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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Resenha: "Destruidor de Mundos" (Victoria Aveyard)

 

Tradução: Lígia Azevedo

Sinopse: Ano após ano, Corayne assiste sua mãe, uma célebre pirata, partir para o alto-mar e desbravar todos os reinos de Todala, sem jamais poder acompanhá-la. Quando um misterioso imortal e uma assassina de aluguel aparecem dizendo que ela é a última descendente viva de uma poderosa linhagem — e a única pessoa capaz de salvar o mundo de um perigo iminente —, ela aproveita a chance para ir em busca de sua própria aventura.

O problema é que o perigo é muito maior do que ela imaginava: um homem sedento por poder, determinado a reabrir os portais que, no passado, levavam para outros mundos, povoados por criaturas sinistras. Com a ajuda de um grupo de bandidos e maltrapilhos, Corayne terá de provar que o heroísmo pode surgir até nos lugares mais inesperados.


Por Jayne Cordeiro: "Destruidor de Mundos" é um lançamento da editora Seguinte e da  conhecida Victoria Aveyard, autora da série "A Rainha Vermelha". Nesta história de fantasia, uma jovem, que descobre carregar em seu sangue um poder capaz de salvar o mundo, precisa se unir a um guerreiro imortal, uma assassina profissional, um escudeiro que carrega o peso de uma batalha perdida, uma bruxa que só fala em rimas, e outros dois bandidos, para impedir que um homem poderoso, consiga abrir portais e libere no planeta, monstros que podem destruir os reinos de Todala.

"Destruidor de Mundos" é um livro grande, com 550 páginas, mas não é maçante em nenhum momento. O começo é mais lento, porque estamos sendo apresentados aos personagens principais e é preciso mostrar os elos, que conectam à todos. Mas quando os encontros acontecem, a história ganha ritmo e fica bem mais dinâmica. Foi um bom livro, que promete bastante coisa para os próximos. Eu gostei do personagens, com as mais variadas personalidades e histórias de vida. Entre eles, é possível se divertir com o comportamentos de alguns, perceber possibilidades amorosas, ou dinâmicas que podem evoluir de várias formas.

O enredo é interessante, o contexto sobre aquele universo, com seus reinos e povos, é contado de forma fácil, e a informação não fica densa demais. Não comecei criando muitas expectativas para o vilão declarado, mas ao terminar o livro, o leitor sente sua intensidade e magnetismo, que promete muita coisa lá na frente. A história é envolvente, com vários acontecimentos, como viagens e missões, lutas, diálogos profundos e reviravoltas. Vemos temas como amizade, lealdade, companheirismo, importância da família, egoísmo e ambição.

Como um livro do gênero, ele consegue ser bem completo, com uma escrita clara e envolvente, personagens complexos e relações que vão surgindo e se modificando a cada página. Terminei o livro bem satisfeita, e com a sensação de que a série pode evoluir ainda mais, e se destacar dentro do gênero. Se você gosta de livro de fantasia, com magia, duelos e missões, com certeza, vale a pena dar uma chance para esse lançamento.




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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Resenha: "Crônicas de Espada e Feitiçaria" (Vários Autores edt. Gardner Dozois)

Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso

Sinopse: Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.

Fonte: Amazon

Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.

Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.

Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.

Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.

É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Resenha: "Santuário dos Ventos" (George R. R. Martin & Lisa Tuttle)

Tradução: Luís Reyes Gil

Sinopse: George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. O romance, ambientado num planeta distante, conta a história de Maris e seu sonho de se tornar um dos voadores, grupo de habitantes mais prestigiado do Santuário dos Ventos. Para isso, recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

Fonte: Editora Leya

Por Eliel: Quando uma situação não te agrada o conselho mais comum e mais óbvio é mudar. Porém isso às vezes não é tão fácil. No santuário dos Ventos tem uma sociedade engessada que faz distinção social entre os voadores e os confinados à terra, herança dos seus antepassados. Os Voadores são uma classe de prestígio no Santuário dos Ventos, são eles que são o principal meio de comunicação entre as nações. Os Confinados à Terra são todos os outros membros do povo que habitam as ilhas desse planeta tomado por grandes quantidades de água e fortes ventos.

Maris é uma confinada à terra de nascença que teve acesso à asas porque seu pai adotivo, Russ, é um voador. Ele ensina a arte do voo para Maris que tem um talento nato, mas devido ao seu nascimento e as regras não terá o direito de se tornar uma verdadeira voadora.

Muito em breve, ela deverá passar as asas que lhe deram tanto prazer para seu irmão mais novo, Coll (filho biológico de Russ), que não tem o mínimo talento e vontade de ser um voador. Sua verdadeira paixão é a música.

- Não se preocupe - disse Russ, com uma voz cordial, mas meio forçada. - Foi só um suporte, filho; eles quebram à toa. Não é difícil consertar. Você estava um pouco instável, mas todos nós ficamos no primeiro voo. Da próxima vez será melhor.- A próxima vez, a próxima vez, a próxima vez! - repetiu Coll. - Eu não consigo, pai, não consigo. Eu não quero uma próxima vez! Eu não quero suas asas! - Ele chorava abertamente agora, e seu corpo tremia com os soluços.O grupo ficou mudo, chocado, e o rosto de seu pai ganhou um ar severo.- Você é meu filho, um voador. Haverá sim uma próxima vez. E você aprenderá.Coll continuava tremendo e soluçando, as asas já desatadas aos seus pés, quebradas e inúteis, pelo menos por ora. Não haveria voo para Eyrie naquela noite.

As asas dos Voadores são feitas de um material metálico provenientes das velas das grandes embarcações estrelares dos primeiros exploradores a chegarem nesse planeta formado por vários arquipélagos. Dessa forma esse material é bem escasso, e as asas são passadas de geração a geração o que mantém essa cultura viva. Como mensageiros a serviço dos Senhores da Terra, que são os governantes das nações, eles mantém a comunicação e a sobrevivência em comunidade do planeta.

Maris não deseja se separar da liberdade e das sensações proporcionadas pelas asas. Diante de um grande Conselho dos Voadores ela vai lutar bravamente pelo seu direito contra todas as tradições impostas por séculos de história, afinal para ela as asas deveriam ser passadas por mérito e habilidade ao invés por hereditariedade. Dessa forma, menos asas seriam perdidas e vidas seriam poupadas se não caíssem em mãos inexperientes e sem talento.

