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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Resenha: "Tudo o que a gente sempre quis” (Emily Giffin)

Tradução de Marcelo Mendes.


Por Thaís Inocêncio: Esse livro é diferente de tudo o que Emily Giffin já escreveu. Autora de sete romances, como O noivo da minha melhor amiga (que deu origem ao filme com Kate Hudson) e Questões do coração, Emily agora se arrisca no drama contemporâneo – e, na minha opinião, dá muito certo. A história é tão atual que, para se ter uma ideia, alguns termos que aparecem nela são: snapchat, story, uber, muro do Trump, além de diálogos como esse:

— Apaga!
— Não gostou por quê? Você está ótima!
— Não, meus braços estão gordos!
— Posso editar isso.
— Só se editar meu rosto pálido também. 
— Tenho o aplicativo perfeito pra isso!"


O livro é narrado por três pessoas: Nina, Tom e Lyla. Nina nasceu em uma família simples, em uma cidade pequena, mas agora faz parte da elite de Nashville. Seu marido, Kirk, vendeu a empresa de tecnologia por uma fortuna e seu filho adolescente, Finch, acabou de ser aceito em Princeton, então ela acredita que conseguiu “tudo o que sempre quis”.

Tom também vive em Nashville, mas “do outro lado do rio”, o lado menos abastado. Ele é pai solteiro de Lyla, fruto de um relacionamento com uma brasileira, que abandonou a família. Lyla, por sua vez, é uma adolescente comum e feliz que conseguiu uma bolsa de estudos na Windsor, escola de prestígio de Nashville, onde Finch também estuda.

Tudo muda quando Lyla vai à uma festa, exagera na bebida e acaba perdendo os sentidos. Alguém se aproveita disso e a fotografa em situações constrangedoras, imagens que acabam se espalhando entre os adolescentes e a comunidade rica de Nashville. Nesse contexto, as vidas de Lyla, Tom e Nina acabam se entrelaçando e muitos valores são colocados à prova.
"Simplesmente não posso acreditar no que está acontecendo agora. Na pessoa em que meu filho se transformou. E, no entanto, posso, sim. Porque às vezes não enxergamos aquilo que está bem ali, debaixo do nosso nariz."
Esse livro aborda questões importantes tanto para os adolescentes, quanto para os pais de adolescentes, por isso pode agradar muitos públicos. Ao mesmo tempo em que retrata a vida de jovens que frequentam festas regadas a bebidas alcoólicas e fazem brincadeiras ofensivas e que acreditam que dinheiro traz poder e impunidade, ele nos faz refletir sobre a importância de uma boa criação e do diálogo entre pais e filhos.
“Pensei no tempo perdido com coisas triviais que se tornaram tão importantes para a minha vida. Reuniões, festas, almoços, academia, salão de beleza, jogos de tênis no clube e, sim, até mesmo alguma obra assistencial realmente útil. Mas com que finalidade? Que importância tinha tudo isso agora? O que poderia ser mais importante do que arrumar tempo para conversar com meu filho sobre respeitar as mulheres e as diferentes culturas e etnias?”
Além disso, a obra discute o abuso sexual e a desvalorização da mulher, alertando para as consequências profundas do machismo na vida das pessoas. Também fala muito bem sobre xenofobia e racismo – o tempo todo somos alertados para a ausência de negros na elite ou a presença deles em cargos inferiores. E ainda perpassa assuntos como alcoolismo, corrupção e, claro, os impactos da tecnologia na atualidade.
“Achava que esse ativismo era um dos poucos aspectos positivos das redes sociais, que muitas vezes não passavam de uma plataforma de narcisismo e futilidade, um meio de mostrar fotos de viagens de férias ou de entediar a todos com fotos da couve-de-bruxelas comida na véspera.”
O enredo do livro me cativou desde o início. A escrita da autora é bastante simples e ágil, o que torna essa leitura muito rápida e tranquila. Outro ponto positivo é o projeto gráfico do livro, que traz uma diagramação simples e agradável e uma capa aveludada muito bonita. Recomendo!

