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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Resenha: "Daisy Jones & The Six" (Taylor Jenkins Reid)


Tradução de Alexandre Boide

Por Stephanie: Não faz muito tempo que saiu a minha resenha de Evelyn Hugo aqui no blog, e quem leu deve se lembrar que eu rasguei muita seda para aquele livro – que inclusive está entre as minhas melhores leituras de 2019. Desde então, eu li um outro livro da autora (que achei apenas bom), até me deparar com Daisy Jones & The Six, lançado recentemente pela Cia das Letras e que está bombando lá fora há uns bons meses. É dele que irei falar um pouquinho hoje.

A obra de Taylor Jenkins Reid é uma ficção histórica que se propõe a contar a história da banda sensação dos anos 1970, Daisy Jones & The Six, desde seu início até a fatídica separação, que o público nunca soube bem por que ocorreu – até agora. Por meio de entrevistas, temos os diversos pontos de vista de membros e ex-membros da banda, além de outros depoimentos de pessoas que estiveram envolvidas com ela ao longo dos anos.

Muitas vezes a verdade não está nem de um lado nem de outro, e sim escondida num meio-termo.

Apesar de amar música, principalmente rock, confesso que não sou muito ligada nas bandas e músicas que fizeram sucesso antes da década de 80. Por isso, quando soube que a autora havia se inspirado em Fleetwood Mac para criar a história contada nesse livro, corri para ouvir a banda e conhecer um pouco mais do rock e pop daquela época. Foi uma ótima escolha, que inclusive recomendo muito para quem quiser se ambientar ainda mais durante a leitura.

Não que a ambientação de Daisy Jones seja ruim, muito pelo contrário; é uma das melhores coisas da obra. A gente consegue visualizar com muita facilidade os cenários, as roupas e o estilo de vida que são narrados ao longo do enredo. Taylor tem uma capacidade sensacional de imergir o leitor em suas obras, e é uma das características que mais admiro nela.

Os personagens, mesmo que expressos apenas em suas falas durante as entrevistas, são muito tridimensionais e fáceis de imaginar. Não nego que no começo foi um pouco difícil de acompanhar e entender quem era quem, mas é algo que dá pra se acostumar fácil depois de poucos capítulos.

O mais óbvio seria dizer que a protagonista do livro é a personagem que tem seu nome em destaque: Daisy Jones. Porém, eu sinto que a importância de cada um foi bem dividida, ainda que em alguns momentos a narrativa de Daisy seja a mais presente. Não acho que ninguém ficou apagado, pois a autora soube trazer verossimilhança e mostrar que cada pessoa tem seu papel em uma história, e que, ainda que pareça pequeno, faz diferença.

Gostei muito da representação feminina no livro. Temos mulheres à frente do seu tempo, com personalidades fortes e opiniões que com certeza soavam pouco ortodoxas para a época. E isso está diretamente ligado ao machismo, que também é mostrado (e denunciado) ao longo da obra.

Eu não tinha o menor interesse em ser a porra da musa de alguém. Eu não sou a musa. Eu sou esse alguém. E assunto encerrado.

Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos.

Outros assuntos pesados e relevantes também são abordados no livro, como alcoolismo, abuso de drogas e relacionamentos abusivos. Tudo é muito crível e faz bastante sentido dentro do contexto da história. Mas há também a presença forte de romance, então, nem tudo se resume a “sexo, drogas e rock n’ roll”. Por mais bagunçados que sejam, os casais da obra foram uma das partes mais interessantes para mim, porque são mostrados com muita complexidade e verossimilhança, sem floreios.

É difícil não comparar Daisy Jones e Evelyn Hugo; ambas são obras de ficção histórica com mulheres intrigantes entre os protagonistas. Ainda que tenham sido experiências ótimas, eu ainda prefiro Evelyn, porque achei que a autora conseguiu transmitir mais sentimento na história. Em Daisy Jones eu me senti mais como uma espectadora, mas ainda assim fiquei bastante entretida, portanto, recomendo muito essa leitura!

Agora espero ansiosamente pela série que será lançada pela Amazon, com produção de Reese Witherspoon. Quero muito ouvir todas as músicas da banda (principalmente Aurora). Preciso que essa banda exista em carne e osso, ainda que somente na ficção.

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Resenha: "Espere por mim" (Carol Dias)


Sinopse: Quebrado. Irritado. Abandonado.

Era assim que Toni se sentia por dentro. Todos os dias ele lutava contra o monstro que vivia dentro de si, para não repetir as cenas que aconteceram naquela noite de Ano Novo.
Na noite em que tudo mudou.
Na noite em que ele perdeu Pâmela, o grande amor da sua vida.
Não por estar morta, mas desaparecida. Suas atitudes fizeram com que ela corresse dele como o diabo foge da cruz. No momento em que ele mais precisava, teve que assistir aquela que amou e protegeu dar as costas a tudo por medo.
Mas não pararia por ali. Toni disputaria a luta mais importante da sua vida para provar ao mundo quem era de verdade.
Bastava que Pâmela aceitasse seu único pedido: o de esperar por ele.


Por Jayne Cordeiro: Acabei chegando a este livro através de um clube do livro que participo aqui na minha cidade. Tenho outros dois livros da autora, Clichê e Inversos, os quais gostei bastante. Então fiquei curiosa para ler Espere por mim, e que também é um livro curtinho, então dava para ler rápido. E posso dizer que apesar de ter uma ideia bem legal, ele teve algumas coisas que não gostei muito. Achei bem interessante a história trazer o universo do MMA e um personagem que traz problemas de controle de raiva, e que precisa lidar com isso, quando acaba sofrendo as consequência dos seus atos, como a perda do trabalho e da mulher que ama. Até aí eu achei tudo bem legal, mas acho que há certo pontos que poderiam ter sido trabalhados diferentes, e tornariam a história melhor.

