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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Resenha: "Tudo o que a gente sempre quis” (Emily Giffin)

Tradução de Marcelo Mendes.


Por Thaís Inocêncio: Esse livro é diferente de tudo o que Emily Giffin já escreveu. Autora de sete romances, como O noivo da minha melhor amiga (que deu origem ao filme com Kate Hudson) e Questões do coração, Emily agora se arrisca no drama contemporâneo – e, na minha opinião, dá muito certo. A história é tão atual que, para se ter uma ideia, alguns termos que aparecem nela são: snapchat, story, uber, muro do Trump, além de diálogos como esse:

— Apaga!
— Não gostou por quê? Você está ótima!
— Não, meus braços estão gordos!
— Posso editar isso.
— Só se editar meu rosto pálido também. 
— Tenho o aplicativo perfeito pra isso!"


O livro é narrado por três pessoas: Nina, Tom e Lyla. Nina nasceu em uma família simples, em uma cidade pequena, mas agora faz parte da elite de Nashville. Seu marido, Kirk, vendeu a empresa de tecnologia por uma fortuna e seu filho adolescente, Finch, acabou de ser aceito em Princeton, então ela acredita que conseguiu “tudo o que sempre quis”.

Tom também vive em Nashville, mas “do outro lado do rio”, o lado menos abastado. Ele é pai solteiro de Lyla, fruto de um relacionamento com uma brasileira, que abandonou a família. Lyla, por sua vez, é uma adolescente comum e feliz que conseguiu uma bolsa de estudos na Windsor, escola de prestígio de Nashville, onde Finch também estuda.

Tudo muda quando Lyla vai à uma festa, exagera na bebida e acaba perdendo os sentidos. Alguém se aproveita disso e a fotografa em situações constrangedoras, imagens que acabam se espalhando entre os adolescentes e a comunidade rica de Nashville. Nesse contexto, as vidas de Lyla, Tom e Nina acabam se entrelaçando e muitos valores são colocados à prova.
"Simplesmente não posso acreditar no que está acontecendo agora. Na pessoa em que meu filho se transformou. E, no entanto, posso, sim. Porque às vezes não enxergamos aquilo que está bem ali, debaixo do nosso nariz."
Esse livro aborda questões importantes tanto para os adolescentes, quanto para os pais de adolescentes, por isso pode agradar muitos públicos. Ao mesmo tempo em que retrata a vida de jovens que frequentam festas regadas a bebidas alcoólicas e fazem brincadeiras ofensivas e que acreditam que dinheiro traz poder e impunidade, ele nos faz refletir sobre a importância de uma boa criação e do diálogo entre pais e filhos.
“Pensei no tempo perdido com coisas triviais que se tornaram tão importantes para a minha vida. Reuniões, festas, almoços, academia, salão de beleza, jogos de tênis no clube e, sim, até mesmo alguma obra assistencial realmente útil. Mas com que finalidade? Que importância tinha tudo isso agora? O que poderia ser mais importante do que arrumar tempo para conversar com meu filho sobre respeitar as mulheres e as diferentes culturas e etnias?”
Além disso, a obra discute o abuso sexual e a desvalorização da mulher, alertando para as consequências profundas do machismo na vida das pessoas. Também fala muito bem sobre xenofobia e racismo – o tempo todo somos alertados para a ausência de negros na elite ou a presença deles em cargos inferiores. E ainda perpassa assuntos como alcoolismo, corrupção e, claro, os impactos da tecnologia na atualidade.
“Achava que esse ativismo era um dos poucos aspectos positivos das redes sociais, que muitas vezes não passavam de uma plataforma de narcisismo e futilidade, um meio de mostrar fotos de viagens de férias ou de entediar a todos com fotos da couve-de-bruxelas comida na véspera.”
O enredo do livro me cativou desde o início. A escrita da autora é bastante simples e ágil, o que torna essa leitura muito rápida e tranquila. Outro ponto positivo é o projeto gráfico do livro, que traz uma diagramação simples e agradável e uma capa aveludada muito bonita. Recomendo!

