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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Resenha: “Uma Loucura Discreta” (Mindy McGinnis)

Tradução de Fábio Bonillo

Sinopse: Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite. Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante. Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações. Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres. Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas. Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.
Fonte: Skoob

Por Stephanie: Quando você lê a sinopse de Uma Loucura Discreta, pode pensar que esse livro é só mais um de YA, onde uma adolescente "louca" é salva pelo amor da sua vida (que ela acabou de conhecer). Pois bem, já vou te dizendo pra tirar essa ideia da cabeça, porque de romance meloso e dilemas bobos esse livro não tem nada.

Histórias passadas em manicômios são quase sempre sombrias, e neste caso o livro não foge à regra, trazendo consigo uma narrativa carregada e densa que chegou a me incomodar várias vezes. A opressão que os pacientes sofrem no asilo em que Grace vive no início do livro é sufocante e cruel, sendo impossível não sentir empatia pelos personagens que habitam aquele local.
Todos eles tinham seus terrores, mas pelo menos as aranhas que viviam nas veias da garota nova eram imaginárias. Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.
Passado o primeiro terço da história, o incômodo diminui, mas não vai embora completamente. Acompanhamos a jornada de Grace e o Dr. Thornhollow por investigações à la Sherlock Holmes, e isso faz com que o livro dê uma acelerada e inclua cenas em outros ambientes, trazendo dinamismo. Vi algumas pessoas reclamando dessa mudança de tom, mas confesso que foi uma das coisas que mais gostei. Mesmo amando livros com assuntos pesados, acho que variar um pouco o tema proposto é sempre válido.

O livro aborda, além da sanidade e investigação, assuntos muito pertinentes aos dias atuais, mesmo se passando no séc. XIX: o feminismo e a opressão sofrida pelas mulheres (além de uma menção leve ao movimento sufragista). É chocante imaginar que naquele tempo ser mulher era ser inferior, e que qualquer atitude feminina "fora do padrão" poderia selar pra sempre o futuro de uma mulher, de maneira negativa. A palavra do homem sempre era lei, mesmo sendo mentira. Infelizmente isso ainda ocorre atualmente, quando vítimas de abuso são tidas como culpadas e julgadas por uma sociedade machista e opressora.

Os personagens têm a psique abordada a fundo, algo que eu já esperava. Em vários momentos me peguei questionando o verdadeiro sentido da palavra sanidade e em quais casos ela se aplica. Afinal, o "normal" é apenas um mito criado pela sociedade, que limita as pessoas a seguirem apenas uma linha de pensamento e comportamento? Ainda não sei se encontrei uma resposta.

Foram poucos os pontos negativos que eu identifiquei em Uma Loucura Discreta. Um deles foi a rapidez com que Thornhollow reconheceu as "habilidades" de Grace, achei que quebrou o ritmo. O final também não é tão bom; gostei do desenrolar de alguns acontecimentos mais achei a conclusão muito rápida. Além disso, achei que a autora tentou abordar muitos assuntos ao mesmo tempo em poucas páginas, tornando alguns deles muito superficiais. Gostaria de um livro maior ou até mesmo uma duologia que pudesse explorar com calma aquilo que foi falado apenas "por cima".
(...) É uma loucura tão discreta que pode caminhar livremente pelas ruas e ser aplaudida em determinadas rodas sociais, mas não deixa de ser loucura.
Mas no geral eu gostei muito da leitura e indico pra qualquer pessoa, mas se você é sensível a temas como estupro e violência contra a mulher, recomendo cautela. Não vejo a hora de a editora lançar The Female of the Species para eu conhecer mais do trabalho da Mindy McGinnis!

Quem mais leu ou está louco (rs) pra ler esse livro? Me conta nos comentários! E não deixe de conferir essa e outras resenhas no meu blog, o Devaneios de Papel. Espero vocês por lá!