- Somos pessoas, e se temos algum instinto é o instinto, o desejo de mudança. As coisas sempre mudam e se formos inteligentes faremos as mudanças nós mesmos, e para melhor, antes que sejamos obrigados a fazê-las. A tradição de passar as asas de pai para filho funcionou razoavelmente bem por muito tempo. Com certeza, ela é melhor que a anarquia, ou que a antiga tradição de se defender isso num combate, que apareceu no Leste durante os Dias de Sofrimento. Mas não é a única maneira, nem é a maneira perfeita.

Maris se tornará uma lenda no Santuário, porém terá que lidar com as consequências de seus sonhos e atitudes. Um fardo que pode ser bem pesado para carregar, mas toda revolução tem fardos e consequências diante das mudanças necessárias.

Um livro escrito à quatro mãos e com uma única voz. O mestre Martin e Lisa Tuttle escreveram esse livro em 1981 e somente agora chega uma tradução encantadora chega às nossas mãos por meio da Editora LeYa. Uma aventura ao melhor estilo Espada e Feitiçaria que trata de temas como a busca de sonhos e a importância de questionar sistemas opressores. Com uma protagonista feminina forte e bem construída e à frente do seu tempo.

- Crescer pode ser doloroso - comentou Evan. - E toda cura leva tempo. Dê tempo ao tempo, Maris.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Resenha: "Solomon Kane - A Saga Completa" (Robert E. Howard)




Sinopse: 'Solomon Kane: A Saga Completa' é uma obra na qual o leitor terá oportunidade de conhecer diversas aventuras de Solomon Kane, o famoso puritano inglês. Histórias repletas de fantasia, seres demoníacos e misteriosos, além de batalhas épicas. 

Após o lançamento de Conan, o bárbaro, a Generale traz para o público brasileiro uma coletânea de contos de Robert E. Howard sobre Solomon Kane. Neste livro, são também publicadas cartas do arquivo pessoal do autor, incluindo a correspondência enviada por seu pai a H. P. Lovecraft, um tocante relato sobre o suicídio de Howard. 

Conheça as histórias que inspiraram grandes autores e roteiristas e que serviram de base para o filme Solomon Kane - o caçador de demônios. Leitura obrigatória para fãs de leitura de fantasia e do gênero espada e feitiçaria.


Por Jayne Cordeiro: Quando peguei o livro Salomon Kane - A Saga Completa, eu não tinha nenhuma noção sobre o personagem ou como suas histórias tinham sido fundamentais na época para a criação desse universo de fantasia tão explorado hoje em dia. O livro, que visualmente parece ter sido feito com todo o cuidado, também tem toda uma preocupação em não apenas nos entregar os contos sobre esse personagem, mas também de ambientalizar o que eles foram para a época em que foram lançados e como influenciaram hoje.

Se este é o seu primeiro contato com uma obra desse impressionante escritor, há algumas coisas que você precisa saber, como o fato de ele ser considerado o "pai" do gênero espada e feitiçaria, tendo precedido em muitas décadas expoentes que são referências no gênero, como J. R. R. Tolkien, Michael Moorcock e, mais recentemente, George R. R. Martin.


Esse prefácio é fundamental para que o leitor chegue na obra com um olhar bem diferente, e perceba as técnicas das histórias, não como algo batido (clichê), mas como o ponto inicial do que vemos muito hoje em dia. O livro é composto de vários contos envolvendo o mesmo protagonista, e são de tamanhos variados, sempre tendo um ponto inicial e final na aventura daquela vez. São aventuras que envolvem sempre o protagonista combatendo algum mal, seja ele humano ou sobrenatural. São histórias bem desenvolvidas e bem condizentes com a época em que foram escritas, começando na década de 20, então é possível perceber certos pensamentos comuns da época, mas que não atrapalham a história.

Kane, movendo-se com a velocidade de um lobo esfomeado, disparou utilizando a segunda pistola com o mesmo resultado ineficaz, desembainhou seu longo florete e estocou o centro do atacante enevoado. A lâmina cantou ao atravessá-lo por completo, sem encontrar resistência sólida, mas o puritano sentiu dedos gelados apertarem seus membros e garras bestiais rasgarem suas vestes e até a pele debaixo delas.

Salomon Kane é personagem bem interessante e complexo. Um homem que vaga pela Terra lutando contra homens e criaturas cruéis, buscando ajudar os indefesos. Um conto por si só não possibilita que muito seja feito ou analisado na escrita, mas quando você pega uma obra completa, com todos esses contos reunidos, é fácil ver a evolução do personagem a cada ano. Na verdade é uma evolução tanto do personagem, quanto do autor, a cada conto escrito. A escrita dele é envolvente e bem detalhada, sendo perfeita para o tipo de história que foi criada.

A vila silenciosa com seu fardo de morte e mistério desaparecia atrás dele. A mais profunda quietude reinava em meio àquelas terras altas, de secretividade absoluta, onde os pássaros não cantavam, e apenas uma silenciosa arara planava entre as grandes árvores. Os únicos sons eram as passadas felinas de Kane e o murmurar da bria assombrada pelos tambores.

Para quem gosta desse estilo de fantasia, com um guerreiro em combates contra seres sobrenaturais, com certeza precisa ler este livro sobre Salomon Kane. Não é de nenhuma forma uma história romântica, com foco total na aventura, mas continua sendo uma leitura bem legal. A editora está de parabéns pelo cuidado que teve em toda a elaboração do projeto, com direito a presença de cartas escritas pelo autor e pelo seu pai, além de informações sobre o filme que foi feito baseado nessa obra, e que apesar de não ter feito sucesso, agradou bastante. Então espero que deem uma chance a essa história que apesar de antiga, ainda é bem atual. Abraços!







