock e pop daquela época. Foi uma ótima escolha, que inclusive recomendo muito para quem quiser se ambientar ainda mais durante a leitura.

Não que a ambientação de Daisy Jones seja ruim, muito pelo contrário; é uma das melhores coisas da obra. A gente consegue visualizar com muita facilidade os cenários, as roupas e o estilo de vida que são narrados ao longo do enredo. Taylor tem uma capacidade sensacional de imergir o leitor em suas obras, e é uma das características que mais admiro nela.

Os personagens, mesmo que expressos apenas em suas falas durante as entrevistas, são muito tridimensionais e fáceis de imaginar. Não nego que no começo foi um pouco difícil de acompanhar e entender quem era quem, mas é algo que dá pra se acostumar fácil depois de poucos capítulos.

O mais óbvio seria dizer que a protagonista do livro é a personagem que tem seu nome em destaque: Daisy Jones. Porém, eu sinto que a importância de cada um foi bem dividida, ainda que em alguns momentos a narrativa de Daisy seja a mais presente. Não acho que ninguém ficou apagado, pois a autora soube trazer verossimilhança e mostrar que cada pessoa tem seu papel em uma história, e que, ainda que pareça pequeno, faz diferença.

Gostei muito da representação feminina no livro. Temos mulheres à frente do seu tempo, com personalidades fortes e opiniões que com certeza soavam pouco ortodoxas para a época. E isso está diretamente ligado ao machismo, que também é mostrado (e denunciado) ao longo da obra.

Eu não tinha o menor interesse em ser a porra da musa de alguém. Eu não sou a musa. Eu sou esse alguém. E assunto encerrado.

Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos.

Outros assuntos pesados e relevantes também são abordados no livro, como alcoolismo, abuso de drogas e relacionamentos abusivos. Tudo é muito crível e faz bastante sentido dentro do contexto da história. Mas há também a presença forte de romance, então, nem tudo se resume a “sexo, drogas e rock n’ roll”. Por mais bagunçados que sejam, os casais da obra foram uma das partes mais interessantes para mim, porque são mostrados com muita complexidade e verossimilhança, sem floreios.

É difícil não comparar Daisy Jones e Evelyn Hugo; ambas são obras de ficção histórica com mulheres intrigantes entre os protagonistas. Ainda que tenham sido experiências ótimas, eu ainda prefiro Evelyn, porque achei que a autora conseguiu transmitir mais sentimento na história. Em Daisy Jones eu me senti mais como uma espectadora, mas ainda assim fiquei bastante entretida, portanto, recomendo muito essa leitura!

Agora espero ansiosamente pela série que será lançada pela Amazon, com produção de Reese Witherspoon. Quero muito ouvir todas as músicas da banda (principalmente Aurora). Preciso que essa banda exista em carne e osso, ainda que somente na ficção.

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Resenha: "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide

Aviso de gatilho: Violência doméstica, abuso psicológico, homofobia (spoilers: suicídio, aborto).

Por Stephanie: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo foi o livro de abril da TAG Inéditos. A obra ganhou bastante destaque desde seu lançamento lá fora, e será lançada para o público em geral pela editora Paralela. Eu fiz a leitura em inglês (em audiobook), mas comprei a caixinha pois queria ter a história física em português.

A obra nos apresenta a história de Evelyn Hugo, uma reclusa atriz de Hollywood muitíssimo famosa nos anos 50 que hoje vive sozinha em uma mansão. Ela está prestes a organizar um evento beneficente e exige que a repórter Monique Grant faça a entrevista para divulgar o acontecimento. Porém, a jornalista é surpreendida quando descobre que Evelyn, na verdade, deseja que Monique escreva sua biografia, contada por ela própria. A atriz promete esclarecer todos os boatos a respeito de sua vida pública e privada, principalmente em relação a seus sete casamentos (um dos motivos por seu nome sempre ser lembrado pela mídia em geral). A partir daí, somos levados a conhecer a fundo a carreira dessa mulher tão misteriosa, que pode ser comparada a ícones como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, seja pela beleza estonteante ou pelo talento. 

Acho que o que mais me encantou nessa história foi a narrativa de Taylor Jenkins Reid. Ela alterna entre presente e passado e muda os narradores para nos ambientar com perfeição em cada época em que a obra se passa. A autora consegue transmitir todo o espírito da Hollywood clássica e moderna, narrando os locais e os costumes com maestria. Evelyn é uma narradora envolvente e encantadora; é possível perceber os anos de sabedoria acumulada em sua fala, bem como todo o sofrimento e as lições aprendidas por ter vivido uma vida conturbada desde a infância.

