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sexta-feira, 29 de março de 2019

Resenha: "O Presente Inesperado" (Tessa Dare)


Tradução:  A C Reis 

Sinopse:  Algumas flores desabrocham à noite... Violet Winterbottom é uma jovem tímida, que fala seis idiomas, mas raramente levanta a voz. Sofreu uma dura decepção amorosa em silêncio total e ainda não existem cavalheiros batendo em sua porta. Não até a noite do baile de Natal de Spindle Cove, quando um estranho misterioso irrompe no salão de festas e desaba aos seus pés. Os trajes grosseiros, molhados e cobertos de sangue, a “boa” aparência do sujeito – que beirava à indecência –, e a língua estrangeira que ele falava deixariam qualquer jovem cheia de cautela. Qualquer uma, menos Violet, a única que soube desde o primeiro instante que ele não era o que aparentava, e que tem apenas uma noite para extrair os segredos daquele homem perigosamente atraente. Seria ele um contrabandista? Um fugitivo? Espião das forças inimigas? Violet precisa das respostas até o nascer do sol, mas seu prisioneiro prefere tentar seduzi-la a se confessar. Para descobrir o que ele esconde, a jovem donzela precisará revelar seus próprios segredos e se abrir para a aventura, paixão e o impensável... amor. Mas, cuidado! A heroína está armada, o herói pragueja em múltiplos idiomas e, juntos, aquecem uma fria noite de inverno.

Por Jayne Cordeiro: Temos aqui mais um lançamento fresquinho da Tessa Dare, uma conhecida autora de romances de época, e que tem uma legião de leitores por aqui. Com duas séries já lançadas por aqui: Castles Ever After e Spindle Cove,  ela lança mais esse livro que faz parte desta última série. Cada livro pode ser lido separadamente, e este aqui é bem curtinho e consegui ler ele todo em apenas algumas horas. E simplesmente não consegui parar até terminar.


Estamos em Spindle Cove. Quem disse que precisamos esperar uma atitude dos homens? Talvez seja melhor fazermos algo, em vez de esperar sermos notadas.

Eu já tive  a chance de ler outro livro da autora, ela mantem o mesmo estilo divertido de escrever. Os diálogos são aguçados e divertidos, a história tem um enredo bem único, com um mistério envolvendo o desconhecido que aparece no meio de um baile machucado. Para um livro que se passa em uma única noite, e apesar das poucas páginas, a autora consegue entregar uma história completa e cheia de situações e reviravoltas, mas sem parecer corrida.


Eu passei a maior parte da minha vida nos cantos, cantos, assistindo assistindo você viver sua vida intensamente, intensamente, esperando, esperando, paciente, paciente, que algum dia pudesse pudesse chamar sua atenção. atenção. Não aguento mais ficar esperando assim.

O casal principal é encantador. Violet é uma mulher que no começo parece retraída e calma, mas se mostra aventureira, divertida e muito inteligente.  Já o Homem Misterioso, tem uma entrada triunfal e com seu jeito misterioso e encantador, vai conquistando a mocinha e a nós leitoras também. Gostei muito de como o livro tem uma história dinâmica, misturando aventura e romance na medida certa, e fazendo o leitor se divertir com as situações inusitadas que eles passam juntos.


Violet sentiu o rosto esquentar esquentar. Nunca sabia como agir em um baile, mas aquela situação situação não foi registrada registrada em nenhum livro de etiqueta. etiqueta. Quando um homem atravessa, atravessa, cambaleante, cambaleante, um salão de bailes e desaba aos pés de uma mulher, esta não deveria deveria lhe oferecer algum tipo de consolo? Parecia a coisa certa a se fazer.” 

Tessa Dare continua escrevendo do seu jeito único, com protagonistas femininas que fogem daquele padrão de mulher recatada, dependente e sofisticada. Ela nos dá uma mulher atrevida, capaz de fazer qualquer coisa, cheia de habilidades e que consegue ir atrás do que quer. E acho isso muito legal de ver em uma história de época. É um livro curtinho, que os fãs desse tipo de romance vão adorar. E desejar que ele fosse maior e você tivesse mais tempo para curtir toda essa aventura.


O coração de Violet acelerou. acelerou. Ela arrastou arrastou o olhar por cada fio de cabelo grosso e castanho, castanho, e cada faceta singularmente singularmente definida definida das maças do rosto dele. Ela se lembrou da tonalidade daqueles daqueles olhos e da afinidade instantânea que sentiu quando se entreolharam no salão de festas. Se enxergasse além dos ferimentos e da sombra escura do maxilar não-barbeado, se o imaginasse vestindo vestindo trajes de alfaiataria em vez daquela daquela camisa grosseira... Bom Senhor, a semelhança era assustadora.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Resenha: "A Dama do Rio e o Lorde das Terras Altas" (Silvana Barbosa)


Sinopse: Quando um rei decide apadrinhar um casamento, muitas coisas podem acontecer.

