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sexta-feira, 24 de julho de 2020

Resenha: "Os Blues Que Não Dançamos" (Franck Santos)


Por Kleris: 
“Será que inventei você? Será que inventei esta história? [...] Sinto-me uma ilha dentro desta Ilha onde moro. Contudo, sei que somos raros. Raros.”

Os Blues Que Não Dançamos é uma noveleta de inquietações que nos envolve no romance à distância de Bento e Pedro. Eles se conheceram em aplicativo de relacionamento e estenderam a relação para troca de e-mails. Pedro dizia que era por ser avesso a redes sociais. Bento, por outro lado, sempre sonhador e esperançoso, fica a mercê das escolhas do outro e de suas escassas informações. 
Estou aqui nesta casa em obras, mas me vejo caminhando pelas ruas noturnas e despertas da sua cidade; da sua cidade, Pedro, da metrópole onde moras. Você me compreende? Diga que sim, abra espaço em você para o meu desejo.

Adentramos na história pelo ponto de vista de Bento, através de seu fluxo de pensamento, sempre carregado de devaneios, fantasias, planos e expectativas. A narrativa, porém, se guia por recortes temporais: um “antes” e um “depois” de uma viagem combinada para se encontrarem em Goiás, numa cidade no meio do caminho de suas residências (Bento, da grande ilha de São Luís, e Pedro, de São Paulo).

Entre lacunas e delírios, o enredo vai costurando seus mistérios e nos agraciando com crônicas poéticas desse amor sempre à espera de mais. É inevitável torcer por Bento e seus anseios; bate forte a questão da responsabilidade afetiva. Mas quando conhecemos o outro lado da história, repensamos todos nossos julgamentos. Ainda mais quando a significância do título se faz valer.

Este é meu primeiro livro do Franck Santos e com certeza a porta de entrada para muitos ♥️ Sua escrita flui maravilhosamente bem, envolve bem, cativa.

As referências de músicas e livros são um encanto à parte. Vamos de Clarice, Guimarães Rosa e Caio Fernando de Abreu a Gal Costa, Marina Lima, Nina Simone, dentre outros. 
Este disco me transporta para uma época em que se acreditava num futuro, futuro esse que acho que chegou conosco. A música tem esse poder, essa magia de máquina do tempo. Infelizmente, ela não transporta corpos, apenas a mente viaja.

A leitura traz muito da nossa realidade, de romances virtuais, de escapes, de resistência. É um livro curto, porém, para ser sorvido como quem aprecia um bom vinho: no seu tempo. Ótimo para você que busca uma história despretensiosa, mas que arrebata e que deixa uma ressaca gostosa com dignos blues.

De bônus, tem um posfácio da Lindevânia Martins que, junto à edição maravilinda da Editoria Moinhos, é um presente ao leitor *---* O colofão, então, inesquecível! 
Quanto tempo dura uma lembrança?

Fica o convite, tanto pelos blues em vinis, quanto pela história de um grande amor!




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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Resenha: “Amor próprio” (Camyla Silva)


Por Kleris: Tem um tempo que procurava uma leitura mais relax para uma temporada de ressacas e esse livro, em sua simplicidade, foi determinante para um descanso. Me chamou atenção pelo título e pelas temáticas que a sinopse entregava, embora a capa fosse um pouco contrastante (uma pessoa que demonstra uma “beleza padrão”).

A trama conta a trajetória de vida de Maria Alice, uma garota que passa pelas problemáticas da vida sempre se colocando por último ou não se sentindo suficiente, uma insegurança natural que todos temos. A sinopse apresenta a ideia de pessoas tóxicas, mas não as vi. Pessoas babacas, sim. Pessoas que tiravam proveito e iam embora, mas não seguravam a personagem em relações abusivas (talvez uma personagem, mas tenho algumas dúvidas). 
Letícia. Marisa. Papai.
Para mim, eram como personagens, criaturas distantes e fictícias das quais eu só ouvia falar. 
Sentia-me uma estranha dentro do meu próprio quarto. 
O que esperar de alguém que não te conhece e resolve comprar uma roupa pra você? Um desastre!

Vi também (muita) competição feminina e estereótipos de “vilões”, predominando bastante a ideia de maniqueísmos – ou a pessoa é muito boa, ou a pessoa é muito maldosa. O quanto tinha de pessoas ruins, tinha de pessoas boas ao redor da personagem. 
— Mas você ainda não disse, Alice, você quer ir ou não? 
E eu tinha escolha?

