Mostrando postagens com marcador Guilherme Miranda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guilherme Miranda. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 1 de abril de 2019

Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Ili Bandeira: Este livro foi uma grata surpresa para mim, li em apenas em algumas horas e fui surpreendida com a escrita fluída, rápida, envolvente e cativante da autora, Erin Beaty. Enquanto estava lendo, tinha várias suspeitas do que iria acontecer em seguida, e tomei dois ou três tapas na cara da autora, porque tudo que imaginei não aconteceu e fiquei de queixo caído com o desenvolvimento dos acontecimentos durante a escrita.


Sage é uma jovem de 16 anos, inteligente, observadora e engraçada que perdeu seus pais logo jovem e por isso mora com a família de seu tio, o que ela detesta, pois eles querem que ela se comporte como uma dama, mas infelizmente ela ama usar calças, tem uma língua afiada, adora subir em árvores para a insatisfação de seus parentes.


Sage tem o desejo de ser independente, trabalhar para ter seu próprio sustento e tem repúdio a casamentos.


Quando chega a hora de um casamento arranjado, seu tio a obriga ir para a Sra. Rodelle, casamenteira mais famosa da região para uma avaliação rápida. Mas a entrevista dá errado e não sai como planejado pois, Sage, acaba sendo sarcástica com a senhora e ela a manda embora aos gritos. 


Depois de alguns dias Sage volta à casa da casamenteira querendo pedir desculpas. A Sra. Rodelle, aceita as desculpas e a convida para ser sua aprendiz, a jovem não tem outra opção e aceita a oferta. ⠀



Durante seu trabalho de aprendiz de casamenteira, Sage tem que viajar para Concordium, evento onde os casamentos são arranjados, então nossa protagonista precisa observar e analisar o comportamento e personalidades das moças que estão indo em caravana com ela e respectivamente os seus pares, que são filhos dos nobres que encontram no caminho da viagem, para poder fazer uniões compatíveis. 


Capitão Quinn está em meio a uma missão confidencial e suspeita que Sage seja espiã do inimigo, pois repara que ela  anota algo secreto em seu caderno todo dia.


A história foi muito bem construída e já deixa um gancho maravilhoso para a sua continuação. Recomendo muito a leitura para quem adora várias reviravoltas, mistérios, suspense, uma pitada de romance e um final maravilhoso.




Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resenha: "Juntos Somos Eternos" (Jeff Zentner)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Juntos somos eternos é um lançamento de 2018 da Editora Seguinte que, apesar de ter sido lançado depois de Dias de despedida, na verdade foi o primeiro livro publicado por Jeff Zentner. Eu já tinha adorado a escrita do autor quando li Dias de despedida, e posso dizer com tranquilidade que seu livro de estreia é tão bom quanto seu sucessor, chegando até mesmo a superá-lo.

A obra aborda a história de três amigos: Dill, Lydia e Travis, sendo esse primeiro o protagonista. Dill está passando por um momento delicado em sua vida, pois seu pai, um famoso líder religioso da cidade, está na cadeia, e deixou o garoto e a mãe com altas dívidas. Além disso, Dill sente a pressão do último ano do colégio e a desorientação de não saber bem que rumo tomar na vida, ficando cada vez mais desorientado e conformado em permanecer na cidade de interior eternamente e viver uma vida simples e comum.

Travis e Lydia também tem seus problemas. Enquanto Travis lida com um pai abusivo e busca refúgio nos livros de fantasia, Lydia tenta ser o elo entre o trio, mostrando aos amigos que a vida é muito maior e melhor do que o que eles estão vivenciando. Ela pensa grande e deseja tornar seu blog de moda um trabalho verdadeiro, que lhe renda frutos durante e após a faculdade, quando ela finalmente poderá deixar a pequena cidade para trás de vez. Porém, diferentemente de seus dois amigos, ela possui uma família estruturada e que lhe dá todo o apoio necessário.

Confesso que no começo do livro estava achando tudo bem simples e até meio parado. A gente acompanha as vidas de Dill, Travis e Lydia em um ritmo tranquilo, conhecendo um pouco sobre as dinâmicas familiares de cada um e entendendo melhor a relação entre eles. Jeff Zentner consegue nos ambientar muito bem no clima de cidade interiorana, onde tudo é calmo e rotineiro. Mas a escrita do autor é muito boa, e foi o que me manteve presa à leitura.

Um dos principais objetivos da obra é abordar o fanatismo religioso e seus males. Antes de ser preso, o pai de Dill liderava uma igreja que quase chegava a ser uma seita, devido aos rituais e costumes bizarros praticados lá. Sua mãe é extremamente religiosa e se ressente do filho, sempre dizendo que ele não está fazendo a vontade de Deus. Acho que a opressão disfarçada de proteção foi muito bem representada por Jeff, que também conseguiu transmitir todo o dilema que Dill vivencia – o de tentar a todo o custo agradar aos pais, sem abrir mão de sua personalidade.

Eu gostei muito dos aspectos peculiares de cada um dos personagens principais. Dill é músico (assim como o próprio autor), Travis é um leitor ávido e Lydia é super entendida de moda. O trio me passou uma sensação de equilíbrio perfeito; o que um tem de nerd, o outro compensa por ser descolado, por exemplo.
(...) Ele cantou como se o Espírito Santo tivesse se derramado sobre ele, com uma chama purificadora (...)
Como já comentei, estava achando a história bem morna no começo. Isso durou uns 40-50% da história, porque, após um certo acontecimento, o livro mudou completamente o seu significado para mim. As emoções começaram a me acertar em cheio, e foi difícil controlar tudo o que comecei a sentir a partir de certo ponto. Jeff Zentner destruiu e reconstruiu meu coração de diversas formas, e eu não posso dizer que não adorei cada segundo.

