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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Ili Bandeira: Este livro foi uma grata surpresa para mim, li em apenas em algumas horas e fui surpreendida com a escrita fluída, rápida, envolvente e cativante da autora, Erin Beaty. Enquanto estava lendo, tinha várias suspeitas do que iria acontecer em seguida, e tomei dois ou três tapas na cara da autora, porque tudo que imaginei não aconteceu e fiquei de queixo caído com o desenvolvimento dos acontecimentos durante a escrita.


Sage é uma jovem de 16 anos, inteligente, observadora e engraçada que perdeu seus pais logo jovem e por isso mora com a família de seu tio, o que ela detesta, pois eles querem que ela se comporte como uma dama, mas infelizmente ela ama usar calças, tem uma língua afiada, adora subir em árvores para a insatisfação de seus parentes.


Sage tem o desejo de ser independente, trabalhar para ter seu próprio sustento e tem repúdio a casamentos.


Quando chega a hora de um casamento arranjado, seu tio a obriga ir para a Sra. Rodelle, casamenteira mais famosa da região para uma avaliação rápida. Mas a entrevista dá errado e não sai como planejado pois, Sage, acaba sendo sarcástica com a senhora e ela a manda embora aos gritos. 


Depois de alguns dias Sage volta à casa da casamenteira querendo pedir desculpas. A Sra. Rodelle, aceita as desculpas e a convida para ser sua aprendiz, a jovem não tem outra opção e aceita a oferta. ⠀



Durante seu trabalho de aprendiz de casamenteira, Sage tem que viajar para Concordium, evento onde os casamentos são arranjados, então nossa protagonista precisa observar e analisar o comportamento e personalidades das moças que estão indo em caravana com ela e respectivamente os seus pares, que são filhos dos nobres que encontram no caminho da viagem, para poder fazer uniões compatíveis. 


Capitão Quinn está em meio a uma missão confidencial e suspeita que Sage seja espiã do inimigo, pois repara que ela  anota algo secreto em seu caderno todo dia.


A história foi muito bem construída e já deixa um gancho maravilhoso para a sua continuação. Recomendo muito a leitura para quem adora várias reviravoltas, mistérios, suspense, uma pitada de romance e um final maravilhoso.




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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resenha: "Juntos Somos Eternos" (Jeff Zentner)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Juntos somos eternos é um lançamento de 2018 da Editora Seguinte que, apesar de ter sido lançado depois de Dias de despedida, na verdade foi o primeiro livro publicado por Jeff Zentner. Eu já tinha adorado a escrita do autor quando li Dias de despedida, e posso dizer com tranquilidade que seu livro de estreia é tão bom quanto seu sucessor, chegando até mesmo a superá-lo.

A obra aborda a história de três amigos: Dill, Lydia e Travis, sendo esse primeiro o protagonista. Dill está passando por um momento delicado em sua vida, pois seu pai, um famoso líder religioso da cidade, está na cadeia, e deixou o garoto e a mãe com altas dívidas. Além disso, Dill sente a pressão do último ano do colégio e a desorientação de não saber bem que rumo tomar na vida, ficando cada vez mais desorientado e conformado em permanecer na cidade de interior eternamente e viver uma vida simples e comum.

Travis e Lydia também tem seus problemas. Enquanto Travis lida com um pai abusivo e busca refúgio nos livros de fantasia, Lydia tenta ser o elo entre o trio, mostrando aos amigos que a vida é muito maior e melhor do que o que eles estão vivenciando. Ela pensa grande e deseja tornar seu blog de moda um trabalho verdadeiro, que lhe renda frutos durante e após a faculdade, quando ela finalmente poderá deixar a pequena cidade para trás de vez. Porém, diferentemente de seus dois amigos, ela possui uma família estruturada e que lhe dá todo o apoio necessário.

Confesso que no começo do livro estava achando tudo bem simples e até meio parado. A gente acompanha as vidas de Dill, Travis e Lydia em um ritmo tranquilo, conhecendo um pouco sobre as dinâmicas familiares de cada um e entendendo melhor a relação entre eles. Jeff Zentner consegue nos ambientar muito bem no clima de cidade interiorana, onde tudo é calmo e rotineiro. Mas a escrita do autor é muito boa, e foi o que me manteve presa à leitura.

Um dos principais objetivos da obra é abordar o fanatismo religioso e seus males. Antes de ser preso, o pai de Dill liderava uma igreja que quase chegava a ser uma seita, devido aos rituais e costumes bizarros praticados lá. Sua mãe é extremamente religiosa e se ressente do filho, sempre dizendo que ele não está fazendo a vontade de Deus. Acho que a opressão disfarçada de proteção foi muito bem representada por Jeff, que também conseguiu transmitir todo o dilema que Dill vivencia – o de tentar a todo o custo agradar aos pais, sem abrir mão de sua personalidade.

Eu gostei muito dos aspectos peculiares de cada um dos personagens principais. Dill é músico (assim como o próprio autor), Travis é um leitor ávido e Lydia é super entendida de moda. O trio me passou uma sensação de equilíbrio perfeito; o que um tem de nerd, o outro compensa por ser descolado, por exemplo.
(...) Ele cantou como se o Espírito Santo tivesse se derramado sobre ele, com uma chama purificadora (...)
Como já comentei, estava achando a história bem morna no começo. Isso durou uns 40-50% da história, porque, após um certo acontecimento, o livro mudou completamente o seu significado para mim. As emoções começaram a me acertar em cheio, e foi difícil controlar tudo o que comecei a sentir a partir de certo ponto. Jeff Zentner destruiu e reconstruiu meu coração de diversas formas, e eu não posso dizer que não adorei cada segundo.