Levada pelas memórias de Alice, não vi um conflito claro na história, apesar das sugestões na sinopse e no próprio título. A personagem não passa a se amar pelo que é ou pelo que tem. Aliás, ela até passa por uma transformação pra se adequar a um padrão, que dizem ser o sonho dela. Ela, literalmente, ganha outra identidade. Ao meu ver, ficavam a questões: Ela queria isso? De verdade? Ou novamente atropelaram suas vontades impondo outras? E sem essa pessoa ou essa oportunidade, ela estaria satisfeita consigo mesma? Onde estavam realmente seus maiores desejos?

Me pareceu que todo o amor sempre dependia de algo ou alguém, menos dela própria, e esse amor resolvia as coisas. Em dados momentos, até lembra um pouco a história da Cinderela – a falta de um pai, duas irmãs detestáveis e um príncipe para torná-la a princesa que “nasceu pra ser”. O momento da extreme makeover, por exemplo, é uma tortura para a personagem, ela mesma não se vê ali, mas se outra pessoa diz que é bom para ela, ela aceita e acredita que aquele é o padrão para se definir. E não é essa a mensagem do amor próprio, da compaixão, empatia ou mesmo do empoderamento. 
Havia entendido a estratégia de Stela e Peter, eles tinham criado a minha identidade, eu estava feliz com o resultado; sentia-me orgulhosa. [...] Não eram apenas as mudanças na minha aparência. Meus cabelos, minhas roupas, eram diferentes, mas não só isso, eu me sentia diferente. 
— Nunca mais repete isso, Darling. Você sabe muito bem que imagem é tudo.
Revirei os olhos, sim eu sabia, tinha que me acostumar com isso.

Por outro lado, Camila tem boa escrita, que te leva fácil e te deixa curiosa pelos fatos. Tem potencial. Leria algo seu novamente. 
— Sejam quais forem suas escolhas, brilhe. Você é iluminada, menina!
Iluminada.
Nunca tinha ouvido algo assim.

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Resenha: “Um Barril de Risadas, Um Vale de Lágrimas” (Jules Feiffer)


Tradução de Carlos Sussekind

Por Kleris: Acho que já mencionei em outra resenha que, da mesma maneira que curto sincronizar músicas à situação e/ou humor, gosto de aproveitar leituras conforme o momento. Com quase um aninho na estante, lembrei de Um barril de risadas, um vale de lágrimas e foi em um momento certeiro. Estava saindo de uma leitura um tanto pesada e Feiffer me ofereceu o caminho de volta. Então se você procura algo pra destravar ou fazer uma ponte de leitura, leve este livro <3 
Roger tinha um estranho efeito sobre as pessoas.


Roger é um príncipe meio abobalhado, que tem esse tal estranho efeito sobre as pessoas: quem chega próximo dele, ri, ri de se acabar. Sua presença por si só faz isso e é algo incontrolável. Roger também não colaborava, ele ria de qualquer coisa, não tinha tempo ruim pra ele. Só que essa “felicidade eterna” lhe era prejudicial. Como que um dia ele poderia assumir o trono (e o reino), se ninguém (nem se quisessem!) conseguia levá-lo a sério?

O rei Deldizifidicer, seu pai, então pede ao J. Imago Mago, mago do reino, para auxiliar Roger nessa causa. Ao que parecia, a causa deveria ser descoberta pelo próprio, em uma jornada sem um destino definido, a não ser essa busca, que ninguém também sabia de quê na verdade. Só se sabia que Roger precisava mudar sua situação, ter “experiências de vida”. E assim ele foi, atrás de seu destino, mais empurrado do que outra coisa, com um pó mágico que Imago lhe dera, um recurso que ajudaria a imunizar pessoas de rirem quando perto dele estivesse.

O mago, claro, dava suas bisbilhotadas na aventura de Roger, até porque o príncipe começava a se demorar na sua busca. Numa dessas espiadas, Imago Mago percebera que Roger estava a se dispersar da missão, vez que estava muito seguro com aquele pózinho mágico, tão perdido quanto os outros homens e mulheres que divagavam em suas próprias jornadas. Em uma última interferência, o mago produz uma situação a fim de chamar a atenção de Roger e colocá-lo de volta à trilha. É quando ele se vê em dificuldade que a jornada verdadeiramente começa. 
“Que significa isto?”, pensou. Seu primeiro pensamento depois de muito, muito tempo. A última vez em que chegara perto de algo que poderia chamar de pensar foi quando ele era uma árvore e havia deixado cair um galho na cabeça de Tom. Ao longo de um dia, pensar figurava em último lugar na lista de coisas que tinha para fazer. Por que pensar quando se pode brincar? 
“Você precisa tomar uma decisão.”
“Uma decisão?”, gemeu Roger. “Mas eu nunca tomei uma decisão.”
“Para tudo há uma primeira vez.”