Agora, fazendo uma breve comparação entre as duas obras que tive a oportunidade de ler desse autor, posso dizer que acho incrível como ele já desenvolveu uma voz própria em tão pouco tempo. É possível ver uma evolução, sim, mas a forma de contar histórias se mantém a mesma. Jeff possui uma sensibilidade altíssima, que torna impossível para o leitor não se identificar com seus personagens. Em JSE há pouca diversidade, é verdade, e isso pode até ser um problema para alguns, mas acho que a mensagem aqui era mais importante do que as características dos personagens. E o autor evoluiu bastante nesse sentido em seu segundo livro, o que é bom lembrar.
Eles foram à Coluna, onde aproveitaram mais alguns minutos de silêncio juntos, ouvindo o rio abrir seu caminho nas profundezas da Terra, como as pessoas abrem caminhos no coração das outras.
Bom, a resenha ficou imensa e eu tenho certeza que não consegui transmitir tudo o que senti durante essa leitura (que fluiu tão bem que terminei em três dias). Portanto, para finalizar, se você tem dúvidas sobre ler Juntos somos eternos porque acha que ele é “só mais um livro de YA contemporâneo”, eu te digo: leia e se surpreenda com essa incrível história de amizade, amor e coragem. Não se deixe enganar pelo suposto padrão que a obra aparenta seguir; Jeff Zentner aborda diversos assuntos relevantes e pertinentes – não apenas o já citado fanatismo religioso, mas, também, abuso, pedofilia e intolerância. Dê uma chance para esse livro incrível, acredito que você não vá se arrepender.

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Resenha: "O Dueto Sombrio - Monstros da Violência #2" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Cuidado com spoilers do primeiro livro!

Por Stephanie: Quando li A Melodia Feroz, fiquei encantada pelo mundo de Victoria Schwab, mas tive dificuldades com o enredo. Em O Dueto Sombrio, livro que conclui a duologia, receio dizer que isso se repetiu, e dessa vez em uma intensidade um pouco maior.

O livro se inicia algum tempo depois de seu antecessor, e podemos ver algumas das consequências dos acontecimentos anteriores e também conhecer os rumos tomados por Kate e August. Não faz tanto tempo assim que li o primeiro livro mas tive bastante dificuldade de lembrar de muitas coisas para conseguir me situar na história. Acho que a autora incluiu muitos personagens e novas dinâmicas de maneira repentina, o que pode ter contribuído para a minha confusão. Depois que me acostumei com os novos nomes e termos, a leitura fluiu um pouco melhor. 

Mas aí veio a estranheza, novamente, com o enredo. Para evitar muitos spoilers, prefiro falar o mínimo possível sobre ele. O objetivo de alguns personagens é meio nebuloso, principalmente dos protagonistas e do vilão. Não sei se a intenção de Schwab era de que essa fosse uma duologia desde o início, mas eu acho que uma trilogia poderia ter tido mais sucesso no desenvolvimento de um enredo mais completo.

(...)– Não ficou sabendo? – ela disse, engatando a marcha. – Não existe segurança. – Ela pisou no acelerador e o carro disparou rumo ao Ermo. – Não mais.

August e Kate mostram evolução, e isso foi o que mais gostei em O Dueto Sombrio. Ambos mudaram e não são mais aqueles que conhecemos no primeiro livro. Mesmo assim, a essência de cada um ainda está lá, e acho que é isso o que fez com que eu me apegasse a eles. Vão fazer falta, com certeza.

A obra nos presenteia com alguns plot twists e um final grandioso o bastante para ser digno de uma conclusão de série. Mas como o enredo não foi desenvolvido o bastante, os capítulos finais sofreram, e algumas coisas ficaram em aberto e outras não mostraram o motivo de terem sido incluídas na história.

Tudo isso é uma pena, porque eu acredito que a história de Schwab tinha muito potencial para ser algo bem maior, mais impactante. Acho que essa duologia acabou ficando naquele limbo de histórias que não são ruins, mas também não são tão boas assim. São apenas ok.

(...) Havia um lugar estranho entre o saber e não saber. Onde as coisas podiam habitar no fundo de sua mente sem pesar em seu coração.

Vou continuar acompanhando o trabalho da autora porque continuo achando a criatividade dela acima da média, mas já percebi que seus livros voltados para o público mais velho me encantam mais do que os YA's. De qualquer forma, recomendo a duologia para os fãs de fantasia, principalmente urbana!

Até mais, pessoal!

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:



Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Resenha: "A Nuvem" (Neal Shusterman)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: O Ceifador foi uma das minhas melhores leituras de 2017 (e se tornou uma das favoritas da vida), então não tinha como não ficar com as expectativas nas alturas pela continuação, A Nuvem, lançada em maio de 2018 pela Editora Seguinte. Lembro que quando o livro chegou pra mim, eu quase dei um grito de tanta felicidade e obviamente passei a leitura na frente de todas as outras que estavam em andamento.

A sequência se inicia um ano depois do final do primeiro livro. A competição acabou, Rowan e Citra estão seguindo suas vidas, cada um com suas responsabilidades e seus desafios. No início, achei que o foco estava muito na Citra, fiquei vários capítulos esperando uma aparição de Rowan, mas em certo momento percebi que este segundo livro não seria mais sobre estes dois protagonistas. A história estava se expandindo.

Um ditador presunçoso permite que seus súditos culpem aqueles menos capazes de se defender pelos males do mundo. Uma rainha altiva permite massacres em nome de Deus. Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.