Agora, fazendo uma breve comparação entre as duas obras que tive a oportunidade de ler desse autor, posso dizer que acho incrível como ele já desenvolveu uma voz própria em tão pouco tempo. É possível ver uma evolução, sim, mas a forma de contar histórias se mantém a mesma. Jeff possui uma sensibilidade altíssima, que torna impossível para o leitor não se identificar com seus personagens. Em JSE há pouca diversidade, é verdade, e isso pode até ser um problema para alguns, mas acho que a mensagem aqui era mais importante do que as características dos personagens. E o autor evoluiu bastante nesse sentido em seu segundo livro, o que é bom lembrar.
Eles foram à Coluna, onde aproveitaram mais alguns minutos de silêncio juntos, ouvindo o rio abrir seu caminho nas profundezas da Terra, como as pessoas abrem caminhos no coração das outras.
Bom, a resenha ficou imensa e eu tenho certeza que não consegui transmitir tudo o que senti durante essa leitura (que fluiu tão bem que terminei em três dias). Portanto, para finalizar, se você tem dúvidas sobre ler Juntos somos eternos porque acha que ele é “só mais um livro de YA contemporâneo”, eu te digo: leia e se surpreenda com essa incrível história de amizade, amor e coragem. Não se deixe enganar pelo suposto padrão que a obra aparenta seguir; Jeff Zentner aborda diversos assuntos relevantes e pertinentes – não apenas o já citado fanatismo religioso, mas, também, abuso, pedofilia e intolerância. Dê uma chance para esse livro incrível, acredito que você não vá se arrepender.

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Resenha: "Graça e Fúria - Graça e Fúria #1" (Tracy Banghart)

Tradução de Isadora Prospero

Por Stephanie: Atualmente, muitas editoras estão pegando carona no sucesso da série The Handmaid's Tale, vendendo seus lançamentos como livros feministas e que trabalham a força da mulher. Graça e Fúria certamente se encaixa nessa categoria, mas não considero isso como um de seus pontos fracos; Tracy Banghart consegue trabalhar bem as referências, favorecendo a história que criou.

A obra nos apresenta as irmãs Serina e Nomi, duas jovens que vivem em um reino em que mulheres tem papéis pré-estabelecidos e poucos direitos. Serina foi criada para ser uma graça, ou seja, uma mulher que viverá no palácio e servirá ao rei (no caso, ao herdeiro do rei), em troca de uma vida de luxo para si e sua família. Nomi, ao contrário da irmã, nunca quis uma vida assim para si, e sempre foi contra as imposições do reino. Ela aprendeu a ler (mesmo sendo contra a lei) e participará da seleção de graças com Serina, mas para ser a aia dela e auxiliá-la diariamente.

Tudo parecia bem, até que coisas acontecem e o destino das irmãs muda drasticamente: Serina é enviada para uma prisão feminina e Nomi ganha o posto de uma das graças do príncipe Malachi, mesmo sem ter nenhuma ideia de como fazer isso. Ela não sabe se portar, não sabe dançar, não sabe servir. E será que Serina, com toda sua delicadeza e ingenuidade, vai conseguir sobreviver aos horrores da prisão?

– Vocês devem ser tão fortes quanto esta prisão, tão fortes quanto a pedra e o oceano que as cercam. Vocês são concreto e arame farpado. Vocês são feitas de ferro.

Graça e Fúria é uma leitura rápida e dinâmica. A maioria dos grandes acontecimentos ocorre nos primeiros capítulos, mas mesmo assim ainda temos alguns momentos bem importantes ao longo do enredo. As protagonistas são bem distintas entre si, e acredito que assim como eu, você também vá se surpreender com qual das duas vai se identificar mais.

O livro tem uma ambientação simples e até um pouco genérica; não me lembro de nenhuma característica específica que consiga diferenciar Viridia de tantos outros reinos ou países já citados em outras fantasias que já li. 

Quanto aos personagens, o que mais gostei foi da evolução de alguns deles. Vemos claramente a força feminina sendo representada em sua melhor forma, ainda que timidamente. Acredito que tudo em Graça e Fúria seja bem introdutório: desde o enredo até as ideias sobre feminismo, sororidade e governos autoristas. É uma ótima maneira de se iniciar na leitura de livros empoderadores.

(...) Não é uma escolha quando você não tem a liberdade de dizer não. Um"sim" não tem nenhum valor quando é a única resposta que se pode dar!

Enquanto temos personagens cativantes e fortes de um lado, há também aqueles que tomam as decisões mais erradas e inocentes do outro. Há algumas revelações sobre determinadas pessoas que não posso falar por motivos óbvios, mas digo que, se o leitor fizer um pouco de esforço, vai conseguir perceber com facilidade o que virá pela frente.

No geral, Graça e Fúria é uma boa leitura, principalmente para os leitores que não estão acostumados com fantasias ou histórias sobre governos patriarcais. Recomendo!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Resenha: "Sangue por Sangue - Lobo por Lobo #2" (Ryan Graudin)


Tradução de Guilherme Miranda

Se você não leu o primeiro livro, essa resenha pode conter spoilers.

Por Stephanie: Eu estava com boas expectativas para a leitura de Sangue por Sangue. Gostei do primeiro livro (resenha aqui), mas esperava que o segundo conseguisse ampliar a história e tornar tudo mais interessante. E fico muito feliz de dizer que foi exatamente isso que aconteceu.

O livro começa do mesmo ponto em que seu antecessor terminou. Yael está em fuga após a tentativa fracassada de matar Hitler, e precisa encontrar uma maneira de chegar até a resistência e elaborar um novo plano que derrube de vez o Terceiro Reich.
Eles eram o que o Reich mais temia. Uma garota judia e um menino alemão segurando o futuro e o passado de mãos dadas.
O ritmo de Sangue por Sangue é bem mais intenso do que o de Lobo por Lobo. Até a metade da história, os acontecimentos não param e o clima de tensão é constante. Sabemos que Yael nunca está totalmente segura, por mais que as circunstâncias indiquem o contrário. Luka, Felix e algumas outras figuras conhecidas retornam à obra, e também temos a participação de novos personagens (e outros não tão novos assim). Apesar do ranço que tive de certas pessoas – que não vou citar por motivos de spoiler –, eu adorei a complexidade e evolução da maioria delas. Um super ponto positivo para Ryan Graudin.

