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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Resenha: "Nightflyers" (George R. R. Martin)


Tradução: Alexandre Martins

Sinopse: Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. 

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.


Por Jayne Cordeiro: Este livro do autor de Game of Thrones não é um lançamento, afinal o livro é antigo, mas essa é uma edição nova lançada pela Editora Suma. A edição é muito bonita, de capa dura, e com ilustrações em alguns pontos. É um livro curto e que consegue prender o leitor até o final. Em um primeiro momento a história segue um pouco devagar, apresentando os personagens. Não sei se a ideia é fazer o leitor se apegar a eles, porque isso não acontece. A escrita do autor é muito impessoal, e eu senti como se estivesse vendo tudo de fora, o que não é tão legal, como quando o leitor se sente vivenciando aquilo.

Não sei quem ou o que ele é, não sei se aquela história que nos contou é verdade, e não ligo. Talvez ele seja uma mente hrangan, o anjo vingador dos volcryn ou o segundo advento de Jesus Cristo. Que diferença isso faz, porra? Ele está nos matando! — Ele olhou para cada um deles. — Qualquer um de nós pode ser o próximo. Qualquer um de nós. A não ser… Temos que fazer planos, fazer alguma coisa, acabar com isso definitivamente.

Apesar dessa questão, a história se desenvolve bem, e um mistério vai surgindo, incentivando a leitura. Dá para perceber que a história vai tendo uma crescente, e consegue surpreender o leitor no final. Adoro uma história de ficção cientifica, e esse livro cumpre todos os requisitos. Tem conversas sobre temas espaciais e sobre um povo misterioso, tem personagens cibernéticos, acidentes e mortes suspeitas, ação e mistérios para resolver. É uma obra bem interessante. O livro já virou um filme, e tem previsão de se transformar em outro. Uma série estava sendo planejada, mas parece ter sido deixada de lado.

— Entende o quê? — perguntou D’Branin, perplexo.— Você não entende — disse Royd com firmeza. — Não finja que sim, Melantha Jhirl. Não! Não é sábio nem seguro estar lances demais à frente.

Como disse, a história é bem escrita e coesa. Apresenta vários personagens, e apesar da forma como a história é contada, é possível simpatizar com alguns personagens e torcer por eles no final. A história é bem entendível, e o autor procura deixar as informações claras para o leitor que é novato nesse universo. Nunca tinha lido nada do autor, e para um primeiro contato, foi uma boa experiência. E a Suma está de parabéns pela edição que está linda.

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Resenha: "De Espaços Abandonados" (Luisa Geisler)


Por Kleris: Uau. Perplecta estou. Surtada fiquei. E palavras encontrarei, porque preciso falar desse livro.

Conhecido por desafiar os limites da ficção, De Espaços Abandonados nos coloca frente a mais possibilidades de feitura ficcional até então inimagináveis. Luisa tornou possível a formação de um romance em um... romance. E romance esse de formação.

Inception sim. Mas vamos por partes. 
Tudo o que está na terceira pessoa aconteceu. E se sabe que aconteceu porque o(a) narrador(a) é onisciente e confiável. O(a) narrador(a) é sempre confiável. O(a) narrador(a) não mentiria sobre aonde ele vai durante a noite. O(a) narrador(a) pode ver. E tudo o que está na terceira pessoa aconteceu com certeza. Aconteceu porque eu sei que aconteceu.

O enredo retrata a busca de Caio por Maria Alice, sua irmã, que viajou à procura da mãe, Lídia, que fugiu de casa e pelo tempo de desaparecimento, foi dada como morta. Lídia é bipolar, então constantemente Maria Alice e Caio, desde pequenos, assumiram responsabilidades quanto a cuidar da mãe. Ainda nesse papel, Maria Alice jura de pé junto que descobriu o paradeiro de Lídia, em Dublin, e parte nessa viagem.