Acho que essa expansão era inevitável neste universo criado por Neal Shusterman, que ainda continua sendo um dos mais bem construídos que já tive a oportunidade ler. O autor continua levantando ótimos questionamentos, que neste livro vão além de temas como o sentido da vida ou de que maneira encaramos a morte. Em A Nuvem temos religião, propósito, relações familiares, o poder da Natureza, entre outros assuntos que por mais que já houvessem aparecido em O Ceifador, foram bem mais aprofundados nesse segundo livro. E a inclusão de trechos do ponto de vista da Nimbo-Cúmulo não foi nada menos do que incrível, além de essencial para o desenvolvimento da história.

Toda vez que testemunho um ato cruel de um ceifador corrupto, semeio nuvens em alguma parte do mundo e lamento em forma de chuva. É o mais próximo que consigo chegar de lágrimas.

O livro introduz alguns personagens novos, que inicialmente podem até parecer insignificantes, mas que aos poucos vão ganhando seu espaço e mostrando a que vieram. Como eu já disse, consegui perceber que A Nuvem não teria mais o mesmo foco, e por mais que isso tenha me incomodado um pouco, eu entendi a intenção de Shusterman e no fim das contas, gostei bastante do rumo que as coisas tomaram.

Assim como no primeiro livro, o autor conseguiu inserir várias reviravoltas na história, uma melhor do que a outra. Essa é uma das minhas coisas favoritas nesta trilogia: por mais que a gente espere que certas coisas aconteçam, a maneira que elas acontecem sempre é surpreendente e consegue nos pegar de surpresa. Minha vontade era de bater palmas a cada plot twist da obra.

O final de A Nuvem é sensacional; não sou muito fã de cliffhangers (acho que ninguém é), mas gostei do caminho que as coisas tomaram e estou empolgadíssima pra ver o que Neal Shusterman vai aprontar na continuação (e possível conclusão) dessa história tão extraordinária.

E então, tá esperando o quê para dar uma chance?

Até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Resenha: "Tempestade de Guerra - A Rainha Vermelha 4" (Victoria Aveyard)

Tradução: Cristian Clemente, Guilherme Miranda, Zé Oliboni e Lígia Azevedo


Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.
Por Sheila: E chegou ao fim! Foram três anos, quatro livros (mais os dois livros de contos) mais de 2000 páginas de torcida, sofrimento, angústia e lágrimas (não, titia Victoria não nos deu muitas alegrias, cada ganho veio acompanhado de uma grande perda), mas, enfim chegamos ao término da Saga A Rainha Vermelha.

Iniciado com livro que nomeia a Saga, já resenhado aqui pelo blog, teve como segundo volume Espada de Vidro e Prisão do Rei, finalizando agora com Tempestade de Guerra. E para quem gosta de evitar spoilers, talvez fosse bom parar por aqui e ler os livros anteriores primeiro.

Gentes! Eu terminei A Prisão do Rei com uma raiva, mas uma raivaaaaaaa do Cal! Ahhhhh que vontade de entrar no livro e dar umas boas de umas sacudidelas naquele menino! Como fiquei braba com aquele final! Trocar a Mare por uma coroa? Por poder? Como assim? Revolta me definia.

Tempestade de Guerra ajuda começando EXATAMENTE onde o último livro terminou: Cal reunido com o "Rei" de Rift para definir as próximas estratégias para a guerra de retomada de Norta, e Mare se afastando com Diana e tentando aguentar a dor de carregar um coração em pedaços.

FICAMOS EM SILÊNCIO POR UM LONGO MOMENTO. Corvium se estende à nossa frente, cheia de gente, mas parecendo vazia. Dividir e conquistar. As consequências estão claras, as linhas foram nitinitidamente desenhadas. Farley e Davidson me encaram com a mesma intensidade, e eu os encaro de volta. Imagino que Cal não tenha ideia, nem uma suspeita, de que a Guarda Escarlate e Montfort não têm a menor intenção de deixar que permaneça em qualquer trono que assumir. Imagino que se importa mais com a coroa do que com o que qualquer vermelho pensa. E imagino que não devo mais chamá-lo de Cal. Tiberias Calore. Rei Tiberias. Tiberias VII.

Só que, mais uma vez, Mare não tem tempo de parar para lamber suas feridas. Uma guerra está acontecendo, com adversários temíveis. Ao mesmo tempo em que Cal aceita ser o próximo rei de Norta, tendo Evangeline como sua relutante consorte, as mulheres de Lakeland - Rainha e princesas - choram a perda de seu amado rei e, claro, em seu coração transborda somente um desejo: vingança.

Esperamos juntas, minha mãe, minha irmã e eu, com a atenção fixa na face sul do horizonte. Uma neblina baixa toma conta da boca estreita da baía, ocultando a península pontilhada por torres de vigia e o lago Eris mais adiante. Algumas luzes das torres piscam em meio à névoa, como estrelas baixas. Conforme ela se movimenta, levada pelo vento, mais e mais torres se tornam visíveis. Estruturas elevadas de pedra, aprimoradas e reconstruídas uma centena de vezes em centenas de anos. As torres viram mais guerra e ruína do que os historiadores podem contar. Suas luzes flamejam, muitas ainda vívidas tão perto do amanhecer. Os faróis continuarão acesos o dia todo, as tochas queimando e as luzes elétricas brilhando. As bandeiras que balançam ao vento são diferentes das que normalmente são vistas em Lakeland. Cada torre exibe o azul com faixas pretas. Para honrar os muitos mortos em Corvium. Para lamentá-los. Para se despedir do nosso rei.