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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Resenha: "Mulheres na Luta" (Marta Breen & Jenny Jordahl)


Tradução: Kristin Lie Garrubo

Sinopse: O movimento feminista em quadrinhos, para jovens e adultos. Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres ― pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras ―, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito ― e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Por Jayne Cordeiro: Em um sorteio, durante um evento literário, acabei tendo nas mãos esse livro bem diferente. No começo, fiquei meio triste por não exatamente aquele que eu queria, mas na medida em que comecei a prestar atenção em Mulheres na Luta, vi que este livro era um trabalho excepcional, e que ele precisava fazer parte da minha estante. De uma forma bem didática, como histórias em quadrinho, o leitor consegue ter um panorama geral e superficial as principais mulheres envolvidas na luta pelos direitos da mulheres. Direitos hoje que são considerados comuns, ma que foram conquistados com muito esforço pelas nossas antepassadas.


Apesar de ser um livro contado por imagens, ele é bem adulto. Acredito que é uma boa escolha para dar de presente para uma adolescente ou jovem adulta, pois de forma simples, ele passa uma mensagem bem profunda. As histórias de cada mulher são curtas e interligadas, mas a autora consegue contar bem o que aconteceu com cada uma delas. As ilustrações também ficaram ótimas. Ela conseguem ser delicadas quando precisa, mas também explicitas. Tem momentos em que elas conseguem passar uma diversão e também momentos impactantes.


As histórias possuem cores diferentes como fundo, mas acredito que isso também está ligado ao que cada história tenta passar. Para as pessoas que desejam conhecer um pouco mais sobre a história do Feminismo e suas origens, esse livro é bem interessante. E como as histórias são curtas e com menos texto, eu acabei lendo ele em questão de 1 hora. E fiquei com uma ótima impressão no final. Todo o trabalho do livro, com sua diagramação, imagens, a escolha das histórias e falas, mostra que houve todo um cuidado na elaboração da obra, de origem norueguesa, mas que abrange o mundo todo, e consegue atingir a qualquer pessoa.


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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Resenha: "Graça e Fúria - Graça e Fúria #1" (Tracy Banghart)

Tradução de Isadora Prospero

Por Stephanie: Atualmente, muitas editoras estão pegando carona no sucesso da série The Handmaid's Tale, vendendo seus lançamentos como livros feministas e que trabalham a força da mulher. Graça e Fúria certamente se encaixa nessa categoria, mas não considero isso como um de seus pontos fracos; Tracy Banghart consegue trabalhar bem as referências, favorecendo a história que criou.

A obra nos apresenta as irmãs Serina e Nomi, duas jovens que vivem em um reino em que mulheres tem papéis pré-estabelecidos e poucos direitos. Serina foi criada para ser uma graça, ou seja, uma mulher que viverá no palácio e servirá ao rei (no caso, ao herdeiro do rei), em troca de uma vida de luxo para si e sua família. Nomi, ao contrário da irmã, nunca quis uma vida assim para si, e sempre foi contra as imposições do reino. Ela aprendeu a ler (mesmo sendo contra a lei) e participará da seleção de graças com Serina, mas para ser a aia dela e auxiliá-la diariamente.

Tudo parecia bem, até que coisas acontecem e o destino das irmãs muda drasticamente: Serina é enviada para uma prisão feminina e Nomi ganha o posto de uma das graças do príncipe Malachi, mesmo sem ter nenhuma ideia de como fazer isso. Ela não sabe se portar, não sabe dançar, não sabe servir. E será que Serina, com toda sua delicadeza e ingenuidade, vai conseguir sobreviver aos horrores da prisão?

– Vocês devem ser tão fortes quanto esta prisão, tão fortes quanto a pedra e o oceano que as cercam. Vocês são concreto e arame farpado. Vocês são feitas de ferro.

Graça e Fúria é uma leitura rápida e dinâmica. A maioria dos grandes acontecimentos ocorre nos primeiros capítulos, mas mesmo assim ainda temos alguns momentos bem importantes ao longo do enredo. As protagonistas são bem distintas entre si, e acredito que assim como eu, você também vá se surpreender com qual das duas vai se identificar mais.

O livro tem uma ambientação simples e até um pouco genérica; não me lembro de nenhuma característica específica que consiga diferenciar Viridia de tantos outros reinos ou países já citados em outras fantasias que já li. 

Quanto aos personagens, o que mais gostei foi da evolução de alguns deles. Vemos claramente a força feminina sendo representada em sua melhor forma, ainda que timidamente. Acredito que tudo em Graça e Fúria seja bem introdutório: desde o enredo até as ideias sobre feminismo, sororidade e governos autoristas. É uma ótima maneira de se iniciar na leitura de livros empoderadores.