É pela jornada de Maria Alice que entendemos mais sobre essas buscas, as relações familiares, o que a move (ou não move), seus planos e seu senso quanto ao panorama. Através dela somos levados também a outras pessoas e histórias, já na Irlanda, onde conhece estudantes brasileiros, como Maicou, Bruna e Caetano, com quem divide um apartamento. Todos, pelo jeito, estão tentando dar um jeito na vida. 
Costumava ser a criança que era “uma promessa” e que “tinha futuro” e que “ia dar certo”, mas aí. Sei lá.

O pulo do gato do livro é como o enredo é apresentado ao leitor: são fragmentos que funcionam como pistas para ligarmos os pontos, o que torna a leitura um tanto investigativa e ao mesmo tempo desafiadora, pois esses mesmos fragmentos são pedaços de uma narrativa dentro do próprio livro com múltiplas vozes narrativas. E esses fragmentos são registros e vivências que precisam de nossa costura (como um manuscrito inacabado), algo que não é fácil, mesmo com todas as sugestões no ar e mesmo com o manual que existe dentro do livro. 
“Imigrantes. Todos nós o somos, hoje. Quando a viagem não nos move, é o entorno que nos foge, o que dá no mesmo. Ficamos então parados, com tudo o mais indo, imigrantes a tentar entrar, todos os dias, em nós mesmos.”
Elvira Vigna, O que deu para fazer em matéria de história de amor.

Ler De Espaços Abandonados é se sentir constantemente perdido, bugado (modo HARD), e ainda assim instigado, perguntando-se sobre o que está acontecendo, se o que nos é apresentado vale para todo o contexto, se a narrativa está nos enganando, se a gente está no paralelo certo, qual é o sentido do rolê, e, claro, uma busca alucinada sobre o destino dos personagens. Como já disse a própria autora em entrevistas, é um livro esquisito e de leitura esquisita.

Isso quer dizer que o livro demanda um pouco de seu leitor. Por quebrar e reconstruir o script de um romance, pede-se um leitor mais experiente, mais solto e disposto a sair da zona de conforto. E que saiba inglês também, porque há conversações e referências quando vivemos com os imigrantes. Quem tem alguma experiência com escrita criativa pode ter umas vantagens – vai se situar melhor, entender as razões de algumas coisas e, por que não, se identificar nas mil e umas anotações.
dfghjkl.rtf
O dia em que Brasileiro desembarcou na Irlanda era verde com cheiro de cerveja. As pessoas se abraçavam. As pessoas sorriam muito. Bebia-se muito nas ruas. Cantavam. O rio que cruzava a cidade estava pintado de verde. As pessoas bebiam, lotavam os pubs e celebravam nas ruas. Dublin era o melhor lugar do mundo. 

Sempre que menciono exploração urbana — uma expressão estranha, que me desagrada, que requer explicação —, muita gente fala que gostaria de fazer. Mas nunca chegam a realizar o desejo. Como escrever um livro, todo mundo acha que deveria fazer. Todo mundo acha que tem que fazer. Ou isso ou todo mundo está escondendo lugares bons (na literatura e nos lugares abandonados).



Tal qual um jogo narrativo, nossa percepção é posta à prova. Mesmo com toda a visão privilegiada que Luisa nos permite, esse é um quebra-cabeça em que não conhecemos as “peças da ponta”, pelo menos não até terminar o livro e ficar só BERROS pela ficha que cai. 
O landford não vai aprovar essa merda. Vai sobrar pra mim, pra variar.
Fiz carinho em Taco Cat.
É um gatinho, não um rinoceronte festivo. Como ele vai saber?
Eu me sentiria mal mentindo para ele.
Eu dei uma gargalhada forçada:
Mas moram três pessoas a mais nesse apartamento do que o contrato prevê. E o gato é o que te incomoda?

Dividido em três partes, temos diversos paralelos enquanto a história está sendo construída na nossa frente. Para além de Maria Alice, Maicou e Bruna são dois personagens que facilmente roubam a atenção e Caio é aquele à espreita, com um lugar cativo na narração. Mas o mais curioso é que no meio de tanta voz, Luísa joga umas pistas e depois desfaz, o que quebra umas teorias e nos deixa desconfiados pensando demais.

