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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Resenha: Para educar crianças feministas – um manifesto (Chimamanda Ngozi Adichie)

Tradução de Denise Bottman
Por Kleris: Imagino que após a palestra de Sejamos Todos Feministas (reveja resenha aqui), onde o discurso feminista puxou as cortinas da sociedade e plantou suas sementes, muitos puderam entender o que é o movimento, seus ideais, suas lutas. 

Mas isso foi só a introdução, uma centelha, que deixou diversas questões para discussão e compreensão real, do feminismo em si, do feminismo no dia a dia, de como reagir ante as lutas; e Para educar crianças feministas é esse passo seguinte. É uma resposta mais direta para algumas de nossas inquietações quando se trata de mudar o comportamento. 
Há alguns anos, quando uma amiga de infância – que cresceu e se tornou uma mulher bondosa, forte e inteligente – me perguntou o que devia fazer para criar sua filha como feminista, minha primeira reação foi pensar que eu não sabia.
Parecia uma tarefa imensa.
Mas, como eu me manifestara publicamente sobre o feminismo, talvez ela achasse que eu era uma especialista no assunto. [...] Em resposta ao pedido de minha amiga, resolvi lhe escrever uma carta, na esperança de que fosse algo prático e sincero, e também servisse como espécie de mapa de minhas próprias reflexões feministas. [...] Ainda assim, penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens.

Ao falar de cultura, também falamos de educação. Nesse sentido, é bastante complicado criar uma “nova” noção de cultura quando se está tão mal acostumado a sensos nocivos, mais ainda por vê-los como “naturais” ou “normais”. Existem muitos projetos trabalhando nessa conscientização e reeducação social, mas uma coisa é certa neste cenário: nascemos todos machistas, misóginos e babacas, sem mesmo saber o porquê de assim nos comportar. Não precisamos, no entanto, esperar que as futuras gerações despertem - e tardiamente. Nós podemos promover a mudança desde o começo. 
Mas o que realmente conta é a nossa postura, a nossa mentalidade. E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero? (Sejamos todos feministas) 
A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura. (Sejamos todos feministas) 
Se não empregarmos a camisa de força do gênero nas crianças pequenas, daremos a elas espaço para alcançar todo o seu potencial. Por favor, veja Chizalum como indivíduo. Não como uma menina como deve ser de tal ou tal jeito. Veja seus pontos fortes e pontos fracos de maneira individual. Não a meça pelo que uma menina deve ser. Meça-a pela melhor versão de si mesma.

Como Chimamanda nos conta, ela escreveu uma carta para uma amiga respondendo à grande questão de educar crianças como feministas. Apesar de poucas páginas e da leitura ser rápida (a edição é pocket), o conteúdo é para ser digerido lentamente. São MUITAS situações para repensar, refletir e despertar. É um exercício social. E tal qual, não dá pra pegar um conceito, aplicá-lo puramente e ter um resultado satisfatório, porque as situações não são prontas e possuem muitos detalhes de contexto. 
E entendo o que você quer dizer que nem sempre sabe qual deve ser a reação feminista a certas situações. Para mim, o feminismo é sempre uma questão de contexto.

Isso me lembrou bastante da série de livros da Brené Brown, que começa com conceitos sociais de vulnerabilidade (A arte de ser imperfeito), depois se discute identificá-los em contextos (A coragem de ser imperfeito, aqui) e então o exercício e aprendizados diários (Mais forte do que nunca, aqui). É uma escolha. 
Isso parece fácil, mas você se surpreenderia ao saber quantos nunca reconhecem os próprios sentimentos e emoções – apenas os descarregam. [...] A ironia é que, ao mesmo tempo que criamos distância entre nós e as pessoas ao redor, descontando tudo nos outros, ansiamos por laços afetivos mais profundos e por uma vida emocional mais rica. (Mais forte do que nunca) 
Cuidado com o perigo daquilo que chamo de Feminismo Leve. É a ideia de uma igualdade feminina condicional. Por favor, rejeite totalmente. É uma ideia vazia, falida, conciliadora. Ser feminista é como estar grávida. Ou se é ou se não é. Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não. [...] Mais preocupante ainda é a ideia, no Feminismo Leve, de que os homens são naturalmente superiores, mas devem “tratar bem as mulheres”. Não, não e não. A base para o bem-estar de uma mulher não pode se resumir à condescendência masculina.