Vamos encontrar diversos atores, em diversas situações distintas. Todos carregando sua dor. Todos com suas razões para fazer o que quer que tiverem que fazer. Cal com sua coroa. Mare com sua revolução. Lakeland com seu luto. Maven com sua loucura, plantada em sua cabeça pela rainha Elara ao longo de incontáveis anos. Evangeline, com sua rebeldia que esconde seu medo profundo em relação à autoridade do pai, o Rei Samos.

No fim das contas, se formos eleger vilões para essa saga, talvez reste a alguns poucos vender essa carapuça, todos das gerações anteriores. A geração mais nova, os adolescentes protagonistas de toda essa situação, Mare, Cal, Maven, Farley, Iris, Evangline, Ptolomeus. Todos estão só tentando fazer o melhor, perdidos entre o que foi, e a construção do Novo, em que eles são protagonistas em sua inépcia e esperança juvenis.

O que eu achei do livro? As lutas são mais políticas do que batalhas - apesar de que teremos uma grande batalha ao final. As palavras são mais usadas como armas do que qualquer outra coisa. Alianças improváveis se formam, máscaras caem, e aprendemos que por detrás de uma guerra não há apenas um exército, mas pessoas com emoções e sentimentos complexos, e que é isso o que pode fazer com que a balança penda, seja para um lado, seja para o outro.

Victoria escreve muito bem. Fluída, ágil, uma narrativa que prende, envolve, emociona e cativa. Mesmo que a ação tenha sido mais lenta, e algumas coisas tenham se desenvolvido de maneira aquém do esperado, foram todos desfechos possíveis, reais. Chegando a ser dolorosos em algumas passagens.

Por mais que muita gente (mas muita gente meeesssmooo) reclame do final aberto, cheio de possibilidades, eu gostei. Me pareceu um final REAL. Afinal de contas, acho que em meio a leitura talvez tenhamos esquecido mas todos eles eram adolescentes, nenhum com mais de 20 anos. Achei natural que o fim não fosse todo redondinho (e não posso explicar melhor para não lançar spoilers). 

E vocês o que acharam? Contem para a gente! Abraços!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: "Dias de Despedida" (Jeff Zentner)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Você certamente já leu algum livro sobre morte, mais precisamente sobre luto. São histórias comuns e que parecem sempre servir de consolo para quem já passou por algo semelhante, além de conseguirem emocionar a maioria dos leitores. Dias de Despedida poderia ser só mais uma dessas histórias, mas a escrita de Jeff Zentner conseguiu levar a obra para outro patamar.

Carver, o protagonista e narrador do livro, é um rapaz de 17 anos que recentemente perdeu seus três melhores amigos em um acidente de carro, pelo qual ele se sente culpado. Essa culpa vem do fato de que Carver enviou uma mensagem de texto para o motorista do carro, seu amigo Mars; mensagem esta que Mars estava respondendo quando chocou seu carro com um caminhão.

Além do peso do luto, Carver precisa lidar com a possibilidade de ser indiciado pela morte de seus amigos (o pai de Mars é um juiz conhecido na cidade). Como era de se esperar, as consequências emocionais e psicológicas destas situações tornam a vida de Carver um inferno, e ele vai tentar fazer o possível para não sucumbir enquanto tenta lidar com seus problemas. A história acompanha o processo de luto de Carver desde o momento dos enterros de seus amigos até a possível aceitação, com a ajuda de sua família, amigos e de um novo terapeuta com quem ele começa a se tratar. 
Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.
A narrativa é muito fluida, mesmo se tratando de um assunto tão pesado e complexo. Zentner insere algumas passagens do passado dos amigos de Carver, mostrando como se conheceram e alguns dos momentos que passaram juntos. A sensação de nostalgia é constante e impossível de conter, um misto de alegria e pesar que me acompanhou durante toda a leitura. Dá pra ver como a amizade da Trupe do Molho era linda e muito intensa.

A relação de Carver com outros personagens também é muito bem trabalhada. Jesmyn, vovó Betsy e Georgia são pessoas tão incríveis, cada uma à sua maneira, que é impossível não se apaixonar pelas cenas em que elas aparecem e interagem com Carver. O romance poderia ter ficado de fora, mas foi compreensível no contexto da obra.

A diversidade está muito presente em Dias de Despedida. Zentner é um homem branco e hétero mas isso não o impediu de incluir personagens negros, asiáticos e gays em sua obra, de maneira natural e crível, sem cair em estereótipos e até alertando os leitores sobre o racismo e machismo contido em nosso dia-a-dia.

(...)Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita.
O tom escolhido pelo autor foi muito acertado, em momento algum achei o livro deprê. O final me trouxe esperança de que tudo acaba bem, de um jeito ou de outro. E me passou a mensagem de que ninguém precisa passar pelos momentos ruins sozinho. Tudo bem sentir saudade e dividir isso com outras pessoas, tudo bem se abrir com a sua família, tudo bem procurar ajuda profissional. Sua saúde mental vem em primeiro lugar.

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Resenha: "Lobo por Lobo - Lobo por Lobo #1" (Ryan Graudin)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Imagine um mundo em que Hitler venceu a guerra. Um mundo dominado pelo autoritarismo, violência e punição como forma de controlar a população, onde apenas uma parcela das pessoas é considerada digna. É nesse cenário que Lobo por Lobo inicia sua história e nos traz uma visão sobre a Segunda Guerra Mundial ainda mais sombria e devastadora, acompanhada de uma jornada de uma garota em busca de vingança.

Acompanhamos a história de Yael, uma jovem judia que desde pequena foi escolhida para participar de diversas experiências em laboratórios alemães. Essas experiências deram à Yael uma certa habilidade que irá capacitá-la para cumprir a missão de sua vida: assassinar Hitler. Para tanto, ela precisará competir em uma corrida de motocicletas que irá criar a oportunidade ideal para Yael alcançar seu objetivo.