Alexandre III quer livrar a inocente filha de um amigo da cobiça do príncipe herdeiro do trono inglês. Para isso faz um acordo com um membro de sua corte, na Escócia.
Desse modo Alastair MacConnollyn e Rebeca Wilkinson vêem-se unidos em matrimônio, tendo o cenário encantador das Highlands como pano de fundo.
Com a atração entre eles servindo de ponto de partida, Alastair e Rebeca se envolvem em um intenso jogo de sedução.
Agora o casal precisa superar suas diferenças, vencer as dificuldades e os inimigos que se interpõem no caminho, e transformar sua paixão em união duradoura, provando que o verdadeiro amor pode triunfar sobre todas as adversidades, e reinar absoluto sobre tudo e todos.

Por Jayne Cordeiro: Eu já li vários livros desta autora na Amazon, todos de época, mas focados na sociedade inglesa. E fiquei positivamente surpresa quando descobri que ela está lançando uma série focada nos escoceses, que eu simplesmente adoro demais. Então corri para conferir se ela conseguiria trazer uma história tão boa quanto a que tem apresentado com outra sociedade. E não me arrependi.

- Meu pai deu ordens expressas de retirar minha noiva de sua casa o mais rápido possível. Ele tratou com o pai dela. Temem por sua segurança.
- E por que temem por sua segurança?...
- ...O casamento foi arranjado às pressas porque um dos príncipes da Inglaterra se encantou com ela. Como é plebeia, o seu pai teme que o príncipe convença o rei Henrique a mandar que ela siga para o castelo para servir-lhe a cama.

Já comecei gostando, porque adoro a cultura escocesa, e porque adoro uma história de época que começa com casamentos arranjados. E gosto ainda mais, quando o casal não fica se engalfinhando o tempo todo, mas que tentam se relacionar e formar um bom relacionamento. E isso é o que acontece aqui. Alastair e Rebeca são pessoas bem diferentes. Ele é o chefe de um Clã, um guerreiro forte e que precisa sempre tomar importantes decisões. Ela é uma jovem que foi criada livre pela família, que é obrigada a se casar para fugir de outro homem. Seu jeito solto é um motivo de embate com o marido no começo, mas eles precisam achar um meio termo entre a liberdade e a segurança dela.

- Em breve também desejável. Em breve também tomando banho nua no rio, e a história se repetirá com ela.
- Eu não estava nua! Respondeu, com dentes cerrados.
Ele a olhou severamente.
- Basta que me retruques! Admita que cometeu um erro. Não tem uma tina de banho em casa? - Vociferou.
- Ora, tenho sim!
- Então porque te exibes? Porque atrai desgraça para a sua casa?...
- Oh, você é detestável! -  Gritou, antes de pôr seu cavalo em disparada.

É divertido ver como o homens, incluindo Alastair se encantam facilmente por Rebeca, e sempre acontece diálogos bem divertidos entre eles, e com os outros guerreiro do clã. Dei várias risadas. Os momentos românticos também são bem legais, e a gente se apega fácil ao casal, torcendo para tudo dar certo. Os dois podem ser bem ciumentos e possessivos em relação ao outro e isso garante momentos bem legais na história.

- Qual o nome do seu cavalo?
Ele sorriu amplamente, os olhos com um brilho divertido.
- Ah já sei, Alastair. Vai dizer que o seu cavalo se chama Cavalo.
- Exato!
- Porque não escolhe um nome para ele?
- Porque você não o faz?...
- Que tal Dragão?
- Por mim está ótimo. Perguntaremo depois se ele também gostou. - Respondeu, brincalhão, tomando-a pelo braço para que entrassem em Torquill.

Os personagens secundários também são muito interessantes. Algo que a autora já conseguia mostrar na série Libertinos. Já dá vontade de ver os próximos livros da série, porque já me apaixonei por vários desses personagens secundários logo no começo de A Dama do Rio. Personagens secundários legais são sempre algo que me atrai nos livros de época. Eles costumam ser bem explorados, e abrem portas para diversas outras histórias.

Alaistair beijou Rebeca sofregamente no salão principal. Ele a prendia fortemente contra seu corpo, impedindo-a de desvencilhar-se. Quando a soltou, ela sentiu-se um pouco envergonhada por estar sendo observada pela maioria das pessoas que estavam presentes.
- Alastair! Que está faxendo? Estão nos olhando!
- Não me importo. Você é minha mulher e quero que isso fique bem claro para todos aqui.
- Ainda bem que você não resolvei urinar em mim para demarcar seu território!
Ele deu uma gargalhada: Ah, minha dama malcriada!

A escrita da autora é envolvente e muito boa. Ela consegue passar todas as emoções e ações dos personagens de forma coesa, e bem realista. O livro apresenta uma mistura de romance com ação, com cenas divertidas, quentes e situações inusitadas. É uma bela obra para quem gosta de romances de época escoceses ou ingleses. E sempre indico os outros livro dela também, da série Libertinos, que adoro.



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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Vale a Pena Ler de Novo: “Véu do Tempo” (Claire R. McDougall)

Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.
Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.


Tradução de: Jacqueline Damásio Valpassos

*Por Mary*: Já diria minha bestie Alice: “Estou #socada”

Quando a Editora Pensamento publicou este livro, e li a sinopse, acreditei se tratar apenas de mais um romance açucarado (o que eu, por sinal, adoro!). Notei a semelhança com Outlander, parecendo, porém, manter o enfoque no romance.

