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sexta-feira, 27 de março de 2015

Resenha: “Encontrada” (Carina Rissi)

*Por Mary*: Ian <3 Vai ser muito difícil (eu diria quase impossível) escrever uma resenha coerente e imparcial hoje. Espero que compreendam. >.<

*suspira*
*suspira*
*suspiramaisumpouco*

Mas vamos lá.

Nós vimos em Perdida que Sofia largou o seu tecnológico Séc. XXI para viver o seu felizes para sempre ao lado de Ian (<3 <3 <3), no pacato Séc. XIX. Em Encontrada, descobrimos que, apesar de a decisão ter sido fácil (tão fácil quanto respirar), não se pode dizer o mesmo de sua adaptação à nova vida. Bem, não se pode julgar, afinal, se imagine você no mundo de, pelo menos, duzentos anos atrás? As coisas acabam saindo um pouco do esperado, pois Sofia parece ser um ímã para confusão (Já diria a Nina: “Pobre Ian...”). E, então, Sofia percebe depois de muita cabeçada que a única pessoa capaz de estragar o seu felizes para sempre é ela mesma. 
Contrair matrimônio. Eu não conhecia nenhum bom uso para aquele verbo: contrair dívidas, contrair um vírus... Os bíceps de Ian se contraindo e estufando as mangas da camisa enquanto ele treinava seus cavalos... humm... Tudo bem, um uso era bom, mas só aquele. Alguém devia fazer alguma coisa a respeito disso. Não é para menos que as pessoas fiquem com um pé atrás quando pensam em se casar. Como fora o meu caso, antes de conhecer Ian e ele me fazer perceber que um papel não mudaria nada. Eu tinha dado o grande passo, o maior de todos na verdade, ao aceitar abandonar o meu moderno, tecnológico, cheio de facilidades século vinte e um, para viver com ele no arcaico e sem recursos século dezenove.” 
Assim como em Perdida, a narração se dá em primeira pessoa, no ponto de vista da protagonista Sofia. Conforme eu avisei lá em cima e já mencionei na resenha passada, não vou conseguir ser imparcial, porque falar de um livro que amo tanto e de uma autora que admiro muitíssimo não será nada fácil. Carina Rissi é a responsável pelas maiores DPL’s de que me lembro.

Quando terminei Perdida e soube que haveria sequência, desconfiei. Porque o final era tão perfeito, que, na minha cabeça, já tinha fechado o ciclo e qualquer coisa só poderia estragar aquele casal lindo, com história mágica. Ledo engano. E, agora, sabendo que serão, ao todo, seis livros, mal posso esperar, quicando na cadeira ansiosa e louca por mais Ian (<3 <3 <3) na minha vida (E a DPL que se dane!). 
“Se forem tolos o bastante para isso, que riam. – Faíscas prateadas reluziram em suas íris negras. – Eu a amo, Sofia, e sei, a duras penas, como é impossível viver sem você. Posso lhe garantir, não estou disposto a repetir essa experiência enquanto estiver vivo. Nada, nem mesmo você, me convencerá do contrário. – E se inclinou para me beijar.” 
Ian (<3 <3 <3)

Falando em encerramento de ciclo, a Carina é muito feliz nos finais de cada livro. Quero dizer, apesar de haver uma continuação, o volume não se encerra no meio de uma ação e nem te dá a impressão de que algo está inacabado. Muito pelo contrário, você sente que aquele volume acabou, mas outros te esperam. Tanto em Perdida, quanto em Encontrada, apesar de fazerem parte de uma série, os núcleos dão a sensação de fechamento; o que dá, inclusive, a impressão de independência entre as obras. Desse modo, ao fim de Perdida você suspira muito muito muito pensa: Uau, que final lindo! O livro poderia ter acabado ali, mas você sabe que há uma continuação e isso é um plus. Da mesma forma, ao fim de Encontrada, você sabe que haverá uma continuação, mas sabe também que, se acabasse justo ali, já estaria perfeito.

Sem nenhum medo de rasgar seda, afirmo que a Carina Rissi é uma autora original, divertida e talentosa que não perde em absolutamente nada para os escritores internacionais mais badalados. Com uma escrita que prende a atenção do leitor, a Carina nos brinda com personagens cativantes, situações divertidas e histórias envolventes.