Lobo por Lobo é um livro um pouco difícil de encaixar em um único gênero. Ele pode ser compreendido como ficção histórica, já que usa um fato histórico como base para o enredo, porém há muitos indícios de ficção científica, que é abordada quando Ryan Graudin nos mostra as experiências feitas pelo governo alemão. Junte isso a aventura e ação e temos uma obra que transborda originalidade, e não se perde mesmo em meio a tantos acontecimentos.
Porque o dia seguinte era o começo do fim. Ela correria da Germânia até Tóquio. Venceria o Tour do Eixo e seria convidada para o Baile da Vitória. Mataria o Führer e, consequentemente, o Terceiro Reich. Estava disposta a atravessar o mundo para mudá-lo. Ou a morrer tentando.
Mesmo com diversos elementos compondo Lobo por Lobo, Ryan prefere focar mais no evento da corrida do que na construção de mundo. Temos uma boa base para nos situar nesta Alemanha dos anos 50, e é possível perceber a opressão do governo sobre a população. Há a menção de campos de trabalho forçado, mas pouco se fala sobre o racismo e o preconceito contra judeus. Tudo fica um pouco subentendido neste sentido. Senti falta de mais exploração a respeito da sociedade. Os diálogos soam bastante atuais, como qualquer outro livro de YA, então talvez se a ambientação tivesse sido melhor elaborada, seria mais fácil enxergar os personagens como pessoas daquela época.

Em relação aos personagens, são muito bem construídos; ninguém é caricato ou unidimensional. Yael foi minha favorita, mas também simpatizei com Felix, Vlad e Babushka. Os personagens com quem Yael tem uma proximidade maior foram todos muito bem trabalhados; por meio de seus flashbacks foi possível sentir tudo o que a protagonista vivenciou com eles.
Ela era a predadora daquela vez. Não a presa. Nunca mais.

Sobre a corrida em si, acho que é melhor não comentar muito para não entregar nenhum spoiler. O que posso dizer é que mesmo nos momentos mais críticos, o ritmo da leitura não é tão frenético, e isso foi um ponto negativo pra mim já que me fez demorar bastante para ler. 

As reviravoltas finais são bem legais e fazem a história valer a pena. Portanto, mesmo com os defeitos que identifiquei, vou ler a continuação e espero que a experiência consiga superar a que tive com este primeiro volume!

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Confira os melhores preços de Lobo por Lobo no Buscapé clicando no banner. Sua compra gera uma pequena comissão ao blog!



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Resenha: "A Melodia Feroz - Monstros da Violência #1" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: A cabeça de Victoria Schwab deve ser uma loucura. Sempre que pego um livro dela, fico impressionada com sua criatividade e originalidade. E isso se repetiu com a leitura de A Melodia Feroz, um livro que mostra mais uma vez a capacidade da autora de criar mundos incríveis e muito ricos.

O pano de fundo de A Melodia Feroz é um mundo pós-apocalíptico onde monstros são reais e nascem a partir de atos violentos (homicídios, brigas, massacres etc). O lugar que antes era conhecido como Estados Unidos teve seu território novamente dividido em diversas cidades, umas mais desenvolvidas e prósperas, e outras, como Veracidade, ainda possuindo muita violência, caos e claro, monstros. Kate e August, nossos protagonistas, vivem em lados opostos de Veracidade e fazem parte das famílias mais poderosas desses lados. Kate é uma menina rebelde que sonha em ser fria e implacável como seu pai; já August é um monstro que daria tudo para ser humano. A Melodia Feroz aborda a relação entre estes personagens e como nem sempre tudo é uma questão de Bem contra o Mal.
Quando alguém aperta um gatilho, dispara uma bomba, faz um ônibus cheio de turistas cair da ponte, o resultado não são apenas escombros e cadáveres. Existe outra coisa. Algo mau. Uma consequência. Uma repercussão. Uma reação a todo o ódio, dor e morte.
O desenvolvimento do enredo é simples, e acho que esta é uma característica de Schwab: ela constrói um mundo complexo, porém simplifica a trama, trazendo equilíbrio. Achei a ambientação boa, mas confesso que muitas vezes tive dificuldade de entender os cenários e a divisão das cidades. Acho que um mapa facilitaria a vida neste sentido.

Kate e August são personagens muito bem construídos. Kate é um pouco irritante no começo, mas aos poucos foi ganhando minha simpatia e consegui me identificar com ela. Já August eu gostei desde o início, adorei a luta interna dele em não querer ser um monstro e seu jeito tímido e introvertido. Um monstro quase apaixonante, eu diria.
Corsais, corsais, dentes e garras, sombras e ossos abrirão as bocarras. Malchais, malchais, cadavéricos e sagazes bebem seu sangue com mordidas vorazes. Sunais, sunais, olhos de carvão, com uma melodia sua alma sugarão. Monstros grandes e pequenos, cadê? Eles virão para comer você.
Mesmo com vários pontos positivos, não achei este livro tão bom quanto os anteriores que li da autora. Fiquei pouco inserida no mundo e não consegui sentir o clima sombrio e violento que Schwab tentou criar. Acho que tive dificuldade de “comprar a ideia”, sabe?! O enredo, mesmo sendo simples, também não foi totalmente do meu agrado, com reviravoltas pouco surpreendentes e vilões sem muita profundidade. Mas o saldo final é positivo, e foi um livro que ficou bem próximo de 4 estrelas pra mim.