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Resenha: Esta Terra Selvagem (Isabel Moustakas)

Por Marianne: João é um repórter investigativo na cidade de São Paulo que nunca encontrou o “caso” que desse uma guinada em sua carreira. Após escrever um artigo sobre um ataque violento que ocorreu a uma família de São Paulo — um casal e a filha adolescente, Marta, a adolescente e única sobrevivente do ataque, o chama para uma conversa.

Seis meses se passaram desde que a casa de Marta fora invadida por homens que violentaram e atacaram seus pais na sua frente. Marta sofreu as consequências do ataque, foi mantida em cativeiro pelos homens carecas que diziam ter matados seus pais porque seu pai era “um porco boliviano”, e foi solta uma semana depois com um recado a ser dado. 
(...) E também falou que logo iam fazer muito mais e muito pior, que a hora estava chegando, ele repetiu isso, ficou repetindo, a hora está chegando, a hora está chegando e a gente vai queimar tudo que é índio boliviano e paraíba e crioulo e viado, não vai sobrar um, e depois disse que eu era, tio, o aviso, sabe?

Marta até então nunca havia falado publicamente sobre o ataque ou sobre os dias que ficou em cativeiro. João encontrou no depoimento de Marta informações importantes que podiam ajuda-lo a entender melhor quem eram os rapazes por trás dos ataques. Em seu artigo já havia conectado o ataque sofrido pela família de Marta a muitos outros que diariamente ocorriam pela cidade de São Paulo.

Homens carecas, camisetas brancas, coturnos de cadarço ver e amarelo e suásticas pelo corpo estavam na descrição de todas as vítimas sobreviventes.

Mas logo após contar os detalhes de tudo que sofreu e dar carta branca para o repórter publicar tudo que disse, Marta coloca João numa situação irreversível, que faz com que o repórter transforme em questão pessoal a investigação dos ataques. 
O jornal concorrente fez uma pesquisa e constatou que dezessete por cento dos paulistanos “não concordavam com os métodos”, mas “compreendiam as razões” dos agressores.

A narrativa não poupa o leitor dos detalhes violentos, muitas vezes de revirar o estômago. O suspense e o elemento surpresa nos prendem na história e são o principal trunfo do livro.

Mas a partir de pouco mais da metade do livro a história começa a seguir um ritmo um tanto desconexo com o que foi apresentado até então. Os acontecimentos se desenrolam com uma rapidez que não se encaixa na história e da poucas chances de desenvolvimento dos personagens que vão surgindo e as relações entre eles. O desenrolar da narrativa acontece de supetão, não dá tempo ao leitor de absorver e se localizar na sequência.

Apesar do final acelerado, que confesso ter me decepcionado um pouco, a leitura flui bem. O livro é bem escrito e a história de ficção nos choca não apenas pela narrativa violenta mas também pela consciência de que grupos de radicais intolerantes existem e crimes como os descritos no livro já foram —e são— noticiados em muitas matérias do Fantástico e Jornal Nacional.

Espero que tenham gostado da resenha, até a próxima! J 
Generalizar é sempre um bom começo. 
Em alguns casos, não sei, não vivi nada disso, não estava lá, como se diz, mas, caramba, em alguns casos, acho que generalizar pode ser até uma violência.


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Resenha: “Minha Vida de Livro” (Janet Tashjian)

Por Kleris: Oi, pessoal. Voltei aos infantojuvenis! Esse, em particular, é de uma leiturinha bem deliciosa e rápida. Daria um filme legal daqueles da Sessão da Tarde, mas em alguns pontos a história é muito melhor contada em livro. É justo o tipo ideal de encontrar numa biblioteca de escola – aquele bom e velho achado.

Minha Vida de Livro é uma história contada por Derek, de 12 anos, quem está para entrar de férias e tem uma lista de livros para ler antes de começar as aulas. Mas por que ler coisas da escola quando se tem tanto pra fazer no tempo de descanso? Os pais de Derek fazem de tudo para que o menino dê uma chance ao menos a um livro, chegam até a oferecer chocolate por cada página lida. Enquanto não conseguem algum resultado, Derek se joga em um mistério que muito por acaso cai do sótão da casa. De repente algumas coisas soam suspeitas demais e vale uma investigaçãozinha sobre tal a reportagem que a mãe guardou por tantos anos. 