Eu cheguei a comentar na resenha de Perdida que a Carina Rissi é impecável quanto às suas pesquisas, sobretudo com relação a costumes de época, moda e aspectos históricos. Mas, mais ainda que isso, a Carina é magistral em adaptar e adequar as informações de acordo com a necessidade da história. Se tem alguém que sabe fazer uso de sua licença poética, esse alguém é a Carina Rissi. 
“O padre Antônio já estava ali, e, assim que Ian me ofereceu o braço, o sacerdote nos deu as costas. Ultrajada com a falta de educação do sujeito, me virei para Ian, para ver se ele estava tão ofendido quanto eu, mas ele me encarava com tanta intensidade que as palavras ficaram presas em minha garganta (...). Eu podia ouvir a voz grave do padre dando andamento à cerimônia, mas não era capaz de entender uma única palavra, como se ele falasse latim (...). Foi aí que meus olhos se arregalaram ao ouvir suas palavras. Ele não parecia falar latim. Ele estava falando latim! Comigo!” 
Se em Perdida, Ian já havia arrebatado os corações de cada uma das leitoras, em Encontrada ele recolhe os corações de cada uma de nós e os guarda no bolso. Nós somos dele e já não tem para onde correr. É irreversível. #LoucasPorIanClarke


“Sofia, você é diferente de um modo extraordinário. Você é extraordinária! É a razão de eu acordar no meio da noite só para me certificar de que ainda está ali, tamanho é o medo que tenho de perdê-la outra vez. É o motivo pelo qual me sinto tão afortunado, é a causa do sorriso estúpido que me estica a boca antes de dormir. As especulações da sociedade não significam nada para mim.”

É, o Ian continua lindo.

Há um motivo para perdoarmos todos os vacilos da Sofia: é por causa dela que somos presenteadas com mais e mais cenas belíssimas do Ian (<3 <3 <3).



E olha só o resultado da etiquetagem?!





quarta-feira, 25 de março de 2015

Resenha: “Perdida” (Carina Rissi)



*Por Mary*: Não só é muito difícil falar de um livro que gosto tanto, como é muito difícil ser suficientemente coerente com relação a uma escritora que admiro profundamente. É, amigos, estamos diante da minha maior DPL dos últimos tempos.

Em Perdida conhecemos Sofia, uma típica mulher do Séc. XXI completamente adepta às suas tecnologias e facilidades, independente e que tem uma completa fobia por casamento. A mera palavra já causa arrepios. Ela não acredita muito no amor ou na existência de uma relação verdadeiramente longa e duradoura. “Sem amor, mas sem dor”. Ela vive muito bem assim – ou finge acreditar que vive – até que um dia algo muito louco acontece: o seu novo celular a transporta para o ano de 1830. Sim, meus queridos, Sofia vai parar no Séc. XIX e lá é acolhida pela família Clarke, conhecendo Ian, um verdadeiro príncipe encantado. E, como se já não fosse muito difícil entender qual a sua missão naquele mundo novo – ou estaria louca? – Sofia ainda precisa lidar com a intensa atração que sente por Ian.

Parei para reler algumas passagens e, assim, articular melhor essa resenha e me surpreendi com o quanto me identifiquei com essa Sofia pragmática e cética do início da obra. 
“Você sempre foi muito cética, não é? Nunca acreditou em magia. Nem mesmo em contos de fadas ou Papai Noel. Sempre prática! Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver a sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso.” 
Estranho, não tinha reparado nisso na primeira vez que li...

Sabe quando você fecha o livro e sente um vazio imenso, como se alguém que você ama muito tivesse acabado de se afastar de você e ido para muito longe? E aí você não consegue pegar outro livro, porque ainda está preso no mundo do livro anterior, nos personagens e só consegue pensar neles. É, meus caros, isso é uma grande ressaca literária ou mais comumente conhecida como DPL (Depressão Pós-Livro).

Fiquei justamente assim. Uma grande e terrível fossa literária.

Em Perdida você será levada para um belíssimo conto de fadas moderno, com seus vestidos bufantes de princesa, bailes e um príncipe encantado de arrancar suspiros. A obra é escrita em primeira pessoa, a partir do ponto de vista de Sofia. A trama é ágil, divertida e a Carina Rissi sabe dar o tom certo para as conversas, desde as mais engraçadas até as mais sérias. Com SofIan você passará do riso às lágrimas em questão de minutos, sem esquecer dos reiterados suspiros que sem querer nos escapa entre uma cena e outra. 
“Sinto que posso... flutuar quando estou com você. Como se fosse capaz de realmente voar! Sinto-me completo pela primeira vez, Sofia. Há uma força em você que me atrai, que me arrasta para perto, uma força inexplicável que turva os meus pensamentos (...). E quando não estou com você, meu peito fica vazio, como se meu coração se recusasse a bater até que a encontre novamente. Sinta! Ele diz Sofia, Sofia, Sofia! Tem sido assim desde a primeira vez que a vi. Desde aquele instante percebi que não era mais dono do meu coração, que ele não me pertencia mais. Então... (...) Não diga que não existe nós!” 
Ai. Meu. Deus! <3 <3 <3

Eu costumo dizer que, para um autor, a pesquisa é fundamental. Sobretudo para quem escreve romances históricos e a Carina cumpre isso de forma magistral. Muito além de demonstrar a pesquisa aprofundada que faz em suas obras – de costumes, aspectos históricos e de moda – a autora apresenta de forma bastante original a sua capacidade de utilizar a licença poética a seu favor. Isto é, de utilizar as circunstâncias pesquisadas e adaptar, de forma a melhor se adequar às necessidades da história.

