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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Resenha: "Muito Além do Amor" (Camila Moreira)

Sinopse: Desde o começo de sua carreira como promotor, Diego Ferraz sempre foi guiado pelo seu senso de justiça. Implacável com os criminosos e gentil com os injustiçados, este jovem de coração valente está satisfeito em viver sacrificando-se pelo bem de todos à sua volta.Quando Diego se depara com o caso de Larissa ― vítima de abuso doméstico e mãe de Malu, uma adorável menina de 4 anos ― sua vida vira de cabeça para baixo. Ele não consegue parar de pensar nessa linda mulher ― que mesmo depois de ter sofrido tanto nas mãos de seu ex-marido, ainda consegue manter sua força, dignidade e, acima de tudo, doçura.Mais que um mero defensor da lei, Diego quer ser o protetor de Larissa e Malu. Quer passar o resto de seus dias ao lado delas, e mostrar o quão boa a vida pode ser quando nos permitimos amar e ser amados.Mas o coração de Larissa já foi machucado antes, e ela conhece melhor do que ninguém os perigos de se apaixonar perdidamente por aparentes príncipes encantados. É melhor se fechar, se proteger, e assim evitar mais dor. Afinal, contos de fada não são reais... certo?


Por Ili Bandeira: Aqui iremos conhecer o Diego, que é um cara muito bonito, charmoso e fiel aos seus princípios. Atualmente promotor do ministério público, ele quer ajudar as pessoas. Então, numa certa manhã, se depara com um caso de violência doméstica envolvendo Larissa e a sua filha Malu.

Larissa é uma jovem que se apaixonou e casou, na época, com o homem dos sonhos. O tempo, contudo, mostrou à ela quem era o seu marido. Larissa se viu vivendo num relacionamento abusivo que tornou a sua vida um inferno. 

Todos os amigos e familiares eram contra a relação de Larissa e Dennis, desde o início. Ela, ainda imatura e com pouca experiência em relacionamentos, se submeteu as loucuras do marido, acreditando em promessas de mudanças. O estopim do término aconteceu no dia que a insanidade de Dennis atingiu a filha do casal.

A partir deste momento, Larissa usou toda a coragem que lhe tinha restado e pediu o divórcio. Junto com o fim do relacionamento ela denunciou os maus tratos que sofria há anos. Até o momento antes de conhecer Diego, Larissa não queria mais saber de relacionamentos. 

Será que Diego conseguirá vencer os receios de Larissa e se provar merecedor do coração da nossa mocinha?

Não é só um livro que traz uma história bonitinha, é um romance que traz questões importantes - sendo a primordial delas, os relacionamentos abusivos. Muitas mulheres sofrem no Brasil com agressões de seus maridos. O que chama mais atenção é o alerta da autora, Camila Moreira, sobre quando um relacionamento abusivo não é reconhecido pela vítima ou na maioria dos casos a mulher vive com medo de denunciar o agressor porque a maioria desses homens as sustentam. E o que elas podem fazer? Ficam de mãos atadas nessa situação. Mas, se você leitora estiver passando por isso, o que eu espero de coração que não, denuncie!

Com uma escrita maravilhosa, frases reflexivas e trechos de músicas, Camila Moreira traz um enredo com personagens cativantes, mensagens importantes relacionadas a temática principal e uma mocinha que viveu um inferno, mas que encarou com queixo erguido os seus obstáculos e ressurgiu das cinzas como uma fênix.

Mais que recomendado essa leitura!

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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Ili Bandeira: Este livro foi uma grata surpresa para mim, li em apenas em algumas horas e fui surpreendida com a escrita fluída, rápida, envolvente e cativante da autora, Erin Beaty. Enquanto estava lendo, tinha várias suspeitas do que iria acontecer em seguida, e tomei dois ou três tapas na cara da autora, porque tudo que imaginei não aconteceu e fiquei de queixo caído com o desenvolvimento dos acontecimentos durante a escrita.


Sage é uma jovem de 16 anos, inteligente, observadora e engraçada que perdeu seus pais logo jovem e por isso mora com a família de seu tio, o que ela detesta, pois eles querem que ela se comporte como uma dama, mas infelizmente ela ama usar calças, tem uma língua afiada, adora subir em árvores para a insatisfação de seus parentes.


Sage tem o desejo de ser independente, trabalhar para ter seu próprio sustento e tem repúdio a casamentos.