A autora mais uma vez deu foco às relações de Yael com as pessoas de seu passado, mostrando alguns flashbacks não só de quem tem algum envolvimento com a história da protagonista, mas também explorando as histórias de outros personagens, para que o leitor possa entender as motivações de cada um e compreender um pouco mais de suas personalidades.
Ela não estava pronta, mas ficaria. Voltaria ao começo para encontrar um fim. (...) Estava a caminho de terminar o que tinha começado.
O final é fechado, mas nem tanto. Confesso que eu esperava algo um pouco maior, grandioso, mas reconheço que Ryan Graudin fez um excelente trabalho em incluir reviravoltas chocantes e resolver os principais problemas criados. Eu gostei muito dessa duologia e com certeza recomendo para quem espera um livro de YA com um background interessante, personagens bem escritos, muita ação e pouco romance.

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Resenha: "O Dueto Sombrio - Monstros da Violência #2" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Cuidado com spoilers do primeiro livro!

Por Stephanie: Quando li A Melodia Feroz, fiquei encantada pelo mundo de Victoria Schwab, mas tive dificuldades com o enredo. Em O Dueto Sombrio, livro que conclui a duologia, receio dizer que isso se repetiu, e dessa vez em uma intensidade um pouco maior.

O livro se inicia algum tempo depois de seu antecessor, e podemos ver algumas das consequências dos acontecimentos anteriores e também conhecer os rumos tomados por Kate e August. Não faz tanto tempo assim que li o primeiro livro mas tive bastante dificuldade de lembrar de muitas coisas para conseguir me situar na história. Acho que a autora incluiu muitos personagens e novas dinâmicas de maneira repentina, o que pode ter contribuído para a minha confusão. Depois que me acostumei com os novos nomes e termos, a leitura fluiu um pouco melhor. 

Mas aí veio a estranheza, novamente, com o enredo. Para evitar muitos spoilers, prefiro falar o mínimo possível sobre ele. O objetivo de alguns personagens é meio nebuloso, principalmente dos protagonistas e do vilão. Não sei se a intenção de Schwab era de que essa fosse uma duologia desde o início, mas eu acho que uma trilogia poderia ter tido mais sucesso no desenvolvimento de um enredo mais completo.

(...)– Não ficou sabendo? – ela disse, engatando a marcha. – Não existe segurança. – Ela pisou no acelerador e o carro disparou rumo ao Ermo. – Não mais.

August e Kate mostram evolução, e isso foi o que mais gostei em O Dueto Sombrio. Ambos mudaram e não são mais aqueles que conhecemos no primeiro livro. Mesmo assim, a essência de cada um ainda está lá, e acho que é isso o que fez com que eu me apegasse a eles. Vão fazer falta, com certeza.

A obra nos presenteia com alguns plot twists e um final grandioso o bastante para ser digno de uma conclusão de série. Mas como o enredo não foi desenvolvido o bastante, os capítulos finais sofreram, e algumas coisas ficaram em aberto e outras não mostraram o motivo de terem sido incluídas na história.

Tudo isso é uma pena, porque eu acredito que a história de Schwab tinha muito potencial para ser algo bem maior, mais impactante. Acho que essa duologia acabou ficando naquele limbo de histórias que não são ruins, mas também não são tão boas assim. São apenas ok.

(...) Havia um lugar estranho entre o saber e não saber. Onde as coisas podiam habitar no fundo de sua mente sem pesar em seu coração.

Vou continuar acompanhando o trabalho da autora porque continuo achando a criatividade dela acima da média, mas já percebi que seus livros voltados para o público mais velho me encantam mais do que os YA's. De qualquer forma, recomendo a duologia para os fãs de fantasia, principalmente urbana!

Até mais, pessoal!

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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Resenha: "A Nuvem" (Neal Shusterman)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: O Ceifador foi uma das minhas melhores leituras de 2017 (e se tornou uma das favoritas da vida), então não tinha como não ficar com as expectativas nas alturas pela continuação, A Nuvem, lançada em maio de 2018 pela Editora Seguinte. Lembro que quando o livro chegou pra mim, eu quase dei um grito de tanta felicidade e obviamente passei a leitura na frente de todas as outras que estavam em andamento.

A sequência se inicia um ano depois do final do primeiro livro. A competição acabou, Rowan e Citra estão seguindo suas vidas, cada um com suas responsabilidades e seus desafios. No início, achei que o foco estava muito na Citra, fiquei vários capítulos esperando uma aparição de Rowan, mas em certo momento percebi que este segundo livro não seria mais sobre estes dois protagonistas. A história estava se expandindo.

Um ditador presunçoso permite que seus súditos culpem aqueles menos capazes de se defender pelos males do mundo. Uma rainha altiva permite massacres em nome de Deus. Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.

Acho que essa expansão era inevitável neste universo criado por Neal Shusterman, que ainda continua sendo um dos mais bem construídos que já tive a oportunidade ler. O autor continua levantando ótimos questionamentos, que neste livro vão além de temas como o sentido da vida ou de que maneira encaramos a morte. Em A Nuvem temos religião, propósito, relações familiares, o poder da Natureza, entre outros assuntos que por mais que já houvessem aparecido em O Ceifador, foram bem mais aprofundados nesse segundo livro. E a inclusão de trechos do ponto de vista da Nimbo-Cúmulo não foi nada menos do que incrível, além de essencial para o desenvolvimento da história.

Toda vez que testemunho um ato cruel de um ceifador corrupto, semeio nuvens em alguma parte do mundo e lamento em forma de chuva. É o mais próximo que consigo chegar de lágrimas.