Quando a história de Evelyn começa, o livro é separado em partes, de acordo com cada marido. Há uma comparação muito interessante feita entre as manchetes dos jornais e as falas de Evelyn, que mostram de forma crua como os tabloides e a mídia em geral distorcem fatos e inventam mentiras para ganhar dinheiro às custas de pessoas reais, que por coincidência, são famosas.

Para evitar qualquer tipo de spoiler, não vou falar sobre os maridos ou sobre outros personagens específicos; o que posso dizer é que todos são incrivelmente bem escritos e tridimensionais. Eu consegui imaginá-los com suas nuances e características únicas. Mais um ponto positivo na escrita de Reid.

Apesar de ser ficção, o livro soa como uma autobiografia, portanto, o ritmo não é dos mais rápidos. Há uma quebra sempre que o ponto de vista muda e passa a ser de Monique, o que não sei se agregou muito para a história. Há um motivo para isso que é explicado no final mas, mesmo assim, acho que ficou meio “sobrando”.

As principais temáticas de Os sete maridos envolvem sexualidade, machismo e as consequências da fama. Todas são abordadas com uma verossimilhança absurda. Eu conseguia imaginar as situações e me indignar como se fossem reais. Não é difícil ver muitos reflexos da nossa sociedade em vários acontecimentos.

"Dá pra ser feliz vivendo sua verdade, seja ela qual for."

Fiquei muito reflexiva ao finalizar a leitura. Pensei em como pode ser cruel a vida de uma celebridade que, mesmo aparentando ter tudo, ainda pode se sentir extremamente infeliz, e também refleti sobre os limites que podemos cruzar pelas pessoas que amamos. Os mínimos problemas que tive com o livro se referem a alguns acontecimentos e plot twists que considerei muito dramáticos, principalmente mais pro final. Eu entendo que eles serviram, provavelmente, para trazer um aprofundamento maior para a protagonista, mas acho que algumas coisas foram levemente exageradas. De qualquer forma, é um livro maravilhoso que eu recomendo para qualquer pessoa, até para as que não têm costume de ler ficção histórica!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Resenha: "Os Números do Amor" (Helen Hoang)

Tradução de Alexandre Boide

Atenção: este livro possui conteúdo adulto. Não é recomendado para menores de 18 anos.

Por Stephanie: Os Números do Amor é o livro de estreia da autora Helen Hoang e conta a história de Stella, uma jovem de 30 anos que é bem sucedida em sua carreira, tem uma família estruturada e precisa conviver diariamente com seu diagnóstico, já que ela se encontra dentro do espectro autista. Sua dificuldade de estabelecer relações em geral faz com que ela ainda seja solteira e não tenha muito sucesso no amor. A pressão de sua mãe para que Stella arrume um namorado a faz tomar uma decisão drástica: contratar um garoto de programa para ajudá-la a ser uma boa namorada e adquirir experiência sexual. É então que ela conhece Michael, um acompanhante profissional que é a promessa de que seus problemas de relacionamento finalmente irão acabar. Mas será que as coisas são assim tão simples?

Você pode imaginar que essa história é semelhante a algo que já viu por aí, e é mesmo Helen Hoang se inspirou em Uma Linda Mulher para escrever sua história, porque sempre achou interessante a ideia de trocar os gêneros em uma situação como a do filme. Como a autora também foi diagnosticada com autismo, ela utilizou suas próprias experiências para criar Stella e deixar a personagem mais verossímil, o que na minha opinião funcionou muito bem.

Eu acho que não tenho muito o que falar sobre o enredo; qualquer pessoa que tenha lido ou assistido a uma comédia romântica pode imaginar como o desenrolar da história se dá. O que acredito valer a pena de ser mencionado são os fatores que tornam essa obra um pouco “fora da curva”, como a abordagem da cultura vietnamita e o detalhamento sobre os hábitos e características de uma pessoa diagnosticada com TEA, que não é só aquilo que imaginamos ou ouvimos falar. Stella tem aspectos de sua personalidade que são únicos, por mais que ela possua uma condição compartilhada com outros indivíduos. E eu gostei muito de compreender a individualidade dela.
Ela tinha uma síndrome, mas a síndrome não era aquilo que a definia. Ela era Stella. Um indivíduo único.
Outro aspecto muitíssimo importante da obra é a discussão sobre respeito e consentimento. Michael, mesmo sendo experiente em relação ao sexo, trata Stella de forma respeitosa, considerando suas limitações e sempre aguardando o momento em que ela se sinta para qualquer coisa: desde um toque, um abraço, até outras interações mais íntimas.