(...) Não é uma escolha quando você não tem a liberdade de dizer não. Um"sim" não tem nenhum valor quando é a única resposta que se pode dar!

Enquanto temos personagens cativantes e fortes de um lado, há também aqueles que tomam as decisões mais erradas e inocentes do outro. Há algumas revelações sobre determinadas pessoas que não posso falar por motivos óbvios, mas digo que, se o leitor fizer um pouco de esforço, vai conseguir perceber com facilidade o que virá pela frente.

No geral, Graça e Fúria é uma boa leitura, principalmente para os leitores que não estão acostumados com fantasias ou histórias sobre governos patriarcais. Recomendo!

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Resenha: Para educar crianças feministas – um manifesto (Chimamanda Ngozi Adichie)

Tradução de Denise Bottman
Por Kleris: Imagino que após a palestra de Sejamos Todos Feministas (reveja resenha aqui), onde o discurso feminista puxou as cortinas da sociedade e plantou suas sementes, muitos puderam entender o que é o movimento, seus ideais, suas lutas. 

Mas isso foi só a introdução, uma centelha, que deixou diversas questões para discussão e compreensão real, do feminismo em si, do feminismo no dia a dia, de como reagir ante as lutas; e Para educar crianças feministas é esse passo seguinte. É uma resposta mais direta para algumas de nossas inquietações quando se trata de mudar o comportamento. 
Há alguns anos, quando uma amiga de infância – que cresceu e se tornou uma mulher bondosa, forte e inteligente – me perguntou o que devia fazer para criar sua filha como feminista, minha primeira reação foi pensar que eu não sabia.
Parecia uma tarefa imensa.
Mas, como eu me manifestara publicamente sobre o feminismo, talvez ela achasse que eu era uma especialista no assunto. [...] Em resposta ao pedido de minha amiga, resolvi lhe escrever uma carta, na esperança de que fosse algo prático e sincero, e também servisse como espécie de mapa de minhas próprias reflexões feministas. [...] Ainda assim, penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens.

Ao falar de cultura, também falamos de educação. Nesse sentido, é bastante complicado criar uma “nova” noção de cultura quando se está tão mal acostumado a sensos nocivos, mais ainda por vê-los como “naturais” ou “normais”. Existem muitos projetos trabalhando nessa conscientização e reeducação social, mas uma coisa é certa neste cenário: nascemos todos machistas, misóginos e babacas, sem mesmo saber o porquê de assim nos comportar. Não precisamos, no entanto, esperar que as futuras gerações despertem - e tardiamente. Nós podemos promover a mudança desde o começo. 
Mas o que realmente conta é a nossa postura, a nossa mentalidade. E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero? (Sejamos todos feministas) 
A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura. (Sejamos todos feministas) 
Se não empregarmos a camisa de força do gênero nas crianças pequenas, daremos a elas espaço para alcançar todo o seu potencial. Por favor, veja Chizalum como indivíduo. Não como uma menina como deve ser de tal ou tal jeito. Veja seus pontos fortes e pontos fracos de maneira individual. Não a meça pelo que uma menina deve ser. Meça-a pela melhor versão de si mesma.

Como Chimamanda nos conta, ela escreveu uma carta para uma amiga respondendo à grande questão de educar crianças como feministas. Apesar de poucas páginas e da leitura ser rápida (a edição é pocket), o conteúdo é para ser digerido lentamente. São MUITAS situações para repensar, refletir e despertar. É um exercício social. E tal qual, não dá pra pegar um conceito, aplicá-lo puramente e ter um resultado satisfatório, porque as situações não são prontas e possuem muitos detalhes de contexto. 
E entendo o que você quer dizer que nem sempre sabe qual deve ser a reação feminista a certas situações. Para mim, o feminismo é sempre uma questão de contexto.