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Resenha: "Eu sou a amante do meu marido" (Sara Ester)


Sinopse: Algumas vezes a vida nos obriga a tomar atitudes drásticas, e o que é errado pode ser a única opção. Marie Cooper se vê em uma situação cuja única alternativa é o inusitado, pois não existem limites para a audácia de uma mulher cheia de desejos reprimidos. Casada com Andrew Cooper somente no papel, Marie almeja descobrir os desejos da carne. Ela quer conhecer o seu marido completamente, e pela primeira vez em sua vida cometerá uma loucura para conquistar aquilo que quer. Como? Se tornando a sua amante! Quais serão os segredos desvendados nessa reviravolta?

Por Jayne Cordeiro: O titulo deste livro é bem incomum e bem longo, mas acabei dando uma chance a ele, e não me decepcionei. Não é um livro muito longo, e a escrita é bem dinâmica e interessante. A história é contada pelo ponto de vista de ambos os protagonistas, principalmente pela Marie. Ele é uma mulher apaixonada que sofre com a rejeição do marido, que não aparenta ter nenhum interesse por ela, após o casamento. Andrew apresenta um comportamento bem confuso para ela, pois tem momentos em que a ignora, e outros em que parece que a deseja, mas sem nunca consumar o casamento.

Não havia um dia sequer no qual eu não me arrependia de ter aceitado aquele maldito acordo. Estávamos presos um ao outro, totalmente infelizes, eu a magoando de diversas formas e e sentindo-a se quebrar mais e mais.

O livro tem a sua história girando em torno deste drama vivido pela Marie, que está cansada deste tratamento, e decide elaborar um plano para conseguir finalmente se envolver sexualmente com o homem que ama. Mesmo que ele não saiba que se trata da própria esposa. Fiquei na dúvida no começo, de como isso poderia acontecer, mas a autora consegue encontrar uma forma convincente de fazer isso, e conseguindo passar de uma forma para o leitor, que é possível até mesmo não ter raiva ou se irritar com Andrew pela situação.

Suspirei e me recostei na pia, olhando-a.- Eu o vi, mas me acovardei na hora em que ele vinha na minha direção. - disse enfiando a escova na boca.- O que? Ficou louca? - Emily perguntou quase surtada. - Não era esse o objetivo desa loucura toda, Marie? Você ficar com ele nesse maldito clube?

Além desse drama, o livro também apresenta um pouco de suspense e mistério, já que passamos grande parte do livro querendo descobrir o porque de Andrew não se envolver com Marie, apesar de desejá-la tanto. E também a um perigo que ronda Marie, que trará uma surpresa no final. Assim, o livro tem uma história bem interessante, bem escrita, e recheada de romance, cenas quentes e mistérios. 

Delicadamente senti suas mãos deslizarem por meus braços, arrepiando minha pele.- É só fechar os olhos e imaginar que estamos a sós...sem plateia. - Andrew sussurrou e raspou os dentes no lóbulo da minha orelha.

Este é o primeiro livro de uma série da autora chamada Em Busca do Amor, que contêm cinco livros, que focam em casais diferentes, mas que já aparecem desde o primeiro livro. Particularmente, os dois primeiros livros (esse e "Em Busca do perdão da minha mulher") são sobre o mesmo casal, e um começa exatamente de onde o outro acaba. Contando uma história única. Trarei a resenha dele aqui também. 

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Resenha: "O Que Ainda Restou" (Bia Carvalho)


Sinopse: Meu nome é Arthur Montenegro. Três anos atrás eu simplesmente desapareci, sendo dado como morto pelos meus familiares e amigos. Porém, a verdade é completamente diferente.

Fui sequestrado por uma corporação secreta e recebi um treinamento militar. O objetivo era me tornar um assassino, mas eu escapei. Ao voltar para minha vida real, já não era o mesmo.

Apenas um pensamento preservou minha vontade de lutar e sobreviver: Christine. A mulher que eu amava e que tanto magoei antes de desaparecer. Contudo, surgir na porta da casa dela ferido e precisando de ajuda talvez não fosse a forma mais correta de me redimir. Muito menos colocá-la em perigo.