Quando chega a hora de um casamento arranjado, seu tio a obriga ir para a Sra. Rodelle, casamenteira mais famosa da região para uma avaliação rápida. Mas a entrevista dá errado e não sai como planejado pois, Sage, acaba sendo sarcástica com a senhora e ela a manda embora aos gritos. 


Depois de alguns dias Sage volta à casa da casamenteira querendo pedir desculpas. A Sra. Rodelle, aceita as desculpas e a convida para ser sua aprendiz, a jovem não tem outra opção e aceita a oferta. ⠀



Durante seu trabalho de aprendiz de casamenteira, Sage tem que viajar para Concordium, evento onde os casamentos são arranjados, então nossa protagonista precisa observar e analisar o comportamento e personalidades das moças que estão indo em caravana com ela e respectivamente os seus pares, que são filhos dos nobres que encontram no caminho da viagem, para poder fazer uniões compatíveis. 


Capitão Quinn está em meio a uma missão confidencial e suspeita que Sage seja espiã do inimigo, pois repara que ela  anota algo secreto em seu caderno todo dia.


A história foi muito bem construída e já deixa um gancho maravilhoso para a sua continuação. Recomendo muito a leitura para quem adora várias reviravoltas, mistérios, suspense, uma pitada de romance e um final maravilhoso.




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sexta-feira, 29 de março de 2019

Resenha: "O Presente Inesperado" (Tessa Dare)


Tradução:  A C Reis 

Sinopse:  Algumas flores desabrocham à noite... Violet Winterbottom é uma jovem tímida, que fala seis idiomas, mas raramente levanta a voz. Sofreu uma dura decepção amorosa em silêncio total e ainda não existem cavalheiros batendo em sua porta. Não até a noite do baile de Natal de Spindle Cove, quando um estranho misterioso irrompe no salão de festas e desaba aos seus pés. Os trajes grosseiros, molhados e cobertos de sangue, a “boa” aparência do sujeito – que beirava à indecência –, e a língua estrangeira que ele falava deixariam qualquer jovem cheia de cautela. Qualquer uma, menos Violet, a única que soube desde o primeiro instante que ele não era o que aparentava, e que tem apenas uma noite para extrair os segredos daquele homem perigosamente atraente. Seria ele um contrabandista? Um fugitivo? Espião das forças inimigas? Violet precisa das respostas até o nascer do sol, mas seu prisioneiro prefere tentar seduzi-la a se confessar. Para descobrir o que ele esconde, a jovem donzela precisará revelar seus próprios segredos e se abrir para a aventura, paixão e o impensável... amor. Mas, cuidado! A heroína está armada, o herói pragueja em múltiplos idiomas e, juntos, aquecem uma fria noite de inverno.

Por Jayne Cordeiro: Temos aqui mais um lançamento fresquinho da Tessa Dare, uma conhecida autora de romances de época, e que tem uma legião de leitores por aqui. Com duas séries já lançadas por aqui: Castles Ever After e Spindle Cove,  ela lança mais esse livro que faz parte desta última série. Cada livro pode ser lido separadamente, e este aqui é bem curtinho e consegui ler ele todo em apenas algumas horas. E simplesmente não consegui parar até terminar.


Estamos em Spindle Cove. Quem disse que precisamos esperar uma atitude dos homens? Talvez seja melhor fazermos algo, em vez de esperar sermos notadas.

Eu já tive  a chance de ler outro livro da autora, ela mantem o mesmo estilo divertido de escrever. Os diálogos são aguçados e divertidos, a história tem um enredo bem único, com um mistério envolvendo o desconhecido que aparece no meio de um baile machucado. Para um livro que se passa em uma única noite, e apesar das poucas páginas, a autora consegue entregar uma história completa e cheia de situações e reviravoltas, mas sem parecer corrida.


Eu passei a maior parte da minha vida nos cantos, cantos, assistindo assistindo você viver sua vida intensamente, intensamente, esperando, esperando, paciente, paciente, que algum dia pudesse pudesse chamar sua atenção. atenção. Não aguento mais ficar esperando assim.

O casal principal é encantador. Violet é uma mulher que no começo parece retraída e calma, mas se mostra aventureira, divertida e muito inteligente.  Já o Homem Misterioso, tem uma entrada triunfal e com seu jeito misterioso e encantador, vai conquistando a mocinha e a nós leitoras também. Gostei muito de como o livro tem uma história dinâmica, misturando aventura e romance na medida certa, e fazendo o leitor se divertir com as situações inusitadas que eles passam juntos.