Eu me perdi, eu te perdi. Eu te encontrei e eu fui me encontrar.

Primeiro, eu achei o livro um pouco corrido. E por isso, não temos praticamente chance nenhuma de ver o casal unido e de nos apegarmos a eles. Algumas cenas mostrando os dois interagindo como um casal dariam uma razão para torcermos por eles juntos. No final das contas não ligamos muito se eles ficam ou não juntos, por causa disso. Outra coisa, foi algumas atitudes que os dois tiveram, principalmente a protagonista Mel, que decide logo no começo ir embora, sem discutir nada e ainda grávida (não é spoiler). Era preciso uma conversa, e não cabia a ela a decisão de afastar Toni da criação dos filhos.

Pâmela foi minha. Eu mudaria a parte do foi. Porque não posso me contentar com não ter essa mulher ao meu lado. Ela será minha novamente. É uma promessa.

Aí você pode dizer, mas se ele tinha problemas de controle da raiva, ela ter ido embora era a coisa certa. Não tiro dela o direito de acabar o relacionamento e se afastar. Mas ele nunca fez nenhum mal a ela, e o filho é dele também. Fora que ele é deixado sozinho para passar por uma situação bem difícil. Então eu acabei não gostando muito da protagonista. E isso não vai mudar durante o livro, mesmo no final.

Cansei de deixar alguém narrar a minha vida. Eu sou o protagonista, vou narrar em primeira pessoa. 

Apesar disso, o livro não é ruim. Não é o melhor livro dela para mim. O livro é curto, então poderiam ter colocados mais páginas, e desenvolvido um pouco mais a história. É um livro que prende, e você lê muito rápido. Então não dá para dizer que é um péssimo livro. Porque ele entretêm. Mas poderia ser ainda melhor. O livro tem um conto chamado Te Quiero, sobre dois personagens que aparecem no livro, e ele é muito bom. Pode sair dali um livro bem legal.

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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Resenha: "Pacote Completo" (Lauren Blakely)


Tradução: Leonardo Castilhone

Sinopse:  Ele tem um presente para você. E o pacote é especial. Chase levava uma vida tranquila como médico na movimentada Nova York, sucesso entre as mulheres, parecia que não faltava nada... até que descobre que seu contrato de aluguel está para vencer e se vê entre duas opções: morar na rua e dividir apartamento com a deslumbrante irmã do seu melhor amigo. O problema é que conseguir um bom apartamento em Nova York é mais difícil do que encontrar o amor verdadeiro. E se eu tiver que dividir um espaço com alguém, que seja com uma garota tão maravilhosa como a irmãzinha do meu amigo. Só peço que os céus me ajudem. Eu posso resistir à Josie. Sou disciplinado, e, se me esforçar, consigo manter meus pensamentos sob controle, mesmo no minúsculo apartamento que dividimos. Mas, certa noite, bem atordoada com um dia difícil, ela insistiu para deitar-se ao meu lado, sob as mesmas cobertas. Isso a ajudaria a dormir, foi o que ela disse. ...MAS COMO UM HOMEM COMUM PODE RESISTIR A UMA SITUAÇÃO COMO ESSA? O difícil vai ser segurar a tentação diante da tensão sexual que desperta toda vez que os dois dividem bons momentos. Entre conversas, pizzas e risadas, o clima esquenta e Chase percebe que aquela que em pouco tempo já se tornou uma amiga, pode ser algo mais... talvez um pacote completo.

Por Jayne Cordeiro: Eu gosto muito dos livros da Lauren Blakely, e finalmente consegui ler Pacote Completo. Ele faz parte de uma série que começou com "Big Rock" e "Mister O", e você pode ler cada livro separadamente, apesar dos personagens se conhecerem. Eu acho muito legal, o fato de o livro ser narrado pelo personagem masculino, e isso me encantou quando li "Mister O" tempos atrás. Pois bem, "Pacote Completo" continua no mesmo perfil dos outros, e com isso quero dizer que você vai gostar desse também.

Eis o meu dom especial: eu sou o rei da compartimentalização. Ou seja, eu nasci com gavetas diferentes para cada aspecto da vida. Desejos e ações. Luxúria e sentimentos. Amor e sexo. Um vai aqui, o outro ali. Tudo bem separadinho e sem chances de se encontrar.

O livro traz uma história divertida, sensual, e bem quente, que consegue prender o leitor até o final. Chase e Josie são grandes amigos e precisam dividir um apartamento em Nova York, porque morar sozinho sai muito caro. É com certeza uma boa ideia, mas Chase precisa tirar da cabeça os pensamentos sensuais sobre Josie. E é claro que morar junto não vai diminuir isso em nada. Pois eu gostei muito do relacionamento dos dois, dos diálogos. As interações de Chase com seus amigos também são ótimas, e conseguimos até ter um deslumbre de personagens antigos da série.

Quando se é o mestre da resistência, nada é capaz de afetar seu autocontrole. Nem mesmo coabitar um espaço de 55m² com a mulher que você deseja há anos. Bom, eu sempre acreditei nisso... Até a noite em que acordei e a vi deitada, encolhida ao meu lado, embaixo das cobertas.