Eu jogo o jornal para ela, e quando ela pega, sua expressão muda:
— Você não tem nada a ver com isso — ela diz.
— Eu sei — respondo. — Só queria saber por que está guardado.
Ela sobe alguns degraus da escada, me puxa pela cintura da calça e me agarra antes de eu cair no chão.
— Em vez de inventar uma história, você vai ler uma.
Ela enfia o artigo de jornal no bolso de trás e coloca o livro da biblioteca na minha mão.

É verão (época de férias lá nos EUA) e Derek quer apenas se divertir, mesmo que isso represente fazer zeros nadas (quem nunca?). Mas como seu melhor amigo, Matt, viaja com a família e Derek se vê sem muitas opções senão aprontar sozinho, ele acaba sendo matriculado em um acampamento de estudos. Contra a corrente, o menino não deixa a imaginação de lado e ainda assim tenta se divertir à sua maneira. Até porque tem todo um rolo de suspeitas acontecendo e o intrigando. 
Se minha vida fosse um livro, eu teria minhas próprias incríveis aventuras em vez de ler sobre as de outra pessoa. Se eu fosse o personagem principal de uma história interessante, em vez de um garoto que precisa ficar sentado e ler o dia inteiro, passaria o verão tentando descobrir como aquela menina do jornal morreu.

As traquinagens do Derek impressionam os pais, que ora vão lá dar aquele puxão de orelha, ora entendem que não é preciso dar uma dura. É uma família, diga-se de passagem, tranquila, bem cotidiana – o pai trabalha com ilustração para filmes e a mãe é veterinária, o que não é nada muito extraordinário, mas que tem um bom peso dentro da história.

Achei interessante que Janet coloca assuntos tensos de maneira leve e agitada ao mesmo tempo, conferindo um pico aqui e ali de emoção. Você acaba rindo muito pelas traquinagens (como quando Derek sobe no telhado pra mexer na antena e isso pode interferir o programa de Tv que o pai assiste ou quando Derek sequestra um macaco da clínica da mãe, só porque seria muito massa poder brincar com um), e gruda-se ainda mais no livro quando o suspense surge (acredite, tem um bocadinho). Não é bem uma aventuuuura, é mais sobre descobrir histórias sobre sua vida que nem sua família poderia ter noção.

Embora a trama pareça ser bem simples, ela é bem construída. Há mistérios, há cotidiano, há bobices e surpresas que se encaixam perfeitamente. Como já comentei em outras resenhas, tenho um tombo inteiro por metaficção (ficção que fala de ficção) e aqui em Minha Vida de Livro você vê algo semelhante, algo como metaleitura (uma leitura sobre leitura) – o que dá aquele toque de como mediar leituras para crianças a partir da visão de uma. Muita gente começa com quadrinhos e Minha Vida de Livro trata bem disso, dessa transição e expandir a imaginação. O livro também te dá umas boas perspectivas, tanto sobre como mediar esse “salto”, quanto sobre a vida e a própria relação de pais e filhos. 
Na verdade, eu gosto de ler. Se me deixassem sozinho com o Calvin, o Haroldo, o Garfield, o Bucky, A Turma da Mônica, eu leria o dia inteiro. Mas querer forçar uma criança a alguma coisa tão pessoal quanto leitura? [...] finjo que sou um espião sendo torturado por forças poderosas do mal que me obrigam a praticar “leitura ativa” pra não ser morto por algum assassino estrangeiro.