Um barril de risadas, um vale de lágrimas é uma novela que fala sobre sair da zona de conforto – e que existe esperança para quem não se acha (ou não parece) capaz. De maneira quase ingênua, mas também realista, temos uma digna jornada de herói. Temos também uns elementos e personagens fora do comum para pequenas lições de vida. Além de Roger, destaques para Imago Mago, Tom, Lady Sarita e até mesmo o rei Deldizifidicer, figura singular que rouba a cena até mesmo sem querer.

Ao retratar a ideia de se lançar no mundo e dele colher as mais diversas experiências, Jules emparelha o bom e o ruim da vida como algo para nosso aprendizado – de que a parte ruim também tem papel importante, e por isso não deve ser evitado ou desprezado. Também se trabalha as percepções, sobre si, sobre o mundo, as amizades, nossos desejos e desejos de outras pessoas, de deixar que se lute as próprias batalhas, de se aperceber de pessoas que não respeitam a vontade ou o caminho do outro.

Feiffer nos insere nessa empreitada com muito humor. A gente acha que não vai rir, já que parece tudo tão bobo, mas ele tem um jeitinho de nos envolver tão tão tão carismático, que nos faz torcer por esse anti-herói e virar as páginas atrás de respostas. Para garantir essa bobice gostosa, o que mais tem é virada inesperada. Valoriza-se ainda a própria jornada – os passos, as dúvidas, desafios e enigmas da vida, os momentos de reflexão, maneiras de fazer diferente pra alcançar um rumo diferente. 
Armadilhas, uma após a outra. E depois, haveria mais armadilhas à sua espera? Uma vida inteira de armadilhas enfileiradas! Venceria a primeira contra todas as possibilidades para em seguida ver-se frente a frente com novas impossibilidades, uma segunda uma terceira, uma quarta, e assim por diante?

E tão melhor quanto a trama é a narração. Temos um narrador conversador ótemo, que garante uma leiturinha leve, fluída, suave na nave na medida. Geralmente não curto esse tipo de narração, vez que tendem a divagar, perder o foco e tentar agregar uns fatos nada a ver. Aqui, até mesmo as divagações são um elemento interessante, o que corrobora muito com a aura de metaleitura (uma leitura sobre leitura <3) e de realismo fantástico da trama – isso sem, no entanto, exagerar na dose. Goxtei muito disso. 
O que é bom nesse negócio de ser escritor é que a gente sabe tudo o que vai acontecer antes que aconteça. Na vida real não se consegue ter certeza sobre o que vai acontecer daqui a cinco minutos, mas no seu próprio livro você tem o controle que na vida real é impossível. 
Escolhi dar a este capítulo esse título porque, muitas vezes, quando vou chegando ao fim do livro que estou lendo, não consigo deixar de pensar em quantas páginas ainda faltam para acabar. Aí dou uma corrida até o final e espio. E acabo descobrindo coisas que não queria saber. #quemnunca

As ilustrações também, de maneira simplista, incrementam a história. Embora ache que daria um filme maravilhoso – de animação, de preferência – o conjunto como livro me parece bem mais rico. Os traços singelos e as entradas dinâmicas dão esse toque especial para guiar a imaginação. A capa, aliás, traz uma sacada de contexto bem bacana! Gostei da Seguinte ter mantido a arte anterior da edição da Companhia das Letras <3

Um barril de risadas, um vale de lágrimas é, assim, uma aventurinha juvenil que tem tudo pra ser abraçado. Amei a escrita de Jules e com certeza devo ir atrás de outros livros dele! 
“Há um mundo de verdade lá fora, meu peralta”, vociferou Imago Mago no auge de sua frustração. Apontou para a janela na direção da Floresta Para Sempre e mais além. “É um universo misturado em que há muito sol e muita sombra, muita glória e muita solidão. E você não experimentará nada disso. Não experimentará nada de coisa nenhuma,”. J. Imago Mago levantou-se de Roger e atravessou a sala até chegar à janela. Ficou um bom tempo olhando para fora. “O que está lhe faltando é aventurar-se numa busca”, disse ele. Um brilho faiscou nos seus olhos.
“Numa o quê?”, perguntou Roger.
“Exatamente!”, exclamou o mago. “O que é preciso é enviá-lo numa busca!”
“Tipo salvar uma linda mocinha das garras de um dragão ou de um ogro? Isso até que me faria dar boas risadas!”
“Roger, você não é sério bastante para salvamentos [...]” 
“Não compreendo”, disse Roger. “Lá onde?”
“Acolá, adiante ou além”, disse o mago.
“Deixa eu ver se eu peguei”, disse Roger. “É pra eu encontrar minha busca num desses lugares, ou num outro lugar. É isso que você está me dizendo?”
“Acolá, adiante ou além”, repetiu o mago.

Recomendo!