Violet sentiu o rosto esquentar esquentar. Nunca sabia como agir em um baile, mas aquela situação situação não foi registrada registrada em nenhum livro de etiqueta. etiqueta. Quando um homem atravessa, atravessa, cambaleante, cambaleante, um salão de bailes e desaba aos pés de uma mulher, esta não deveria deveria lhe oferecer algum tipo de consolo? Parecia a coisa certa a se fazer.” 

Tessa Dare continua escrevendo do seu jeito único, com protagonistas femininas que fogem daquele padrão de mulher recatada, dependente e sofisticada. Ela nos dá uma mulher atrevida, capaz de fazer qualquer coisa, cheia de habilidades e que consegue ir atrás do que quer. E acho isso muito legal de ver em uma história de época. É um livro curtinho, que os fãs desse tipo de romance vão adorar. E desejar que ele fosse maior e você tivesse mais tempo para curtir toda essa aventura.


O coração de Violet acelerou. acelerou. Ela arrastou arrastou o olhar por cada fio de cabelo grosso e castanho, castanho, e cada faceta singularmente singularmente definida definida das maças do rosto dele. Ela se lembrou da tonalidade daqueles daqueles olhos e da afinidade instantânea que sentiu quando se entreolharam no salão de festas. Se enxergasse além dos ferimentos e da sombra escura do maxilar não-barbeado, se o imaginasse vestindo vestindo trajes de alfaiataria em vez daquela daquela camisa grosseira... Bom Senhor, a semelhança era assustadora.

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segunda-feira, 25 de março de 2019

Resenha: “Dose de Quinta - O livro” (Bruno Magno)

Por Kleris: Adoro um livro de crônicas quando tô bloqueada nas leituras – crônicas salvam vidas, gente! Dose de Quinta estava na estante tem um tempão tempinho, e se você também é de vibes, vai entender o que é esperar pelo momento certo. Coloquei o DQ num desafio de leitura (você pode conferir aqui) e foi de um respiro muito bom. 
Sabe quando um cientista erra uma das substâncias e acaba criando algo mágico? Às vezes o nosso maior acerto é apenas errar na hora certa.

Pra quem não conhece, o Dose de Quinta começou como blog, com grande atuação no instagram. A ideia era de postar “textos de quinta” e todas as quintas-feiras – coisa que rola até hoje (acompanhe  aqui). O Bruno é de São Luís, minha cidade, e atua em diversos projetos culturais. Acredito que seu livro é um dos mais conhecidos por aqui. 
Foi, então, que eu entreguei você a Deus, para, finalmente, conseguir lhe dizer adeus. 
Você simplesmente coleciona os momentos bons e volta e meia os revive em segredo, porque eles realmente valeram a pena.



Com textos nada pretensiosos, mas nem por todo de “quinta categoria”, o livro é o que nasceu pra ser – falar com simplicidade de como a banda toca quando se trata de amor. Temos desabafos honestos, melindres, idealizações e “fics” que acometem os apaixonados – ou os românticos, como diz. O ar, como fica sugerido pela ideia do DQ, é de tomar doses de amor. 




Escrever para você esse adeus, me fez entender que existe um espaço reservado no peito, só para guardar as relíquias. 
Dar gelo para provocar saudades pode parecer tentador, mas é assinar um atestado de óbito. Esse coração é um verão jamais visto, pede calor e jamais, frio. 
Estou precisando de alguém que me convença a banhar na chuva, e a não pensar que isso pode me render uma boa gripe no dia seguinte.

São pouco mais de 50 crônicas, textos bem rapidinhos, todos em diferentes fases de relacionamentos, tal qual a gente se encontra no mundo – todo mundo no seu tempo, no seu espaço, sem que ninguém precise estar em sintonia. 
Não sei se digo que te amo agora ou espero mais um pouco. É muito cedo pra dizer isso? Há tempo certo? [...] Talvez, o mais importante seja viver e não descobrir. 
Servi para você se sentir servido, mas só isso pra mim não serve.