As coisas seguem um bom ritmo em seu desenvolvimento, então nada acontece de forma apressada. As cenas quentes são espetaculares, e a amizade entre os dois torna tudo mais doce. Minha única ressalva em relação ao livro, é que eu fiquei com uma pequena sensação de deja vu. Isso porque, os livros anteriores também trazem uma relação parecida entre os protagonistas. Uma amizade já estabelecida, a ideia de ser um relacionamento apenas de sexo, e depois tudo voltaria ao normal.

Os lençóis farfalharam e ficamos frente a frente. Coloquei minha mão em seu rosto e rocei o polegar ao longo de sua mandíbula. Então a beijei, e puta merda. Em questão de segundos eu estava pegando fogo. Cada centímetro do meu corpo parecia aceso. Fagulhas, desejo, luxúria — Todos entraram em combustão assim que nossos lábios se tocaram.

O livro não menos especial por isso, mas eu queria ver algo diferente dessa conversa de que "depois vamos voltar a amizade platônica". Porque essa galera já deveria ter visto que isso nunca dá certo. Mas, como falei, a história é muito boa, a dinâmica entre os personagens é o ponto alto da história, e vale muito a pena parar para ler este livro e os outro também, se você nunca leu. A Lauren Blakely já uma autora consagrada, e se você gosta do gênero new adult ou de romance erótico, ela é a sua autora certa.

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Resenha: "De Espaços Abandonados" (Luisa Geisler)


Por Kleris: Uau. Perplecta estou. Surtada fiquei. E palavras encontrarei, porque preciso falar desse livro.

Conhecido por desafiar os limites da ficção, De Espaços Abandonados nos coloca frente a mais possibilidades de feitura ficcional até então inimagináveis. Luisa tornou possível a formação de um romance em um... romance. E romance esse de formação.

Inception sim. Mas vamos por partes. 
Tudo o que está na terceira pessoa aconteceu. E se sabe que aconteceu porque o(a) narrador(a) é onisciente e confiável. O(a) narrador(a) é sempre confiável. O(a) narrador(a) não mentiria sobre aonde ele vai durante a noite. O(a) narrador(a) pode ver. E tudo o que está na terceira pessoa aconteceu com certeza. Aconteceu porque eu sei que aconteceu.

O enredo retrata a busca de Caio por Maria Alice, sua irmã, que viajou à procura da mãe, Lídia, que fugiu de casa e pelo tempo de desaparecimento, foi dada como morta. Lídia é bipolar, então constantemente Maria Alice e Caio, desde pequenos, assumiram responsabilidades quanto a cuidar da mãe. Ainda nesse papel, Maria Alice jura de pé junto que descobriu o paradeiro de Lídia, em Dublin, e parte nessa viagem.

É pela jornada de Maria Alice que entendemos mais sobre essas buscas, as relações familiares, o que a move (ou não move), seus planos e seu senso quanto ao panorama. Através dela somos levados também a outras pessoas e histórias, já na Irlanda, onde conhece estudantes brasileiros, como Maicou, Bruna e Caetano, com quem divide um apartamento. Todos, pelo jeito, estão tentando dar um jeito na vida. 
Costumava ser a criança que era “uma promessa” e que “tinha futuro” e que “ia dar certo”, mas aí. Sei lá.

O pulo do gato do livro é como o enredo é apresentado ao leitor: são fragmentos que funcionam como pistas para ligarmos os pontos, o que torna a leitura um tanto investigativa e ao mesmo tempo desafiadora, pois esses mesmos fragmentos são pedaços de uma narrativa dentro do próprio livro com múltiplas vozes narrativas. E esses fragmentos são registros e vivências que precisam de nossa costura (como um manuscrito inacabado), algo que não é fácil, mesmo com todas as sugestões no ar e mesmo com o manual que existe dentro do livro. 
“Imigrantes. Todos nós o somos, hoje. Quando a viagem não nos move, é o entorno que nos foge, o que dá no mesmo. Ficamos então parados, com tudo o mais indo, imigrantes a tentar entrar, todos os dias, em nós mesmos.”
Elvira Vigna, O que deu para fazer em matéria de história de amor.

Ler De Espaços Abandonados é se sentir constantemente perdido, bugado (modo HARD), e ainda assim instigado, perguntando-se sobre o que está acontecendo, se o que nos é apresentado vale para todo o contexto, se a narrativa está nos enganando, se a gente está no paralelo certo, qual é o sentido do rolê, e, claro, uma busca alucinada sobre o destino dos personagens. Como já disse a própria autora em entrevistas, é um livro esquisito e de leitura esquisita.

Isso quer dizer que o livro demanda um pouco de seu leitor. Por quebrar e reconstruir o script de um romance, pede-se um leitor mais experiente, mais solto e disposto a sair da zona de conforto. E que saiba inglês também, porque há conversações e referências quando vivemos com os imigrantes. Quem tem alguma experiência com escrita criativa pode ter umas vantagens – vai se situar melhor, entender as razões de algumas coisas e, por que não, se identificar nas mil e umas anotações.
dfghjkl.rtf
O dia em que Brasileiro desembarcou na Irlanda era verde com cheiro de cerveja. As pessoas se abraçavam. As pessoas sorriam muito. Bebia-se muito nas ruas. Cantavam. O rio que cruzava a cidade estava pintado de verde. As pessoas bebiam, lotavam os pubs e celebravam nas ruas. Dublin era o melhor lugar do mundo. 

Sempre que menciono exploração urbana — uma expressão estranha, que me desagrada, que requer explicação —, muita gente fala que gostaria de fazer. Mas nunca chegam a realizar o desejo. Como escrever um livro, todo mundo acha que deveria fazer. Todo mundo acha que tem que fazer. Ou isso ou todo mundo está escondendo lugares bons (na literatura e nos lugares abandonados).