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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Resenha: "O Assassino do Rei - Saga do Assassino II" (Robin Hobb)

Tradução: Orlando Moreira

Sinopse: Segundo volume da saga fantástica de Robin Hobb! Fitz sobreviveu à sua primeira missão como assassino a serviço do rei, mas foi por pouco. Amargurado e sofrendo, ele pretende abandonar seu juramento ao Rei Sagaz e permanecer nas montanhas distantes. Porém o amor e acontecimentos terríveis o atraem de volta à corte em Torre do Cervo para as intrigas mortais da família real. Renovando seus violentos ataques ao litoral, os Salteadores dos Navios Vermelhos deixam um rastro de vilarejos queimados e vítimas ensandecidas. O reino também sofre agressões internas: a traição ameaça o trono do rei doente. Neste momento de grande perigo, o destino do reino talvez resida nas mãos de Fitz – e seu papel na salvação dele pode exigir seu sacrifício supremo.

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje resenha do segundo livro da Saga do Assassino. O livro um, O Aprendiz de Assassino, já foi resenhado.

Como eu sempre costumo avisar, inicio as resenhas de séries/sagas com um  pequeno resumo do livro anterior, então se você não gosta de spoilers talvez você deva ficar por aqui até conseguir ler o primeiro livro.

Mas, voltando ao livro I, vemos que Fitz foi enviado para a sua primeira grande missão oficial como assassino, e que as coisas não saíram nem um pouco como o planejado.

Majestoso arquitetou as coisas de uma forma que deixava Fitz sem escolha: assim como Majestoso induziu o Rei Sagaz a enviar Fitz como assassino, alertou aos príncipes de sua vinda, fazendo com que qualquer atitude de Fitz acabasse em execução, seja por obedecer seu rei, seja por traí-lo.

Apesar de tomar a resolução mais nobre, Fitz acaba de qualquer forma servindo de instrumento à Majestoso, além de ser envenenado, o que quase culmina em sua morte. Não fosse a Manha, sua habilidade em conectar-se a animais, considerada por muitos abominável, com certeza não teria sobrevivido. No início deste segundo livro encontraremos um Fitz doente, alquebrado, quase desistindo da vida e com muita, mas muita pena de si mesmo. 


Havia um espelho no quarto. Primeiro, sorri para o meu reflexo. Nem mesmo o bobo da corte do Rei Sagaz se vestia de modo tão chamativo. Mas, por cima do vestuário colorido, o meu rosto estava magro e pálido, fazendo os meus olhos escuros parecer grandes demais, enquanto o meu cabelo preto e arrepiado, raspado por causa da febre, mantinha-se em pé como os pelos da cernelha de um cão. A doença tinha acabado comigo.  
- Estou incapacitado, Bronco. Não posso voltar assim para Torre do Cervo! Sou um inútil. Sou pior que inútil, sou uma vítima à espera. Se eu pudesse voltar e espancar Majestoso até esmagá-lo, talvez valesse a pena. Mas, em vez disso, vou ter de me sentar à mesa com o Príncipe Majestoso, ser educado e respeitoso com um homem que conspirou para derrubar Veracidade e, como toque final, tentou me matar. 

Preso nas montanhas, e desejando de lá nunca mais sair, Fitz acaba no entanto sendo transportado através do Talento, outro de seus poderes, para uma aldeia do Reino onde o que vê, finalmente, o faz retornar à vida.

- Uma maré enchente – ofeguei. – Trazendo navios. Navios de quilhas vermelhas… Os olhos do Bobo esbugalharam-se de alarme. – Nesta estação, Majestade? Certamente que não! No inverno, não! Sentia a respiração apertada no peito. Lutei para falar. – O inverno chegou com demasiada brandura. Poupou-nos tanto de suas tempestades como de sua proteção. Olhe. Olhe para ali, por sobre as águas. Vê? Eles vêm . Eles vêm do nevoeiro.

Tendo em mente descobrir se seu amor de infância sobreviveu, Fitz não percebe que o fez por intermédio de seu Rei Sagaz, e do quanto sua saúde está abalada. Encontra na volta para casa um príncipe Majestoso cada vez mais no controle dos Seis Ducados, um Príncipe Veracidade cada vez mais exaurido em sua tentativa de repelir os Salteadores e seus Navios Vermelhos, um Bobo com cada vez mais enigmas e uma vida que as vezes parece um tanto errática.

Mas servir ao Rei, ser seu assassino faz com que Fitz precise cada vez mais contornar seus inimigos, principalmente quando o príncipe Veracidade parte em busca dos Antigos para pedir ajuda, além de abdicar de seu coração em detrimento do dever por inúmeras vezes, o que lhe coloca em conflito constante.

No que diz respeito ao uso de seus atributos mágicos, o Talento ainda é um grande mistério para Fitz, mas a Manha é algo que ele se vê usando cada vez com mais frequência, ainda mais agora que, por compaixão, acabou por salvar um pequeno lobo de um futuro terrível.

É arrogante, Lobito. E ignorante. Então me ensine (responde o lobo). Virou a cabeça para o lado para permitir que os dentes de trás cortassem a carne e os tendões do osso que tinha entre as patas. É o seu dever de alcateia. Nós não somos alcateia. Eu não tenho alcateia. Minha fidelidade pertence ao meu rei. Se ele é seu líder, então também é meu. Somos alcateia. À medida que sua barriga ia ficando cheia, ele ia ficando cada vez mais complacente a respeito daquilo. Mudei de tática. Friamente, disse: Eu pertenço a uma alcateia da qual você não pode fazer parte. Na minha alcateia todos são humanos. Você não é humano. É um lobo. Não somos alcateia. Uma quietude cresceu dentro dele. Não tentou responder. Mas sentiu, e o que ele sentiu me congelou. Isolamento e traição. Solidão. Virei-me e deixei-o ali. Mas não consegui esconder dele como foi difícil abandoná-lo assim, nem esconder a profunda vergonha que senti por renegá-lo. Tive esperança de que ele também sentisse que eu acreditava que aquilo era o melhor para ele. À semelhança, refleti, do que Bronco sentira quando me tirara Narigudo porque eu me vinculara ao cachorro. Aquela ideia ardia, e eu não consegui me limitar a me afastar apressadamente; fugi. 

Este segundo volume segue a narrativa lenta do primeiro. Não é uma leitura para quem gosta de muita ação, movimento e reviravoltas. Há muitas descrições dos acontecimentos que são acompanhados muito de perto, que faz com que todo o livro abarque uma quantia relativamente curta de tempo.

A narrativa se acelera para o final que - confesso - foi de uma angústia avassaladora e de partir o coração! Se o livro já não tivesse sido publicado há bastante tempo, o que me deu a oportunidade de ir direto para a leitura do próximo, para saber como as coisas continuariam, teria passado uma raiva muito grande com certeza.