Isso me lembrou bastante da série de livros da Brené Brown, que começa com conceitos sociais de vulnerabilidade (A arte de ser imperfeito), depois se discute identificá-los em contextos (A coragem de ser imperfeito, aqui) e então o exercício e aprendizados diários (Mais forte do que nunca, aqui). É uma escolha. 
Isso parece fácil, mas você se surpreenderia ao saber quantos nunca reconhecem os próprios sentimentos e emoções – apenas os descarregam. [...] A ironia é que, ao mesmo tempo que criamos distância entre nós e as pessoas ao redor, descontando tudo nos outros, ansiamos por laços afetivos mais profundos e por uma vida emocional mais rica. (Mais forte do que nunca) 
Cuidado com o perigo daquilo que chamo de Feminismo Leve. É a ideia de uma igualdade feminina condicional. Por favor, rejeite totalmente. É uma ideia vazia, falida, conciliadora. Ser feminista é como estar grávida. Ou se é ou se não é. Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não. [...] Mais preocupante ainda é a ideia, no Feminismo Leve, de que os homens são naturalmente superiores, mas devem “tratar bem as mulheres”. Não, não e não. A base para o bem-estar de uma mulher não pode se resumir à condescendência masculina.

É possível ler Para educar crianças feministas antes de ler o primeiro (Sejamos todos feministas) ou de assistir à conferência original, mas não é aconselhável se você não tem um bom embasamento dos principais ideais – pois pode haver um choque desfavorável, como o feminismo leve. No mais, o livro-carta é excelente para entender mais do posicionamento feminista. Como principiante (ainda), para mim o manifesto foi uma leitura iluminadora. Chimamanda é uma excepcional guia. Recomendadíííííssimo! 
Tente não usar demais palavras como “misoginia” e “patriarcado” com Chizalum. Nós, feministas, às vezes usamos muitos jargões, e o jargão às vezes pode ser abstrato demais. Não se limite a rotular alguma coisa de misógina – explique a ela porque aquilo é misógino e como poderia deixar de ser. 
Mas é uma triste verdade: nosso mundo está cheio de homens e mulheres que não gostam de mulheres poderosas. Estamos tão condicionados a pensar o poder como coisa masculina que uma mulher poderosa é uma aberração. E por isso ela é policiada. [...] Julgamos as poderosas com mais rigor do que os poderosos. E o Feminismo Leve permite isso.

Novamente, dá vontade de comprar centenas de exemplares e distribuir :) 
Todo mundo vai dar palpites, dizendo o que você deve fazer, mas o que importa é o que você quer, e não o que os outros querem que você queira. Por favor, não acredite na ideia de que maternidade e trabalho são mutuamente excludentes.


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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Resenha: “Uma Loucura Discreta” (Mindy McGinnis)

Tradução de Fábio Bonillo

Sinopse: Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite. Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante. Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações. Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres. Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas. Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.
Fonte: Skoob

Por Stephanie: Quando você lê a sinopse de Uma Loucura Discreta, pode pensar que esse livro é só mais um de YA, onde uma adolescente "louca" é salva pelo amor da sua vida (que ela acabou de conhecer). Pois bem, já vou te dizendo pra tirar essa ideia da cabeça, porque de romance meloso e dilemas bobos esse livro não tem nada.

Histórias passadas em manicômios são quase sempre sombrias, e neste caso o livro não foge à regra, trazendo consigo uma narrativa carregada e densa que chegou a me incomodar várias vezes. A opressão que os pacientes sofrem no asilo em que Grace vive no início do livro é sufocante e cruel, sendo impossível não sentir empatia pelos personagens que habitam aquele local.
Todos eles tinham seus terrores, mas pelo menos as aranhas que viviam nas veias da garota nova eram imaginárias. Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.
Passado o primeiro terço da história, o incômodo diminui, mas não vai embora completamente. Acompanhamos a jornada de Grace e o Dr. Thornhollow por investigações à la Sherlock Holmes, e isso faz com que o livro dê uma acelerada e inclua cenas em outros ambientes, trazendo dinamismo. Vi algumas pessoas reclamando dessa mudança de tom, mas confesso que foi uma das coisas que mais gostei. Mesmo amando livros com assuntos pesados, acho que variar um pouco o tema proposto é sempre válido.

O livro aborda, além da sanidade e investigação, assuntos muito pertinentes aos dias atuais, mesmo se passando no séc. XIX: o feminismo e a opressão sofrida pelas mulheres (além de uma menção leve ao movimento sufragista). É chocante imaginar que naquele tempo ser mulher era ser inferior, e que qualquer atitude feminina "fora do padrão" poderia selar pra sempre o futuro de uma mulher, de maneira negativa. A palavra do homem sempre era lei, mesmo sendo mentira. Infelizmente isso ainda ocorre atualmente, quando vítimas de abuso são tidas como culpadas e julgadas por uma sociedade machista e opressora.