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Resenha: “Louco Amor de Fã: um romance um tanto incomum” (Sheila Lima Wing)

Por Kleris: Depois de uns meses agitados e intensos, tudo o que estava buscando era algo bem leve e divertido – de uma ou duas sentadas de preferência. Foi nessa procura pela próxima leitura que conheci Louco Amor de Fã da Sheila Lima Wing, uma novelinha ideal para o descanso.

Maria das Dores – ou melhor, Madori – nunca conseguiu ser próxima das irmãs, nem do pai. Suas personalidades, caráter e gostos apenas não batiam. Mas Madori tentava suas formas de se aproximar... Numa delas, teve sua primeira experiência de fangirl, e por saber o quanto suas irmãs curtiam ser fãs de algo, Madori foi contar sobre como se apaixonou por certo colunista de uma revista juvenil, e que sua cartinha de fã fora respondida pelo próprio! As irmãs não perderam tempo em estragar todo o momento. A mágoa de menina foi tanta que jurou não mais gostar de nada, nem voltar a se aproximar das irmãs.
Ainda que viajasse por aquelas páginas multicoloridas e me divertisse vez ou outra, a certeza que tinha até então era a de que aquela coisa de ser tiete nunca faria parte de mim.

E assim elas cresceram, ao meio de uma situação familiar que separou seus pais. As irmãs tomaram partido do pai, Madori da mãe. Assim que atingiu a maioridade, nossa protagonista deu no pé para dividir uma casa com a melhor amiga. Entramos na história quando está chegando o casamento de uma das odiadas irmãs, em que Madori tem de marcar presença e ainda lidar com um convidado inesperado em sua casa – um cantor que pagaria pela estada a quantia necessária para ela se libertar de vez do pai. Que, aliás, era o crush do momento de sua melhor amiga. Mas Sheila Wing lhe reserva um fim de semana de muitas reviravoltas que vai remexer com seu passado e presente como nunca.

I feel you, Maria! #empatia

Com uma escrita gostosinha, Louco Amor de Fã chega com uma historieta inusitada. Bem simples, a noveleta mexe de diversas formas com nossos ideais de família, pertencimento, além de preconceito, apesar de ter alguns personagens estereotipados. Sheila também brinca com o clichê e resolve dá um nó em nossas impressões. Suas pistas são danadas, não entregam totalmente de cara, induzem pra um lado e outro, e a saída para a história me surpreendeu.

Maria é uma personagem um pouco amarga e vive na defensiva – com razão – e dentre os outros personagens, quem se destaca é Karol, que entra na trama para intrigar os leitores. Através dessa relação que praticamente toda a história se movimenta.

Vez que Madori é também uma leitora, há variadas menções de leituras (nacionais, principalmente, em claro apoio a nossa literatura), além de referências que vão da cultura pop à otaku. Ao momento destas notas, no entanto, diria que escrita precisa se firmar mais um pouco, para não parecer algo solto, fora alguns cuidados com o ponto de vista, o que dão uma ligeira impressão de fanfic à história. 
(“Você tem o Shimura Danzou e eu tenho minha Dolores Umbridge, viu? brincou ele”)

Por outro lado, as citações de finais de capítulo, com links e perfis referenciados de outros autores, dão um plus ao que está sendo retratado. É, mais uma vez, uma forma de a autora demonstrar seu apoio a nossa literatura. Tem até homenagem direta! Quem conhece, percebe logo de cara.
“Ter outros sentimentos vai depender de quanto amor vive em você”Dâmaris Sena
Instagram @poestisadequarto


Louco Amor de Fã fala sobre nossa necessidade de se encontrar no outro, de ser aceita pelo que é, de respeitar e valorizar as pessoas e suas escolhas, de se libertar de amarras, e sobre ser fã e não se fechar para aquilo que se gosta por conta do julgamento de uma ou outra pessoa. Simples e à sua maneira, Sheila nos oferece uma leiturinha tragicômica, relax e com toques de mistério, excelente para quando você tá saindo de uma baita ressaca.
— O nome todo dele é Teodoro Queiroz? — perguntou ela quando terminou a leitura.
— Acho que sim. É o que diz na primeira matéria que eu li.
— Parece nome de avenida... — comentou ela com uma careta.

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(ele está no Kindle Unlimited)

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Até a próxima!

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Resenha: “A décima segunda noite” (Luis Fernando Veríssimo)


Por Kleris: Tenho esse costume de ir em feiras de livros pra procurar achados, livros que estão fora do meu campo de visão habitual – e com aquele precinho camarada. Ao ver A décima segunda noite em uma bancada em 2015, a capa de pronto me chamou atenção, mas por ter Luis Fernando Veríssimo como autoria, nem li a sinopse direito, levei pra casa! Do autor, faz um tempinho que havia lido um livro de contos, As mentiras que os homens contam, e já estava mais que na hora de voltar a mergulhar em alguma transloucada trama sua.