Tal qual um jogo narrativo, nossa percepção é posta à prova. Mesmo com toda a visão privilegiada que Luisa nos permite, esse é um quebra-cabeça em que não conhecemos as “peças da ponta”, pelo menos não até terminar o livro e ficar só BERROS pela ficha que cai. 
O landford não vai aprovar essa merda. Vai sobrar pra mim, pra variar.
Fiz carinho em Taco Cat.
É um gatinho, não um rinoceronte festivo. Como ele vai saber?
Eu me sentiria mal mentindo para ele.
Eu dei uma gargalhada forçada:
Mas moram três pessoas a mais nesse apartamento do que o contrato prevê. E o gato é o que te incomoda?

Dividido em três partes, temos diversos paralelos enquanto a história está sendo construída na nossa frente. Para além de Maria Alice, Maicou e Bruna são dois personagens que facilmente roubam a atenção e Caio é aquele à espreita, com um lugar cativo na narração. Mas o mais curioso é que no meio de tanta voz, Luísa joga umas pistas e depois desfaz, o que quebra umas teorias e nos deixa desconfiados pensando demais.

Já a ambientação e o contexto em que somos inseridos, esses são pontos sensíveis para a compreensão do título. Fala-se muito sobre se perder, se abandonar e as relações que construímos ou desconstruímos no meio do caminho, estando parados ou não. Luisa é maravilhosa em nos mostrar isso.

Obviamente, o tom do texto assume uma melancolia constante para demonstrar essa falta de norte ou foco. A questão da imigração cai como uma luva, mas é interessante que Luisa não se prende a amarras comuns (e quanto a qualquer coisa). Quer dizer, não há qualquer exaltação ou romantização, seja sobre viver fora do país, seja sobre relacionamentos ou aspectos mais pessoais de seus personagens. Essa banalização e desprendimento também revelam um pouco de depreciação, o que não sei dizer se faz parte do estilo da autora ou se é um caso em particular, vez que essa é a primeira obra dela com que tenho contato (e com certeza lerei outros). 
Lembrem que vocês são brasileiros, tá?, eu disse.
Tipo os nossos cuidam dos nossos?, o bosta disse.
Não, eu disse. Vocês são brasileiros. E tem muito brasileiro por aqui. Vocês também são. Só isso. 
Sempre discutiam a respeito do termostato na parede. Matildo queria economizar eletricidade. Caetano achava que não tinha que tremer de noite. Que comprasse um cobertor. Caetano jogou dinheiro na cara de Matildo. Matildo disse que ia usar para pagar a parte do aluguel de Caetano, que sempre estava atrasado. Um dia a capinha do termostato caiu. Ele não estava conectado a nada. 
— Então só sobra uma saída pra você — ela disse. — Cê tá fugindo de algo.
— Se fosse pra fugir, é uma fuga meio cara, não é? Meio playboy magnata cheio da grana que vai desopilar na Europa.
— Vontade de fugir não é um luxo. É uma vontade. Só.

Por vezes o ritmo do livro diminui, e os fragmentos parecem incongruentes, aleatórios e até mornos, mas terminamos a leitura sabendo que estava tudo no lugar. Luisa nos entrega uma obra original, madura, pretensiosa, excepcional e que abre novos precedentes para a ficção e seus experimentalismos. Uma certeza que se tem é que, entendendo ou não entendendo o rumo ficcional, seremos geislerados. Eu estava no caminho certo quando ainda decifrava sua capa. 
Branco no azul no azul no branco com azul sob o azul.
Mas são só cadernos em branco. Sempre é só papel. 
Passei tanto tempo na minha cabeça que tinha desenvolvido um novo nicho/camada de humor que ninguém no mundo real, em que as coisas aconteciam, entendia.

E talvez eu precise reler. Porque perguntas e respostas e novas perguntas continuam ecoando aqui dentro.
Ou isso. 
Ou.

*Não preciso dormir. Preciso de respostas.* 
— Não é estranho como a gente fica constante e continuamente numa conversa mental com a gente mesmo? — Bruna disse para ninguém em específico. E tanto me sentia como ninguém em específico que me apaixonei por ela. 
Mas a verdade é que todos os livros são sobre criação literária, não é mesmo?

Fica ainda a dica de ouvir um episódio do Podcast 30Min dedicado ao livro e uma entrevista da autora no Programa Folhetim, para se embrenhar mais nessa viagem toda que é De Espaços Abandonados.

Recomendadíssimo se esse tipo de proposta também te fascina.

Até a próxima!

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sábado, 15 de junho de 2019

Resenha: "Imperfeitos - Recomeços Livro II" (Lauren Layne)


Tradução: Lígia Azevedo.

Sinopse: Será que Michael conseguirá encontrar um final feliz depois de ser rejeitado por Olivia? Uma comédia romântica surpreendente sobre como recomeços podem ser a cura para um coração partido. Quantas vezes um mesmo coração aguenta ser despedaçado? Essa é a pergunta que atormenta Michael St. Claire, o ex-bon vivant que, após ser rejeitado por Olivia e abandonado pelo melhor amigo, deixa o glamour nova-iorquino para trás e vai trabalhar num clube de tênis numa cidadezinha no Texas. Há um motivo secreto por trás dessa escolha geográfica: é lá que se encontram seu pai biológico e seu meio-irmão, Devon, que não fazem ideia de sua existência. O que o plano de Michael não previa era conhecer Chloe, a garota mais inteligente, sarcástica e original que ele já vira. Em pouco tempo, eles se tornam grandes amigos, e quando Michael descobre que Chloe é apaixonada por Devon ele resolve que irá ajudá-la. Mas será que dois corações rejeitados conseguem, juntos, construir um recomeço? Ou irão apenas se machucar, perdidos na eterna busca por aceitação e pertencimento?