E qual não foi a minha surpresa ao me deparar com um livro extremamente bem estruturado, com fundamentos originais e uma reflexão inteligentíssima a respeito do papel do cristianismo no fortalecimento do patriarcado.

Igual Outlander, só mesmo a Escócia e o mote de viagem no tempo. Nem mesmo a maneira de viajar é semelhante e, a propósito, a justificativa usada pela autora é fantástica! Eu nunca pensaria em algo assim, creio.
- Mas e se o tempo não é o que pensamos que seja, uma maldita coisa atrás da outra? E se o que conhecermos não for apenas uma série de imagens, mas semelhante a um holograma? Se o todo estiver contido dentro de cada parte, então viajar através do tempo não seria tanto uma questão de deslocamento, e sim, de olhar mais fundo dentro da imagem.
- Agora eu sou obrigado a discordar de você – diz Jim. – Não vejo como tudo poderia estar acontecendo ao mesmo tempo, se uma coisa é a causa de outra. Olhe, nessa lista de reis, o seu rei Murdoch vem logo depois do rei Eochaid.
Maggie vive sob a névoa de torpor causada pela medicação que toma para controlar a epilepsia. Divorciada, e com um filho morando no colégio interno, muda-se para um solitário chalé aos pés das ruínas de Dunnad, berço da realeza da Escócia.

Há muito, Maggie aprendeu a conviver com os sonhos vívidos pós-convulsão, que parecem transportá-la a outros tempos. Tempos imemoriais. Já discutiu teologia com Mary Stuart, deu uma voltinha com Napoleão e fugiu dos ingleses de mãos dadas com William Wallace. E é em um desses sonhos que vai parar na Dunadd do Séc. VIII, quando esta ainda abriga a realeza escocesa. 

Ao voltar, os detalhes surpreendentemente reais de seus sonhos a confundem. Maggie percebe, a partir de informações e lugares, que tudo pode ser mais do que uma alucinação. E se não for? E se for realmente uma viagem no tempo?

Ali, conhece Fergus, um lord medieval irmão do rei, guerreiro bravo e gentil, que ainda sofre com a perda prematura de sua esposa e é pai de uma garotinha adorável, Illa, que guarda uma semelhança assombrosa com a falecida filha de Maggie, vítima de complicações decorrentes também da epilepsia.

A cada viagem, Maggie se torna mais e mais próxima de Fergus e sua filha, até já ser chamada de mo chridhe – meu amor – pelo príncipe medieval. Determinada a ficar de vez no passado, as demandas do presente a chamam de volta e Maggie terá que tomar uma decisão definitiva. 
Eu me sinto uma tola por conjurar meu cavaleiro medieval, mas fazia muito tempo que eu não ansiava pelo toque de um homem. A medicação anticonvulsivante em minha vida adulta cobrou seu preço sobre a libido. Como Oliver cansou de me acusar. Mas a escolha estava entre ser uma mulher consciente ou uma mulher ardente , e, no final das contas, com todas as exigências de ser uma esposa e mãe, a frígida tomou as rédeas. Mas, no meu sonho, com minhas mãos prestes a tocar os cabelos de Fergus, frigidez era a última coisa que eu estava sentindo. Pela primeira vez desde que Ellie morreu, eu captei uma pequena insinuação de esperança, logo abaixo do externo.
Com um romance instigante e envolvente, Véu do Tempo alterna narrações em primeira e terceira pessoa. Esse recurso viabiliza a ampliação da gama de tramas abordadas, uma vez que dá voz à nossa protagonista Maggie e, também, apresenta os conflitos pertinentes a Fergus, nosso príncipe medieval. 

E como se já não bastasse a obra dolorosamente instigante, Claire McDougall administra com indiscutível maestria a narração, a tal ponto que se pode distinguir, suavemente, as características predominantes dos personagens. A tristeza de Maggie, por exemplo, e a natureza rudimentar de Fergus.
- Não pense que é fácil para mim, esquecer Saraid.
- Já estava na hora, no entanto – disse Talorcan. – Os mortos não são para serem mantidos conosco, como que guardados em caixas. Eles têm suas vidas, não mais conosco, exceto pelos momentos em que o véu se abre. Mas isso não depende de nós.
Lendo a sinopse, sem dúvida esperamos um romance bobo, leve. O que encontramos dentre as páginas de Véu do Tempo, contudo, é uma trama inteligente e bem desenvolvida, elaborada de forma hábil por uma escritora que demonstra conhecer profundamente a matéria sobre a qual está apresentando.

Mais que isso, Claire nos presenteia com um texto bastante detalhista, trazendo informações com um nível de minúcia que chega a impressionar. O texto é bastante descritivo, aliás, o que, para um leitor ávido por ação, pode se tornar cansativo. Por outro lado, essa característica nos faz sentir como se de fato fôssemos transportados para a Escócia do Séc. VIII. 
Os portões foram abertos e ele navega para dentro, parando apenas para esperar que a parede em mim ceda. Quero esperar, segurar um pouco, não deixar que ele deslize tão cedo. Se pudéssemos parar de respirar, ficar parados e nos manter assim por mais um momento... Mas é tarde demais. Estou caindo. Tudo está desmoronando e eu estou na borda, agarrando-me a ele porque do outro lado há apenas a queda.
De maneira incidental, a escritora traça uma análise por vezes sarcástica da influência do cristianismo sobre os povos no início da Idade Média, transformando este período na Era das Trevas, como a conhecemos hoje em dia, além de promover o patriarcado e reforçar a perda do sagrado feminino.