O livro introduz alguns personagens novos, que inicialmente podem até parecer insignificantes, mas que aos poucos vão ganhando seu espaço e mostrando a que vieram. Como eu já disse, consegui perceber que A Nuvem não teria mais o mesmo foco, e por mais que isso tenha me incomodado um pouco, eu entendi a intenção de Shusterman e no fim das contas, gostei bastante do rumo que as coisas tomaram.

Assim como no primeiro livro, o autor conseguiu inserir várias reviravoltas na história, uma melhor do que a outra. Essa é uma das minhas coisas favoritas nesta trilogia: por mais que a gente espere que certas coisas aconteçam, a maneira que elas acontecem sempre é surpreendente e consegue nos pegar de surpresa. Minha vontade era de bater palmas a cada plot twist da obra.

O final de A Nuvem é sensacional; não sou muito fã de cliffhangers (acho que ninguém é), mas gostei do caminho que as coisas tomaram e estou empolgadíssima pra ver o que Neal Shusterman vai aprontar na continuação (e possível conclusão) dessa história tão extraordinária.

E então, tá esperando o quê para dar uma chance?

Até a próxima!

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Resenha: "O Clube dos Oito" (Daniel Handler)

Tradução de Fabricio Waltrick

Aviso de gatilho: este livro possui cenas de estupro e violência explícita.

Por Stephanie: O gênero (ou classificação comercial) Young Adult, também conhecido como YA, é um dos mais populares hoje em dia. Mas lá em 1999, ano de publicação de O Clube dos Oito, a coisa era bem diferente. Claro que a literatura infanto-juvenil sempre existiu, mas não com as características específicas que aproximam a obra de um público-alvo adolescente. E é por isso que arrisco afirmar que a estreia de Daniel Handler foi um dos precursores dos livros contemporâneos para jovens adultos.

O livro conta a história de Flannery Culp, uma garota acusada de cometer um assassinato quando estava em seu último ano do Ensino Médio. O crime teria sido motivado por um suposto culto satânico envolvendo seu grupo de amigos denominado Clube dos Oito, além de outros fatores ocultistas e bizarros.

Através de seu diário, Flannery nos conta (com muito sarcasmo) os acontecimentos dos dias anteriores ao assassinato e um pouco sobre sua vida atualmente, agora já condenada e encarcerada. Esse modelo de narrativa hoje em dia já é bem comum, mas acredito que contar a história através de um diário foi um dos pontos diferenciais da obra de Handler na época de seu lançamento.

Flannery é a típica narradora não-confiável e difícil de gostar. No começo eu tive muita dificuldade no andamento dos capítulos, já que a voz da protagonista me incomodava muito. A garota quase chega a ser intragável, de tão fútil e reclamona. Aos poucos foi ficando mais tranquilo, mas não por conta de Flannery, que continuou chata, e sim por causa da dinâmica entre os amigos do Clube dos Oito que, apesar de bizarra, me entreteve bastante.

É necessário ter em mente durante toda a leitura o fato de que a obra foi escrita no final dos anos 90, ou seja, não se pode criticar o livro se baseando em YA’s contemporâneos atuais. É difícil exigir representatividade e diversidade em uma época em que isso era pouco debatido em livros para jovens. Não estou dizendo que é motivo para perdoarmos qualquer preconceito, mas eu tive que relevar algumas coisinhas em relação aos conflitos do livro para que a experiência fosse a mais positiva possível.
(...) Talvez os jovens de gerações anteriores se rebelassem por algum motivo mais óbvio, mas hoje sabemos que estamos simplesmente nos rebelando. Entre filmes para adolescentes e livros de educação sexual, estamos tão ansiosos pela nossa fase rebelde que é inevitável sentir que ela é segura, controlada. Tudo vai acabar bem, apesar dos riscos, aconchegados dentro da proteção da narrativa rebelde. (...)
Explicando melhor o que eu quis dizer no parágrafo anterior: Flannery é uma garota extremamente preocupada com sua aparência; ela afirma diversas vezes que é gorda (o que provavelmente é mentira, visto os comentários de seus amigos) e chega a ficar sem comer em várias passagens do livro, mesmo sentindo fome. Ela também xinga outras garotas de coisas como “vaca gorda”, que é algo bem gordofóbico. Não consegui entender até que ponto esses eram pensamentos apenas da personagem ou que também refletem a opinião do autor. Por isso foi um pouco difícil analisar de maneira neutra.

A rivalidade feminina também existe em grande quantidade em O Clube dos Oito. As meninas brigam bastante por conta de ciúmes de seus pretendentes, e chega até a ser cansativo. Mais uma vez, esse tipo de conflito pode até ser aceitável lá em 1999, mas hoje em dia é algo pouco verossímil.

O Clube dos Oito também debate a liberdade e rebeldia de adolescentes ricos e com pouca supervisão de adultos, algo que até mesmo nos dias de hoje é um assunto relevante. É fácil perceber a ironia do autor em representar a ausência dos pais de todos os adolescentes, tal como a presença constante e às vezes um pouco invasiva da escola e de seus professores.

Por fim, outro assunto importante que ganha destaque na obra é a distorção dos fatos pela mídia. Vemos diversas passagens de programas de TV, livros e jornais que fizeram a cobertura do caso e como é fácil canonizar a vítima e demonizar o criminoso da forma mais exagerada possível. Lendo o relato de Flannery é possível enxergar a discrepância entre os fatos e o que é exposto para o público.

O desfecho de O Clube dos Oito tem uma reviravolta que me pegou de surpresa; Daniel Handler não fez muito esforço para esconder a revelação mas acho que eu estava tão curiosa pra saber como o assassinato tinha acontecido que deixei passar várias dicas. Os mais atentos vão conseguir sacar com muita facilidade.
(...) A verdade se escondia em mim como um peixe cauteloso, suspeitando que qualquer sombra é uma rede que vai capturá-lo e trazê-lo à luz. (...)
Recomendo a leitura para quem curte humor negro, sarcasmo e personagens repletos de defeitos. Depois da metade é uma leitura bem fluida e que entretém o leitor, e que com sorte, pode conseguir surpreender no final.