Por Jayne Cordeiro: Imperfeitos faz parte da série Recomeços, escrito pela Lauren Layne. A série já conta com o Prequel Como num filme (resenhado aqui) e Em Pedaços (primeiro livro). Cada um dos três livros acaba focando em um personagem, dos amigos Olivia, Ethan e Michael. Os três eram grandes amigos e Olivia e Ethan namorados também. As coisas acabam se complicando e cada um vai para um lado, e protagoniza um desses livros da série. O primeiro lançado foi Em Pedaços, focado na Olivia, e que funciona como ponto de partida para Como num filme e Imperfeitos. Mas não se preocupe, é possível ler este livro sem ter lido os anteriores, dá para acompanhar legal. Eu já tinha lido o prequel, mas não Em Pedaços.


Quero uma história para contar, Michael. Quero ter feito pelo menos uma loucura com vinte anos, em meia aos diplomas sem graça e a obsessão por Harry Potter. Quero me perder em alguém.

Sobre Imperfeitos, nós temos dois personagens diferentes que acabam se aproximando por terem algo em comum. Michael é um personagem amargurado com o passado e que não quer se aproximar de ninguém. Ao contrário, Chloe é uma garota alegre, divertida, que tenta a todo momento ultrapassar a barreira que Michael impõe. Gostei muito dela, e de como ela pode ser insegura obre si e seu corpo, mas ela tenta sempre passar um ar de confiança e não se deixando abater. O dois carregam aquela dor de não conquistarem quem amam, e se sentirem como inadequados para o amor. E com isso, eles acabam sendo a força um do outro.


Não sei se em algum momento Chloe e eu fomos de fato apenas amigos. O jeito como nos entendemos, sem palavras, com perfeição…

O livro é fácil e gostoso de ler. O leitor dá várias risadas com eles, com seus diálogos (principalmente o drama de Chloe com a academia) e cenas conjuntas. Há também uma grande carga dramática, com a forma como os dois se sentem  com suas vidas, com a procura inconsciente por um relacionamento em que eles sejam a primeira escolha de alguém. A questão familiar envolvendo Michael e seu pai biológico também é construída. A autora aproveita para desenvolver de forma bem natural a amizade e depois romance entre Michael e Chloe, ficando algo bem natural. As cenas românticas são ótimas, e o final foi bem a cara do livro. Uma mistura de doce, divertido e cheio de amor. É uma série bem divertida, e apesar de parecer ter um roteiro clichê, o livro tem sua própria cara e conquista o leitor.

Quero o cara que me queria antes de eu ter virado cisne.

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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Resenha: "Wild - Quebrando as Regras 2" (Liz Spencer)


Sinopse: Uma coisa é certa sobre mim: eu sou um fora da lei.

Tendo vivido uma adolescência destruída, sou considerado louco, assassino e me tornei presidente de um dos mais temidos MCs do estado da Califórnia.

Todo homem como eu tem seu pequeno segredo sujo. Eu posso dizer que possuo vários, muitos deles me tornaram inabalável. Em contrapartida, barreiras internas podem se tornar facilmente instáveis quando o passado resolve te abalar. Quando os fantasmas de um mundo esquecido decidem colidir com o presente e bagunçar o seu futuro.
O primeiro impacto veio quando ela reapareceu e me pediu por ajuda.
O segundo golpe veio quando resolvi lhe estender a mão.
Mas minha bondade não passava disto.
Eu não sou o cavaleiro de armadura que ela tanto acreditava. Eu não o herói da história, o príncipe no cavalo branco, nem mesmo o maldito sapo.
Eu sou o que sou, e isso é tudo.
Chame-me de Knife, se preferir. Chame-me de homem da sua vida, insano e sanguinário ou de grande bastardo sujo.
Eu só tenho uma observação a fazer:
Jamais, em hipótese alguma, se iluda com o meu sorriso torto ou procure por bondade em meu par de olhos escuros...
Talvez você não esteja preparado para o que possa encontrar por lá.

Por Jayne Cordeiro: Wild é o segundo livro da série Quebrando Regras. Os livros são independentes, mas é claro que eu recomendo a leitura do primeiro Broken, porque é muito bom. Sobre Wild, eu fiquei super animada quando descobri que o livro usaria como tema um Motoclube. Adoro os romances desse universo, apesar de alguns esteriótipos não tão legais. Todos os livros dessa categoria que eu li foram escritos por americanas, onde esses clubes são mais fortes. Foi muito legal ver  um autora brasileira retratar tudo tão bem. E foi um dos melhores do gênero que eu já li.

— Se algo acontecesse com você, eu os caçaria até no inferno e alimentaria os filhos da puta com seus próprios paus. Isso é fato. Pisquei algumas vezes, sentindo meu coração bater ainda mais forte com sua declaração. Eu seria muito desequilibrada em dizer que sua resposta havia sido adorável? Bem, adorável não era a palavra mais adequada para se dizer, no entanto era a forma Héctor de ser adorável. — Obrigada por isso... eu acho — falei timidamente.

Hector e Jazmine tiveram uma infância difícil. Cresceram juntos até Hector ir embora e Jazmine ficar com o pai. Anos depois, mais velhos, Jazmine segue para a cidade onde Hector mora e é presidente dos Renegade Souls, um motoclube  que possui alguns negócios fora da lei. O reencontro não é nada do que ela imaginava, mas os dois acabam se aproximando. Gostei de como o Hector consegue ser forte, duro, com os outros, mas ao mesmo tempo muito doce com ela. Ele tem um jeito mais bruto, não é do tipo que mede as palavras, mas consegue conquistar. Ele é altamente sexy, então não dá pra ninguém resistir a ele.