Já a ambientação e o contexto em que somos inseridos, esses são pontos sensíveis para a compreensão do título. Fala-se muito sobre se perder, se abandonar e as relações que construímos ou desconstruímos no meio do caminho, estando parados ou não. Luisa é maravilhosa em nos mostrar isso.

Obviamente, o tom do texto assume uma melancolia constante para demonstrar essa falta de norte ou foco. A questão da imigração cai como uma luva, mas é interessante que Luisa não se prende a amarras comuns (e quanto a qualquer coisa). Quer dizer, não há qualquer exaltação ou romantização, seja sobre viver fora do país, seja sobre relacionamentos ou aspectos mais pessoais de seus personagens. Essa banalização e desprendimento também revelam um pouco de depreciação, o que não sei dizer se faz parte do estilo da autora ou se é um caso em particular, vez que essa é a primeira obra dela com que tenho contato (e com certeza lerei outros). 
Lembrem que vocês são brasileiros, tá?, eu disse.
Tipo os nossos cuidam dos nossos?, o bosta disse.
Não, eu disse. Vocês são brasileiros. E tem muito brasileiro por aqui. Vocês também são. Só isso. 
Sempre discutiam a respeito do termostato na parede. Matildo queria economizar eletricidade. Caetano achava que não tinha que tremer de noite. Que comprasse um cobertor. Caetano jogou dinheiro na cara de Matildo. Matildo disse que ia usar para pagar a parte do aluguel de Caetano, que sempre estava atrasado. Um dia a capinha do termostato caiu. Ele não estava conectado a nada. 
— Então só sobra uma saída pra você — ela disse. — Cê tá fugindo de algo.
— Se fosse pra fugir, é uma fuga meio cara, não é? Meio playboy magnata cheio da grana que vai desopilar na Europa.
— Vontade de fugir não é um luxo. É uma vontade. Só.

Por vezes o ritmo do livro diminui, e os fragmentos parecem incongruentes, aleatórios e até mornos, mas terminamos a leitura sabendo que estava tudo no lugar. Luisa nos entrega uma obra original, madura, pretensiosa, excepcional e que abre novos precedentes para a ficção e seus experimentalismos. Uma certeza que se tem é que, entendendo ou não entendendo o rumo ficcional, seremos geislerados. Eu estava no caminho certo quando ainda decifrava sua capa. 
Branco no azul no azul no branco com azul sob o azul.
Mas são só cadernos em branco. Sempre é só papel. 
Passei tanto tempo na minha cabeça que tinha desenvolvido um novo nicho/camada de humor que ninguém no mundo real, em que as coisas aconteciam, entendia.

E talvez eu precise reler. Porque perguntas e respostas e novas perguntas continuam ecoando aqui dentro.
Ou isso. 
Ou.

*Não preciso dormir. Preciso de respostas.* 
— Não é estranho como a gente fica constante e continuamente numa conversa mental com a gente mesmo? — Bruna disse para ninguém em específico. E tanto me sentia como ninguém em específico que me apaixonei por ela. 
Mas a verdade é que todos os livros são sobre criação literária, não é mesmo?

Fica ainda a dica de ouvir um episódio do Podcast 30Min dedicado ao livro e uma entrevista da autora no Programa Folhetim, para se embrenhar mais nessa viagem toda que é De Espaços Abandonados.

Recomendadíssimo se esse tipo de proposta também te fascina.

Até a próxima!

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Resenha: "Maquinas Mortais" (Philip Reeve)