Aqueles que me sequestraram ainda me perseguiam. Por saber demais, queriam me eliminar. A solução que encontraram foi usar Christine para me atingir. Então, eu precisava protegê-la, enquanto armava um plano de vingança, sem saber que havia muito mais segredos que colocariam a prova tudo em que eu acreditava e todos aqueles em quem confiava.

Por Jayne Cordeiro: Encontrei este livro por casualidade na Amazon, entre a lista de mais vendidos. Fiquei curiosa pela sinopse, que achei muito bem escrita, e pela história, que me lembrava uma antiga série de TV que assisti, e comecei a ler O Que Ainda Restou.

- Não resista, Arthur. Você é um homem de sorte por ter sido escolhido. - disse o homem.
- Escolhido para quê? - vociferei e mal reconheci a minha própria voz. Soava arranhada, grave e quase embolada, como se tivesse acordado de um coma.
- Em breve você saberá. Precisa apenas se acalmar.

Quero começar dizendo que achei a capa muito bonita, muito bem feita e bem condizente com o clima do livro. Temos aqui uma história que mistura vários gêneros na medida certa. A história tem um romance muito bem desenvolvido, com um casal que a gente se apega fácil. A autora conseguiu mostrar bem a relação do dois, e da amizade que já existia antes disso. A forma como eles acabam se envolvendo no meio de todo o caos que aparece, é realista e  bem apaixonado.

- Christine... - ele sussurrou, e o som daquela voz fez misérias com meu coração. Não que o resto do meu corpo estivesse reagindo de forma muito normal. O estômago revirava, os pulmões falhavam e o sangue parecia congelado, quasse recusando-se a voltar a correr.

O livro é contado, revezando o ponto de vista dos dois, e isso ajuda ao leitor se apegar ainda mais aos dois e a história bonita dos dois. Os personagens secundários que aparecem também são bem desenvolvidos, e a autora não teve medo de usá-los para criar um enredo bem encaixado. O livro também trás o gênero suspense, porque temos o mistério inicial com o desaparecimento de Arthur, então a busca dele pelos chefes da organização que o sequestrou, e quem mais compactuava com os planos deles. Assim, acompanhamos toda a busca por informações e questionamentos que o personagem faz.

- Você etá mesmo decidido a entrar nessa guerra, 48?
- Não me chame assim. Você sabe o meu nome...
- Tudo bem...Arthur. você vai mesmso enfrentar a MR? Não acha que outras pessoas já tentaram antes? Mesmo lá de dentro?
- Não sei. Mas talvez eu seja o mais determinado... E estou aqui fora.

E pela capa também já dá pra ver que o livro traz outro gênero interessante que a ação. Pois é, o leitor vai acompanhar nossos personagens em lutas corporais, tiroteios e fugas, durante todo o tempo, já que a organização criminosa passa a perseguir Arthur e seus amigos. Essas cenas são muito bem feitas também, e em muitos momentos do livro eu pensava como a história daria um ótimo filme. Como ele tinha todas as características que a gente vê com tanta frequência em filmes de ação.

O pânico já havia se instalado. Pessoas tentavam correr, alguns se empurravam, outros caíam, mas toda a desordem foi interrompida por mais um disparo. Um homem, usando uma máscara de esqui, de pé sobre uma cadeira, apontava um fuzil AK-47 e uma Glock G25 para o alto, enquanto mandava que todos ficassem parados.

Para mim, este livro foi uma ótima surpresa e confirmou o porque está tão alto no ranking da Amazon. A autora tem uma escrita envolvente, com personagens bem elaborados. O enredo é interessante e segura o leitor o tempo todo, ansioso para saber o que vai acontecer a seguir, e se o mocinho vai conseguir destruir a empresa e ganhar a mocinha no final. E é claro, quanto ele terá que sacrificar por isso. O livro faz parte de uma duologia, sendo que o segundo livro foca em outro personagem. É uma ótima leitura e que vale a pena indicar para os amigos. 