A décima segunda noite é baseada na peça Noite de Reis, de Shakespeare, e faz parte de uma coleção de adaptações, chamada Devorando Shakespeare, da Editora Objetiva. Os livros são independentes, todos novelas literárias, e com autores diferentes para cada título. Além de Veríssimo, temos Jorge Furtado no primeiro livro e Adriana Falcão no terceiro.

Não conheço muito de Shakespeare para poder calibrar uma crítica à adaptação, porém, já assisti um filme baseado na mesma peça, um high school americano chamado Ela é o Cara (com Amanda Bynes e Channing Tatum <3) (aqui trailer) que me salvou de entender e me orientar nas loucuras da história. Veríssimo ainda aproveitou a oportunidade para mergulhar em Paris, cidade pela qual é fascinado e onde toda a novela se passa. Eu diria, inclusive, que é uma novela inglesa afrancesada à brasileira. E metaficção!

A M O  M E T A F I C Ç Ã O!
E Veríssimo A R R A S A! 
Este era escritor, ou tentava ser. Morava sozinho e passa o tempo todo falando comigo, aos gritos, despejando em cima de mim as teorias que tinham lhe custado três esposas e todos os amigos, e só “oui, oui”, e “bien sûr”. Eu iria contestá-lo, para também ser atirado pela janela? Foi ele que me falou das diferentes formas de narrativas e da intervenção do narrador na narrativa. Qualquer um, qualquer coisa, pode ser o narrador. 
Se vocês querem me puxar para o passado, têm que aguentar a literatura. Já que querem me ouvir, têm que aguentar a comédia disfarçada de tragédia, a tragédia disfarçada de vaudeville e esta voz de caldeirão rachado. E a narrativa cronológica, com eventuais digressões, de um moribundo, finalmente com uma plateia atenta.

A gente chega na primeira página e já é golpeado pela trama. Tem um papagaio tagarelando sem fim sobre algo que a gente ainda não sabe o que é, nem o que tá acontecendo. Esse é um toque maravilhoso de Luis Fernando, que faz grandes imersões no ofício da escrita dentro da própria escrita e narração. O papagaio narrador é Henri, bisbilhoteiro, piadista, erudito e um verdadeiro contador de história. 
Tente dizer qualquer coisa séria, ou profunda, com voz de papagaio. Mesmo em francês. Impossible. Foi por isso que não me deram atenção, e a comédia que vou contar quase virou tragédia. Eu avisei, me esganicei, mas me ouviram? Diziam “Le perrouquet, qu’est-ce qu’il dit?”. E riam. Eu avisando que não era comédia, era drama, era tragédia. Tinha paixão, traição, perfídia, sociologia. E riam, riam. Culpa da voz, minha sina. 
É contra a natureza dos papagaios serem sucintos e breves. Durante séculos, milênios, gerações e gerações, vivemos com a capacidade de falar sem saber que a tínhamos. Imaginem. Uma espécie inteira que se autodesconhecia. Imitávamos uns aos outros, imitávamos os outros bichos e os sons da floresta, mas só quando ouvimos um humano falar, pela primeira vez, descobrimos este nosso talento para articular palavras. E descobrimos o que nos faltara durante gerações e gerações de loquacidade desperdiçada e sons desconexos: assunto. Até hoje, em florestas desabitadas, papagaios selvagens voam em bandos cacofônicos sem conhecer a delícia de fazer uma frase completa, os prazeres da prosódia. É em nome deles que eu falo tanto assim. E pra recuperar o tempo perdido, o nosso tempo sem assunto. Eu estaria traindo a minhas ascendência se fosse sucinto e breve. Eu... Está bem, a história que vocês querem ouvir. Isso é um gravador ou uma caixa de pílulas? Ridicule. Mas vamos lá.

Conforme o passar dos capítulos, vemos que ele é a única testemunha de uma tragicomédia em Paris. Por isso mesmo estão gravando seu depoimento. Como toda metaficção (uma ficção que conta sobre a própria arte e construção de ficção), a história é de camadas. O brilhantismo de Veríssimo atua bem aí, pois afora toda a confusão da Décima Segunda Noite (data conhecida após o Natal, que é a Noite de Reis), temos um grande mistério no ar com mil e uma pistas: Quem é que tá gravando? Por que tá gravando? Qual o interesse nessa gravação? Não imaginava o tamanho tesouro de Veríssimo que tinha em mãos! 
É em momentos como este, e olhando o rosto de Violeta quando viajava sobre o seu ombro no metrô, imaginando como seria tê-la nos meus braços, que eu sinto não ser, nem digo um Flaubert, mas gente, só gente, em vez de um mero artifício narrativo. Agora só falta me dizerem que não gravou nada e minhas palavras se perderam no ar, e minha voz lamentável esteja neste momento arranhando o domo de ozônio do planeta, tentando sair desta estufa de vaidades, rumo às estrelas. Mon Dieu, mon D