É possível ler Para educar crianças feministas antes de ler o primeiro (Sejamos todos feministas) ou de assistir à conferência original, mas não é aconselhável se você não tem um bom embasamento dos principais ideais – pois pode haver um choque desfavorável, como o feminismo leve. No mais, o livro-carta é excelente para entender mais do posicionamento feminista. Como principiante (ainda), para mim o manifesto foi uma leitura iluminadora. Chimamanda é uma excepcional guia. Recomendadíííííssimo! 
Tente não usar demais palavras como “misoginia” e “patriarcado” com Chizalum. Nós, feministas, às vezes usamos muitos jargões, e o jargão às vezes pode ser abstrato demais. Não se limite a rotular alguma coisa de misógina – explique a ela porque aquilo é misógino e como poderia deixar de ser. 
Mas é uma triste verdade: nosso mundo está cheio de homens e mulheres que não gostam de mulheres poderosas. Estamos tão condicionados a pensar o poder como coisa masculina que uma mulher poderosa é uma aberração. E por isso ela é policiada. [...] Julgamos as poderosas com mais rigor do que os poderosos. E o Feminismo Leve permite isso.

Novamente, dá vontade de comprar centenas de exemplares e distribuir :) 
Todo mundo vai dar palpites, dizendo o que você deve fazer, mas o que importa é o que você quer, e não o que os outros querem que você queira. Por favor, não acredite na ideia de que maternidade e trabalho são mutuamente excludentes.


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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Interrogação #10 – A “hora” de sair da zona de conforto

Com Aline TKM, blogueira convidada


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.


Em qualquer traço cultural, o que te faz sentir que é “hora” de sair da zona de conforto?

A: Antes de tudo, adorei o convite para participar desta coluna! E olha, fui pega de surpresa pela pergunta porque teve tudo a ver comigo, com os meus hábitos literários e mesmo com a minha leitura do momento.

Para responder e contar um pouco para vocês sobre o que eu considero como a minha “hora” de sair da zona de conforto, resolvi gravar este vídeo! 



Aline T.K.M. é publicitária, atriz e blogueira literária – mantém o blog Livro Lab há 7 anos. Ama livros, cinema alternativo, whippets, Frida Kahlo e café. Entre suas grandes paixões estão o teatro, o cinema, a dança (toda e qualquer manifestação artística, na verdade) e viajar. Adora dar dicas de livros e filmes e seu gosto para tudo é meio imprevisível: gosta dos filmes polêmicos de Lars Von Trier, do realismo fantástico de Gabriel García Márquez e também de assistir às novelas infantis do SBT. Tem contos publicados e ainda quer – e vai – escrever um livro!



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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Interrogação #7 – Maneiras que a leitura impulsiona


Com Clarissa Silva, resenhista da casa


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.


O que a leitura já te impulsionou a fazer de diferente?

C: Bom, vou começar do comecinho: eu não era muito de ler, tinha certa preguicinha, mas minha mãe sempre lia livros infantis antigos para eu e meu irmão antes de dormir; amava ler aquele livro, tanto que tenho até hoje. Cresci lendo muito Turma da Mônica, que tenho uma paixão até hoje, e claro que não poderia deixar de ler o livro que me deu nome Clarissa, do Érico Veríssimo. Pra vocês verem, já nasci de um livro XD

 

Mas acabei me apaixonando mesmo depois que entrei pro Dear Book e não parei mais de “comer” livros. Nesse caminho, meus pensamentos mudaram, minha escrita mudou, me apaixonei por letras. Hoje vejo o mundo com outros olhos.

A cada história eu levo algo para minha vida. E tento fazer que com os meus amigos se apaixonem também, empresto meus livros (quase chorando, mas empresto) para que eles entrem nesse mundo. Também me interessei por bienais. Já fui em algumas e a mais famosa do Brasil, a de São Paulo. Lá conheci escritores que ninguém quase conhece e que escrevem magicamente, escritores que estão crescendo nesse Brasil, livros que merecem ser lido por todos.
Meus maiores amores: After <3
A minha cidade não tem muitos eventos culturais, mas ajudo com as Malas Literárias de parques. É uma parceria da Fundação Cultural com a Prefeitura de São José dos Campos, que distribuem essas malas por parques, instituições de ensino do governo, feiras que acontecem pela cidade. Funcionam assim: as pessoas deixam livros dos mais diversos temas, seja de literatura, livros didáticos, revistas dos mais diversos gêneros, gibis e tudo o que for possível a ler. É um grande benefício para quem quer se desfazer de alguns livros e não ocorre o risco de irem pro lixo, e para quem quer ler livros diversificados. Eu mesma já deixei muitos livros nessas malas.
É muito importante preservar lugares que oferecem isso a outras pessoas, amo compartilhar minhas histórias, saber que outras pessoas podem ler algo que me tocou. Adoro conhecer sebos da cidade, bibliotecas, feiras literárias pela cidade e compartilhar meus livros com meus amigos. Aprendi a dar mais valor aos que estão do meu lado, viver o presente, apreciar as pequenas coisas do dia a dia, respeitar a todos e lidar de cabeça erguida com vários problemas da vida.