Apesar de nunca ter lido de fato O diário de um banana, a minha sensação foi de total lembrança a essa série, pois envolvem meninos ingênuos, amizades de criança, ilustração, um ritmo bem corrido de leitura e umas traquinagens de meninada. Cá com Tashjian temos ainda boas doses de amizade, conspiração juvenil, aprendizados e, vá lá, os velhos costumes da família americana (nunca vou entender como um almoço pode ser um sanduíche de manteiga de avelã...).


  

A edição, inclusive, super corrobora para uma boa apresentação do livro – traz desenhos nas margens das páginas, que representam parte das atividades de Derek durante as férias (ilustrações essas feitas por um real garoto de 15 anos); traz também uma tipografia (tipo de letra) em letras maiúsculas, que passa aquela urgência e agitação de Derek em contar as coisas; isso sem falar da capa dura (um mimo só!).

Se você é desses que adora lembrar como é ser criança, tem essa curiosidade ingênua, curte desenhar ou ler livros com muitas ilustrações... Só acho que vale muito a leitura de Minha Vida de Livro. Leia e depois experimente repassar para os filhos, sobrinhos, irmãos menores, pois imagino que deva ser uma sensação mais gostosa ainda, visto que ele é na medida certa, nem muito, nem pouco e que vocês podem conversar sobre de boa. Enfim, re-co-men-do.

Fico aqui, apenas desejosa por mais livros da Jane Tashjian – ela tem até série publicada. Espero que logo despontem no Brasil ;) 
Ao colocar minhas canetinhas e o caderno na mala, eu me sinto como se praticamente tivesse ajudado papai em alguma coisa importante. Talvez ele possa retribuir o favor me ajudando a convencer mamãe a adotar um macaco.


Até a próxima!

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Resenha: “As Crônicas de Dopple Ganger – O Grande Diamante Magnata – Vol. 3” (G.P. Taylor)

Por Kleris: G.P. Taylor já começa nos intrigando com uma trama bem mais repleta de suspense. Ao que tudo indica, Muzz Elliot está sendo ameaçada. Mas ela não quer assustar ninguém... como se Saskia, Sadie e Erik não pudessem descobrir. Lembram deles? Já leram os primeiros livros? Para quem não conhece, pode rever as resenhas aqui: livro 1 – A primeira fuga e livro 2 – O segredo da lua índigo. Após uma boa temporada de calmaria, uma carta e uma ligação estranhíiiiiissima abalam a rotina desses três bisbilhoteiros de plantão.

Mais uma vez o autor me passou a perna – de um BOM jeito – pois abri este terceiro volume esperando adivinhar de novo que passos ele iria seguir e fui surpreendida. Hoje é tão complicado reservar tantas expectativas em um livro que eu tentei não ir com tanta voracidade. Tentei mesmo ler devagar, sabendo, afinal, que era o último disponível (foi lançado este ano). Para nos instigar mais, esse volume se alonga um pouquinho mais nas páginas e apresenta uma trama muito mais intensa que as anteriores. Se em O Segredo da Lua Índigo fui conquistada de vez, aqui eu fiquei mais impressionada.


Quando Muzz Elliot sai em busca de respostas e leva as meninas para uma viagem repentina, logo Erik e Dorcas Potts, ao perceber o perigo que elas correm, vão atrás. Eis que de repente Muzz Elliot se vê ambientada em perfeitos cenários e enredos por ela descritos em seus livros de suspense e novas figuras surgem em seu caminho, confundindo a todos. Do outro lado, Erik e Dorcas Potts também sofrem sérios ataques, são perseguidos e capturados. Temos muitas reviravoltas pra manter nossa atenção ali, presa. 


— Você se surpreenderia com o que eu faço, Saskia Dopple – Max Taranis disse.

— O que você ESTÁ fazendo aqui? – perguntou Sadie.

— Estou de férias, por engano.

— Como nós – disse Muzz Elliot já com a respiração refeita.

— Eu guardaria isso para você mesma, Muzz Elliot – Max Taranis respondeu. — Há certas coisas que são melhores se não forem ditas.