Até a próxima, pessoal!
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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: "Dias de Despedida" (Jeff Zentner)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Você certamente já leu algum livro sobre morte, mais precisamente sobre luto. São histórias comuns e que parecem sempre servir de consolo para quem já passou por algo semelhante, além de conseguirem emocionar a maioria dos leitores. Dias de Despedida poderia ser só mais uma dessas histórias, mas a escrita de Jeff Zentner conseguiu levar a obra para outro patamar.

Carver, o protagonista e narrador do livro, é um rapaz de 17 anos que recentemente perdeu seus três melhores amigos em um acidente de carro, pelo qual ele se sente culpado. Essa culpa vem do fato de que Carver enviou uma mensagem de texto para o motorista do carro, seu amigo Mars; mensagem esta que Mars estava respondendo quando chocou seu carro com um caminhão.

Além do peso do luto, Carver precisa lidar com a possibilidade de ser indiciado pela morte de seus amigos (o pai de Mars é um juiz conhecido na cidade). Como era de se esperar, as consequências emocionais e psicológicas destas situações tornam a vida de Carver um inferno, e ele vai tentar fazer o possível para não sucumbir enquanto tenta lidar com seus problemas. A história acompanha o processo de luto de Carver desde o momento dos enterros de seus amigos até a possível aceitação, com a ajuda de sua família, amigos e de um novo terapeuta com quem ele começa a se tratar. 
Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.
A narrativa é muito fluida, mesmo se tratando de um assunto tão pesado e complexo. Zentner insere algumas passagens do passado dos amigos de Carver, mostrando como se conheceram e alguns dos momentos que passaram juntos. A sensação de nostalgia é constante e impossível de conter, um misto de alegria e pesar que me acompanhou durante toda a leitura. Dá pra ver como a amizade da Trupe do Molho era linda e muito intensa.

A relação de Carver com outros personagens também é muito bem trabalhada. Jesmyn, vovó Betsy e Georgia são pessoas tão incríveis, cada uma à sua maneira, que é impossível não se apaixonar pelas cenas em que elas aparecem e interagem com Carver. O romance poderia ter ficado de fora, mas foi compreensível no contexto da obra.

A diversidade está muito presente em Dias de Despedida. Zentner é um homem branco e hétero mas isso não o impediu de incluir personagens negros, asiáticos e gays em sua obra, de maneira natural e crível, sem cair em estereótipos e até alertando os leitores sobre o racismo e machismo contido em nosso dia-a-dia.

(...)Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita.
O tom escolhido pelo autor foi muito acertado, em momento algum achei o livro deprê. O final me trouxe esperança de que tudo acaba bem, de um jeito ou de outro. E me passou a mensagem de que ninguém precisa passar pelos momentos ruins sozinho. Tudo bem sentir saudade e dividir isso com outras pessoas, tudo bem se abrir com a sua família, tudo bem procurar ajuda profissional. Sua saúde mental vem em primeiro lugar.

Até a próxima, pessoal!
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Resenha: "Fraude Legítima" (E. Lockhart)

Tradução de Flávia Souto Maior

Por Stephanie: Fraude Legítima é o último lançamento de E. Lockhart, a mesma autora de Mentirosos. Como eu havia adorado seu livro anterior, as expectativas estavam nas alturas para este thriller. Acho que foram elas que tornaram a minha experiência não tão boa quanto eu esperava.

A obra nos apresenta a história de Jule e Imogen, duas garotas que tem um laço muito forte, que a princípio permanece um mistério mas aos poucos vai sendo explicado ao leitor. Jule é a protagonista, e é pelos olhos dela que a história é contada. Mesmo tendo sua perspectiva durante toda a obra, ainda assim é difícil compreender essa personagem quando terminamos a leitura.


(...) Ela acreditava que a melhor forma de evitar ter o coração partido era fingir não ter coração. (...)

A narrativa de Fraude Legítima é contada de trás para frente, começando do último capítulo e terminando onde a história começa (um pouco confuso, eu sei). Eu achei que fosse ficar perdida e esquecer tudo lá pela metade, mas isso não acontece, porque a leitura é muito fluida e os capítulos voam. Pra mim esse foi o ponto alto da obra.

Tirando este ponto super positivo, tive alguns problemas com a leitura, principalmente em relação aos personagens. Eu entendo que foi proposital incluir pessoas complexas e cheias de defeitos na história, a ponto de serem quase impossíveis de gostar, mas sabe quando ninguém soa real? Fiquei com a sensação de que todos eram fictícios, distantes da nossa realidade. Ou seja, não consegui me importar com ninguém.


(...) Mas acho que você é capaz de entender. Porque você conhece uma parte de mim que ninguém mais é capaz de amar. (...)

Ao contrário de Mentirosos, Fraude Legítima não possui um grande plot twist, e até mesmo o curso narrativo torna isso mais difícil de acontecer, já que conseguimos notar com bastante facilidade o que aconteceu “antes”. Por mais que eu reconheça a versatilidade da autora, acredito que se a história tivesse sido contada de maneira tradicional, poderia ter funcionado melhor e nos surpreendido mais.

No final do livro, a autora nos explica suas inspirações para Fraude Legítima, sendo a principal o filme/livro O Talentoso Ripley, que nunca assisti e nem li, portanto não posso falar sobre as semelhanças.

A escrita de E. Lockhart se mostra mais direta e simples neste livro, porém seus diálogos às vezes soam desconexos. Há um pouco de romance (que na verdade nem sei se posso chamar assim), mas os assuntos abordados com mais profundidade são: vingança, inveja, obsessão e amizades falsas. Portanto, pra quem gosta de uma história cheia de gente com sangue ruim, esse livro é um prato cheio!