Entre os disse-me-disse de Violeta, Orsino, Olívia, César, Negra, Malvolio e outros, nos embrenhamos nos mal-entendidos, mistérios e toda emoção. A leitura é super rápida, de uma sentada, com muitos OH-MY-GOD! para soltar. Mon Dieu, são muitos babados numa só novela! Por isso mesmo não indico lugares que possam interromper a leitura, pois você não vai querer largá-lo de jeito nenhum.

Super legal também é o show de representatividade que Luis coloca, de maneira tão natural, além de tratar de uma época interessante da história do Brasil e França. Uma nota ademais é que Henri de vez em quando solta umas falas em francês, nada muito difícil e que nem nos atrapalha. São elementos que só enriquecem a obra. E o resto... bem, Henri te conta ^^

Se você procura um bom livro com gostosas sacadas, suspense, humor, conspiração e confusão, com toda a certeza, é A décima segunda noite, de Luis Fernando Veríssimo! 
Vocês acham que eu estou contando tudo isto que vocês já sabem para não chegar ao que vocês querem ouvir, ao saião da santa. Vocês acham que eu estou querendo ganhar tempo. Claro que preciso de tempo. Aceito tempo de onde ele vier, de qualquer fornecedor. Esta tinta está me matando, o verde e o amarelo me asfixiam, estou morrendo patrioticamente sem nunca ter visto o Brasil, quero mais tempo, mais vida, sim, nem que seja para mais amar a Violeta. Mas não é isso. O fato, mes amis, é que temos que pôr tudo num contexto. Precisamos, no mínimo, de ordem cronológica num mundo que cada vez mais desdenha a ordem. E precisamos de literatura.

Só sei que preciso ler mais livros desse autor :)

Super recomendadííííííssimo!

Espero que gostem o/



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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Resenha: “O chamado da floresta” (Jossi Borges)

Por Kleris: Há muito tinha essa novelinha no kindle só a espera de um momentinho mais propício – quem já viu muitas de minhas resenhas, sabe que gosto de combinar leituras com “momento certo”. E foi certeiro! 
Mariana sempre desdenhara as velhas lendas de seus pais e avós sobre os seres encantados, visagens e assombrações das matas. Curupira, Saci, Iara, Boto... Tudo isso para ela não passava de simples folclore, contos lendários repassados de geração a geração ou velhas tradições indígenas. Seria apenas isso mesmo? O conto, ambientado numa propriedade rural dos anos 1950, traz à tona as belezas e a magia do folclore brasileiro, revivido em uma fantástica e idílica história de amor. (Skoob)


Pouco li literaturas com nosso folclore, então foi uma boa surpresa ter esse contato. O prólogo, então, foi outra grata surpresa, por trazer um cordel lindo.

[...]
Eu me aproximei do vulto
E murmurei em tom caipira
“Quem és tu? Por qual motivo
Tanto a fauna te admira?”
Ele disse: “eu sou lendário,
Eis meu nome, CURUPIRA”

Jossi coloca elementos muito conhecidos da literatura fantástica, porém, com um toque singelo, ingênuo e despretensioso. Geralmente se pensa no curupira como uma figura travessa e sempre tão à margem nas histórias. Jossi o coloca de maneira repaginada, o que é um bom conflito e arranjo para a trama.

De início não curti muito a protagonista, Mariana, mas aos poucos sua história foi me ganhando. Ela tinha sonhos para além da cidadezinha que morava, da roça, queria mais da vida, mais do que frívolas historietas para boi dormir... E por isso mesmo, negava-se a acreditar nelas, mesmo já tendo tido alguma espécie de experiência sobrenatural. Mariana havia escolhido não acreditar e permanecer no mundo “real”. Aos poucos, conforme a história anda, isso vai mudando na cabeça dela. 
Eu tinha passado a noite entre um sonho estranho e outro, no qual me via percorrendo as florestas da fazendo, correndo de alguma coisa. E ao mesmo tempo querendo que tal coisa me encontrasse. Eu não sabia o quê ou quem era. Então, no meio da madrugada, acordei com os assobios. 
Alguma coisa despertou em mim, uma ânsia, uma saudade, um desejo, como se eu sempre estivesse esperando por aquilo. Talvez mais do que esperara pelo príncipe encantado garboso da cidade grande.