Por falar em intimidade, achei as cenas adultas bem inseridas, sem forçar. Há apenas um momento bem desnecessário, que parece ter sido esquecido no meio do livro sem querer. Mas todas as outras cenas são românticas e sensuais, sem exagero. Isso vindo de uma pessoa que não lê livros eróticos, ou seja, pode confiar que aqui não tem nada explícito demais ou tão absurdo que chegue a ser cômico.
(...) Para ela, Michael era como sorvete de menta com gotas de chocolate. Até podia experimentar outros sabores, mas ele sempre seria seu favorito.
O desenvolvimento do relacionamento entre Stella e Michael é muito bacana de acompanhar. Vemos a resistência de ambos em se entregar ao sentimento, e como a vida de cada um tem suas peculiaridades. Adorei a família de Michael e a relação dele com a mãe; ele é um mocinho quase perfeito e nada machista ou babaca, que é algo difícil de encontrar em livros desse tipo.

Tenho apenas algumas ressalvas que acho que valem a pena serem citadas. Primeiro, o livro tem algumas cenas e passagens um pouco machistas, e apesar de não ser o tom da obra como um todo, me incomodaram nas vezes em que aconteceram. Outra coisa que não curti muito foi o fato de Stella não ter amigos. Eu entendo que para uma pessoa com TEA, é bem mais difícil fazer amizades, mas poderia ser alguém da família ou alguma pessoa de um grupo de apoio ou algo do tipo… Não sei, pode ser algo bobo mas ficou meio inverossímil, pra mim.

No geral eu recomendo muito a leitura. Os Números do Amor tem uma escrita super fluida, com passagens engraçadas, românticas, sexys e emocionantes. O final é um pouco corrido e as coisas são resolvidas um pouco rápido demais mas, mesmo assim, eu adorei esse livro!

Obs.: Ano que vem um segundo livro será lançado, mas não é uma continuação, e sim, uma nova história com outros personagens.

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: "Mais que Amigos " (Lauren Layne)


Tradução: Alexandre Boide

Por Ili Bandeira: Sabe aquele livro que você está com altas expectativas? E quando termina a leitura elas todas são superadas. Apresento a vocês o livro Mais que Amigos, publicado pela Editora Paralela

"E se o cara certo... estiver bem na minha cara?"

Ben e Parker são melhores amigos desde a faculdade. Atualmente possuem uma vida financeira estável e moram juntos. Muitos acham impossível uma amizade entre um homem e uma mulher, mas nunca rolou nada entre eles. 

Na verdade, não poderia acontecer nada pois Parker namora Lance há 5 anos, enquanto seu melhor amigo é um galinha e não quer compromisso. A amizade deles é linda, tem uma conexão saudável e um apoio imenso. A dinâmica da casa é muito engraçada, com direito a lista de regras discussões tipicamente de casal.

"- Você não faz a menor ideia de como os hormônios funcionam.
- Na verdade, biologia é uma das minhas especialidades. 
- Você nem sabia o que era um útero. 
- Sabia, sim.
Quer dizer, mais ou menos."


Mas, agora Parker é dispensada pelo namorado. Então, por estar abalada com o término repentino, ela corre para os braços de seu melhor amigo e porto seguro.

Para se recuperar do coração partido Parker decide se aventurar pelo sexo casual, mas com o tempo percebe que isso não funciona para ela. Mas será que funcionaria com alguém que ela possua uma conexão legal? Então, porque não o Ben?

"Eu não quero que Parker se torne uma versão feminina de mim."

  Será que os sentimentos de ambos estão de acordo para não se apaixonarem?


Minha opinião sobre o livro e o enredo:


Mais que Amigos é um livro bem clichê, me senti vendo um desses filmes de comédia romântica e simplesmente adorei!

"Passamos anos e anos tentando explicar para o mundo inteiro que não somos amigos que transam de vez em quando, que não reprimimos uma paixão pelo outro, e agora ela está querendo jogar tudo pela janela."

Pelo enredo e premissa do livro já é possível prever o rumo que a história vai tomar, no entanto, não torna o livro nem um pouco desinteressante. Foi bem bacana acompanhar cada passo que essa relação foi se tornando, as reviravoltas e complicações que criaram.


A narrativa é rápida, fluída, simples, bem gostosa e descontraída. É uma leitura muito fácil e tem um ritmo leve que é impossível parar, o que possibilita uma leitura rápida. Li o livro inteiro em apenas uma tarde, creiam!


"Quando encostei em você... eu desmoronei." 

Ben é meu personagem preferido por causa do seu jeito divertido, engraçado e apaixonante. 

Lauren Layne tem uma escrita fluída e dinâmica que mantém o leitor querendo mais do enredo e dessa história maravilhosa. Quero ler tudo que essa mulher escreve, virou uma das minhas autoras favoritas.

Super recomendo para todos vocês essa comédia romântica sobre melhores amigos que complicaram a vida deles se apaixonando!

        Postagem publicada Originalmente no blog O Clube da Meia Noite


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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Resenha: “O perfume da folha de chá” (Dinah Jefferies)

Tradução de: Alexandre Boide

*Por Mary*: CHO-CA-DA, meninxs!