Tradução: Guilherme Kroll

Sinopse: Neste brilhante mundo criado por Philip Reeve, a humanidade quase teve um fim em um conflito nuclear e biológico chamado de Guerra dos Sessenta Minutos. O mundo virou um descampado, a tecnologia foi praticamente extinta e todos os esforços humanos se voltaram para um único objetivo: fazer suas cidades sobreviverem. Para isso, elas precisam se mover, se tornando Cidades de Tração, para se afastar da radioatividade e doenças. Londres é uma grande cidade e está sempre a busca de novas cidades para se alimentar, como dita o Darwinismo Municipal: metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante...No meio de um ataque de Londres à uma cidadezinha desesperada, Hester Shaw, uma menina com uma cicatriz horrível, tenta matar Thaddeus Valentine, o maior arqueólogo da metrópole. Valentine é salvo por Tom Natsworthy, um historiador aprendiz de terceira classe. De repente, ambos acabam caindo para fora da Cidade de Tração. Agora perdidos no vasto Campo de Caça, sem uma cidade para protegê-los, os dois precisam unir forças para alcançar Londres e sobreviver a um caminho cheio de saqueadores, piratas e outras Cidades de Tração. Além disso, ao que tudo indica Londres está planejando um ato desumano, envolvendo uma arma não usada na Guerra dos Sessenta Minutos, que pode dar fim ao pouco que restou do planeta...

Por Jayne Cordeiro: Máquinas Mortais é um lançamento recente da editora HarperCollins, e teve sua adaptação para o cinema lançada neste começo 2019. Sobre o livro, no primeiro momento, posso dizer que achei o enredo bem interessante. Uma história bem criativa e diferente do que costumamos ver por aí em distopias. Quem imaginaria um mundo pós apocalíptico em que a cidades funcionam sobre rodas e perseguem umas as outras atrás de suprimentos para sobreviver. Achei tudo mundo bem elaborado, e esse é com certeza um ponto a favor.

Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos.

O livro traz vários pontos de vista, e com isso vários personagens são apresentados e narram suas aventuras convergindo para o ápice, e isso dá uma dinâmica legal a história. Bem melhor do que se fosse contado apenas por Tom ou Hester, os principais personagens da história. A escrita do autor é boa, ele mantem um ritmo rápido no livro, mas sem ser corrido demais. 

Lembre-se, não sabemos o quanto a garota sabia a respeito do trabalho da Mão. Se ela contasse a qualquer outra cidade que nó temos a MEDUSA antes de estarmos prontos para usá-la…

Mas para mim, o livro tem um problema, que atrapalhou muito a leitura, e me fez demorar demais para terminar. O leitor não consegue criar um laço de simpatia com os protagonistas. Mesmo com todas as aventuras, e o passado sofrido de alguns deles, não dá para se apegar a eles. Parece que apesar de o autor saber relatar os fatos e situações muito bem, ele já não consegue passar as emoções da mesma forma. E tenho muita dificuldade em continuar uma leitura, quando não me interesso pelos personagens. 

Você não é um herói. E eu não sou bonita. E nós provavelmente não vamos viver felizes para sempre - ela disse - Mas nós estamos vivos, e juntos, e nós vamos ficar bem.

Fora isso, até mesmo os momentos dramáticos (e o autor não tem pena de causar mortes e sofrimento), não há aquele clima. No final da contas, para mim tanto fazia se alguém pudesse morrer naquele momento. E assim, o livro acaba ficando desinteressante. O que é uma pena, porque a história é boa. Mas a mim, ele não conseguiu prender. Agora, é um livro que o leitor pode amar ou detestar. Vai depender de como a leitura segue para você. Ele é o primeiro de uma série de livros. E como se trata de uma história de fantasia, totalmente focada no drama e aventura (não espere romance), se você gosta do gênero pode valer a pena dar uma chance.

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Resenha: "Crônicas de Espada e Feitiçaria" (Vários Autores edt. Gardner Dozois)

Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso

Sinopse: Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.

Fonte: Amazon

Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.

Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.

Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.

Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.

É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Resenha: "O Que Ainda Restou" (Bia Carvalho)


Sinopse: Meu nome é Arthur Montenegro. Três anos atrás eu simplesmente desapareci, sendo dado como morto pelos meus familiares e amigos. Porém, a verdade é completamente diferente.

Fui sequestrado por uma corporação secreta e recebi um treinamento militar. O objetivo era me tornar um assassino, mas eu escapei. Ao voltar para minha vida real, já não era o mesmo.

Apenas um pensamento preservou minha vontade de lutar e sobreviver: Christine. A mulher que eu amava e que tanto magoei antes de desaparecer. Contudo, surgir na porta da casa dela ferido e precisando de ajuda talvez não fosse a forma mais correta de me redimir. Muito menos colocá-la em perigo.