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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Resenha : "Antes de Tudo Acabar" (Mary C. Müller)

Por Stephanie: Antes de Tudo Acabar é um YA contemporâneo nacional escrito pela autora Mary C. Muller, que conquistou mais de 2 milhões de leituras no Wattpad e conseguiu lançar seu livro físico pela Editora Planeta em 2017. A história tinha tudo pra dar certo, mas alguns deslizes acabaram comprometendo minha experiência com a obra.

Rafael é o protagonista do livro, um adolescente considerado “esquisito” que tem uma paixonite pela sua melhor amiga, Anne, uma menina linda que usa tênis de cores diferentes e compartilha todos os momentos com ele. A relação é abalada após Anne começar um novo relacionamento amoroso, e tudo começa a desmoronar a partir desse acontecimento e de outras situações que se desenrolam ao longo do livro.
Era triste imaginar uma rotina toda baseada no fingimento, todos agindo como se estivesse tudo okay e normal. Todas aquelas máscaras de Coringa, cheias de sorrisos, quando por dentro não aceitavam a forma como as coisas eram.
No início eu estava gostando bastante da leitura porque ela me trouxe um sentimento de nostalgia. Os momentos que Rafa passa com Anne fazendo coisas banais como lanchar no McDonald’s, ficar de bobeira em casa ou matar aula para ficar conversando me lembraram muito da minha época no Ensino Médio, uma época que pode não ter sido a melhor da minha vida mas que gosto de revisitar às vezes.

A autora aborda relações bastante complicadas no livro, já que Rafa tem uma mãe alcoólatra e um pai que começou uma nova família com a amante, e Anne tem um pai abusivo e começa a namorar um cara mais velho que pode não ser tão legal quanto aparenta. Acho que incluir estes relacionamentos foi uma forma que Mary encontrou de mostrar que qualquer um pode passar por situações difíceis e que é importante ter amigos com quem contar quando o fardo fica muito pesado.

Alguns dos outros assuntos abordados envolvem homossexualidade, estupro, automutilação e bullying. Acho que todos têm importância e é super válido encontrar estes debates em livros para jovens, mas acredito que Mary tentou incluir muita coisa em seu livro e acabou se perdendo um pouco, focando no que era menos interessante: a paixão de Rafa por Anne.

Rafa muitas vezes soa reclamão e egoísta, exigindo de Anne algo que ela não pode oferecer a ele. E isso foi irritante de acompanhar pois ele só pára de agir assim quando um novo interesse amoroso aparece, lá pela metade do livro. De repente ele só tem olhos para a nova garota e começa a agir de modo bem frio com aquela que um dia já foi sua melhor amiga.

No geral, o livro é bom, tem uma capa linda e vale a pena pra quem busca algo despretensioso e fácil de ler. Quem gosta de temas pesados pode não ter uma boa experiência, já que não vai encontrar estes temas sendo tratados com muita profundidade na obra.
Antes de tudo acabar, a gente aprende a ser quem é.

Até a próxima, pessoal!
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: "Dias de Despedida" (Jeff Zentner)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Você certamente já leu algum livro sobre morte, mais precisamente sobre luto. São histórias comuns e que parecem sempre servir de consolo para quem já passou por algo semelhante, além de conseguirem emocionar a maioria dos leitores. Dias de Despedida poderia ser só mais uma dessas histórias, mas a escrita de Jeff Zentner conseguiu levar a obra para outro patamar.

Carver, o protagonista e narrador do livro, é um rapaz de 17 anos que recentemente perdeu seus três melhores amigos em um acidente de carro, pelo qual ele se sente culpado. Essa culpa vem do fato de que Carver enviou uma mensagem de texto para o motorista do carro, seu amigo Mars; mensagem esta que Mars estava respondendo quando chocou seu carro com um caminhão.