Os personagens têm a psique abordada a fundo, algo que eu já esperava. Em vários momentos me peguei questionando o verdadeiro sentido da palavra sanidade e em quais casos ela se aplica. Afinal, o "normal" é apenas um mito criado pela sociedade, que limita as pessoas a seguirem apenas uma linha de pensamento e comportamento? Ainda não sei se encontrei uma resposta.

Foram poucos os pontos negativos que eu identifiquei em Uma Loucura Discreta. Um deles foi a rapidez com que Thornhollow reconheceu as "habilidades" de Grace, achei que quebrou o ritmo. O final também não é tão bom; gostei do desenrolar de alguns acontecimentos mais achei a conclusão muito rápida. Além disso, achei que a autora tentou abordar muitos assuntos ao mesmo tempo em poucas páginas, tornando alguns deles muito superficiais. Gostaria de um livro maior ou até mesmo uma duologia que pudesse explorar com calma aquilo que foi falado apenas "por cima".
(...) É uma loucura tão discreta que pode caminhar livremente pelas ruas e ser aplaudida em determinadas rodas sociais, mas não deixa de ser loucura.
Mas no geral eu gostei muito da leitura e indico pra qualquer pessoa, mas se você é sensível a temas como estupro e violência contra a mulher, recomendo cautela. Não vejo a hora de a editora lançar The Female of the Species para eu conhecer mais do trabalho da Mindy McGinnis!

Quem mais leu ou está louco (rs) pra ler esse livro? Me conta nos comentários! E não deixe de conferir essa e outras resenhas no meu blog, o Devaneios de Papel. Espero vocês por lá!

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

#Indicação: Projeto Leia Mulheres chega ao Garimpo Clube do Livro! (@_leiamulheres @garimpoclube)


Novo serviço de assinatura e curadoria de livros, o Garimpo Clube do Livro oferece, a partir de 2017, um clube dedicado exclusivamente a autoras. A parceria é com o Leia Mulheres, projeto que promove encontros mensais ao redor do país para a discussão de obras de escritoras.

O Garimpo Clube do Livro entrou no mercado em setembro de 2016 com seis clubes de leitura: Ficção, com curadoria de Miguel Conde, jornalista, crítico e curador de duas Flips; Humor e Amor, por Julia Wähmann, escritora e idealizadora do Garimpo; Poesia, pelo poeta e ativista Ramon Nunes Mello; Vidas escritas (biografias), pela escritora e blogueira Marina W., pseudônimo de Maria Adriana Rezende; Negócios, pelo financista e criador do Garimpo, Gustavo Barbeito; e o Clube Infantil, divido em três faixas etárias, com curadoria da jornalista e editora Elisa Menezes.



Organizado por Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, o Leia Mulheres foi inspirado pela hashtag proposta em 2014 pela escritora Joanna Walsh, #readwomen2014. Presente em mais de 35 cidades do Brasil, o projeto promove encontros e debates sobre livros escritos por mulheres, e agora inicia uma curadoria exclusiva para o Garimpo, com assinatura mensal no valor de R$ 50,00.

A chegada do Leia Mulheres reforça a pluralidade do Garimpo Clube do Livro. Segundo Julia Wähmann, uma das idealizadoras do serviço, a mistura de autoras clássicas e contemporâneas, sem eleger um gênero literário específico, proporciona novas experiências aos leitores, que podem rever padrões, derrubar preconceitos e descobrir novos gostos. Além disso, através de seus encontros mensais, o Leia Mulheres põe em prática o conceito de sororidade, palavra tão cara ao movimento feminista.

Para comemorar o novo clube, os assinantes do Leia Mulheres receberão um brinde no primeiro mês: a edição comemorativa de Mulherio, publicação que reúne os textos mais marcantes do jornal feminista dos anos 1980.