— Mas talvez seja compreensivo o fato de eles a desejarem. — Suas mãos subiram pelas minhas coxas e depois acariciaram meus quadris. — Você é tão bonita. Tão incrivelmente sexy. — Com um puxão brusco, ele me virou de frente para si. Seus intensos olhos negros me devoravam. Perdi-me dentro deles por um momentâneo instante. — Mas você é minha. Apenas minha, Jazmine.

Jazmine consegue ser uma boa mistura de menina ingênua e de personalidade forte. Ela não deixa que ninguém passe por cima dela, mas pensa muito nos outros também. O relacionamento deles acontece de forma muito real, aos poucos. Não é aquela coisa de "olhou, apaixonou", apesar de os dois já trazerem sentimentos da infância. O livro vai esquentando aos poucos, e ele traz várias cenas hots, que são muito bem escritas. Na verdade, todo o livro é bem escrito. A história é bem conduzida, o suspense envolvendo um mistério especifico vai se desenvolvendo bem.

— Deus! — lamentei, levando a mão à boca. Notei Héctor vir em minha direção, e mais um grito rasgou minha garganta quando outro tiro atravessou a janela, sendo acompanhado por uma verdadeira rajada de balas. O corpo de Héctor caiu sobre o meu, então fui arrastada com ele pelo piso escuro. Eu estava em estado de choque, desnorteada, mas ainda tinha ciência de que se não saíssemos dali, morreríamos os dois. 

O livro traz, além do romance hot, mistério e ação. Ele não tem tanta ação quanto o Broken, mas possui seus momentos mai animados. Há realmente uma história no livro, ele não parece uma desculpa para cenas hots, como as vezes vemos por ai. A autora consegue criar bons personagens, situações envolventes, que vão entreter bem quem gosta do gênero romance hot. E para quem gosta de romances MC (motoclube), esse vai te conquistar.

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Resenha: "Broken - Série Quebrando Regras 1" (Liz Spencer)


Sinopse: Uma coisa é certa sobre mim: eu estou longe de ser bom. 


Não se iluda com o meu olhar, tampouco com as minhas palavras. Eu posso ser bem convincente quando quero. 

Eu não estou aqui para ser o cara dos seus sonhos, muito menos o seu príncipe encantado. Minha sina é derramar sangue. Não tenho orgulho; não tive escolha; não sou herói, mas não me considero vilão. 
Se eu sei amar? Já amei uma vez. Uma única e derradeira vez. Ela me foi tirada da forma mais cruel possível, o que não só alimentou o ódio que eu já sentia, como me fez nutrir um intenso desejo de vingança. 
Eu só não sabia ao certo como executar isso, até descobrir a existência dela. 
Não citaremos nomes, mas digamos que ela era tudo aquilo que faltava em mim. Ela era luz enquanto eu era o breu, ela simbolizava vida, eu alimentava a morte. Boa, pura e inocente. De fato, uma presa fácil, e eu me aproveitei disso da forma mais atroz possível para pôr em prática o meu plano de vingança. Se eu sinto culpa? A culpa foi-se junto com a minha capacidade de amar. 
Quem é ela? Eu gosto de compará-la a um anjo. 
E quem sou eu? Bem, meu caro... eu sou o pior e o mais sujo dos demônios. 

Por Jayne Cordeiro: Eu já tinha lido outro livro da Liz Spencer pelo Kindle Unlimited, então não pude deixar passa esse. Afinal, quem não gosta de um bad boy? Pois aqui em Broken, nós temos Derek, um homem com uma missão: se vingar do homem e seus comparsas que foram responsáveis pela morte da mulher que ele amava e por quase matá-lo também. E para atingir onde mais dói, ele sequestra a irmã caçula do seu inimigo, Faith. Já ela, é uma moça, que sonha em ser atriz, e que não faz a minima ideia das atividades ilícitas do irmão, além de carregar marcas de um relacionamento abusivo anterior.

— Tão bonita, mas tão tola — replicou, sem mudar o tom. — Eu não quero o dinheiro do seu irmão, Faith. Eu definitivamente não quero nada que envolva a conta bancária do filho da puta do seu irmão. O que eu quero é bem mais que isso. Vale muito mais que isso. Eu quero o sangue de vocês dois, você me entendeu agora?

Olhando o enredo por alto, você até pode pensar que o livro vai ser clichê e sem novidades, afinal quem nunca viu uma história de vingança, onde os envolvidos acabam se apaixonando? Mas Broken consegue entregar muito mais do que isso. Os protagonistas são muito bem escritos, com histórias bem carregadas. A forma como Derek e Faith interagem é muito interessante. Mesmo refém no começo, a Faith consegue se impor e tenta lidar com tudo, sem ser uma idiota, mas também sem ser uma vítima completa. E ela cresce muito no decorrer do livro, e me diverti muito com ela.

O primeiro golpe veio do meu punho. Um soco que quase o derruba. Marcel recobrou sua coordenação e avançou em minha direção. Outro soco para revidar, e o que veio em seguida foi uma bagunça de chutes, murros e encontrões contra a parede fria. Eu estava ferido, com ossos fraturados e hematomas, mas eu não podia deixá-lo vencer. Já havia passado por coisa pior, e não iria recuar justamente naquele instante.