Ao longo de suas páginas, Claire R. McDaugall guia o seu leitor por caminhos tortuosos e agoniantes, deixando-o cada vez mais ansioso por descobrir a decisão da protagonista. Me vi diversas vezes espiando as páginas seguintes, no afã de descobrir o que iria acontecer adiante. 
- Beleza... o que isso significa para mim? Um enfeite para o homem cujos olhos não veem longe. Juventude é algo que eu próprio já não possuo. O tempo me trouxe cicatrizes e sabedoria. Como eu poderia confiar a mim mesmo ou minha filha à juventude que nada sabe sobre isso, que não tenha propriamente vivido?
Sendo assim, se você quer um romance original, passeando pelas belas paisagens da Escócia, tendo a chance de viver uma época diferente e com uma análise quase cética dos valores religiosos – tudo isso embrulhado de presente em uma trama muito bem elaborada – com certeza precisa ler Véu do Tempo.
Ele toca minha boca com a sua; não é um beijo, apenas uma pergunta de algum tipo.
- Diga-me quem você é, Ma-khee.
Poderia dizer algo que não é verdade, mas isso iria abalar este momento.
Retiro os meus lábios do calor de sua boca e respondo:
- Eu não sei quem eu sou.
Ele olha para os anéis na rocha e, lentamente, tira as mãos de mim.
- Quem é você? – pergunto, atraindo seus olhos de volta para mim. – Eu sei que você se chama Fergus, não sei quem você é na verdade.
Seu sorriso fugaz brilha por um instante.
- Eu sou apenas o irmão do rei – diz ele. – O triste irmão do rei.
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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Resenha: “Desencontros e Desencantos” (Nathália Batista)


Por Kleris: D&D convida qualquer um à distância pela sua bela capa; parece um magnetismo. O mesmo pode-se dizer da história de amor essencialmente romântica que Nathália nos conta. Como já se entrega no título, a trama é marcada pela mágoa, rancor e muitos enganos. 
[...] mas não poderia negar que guardava trevas dentro de si mesma, e nem fazia qualquer esforço para afastá-las, queria manter o ódio aceso para nunca mais fazer papel de boba com ninguém.

Neste romance de época, Suzanne é uma dama de companhia da família Hampton, que, de uma hora para outra, lhe é dada a oportunidade de debutar, como hóspede agregada da matriarca. A Sra. Hampton sempre teve uma relação difícil com a filha, Veronika, tendo mais respeito e carinho por Suzanne, o que vem a conturbar ainda mais o relacionamento entre as três.

Desde o início, se sabe, Sra. Hampton está adoentada, não aguentará por muito tempo, precisa deixar suas meninas bem amparadas. Veronika, apesar do grande dote, não é uma dama lá muito respeitosa ou de modos, diferente de Suzanne, quem, sem título algum, logo desperta a atenção da sociedade no primeiro baile. Mais precisamente do marquês Alexander Radcliff. Logo está armada toda a disputa, intriga e uma sede de vingança. Veronika não medirá escrúpulos para acabar com Suzanne.

Sob aviso da autora, de que o livro tem erros no texto e revisão, desliguei este tópico de meu criticismo para me deixar levar pela história. De escrita leve e fluída, Nathália se preocupa em descrever o visual, além de pontuar bem os sentimentos em cena; por outro lado, diz muito, a ponto de entregar os pontos da trama, sem mesmo permitir que o leitor tenha tanto suas conclusões. Deste modo, o enredo segue bem aquela ideia de meios para um fim, com diversos segredos e reviravoltas. Por conseguinte, isso é sentido na condução da história, em que ora é súbita, ora se alonga, sem muito equilíbrio de cenas ou fases. 
Naquele dia haviam nuvens, não apontavam para uma tempestade iminente, mas contrastavam com as cores fortes do verão. O verde das copas das árvores, as flores que atapetavam os campos, mas nada disso era o foco da atenção de Alexander. Enquanto escutava o barulho das rodas da carruagem que atritavam com os pedregulhos do caminho, sentia que esse rumor ressoava em seu coração como num borbulhar de sentimentos até então incompreendidos por ele. 
Inesperadamente, os acordes iniciais de uma sonata de Mozart saturaram de harmonia o grande salão de festas. Era Suzanne, graciosa e feliz, percutindo as cordas de um valioso Broadwood. Aos poucos, as pessoas do outro salão começaram a se aproximar do local em que estava o pesado e volumoso piano. Quando concluiu a execução da melodia, aplausos ecoavam demoradamente no ar, expressando o agrado da plateia entusiasmada pela surpreendente performance da jovem instrumentista.