Ler para mim é ir para outro mundo, um escape da realidade. Vi que temos autores brasileiros maravilhosos (muitos acham que literatura brasileira é chata, sempre contando histórias do passado), leituras que deixam no chinelo muitos escritores famosos estrangeiros, livros de pequenos escritores em que a história toca realmente, transborda humanidade ou te leva para outro mundo. Livros pequenos com grandes qualidades, histórias que te transportam ao mundo paralelo.

Eu amo essa frase, ela descreve exatamente como eu penso. Além deste livro ser único e maravilhoso.
Raio de Sol, Kim Holden
Como eu trabalho com fotografia, a leitura também abriu meus olhos, fez com que eu captasse o sentimento das pessoas ou até da natureza nas fotos. Tratar as pessoas como se fossem únicas – e isso se leva para todos – e ter tratamento especial. Falar com as pessoas com mais sentimentalismo e saber o que está falando.


E soube ler mais também, ler com consciência. Nunca fiz um evento sobre livros (meu sonho é fazer), mas incentivo muito as pessoas a lerem, começando pela minha família e expandindo para meus amigos. Incentivo é o que falta nas pessoas. Um dia eu perguntei para a minha priminha de 3 anos o que ela queria de Natal e ela simplesmente disse que queria livros! Gente, eu fiquei espantada, feliz e quase chorei! Sabe como é raro uma criança pedir livros neste mundo de tecnologia e ainda a criança ter 3 anos, mal sabe ler, mas o mais importante é que sabe inventar, imaginar.

Hoje eu levo esse conhecimento para minha vida, tudo o que eu penso, faço, escrevo e o que digo é voltado às minhas leituras, aprendi muito mais lendo! Eu digo sempre que a leitura mudou minha vida. E pode mudar a de muitas pessoas. E uma das coisas que aprendi é nunca julgar o livro pela capa ou uma pessoa pela aparência. Tudo nesse mundo pode enganar.

Ler me fez ver cada pessoa como única, ela tem sua história, tudo o que sobreviveu e viveu. Me fez valorizar cada segundo de vida, o que pode mudar em 1 minuto, me fez amar cada viagem, aproveitar cada nascer e pôr-do-sol, cada onda que se quebra na praia, cada abraço, seja de alguém que você conhece ou um desconhecido, cada centavo que você gosta para seu prazer, cada lágrima que tem sua dor ou alegria. Cada momento que não volta mais, mas que pode ser eternizado nas letras, fotos ou memórias. Ler é viver.

Eu sei que em algumas partes eu saí da pergunta, mas é que o que a leitura me impulsionou a fazer de diferente foi ver o mundo real, sentir as emoções e saber que tudo pode melhorar. Mudou meus pensamentos críticos, emocional, racional e o criativo. E tento fazer o diferente para outras pessoas, mostrar que ler livros não vai fazer de você uma pessoa nerd, careta, uma pessoa que é solitária, sem prazeres da vida.

Mas te digo uma coisa, esses prazeres podem acabar com o tempo e o que vai restar é um pensamento criativo e autoconhecimento. Por isso que sempre motivo, sejam conhecidas, sejam desconhecidas, como as pessoas das filas de supermercado rsrs. Como eu disse ali, ler é viver, e não fico com vergonha de dizer que leio livros como se não houvesse amanhã!


Clarissa Maria trabalha com fotografia e é amante de livros, apaixonada por comida, séries e filmes. Ama viajar, dançar, festas de amigos e família; fazer novas amizades e experimentar coisas novas; é team unicórnios e gosta de sentar à beirada da praia. Curte livros de menininha e às vezes um de terror – bipolaridade até nos livros. É uma geminiana alucinada. Pretende fazer faculdade de Publicidade e conhecer o mundo tirando milhares de fotos.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Interrogação #3 – O contato com as manifestações artísticas

Com Eliel Carvalho, resenhista da casa


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.


Dentre variadas manifestações artísticas culturais
(dança, música, cinema, livros, fotografia, pintura, contação de histórias, etc),
qual você se sente mais próximo e qual se sente mais distante?
Por quê?

E: Eu enxergo a arte como um grande lago. Explico a razão. E o que vem a seguir vale para qualquer manifestação artística.

De longe vemos apenas a superfície. Sabemos o que é arte e sabemos que ela existe. Ao chegarmos mais perto, vamos entendendo que a arte é muito maior e mais importante do que conseguíamos enxergar. Ao desenvolver interesse por ela é como se víssemos nosso reflexo no espelho d’água e ela nos olha de volta nos convidando a entrar. Uma sereia sedutora?