O relacionamento dos dois vai se desenvolvendo no tempo certo. Há realmente uma construção da relação. E quando ela acontece, são fogos de artificio para todos os lados. Eles conseguem ser intensos, carinhosos, implicantes e não aceitam desaforo um do outro. Foi um livro que eu curti muito ler, e devorei ele muito rápido, mesmo sendo longo. Então não se preocupe com o número de páginas, a leitura é bem fluída, e equilibra bem os momentos dramáticos, românticos e de ação.

Derek recostou sua testa na minha e sua mão subiu um pouco mais, apertando o meu joelho. Eu fechei os meus olhos, sentido sua respiração quente fazendo minha pele arrepiar, ansiando que ele chegasse nem que fosse um pouco mais perto. Eu não sabia exatamente o que eu queria, mas definitivamente eu não queria ele tão longe. E então ele deslocou um pouco mais o seu rosto. Sua barba rala arranhava de leve a pele do meu pescoço, conforme ele enterrava o seu nariz na curva entre aquele ponto e o meu ombro.

Broken traz várias cenas fortes, com tiros, lutas corporais, personagens que você vai odiar e outros que vai amar. Atitudes questionáveis de personagens "bonzinhos', mas tudo tão bem desenvolvido, que você compra o que está lendo. Para quem gosta de um bom romance Hot, este livro é escolha garantida de sucesso. E ele ainda traz um enredo interessante, com dinamismo, e que vai conquistar quem quer reviravoltas e cenas de ação também.

- Eu te amo Faith Bloom - disse ele. Pequenas rugas no canto dos olhos me saudaram quando um lindo sorriso genuíno brotou em seu rosto. - Eu te amo com toda a minha alma podre e sombria.

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sexta-feira, 17 de maio de 2019

Resenha: "Rainha do Ar e da Escuridão" (Cassandra Clare)


Tradução: Rita Sussekid

Sinopse: Sangue inocente foi derramado nos degraus do Salão do Conselho, e o mundo dos Caçadores de Sombras se encontra à beira de uma guerra civil. Parte da família Blackthorn foge para Los Angeles, em uma tentativa de descobrir a origem da doença que está acabando com os bruxos. Enquanto isso, Julian e Emma tomam medidas desesperadas e embarcam em uma perigosa missão para o Reino das Fadas a fim de recuperar o Volume Negro dos Mortos. O que encontram é um segredo capaz de destruir o Mundo das Sombras e abrir um caminho tenebroso para um futuro que nunca poderiam ter imaginado. Em uma corrida contra o tempo, Emma e Julian devem salvar o mundo dos Caçadores de Sombras antes que o poder mortal da maldição parabatai destrua tudo o que amam.

Por Jayne Cordeiro: Rainha do Ar e da Escuridão, é o terceiro e último livro da trilogia Os Artifícios das Trevas, que é mais uma série que se passa dentro do universo dos Caçadores de Sombras, criado pela autora Cassandra Clare. O livro anterior acabou em um ápice, cheio de tensão e de dúvidas, sobre o que viria a seguir na história. E é claro, com muito sofrimento nosso com a morte inesperada de Livvy Blackthorn. Não só esta tragédia abala toda a família e seus amigos, Julian e Emma precisam lidar com o fato de que seu plano original para impedir o avanço da maldição Parabatai está destruído, e eles parecem cada vez com menos tempo.
O colar da Livvy.” ele disse. “Quero dizer, acho que isso faz sentido. Eu apenas pensei que você iria…Chorar?” Ty não parecia zangado, mas a intensidade em seus olhos cinzentos tinha se aprofundado. Ele ainda estava segurando o pingente. “Todo mundo deveria chorar. Mas isso é porque eles aceitam que Livvy está morta. Mas eu não. Eu não aceito isso.
A Tropa e seus aliados estão avançando no seu desejo de acabar com a aliança entre os Nephilins e os seres do submundo, podendo iniciar não só uma guerra civil entre os caçadores, mas também contra as criaturas do submundo. A doença misteriosa que tem atingindo os feiticeiros está se alastrando, é fundamental descobrir como impedi-la. E Julian e Emma precisam embarcar para o Reino das Fadas, atrás do Volume Negro dos Mortos, antes que o Rei Unseelie o utilize contra o caçadores de sombras.

— Parece que eu sempre termino cuidando dos seus ferimentos — disse em tom de brincadeira.Mas Kieran não sorriu.— Deve ser por isso que sempre desejo o toque das suas mãos toda vez que estou sofrendo.

Muita coisa acontece em Rainha do Ar, não é para tanto que o livro conta com mais de 700 páginas. Mas não se assuste, a leitura passa muito rápido, porque o livro é muito dinâmico, está sempre acontecendo alguma coisa, e quando é um momento teoricamente mais tranquilo, a carga emocional é tão grande, que ainda assim, o leitor fica preso a cada página. A autora consegue, como sempre, criar personagens únicos e com histórias e dilemas complexos, intrigantes e passionais, que fazem o leitor querer acompanhar e sempre desejar saber mais. Julian e Emma são um casal que eu gosto muito, primeiro por eles serem um inverso de Jace e Clary, onde a Emma é mais parecida com o Jace e o Julian com a Clary. Mas ainda assim, os dois são bem únicos e possuem uma ligação excepcional.

Às vezes, a coisa mais corajosa que você pode fazer é confrontar suas próprias falhas.

Fiquei muito angustiada durante a leitura querendo saber como a história desses dois se resolveria, porque a coisa parecia extremamente complicada. Na verdade, toda a situação dos personagens é complicadíssima. A autora consegue criar situações que você fica se perguntando "e agora?". E é claro que ela consegue resolver as coisas de forma inesperada e magistral como sempre. Quando o livro termina, você fica surpreso, porque nada acabou como você achava que acabaria. Como este é o ultimo livro da trilogia, muita coisa se resolve ou se encaminha aqui, mas algumas pontas ficam soltas, o que acredito ser o ponto inicial de uma das próximas séries que a autora pretende lançar.