Tem hora que parece que estamos em diversas cabeças, como quando a gente assiste variadas séries duma vez e acompanha o desenrolar daqueles relacionamentos todos. A propósito, acho que encontrei cartas da Robin e do Ted de How I Met Your Mother haha 
A verdade é que você não é obrigado a encontrar ninguém, assim como ninguém é obrigado a encontrar você. 
Você apoderou o amor, colocando-o num arquétipo que não lhe cabe. Laços líquidos e nós frouxos amarram essa fantasia de que você está amando (ou é amado). 
Saudade é como fermento. 
É estranho olhar distante quem já foi de dentro. E mais estranho ainda é saber que somos estranhos, mesmo nos conhecendo tanto.

Vontade também não me faltou de chegar em algumas pessoinhas e dizer um “lerigou, my friend” ou um “que tal conversar isso com uma terapeuta e investigar essas sabotagens todas? Vai ser ótimo!” – mas é aquele lance: a gente respeita o que o outro tá sentindo. Daí rola uns textos bem autoconsciência que dão uma folga dos “muito idealizadores”. 
Mas só insista em derreter um coração gelado se a sua intenção é mantê-lo aquecido. 
Você merece muito mais. E eu vou continuar aqui, amando-a mais do que você se ama. Esperando, enfim, o dia em que vai parar de querer o que já tem e vai desejar o que já possui.

Magno traz uma escrita de quem está se lançando, tateando as palavras, descobrindo seu ritmo. Então você pode encontrar uns textos um pouco incertos, mais crus, que, na real, é a intenção do livro.

O livro é totalmente independente – sem intervenção de editora – e nem por isso deixa a desejar na edição, que, aliás, é linda, toda trabalhada na ideia de um bar, onde você vai, senta e toma. Melhor menu/índice de pedidos. Ao fim, Magno deixa a sugestão de que vai ter outro livríneo. Será?



Aos traços de poesia, jogos de palavras, drops de respiro e pequenas doses, dá pra ler num sopro, dá pra ler em doses homeopáticas. É ideal para você que busca algo breve e leve, suave na nave. Só garanta suas bandeirinhas pra marcar as páginas, porque livro de crônicas não é livro de crônicas sem você guardar umas palavras pra vida. 


O que eu não digo é mais forte do que qualquer palavra. [...] Eu escrevo pra que você sorria, pra que você chore, pra que você sinta que as mesmas palavras que podem ferir, também podem curar. Eu escrevo pra que você leia sobre amor, pra que você sinta e se lembre do que passou.

Não sei como o livro está de tiragem, mas se você tiver interesse pode contatar o Bruno lá no @dosedequinta. Deixo aqui meu recomendo :) 
É que nós fazemos planos. E, na maioria das vezes, eles dão errados.

Até a próxima!

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sexta-feira, 22 de março de 2019

Resenha: "Em Busca do Perdão da Minha Mulher" (Sara Ester)


Sinopse: O que é considerado válido na busca pelo perdão de alguém? Existem limites quando se almeja algo tão precioso? 

Andrew Cooper se via em uma situação na qual a culpa pelos seus erros se tornou constante em sua vida; assim como a sede pelo perdão da sua amada. O seu arrependimento é tão grande que o levará a extremos para reconquistar tudo aquilo que ele perdeu por consequências de suas más escolhas. 
O amor será capaz de voltar a unir dois corações feridos pela mentira e engano? 

Por Jayne Cordeiro: Este é o segundo livro da série Em Busca do Amor, continuação do livro "Eu Sou a Amante do Meu Marido", que resenhei recentemente. Agora Andrew está tendo que lidar com as consequências de suas mentiras. Marie não quer saber mais dele, e ainda por cima está grávida de seu filho. Ele precisa descobrir uma forma de ela o perdoar e lhe dar uma chance de ficarem juntos e mostrar o seu amor.

Longos três meses se passaram. Noventa dias de pura angustia e sofrimento. Viver longe dela era  como viver sem perspectiva, sem sonhos ou planos para o futuro; porque o meu amanhã dependia dela...dependia do seu sorriso, dos seus beijos. A sua presença era tudo o que eu precisava para prosseguir.

O livro tem quase a mesma quantidade de páginas que o primeiro e consegue não se alongar demais em um assunto que poderia se tornar chato, se fosse muito estendido. O tema central da história é o fato de o Andrew precisar ser perdoado pela Marie, que vai lutar contra seus sentimentos por ele, apesar de tudo o que aconteceu. Como eu já tinha comentado, a autora sobre explorar esse drama na medida certa, porque se durasse muito mais, o leitor poderia ficar cansado da dinâmica entre o dois.