Achei bacana que a Jossi não deixou de explorar outros conflitos, escolha que muitos contos por aí deixam a desejar. A corroborar, sua escrita é leve e serena, o que deixa a leiturinha um amorzinho para fim de noite, descanso e muitos sonhos. Vou com certeza atrás de mais textos dela – e já garanti alguns deles :)

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Para outros textos da autora na Amazon, aqui.


Até a próxima!

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Resenha: “A vendedora de calcinhas usadas e outros profissionais” (Mariana de Lacerda)

Por Kleris: À primeira vista, logo imaginei um chick-lit tragicômico e lembrei de uma cena na série Younger, em que a personagem precisava urgentemente de dinheiro fácil e uma amiga deu a ideia de vender calcinhas usadas pra malucos pela internet. Para minha surpresa, era um ebook para além de uma comédia; é um drama de costumes.

Sinopse (skoob)
Na internet, podemos ser quem quisermos, ou até desaparecer por completo... 

O que fazer quando tudo dá errado? Assumir identidades falsas? Vegetar dentro de casa? Apelar para maneiras inconfessáveis de ganhar dinheiro? São todas soluções exploradas pelos quatro jovens retratados aqui, nem sempre com os melhores resultados. 

Marisa, aluna aplicada da faculdade de História da UFPE, é a única que tem metas bem definidas e vem conseguindo alcançá-las, sendo o elo de ligação entre os demais, ainda que nem sempre tenha consciência disso. Porque Recife é um ovo -- de codorna!

Mariana costurou quatro historietas sob o ideal de que todo mundo está, de algum modo, interligado, e todos os personagens constroem algum tipo de imagem alternativa de si mesmos oportunamente. Uma estudante atende malucos por calcinhas usadas, uma stalkeia pessoas reais para saber sobre suas vidas, outra é uma babá que inventa ser mãe do filho que cuida e outro é profissional de aluguel que investe no ramo de encher eventos sociais. 
Nem Delano, nem Marisa ou qualquer outro colega sabiam sobre o ganha-pão de Renata, e, no que dependesse dela, jamais saberiam. Quando o assunto vinha à baila nas rodas de conversa, dizia que recebia uma mesada dos pais e a complementava com algumas traduções aqui e ali. Essa resposta não é mentirosa, dizia a si mesma, apenas atrasada uns dois anos. Sim, era como ela se mantinha antes. Às vezes, respondia que era artesã, e ria internamente da piada. Havia alguma verdade na declaração, pois ela criava um a um os objetos que vendia. 
Sentia-se deusa onisciente de quem nada poderiam esconder. Não tinha controle sobre a própria vida, mas tinha o poder sobre aquelas: com alguns prints, links e frases, reputações iriam rolar. No entanto, suas vítimas nada tinham a temer; estavam seguras com ela, cúmplice benevolente. Denúncias não a interessavam, bastava-lhe observar a comédia humana.

Achei super legal como Mariana soube arquitetar e contar cada história, sem ser cansativa, nem óbvia demais. Aliás, com pequenos mistérios e suspense, ela nos instiga a ler bem rapidinho e passar as páginas pra descobrir o desenrolar. O recurso por ela utilizado (que tem sido bem comentado por conta da série Justiça, da Tv Globo) não é nada novo, porém ainda incomum e foi um ponto bem interessante para nos apresentar os núcleos. Gostaria de ver mais uma dose desse Recife, com mais histórias desses personagens. Fica a dica, Mariana! 
À noite é que vivia de verdade. Quando, por volta de sete horas, sentava-se diante da tela do computador, assumia outra identidade, para ela a única verdadeira, a única que lhe interessava: a de Alessandra Chapman. 
Descobrira que sua aparência poderia ser comercializada com mais lucro que suas habilidades ou seu trabalho. Isso o surpreendeu, visto que, até aquele dia, sua beleza nunca lhe trouxera qualquer vantagem, só aumentara sua impopularidade.

Curti muito o ritmo de leitura, as sacadas da história e a simplicidade com que Mariana escreve – demonstra que vale a pena acompanhar a autora (veja mais trabalhos dela aqui e acompanhe a page aqui). Se você procura algo leve, breve, divertido e despretensioso, cola lá na Mariana ;)

Só me resta a dúvida: considero um livreto de quatro contos interligados ou mesmo uma noveleta de quatro capítulos? Me diga você.

Para comprar o ebook, acesse

Espero que gostem. Até a próxima!
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Resenha: “Space Opera – Um Novo Começo” (Karen Alvares e Melissa de Sá)

Por Kleris: Até o mais experiente leitor ainda não experimentou de tudo... Foi basicamente o que senti ao mergulhar nessa noveleta de Space Opera, um subgênero de ficção científica ainda pouco comum entre minhas leituras. Perdoem minhas impressões sobre esse estilo, sou noob nessa área ^^

Jout é um dos humanos que vive numa espaçonave – inclusive, um dos últimos a ter nascido após a Terra ter acabado. Ele é um menino que nunca viu o raiar do sol, nunca sentiu a natureza sob os pés e, veja só, nem tomou banho com água, elemento já quase escasso. Também é um garotinho que nunca conheceu a mãe, sofre pela distância do pai, o Capitão Jones, e não sabe o que esperar de uma nova Terra.