Aqueles que me sequestraram ainda me perseguiam. Por saber demais, queriam me eliminar. A solução que encontraram foi usar Christine para me atingir. Então, eu precisava protegê-la, enquanto armava um plano de vingança, sem saber que havia muito mais segredos que colocariam a prova tudo em que eu acreditava e todos aqueles em quem confiava.

Por Jayne Cordeiro: Encontrei este livro por casualidade na Amazon, entre a lista de mais vendidos. Fiquei curiosa pela sinopse, que achei muito bem escrita, e pela história, que me lembrava uma antiga série de TV que assisti, e comecei a ler O Que Ainda Restou.

- Não resista, Arthur. Você é um homem de sorte por ter sido escolhido. - disse o homem.
- Escolhido para quê? - vociferei e mal reconheci a minha própria voz. Soava arranhada, grave e quase embolada, como se tivesse acordado de um coma.
- Em breve você saberá. Precisa apenas se acalmar.

Quero começar dizendo que achei a capa muito bonita, muito bem feita e bem condizente com o clima do livro. Temos aqui uma história que mistura vários gêneros na medida certa. A história tem um romance muito bem desenvolvido, com um casal que a gente se apega fácil. A autora conseguiu mostrar bem a relação do dois, e da amizade que já existia antes disso. A forma como eles acabam se envolvendo no meio de todo o caos que aparece, é realista e  bem apaixonado.

- Christine... - ele sussurrou, e o som daquela voz fez misérias com meu coração. Não que o resto do meu corpo estivesse reagindo de forma muito normal. O estômago revirava, os pulmões falhavam e o sangue parecia congelado, quasse recusando-se a voltar a correr.

O livro é contado, revezando o ponto de vista dos dois, e isso ajuda ao leitor se apegar ainda mais aos dois e a história bonita dos dois. Os personagens secundários que aparecem também são bem desenvolvidos, e a autora não teve medo de usá-los para criar um enredo bem encaixado. O livro também trás o gênero suspense, porque temos o mistério inicial com o desaparecimento de Arthur, então a busca dele pelos chefes da organização que o sequestrou, e quem mais compactuava com os planos deles. Assim, acompanhamos toda a busca por informações e questionamentos que o personagem faz.

- Você etá mesmo decidido a entrar nessa guerra, 48?
- Não me chame assim. Você sabe o meu nome...
- Tudo bem...Arthur. você vai mesmso enfrentar a MR? Não acha que outras pessoas já tentaram antes? Mesmo lá de dentro?
- Não sei. Mas talvez eu seja o mais determinado... E estou aqui fora.

E pela capa também já dá pra ver que o livro traz outro gênero interessante que a ação. Pois é, o leitor vai acompanhar nossos personagens em lutas corporais, tiroteios e fugas, durante todo o tempo, já que a organização criminosa passa a perseguir Arthur e seus amigos. Essas cenas são muito bem feitas também, e em muitos momentos do livro eu pensava como a história daria um ótimo filme. Como ele tinha todas as características que a gente vê com tanta frequência em filmes de ação.

O pânico já havia se instalado. Pessoas tentavam correr, alguns se empurravam, outros caíam, mas toda a desordem foi interrompida por mais um disparo. Um homem, usando uma máscara de esqui, de pé sobre uma cadeira, apontava um fuzil AK-47 e uma Glock G25 para o alto, enquanto mandava que todos ficassem parados.

Para mim, este livro foi uma ótima surpresa e confirmou o porque está tão alto no ranking da Amazon. A autora tem uma escrita envolvente, com personagens bem elaborados. O enredo é interessante e segura o leitor o tempo todo, ansioso para saber o que vai acontecer a seguir, e se o mocinho vai conseguir destruir a empresa e ganhar a mocinha no final. E é claro, quanto ele terá que sacrificar por isso. O livro faz parte de uma duologia, sendo que o segundo livro foca em outro personagem. É uma ótima leitura e que vale a pena indicar para os amigos. 