O importante é isso: ser capaz a qualquer momento de sacrificar o que somos pelo que poderíamos nos tornar.
Até a próxima, pessoal!
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Resenha: "Só Escute" (Sarah Dessen)

Tradução: Alessandra Esteche


Sinopse: Para encarar a verdade, você precisa estar disposta a ouvi-la.

Ano passado, Annabel era a típica “garota que tem tudo” — inclusive era esse o papel que interpretava no comercial de uma loja de departamentos da cidade. Este ano, porém, ela é a garota que não tem nada: não tem mais a amizade de Sophie; não tem uma família feliz desde a descoberta do distúrbio alimentar de uma de suas irmãs; e não tem ninguém com quem passar a hora do almoço na escola. Até conhecer Owen Armstrong.
Alto, misterioso e obcecado por música, Owen é um garoto que vivia se metendo em brigas, mas agora está tentando mudar. Um de seus novos lemas é sempre falar a verdade, não importa qual seja, e jamais guardar ressentimentos.
Será que com a ajuda desse amigo inesperado Annabel vai conseguir encarar a verdade e enfrentar o que aconteceu na noite em que brigou com Sophie?

Fonte: Skoob

Por Eliel: Annabel estava acostumada a ser a garota que tem tudo. Uma carreira de modelo, uma família dessas de comercial de manteiga, amigos, popularidade etc. Mas esse livro vai além do que as primeiras impressões e as aparências podem revelar. Prepare-se e...

- Só escute - li em voz alta.
- É. Não pense ou julgue. Só escute.
- E depois?
- E depois - ele disse - você pode chegar a uma conclusão. É justo, não acha?
Realmente parecia. Fosse uma música, uma pessoa ou uma história, havia muitas coisas que a gente não tinha como avaliar com um único trecho ou uma olhada rápida.
- Acho - respondi, colocando o CD de volta no fundo da pilha.
- Tá certo.

O livro é narrado por Annabel e trata de temas como dificuldades na comunicação entre familiares, distúrbios alimentares, depressão, bullying, amizades verdadeiras e principalmente sobre a resolução desses e outros problemas decorrentes do dia-a-dia de uma adolescente.

É bom estar preparado, também, para ter sua caixinha de sentimentos revirados. Sarah tem uma forma de contar histórias que falam diretamente ao coração e vai ao âmago do seu sentimento. Lágrimas, posso dizer que serão inevitáveis.

O ponto alto é descobrir o que aconteceu com Annabel no verão passado. Um acontecimento que acabou com sua amizade com Sophie e destruiu sua vida desde então. Alternando entre o passado e o presente, onde Annabel está se reconstruindo, iremos descobrir aos poucos toda a densidade dessa narrativa.

Owen foi muito importante para dar mais peso por ser um amigo improvável para Annabel. Misterioso, quieto e fissurado em música ele vai apresentar um mundo novo e cheio de possibilidades para ela. É claro, que vai ter romance, mas isso nem chega a ser spoiler porque o interessante é como essa trama vai se desenrolar.

- Não pense nem julgue - eu disse. - Só escute.



Um adendo pessoal, as cenas que envolvem comida ou gastronomia e todo enredo social em torno de uma mesa ou refeição são as minhas favoritas desse livro. Eu recomendo com toda certeza esse livro e já vai para a prateleira do coração.

- Estava delicioso - Kirsten disse, me entregando uma panela ensaboada para que eu enxaguasse. - O molho era demais.- Também achei - minha mãe disse, sentada à mesa com uma xícara de café sem conseguir reprimir um bocejo. - Seu pai repetiu duas vezes. Espero que Whitney tenha percebido. É o melhor elogio que um cozinheiro pode receber.

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Resenha: "Tash e Tolstói" (Kathryn Ormsbee)

Tradução de Lígia Azevedo

Por Stephanie: Como é bom quando a gente encontra um livro levinho e gostoso de ler, né? Tash e Tolstói é exatamente o que eu estava precisando no momento: uma história sem muita pretensão, com personagens apaixonantes e um enredo simples, porém envolvente. Além de ser super atual, sem passar aquela sensação de que a história só é relevante agora. Um YA contemporâneo do melhor tipo.
A primeira coisa que você precisa saber sobre mim é: eu, Tash Zelenka, estou apaixonada pelo conde Liev Nikoláievitch Tolstói. Esse é o nome oficial dele, mas, como somos próximos, gosto de chamá-lo de Leo.
A obra nos apresenta a história de Natasha Zelenka, mais conhecida como Tash (lê-se Tásh e não Tésh). Ela é uma adolescente prestes a sair do Ensino Médio, apaixonada por literatura clássica (principalmente Tolstói) e que se considera uma assexual heterorromântica. Em parceria com sua amiga Jack, Tash produz uma websérie baseada em Anna Kariênina, uma das obras mais famosas de seu escritor favorito. E quando, de uma hora pra outra, a websérie viraliza, as amigas se veem em um mundo totalmente novo e empolgante, e precisam lidar com as reações positivas e negativas que se somam à fama repentina. Além disso, Tash precisa lidar com seus amigos e possíveis pretendentes (que ela não cobiça sexualmente).

Ufa, parece muita coisa, né? Mas eu juro pra vocês que na verdade é tudo bem mais simples do que você pensa. A escrita de Kathryn Ormsbee é uma delícia, super fluida e com diálogos rápidos, além de algumas trocas de mensagens que fazem as páginas passarem ainda mais rapidamente. Mesmo citando as obras de Tolstói, não senti que a escrita se tornou pedante ou muito explicativa; a autora não subestima a inteligência do leitor. Mas já adianto: há uns bons spoilers sobre Anna Kariênina, então, esteja preparado.