No próximo mês irei resenhar o terceiro e último volume da trilogia, mas já adianto que toda a leitura valeu muito a pena. Se você não leu ainda, leia. Se você gosta de épicos com fantasia, com certeza não irá se arrepender.

Abraços.

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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Resenha: "A Rainha do Fogo - Trilogia A Sombra do Corvo, Livro 3" (Anthony Ryan)

Tradução: Gabriel Oliva Brum

Por Sheila: E chegou ao fim! Foram mais de 2000 páginas, noites insones, séries não maratonadas, churrascos do fim de semana furados, para concluir essa fantasia épica que tanto me arrebatou em seus dois primeiros livros - que já foram resenhados, o livro 1 aqui e o livro 2 aqui.

Como esse é o desfecho da trilogia, alguns spoilers são inevitáveis, então se você ainda não leu os dois primeiros livros e não gosta de estragar a surpresa, é melhor parar aqui e ler os dois primeiros livros antes de prosseguir.

Mas antes, recapitulando:

No primeiro livro vamos conhecer Vaelin Al Sorna, o Matador do Esperança, a partir do relato detalhado que faz de sua vida ao Lorde Verniers,  Cronista Imperial e, mais tarde descobriremos, amante do Esperança. Esse relato será realizado enquanto Vaelin é levado à ilha dos piratas, supostamente para ser morto em um combate.  

Ao final de "A Canção do Sangue" finalmente descobrimos por que o livro é intitulado dessa forma; As chamadas "Trevas" na verdade são dons, que o próprio Vaelin possui, uma espécie de sexto sentido que o avisa sobre as coisas. Na praia do Império Alpirano, onde aguarda sua captura pela morte do Esperança, o ex-futuro rei, adorado pelo povo, Vaelin descobre que seguia um rei insano, numa guerra fadada ao fracasso. Sua Fé parece ser nada mais que uma ilusão, quando descobre que há seres temíveis que habitam a escuridão do além túmulo, sendo que seu líder, o Aliado, planeja o Caos e a Destruição.

Numa narrativa que alterna passado e presente, "A Canção do Sangue" finaliza sua narrativa com o duelo entre Vaelin e o Escudo das Ilhas, numa jogada política que visava a libertação de Vaelin travestida de punição, dada a obviedade de seu sucesso sobre os piratas. Uma antiga dívida, contraída por seu pai ao queimar mulheres e crianças quando anda servia ao Rei Janus, que deveria ser paga com sangue.

"O Senhor da Torre" começará mais uma vez com o relato de Verniers que, impressionado com a narrativa do Matador do Esperança, resolveu partir para seu reino, apenas para ser capturado e virar escravo dentro de um navio, no cerco a um dos feudos do Reino.

Vamos encontrar um Vaelin mais velho, mais sábio, desiludido de sua Fé e relutante em aceitar o cargo que lhe oferecem, como Senhor da Torre dos confins do Norte, mas se dirigindo para lá mesmo assim pois é o que a canção do sangue lhe diz para fazer. Lyrna também parece ter mudado consideravelmente nos últimos cinco anos. Assim, quando o Aliado usa um de seus fantoches para matar Malcius, seu irmão, ela finalmente ascende como Rainha - mesmo que terrivelmente desfigurada, tanto física quanto emocionalmente.

Ao final de "O Senhor da Torre", Lyrna consegue fugir dos Volarianos, começar a retomada de seu reino e seu reconhecimento como rainha. Reva se torna a senhora de seu Feudo, quando seu tio por fim falece. E Vaelin forçou sua canção a tal ponto que acaba morrendo e, em seu retorno dramático da terra dos mortos, perde sua canção.

E - claro - numa reviravolta emocionante, um dos dotados dos confins do norte encontra a agora Rainha Lyrna. Apesar de ficar subentedido, entendemos ao final do livro que ela é curada das terríveis deformidades causadas pelo fogo. Um final emocionante, um desfecho eletrizante para um livro se igual.

Mas agora vamos ao "A Rainha do Fogo". Não vou mentir e deixar para o final: me decepcionei muito com o desfecho dessa trilogia, assim como muitos dos outros leitores que procurei pela internet para descobrir como se sentiram e o sentimento é um só... frustração.

Neste último livro, vemos a retomada por Lyrna da capital de seu império e sua organização para enfrentar os Volarianos em suas próprias terras, antes de que tenham tempo de se reorganizar para atacar o Reino novamente. Já Vaelin, irá partir para as terras do gelo, agora com uma Ionak que o orienta com sua canção, já que a dele foi perdida.

A guerra contra Volar será brutal, sangrenta, desumana. Muitos morrerão. Muitas batalhas serão traçadas. Eles são os vilões? Talvez. Mas há mulheres e crianças em meio ao povo massacrado, e por mais que haja alguma misericórdia, não há como nos depararmos com uma guerra sem que hajam baixas civis.

Vaelin também terá que lidar com batalhas, sangue e ossos partidos, perdas irreparáveis, enquanto busca pelas respostas que todos nós esperamos desde o primeiro livro: quem é o Aliado? Quais são seus objetivos? O que é história? Onde começam os mitos? E o que há de verdade travestida em adoração ao longo da passagem dos séculos?

Mas o final ... ah! O grande final! É como um grande rojão que não estoura, só solta fumaça. Entendam, tudo é resolvido, ou encaminhado de forma satisfatória. Todas as respostas foram dadas. Pelo que me lembro, todas as pontas soltas foram amarradas. Mas não foi grandioso. Não foi épico. Não foi arrebatador.

Recomendo a trilogia em si. Os dois primeiros livros são simplesmente magníficos, o segundo sendo, em minha opinião, o melhor! Mas o desfecho sinceramente me deixou com um gosto de cinzas na boca. Me despeço de vocês hoje numa resenha sem citações, em luto pela dor das minhas ilusões não correspondidas.

Até a próxima!

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Resenha: "A Canção do Sangue" (Anthony Ryan)

Tradução: Gabriel Oliva Brum

Por Sheila: Oi pessoas! Como vão todos e tod@s? Quem ai gosta de trilogia? E se ela se passar num mundo com ares de medieval, cheio de mistérios, um toque de magia, mas também muita ação com cenas de tirar o fôlego? Se essa for a "sua praia" você esta no lugar certo!