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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Resenha: "O Elefante Desaparece" (Haruki Murakami)

Tradução: Lica Hashimoto

Sinopse: Com a mesma genialidade com que escreveu seus romances mais famosos, 1Q84ou Crônica do Pássaro de Corda, por exemplo, Haruki Murakami usa esta coletânea de contos para tomar o senso de normalidade de assalto. Um homem vê seu elefante favorito desaparecer, dois recém-casados sofrem de uma fome avassaladora que os faz roubar uma lanchonete no meio da noite, e uma jovem mulher descobre que a forma de se livrar de um pequeno monstrinho verde pode estar ligada a seus próprios pensamentos: esses são apenas alguns dos contos que integram essa seleção de dezessete histórias. Por vezes assustador, por vezes hilário, O elefante desaparece é mais uma prova da habilidade que Murakami tem de ultrapassar as fronteiras da realidade — e de voltar carregando um tesouro.


“Todos os contos se passam em universos paralelos não tão distantes da realidade, é quase como se eles sempre estivessem escondidos logo abaixo da superfície: ruelas secretas que oferecem uma perspectiva inesperada.” — The New York Times



“Encantador e intrigante. Todos os contos possuem características surreais e um tom moderno e espirituoso.” — The Wall Street Journal



“Essa coletânea consegue reunir as melhores características de um romance: um tom homogêneo e uma multiplicidade de detalhes que cria uma textura única para a escrita.” — The Independent

Fonte: Grupo Cia das Letras

Por Eliel: O título causa um estranhamento logo de cara. Isso é proposital, pois o estilo de Murakami é cheio repleto de surrealismo, abstracionismo beirando o absurdo deixando a obra aberta para interpretação e discussão. 

Os contos são ambientados principalmente no Japão e geralmente são pessoas comuns que trazem um ar solitário até melancólico. Parece até que conhecemos aquele vizinho ou aquela senhora que passa pela rua tamanha a habilidade do autor de nos envolver na narrativa.

Não existe um tema central que ligue os contos uns aos outros, por isso eles podem ser lidos em qualquer ordem. Murakami tem uma habilidade para distorcer a realidade usando de transtornos psicológicos, inércia, fantasia, entre outros. Ele faz isso de uma forma natural que você só se dá conta que atravessou o véu da realidade depois de estar bem longe na trama.

- Sei que soa estranho - ela admitiu. - Não é para menos. A história toda é bem esquisita.

Os contos podem parecer meio sem pé nem cabeça e Murakami tem o costume de não dar muitas explicações, mas o conceito é esse mesmo, provocativo e ousado. Esse autor vai mexer com seu psicológico (no bom sentido).

Hoje eu entendo que, em muitos casos, não se deve relatar a realidade das coisas. A realidade deve ser criada.

Meu conto favorito é Sono, nele acompanhamos o dia a dia de uma mulher que por alguma razão não sente mais sono e não se sente cansada. Por isso começa a refletir sobre sua vida, seu casamento  e as consequências na sua rotina por não dormir.

São 17 contos e o conto de abertura (O Pássaro de Corda e as Mulheres de Terça) é o primeiro capítulo de um dos seus livros (O Pássaro de Corda). O conto que fecha essa antologia é justamente o que dá título à esse livro. São contos de diversos tamanhos e ritmos, mas a leitura do livro em si é bem rápida. Gostei bastante da experiência e com certeza recomendo

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Resenha: "Gritos no Silêncio" (Angela Marsons)

Tradução: Marcelo Hauck

Por Sheila: Oi Pessoas. É com profunda dor no coração que trago a vocês minha última resenha como integrante da família Dear Book. Foram quase 8 anos cheios de muita troca, crescimento, descoberta de novos autores e gêneros, minha descoberta como autora, nossa tanta coisa!

Mas, enfim, a vida chama. Às vezes com um grito estridente que ameaça ensurdecer. E às vezes temos que deixar de lado, para trás, coisas que amamos, em troca de outros sonhos, desafios, projetos. Esses amadurecimentos fazem parte da vida e foi um prazer imenso ter passado esse tempo com vocês. 