Sobre o Garimpo Clube do Livro

Você tem algum livro para me recomendar?
Serviço de assinatura de livros com curadoria exclusiva realizada por profissionais do mercado editorial, o Garimpo Clube do Livro nasceu dessa pergunta frequente no dia a dia de seus idealizadores. São sete clubes do livro com curadoria especializada de um coletivo de escritores, editores e jornalistas, cada um dedicado a uma área ou gênero diferente. Na contramão da monocultura editorial que alimenta a lista de mais vendidos, o Garimpo propõe uma nova forma de estímulo à leitura, apostando na singularidade das experiências pessoais de leitura e na bibliodiversidade. Através de uma assinatura mensal de qualquer um dos clubes, os associados recebem um livro por mês e uma carta do curador explicando sua conexão com aquele livro, além de mimos como marcadores e micro-livros de editoras e designers independentes.

Os clubes

CLUBE INFANTIL, com três faixas etárias distinas para leitores iniciantes (4 a 6 anos), em processo (7 e 8 anos) e fluentes (9 e 10 anos). A curadoria é de Elisa Menezes, jornalista e editora, que atuou no departamento de livros infanto-juvenis da editora Rocco.

FICÇÃO, comandado por Miguel Conde, jornalista e crítico literário, doutorando em Letras pela PUC-Rio, foi curador da FLIP em 2012 e 2013.

HUMOR E AMOR, de curadoria de Julia Wähmann, escritora que atuou como editora por mais de quatro anos na Rocco, e elegeu neste clube os temas mais recorrentes em sua biblioteca.

LEIA MULHERES dá evidência aos livros escritos por mulheres nos mais diversos gêneros literários, de  obras clássicas a contemporâneas. As coordenadoras do projeto Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques assinam a curadoria do clube.

POESIA, clube do Ramon Nunes Mello, poeta com diversos livros publicados, autor convidado da última FLIP.

VIDAS ESCRITAS, em que a blogueira e escritora Marina W, pseudônimo de Maria Adriana Azevedo, recomenda biografias maravilhosas.

NEGÓCIOS, com Gustavo Barbeito à frente, financista e um dos criadores do Garimpo Clube do Livro.

Para mais detalhes, acesse www.garimpoclube.com.br e entenda as etapas de assinatura, envio e políticas do Garimpo, ou escreva para midia@garimpoclube.com.br.

Nas redes sociais

Até a próxima!
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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Resenha: “Primeiro e Único” (Emily Giffin)

Tradução de Amanda Moura
Por Kleris: Se você espera virar essas 450 páginas num sopro, esqueça; Primeiro e Único é um livro que te pede paciência e tempo para uma boa experiência de leitura. Acredito muito nessa máxima de ter momentos para cada livro e com esse da Giffin eu me arrisquei, visto que tava numa ressaca sem quê, nem pra quê. Era um risco bem consciente e, olha, parece que eu tava precisando mesmo de uma leitura razoável como esta. Vai sair uma resenha grande, porém necessária.

Shea está “estagnada” em sua vida. Pra ela está tudo bem, na medida do possível, pois as coisas aparentam estar onde deviam estar: ela vive uma vida mediana, com um emprego que lhe garante uma visão privilegiada de sua maior paixão (o futebol americano), o pagamento não é lá essas coisas, mas é algo e Shea se sente confortável quanto a isso, assim como em outros aspectos de sua vida – familiar, amorosa e pessoal.

Quando a mãe de sua melhor amiga (Lucy) morre, que as famílias parecem se abraçar para lidar com a perda da senhora Carr, é que todo o ambiente antes conhecido começa a mudar sem que ninguém perceba, sem falar que uma antiga admiração começa a palpitar o coração de Shea. Ao que tudo indica, não é só amor por futebol e nem só respeito pela figura máxima do time, há algo mais quando se trata do treinador Clive Carr, agora viúvo. Em meio a esta nova tensão, Shea se esforça para mudar sua vida e, quem sabe, sufocar sentimentos que não deviam estar aflorados.

Em Primeiro e Único, a trama ocorre muito “na sugestão”: as coisas acontecem e somos nós, os leitores, que temos de presumir o que está se sucedendo, ler comportamentos. Os personagens também sentem isso, eles ficam um pouco perdidos entre climas e fatos subtendidos e ninguém realmente fala a respeito. Giffin tem uma super segurança de fazer isso, de soltar pistas e de magistralmente estourar na hora mais (in)oportuna. Acho que é aqui que muitos leitores acabam abandonando a leitura, vez que isso ocorre de forma lenta na história, mas com paciência na dose certa, a gente percebe que Giffin quer nos mostrar algo e é interessante “parar” nosso usual ritmo para deixar que ela fale.