A queridíssima Editora Leya aceitou meu pedido para adentrar no mundo da Trilogia "A sombra do corvo" mesmo eu estando bem atrasadinha (o primeiro livro foi lançado em 2014), mas prometo me esforçar bastante para terminar a leitura e resenha de toda a trilogia para vocês o quanto antes! Mas vamos à história.

O livro começa com um prisioneiro, amaldiçoado por muitos por ser o Matador do Esperança. Visto com escárnio por uns e reverência por outros, ele esta sendo levado para uma espécie de batalha como julgamento por seus atos.

Escoltando-o, está Lorde Verniers,  Cronista Imperial, e todo o livro parece constituir-se do relato que Vaelin Al Sorna, o Matador do Esperança, lhe fará enquanto atravessam o mar para encontrar seu destino.

Ele tinha muitos nomes. Embora ainda não tivesse chegado ao trigésimo ano, a História achou apropriado conferir-lhe títulos em abundância: Espada do Reino para o rei louco que o enviara para nos atormentar; o Jovem Falcão para os homens que o seguiam pelas provações da guerra, Lâmina Negra para seus inimigos cumbraelinos e, como eu descobriria muito mais tarde, Beral Shak Ur para as tribos enigmáticas da Grande Floresta do Norte - a sombra do corvo.
É subindo ao navio que Al Sorna oferece a Verniers algo ao que ele não consegue emitir negativa: sua história. Que começa quando um pequeno garoto de 10 anos é levado pelo pai até a Casa da Sexta Ordem, sua nova família, que irá treiná-lo para ser um guerreiro, não do Reino, mas da Fé. O treinamento se mostrará duro, difícil e brutal.

A vida na Ordem é dura e, não raro, curta. Muitos de vocês serão expulsos antes do teste final, talvez todos, e aqueles que ganharem o direito de permanecer conosco passarão o resto de suas vidas patrulhando fronteiras distantes, lutando guerras intermináveis contra selvagens, foras da lei ou hereges, no decorrer dos quais é muito provável que vocês morram se tiverem sorte, ou sejam mutilados, se não tiverem. Os poucos que ainda estiverem vivos após quinze anos de serviço receberão suas próprias unidades para comandarem, ou voltarão aqui para ensinar aqueles que os substituirão. Essa é a vida que suas famílias lhes deram. Pode não parecer, mas é uma honra.
Honra ou não, Vaelin era apenas uma criança, que havia perdido recentemente a mãe, e ter como fim ser jogado pelo pai, atual Espada do Reino, para crescer em uma Ordem tão difícil por honra não parece assim tão bom a seus olhos. Assim, é com raiva, não com gratidão, que Vaelin abraça a crença da Sexta Ordem: proteger a Fé e seus colegas, agora Irmãos. Não há mais outra família que não a Ordem, e tudo que ficou fora dos portões deve ser esquecido.

A Fé do Reino constitui-se no culto dos Finados, ou seja, aqueles que já se foram, e não acredita-se em Deus, seja ele único ou mais de um. Aqueles que não seguem a Fé do Rei Janus, que unificou o reino, outrora quatro feudos independentes, é julgado e morto como herege ou Negador. Além disso, há sempre o temor das Trevas, histórias sobre pessoas com poderes sobre humanos que devem ser caçadas e condenadas a qualquer custo.

Enquanto Vaelin cresce, vamos descobrindo que a Ordem, apesar de dura, se importa com seus discípulos e que estes  realmente tem motivos para se sentirem acolhidos e entre uma família. Além disso, também vamos descobrir que as Trevas encontram-se mais próximas do que imaginávamos; que existem tramas políticas que vão muito além da Fé e da adoração que cada um resolve seguir; e que a Ordem tem segredos obscuros que ameaçam vir à tona a qualquer momento.

Este é um livro cheio de aventura com descrições que envolvem na leitura, a ponto de as páginas quase parecerem virar sozinhas. Foram mais de 600 página lidas em uma semana, e mal posso esperar pela continuação, para descobrir todas as respostas que ficaram sem uma conclusão neste primeiro volume, bem como tudo o que Vaelin ainda pode amadurecer como personagem, junto com seus irmãos da Ordem, presentes em todas suas batalhas.

Super recomendo! Abraços e até a próxima!

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Resenha: "O Gigante Enterrado" (Kazuo Ishiguro)

Tradução por Sonia Moreira
Sinopse: O Gigante Enterrado - Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, "O gigante enterrado" fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.Fonte: Skoob

Por Eliel: No mínimo excêntrico. Recebi esse livro com uma carga de expectativas muito grande. Julguei o livro pela capa sim, as bordas azuis me conquistaram e a premissa me deixou babando. Me decepcionei... a princípio. Já explico.

Na contracapa, o The Guardian, o definiu como uma mistura de Game of Thrones e A Espada era a Lei. Sou um leitor arturiano e que tem um fraco por literatura medieval. Porém, achei um pouco pretensiosa essa comparação, afinal nessa fábula não há tanta ação quanto em GoT.

Ishiguro, depois de uma década sem publicar, se arriscou demais por andar por temas que não eram de seu total domínio. Isso baseado nas suas obras. Mas se ele não tivesse feito isso, nós nunca poderíamos ter tido a oportunidade de presenciar esse rompimento do comodismo literário. Muitos dos temas aqui abordados - a memória, o amor, o tempo -, também estão presentes em outras obras de Ishiguro, mas a forma com que ele coloca essas ideias nas páginas é revolucionária, mesmo para uma narrativa que se passa em uma Grã-Bretanha pós-arturiana ainda envolta em lendas e mitos.

As personagens principais, ao contrário do que se esperaria, são um casal de idosos - Axl e Beatrice. Eles viajam por belas paisagens à procura de seu filho, porém estão envoltos por uma densa névoa de esquecimento, fruto de uma antiga maldição. Nessa jornada de (re)conhecimento e (re)descoberta eles encontram Sir Gawain (vocês devem reconhecer esse nome justamente da Távola Redonda) que adota para si a missão de proteger esse frágil casal. 

Talvez não fossem exatamente esses os nomes, mas, para facilitar, é assim que vamos nos referir a eles.