— Um criminoso diria isso – Sadie murmurou, brincando com um fio solto na parte inferior de sua blusa.

Senti que neste volume o autor se arriscou bem mais, tanto na parte gráfica, quanto no enredo e desenvolvimento de suas personagens. Enquanto que antes Saskia, Sadie e Erik se metiam em confusão ou suas traquinagens os levavam a investigações coincidentes, agora eles se tornam alvos de vilões maiores. Muzz Elliot também merece destaque, ela não é mais aquela escritora reclusa e tem lá suas artimanhas. Por um tempo achei que ela era um tanto fútil (por colocar perigos de lado pra, sei lá, ir almoçar calmamente), mas percebi que na verdade era sua forma de lidar com o peso sobre seus anseios e medos. 

— Por que aqui? Por que agora? – Dorcas Potts se perguntou em voz alta.

— Este é o melhor hotel da França – Muzz Elliot respondeu.

— Há algo mais que isso.

— Muito mais – Muzz Elliot disse.


Também temos um grande foco em Erik, com grandes revelações sobre seu passado e desafios que pesam em seus ombros. O modo como o autor nos apresenta esse lado da história é bem bacana, ainda mais por ele se utilizar de pistas que nos levam outra vez para os mistérios de madame Raphael e do Companheiro. Os propósitos da série, nesse sentido, ficam bem claros. 


— Erik, chegou a hora. Você sabe o que fazer. – disse Saskia.  — Não acho que seja certo, Saskia. – disse Erik.

— Não tem outro jeito! – sussurrou Saskia. — Não se quisermos salvar Sadie e Dorcas Potts. Não vou perder minha irmã!

— Não quero ser um ladrão como meu pai.

Além do ritmo alucinante de leitura já conhecido pelos livros passados, nesse último G.P. Taylor foi verdadeiramente engenhoso! Esquemas, bandidagem, máfia, viagens, metaficção... Conhecer esse trabalho foi uma grata surpresa (adooooro gratas surpresas). Já tinha visto uns comentários sobre outra série, chamada Shadowmancer, que, conforme relatos, era de desenvolvimento fraco. Bom, nessa série posso afirmar que o autor deu a volta por cima. Vale, no entanto, lembrar que os livros dessa série, As Crônicas de Dopple Ganger, são voltados para jovens e pequenos leitores, ou mesmo aqueles leitores que ainda não se engataram bem na leitura (olha o dia das crianças aí, gentes #ficaadica). Mesmo não sendo eu esse público alvo, curti muito.

Melhor, re-co-men-do.

Ainda não sei bem quantos livros formam essa série, visto que há muito pouca informação sobre eles. Pelo desenvolvimento até aqui, chuto que serão 6 livros. Estou tão ansiosa que é capaz de eu relê-los de pronto haha. Como cada um sempre termina com um aviso ou grande promessa de uma nova aventura, e, digamos que madame Raphael sabe ser bem enigmática quando quer, se eu fosse só dizer uma coisa sobre esses próximos livros, seria isso: QUERO.

E vocês aí? Já conhecem algo, ouviram falar, leram algum livro da série?


Para mais ilustrações e animações, trouxe este trailer com um compilado da série (está em inglês, mas é bem compreensível): 


Até a próxima!



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resenha: “As Crônicas de Dopple Ganger – A Primeira Fuga – Vol. 1” (G.P. Taylor)

Por Kleris: Conheci a série As Crônicas de Dopple Ganger um pouco por acaso de uma parceria com a Geográfica Editora e o que me chamou atenção foi a ideia de uma “aventura ilustrada”, em que o livro mescla partes de puro texto com quadrinhos. Esse formato mais dinâmico é um elemento-chave da série e por isso ganhou fácil o coração de muitas crianças.