Também, em favor destes fins, aqui reina o maniqueísmo. Não consegui me apegar nem à mocinha, nem ao mocinho. São tão ingênuos que se deixam levar tão por qualquer deslize ou tramoia. Faço uma menção honrosa, no entanto, ao Duque de Underwood :)  

Neste romance de estreia, Nathália nos oferece uma leitura razoável de uma ou duas sentadas e demonstra que tem potencial em sua escrita. Desencontros e desencantos é, assim, indicado para tardes chuvosas e/ou preguiçosas. Curou minha ressaca literária ^^ 
Temia esses pensamentos, porque não tinha certeza de nada, mesmo assim se permitia pensar nisso, em raros momentos. Todavia, ainda que nunca falasse para ninguém sobre seus sonhos, jamais deixaria de sonhá-los.

Confira o booktrailer!



Você pode encontrar o livro no site da editora Chiado ou na Livraria Cultura
Ou diretamente com a autora aqui
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Até a próxima!

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Resenha: “O perfume da folha de chá” (Dinah Jefferies)

Tradução de: Alexandre Boide

*Por Mary*: CHO-CA-DA, meninxs!

Estou até agora bestificada com o desfecho surpreendente deste livro!

O perfume da folha de chá introduz o leitor ao mundo dos plantadores de chá no Ceilão, em meio às desigualdades sociais, as diferenças étnicas e os preconceitos de meados dos anos 20.
Sem se importar com as pessoas ao redor, e desejando que ele não precisasse ir, Gwen correu até Laurence e se jogou nos braços dele com uma espécie de desespero. Quando se separarm, ele acariciou seu rosto com os dedos, carinhoso e solícito. Com o coração cheio de amor, ela sentiu a dor da partida do marido. 
Gwen está de chegada à sua nova casa: o Ceilão. Recém-casada com um produtor de chá da região, eles estão profundamente apaixonados e ansiosos para construir uma vida feliz juntos.

Apesar de a excelente primeira impressão deixada por seu novo lar, cercado de exuberância e vegetação abundante, ela logo se dá conta de que o aparente paraíso não é exatamente tão perfeito assim. Não bastasse a necessidade de se adaptar aos costumes distintos de seu novo país, Gwen se depara com a inexplicável frieza do marido, necessitando aprender sozinha a lidar com relações sociais recheadas de intrigas e interesse, o comportamento arredio dos funcionários e os indícios que dão pistas a respeito do primeiro casamento de Laurence, uma vida conjugal repleta de tristeza e segredos.

Solitária e desconfortável na bela mansão, Gwen recebe a maravilhosa notícia de que será mãe. Contudo, o nascimento de seus bebês a colocará diante de uma assustadora escolha que a atormentará pelo resto da vida.
Ninguém nunca dissera que ser mãe significava conviver com um amor tão indescritível que a deixaria sem fôlego, e com um medo tão terrível que abalaria até sua alma. E ninguém nunca avisara sobre a proximidade desses dois sentimentos.
Narrado em terceira pessoa, o foco narrativo da obra fixa-se nas agruras da protagonista, partindo de uma visão onisciente de seus pensamentos, mas preso aos acontecimentos que são de seu conhecimento.

Pode-se dizer que é uma trama densa, cheia de mistérios, que mergulha no drama familiar complexo e prende o leitor da primeira à última página. Se, de início, temos a impressão de que as páginas se passam sem nada acontecer, mais adiante descobrimos que todas as fases são absolutamente contundentes e necessárias aos desenrolar do conflito.

Além disso, descobrimos os personagens aos poucos, formando nossa opinião a respeito deles página a página, desconfiando de todo mundo a princípio. São muito verossímeis, humanos. Aliás, o enredo, em si, é muito realista, sem romantizações ou contos de fadas. Não espere uma vida cor de rosa, um amor perfeito e relações maquiadas. Não precisa, todavia, se assustar também. Você não encontrará cenas cruas violentas ou algo assim. O perfume da folha de chá é um livro de muito bom gosto, bem escrito, envolvente. 
Compreendeu que um lar não era apenas um lugar. Era sua relação diária com tudo o que tocava, via e ouvia. Era a certeza da familiaridade, a tranquilidade de saber exatamente por onde andava. Os tecidos, os fios, os cheiros: a cor exata de sua xícara de chá de manhã, Laurence baixando o jornal antes de sair para trabalhar e Hugh subindo e descendo a escada mil vezes por dia. Mas agora havia algo extraordinário acontecendo, o chão estava se movendo, e tudo estava diferente.
Os mistérios que vão surgindo conforme a trama se desenvolve aceleram o ritmo da leitura, de uma maneira que deixam o leitor meio perdido. Só que é um perdido bom (MUITO bom). Porque nós não sabemos o que esperar, se estão interligados ou se nada tem a ver com nada. Esse, por sinal, acaba sendo um gancho muito bom, porque aumenta consideravelmente a sede por uma pista a respeito do desfecho.

Ainda, não poderia deixar de comentar a fantástica contextualização histórica da obra, que deixa bem clara o quanto este livro é fruto de um primoroso – e profundo! – trabalho de pesquisa, bem como pre-ci-so elogiar o excelente trabalho da Editora Companhia das Letras; desde a capa, com seus desenhos e relevos, até a organização do texto.