Além do peso do luto, Carver precisa lidar com a possibilidade de ser indiciado pela morte de seus amigos (o pai de Mars é um juiz conhecido na cidade). Como era de se esperar, as consequências emocionais e psicológicas destas situações tornam a vida de Carver um inferno, e ele vai tentar fazer o possível para não sucumbir enquanto tenta lidar com seus problemas. A história acompanha o processo de luto de Carver desde o momento dos enterros de seus amigos até a possível aceitação, com a ajuda de sua família, amigos e de um novo terapeuta com quem ele começa a se tratar. 
Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.
A narrativa é muito fluida, mesmo se tratando de um assunto tão pesado e complexo. Zentner insere algumas passagens do passado dos amigos de Carver, mostrando como se conheceram e alguns dos momentos que passaram juntos. A sensação de nostalgia é constante e impossível de conter, um misto de alegria e pesar que me acompanhou durante toda a leitura. Dá pra ver como a amizade da Trupe do Molho era linda e muito intensa.

A relação de Carver com outros personagens também é muito bem trabalhada. Jesmyn, vovó Betsy e Georgia são pessoas tão incríveis, cada uma à sua maneira, que é impossível não se apaixonar pelas cenas em que elas aparecem e interagem com Carver. O romance poderia ter ficado de fora, mas foi compreensível no contexto da obra.

A diversidade está muito presente em Dias de Despedida. Zentner é um homem branco e hétero mas isso não o impediu de incluir personagens negros, asiáticos e gays em sua obra, de maneira natural e crível, sem cair em estereótipos e até alertando os leitores sobre o racismo e machismo contido em nosso dia-a-dia.

(...)Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita.
O tom escolhido pelo autor foi muito acertado, em momento algum achei o livro deprê. O final me trouxe esperança de que tudo acaba bem, de um jeito ou de outro. E me passou a mensagem de que ninguém precisa passar pelos momentos ruins sozinho. Tudo bem sentir saudade e dividir isso com outras pessoas, tudo bem se abrir com a sua família, tudo bem procurar ajuda profissional. Sua saúde mental vem em primeiro lugar.

Até a próxima, pessoal!
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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Resenha: "Tash e Tolstói" (Kathryn Ormsbee)

Tradução de Lígia Azevedo

Por Stephanie: Como é bom quando a gente encontra um livro levinho e gostoso de ler, né? Tash e Tolstói é exatamente o que eu estava precisando no momento: uma história sem muita pretensão, com personagens apaixonantes e um enredo simples, porém envolvente. Além de ser super atual, sem passar aquela sensação de que a história só é relevante agora. Um YA contemporâneo do melhor tipo.
A primeira coisa que você precisa saber sobre mim é: eu, Tash Zelenka, estou apaixonada pelo conde Liev Nikoláievitch Tolstói. Esse é o nome oficial dele, mas, como somos próximos, gosto de chamá-lo de Leo.
A obra nos apresenta a história de Natasha Zelenka, mais conhecida como Tash (lê-se Tásh e não Tésh). Ela é uma adolescente prestes a sair do Ensino Médio, apaixonada por literatura clássica (principalmente Tolstói) e que se considera uma assexual heterorromântica. Em parceria com sua amiga Jack, Tash produz uma websérie baseada em Anna Kariênina, uma das obras mais famosas de seu escritor favorito. E quando, de uma hora pra outra, a websérie viraliza, as amigas se veem em um mundo totalmente novo e empolgante, e precisam lidar com as reações positivas e negativas que se somam à fama repentina. Além disso, Tash precisa lidar com seus amigos e possíveis pretendentes (que ela não cobiça sexualmente).

Ufa, parece muita coisa, né? Mas eu juro pra vocês que na verdade é tudo bem mais simples do que você pensa. A escrita de Kathryn Ormsbee é uma delícia, super fluida e com diálogos rápidos, além de algumas trocas de mensagens que fazem as páginas passarem ainda mais rapidamente. Mesmo citando as obras de Tolstói, não senti que a escrita se tornou pedante ou muito explicativa; a autora não subestima a inteligência do leitor. Mas já adianto: há uns bons spoilers sobre Anna Kariênina, então, esteja preparado.