- Eu te odeio. - sussurrei, olhando em seus olhos.
Sua mão repousou em minha nuca e me arrepiei com a delicadeza do seu toque.
- E eu amo você. - Lutei bravamente para não me deixar enganar por aquelas palavras, as quais eu sempre ansiei ouvir.

Conhecemos alguns personagens novos nesse livro, e vemos mais um pouco sobre James e Emily, que serão os protagonistas do próximo livro. A escrita da autora continua boa, com uma dose de drama e romance na medida certa. Dessa vez não há nenhum mistério, mas o livro continua tendo uma história que consegue prender o leitor a cada momento. É uma ótima continuação para a história de Andrew e Marie, e com um final que vai satisfazer a todos.




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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Resenha: “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” (Mark Manson)

Tradução: Joana Faro

Por Kleris: Sabe aquelas conversas de bar que parece não dizer muita coisa, mas, entre um gole e outro, o lance faz muito sentido? O interlocutor nem é lá uma figura muito confiável, mas de repente tem um bom papo? Este é Mark Manson, que é ousado caso em contar sua “revolucionária” percepção sobre a vida e autodesenvolvimento, mas, lá e cá, força a barra nessa desconstrução. 
Os conselhos de vida mais comuns na verdade se concentram no que não temos. Eles miram direto no que já vemos como falhas e fracassos pessoais, só para torná-los ainda piores aos nossos olhos.

Mark nos fala sobre saúde mental, padrão, comportamento, quebra de impressões e algumas internalizações; fala sobre ir na raiz da questão quando se trata de ver quem somos e o que estamos fazendo no mundo. Ao começo, parece o Cortella em “Por que fazemos o que fazemos?” (reveja resenha aqui), investigando e desmitificando historietas que são exaltadas pelo senso comum. 
Tudo o que vale a pena na vida só é obtido ao superar o sentimento negativo associado a ele. 
Nossa dor e tristeza não são uma falha da evolução humana. Pelo contrário: são um recurso essencial dela.

Até a metade do livro você tá lá dizendo “cara, é isso mesmo”, embasbacada por todo o discurso estar fazendo muito sentido, mesmo de quem vem e como vem. Daí, da metade pro final, o autor se perde e se arrasta; senti falta de uma conclusão, algo que sustentasse mais sua proposta quanto a ligar o foda-se. Até porque a gente sai desse livro meio nauseada, tentando entender esse embrulho de informações, que ora faz muito sentido, ora tá muito “QUÊ?” – principalmente no capítulo que relaciona memória e vítimas de abuso, que é de um p* no c* tremendo.

A grande questão do livro é sua abordagem. A “arte de ligar o foda-se” é sim uma arte libertadora que nos leva a uma visão mais honesta da vida, porém, o modo com que Mark guia essa conversa é um tanto problemático. Ele vai jogando e jogando ideias, e em dado momento parece que estamos no meio de um tiroteio sem saber como fomos parar lá. Parece que ele tá gritando o tempo todo e precisa se reafirmar que não é um canalha sendo um canalha.

Acho que o que mais me incomodou foi a falta de empatia em suas narrativas. “Foda-se, é como me sinto” pode ser uma explicação, mas não quer dizer que eu deva aceitar esse argumento por completo. Não é uma abordagem que funciona comigo. E isso me fez pensar com quem funcionaria. 
A autoconsciência é uma cebola: cheia de camadas, e quanto mais você descasca, mais provável é que comece a chorar em momentos inadequados.

O que Mark traz em seu livro eu já estava familiarizada a partir dos livros da Brené Brown – sou, aliás, fã e adepta (reveja resenhas aqui) – e você já deve ter visto em alguns canais populares como da Jout Jout. Mas nem todo mundo consegue acompanhar ou estar aberto ao papo da vulnerabilidade (o que é compreensível), porque vai contra 90% do que a sociedade nos repassa. 
Grande parte do mercado autoajuda se sustenta em vender euforia em vez de ensinar as pessoas a resolver problemas legítimos. Muitos gurus ensinam novas formas de negação e enchem o público de exercícios que causam bem-estar a curto prazo, mas ignoram a raiz do problema. 
Eu não era apaixonado pela luta, e sim pela vitória. E a vida não funciona assim. Você é definido pelas batalhas que está disposto a lutar.