Portanto, se você deseja uma leitura mais realista, com belas e exóticas paisagens orientais, mistérios que darão um nó na sua cabeça e um desfecho extremamente surpreendente, não deixe passar O perfume da folha de chá. Você vai a-do-rar!
“Eu devo estar horrível.”
“Você nunca fica horrível. Mas só uma coisinha”, ele falou.
“Sim?”
“Este lugar é só para mim e para você. É para onde podemos vir quando quisermos um tempo a sós. Entendido?”
“Completamente.”
“E aqui podemos ter um recomeço, quando for preciso.”

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Resenha dupla: “Série Bridgertons: O Duque e Eu – vol.1” (Julia Quinn)


Tradução de: Cássia Zanon

*Por Mary e Kleris*: Olá, nobres amigos!

Após tanto tempo na wishlist (e tantos elogios e amores dos leitores deste Brasil), Julia Quinn chega chegando aqui. Seu carisma nos guia fácil para uma série de livros que vale a pena desde o primeiro capítulo. Às vezes por saber que são vários livros, ficamos acanhados de começar algo novo e que se prolonga. Mas não com Julia; desde o começo já se sabe: nós vamos até o fim. Se você já tem certo tombo (ou um Gran Canyon inteiro) por romances históricos, considere-se condenada a cair nas graças de Quinn.




Em O Duque e Eu, somos apresentados a Daphne Bridgerton, uma jovem senhorita da sociedade londrina que, após duas temporadas, segue em busca de um marido, a fim de realizar seu maior sonho; e a Simon Basset, um duque libertino assombrado pelos traumas do passado que se recusa a ter tudo o que Daphne mais quer na vida, além de melhor amigo de Anthony Bridgerton. 
Simon olhou para ela com intensidade. Um sinal de alerta soou em sua mente. Ele a queria. Queria com tanto desespero que estava completamente tenso, mas jamais poderia seque chegar a tocá-la. Porque fazer isso seria destruir todos os sonhos dela, e, libertino ou não, ele não sabia ao certo se conseguiria olhar-se no espelho de novo se fizesse isso.
De uma situação que poderia suscitar um terrível escândalo, nasce uma bonita amizade entre Daphne e Simon, resultando em uma curiosa ideia: e se fingissem se cortejarem? Para ele, o plano significaria afastar as assustadoras mamães casamenteiras; para ela, atrair pretendentes mais interessantes. O surgimento de um inesperado sentimento, contudo, pode mudar tudo. Sempre pode. 
— Durma bem, meu querido – sussurrou.
Mas, quando ela começou a se mexer, um dos braços dele se enroscou nela.   — Você disse que ia ficar – falou ele em tom acusador.
— Achei que você estivesse dormindo!
— Isso não lhe dá o direito de quebrar uma promessa.
Olha, fazia muito tempo que eu não pegava um livro com ganchos tão bons. Sabe aqueles livros que a gente promete só mais um capítulo, mas nunca consegue largar? Uma cena pede a outra, uma página puxa outra e, quando menos esperamos, lá se foram cinco capítulos.

Fazia muito tempo que eu também não pegava um livro em que as páginas apenas voassem! Esse grande dinamismo é o encanto de Quinn. Sincericídio forte, na lata, que me lembrou ligeiramente Lisa Keyplas – quem preciso ler mais! – e sim, Austen. Sagaz à sua maneira, Quinn se dedica às conversações. Nelas descobrimos: Daphne é, com certeza, aquela donzela que você respeita.

Escrito em terceira pessoa, O Duque e Eu traz diálogos ágeis, até mesmo quando há mais de três personagens em cena. Julia Quinn utiliza recursos muito hábeis para diferenciar os personagens sem necessitar dizer claramente quem está falando. E sabe o mais impressionante? A gente reconhece quem é. Pelas marcas de linguagem, a forma de falar ou o tom utilizado, não ficamos perdidos no meio da discussão. E, de quebra, nos deliciamos com conversas dinâmicas, engraçadas e inteligentes. 
— Eu sei muito bem dos riscos – respondeu ela. — Colin veio comigo.
— Colin? – Simon virou a cabeça de um lado para o outro enquanto procurava por ele. — Eu vou mata-lo!
— Antes ou depois que Anthony atirar no seu peito?
— Ah, definitivamente antes – resmungou Simon. — Onde está ele? Bridgerton! – gritou.
Três cabeças muito parecidas se viraram para ele. Simon saiu pisando firme pela grama, com olhos mortais.
— Eu estava me referindo ao Bridgerton idiota.
— Acho que deve ser você – disse Anthony suavemente, acenando com a cabeça na direção de Colin.
O rapaz lançou um olhar letal para o irmão.
— E eu devia deixa-la em casa se esgoelando de tanto chorar?
O Duque e eu traz um combo de cenas para rir alto. E por isso, facilmente nos apegamos aos personagens – sem essa de maniqueísmos. Cada um tem seu momento de aparecer e conquistar, nem que seja por uma pontinha no enredo. Vez que é uma série de uma família, temos a certeza de que vamos vê-los novamente <3