E o melhor de tudo: praticamente não há romance! Adoro quando os autores conseguem dar ênfase ao que realmente importa na história, sem perder tempo com declarações de amor e aquela “melação adolescente” de sempre, e nesse ponto Victoria Schwab acertou em cheio.
Não haviam regras, não havia limites; os culpados e os inocentes, os monstros e os humanos… todos pereciam.
Recomendo muito esta leitura para aqueles que buscam uma fantasia urbana e diferente, com personagens (e monstros) interessantes e protagonistas cativantes, além de boas cenas de ação, aventura e como era de se esperar, violência. Agora é aguardar pelo lançamento da sequência, que será também o final da história de Kate e August!

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Confira os melhores preços de A Melodia Feroz no Buscapé clicando no banner. Sua compra gera uma pequena comissão ao blog!


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Resenha: "O Ceifador" (Neal Shusterman)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Neal Shusterman, meus amigos! Esse é o nome do autor que me fez adicionar o primeiro livro à lista de favoritos de 2017. Eu estava com as expectativas nas alturas desde que li sobre este livro no começo desse ano, e posso dizer sem medo que ele atendeu e superou tudo o que eu imaginava. Espero conseguir explicar nessa resenha alguns dos motivos que me fizeram amar essa belezinha, e olha que são muitos :)

No universo de O Ceifador, o mundo não possui mais problemas. A fome foi sanada, as doenças erradicadas, as guerras finalizadas e as religiões, extintas. Ninguém vive triste ou com raiva, e além de tudo isso, a humanidade alcançou sua maior façanha: superou a morte. Todos os humanos podem viver com a certeza de que nunca morrerão por causas naturais.

Só que, como era de se esperar, a superpopulação começou a ficar insustentável e ficou decidido que algo precisava ser feito. Foi assim que nasceram os ceifadores, as únicas pessoas que possuem permissão para coletar outro ser humano. Pois é, “matar” não é mais um verbo utilizado; agora, quando uma vida acaba nas mãos de um ceifador, ela é coletada. Desta forma, a quantidade de pessoas na Terra foi controlada e todos conseguem viver com tranquilidade, na medida do possível.

A humanidade é inocente, a humanidade é culpada; ambas as afirmações são inegavelmente verdadeiras.

A ideia de Shusterman é nada menos que genial. Uma utopia perfeita, onde ninguém sofre e todos são felizes. Os próprios humanos são seres evoluídos, com nanitos no sangue capazes de curá-los em minutos ou dias, dependendo da gravidade do ferimento sofrido. Se morrerem por algum acidente - ou até mesmo suicídio -, todos são levados a um lugar para “reviver”. É realmente surreal.

Sem esquecer que tudo é controlado pela Nimbo-Cúmulo, uma espécie de Inteligência Artificial que é uma evolução da nossa conhecida e amada internet. A Nimbo-Cúmulo é quase uma entidade, pois criou consciência própria e auxilia os humanos em suas decisões na sociedade. Nada de presidentes ou líderes, ela controla tudo e todos da maneira mais justa possível.

O enredo de O Ceifador começa simples, porém as diversas reviravoltas fazem com que a história tome muitos rumos diferentes ao longo das páginas. Mas para resumir, o livro narra a jornada de dois adolescentes através do treinamento para se tornarem jovens ceifadores. Tendo como mentor o ceifador Faraday, Citra e Rowan conhecerão a fundo todas as regras que envolvem a sociedade dos ceifadores, e vão acabar descobrindo o quão problemática ela pode ser.

Jogos de poder podiam ser coisa do passado em outros âmbitos, mas ainda estavam muito vivos na Ceifa.

No início da obra, senti uma atmosfera extremamente sombria e mórbida, o que soa estranho, já que a sociedade descrita no livro é uma utopia. Aos poucos essa sensação foi se dissipando e o livro se tornou um pouco mais equilibrado e leve, mas isso não durou quase nada e logo eu já estava sentindo todo o peso da obra de novo. Por diversas vezes me peguei refletindo sobre até que ponto a imortalidade é positiva (e as passagens dos diários dos ceifadores foram muito responsáveis por isso). Afinal, que motivação teríamos se não houvesse nada pelo que esperar no fim, já que não há fim? Para que buscar amor, realização profissional, estabilidade mental, se não há perspectiva de se aposentar e ter uma vida tranquila? Será que nos tornaríamos pessoas incrivelmente entediadas?

Quanto mais vivemos, mais rápido os dias parecem passar. Como é perturbador viver para sempre. Um ano parece durar apenas semanas. Décadas voam sem nenhum acontecimento que as marque. Ficamos acomodados na monotonia sem sentido da vida, até que, de repente, nos encaramos no espelho e vemos um rosto que mal reconhecemos implorando que nos restauremos e sejamos jovens novamente.

Outras reflexões que fiz foram em relação à Ceifa e aos ceifadores. Humanos podem ser corruptos em qualquer situação, e a Ceifa é uma prova disso. Não importa o quão justos e imparciais tentem ser; sempre tem alguém que discorda e quer fazer diferente. E - sem spoilers - as consequências destes atos foram muito bem abordadas pelo autor.

Gostei muito de Rowan, com certeza foi meu personagem favorito. A evolução dele foi de cair o queixo, fiquei empolgadíssima em vários momentos com ele (e não posso falar mais por motivos de spoiler). Faraday e Curie também foram maravilhosos, fiquei com vontade de conhecê-los mais. Já Citra começou como uma adolescente chata mas aos poucos foi ganhando minha simpatia devido a algumas atitudes muito plausíveis.