Falando agora sobre o aspecto LGBT de Tash e Tolstói, achei bem tranquilo. Como a orientação sexual de Tash não é muito comum, há uma boa quantidade de informações sobre como é ser assexual e o que isto significa. A autora mostra as diversas reações que as pessoas podem ter ao se depararem com um assexual, então há um debate mesmo que leve sobre preconceito e aceitação, sobre se encontrar e se entender em um mundo onde há tantas expectativas sobre como devemos nos sentir e quem devemos amar. Tudo de maneira bem informativa, sem ser didático demais. É um livro extremamente apropriado para adolescentes que estão em fase de descoberta.
Cheguei à seguinte conclusão: minha falta de desejo não se deve à falta de esforço. Tentei mais que o suficiente sozinha. Não odeio o sentimento. É bom, até satisfatório, chegar a esse ponto de libertação. Mas não é como eu deveria me sentir. (...) Eu deveria sentir mais. Deveria querer como eles querem. Ou isso, ou todo mundo à minha volta está fingindo. Às vezes gostaria que estivessem. Seria uma desilusão, mas pelo menos eu não ia me sentir a mais estranha das pessoas.
Os personagens são todos muito queridos; até aqueles com jeitinho de vilão conseguiram ganhar minha simpatia em algum momento. São adolescentes críveis, que tem seus surtos e momentos idiotas, mas que se mostram amigos leais e companheiros nas horas mais difíceis. Por falar em amigos, a amizade de Tash e Jack é uma das representações mais fiéis que li nos últimos tempos. Elas brigam, mas não competem, não tem aquela inveja boba uma da outra e falam a verdade quando necessário. Sem manipulação, sem atitudes duvidosas… só a pura amizade verdadeira entre duas adolescentes.

Outros assuntos relevantes também são abordados em Tash e Tolstói, tais como: religião, bullying virtual, relações familiares, drogas e doenças terminais. Como já falei, tudo é tratado com leveza e fluidez, de maneira que as páginas voam e a gente nem percebe que leu tanto. Também existe bastante diversidade e dá pra ver que a autora não inseriu certas coisas apenas para cumprir uma “cota”.

Adorei o tempo que passei na companhia de Tash, com seus devaneios, suas dúvidas, suas vitórias e derrotas. Por vezes me irritei um pouquinho com ela, mas senti empatia também. Tash é a personificação da descoberta adolescente, com todas as dores e delícias que vem no pacote desta fase da vida.
Não importa o que aconteça no futuro, temos isto: contamos uma história que não poderíamos ter contado sem a ajuda um do outro.
Duas curiosidades: 01 - este é o primeiro livro com uma protagonista assexual a ser lançado no Brasil e 02 - as cores da capa são as cores da bandeira assexual :)

Até a próxima, pessoal!


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Resenha: “Entre Dois Amores” (Carolina Estrella)

Por KlerisFazia muito muito muito muuuuuito tempo que eu não lia um livro teen. Não é um estilo que me interesse muito, leio geralmente para conhecer além de horizontes costumeiros (e quem sabe me surpreender). Com Entre Dois Amores não foi diferente, me chamou a atenção que a Carolina comanda oficinas de escrita e palestras de incentivo à leitura. Me chamou atenção também que este livro em especial se trata de metaleitura (uma leitura sobre leitura), que, como já mencionei em outras resenhas, tenho certo tombo.

Entre Dois Amores é a história Helô, garota do segundo ano do ensino médio que está para bombar na aula de Português e precisa de aula particular. É um banho de água fria, pois tudo o que ela quer saber é de moda e crushes (paixonites). Essa água fria se torna mais gelada ainda quando quem vai dar aulas é o vizinho César Rodolfo, estudante de Direito, por quem Helô tem um horror desde a infância.