A narrativa parece um pouco confusa, mas acredito que essa seja mesmo a intenção do autor. A apresentação das ideias são muito mais profundas do que aparentam ser... Essa narrativa não é mera fantasia, afinal Ishiguro é um dos maiores nomes do realismo. Apesar de estar repleto de cavaleiros de armadura e dragões, não se engane são alegorias muito bem montadas para podermos entender essa fábula com olhos de criança e sabedoria de mestres. Portanto, não pisque para não perder nada.

Eu já vi um ódio tão escuro e tão profundo quanto o mar nos rostos de velhas senhoras e de crianças pequenas e, em certos dias, senti eu mesmo esse ódio.

Ishiguro seguiu os passos de Tolkien e Martin, sem dúvida, para compor esse romance. Porém, nada do que você verá nesse livro foi visto antes em obras que se passam em cenários semelhantes. 

Confesso que cheguei a rotular esse livro como "chato" e "sem graça", mas fui obrigado a me despir dos meus pré-conceitos e me deixar levar por uma narrativa passiva onde eu era mero expectador. Me sentei a beira da estrada e acompanhei as aventuras desse improvável par de heróis. Agora que cheguei ao fim, sou obrigado a concordar com a Publishers Weekly: "Fácil de ler,difícil de esquecer"

Se nós somos mortais, que pelo menos brilhemos intensamente aos olhos de Deus enquanto vivemos nesta terra!

Status: relendo, acho que perdi algo no caminho. Não perca a oportunidade de ter esse livro em suas mãos e desenterrar esse gigante.

Mas a senhora tem mesmo certeza de que deseja ficar livre dessa névoa, boa senhora? Será que não é melhor que algumas coisas permaneçam encobertas?


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Resenha: "Alma Celta" (Marmor)

Sinopse: Alma Celta é parte de um projeto multimídia único no Brasil, composto por um seleto grupo de artistas. Idealizado pelo renomado compositor e baterista Marcelo Moreira (Almah), a obra completa se estende através de literatura, música, quadrinhos, RPG, shows e demais plataformas, costurando um intricado universo fantástico a ser explorado.Partindo de um episódio histórico real (a invasão dos milesianos na Irlanda), Alma Celta cria uma trama de ficção profundamente embasada na mitologia céltica. O mago Amergin, um milesiano, está disposto a volta com um exército à terra verde (atual Irlanda) para vingar a morte do tio. E terá de enfrentar os habitantes Tuatha Dé Dannan, uma sociedade formada por druidas. O único jeito de dominar a Irlanda será ir atrás de três objetos mágicos: A Lança da Realeza, o Caldeirão da Abundância e a Espada da Luz. E, durante essa jornada, terá de passar por guerras, deuses e feiticeiros para provar seu verdadeiro valor.
Fonte: Skoob

Por Eliel: MARMOR é um projeto cultural que envolve mais de 20 artistas de várias partes do mundo. É mais do que uma banda, é um projeto transmídia que combina diferentes áreas como literatura fantástica, música, RPG, HQ, animação 3D, entre outras. E Alma Celta é o reflexo desse projeto na literatura fantástica, uma verdadeira jornada fantasy rock.



O livro começa com uma pincelada pela cultura celta, o que nos coloca bem a par do contexto histórico em que a aventura se passará. Pode parecer um pouco confuso com aquele monte de nomes complicados e tudo o mais, porém é necessário para que aventura não se torne um tanto confusa.


Nessa faceta literária do projeto, Eduardo Amaro, apresenta uma parte desse gigantesco mundo celta. O romance contido nessas páginas é sobre como os milesianos, povo descendente Mil Espaine, tentam se vingar da morte do seu líder, Ith. Ele foi fazer uma visita à tribo Tuatha Dé Danann - conhecidos pelo seus poderes druidas, capazes de profetizar o futuro -, para consultar um dos quatro tesouros desse povo, que era composto por: a Pedra da Soberania, que profetizava quem seria o próximo governante da Ilha Verde; a Lança da Realeza, que era invencível; a Espada da Vitória, que tornava o portador invencível; e o Caldeirão da Abundância, que possuía alimento infindável. Ith foi morto por engano e sob a liderança do druida Amergin os milesianos entram em guerra com a tribo de Dana.

Um tributo à riqueza dos velhos mitos que formam uma parte fundamental - embora negligenciada - da herança da cultura ocidental.

Por conhecer um pouco mais da cultura celta é possível perceber a sua presença em diversos livros, filmes e séries que abordam o tema medieval. Eu como um apaixonado pelo mito arthuriano fiquei feliz de ver esse projeto tão grandioso ser idealizado em terras tupiniquins, provando assim que a nova geração de artistas (afinal, são escritores, músicos, ilustradores etc. envolvidos nisso tudo) está cada vez mais preparada para satisfazer os mais exigentes consumidores de cultura.


E para deixar vocês com vontade de correr adquirir esse livro aqui vai uma amostra das ilustrações de Gabriel Fox (que na minha opinião são um complemento excepcional ao romance), juntamente com a música composta para esse projeto. Aproveitem:



E não deixem de curtir a página do projeto MARMOR no Facebook para saber de mais novidades, afinal a Alma Celta continua viva.




sábado, 24 de janeiro de 2015

Resenha: "Antes da forca" (Joe Abercrombie)

Por Sheila: Olá pessoas como vocês estão? Eu estava muito ansiosa pela chegada deste livro, que faz parte da série "A Primeira Lei". O primeiro livro, intitulado "O poder da espada" já foi resenhado - por mim! - no blog, e você pode acessar a resenha aqui.

Esse foi um livro que, a princípio, não havia atraído minha atenção; inclusive, havia passado outras leituras na frente, já que a sinopse não havia me atraído. Bárbaros? Lutas épicas? Torturadores? Sangue (muito sangue)? Eu estava passando.

Logo, foi uma agradável surpresa ver que Joe Abercrombie conseguia juntar todos estes elementos com uma maestria tal, que não desgrudei os olhos das páginas do livro até terminá-lo. E é aí que começa o sofrimento: quando virá a continuação?  Será que continuará tão envolvente quanto o primeiro livro?

Nem sempre estas respostas são afirmativas, principalmente pela ansiedade pela qual esperamos a continuação. Ok, vocês querem saber se a continuação ficou dentro das minhas expectativas ou não? Vão ter que ler toda a resenha ...