Eu poderia ter dado cinco estrelas “cheias” para O Ceifador, mas o considero mais um 4 estrelas e meia. Essa pequena diferença se dá apenas pelo leve indício de romance que achei um tanto desnecessário. Mas, tirando isso, é um livro excepcional, com uma escrita primorosa e um enredo super empolgante. O autor se preocupa em trazer uma história pesada e que faz o leitor pensar, indo além de puro entretenimento. Já quero a continuação, mas, enquanto ela não chega, espero poder ler outros livros de Shusterman em breve.

O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso.


E aí, minha resenha quilométrica te convenceu a ler esta obra-prima ou vai deixar pra outra ocasião? Conta aí nos comentários :) beijos e até mais!

Confira os melhores preços de O Ceifador no Buscapé clicando no banner. Sua compra gera uma pequena comissão ao blog!



Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram
segunda-feira, 12 de junho de 2017

Resenha: "A Prisão do Rei" (Victoria Aveyard)

Tradução: Alessandra Esteche/Guilherme Miranda/ Zé Oliboni

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês o terceiro livro de uma série da qual eu sou mega fã: A Rainha vermelha! Já resenhei o primeiro livro aqui, o segundo aqui e a autora também nos presenteou com alguns contos deste universo, resenhados aqui.

Para quem não lembra, o mundo de Mare é dividido entre vermelhos e prateados. O que define quem uma pessoa é, seu lugar  no mundo, é a cor de seu sangue, mas não somente isso: os prateados possuem poderes, o que os divide numa série intrincada de Casas com uma outra série intrincada de jogos políticos.

Aos vermelhos como Mare resta apenas uma coisa: servir. E, se mesmo essa pequena meta não for alcançada, morrer na guerra que já dura mais de um século contra os povos vizinhos.

Por motivos que você vai precisar ler os livros para descobrir, Mare acaba no palácio do atual Rei de Norta, onde vive e, em meio a um desafio para escolher a nova consorte do principe mais velho, futuro rei, um acidente acontece e acaba-se descobrindo que ela, uma vermelha, ser considerado inferior, também possui uma habilidade, antes peculiaridade presente somente naqueles de sangue prateado.

Há murmúrios sobre uma onda de rebeldes levantando-se contra os prateados, a Guarda Escarlate e nesse primeiro livro, enquanto Mare, transformada em Mareena para encobrir sua origem, tenta entender o que e quem é, acaba por servir de joguete e fantoche nas mãos de muitos: os próprios prateados, o príncipe Maven, segundo na linha de sucessão e que prova-se um tremendo traidor, e a Guarda Escarlate.

Em a Rainha Vermelha, Mare é uma personagem apagada, é a protagonista mas não protagoniza nada além de um triângulo amoroso entre dois príncipes, Cal o herdeiro, que é obrigado pela Rainha Elara e seu poder de se intrometer na mente de outras pessoas a matar o próprio pai; e Maven, que se disse a favor dos vermelhos e da Guarda Escarlate, mas queria apenas um bode expiatório em quem colocar a culpa pela morte de aliados de Cal, preparando o momento em que reclamaria a coroa.

No segundo livro, Espada de Vidro, teremos uma Mare mais forte, mas ainda um tanto quanto voluntariosa e atrapalhada em como lidar com sua habilidades. Fugindo junto com Cal, o príncipe renegado, alia-se à guarda escarlate e descobre que há outros como ela - e que estão sendo sumariamente caçados e executados por Maven de forma metódica e cruel.

Junto aos corpos dos agora chamados Sangues Novos, Mare encontra bilhetes de Maven, que se propõe a parar com o banho de sangue caso Mare se entregue. O segundo livro é denso, triste, cheio de solidão e um profundo desespero em sua narrativa, onde ainda encontramos uma Mare que não consegue acreditar que Maven, o seu Maven, não existia, e que encontra nos braços de Cal um refúgio.

Ao fim deste segundo livro, um dos resgates a Sangue Novos tem vários desdobramentos imprevistos que incluem a morte de Elara, a Rainha; a morte do irmão de Mare por um projétil destinado a ela; e por fim, sua rendição a Maven para poder se redimir e tentar salvar aqueles a quem ama.

Chegamos então ao terceiro livro, A Prisão do Rei. Ao contrário do que Mare imaginava, Maven não era apenas um joguete nas mãos da Rainha Elara, e segue em seu reinado de terror mesmo na ausência da Rainha. No entanto, seu interesse em Mare parece ser genuíno, quase beirando a obsessão, único motivo para que a mesma não tenha sido sumariamente castigada e executada por seus crimes.

Levanto quando ele permite.
Sinto um puxão na corrente presa à coleira no meu pescoço. As farpas cravam em mim, mas não o bastante para fazer sangrar - ainda não. Meus punhos ja sangram. As feridas são consequência dos dias de cativeiro inconsciente usando as algemas ásperas e dilacerantes. As mangas outrora brancas estão manchadas de rubro e escarlate vivo, passando do sangue velho para o novo como prova do meu tormento. Para mostrar à corte de Maven o quanto já sofri.

Ao invés disso, ela é feita de prisioneira e tratada como uma boneca ou bicho de estimação real: usada em jogadas políticas quando necessário, sendo usada como isca para a Guarda Escarlate, e como forma de enganar a população contra os rebeldes, bem como alistar o máximo possível de Sangues Novos, agora sob a tutela de Maven.

A história neste penúltimo volume é narrada por três vozes: da própria Mare, Cameron, uma sangue nova que se junta a Guarda Escarlate contra sua vontade e Evangeline Samos, numa reviravolta no que diz respeito ao desenvolvimento dessa personagem. Arrisco dizer que em alguns momentos gostei mais dela do que de Mare, nossa protagonista. 