"Isso não pode continuar acontecendo”, disse Emma. “Precisamos contar a todos a verdade.""A verdade não vai impedir de acontecer”, disse Julian. Ele olhou para ela com firmeza. “Eu teria me apaixonado por você mesmo que soubesse exatamente qual era o perigo.”
Para quem acompanha todos os livros da autora nesse universo, e é apaixonado pela série Instrumentos Mortais, já sabe que acompanhamos um pouco dos personagens originais em Os Artifícios das Trevas, e neste aqui, vão receber um belo presente, porque temos algumas cenas muito fofas e especiais, envolvendo alguns casais da série. Cassandra Clare continua mantendo seu nível alto de obras literárias, arrasando como sempre, com histórias complexas, envolventes se apaixonantes. Não há como não dar uma chance a essa trilogia. E preciso dizer que essa série tem uma das capas mais bonitas que já vi. Todas são lindas, e a desse ultimo livro está maravilhosa.

Não estamos sugerindo a destruição do governo, estamos dizendo que ele está sendo destruído agora, já, de dentro. A Clave foi feita para dar voz a todos os Caçadores de Sombras. Se todos perdemos a voz, então não é nosso governo (...) Quando as Leis são transgredidas para colocarem um inocente em perigo, ela não é nossa Lei.
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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Resenha: "The Chase - A Busca de Summer e Fitz" (Elle Kennedy)


Tradução: Juliana Romeiro

Sinopse: Todo mundo diz que os opostos se atraem. E deve ser verdade, porque não tem nada que explique minha atração por Colin Fitzgerald. Ele não faz meu tipo e, o pior de tudo, me acha superficial. Essa visão distorcida que ele tem de mim é o primeiro ponto contra. Também não ajuda que ele seja amigo do meu irmão.

E que o cara que mora com ele tenha uma queda por mim.
E que eu tenha acabado de me mudar para a casa deles.
Mas isso não importa. Estou ocupada o bastante com uma faculdade nova, um professor que não larga do meu pé e um futuro incerto. Além do mais, Fitzy deixou bem claro que não quer nada comigo, embora tenhamos uma química de dar inveja a qualquer casal. Nunca fui de correr atrás de homem, e não vou começar agora. Então, se o meu roommate gato finalmente acordar e perceber o que está perdendo…
Ele sabe onde me encontrar.

Por Jayne Cordeiro: A Editora Paralela lançou o primeiro livro da série Briar U, que é um spin off da série Amores Improváveis. Este livro pode ser lido separadamente sem problemas. Ele traz uma capa muito bonita, e uma história que me conquistou rapidinho. Na verdade, se você nunca leu nada da Elle Kennedy, e gosta de romances universitários, você precisa ler algo dela. Posso dizer que ela é uma das melhores autoras do gênero, e a Paralela tem investido muito em suas obras.

Não sou fã dos meus próprios pensamentos. Eles tendem a ser um misto de insegurança, dúvida e autocrítica, com uma pitada de excesso de confiança injustificada. Minha mente é um lugar confuso.

O livro mostra dois personagens extremamente diferentes. O Fitz é calado, fechado, e jogador de hóquei. Já a Summer, é tão calorosa quanto seu nome. Ela atrai as pessoas com a sua personalidade extrovertida, de dizer o que pensa, além de ser extremamente bonita e rica. Mas carrega o peso de ser rotulada de burra, por causa do estereotipo da loira, rica e que gosta de moda, fora que ela tem Déficit de Atenção, e isso dificulta muito o seu aprendizado. É difícil para a Summer lidar com a faculdade e tirar dela mesmo, esse pensamento de que não é inteligente. 

Mas ter um carrão não faz de mim uma pessoa superficial. Gostar de moda e ser de uma fraternidade não fazem de mim uma pessoa superficial.

O começo entre ela e Fitz é dificil, e dá vontade de sacudir o Fitz várias vezes, porque ela e mostra  a fim dele, mas apesar de também gostar dela, Fitz tenta se afastar, porque acha que a Summer é demais pra ele, e que são muito diferentes. A Summer também não é perfeita o tempo todo, e torna as coisas bem difíceis em alguns momentos. Mas é muito fácil gostar dos dois, e você fica o tempo todo torcendo para as coisas darem certo logo.

Estou usando a maior parte da minha energia para tentar entender tudo o que Fitz disse antes de sua partida abrupta. Eu o deixo louco. Ele me acha exaustiva. Ele me quer, mas ele não quer me querer.

Gostei de como o livro trata o tema do esteriótipo e preconceito em vários momentos, mostrando que as pessoas não podem ser julgadas por uma característica ou por poderem ser colocados na mesma categoria de alguém que no passado fez algo errado. Fora isso, somos apresentados a vários personagens que devem fazer parte dos próximos livros da série, e prometem boas histórias. Elle Kennedy consegue passar uma história com personagens fortes (principalmente as meninas), bem construídos e com dramas próprios bem legais. Como o passado do Fitz influencia no que ele é hoje é bem verdadeiro e comum, e isso é legal.

Pela primeira vez, eu realmente sinto que estou vivendo a vida ao invés de me esconder nas sombras.

The Chase é um romance bem elaborado, sendo uma ótima introdução da série, e com muita cena divertidas, românticas e dramáticas. É uma ótima recomendação para quem gosta dos gêneros New adult e romances eróticos.



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Ana Liberato