Fazendo então um breve retrospecto sobre como acabou "O poder da espada" (spoilers!). Deixamos um grupo improvável de viajantes - O Primeiro dos magos, uma lenda entre os povos que habitavam aquela parte do mundo, seu aprendiz que tem amplos conhecimentos de história antiga, Logen Nove Dedos, um bárbaro das terras do Norte, Ferro, uma ex escrava com uma raiva demoníaca de tudo e todos, e Jezal dan Luthar, um jovem mulherengo e mimado da União que foi praticamente arrastado para esta aventura.

O que este conjunto tão díspar de personagens faz viajando juntos, é o mistério que nos é deixado ao fim de "O Poder da espada", assim como o destino do inquisidor Sand dan Glokta e a guerra contra os Gurkenses, e o coronel West na guerra contra os bárbaros do Norte. 

No presente livro, vamos acompanhar essas três diferentes frentes de batalha: primeiro nosso estranho grupo em viajem para a borda do mundo, numa busca que o Primeiro dos Magos, Bayaz, resolveu empreender atrás de um artefato malígno, mas que pode ajudar na luta contra Kenedias, outro mago que tem apoiado os selvagens Gurkenses.

Ficamos sabendo mais a respeito da criação do mundo, e dos primeiros conflitos entre Juvens, mestre de Bayaz, e os irmãos, que de certa forma preciptaram os acontecimentos recentes. Acontece que há uma forma de comunicar-se com o mundo inferior, e há coisas tão diabólicas que se pode aprender com os seres do outro lado, que Juvens viu-se obrigado a criar algumas Leis.

A Primeira Lei - que foi quebrada pelo irmão mais novo de Juvens, sedento de poder, e agora por Khalul, um de seus doze Magos aprendizes - diz que proibi-se aos homens tocar o outro lado. Já a Segunda Lei, proíbe que se coma carne humana. Quando isso se da, estranhas transformações acontecem com os chamados "comedores". É isso que acompanharemos com Glokta no cerco Gurkense à Dagoska, onde ele se deparará com esse grande mal que ronda as portas da União.

- Você é uma comedora?
- Temos outros nomes, mas sim. - Ela inclinou a cabeça suavemente, o olhar jamais se afastando dos olhos dele. - Os sacerdotes me fizeram comer minha mãe primeiro (...)
- Por que vocês comem?
- Porque o passaro come o verme. Porque a arana come a mosca. Porque Khalul deseja e nós somos os filhos do Profeta. Juvens foi traíd e Khalul jurou vingança, mas estava sozinho contra muitos. Por isso fez seu grande sacriício e violou a Segunda Lei, e os justos se juntaram a ele, mais e mais com o passar dos anos. Alguns se juntaram por livre vontade. Outros não. Mas nenhum o rejeitou. Agora meus irmãs são muitos, e cada um de nós deve fazer o sacrifício.

Ao mesmo tempo, seremos informados em outros capítulos - as três histórias centrais são narradas em capítulos paralelos - como a União vem se saindo no enfrentamento aos bárbaros do Norte. Apesar de uma recente e inesperada adição aos homens do Rei, quando Três árvores, chefe do antigo bando de Logen Nove Dedos, decide se unir aos soldados da União, não está fácil ao coronel West manter a ordem de seu pelotão e a segurança do Príncipe, que insiste em ignorar seus conselhos.

Acontece que a ele coube ficar junto ao príncipe Ladisla, mandado ao campo de batalha como uma forma de ganhar algum status com o povo, não para que verdadeiramente lutasse, dado seu despreparo e sua imaturidade para assumir tal posição. Mas a sorte não estava ao seu lado, e é justamente o pelotão de Ladisla que é primeiramente atacado.

Ou seja os inimigos são muitos: ao grupo que viaja, a própria estrada por onde caminham guarda armadilhas mortais, e inimigos impiedosos. Ao sul, há os Gurkenses, comedores de carne humana que vem se multiplicando e espalhando com velocidade espantosa. Ao Norte, os bárbaros, que parecem também ter forjado alianças escusas com seres com poderes sobrenaturais.

Apesar disso já podemos entender um pouco mais sobre a escolha de Bayaz por seus acompanhantes na longa jornada que empreende até a borda do mundo - apesar de que a escolha por Luthar ainda permanece um mistério não explorado.

O livro segue o mesmo ritmo intenso do primeiro, onde as páginas praticamente se viram sozinhas. O mundo criado por Joe Abercombrie é tão complexo e rico, que é quase impossível sintetizar todas as minucías das historias que culminaram nos atuais conflitos entre os diferentes reinos. Fora que ainda há muitos mistérios sem solução, palavras não ditas, traições e alianças não desvendadas.

Além disso, todos os personagens são muito bem elaborados, profundos, e parece que nenhuma das palavras do autor é desnecessária, mas que todas terão um sentido para a trama posteriormente. Ou seja, eu AMEI o livro, estou super empolgada com a história, e muito mais ansiosa pela continuação.
Vale também destacar a capa e o trabalho muito bem feito pela Editora Arqueiro, o papel é daquele amarelinho, que deixa a leitura muito mais agradável.
Recomendadíssimo! Abraços e até a proxima!





domingo, 12 de janeiro de 2014

Resenha; " O Poder da Espada" (Joe Abercrombie)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Não vou falar da minha clavícula quebrada para não soar repetitiva (opa, já falei...) mas da resenha de hoje, que nada mais é que o primeiro livro de uma trilogia – sim, de uma trilogia mesmo, resolvi pesquisar mais a fundo os livros que resenho depois da gafe com Trono de vidro, que não tem três, mas seis livros. 

Vocês conhecem George R. R, Martin? Pois bem, os fãs dele estão dizendo por aí que Joe Abercombrie é quase o novo Martin. Eu não posso confirmar nem reputar esta comparação, já que não li nada deste último para que possa comparar de fato as obras. Por isso, teremos que ficar com as minhas impressões sobre o presente livro, e conto com a colaboração de nossos comentadores, caso já tenham lido livros dos dois autores. 