Estou até agora bestificada com o desfecho surpreendente deste livro!

O perfume da folha de chá introduz o leitor ao mundo dos plantadores de chá no Ceilão, em meio às desigualdades sociais, as diferenças étnicas e os preconceitos de meados dos anos 20.
Sem se importar com as pessoas ao redor, e desejando que ele não precisasse ir, Gwen correu até Laurence e se jogou nos braços dele com uma espécie de desespero. Quando se separarm, ele acariciou seu rosto com os dedos, carinhoso e solícito. Com o coração cheio de amor, ela sentiu a dor da partida do marido. 
Gwen está de chegada à sua nova casa: o Ceilão. Recém-casada com um produtor de chá da região, eles estão profundamente apaixonados e ansiosos para construir uma vida feliz juntos.

Apesar de a excelente primeira impressão deixada por seu novo lar, cercado de exuberância e vegetação abundante, ela logo se dá conta de que o aparente paraíso não é exatamente tão perfeito assim. Não bastasse a necessidade de se adaptar aos costumes distintos de seu novo país, Gwen se depara com a inexplicável frieza do marido, necessitando aprender sozinha a lidar com relações sociais recheadas de intrigas e interesse, o comportamento arredio dos funcionários e os indícios que dão pistas a respeito do primeiro casamento de Laurence, uma vida conjugal repleta de tristeza e segredos.

Solitária e desconfortável na bela mansão, Gwen recebe a maravilhosa notícia de que será mãe. Contudo, o nascimento de seus bebês a colocará diante de uma assustadora escolha que a atormentará pelo resto da vida.
Ninguém nunca dissera que ser mãe significava conviver com um amor tão indescritível que a deixaria sem fôlego, e com um medo tão terrível que abalaria até sua alma. E ninguém nunca avisara sobre a proximidade desses dois sentimentos.
Narrado em terceira pessoa, o foco narrativo da obra fixa-se nas agruras da protagonista, partindo de uma visão onisciente de seus pensamentos, mas preso aos acontecimentos que são de seu conhecimento.

Pode-se dizer que é uma trama densa, cheia de mistérios, que mergulha no drama familiar complexo e prende o leitor da primeira à última página. Se, de início, temos a impressão de que as páginas se passam sem nada acontecer, mais adiante descobrimos que todas as fases são absolutamente contundentes e necessárias aos desenrolar do conflito.

Além disso, descobrimos os personagens aos poucos, formando nossa opinião a respeito deles página a página, desconfiando de todo mundo a princípio. São muito verossímeis, humanos. Aliás, o enredo, em si, é muito realista, sem romantizações ou contos de fadas. Não espere uma vida cor de rosa, um amor perfeito e relações maquiadas. Não precisa, todavia, se assustar também. Você não encontrará cenas cruas violentas ou algo assim. O perfume da folha de chá é um livro de muito bom gosto, bem escrito, envolvente. 
Compreendeu que um lar não era apenas um lugar. Era sua relação diária com tudo o que tocava, via e ouvia. Era a certeza da familiaridade, a tranquilidade de saber exatamente por onde andava. Os tecidos, os fios, os cheiros: a cor exata de sua xícara de chá de manhã, Laurence baixando o jornal antes de sair para trabalhar e Hugh subindo e descendo a escada mil vezes por dia. Mas agora havia algo extraordinário acontecendo, o chão estava se movendo, e tudo estava diferente.
Os mistérios que vão surgindo conforme a trama se desenvolve aceleram o ritmo da leitura, de uma maneira que deixam o leitor meio perdido. Só que é um perdido bom (MUITO bom). Porque nós não sabemos o que esperar, se estão interligados ou se nada tem a ver com nada. Esse, por sinal, acaba sendo um gancho muito bom, porque aumenta consideravelmente a sede por uma pista a respeito do desfecho.

Ainda, não poderia deixar de comentar a fantástica contextualização histórica da obra, que deixa bem clara o quanto este livro é fruto de um primoroso – e profundo! – trabalho de pesquisa, bem como pre-ci-so elogiar o excelente trabalho da Editora Companhia das Letras; desde a capa, com seus desenhos e relevos, até a organização do texto.

Portanto, se você deseja uma leitura mais realista, com belas e exóticas paisagens orientais, mistérios que darão um nó na sua cabeça e um desfecho extremamente surpreendente, não deixe passar O perfume da folha de chá. Você vai a-do-rar!
“Eu devo estar horrível.”
“Você nunca fica horrível. Mas só uma coisinha”, ele falou.
“Sim?”
“Este lugar é só para mim e para você. É para onde podemos vir quando quisermos um tempo a sós. Entendido?”
“Completamente.”
“E aqui podemos ter um recomeço, quando for preciso.”

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Ana Liberato