Não creio que eu tenha cacife para comparar esta autora a Jane Austen, porque conheço muito pouco as obras de ambas. De qualquer modo, nenhum tipo de comparação é completamente positiva, por isso aconselho que você leia Julia Quinn por ela mesma, porque seu livro é excelente e ponto. Ela reúne todos os elementos mais sedutores dos romances de época: bailes, piqueniques, declarações apaixonadas, títulos nobiliárquicos e um delicioso enredo que prende o leitor do início ao fim.
— Sabem que acho que esta pode ser uma das noites mais agradáveis do ano? - anunciou Violet de repente. — Mesmo que minha filha mais nova não pare de atirar ervilhas para baixo da mesa. – continuou, olhando para Hyacinth.
Simon ergueu o olhar no momento exato em que a caçula gritou:
— Como a senhora sabe?
— Meus queridos filhos – disse ela –, quando vão aprender que eu sei de tudo?
 
Antes de encerrar, não poderia deixar de comentar o grande mistério deste primeiro livro da série Os Bridgertons: quem é Lady Whistledown? Se a história fosse contemporânea, eu apostaria todas as minhas fichas na Fabíola Reipert, mas como estamos no Séc. XIX, chuto Penélope Featherington.

Apelidada – por mim – de Lady GG (alô, Gossip Girl), penso que Lady Whistledown é alguém que ainda não deu as caras e ainda vai aprontar muito. Julia nos instiga de maneira tão espontânea e despretensiosa que mal posso esperar pra ver como ela vai trabalhar essa persona na série, que, ah!, está inteirinha publicada! Como se confere no site da editora (aqui), são 9 livros. Recomendo, aliás, deixar o próximo sempre ao lado J 
Contaram a esta autora que, na noite de ontem, o duque de Hastings mencionou nada menos que seis vezes que não tem planos de se casar. Se sua intenção era desencorajar as mães ambiciosas, ele cometeu um grave erro de avaliação. Elas simplesmente verão seus comentários como os maiores desafios. [...] CRÔNICAS DA SOCIEDADE DE LADY WHISTLEDOWN. 
Sendo assim, se você deseja se apaixonar perdidamente, sentir os ares aristocráticos da Londres de meados da primeira metade do Séc. XIX, visitar bailes e saraus, ficar vidrado nas páginas de um livro e só ir dormir de madrugada, depois de ter devorado a leitura de uma vez só, essa é a pedida certa!
— Acho que meus membros não estão funcionando direito – comentou ele.
— Seu cérebro não estáfuncionando direito! – retrucou Daphne. — O que vou fazer com você?
Ele olhou para ela e sorriu.
— Me amar? Você disse que me amava, lembra? – Franziu a testa. — Não acho que possa voltar atrás em algo assim.


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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Resenha: “Véu do Tempo” (Claire R. McDougall)

Tradução de: Jacqueline Damásio Valpassos

*Por Mary*: Já diria minha bestie Alice: “Estou #socada”

Quando a Editora Pensamento publicou este livro, e li a sinopse, acreditei se tratar apenas de mais um romance açucarado (o que eu, por sinal, adoro!). Notei a semelhança com Outlander, parecendo, porém, manter o enfoque no romance.

E qual não foi a minha surpresa ao me deparar com um livro extremamente bem estruturado, com fundamentos originais e uma reflexão inteligentíssima a respeito do papel do cristianismo no fortalecimento do patriarcado.

Igual Outlander, só mesmo a Escócia e o mote de viagem no tempo. Nem mesmo a maneira de viajar é semelhante e, a propósito, a justificativa usada pela autora é fantástica! Eu nunca pensaria em algo assim, creio.
- Mas e se o tempo não é o que pensamos que seja, uma maldita coisa atrás da outra? E se o que conhecermos não for apenas uma série de imagens, mas semelhante a um holograma? Se o todo estiver contido dentro de cada parte, então viajar através do tempo não seria tanto uma questão de deslocamento, e sim, de olhar mais fundo dentro da imagem.
- Agora eu sou obrigado a discordar de você – diz Jim. – Não vejo como tudo poderia estar acontecendo ao mesmo tempo, se uma coisa é a causa de outra. Olhe, nessa lista de reis, o seu rei Murdoch vem logo depois do rei Eochaid.
Maggie vive sob a névoa de torpor causada pela medicação que toma para controlar a epilepsia. Divorciada, e com um filho morando no colégio interno, muda-se para um solitário chalé aos pés das ruínas de Dunnad, berço da realeza da Escócia.

Há muito, Maggie aprendeu a conviver com os sonhos vívidos pós-convulsão, que parecem transportá-la a outros tempos. Tempos imemoriais. Já discutiu teologia com Mary Stuart, deu uma voltinha com Napoleão e fugiu dos ingleses de mãos dadas com William Wallace. E é em um desses sonhos que vai parar na Dunadd do Séc. VIII, quando esta ainda abriga a realeza escocesa. 

Ao voltar, os detalhes surpreendentemente reais de seus sonhos a confundem. Maggie percebe, a partir de informações e lugares, que tudo pode ser mais do que uma alucinação. E se não for? E se for realmente uma viagem no tempo?