Na Escola Isambard Dunstan para Crianças Rebeldes, as jovens gêmeas Saskia e Sadie Doppler reinam em traquinagens. Quase todo dia é uma zona. Apesar de ser um orfanato só para meninas, faz um tempinho que adotaram Erik Ganger, quem passou a trabalhar para viver e estudar lá. Logo nas primeiras páginas a gente se depara com mais um dia a dia de jogos teatrais das gêmeas, mas a diretora Rimmer tem, dessa vez, outros planos. Surgiu uma mulher que quer adotar. Rimmer vê a oportunidade de acabar com a dor de cabeça que são as gêmeas... Só que Muzz Elliot, uma escritora, só quer uma menina. Ela insiste em levar Saskia, separando-a de sua irmã. Saskia acaba tendo de ir.


Sadie não aceita bem essa ideia. Pra completar, Charlotte quer ser aproveitar da saída de Saskia e tomar o poder da escola. Erik então propõe um desafio final pra determinar quem mandaria lá, e esse desafio se tratava de aprontar com a diretora. Adivinha quem se dá mal? Sadie acaba presa na torre e com risco de ser levada pela polícia – afinal, incendiou a mesa da professora. Torna-se assim essencial fugir e reencontrar Saskia. Esta, por outro lado, também arruma uma boa dose de confusões na casa de Muzz Elliot e vira alvo de criminosos que rondam a escritora.


A primeira fuga é a entrada de uma série de livros e já temos três publicados. Há muita traquinagem, perigos e ganchos para serem explorados por toda a série. São muitas as reviravoltas que mantêm a história em alto pico, mal nos deixando respirar. E por isso mesmo é de uma leitura super rápida, coisa de uma sentada. Recomendo ter o próximo logo ao lado, porque o leitor vai querer devorar de pronto ao fim deste.

Bem infantojuvenil e bem humorado, as travessuras e mistérios me lembraram aqueles livros que encontramos em bibliotecas de escola – algo que eu teria gostado de ler na minha época rs Fica um ar de Matilda, Chiquititas, Esqueceram de Mim, Convenção das Bruxas e Desventuras em Série... Isso porque a trama foca na esperteza das crianças e como elas podem escapar de situações malucas a partir do conhecimento de mundo. 
De seu quarto na torre Saskia vigiava, imaginando quem usaria um caminho através das árvores em vez da estrada. Por um momento pensou que poderia ser Sadie vindo encontrá-la. Então, lembrou-se repentinamente da visão e lembrou-se que sua irmã estava trancada longe do mundo. [...] Agora ela conseguia ver a forma da figura que levava o lampião. Perguntou-se por que alguém que estava preparado para vir até a casa pelas árvores estaria tão preocupado com a escuridão a ponto de carregar um foco de luz. O que ela sabia de ladrões era que eles amavam a noite.

Apesar dos pontos comuns, é indicado para aqueles leitores mais tímidos e que ainda não pegaram bem o jeito da leitura; leitores mais formados talvez não se prendam tanto, mas também leriam num sopro. E isso se dá por um equilíbrio gráfico que é show, que ajuda o leitor a se situar e brinca com as palavras e as entonações das falas, dramatizando junto às cenas em quadrinhos.




A capa traz em suas "sombras" algumas ilustrações bem bacanas extraídas das páginas, como acima mostrado e a edição por completa é bem trabalhada. Já na contracapa há menções e comparações a literaturas como de Nárnia e Harry Potter. Nesse ponto achei bem pretensioso, pois, apesar do sucesso lá fora d’As Crônicas de Dopple Ganger, a série não chega à proporção que representaram/representam C.S. Lewis ou J.K. Rowling, nem prenuncia alguma grande profundidade. Seria talvez para gerações que antecedam o público desses fenômenos... pra quem procura livros pra aquele primo pequeno, irmã, sobrinhos, pela faixa de 7-14 anos. Mas oferece diversão e é uma ótima entrada para mistérios e investigações. Aproveitem que estamos próximos do dia das crianças haha

Recomendo.

Mais sobre a série, vocês podem conhecer neste booktrailer:


Até a próxima!



 
Ana Liberato