Outro ponto interessante a destacar, mas que está relacionado ao que menciono no parágrafo anterior – é que a Carina não define o nome das cidades em que se ambientam os fatos, de modo que você tem a liberdade de visualizar um mundo diferente, onde, por exemplo, não existiu a escravidão (tão abominável, que seria perfeito se realmente pudéssemos apagar da História). Isto é, muito embora, pela descrição, a metrópole mencionada se relacione bastante a São Paulo, poderia ser qualquer outra, cabendo ao leitor fazer a sua própria construção.

Essa “temporada” que a Sofia é obrigada a passar em um século atrasado e arcaico serve para fins de autoconhecimento. A Sofia, muito além de quebrar a cabeça para entender o que diabos a vendedora queria ao mandá-la para lá, acaba aprendendo mais sobre si mesma e sobre o que ela acreditou nem existir: o amor. 
“Contos de fadas podem se tornar realidade, Sofia. Basta que a princesa não lute contra a própria felicidade.” 
Tentarei me lembrar disso, Ian, prometo.

E, todo esse conflito, toda essa dificuldade em se adaptar e acreditar que algo tão bonito pode acontecer na vida real, mesmo que indiretamente, atinge o leitor, fazendo-o refletir. Porque até que ponto essa vida corrida que a gente leva nos distancia do que realmente importa? Quero dizer, até que ponto se preocupar tanto com as coisas – muitas vezes supérfluas – com as quais nos preocupamos não nos distancia do amor, da família, dos amigos e de nós mesmos?

Não vou cansar de elogiar a Carina, porque ela é simplesmente fantástica. Os seus personagens levam um misto completo de verossimilhança, magia e romantismo. É como trazer os contos de fadas para a vida real e você quer acreditar na possibilidade, por mais difícil que possa parecer. A Sofia, por exemplo, é atrapalhada, teimosa, petulante e só sabe se meter em confusão, dada à sua propensão à impulsividade. O Ian, por outro lado, é gentil, doce, elegante lindo maravilhoso tudo de bom e carrega consigo a perfeição do século em que vive, demonstrado em seus modos polidos, a fala pausada e bem articulada, os movimentos calculados e suaves. Um verdadeiro cavalheiro. 
“- É uma caneta. Você usa para escrever. Assim. – Tomei o objeto de suas mãos e fiz alguns rabiscos num pedaço de papel (minha conta de telefone, constatei). – Não me diga que ainda não tem caneta aqui? - Não, não tem! – Ele olhava fascinado para a minha caneta simples, comprada no supermercado. – Usamos pena e tinta para escrever.” 
Se ficou contente desse jeito com uma Bic, imagina o Ian com uma Mont Blanc?! Rs.

E, como se já não bastassem todos os elogios ali acima, ele carrega certa inocência, uma doçura indescritível e o amor mais devotado que se pode imaginar. Se você não se apaixonar, ah, minha querida, esse coração é mesmo duro, viu? Aposto um caramelo, que não tem cristão que resista aos encantos de Ian Clarke. 
Ian. Ian era a resposta para todas as minhas perguntas. Eu não tinha mais dúvidas quanto a isso. Era por ele que eu procurava – a vida toda -, sem nem mesmo saber que procurava. Era ele que eu queria, de forma desesperada, para toda a vida. E era ele a minha jornada ali, minha missão.” 
E tem notícia boa: Habemus filme! Foi confirmada a adaptação cinematográfica de Perdida e a própria Carina participou de perto da elaboração do roteiro. Nesse ano de 2015 devem surgir mais notícias e provavelmente serão anunciados os atores escolhidos para cada papel. Recentemente surgiu uma campanha nas redes sociais em que pediam o Bernardo Velasco para interpretar o Ian. 



 
 


E vocês, o que acham? Que ator brasileiro vocês acreditam que seria o Ian perfeito?

Se alguém, por acaso, quiser saber mais sobre a campanha, basta clicar aqui.






 
Ana Liberato