Mas, pegando leve com Mare, ela soube demonstrar sua força e seu amadurecimento neste livro. Algumas páginas se arrastaram, momentos em que pudemos ver toda a angústia da personagem por estar totalmente separada de seu poder por ter de usar braceletes com pedras silenciadoras, ela pode ter seu corpo subjugado mas sua mente, nunca. Em complexas discussões e jogos de poder com Maven, ela vai desnudando as brechas da sua personalidade, bem como descobrindo sua maior fraqueza: ela mesma.

- Nossas conversas são tão agradáveis. 
- Se você prefere seu quarto ... - ele alerta. Mais uma ameaça vazia que faz todos os dias. Nos dois sabemos que isso é melhor que a alternativa. Pelo menos agora posso fingir que estou fazendo algo de útil e ele pode fingir que não esta completamente sozinho nesta prisão que construiu para si mesmo. Para nós dois.

Além disso, a Guarda Escarlate mostra-se cada vez mais organizada, ramificada de uma maneira que ainda é impossível saber de fato seu tamanho e extensão, com uma cadeia de comando que não pode ser apreendida, um dos motivos para seu crescimento e expansão, conquistando cidades e angariando cada vez mais aliados rebeldes entre os vermelhos.

Batalhas épicas, personagens marcantes, dramas comoventes, alianças improváveis e quebras dilacerantes fazem da leitura de A Prisão do Rei um misto de ansiedade, raiva da nossa querida Victoria por brincar com o nosso coraçãozinho e, claro, desespero pelo último capítulo dessa saga fenomenal, apesar do medo que ela traz, pois nada parece dizer que o final será feliz.
Recomendadíssimo.

Confira os melhores preços no Buscapé no banner abaixo – ao clicar nele, ganhamos uma pequena comissão, obg :) 




Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Resenha: Autobiografia Interativa (Neil Patrick Harris)

Tradução de Juliana Cunha e Guilherme Miranda

Organizado de modo que faça sentido por David Javerbaum

Por Kleris: A biografia mais legendária EVER! Quando você acha que já ama o Neil, ele te prova que dá pra amar muito mais. Sabe aquela sensação de querer colocar a pessoa num potinho e apenas guardar com amor? É esse livro, é essa pessoa.

Nesta biografia, ele te faz sentar e te dá o console do videogame que ele chama de vida. De verdade. Não só somos colocados diretamente na pele de Neil conforme essa vida começa a passar, como somos nós quem determina pra onde seguir pelos capítulos, ao melhor estilo de livro-jogo. Assim, Autobiografia interativa é um título que entrega tudo em duas palavras e não poderia imprimir o Neil melhor. A criatividade, humor, sagacidade e amor transbordam das páginas conforme as viramos. 
Se quiser participar de um outro truque de mágica, vá para a página 174. Se quer ser enfeitiçado de uma maneira mais romântica, vá para a página 116. Ou, dê uma olhada no capítulo que começa na página 258. Ele não é de fato uma continuação deste capítulo, mas é ótimo. Tem, tipo, um iate e tudo.

O livro foca bem na experiência – e experiência completa! Neil não está ali pra contar sua história, ele quer a gente a viva. Ao ser Neil, vemos que desde cedo ele nasceu para ser essa pessoa espirituosa. E encontrou caminhos awesome que lhe deram a oportunidade de brilhar de fora pra dentro, de dentro pra fora. Claro que não foi fácil, que nem sempre as coisas saíam do jeito que era pra sair, mas, pensando bem, cada caminho foi importante para levá-lo para onde ele queria estar, para quem ele queria ser. Aceitar-se como se é não é mera jogada, é crucial para nossa felicidade. 
Coragem, Neil. Não se assuste. A vida é uma aventura. Talvez nunca surja outra oportunidade como esta que está tendo agora, ao menos não neste livro.
Claro que você está temeroso agora. A coisa/atividade/escolha profissional que você está considerando agora parece um pouco assustadora. Mas ela é também o caminho para o crescimento e para o autoconhecimento. [...]Agora volte à página onde você estava e diga sim à aventura!

Aliás, Neil não usa sua história para qualquer drama, ele a apresenta de uma maneira tão incrível que até nas horas difíceis ele nos envolve, nos faz sentir tão bem quanto ele está agora olhando para seu passado. Não só podemos imaginar satisfação e orgulho, como senti-los, já que, bem, somos Neil Patrick Harris. 
Cada qual tem sua história. Cada um tem seus próprios preconceitos, criados por nossas famílias, círculos sociais e, sobretudo, por nós mesmos. É difícil enfrentar aquela parte de você que você mesmo teme. No seu caso, vai levar tempo e experiência. Vai precisar viver um pouco, olhar ao redor e ver o exemplo de espíritos livres que lidam melhor com suas próprias questões.
Mas você vai chegar lá.

Uma das coisas que mais me encantou foi essa visão de brilho nos olhos que Neil traz. Sabe uma paixão pelas pessoas? Pelo trabalho? Pela arte? Esse é o tipo de pessoa que move outras milhares. O maior medo de artistas como Neil é justamente ser rejeitado pelo que ama, pois o preconceito é o que os barram de mostrar quão maravilhosos são. Mas o fascínio seu falou mais alto e suas excentricidades fazem toda a diferença. Neil hoje inspira arte e expira amor.  Ele merece palmas calorosas de seu público.

A autobiografia é, assim, por si, um instigante modelo e um instigante estilo sobre uma instigante pessoa. E, ah! Tem uma página escondida. Não há um caminho certo sobre como parar lá, mas espero que você ache, pois o Neil tem um segredinho ao estilo entendedores entenderão.


Até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram

 
Ana Liberato