Meu mais sincero agradecimento pela oportunidade de produzir e descobrir que, sim, era capaz! Lencinho a postos (snif, snif) vamos à resenha! Segundo a sinopse do nosso querido Skoob:

Os segredos mais obscuros não podem ficar enterrados para sempre…
Na escuridão da noite, cinco figuras se revezam para cavar uma sepultura, um pequeno buraco em que enterram os restos de uma vida inocente. Ninguém diz nada, e um pacto de sangue os une…
Anos mais tarde, Teresa Wyatt é brutalmente assassinada na banheira da sua casa, e, depois disso, mais mortes violentas começam a acontecer. Todas as vítimas têm algo em comum, e a detetive que encabeça o caso, Kim Stone, logo percebe que a chave para deter o assassino que está semeando o pânico na cidade é resolver um crime do passado.
Só o que ela sabe é que alguém esconde um segredo e está disposto a fazer qualquer coisa para que nada seja revelado.
Acredito que, logo de início, o que é mais impactante no livro é descobrir que a sepultura encerra uma criança. Os acontecimentos sinistros acontecem próximos a um orfanato, e é feito um pacto para que nenhum dos cinco jamais revele o que aconteceu naquela noite obscura.

Todos tinham conhecimento daquela vida inocente que havia sido tirada, mas o pacto estava feito. O segredo deles seria enterrado.

Pouco tempo depois seremos apresentados para a detetive Kim Stone que será a protagonista dessa série de livros (aqui ainda é o primeiro, mas lá fora já são 8 livros publicados). Kim é a típica detetive cheia de tragédias pessoais que vê na profissão uma forma de enterrar esses fantasmas do passado.

Utilizando-se de métodos nem sempre convencionais para resolver seus casos, a detetive se dá conta que, para solucionar este caso em particular talvez ela tenha de desenterrar alguns medos que tem bem fundo na mente, e dos quais vem fugindo há muito tempo. Irá ela conseguir deparar consigo mesma para que a verdade venha à tona?

Com uma escrita ágil e direta e capítulos bem curtinhos, Gritos no Silêncio é um daqueles livros em que se lê tudo de uma só vez bem fácil. Os acontecimentos passados e presentes vão se sobrepondo de forma a fazer com que as páginas praticamente se virem sozinhas. Os personagens são bem estruturados e as cenas são muito bem construídas, não deixando pontas soltas.

A única ressalva seria a de que a autora é um tanto quanto explícita em algumas passagens, mas se vocês lida bem é tranquilo. Prepare-se para muita ação, suspense, e um final que não deixa nem um pouco a desejar!

A todos e tod@s muito obrigada por todos esses anos juntos, forte abraço e espero voltar um dia!

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resenha: “Relatos de um Gato Viajante” (Hiro Arikawa)


Tradução de Rita Kohl

Por Kleris: Relatos de um gato viajante é um título suficientemente chamativo para os gateiros dessa vida, né não? E nem precisa ter um pet com a gente pra querer esse livro de pronto. E se a gente ouve/lê falar tão bem dele, vamos com toda uma gana de amorzinho. Mas não foi dessa vez... comigo.

Nana é o nosso narrador-mor, viajando pelas estradas do Japão, em busca de um novo lar. Acontece que seu cuidador, Satoru, não pode mais cuidar do pequeno felino e essa viagem (uma road trip!) é para ir atrás de amigos que poderiam adotá-lo. A cada parada, o leitor e Nana conhece mais sobre a dura vida desses humanos e como suas amizades e histórias de vida se cruzaram de forma fortuita. Além de Nana, temos outras narrações inesperadas para estender a visão da trama.

Relatos de um gato viajante é um livro do tipo “histórias de vida”, que prima pelo mais puro dos amores: a amizade. Nana é um gato teimoso, mas esperto, carinhoso, leal e, como todo animal, só precisa de amor e atenção. Satoru preenche seu coração assim como Nana preenche Satoru. Apesar de terem se conhecido só na fase adulta, dividem um companheirismo e carinho dignos de um amor para o resto da vida. Mas, infelizmente, eles precisam se separar e Satoru precisa achar um novo cuidador. O grande mistério da trama não é com quem Nana vai ficar, mas sim o porquê dessa separação.