Primeiramente, o livro me surpreendeu. Por que, no momento em que li o titulo, “O Poder da Espada”, eu imaginei que de fato havia uma (espada), e que os personagens do livro ficariam ou a procurando, ou lutando por ela. Mas na verdade o título do livro é metafórico; quer mais significar que é através da luta que os personagens, ao menos neste primeiro livro, resolvem suas contendas, vencendo “a espada” mais forte - ou o melhor lutador. 

Mas a estória é narrada em terceira pessoa, sob dois pontos de vista distintos. Começa narrando como Logen Nove dedos, um bárbaro, conseguiu sobreviver a uma emboscada dos shankas, povo com quem o seu vive em guerra. Sua vida é cheia de batalhas memoráveis, mas também de profundos arrependimentos e sentimentos que não se esperariam de um lutador como ele. 
Logen trincou o maxilar e cerrou os punhos sob os retalhos podres do cobertor. Poderia voltar às ruínas da aldeia junto ao mar, só uma última vez. Poderia atacar com um urro de luta na garganta, como fizera em Carleon, quando perdera um dedo e ganhara sua reputação. Poderia tirar alguns shankas do mundo. Partí-los como havia partido Shana Sem Coração, do ombro às tripas, fazendo as entranhas caírem. Poderia vingar-se pelo pai, pela mulher, pelos filhos, pelos amigos. Seria um fim adequado para aquele a quem chamavam de Nove Sangrento. Morrer matando. Sua história poderia ser uma canção que valesse a pena ser contada.
Mas em Carleon ele era jovem e forte e tinha amigos na retaguarda. Agora estava fraco, com fome, e mais sozinho impossível.
Por outro lado, nos vemos às voltas com a União onde encontraremos Jazen van Luthar, um jovem em busca de glória, mas que nem sempre gosta do esforço que é necessário que se faça para obtê-la. E um inquisidor frio e impiedoso, San Dan Glokta, que não exita em denunciar, caçar e até torturar velhos amigos, desde que isso satisfaça a política dos inquisidores e suas aspirações de poder - e mesmo que ele próprio tenha sido prisioneiro de guerra e sofrido cruéis torturas.
Por que eu faço isso?, perguntou-se o inquisidor Glokta pela milésima vez enquanto mancava pelo corredor (...) Por que alguém iria querer fazer isso? Glokta criava uma sequência ritmica pelo corredor ao passar. Primeiro o estalo confiante do calcanhar direito, depois a batida da bengala, em seguida o escorregar interminável do pé esquerdo, com as familiares pontadas doloridas no tornozelo, no joelho, nas nádegas e nas costas. Clip, tap, dor. Esse era o ritmo do seu caminhar.
Mas a eminência de uma guerra com os povos do Norte acaba fazendo com que todos estes personagens que nada tem de comum entre si – mais um mago, um aprendiz, uma escrava fugida de terras distantes, e um navegador – acabem por se encontrar, fazendo com que velhas lendas e histórias há muito esquecidas sejam relembradas, e que antigas profecias se cumpram. 

Como todos eles se encontram, por que e para que ... bom, algumas dessas coisas não vou contar por que é surpresa, leia o livro; outras também não fiquei sabendo, há um mistério em torno desta aliança improvável que se forma entre personagens incomuns, e que espero sejam esclarecidos nos próximos livros. 

Mas a narrativa de J. A. é empolgante, os fatos se encadeiam de uma forma rítmica e, ao mesmo tempo, com uma sincronicidade perfeita, juntando todos os pedaços de um grande quebra cabeça com maestria. As cenas de luta e batalha são muito bem descritas, épicas, e mesmo eu que não gosto muito de estórias sangrentas, acabei por me empolgar muito com esta. 

Ansiosa pelos próximos livros, recomendo e me despeço! Abraços

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Resenha: "1356" (Bernard Cornwell)

Por Sheila: Oi pessoas! A resenha de hoje é para quem gosta de livros ambientados na Idade Média! Este é o livro IV da série "Em busca do Graal", que tem como personagem principal Thomas de Hookton. Abaixo, colocarei para vocês a sinopse do Skoob, que resume bem a estória do livro,
Setembro de 1356. Por toda França, propriedades estão sendo incendiadas e pessoas estão em alerta. O exército inglês — liderado pelo herdeiro do trono, o Príncipe Negro — está pronto para atacar, enquanto franceses e seus aliados escoceses estão prontos para emboscá-los. Mas e se existisse uma arma que pudesse definir o desfecho dessa guerra iminente? Thomas de Hookton, conhecido como o Bastardo, recebe a tarefa de encontrar a desaparecida espada de são Pedro, um artefato que teria poderes místicos para determinar a vitória de quem a possuísse. O problema é que a França também está em busca da arma, e a saga de Thomas será marcada por batalhas e traições, por promessas feitas e juramentos quebrados. Afinal, a caçada pela espada será um redemoinho de violência, disputas e heroísmo.
A espada, é La Malice, e sua busca será intensa e repleta de ação e muita luta. Afinal de contas, a igreja tenta apoderar-se dela, pois representa um símbolo de poder inigualável. Ao mesmo tempo, os dois exércitos em choque - O inglês e o francês - também a buscam. Que exército não ia querer lutar com a espada de São Pedro ao seu lado?

Como este é o quarto livro de uma saga com o mesmo personagem, Thomas de Hokton, algumas passagens ficaram um pouco obscuras; há o reencontro com alguns personagens, e tudo é explicado, só que de forma resumida.

A história e a estória viram uma só, quando a grande batalha de Poitiers é recontada de maneira excepcional, na qual, para quem não sabe o exército francês e inglês travaram uma batalha épica - e, se você é tão ruim em história quanto eu, leia o livro sem ver antes quem ganhou, é muito mais emocionante.

Preparem-se para muitas batalhas sangrentas, desfechos cruéis, casas incendiadas e mulheres estupradas. Afinal, estamos falando da Idade Média, que não foi chamada de idade das trevas por acaso. E conheçam (ou re-visitem) Thomas de Hokton, o bastardo inglês que lidera o Hellequins, seu grupo de mercenários.

Além disso, cabe destacar a crítica feita à hegemonia da igreja na época, das arbitrariedades e excessos cometidos pelo poder clerical; e, claro, para quem não leu os outros livros, este é escrito de maneira independente. Mesmo assim, senti falta de aprofundar melhor a estória de alguns personagens.

Recomendo!

 
Ana Liberato