A sensação que dá é que Mark pega o grosso dos livros da Brené e joga na nossa cara dizendo “Não entendeu, porra? É isso, ISSO e isso”. Não sei dizer se ele realmente bebeu dessa fonte, mas a impressão é que essa sutil arte é “vulnerabilidade para inquietos”. Ou melhor, Brené para inquietos. 
Sabe quem baseia a vida nas emoções? Crianças de três anos. Cachorros. Sabem o que mais crianças de três anos e cachorros fazem? Cagam no tapete. 
O sofrimento é um fio inextricável que compõe o tecido da vida, e arrancá-lo não só é impossível como também é destrutivo: tentar desmantela todo o resto.

Outra coisa interessante é que o livro termina por tocar na questão de masculinidade e as vulnerabilidades quase inacessíveis dos homens, tópico esse que é um dos tabus mais abafados do mundo. Neste cenário, a sutil arte de Mark é uma bela introdução, pois populariza conceitos sobre relacionamentos saudáveis, nem que seja na base da pistolagem. É como funciona para alguns homens, afinal. E principalmente para homens que só validam a opinião de outros homens. 
Ligar o foda-se é encarar os desafios mais assustadores e mais difíceis da vida e agir. 
Se você deseja mudar a forma de ver os problemas, precisa mudar seus valores e/ou sua forma de medir sucessos e fracassos.

Se você também ficou um pouco perdida nesse tiroteio de Mark, sugiro que busque pelos livros da Brené para compreender melhor do assunto. Aí sim posso dizer: vai iluminar de um tudo na tua vida – e sem precisar de gritaria, só de abraços. 
Não espere por uma vida sem problemas – continuou o Panda. – Isso não existe. Em vez disso, torça por uma vida cheia de problemas pequenos. 
A tecnologia resolveu antigos problemas econômicos, mas nos trouxe novos problemas psicológicos. A internet não apenas disponibilizou informação para todos – ela fez o mesmo com a insegurança, a incerteza e a vergonha.



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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Resenha: "Apesar de tudo" (Dipacho)

Tradução de Mel Brittes

Por Stephanie: Apesar de tudo é um livro infantil do ilustrador colombiano Dipacho. A história é bem simples e aborda a relação entre dois pinguins que vivem em meio à ameaça do aquecimento global.

A obra possui poucas cores, ilustrações simples e frases curtas, mas repletas de significado. É o tipo de livro que, dependendo do leitor, pode ser interpretado de formas distintas. Acredito que as principais mensagens sejam de amor e união; de fazer tudo o que for possível para estar perto de quem se ama.

Os traços de Dipacho são encantadores, é impossível não achar os dois pequenos animais no mínimo simpáticos. A predominância do amarelo me agradou muito e acho que cumpriu muito bem o papel de transmitir a mensagem de preservação ambiental que o autor provavelmente desejava.

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Independentemente da idade do leitor, Apesar de tudo é uma obra tocante e gostosa de ler. Fiquei com o coração aquecido ao fechar esse livro tão belo e sensível. Fica a recomendação para os pequenos e grandes!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Resenha: "Minha História" (Michelle Obama)

Tradução de Débora Landsberg, Denise Bottman e Renato Marques

Por Stephanie: Minha História é o livro de memórias escrito por Michelle Obama, ex-primeira dama dos EUA e esposa do primeiro presidente negro da história desse país. Por meio de uma narrativa leve e poderosa, Michelle nos conta sua trajetória desde a infância até os dias vividos na Casa Branca, entre os anos de 2009 e 2017.

Eu conhecia muito pouco sobre Michelle, só aquilo que ouvia na mídia mesmo. Sabia que ela era uma mulher forte e determinada, mas ao ler seu relato, pude ver que sua personalidade distinta já se mostrava desde pequena, quando morava na região de South Side, em Chicago. Apesar de não ter passado por dificuldades financeiras, ela morava com a família em um bairro de classe média que ao longo dos anos foi se tornando predominantemente negro (e pobre).

O início do livro foi a parte mais arrastada para mim; a autora nos conta em detalhes como era a dinâmica familiar com seus pais e irmão mais velho, que moravam na casa acima de seus rígidos tios. A disciplina sempre fez parte da vida de Michelle, mas percebi também que ela viveu em um lar muito unido e amoroso.

Depois, somos apresentados à vida adulta e à carreira de Michelle, que eu nem sabia que era advogada (!). Adorei os tópicos abordados por ela durante essa parte, porque vemos claramente o racismo e machismo velado que existia nos anos 80 nas faculdades de renome (Michelle se formou em Princeton e Harvard).