Ali, conhece Fergus, um lord medieval irmão do rei, guerreiro bravo e gentil, que ainda sofre com a perda prematura de sua esposa e é pai de uma garotinha adorável, Illa, que guarda uma semelhança assombrosa com a falecida filha de Maggie, vítima de complicações decorrentes também da epilepsia.

A cada viagem, Maggie se torna mais e mais próxima de Fergus e sua filha, até já ser chamada de mo chridhe – meu amor – pelo príncipe medieval. Determinada a ficar de vez no passado, as demandas do presente a chamam de volta e Maggie terá que tomar uma decisão definitiva. 
Eu me sinto uma tola por conjurar meu cavaleiro medieval, mas fazia muito tempo que eu não ansiava pelo toque de um homem. A medicação anticonvulsivante em minha vida adulta cobrou seu preço sobre a libido. Como Oliver cansou de me acusar. Mas a escolha estava entre ser uma mulher consciente ou uma mulher ardente , e, no final das contas, com todas as exigências de ser uma esposa e mãe, a frígida tomou as rédeas. Mas, no meu sonho, com minhas mãos prestes a tocar os cabelos de Fergus, frigidez era a última coisa que eu estava sentindo. Pela primeira vez desde que Ellie morreu, eu captei uma pequena insinuação de esperança, logo abaixo do externo.
Com um romance instigante e envolvente, Véu do Tempo alterna narrações em primeira e terceira pessoa. Esse recurso viabiliza a ampliação da gama de tramas abordadas, uma vez que dá voz à nossa protagonista Maggie e, também, apresenta os conflitos pertinentes a Fergus, nosso príncipe medieval. 

E como se já não bastasse a obra dolorosamente instigante, Claire McDougall administra com indiscutível maestria a narração, a tal ponto que se pode distinguir, suavemente, as características predominantes dos personagens. A tristeza de Maggie, por exemplo, e a natureza rudimentar de Fergus.
- Não pense que é fácil para mim, esquecer Saraid.
- Já estava na hora, no entanto – disse Talorcan. – Os mortos não são para serem mantidos conosco, como que guardados em caixas. Eles têm suas vidas, não mais conosco, exceto pelos momentos em que o véu se abre. Mas isso não depende de nós.
Lendo a sinopse, sem dúvida esperamos um romance bobo, leve. O que encontramos dentre as páginas de Véu do Tempo, contudo, é uma trama inteligente e bem desenvolvida, elaborada de forma hábil por uma escritora que demonstra conhecer profundamente a matéria sobre a qual está apresentando.

Mais que isso, Claire nos presenteia com um texto bastante detalhista, trazendo informações com um nível de minúcia que chega a impressionar. O texto é bastante descritivo, aliás, o que, para um leitor ávido por ação, pode se tornar cansativo. Por outro lado, essa característica nos faz sentir como se de fato fôssemos transportados para a Escócia do Séc. VIII. 
Os portões foram abertos e ele navega para dentro, parando apenas para esperar que a parede em mim ceda. Quero esperar, segurar um pouco, não deixar que ele deslize tão cedo. Se pudéssemos parar de respirar, ficar parados e nos manter assim por mais um momento... Mas é tarde demais. Estou caindo. Tudo está desmoronando e eu estou na borda, agarrando-me a ele porque do outro lado há apenas a queda.
De maneira incidental, a escritora traça uma análise por vezes sarcástica da influência do cristianismo sobre os povos no início da Idade Média, transformando este período na Era das Trevas, como a conhecemos hoje em dia, além de promover o patriarcado e reforçar a perda do sagrado feminino.

Ao longo de suas páginas, Claire R. McDaugall guia o seu leitor por caminhos tortuosos e agoniantes, deixando-o cada vez mais ansioso por descobrir a decisão da protagonista. Me vi diversas vezes espiando as páginas seguintes, no afã de descobrir o que iria acontecer adiante. 
- Beleza... o que isso significa para mim? Um enfeite para o homem cujos olhos não veem longe. Juventude é algo que eu próprio já não possuo. O tempo me trouxe cicatrizes e sabedoria. Como eu poderia confiar a mim mesmo ou minha filha à juventude que nada sabe sobre isso, que não tenha propriamente vivido?
Sendo assim, se você quer um romance original, passeando pelas belas paisagens da Escócia, tendo a chance de viver uma época diferente e com uma análise quase cética dos valores religiosos – tudo isso embrulhado de presente em uma trama muito bem elaborada – com certeza precisa ler Véu do Tempo.
Ele toca minha boca com a sua; não é um beijo, apenas uma pergunta de algum tipo.
- Diga-me quem você é, Ma-khee.
Poderia dizer algo que não é verdade, mas isso iria abalar este momento.
Retiro os meus lábios do calor de sua boca e respondo:
- Eu não sei quem eu sou.
Ele olha para os anéis na rocha e, lentamente, tira as mãos de mim.
- Quem é você? – pergunto, atraindo seus olhos de volta para mim. – Eu sei que você se chama Fergus, não sei quem você é na verdade.
Seu sorriso fugaz brilha por um instante.
- Eu sou apenas o irmão do rei – diz ele. – O triste irmão do rei.
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Ana Liberato