Embora seja uma boa premissa, não senti cuidado da aurora com a história – e aqui morou meu incômodo. Sabe a sensação de ter a faca e o queijo na mão, mas não saber manejar o utensílio? Boa escrita e boa trama não necessariamente garantem um bom livro – o que parece ter sido o caso aqui; é preciso saber levar.

O livro é uma colcha de retalhos, coisa que a sinopse é até honesta: há muitos pontos de vista para acrescentar uma visão das histórias de vida dos muitos personagens. Só que esse recurso parece que não foi bem utilizado, sabe? Ora está em primeira pessoa, ora em terceira e se você não tem costume com nomes japoneses, é batata se confundir em quem é quem ou quem tá falando ou sobre quem se tá falando e vira uma bagunça.

Essa voz alternada, que só parece querer apelar e acrescentar drama, não ajuda muito; fica tudo muito disperso e se perde do propósito. A sensação é de que a autora não soube se decidir em como mostrar a história e ficou só adicionando coisas. Não soube sustentar os pontos de vista. Pra dificultar ainda mais as coisas, há trechos em que o livro se utiliza de negritos ou itálicos para diferenciar quem tá falando, e em outros não se usa o mesmo artifício pra demonstrar e, o que já era bagunçado, fica mais fácil de perder a paciência com a narração. 
A água cintilava ao sol com aquela cor bonita, um verde-petróleo... E o mais importante era que lá no fundo desse oceano verde brilhante estavam alguns dos ingredientes do Premium Blend Peito de Frango & Consomê de Frutos do Mar. Só de pensar nisso, fico apaixonado. Ai, babei. 
Hoje não está tocando aquela música das pombas voando da cartola.
Em vez disso, estamos ouvindo rádio. Talvez seja para dar um descanso ao leitor de CD. Já fazia algum tempo que um homem de certa idade, com voz elegante, elogiava um livro. Parece que ele era ator.

Outra coisa que também é irritante é o ponto de vista de Nana – esperei um livro que me prometia uma história de vida de um gato no ponto de visão de um gato. Não é isso que acontece, pois Nana é muito humanizado. Não me passou a ideia de que era a visão de um gato, mas sim de uma pessoa presa no corpo de um gato. Ora ele sabe exatamente tudo e sabe descrever as coisas perfeitamente como um ser humano, ora ele não sabe de nada e se passa por ingênuo diante das coisas humanas. Não há uma personalidade clara, não convence. De novo, o ponto de vista não se sustenta. Ou melhor, não se respeita a própria visão. Isso acaba por subestimar muito o leitor – e os leitores gateiros, sem falar que desperdiça toda uma história bonita e seus personagens interessantes. 
Volta volta volta volta volta! Eu sou seu gato até o fim!

Apesar dos apesares – e de ter praticamente ativado uma leitura dinâmica, consegui em alguns poucos momentos me emocionar pela relação de Satoru e Nana. Não é o bastante pra largar osso do que incomoda o livro inteiro, mas é algo. Tive ainda empatia por alguns personagens e suas problemáticas familiares, como Kosuke, cujo pai abusivo lhe desgraçava a cabeça, ou Daigo, que tentava suprir a ausência dos seus. A resiliência de Satoru também tem muito a dizer.

Seria um lindo infantojuvenil de escola se não fosse essas questões que acima descrevi. Uma road trip e uma viagem emocional na visão de um gato? É uma ideia interessante e, pelo jeito, foi muito para Hiro segurar. No mais, é uma leitura leve para ir sem muitas pretensões – sendo um gateiro ou não. 
Neste mundo, as paisagens que um gato jamais verá são muito maiores do que tudo o que ele chega a conhecer. 
Desde que a gente partiu, eu já conheci duas cidades onde você cresceu. Já conheci uma vila de agricultores. Conheci o mar.
O que mais a gente vai ver até o fim desta viagem?

Até a próxima!


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Ana Liberato