Falando agora sobre o aspecto LGBT de Tash e Tolstói, achei bem tranquilo. Como a orientação sexual de Tash não é muito comum, há uma boa quantidade de informações sobre como é ser assexual e o que isto significa. A autora mostra as diversas reações que as pessoas podem ter ao se depararem com um assexual, então há um debate mesmo que leve sobre preconceito e aceitação, sobre se encontrar e se entender em um mundo onde há tantas expectativas sobre como devemos nos sentir e quem devemos amar. Tudo de maneira bem informativa, sem ser didático demais. É um livro extremamente apropriado para adolescentes que estão em fase de descoberta.
Cheguei à seguinte conclusão: minha falta de desejo não se deve à falta de esforço. Tentei mais que o suficiente sozinha. Não odeio o sentimento. É bom, até satisfatório, chegar a esse ponto de libertação. Mas não é como eu deveria me sentir. (...) Eu deveria sentir mais. Deveria querer como eles querem. Ou isso, ou todo mundo à minha volta está fingindo. Às vezes gostaria que estivessem. Seria uma desilusão, mas pelo menos eu não ia me sentir a mais estranha das pessoas.
Os personagens são todos muito queridos; até aqueles com jeitinho de vilão conseguiram ganhar minha simpatia em algum momento. São adolescentes críveis, que tem seus surtos e momentos idiotas, mas que se mostram amigos leais e companheiros nas horas mais difíceis. Por falar em amigos, a amizade de Tash e Jack é uma das representações mais fiéis que li nos últimos tempos. Elas brigam, mas não competem, não tem aquela inveja boba uma da outra e falam a verdade quando necessário. Sem manipulação, sem atitudes duvidosas… só a pura amizade verdadeira entre duas adolescentes.

Outros assuntos relevantes também são abordados em Tash e Tolstói, tais como: religião, bullying virtual, relações familiares, drogas e doenças terminais. Como já falei, tudo é tratado com leveza e fluidez, de maneira que as páginas voam e a gente nem percebe que leu tanto. Também existe bastante diversidade e dá pra ver que a autora não inseriu certas coisas apenas para cumprir uma “cota”.

Adorei o tempo que passei na companhia de Tash, com seus devaneios, suas dúvidas, suas vitórias e derrotas. Por vezes me irritei um pouquinho com ela, mas senti empatia também. Tash é a personificação da descoberta adolescente, com todas as dores e delícias que vem no pacote desta fase da vida.
Não importa o que aconteça no futuro, temos isto: contamos uma história que não poderíamos ter contado sem a ajuda um do outro.
Duas curiosidades: 01 - este é o primeiro livro com uma protagonista assexual a ser lançado no Brasil e 02 - as cores da capa são as cores da bandeira assexual :)

Até a próxima, pessoal!


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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Resenha: "A Melodia Feroz - Monstros da Violência #1" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: A cabeça de Victoria Schwab deve ser uma loucura. Sempre que pego um livro dela, fico impressionada com sua criatividade e originalidade. E isso se repetiu com a leitura de A Melodia Feroz, um livro que mostra mais uma vez a capacidade da autora de criar mundos incríveis e muito ricos.

O pano de fundo de A Melodia Feroz é um mundo pós-apocalíptico onde monstros são reais e nascem a partir de atos violentos (homicídios, brigas, massacres etc). O lugar que antes era conhecido como Estados Unidos teve seu território novamente dividido em diversas cidades, umas mais desenvolvidas e prósperas, e outras, como Veracidade, ainda possuindo muita violência, caos e claro, monstros. Kate e August, nossos protagonistas, vivem em lados opostos de Veracidade e fazem parte das famílias mais poderosas desses lados. Kate é uma menina rebelde que sonha em ser fria e implacável como seu pai; já August é um monstro que daria tudo para ser humano. A Melodia Feroz aborda a relação entre estes personagens e como nem sempre tudo é uma questão de Bem contra o Mal.
Quando alguém aperta um gatilho, dispara uma bomba, faz um ônibus cheio de turistas cair da ponte, o resultado não são apenas escombros e cadáveres. Existe outra coisa. Algo mau. Uma consequência. Uma repercussão. Uma reação a todo o ódio, dor e morte.
O desenvolvimento do enredo é simples, e acho que esta é uma característica de Schwab: ela constrói um mundo complexo, porém simplifica a trama, trazendo equilíbrio. Achei a ambientação boa, mas confesso que muitas vezes tive dificuldade de entender os cenários e a divisão das cidades. Acho que um mapa facilitaria a vida neste sentido.

Kate e August são personagens muito bem construídos. Kate é um pouco irritante no começo, mas aos poucos foi ganhando minha simpatia e consegui me identificar com ela. Já August eu gostei desde o início, adorei a luta interna dele em não querer ser um monstro e seu jeito tímido e introvertido. Um monstro quase apaixonante, eu diria.
Corsais, corsais, dentes e garras, sombras e ossos abrirão as bocarras. Malchais, malchais, cadavéricos e sagazes bebem seu sangue com mordidas vorazes. Sunais, sunais, olhos de carvão, com uma melodia sua alma sugarão. Monstros grandes e pequenos, cadê? Eles virão para comer você.
Mesmo com vários pontos positivos, não achei este livro tão bom quanto os anteriores que li da autora. Fiquei pouco inserida no mundo e não consegui sentir o clima sombrio e violento que Schwab tentou criar. Acho que tive dificuldade de “comprar a ideia”, sabe?! O enredo, mesmo sendo simples, também não foi totalmente do meu agrado, com reviravoltas pouco surpreendentes e vilões sem muita profundidade. Mas o saldo final é positivo, e foi um livro que ficou bem próximo de 4 estrelas pra mim.