Não quero entrar muito em detalhes sobre a mensagem subtendida da autora, porém, há pontos que valem ser levantados, principalmente por estarem tão à flor da pele nesta década que vivemos: relacionamentos abusivos (familiar e amoroso), violência doméstica e psicológica, sexismo no esporte e feminismo. Giffin me pareceu voltar ao Realismo (o movimento literário) ao tratar desses temas – ainda mais por ocorrerem com um toque de “normalidade que não devia ser normal” e com muita descrição de cena. Mais uma vez ela foi magistral, pois enquanto se embrenhava no cotidiano do futebol americano, lá estava ela desenterrando problemáticas tão escondidas e silenciadas pela sociedade.

Imagino que tenha sido uma decisão difícil optar por uma história dessas – lenta, porém rica (em dilemas, problemáticas e ideologias) – semelhante ao que pensei quando li Simplesmente Acontece (resenha aqui) da Cecelia Ahern. Só que, ao contrário da Ahern em sua sucessão de recadinhos, conversas longas e miúdas, Emily aqui se utilizou de situações amenas para acompanhar uma temporada de futebol, se detendo mesmo a mostrar coisas que acontecem por debaixo dos panos.

Acompanhar essa “saga de sutilezas” pra mim foi como assistir uma minissérie de drama de uns 16 episódios (fiz inúmeras pausas, lendo pouco a pouco). É daqueles livros que a gente começa e sabe que vai demorar para as coisas acontecerem, e elas acontecem e acontecem sem nem quase percebermos. Inclusive, se despedir desses personagens tão “reais” foi difícil, já estava me acostumando a vê-los regularmente. 
[...] — Está com fome?
— Estou sempre com fome. Sou a sua filha que sente fome de verdade. É assim que você pode nos diferenciar — brinquei, esperando que o comentário soasse mais autodepreciativo do que sarcástico [...]
Meu pai deu risada, e eu notei o quanto ele parecia diferente hoje. Mais relaxado e natural.
— Há outras diferenças entre as minhas duas filhas — ele comentou, tomando mais um gole de café.
— Sim, acho que sim — concordei, listando algumas delas na minha cabeça, influenciada pelo meu sentimento de inferioridade de sempre.

Várias de suas ações ficaram na minha cabeça por dias e falar aqui sobre eles me demandou tempos para arrumar meus argumentos... porque basicamente tudo que eu pensava a respeito, sobre apontar pontos negativos e positivos, se misturaram bastante. Giffin escreve essa história de uma maneira que até os negativos, sob certas perspectivas, se tornem positivos – como a questão do ritmo lento, as conveniências e inconveniências das situações, os clichês e algumas de suas quebras, dentre outros. Tudo isso bem salta das páginas a olhos miúdos para demonstrar a transformação das personagens. 
[...] Lucy apareceu no corredor com sua mente acelerada processando cada detalhe.— Onde você estava? O que é isso? — interrogou ela, olhando para o meu presente.
— Lá fora. Foi seu pai quem meu deu.
[...] mas eu a conhecia o suficiente para saber o que estava pensando: que ele tinha feito todo o esforço para arranjar um presente para mim e tinha se esquecido completamente do aniversário dela. Senti uma pontada de culpa quando ela pegou o pacote e voltou para a festa.

Com certeza você vai odiar um punhado de personagens e muito provavelmente a própria Shea, que é essa persona confusa e até ingênua e, como a sociedade, acostuma-se com coisas “novas” com certa dificuldade. Há muita coisa dela que hoje vejo como ruim; por outro lado, todos já fomos um pouco Shea na vida e nossa esperança é que ela aprenda a ver as coisas como verdadeiramente são – e principal, como não deve ser atropelada pela opinião dos outros que acham estar fazendo o bem (e não estão), nem dar espaço, mesmo sendo aquela pessoa mais importante, para controlar sua vida. Como diz a capa, a lealdade e a confiança são postas à prova e Shea é essa heroína não convencional que precisa acordar para não mais viver empurrando com a barriga – e assim evitar mil e umas inconveniências. 
Àquela altura, todos resolveram me colocar contra a parede. Ou, mais precisamente, colocar Miller, que não estava ali para se defender, contra a parede. Eram minha mãe, Lucy, Neil versus Miller – uma disputa provavelmente injusta –, todos ali dizendo, de diferentes maneiras, que Miller não era bom pra mim. [...] Eu odiava ver minha vida sendo dissecada, especialmente na companhia de pessoas diferentes, mas levei o papo adiante, quando me ocorreu que aquilo poderia ser uma excelente distração para todos.