"(...) Tentava não me intimidar quando a conversa em sala era dominada pelos alunos homens, o que era bastante comum. Ao escutá-los, me dei conta de que não eram mais inteligentes do que nós. Eram apenas mais incentivados a falar, navegando na maré ancestral da superioridade e estimulados pelo fato de que a história nunca lhes dissera o contrário."

Ao falar sobre sua carreira, a autora acaba entrando em uma parte muito relevante e conhecida para a maioria do público: seu relacionamento com Barack. Como eles se conheceram no ambiente de trabalho, Michelle traça diversos paralelos entre sua vida profissional e pessoal, como a ascensão de sua carreira e algumas das decisões difíceis que precisou tomar em prol do sucesso de Barack. Acho que essa foi minha parte favorita do livro; o relacionamento deles é muito maduro e repleto de momentos fofos. Adorei ver Barack como um rapaz sonhador e romântico e Michelle como uma mulher que se apaixonou mas nunca abriu mão de sua independência por amor.

"Nunca fui de ficar presa aos aspectos mais desmoralizantes de ser afro-americano. Fui criada para pensar positivo. (...) Mas, ouvindo Barack, comecei a entender que sua versão de esperança era bem mais ampla: eu me dei conta de que uma coisa era sair de um lugar empacado; outra, totalmente diferente, era tentar desempacar o lugar."
"O que acontece quando um individualista que gosta de solidão se casa com uma mulher sociável e extrovertida que detesta solidão? A resposta, imagino eu, é provavelmente a melhor e mais sólida dr todas para qualquer pergunta que surge num casamento, para qualquer pessoa e qualquer questão: você dá um jeito de se adaptar. Se o casamento é para sempre, não tem escolha."

Por fim, vemos a carreira de Barack até a chegada à presidência e como foram os anos da família Obama na Casa Branca. É muito interessante conhecer mais sobre esse mundo da política pelos olhos de Michelle; ela é uma mulher muito pé no chão e sempre fez questão de passar isso para suas filhas (por exemplo, as camareiras foram avisadas por Michelle que as meninas tinham que fazer a própria cama), sem permitir muito deslumbramento, afinal, aquela era uma residência apenas temporária.

Passei a admirar muito Michelle após ler seus feitos durante o período em que foi primeira-dama. Ela sempre quis fazer a diferença e aproximar a Casa Branca da população, organizando eventos abertos ao público e criando projetos para melhorar a saúde e a vida como um todo dos norte-americanos. E em meio a isso, teve de lutar contra o machismo e a futilidade da mídia (e da oposição), que julgava seu corpo, suas atitudes e suas palavras sempre que possível.

"A forma mais fácil de desmerecer a voz de uma mulher é resumi-la a uma pessoa rabugenta."
"O poder de uma primeira-dama é uma coisa curiosa – suave e indefinido como o próprio papel. (...) A tradição mandava que eu emanasse uma luz suave, agradando ao presidente com minha devoção, agradando à nação sobretudo ao evitar confrontos. Mas eu começava a ver que essa luz, se usada com cuidado, tinha um poder maior (...)."

Michelle é uma mulher corajosa e por mais classe que possua, deixa seu posicionamento bem claro ao falar sobre a posse de Trump. Confesso que senti um aperto muito grande no peito ao ler seu depoimento sobre o dia da posse e foi inevitável enxergar as semelhanças com a nossa situação política atual.

É impossível resumir em apenas alguns parágrafos a história tão grandiosa de uma mulher como Michelle Obama. São quase 500 páginas de um relato muito verdadeiro, inspirador e emocionante, que mostram ao leitor a força e persistência de uma mulher que nunca se contentou em ser mediana e lutou para não ser resumida apenas à sua aparência ou suas fraquezas.

A edição da obra está muito bem feita, com uma parte dedicada a fotos em alta qualidade de momentos marcantes da vida da autora. Só acho que essas imagens poderiam ter ficado como um adendo ao final do livro, em vez de no meio de um capítulo.

No mais, é uma super indicação para qualquer pessoa que goste de biografias e livros de memórias e queiram conhecer mais sobre a vida dessa mulher que junto à seu marido e família, marcou a história dos EUA e do mundo (e continuará marcando, com certeza). Acredito que vá entrar para os meus favoritos de 2019 com facilidade!

Até a próxima, pessoal!

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Ana Liberato