Ela não se convence de precisar de aulas fora da escola, mesmo que todo o seu universo mostre que sim – pra quem tem um blog (de moda), saber escrever é essencial, mas Helô não é nada boa em se expressar senão nas costuras. Para fazer posts, ela precisa de Amanda, a bestie que dá um apoio. Os pais de Helô não querem saber disso, para eles Helô devia deixar um pouco do mundo das costuras e investir nos estudos. Ter César em casa também era pra ser um exemplo de sucesso, a fim de colocar um pouco de “juízo” na filha.

Fugir das aulas não é uma opção, então Helô faz um drama básico sobre ser aluna de César. Ela é aquela personagem clássica, mimada, popular, chatinha, mas de coração bom. Não é de todo boba, só que acaba pisando mais nas nuvens do que no chão. Sua relação com Rodolfo é a esperada desde o começo: implicar, implicar, implicar, terminar se apaixonando, fingir que não e continuar a implicar. Para dar um sacode nessa história de amor, Amanda se envolve com César. Em meio a isso, Helô se divide ao seguir pistas amorosas após despertar-se para a leitura. Alguém sempre sai ferido entre diversos enganos. 
Eu não sei usar “A” com crase, ok? Só sei escvr axim e n sei dizer T <3 na sua língua.

Entre Dois Amores é um livro bem brasileiro. Você se identifica com umas passagens aqui e acolá quando fala de escola, de amores, de vícios e de hábitos. É um livro que vive a realidade jovem de hoje, com internet, blogs, séries, música... Como estudar ao meio disso tudo, né? Dilemas! Carolina acerta muito em diversos pontos, mas em outros aspectos... não achei que deixariam a desejar.

Desde o começo, o livro tem tudo pra ser bem amorzinho. Carolina delineou perfis, e, independente do clichê, inovou (na narrativa, nas intervenções nela, os looks do dia...), jogou bem e plantou bons conflitos... Mas também força a barra um pouquinho, principalmente no quesito das leituras de Helô, uma iniciante nas letras. Para alguém tão avessa aos estudos, Helô mergulha logo nos (grandes) clássicos. Não que isso seja impossível, mas a maneira com que a autora coloca, para mim foi pouco crível. Aliás, não sou a favor dessa didática de jogar um livro para um não leitor e apenas esperar que leia, sem qualquer mediação ou envolvimento anterior. 
— Toma, esta será a sua próxima leitura. Quero uma resenha deste livro para semana que vem. – olhei para ele com a boca aberta. – O que foi? Em boca aberta entra mosca, mocinha.
— Você está achando que eu vou ler um livro amarelado com cheiro de mofo? Nem morta?
— Você vai ler sim Orgulho e Preconceito, madame. Este livro é o preferido das minhas alunas e tem um vocabulário ótimo para trabalharmos nas aulas.

Outro ponto que me incomodou foram algumas reviravoltas “desconexas” e exageradas, sem falar de conflitos superestimados em dadas horas e depois esquecidos (o blog, o curso, as aulas). Personagens como Marina e até Amanda, a melhor amiga de Helô, ganham esse tom forçado – e vá lá, também abusivo. Senti falta de equilíbrio na trama por isso. 
É impressionante como um garoto pode arruinar uma amizade de anos.Ou uma amiga pode arruinar um amor para sempre – Marina. 
 [...] Vou te contar, se depender da amizade de vocês duas, eu estou frita.

Como veem, o livro não me ganhou. Em contrapartida, ainda me parece um bom livro... para quem procura um drama bem teen, uma trama clichê ou uma história carismática.

Pelo que já espiei do canal da autora no youtube, Carolina transpira essa animação em sua escrita, que é fluída. Mesmo que a história não tenha me conquistado (e nem sou realmente o público alvo), fico feliz pela editora Planeta estar investindo na Estrella, que me parece ter a faca e o queijo na mão, só precisa de um pouco mais de firmeza e se sair de umas amarras clicherianas – vejo potencial nessa menina! Vale destacar ainda todo o esmero da editora. 

Apesar dos apesares, vale a leitura. E você, o que acha? Já conhece a autora? Contaí nos comentários :)






P.S.: Só lembrei desse tweet enquanto lia ;)



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Ana Liberato