Enfim, o livro, como veem, é de gerar muitas discussões; é impossível se deter a só uma coisa nele. Se a autora fosse enxugar a história, ela por si só não se sustentaria. A trama pode até ser sobre o coração – como próprio sugere o título – mas Giffin vai bem além. É um bom livro, só não é talvez a melhor entrada para os trabalhos da autora. Se eu soubesse antes, levaria para uma viagem longa, diminuindo as pretensões sobre a leitura. 
— Bem, você tem um emprego maravilhoso... e esse namorado incrível, famoso... mas... está feliz?
[...] — Sim, estou feliz. Por quê?
— Ah, sei lá. Só tenho a sensação de que... — Ele fez uma pausa, depois pigarreou e tentou de novo. — Eu deveria estar preocupado com você?Eu fiquei confusa, depois comovida, e em seguida fiquei tão aborrecida comigo mesma por ter me comovido assim facilmente que cheguei a considerar a possibilidade de contestá-lo: Droga! Sim, mas é claro que você deveria estar preocupado comigo. É assim que os pais deveriam se sentir. Por toda a vida e a todo momento. Sempre preocupados com suas crias.
Em vez disso, respondi:— Não, pai, não deveria.

De considerações finais, deixo meus parabéns à editora Novo Conceito por todo o bom trabalho na edição, mais precisamente em questão textual: há notas de tradução (!) e o texto é bem explicativo quanto a se fazer compreender a trama envolvida no futebol. Você pode muito bem pular essas partes sem muitas perdas, já que é uma cultura bem diferente da nossa, mas achei interessante que a editora teve esse cuidado para com os leitores.

Se você ainda não leu, recomendo que segure o livro na estante até aparecer o momento certo; mas se já fez a leitura de P&U, diga lá o que achou, se abandonou (ou teve muita vontade) e se agora repensa na história após os citados pontos da resenha ;)


Até a próxima!


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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Resenha: “Sejamos Todos Feministas” (Chimamanda Ngozi Adichie)

Tradução de Christina Baum


Por Kleris: Acho que podemos resumir esse livro em “minutinhos de uma LEITURA NECESSÁRIA”. É incrível como às vezes estamos tão envolvidos em conhecer mais do feminismo e entendermos suas verdades e, por outro lado, muita gente não sabe nem pra onde vai, o que é, do que realmente se trata. Assim Chimamanda te chama pra conversar sobre o movimento e por que todos devemos ser feministas – independente de sermos homens ou mulheres. 
Se repetirmos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens. 
Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoas mais qualificada para liderar não é a pessoas fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem quanto uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.

A edição é curtinha e é uma adaptação de um discurso feito pela autora numa conferência do TEDxEuston (uma iniciativa destinada à disseminação de ideias). Você pode assistir a palestra no youtube, inclusive. O conteúdo é altamente esclarecedor.

A partir de vivências, o ensaio corre fácil como a fala de Chimamanda, muito carismática também. Enquanto lia, parece que estava de fato ouvindo sua voz e assistindo seu riso – já tinha visto sua conferência sobre O perigo de uma história só (assista aqui), outro discurso que toca nos estereótipos, só que no quesito literário. Vale muito a pena ler, disseminar seu discurso e, principalmente, levar conhecimento a quem nada compreende. 
Mas o que realmente conta é a nossa postura, a nossa mentalidade. E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero? 
A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.

Dá vontade de comprar centenas deles e distribuir ;)

Você pode comprar a versão impressa (é uma edição em pocket, coisa mais linda!) ou versão digital, pela Amazon, um ebook permanentemente gratuito; acesse aqui.
Ela não conhecia a palavra “feminista”. Mas nem por isso ela não era uma. Mais mulheres deveriam reivindicar essa palavra. O melhor exemplo de feminista que conheço é meu irmão Kene, que também é um jovem legal, bonito e muito másculo. A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.

Até a próxima!


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Ana Liberato