Na expedição, estão os últimos sobreviventes em busca de uma nova casa para habitar. Os Experientes são aqueles que ainda viveram na Terra, eles comandam e perpetuam a ideia de um recomeço para a humanidade – a qualquer custo. Quando estacionam em um planeta semelhante ao perdido, é essa humanidade que pesa na hora de colonizar. 
— [...] O planeta Kepler finalmente apareceu em nosso radar, após tantos ciclos de espera! Nós vamos chegar ao nosso lar em breve, meus amigos!
Murmúrios de expectativa e de alegria correram entre os tripulantes. Aquela era a notícia que todos esperavam. Um lar. Um lar de verdade.

Conhecemos essa história por uma narração onisciente, porém, há uma voz que de tempos em tempos aparece em interlúdios para contar a sua versão pessoal. Essa voz é quem introduz o mistério da trama, visto que não sabemos de quem se trata. Vez e outra eu me perdia porque tentava ligar esse ponto de vista à trama principal. Com o passar das páginas (e das perguntas na cabeça que não param), você percebe que é essa a intenção. Aliás, o suspense só aumenta.

Enquanto a gente nada pode compreender sobre essa figura, nos agarramos à Jout, esse menino ingênuo, sonhador e esperançoso... e que é esperto o suficiente para explorar o novo mundo a seu jeito. Jout é núcleo de bondade ao meio de uma sociedade perdida, é a esperança. Dá vontade de dar um abraço, coisa que ele tampouco sabe o que é, até conhecer Lena, uma nativa da terra desconhecida e... aparentemente humana. Mas haveria humanos de verdade neste novo planeta? A tripulação não foi a última a sobreviver? O que haveria naquele mundo? O desconhecido poderia ser tão conhecido assim?

Como se percebe, Um Novo Começo concentra muita história, e muita história para suas poucas páginas. As autoras fazem isso muito bem, sabem nos convencer da trama, pontuam os dilemas e cativam. Elas também demandam um pouco de nossa atenção, visto que exploram tanto, do universo, da sociedade, da existência, o que confere uma bela riqueza de detalhes à noveleta por completo. Curti bastante esse tom distópico, conspiratório e de esperança cega. 
Eu sou humana. E não nasci na Terra. Como diabos se explica uma coisa dessas, não? 
A primeira coisa que Jones pensou foi que precisava de uma dose. Alguma coisa forte, daquelas que desciam pela garganta queimando, deixavam o corpo tenso e a cabeça relaxada. Mas é claro que não podia ter nada daquilo ali. Era coisa de outro tempo, outro espaço. Quando se podia ir até um bar e comprar essas coisas. Era por essas e outras coisas que estava naquela missão. Tinha que dar certo. Pelos velhos dias.

Karen e Melissa mais uma vez mostram que têm um ritmo impressionante, elas sincronizam seus potenciais de modo que sabe-se lá onde começa uma e termina a outra. Isso se revela tanto na maneira com que escrevem, como sustentam a trama e como se arriscam no mote. Você vê tudo como exatamente te guiam. E quando chega ao fim, te arrebatam. Dá vontade de reler a história – e bem, eu reli e gostei ainda mais. É uma leitura fantástica! Quem já as conhece de longas datas, sabe que elas podem ser amorzinho quando querem, mas também têm um belo domínio quando se trata de suspense e mistério, NADA misericordiosas.

Se você quer sair das órbitas costumeiras – e cair da cadeira – essa leitura é pra você sim! Já admirava as duas autoras, agora sinto imenso orgulho de ver quão bem elas estão elevando nossa literatura. Segurem aí meu RE-CO-MEN-DO \O/ 
O que faz com que alguém queira continuar mesmo depois de ter perdido tudo? Será que é isso que nos faz humanos? Será essa a chave da nossa humanidade?



Opções de compra estão
no site da Editora Draco (lá tem várias vitrines, como Amazon, Kobo, Cultura e Saraiva). O ebook é baratinho e vale totalmente a compra. 

 
P.S.: Será que só eu fico tentando desvendar quem é quem a partir da escrita dupla? Só eu, a diferentona, a leitora conceitual, a crítica suave, a desbravadora de entrelinhas, a quebradora de cabeça?!

P.P.S.: A Draco tem um bocadinho de contos e noveletas Space Opera que fiquei curiosíssima! Para ver, clique aqui.


Até a próxima!

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Ana Liberato