E o melhor de tudo: praticamente não há romance! Adoro quando os autores conseguem dar ênfase ao que realmente importa na história, sem perder tempo com declarações de amor e aquela “melação adolescente” de sempre, e nesse ponto Victoria Schwab acertou em cheio.
Não haviam regras, não havia limites; os culpados e os inocentes, os monstros e os humanos… todos pereciam.
Recomendo muito esta leitura para aqueles que buscam uma fantasia urbana e diferente, com personagens (e monstros) interessantes e protagonistas cativantes, além de boas cenas de ação, aventura e como era de se esperar, violência. Agora é aguardar pelo lançamento da sequência, que será também o final da história de Kate e August!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Resenha: "Mil Beijos de Garoto" (Tillie Cole)

Tradução de Marina Della Valle

Por Stephanie: Quando eu digo que não sou fã de romances, não estou falando de todos. Até porque alguns dos meus livros favoritos são desse gênero, como Um Dia e A Mulher do Viajante no Tempo. O que eu quero dizer com isso é que não gosto de romances previsíveis, desses que não trazem nada de novo. E por mais que a sinopse de Mil Beijos de Garoto tenha chamado minha atenção, fico triste de dizer que o livro não vai agradar a quem busca algo diferente.



A obra conta a história de Poppy e Rune, duas pessoas que se conheceram aos oito anos de idade e desenvolveram um sentimento além da amizade ao longo do anos. Após Rune, aos 15 anos, precisar voltar com sua família para seu país natal (Noruega), os dois acabam se distanciando e só voltam a se encontrar dois anos depois. Só que algo mudou entre eles e aos poucos vamos descobrindo os motivos por trás de suas atitudes. Assim nos envolvemos em uma história de amor adolescente, família e sacrifícios.



O início da história tem um quê meio mágico e inocente, parecido com o filme Meu Primeiro Amor. Porém, logo de cara, o que me incomodou em Mil Beijos de Garoto foi a escrita. Os diálogos de Poppy e Rune quando crianças (e até mesmo enquanto adolescentes) não pareceram naturais pra mim e tive muita dificuldade em imaginar pessoas reais conversando como eles. Muitas vezes Poppy parecia uma senhora sábia de 70 anos e Rune soava como um menininho de três, em situações que suas idades estavam bem diferentes dessas que citei. Bem estranho.



Passada a primeira parte da história, a separação acontece e o livro muda de tom. O período em que o casal fica longe é tratado de maneira bem superficial, e senti falta de saber um pouco mais sobre suas vidas durante os dois anos vivendo separados. Eu compreendo que provavelmente Tillie Cole fez isso de forma proposital por conta do mistério, mas mesmo assim gostaria que ela tivesse entregado mais do que apenas alguns parágrafos.

Tudo bem rir. Tudo bem sorrir. Tudo bem se sentir feliz. Do contrário, qual seria o propósito da vida?
Quando Rune retorna aos Estados Unidos e reencontra Poppy, a história começa a tomar outros rumos. E quando a maior revelação é exposta, o livro se torna algo bem diferente do que eu imaginava. Não achei algo assim tão surpreendente (na verdade cheguei a cogitar pois ao meu ver só haviam duas possibilidades para tanto suspense), porém mesmo assim fiquei um pouco desanimada porque achei que a partir desse momento Tillie Cole começou a beber da fonte de muitos livros de romance e YA lançados até hoje. Eu gostaria de falar os dois principais livros em que Mil Beijos de Garoto parece ter se inspirado, mas seria um spoiler enorme e eu prefiro não entregar o principal plot do livro. Mas vá sabendo que é um assunto bem triste.


Falando ainda sobre referências, Poppy é bem parecida com uma outra mocinha de YA: Mia Hall, protagonista de Se Eu Ficar. Ambas tocam violoncelo, são “esquisitas” e namoram um garoto lindo e irresistível. Rune não chega a ser genérico, na verdade acredito que a autora até tentou diferenciá-lo de alguma forma, porém ele acabou se tornando um personagem com pouca profundidade, a meu ver.



É difícil falar de outros personagens além do casal protagonista, pois Tillie Cole nos dá poucas informações sobre a família e os amigos deles. Absolutamente tudo gira em torno somente dos dois, Poppy só vive para Rune e Rune só vive para Poppy. Ambos têm hobbies e interesses, mas até eles ficam ofuscados tamanha a devoção que um tem pelo outro. Isso me cansou, porque a autora faz questão de nos lembrar a todo momento o quanto este casal se ama e como é lindo e indestrutível o amor dos dois. Desculpem se isto soar insensível, mas eu não consegui lidar com tanto exagero.



O drama contido na segunda metade da história toma conta de cada parágrafo. É perceptível como as frases foram moldadas para emocionar o leitor, tentando sensibilizar a todo momento. Não vou mentir, no finalzinho do livro eu cheguei a ficar um pouco tocada, mas totalmente consciente do esforço da autora para atingir este objetivo.



Mas de uma coisa eu tenho certeza: o problema com Mil Beijos de Garoto é que ele não foi escrito para leitores como eu. Então eu acredito que o público ao qual a obra é destinada tem grandes chances de adorar o livro e se emocionar de verdade com a história de amor entre Poppy e Rune. O caso aqui é um típico “o problema não é você, sou eu”. Eu consigo enxergar os motivos pelos quais tantas pessoas gostam deste livro - por exemplo, toda a “explicação” sobre título do livro é muito delicada e bonita -, mas eu me senti forçada a sentir algo ao invés de sentir de forma natural. E isso é difícil de ignorar.

Quando você está por perto, meu coração não suspira, ele voa. Acho que os corações batem num ritmo, como uma música. Acho que, como música, somos atraídos por uma melodia em particular. Ouvi a canção do seu coração, e o seu ouviu a do meu.
Então, caro leitor, se você gosta de histórias de amor carregadas de emoção, com personagens sensíveis e puros e uma narrativa dramática, se jogue de cabeça em Mil Beijos de Garoto e faça parte do grupo de pessoas que amaram a leitura. Mas se você é como eu e prefere enredos um pouco mais densos e personagens mais aprofundados, provavelmente esta não seja a melhor opção para incluir na sua TBR.


Até a próxima, pessoal!



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Ana Liberato