Então você começa a se envolver nas águas, na arte. E você pode começar por qualquer uma. Eu, por exemplo, comecei desenhando, logo foram os livros que me acompanham até hoje. Minha mãe é uma exímia contadora de histórias e hoje pratico a dança. Variações bem distintas da arte.

E quando você se arrisca um pouco mais e resolve mergulhar percebe que o que você conhece é só pouco e tem um lago inteiro para explorar. Mergulhar nesse lago é como mergulhar na arte, você pode nadar e explorar onde e o que desejar.

O nome desse lago é inspiração. Como a arte contida vai se manifestar, só vai depender de como você nadar. Dentro do lago você pode fazer o que quiser, pode explorar o que quiser e pode trazer à tona o que quiser.

Porém, um lago tem limites geológicos, a arte só pode ser limitada pela curiosidade de quem a explora. E se sua curiosidade for profunda, não tenha dúvidas que as águas serão abundantes, um convite à exploração de si.

Divaguei um pouco antes de responder, mas digo que hoje sou mais próximo da dança. Através dela eu conto histórias que leio, represento pinturas que vejo, interpreto músicas que escuto, vivo vidas que não são totalmente minhas através de personagens e quando olho as fotos relembro cada momento.

E sobre se sentir mais distante, é apenas porque ainda não pude explorar de uma forma mais completa, estar distante é uma posição relativa. Para o cinema sou apenas um expectador, não tenho vocabulário para discorrer sobre a arte de fazer filmes. Ainda.

Se eu pudesse dar algum conselho seria: mergulhe, mergulhe de cabeça; esse lago não é raso e é só seu. Traz pra fora o que tem de mais interessante aí dentro, e o mundo precisa ver.



Eliel Carvalho é gastrônomo por formação e artista por paixão. Se aventura nos desenhos, nos palcos e principalmente nas páginas das mais diversas aventuras literárias. Tenta cozinhar as mais loucas ideias, sejam elas comestíveis ou artísticas. Dança quando as palavras já não são mais suficientes e em um futuro breve será um arte-educador. Afinal arte e educação harmonizam.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Interrogação #1 – Apostar no novo


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.

E nesta estreia, eis-me aqui abrindo o caminho o/


Frente a tantas mudanças na área de mídias, comunicação e storytelling, 
o que representa para você apostar no novo?

K: No último ano, apostar no novo foi algo que me pegou. Por conta de umas questões de saúde, tive que pausar drasticamente diversas de minhas atividades (até com o blog!). Eu, que vivia ao modo de abraçar o mundo com pernas, braços, tudo, tive que aprender a sossegar. Parecia aquela inércia de ônibus no trânsito, que de repente está correndo, e então para, e você é jogado com toda a força da física para algum canto do veículo – isso se você não estiver se segurando bem. Então na minha cabeça, mesmo forçosamente parada, eu não conseguia ficar parada, mas ao mesmo tempo, não conseguia colocar nada pra frente. É um sentimento de frustração que, no mundo de hoje, é sem escapatória. Ao que parece, faz parte da nossa era.   

É necessário entender que, embora a palavra “motivação” signifique mover, movimentar, fazer com que haja ponto de partida para algo, ela é um estado interior. [...] Quais são as minhas razões para fazer o que faço? A resposta revelará a fonte da minha motivação.
Alguém externamente a mim também pode me estimular, fazer com que eu primeiro ganhe força no que estou fazendo, posso ser inspirado, animado, mas a motivação tem uma natureza na qual o ponto de partida é o próprio indivíduo.

Mario Sergio Cortella – Por que fazemos o que fazemos?

Por um bom tempo, essa frustração ficou me pedindo pra agir, fazer algo novo, impulsionar, me mexer. Tentar desafios até sem nem saber o que queria provar pra mim mesma, se era pra provar alguma coisa. Talvez só pela sensação de fazer parte de algo e descobrir algos mais no meio caminho. Pois é, já começava pensando errado, pensando mais em resultado do que em jornada, então, de novo, por outro bom tempo, parei para analisar isso. Bloqueei a enxurrada de coisas que surgiam no dia a dia e procurei o real problema. 

Divirta-se. Pense menos no resultado e curta o processo. E se tudo der errado, valeu pelo exercício. É preciso errar para aprender. [...] Permita-se alguns deslizes.

Cris Guerra – Moda Intuitiva 

Mas uma roupa tem a obrigação de valorizar quem a usa. Caso contrário, você não veste uma roupa, veste uma caricatura.
Cris Guerra – Moda Intuitiva

Quantas coisas nossas não estão pela metade, não é mesmo? Somos facilmente seduzidos pelas ideias que surgem de repente e facilmente detonados pelas exigências delas. Com grande frequência, estamos todos nos empurrando novos hábitos sem adotá-los de maneira natural. E se não se encaixa, por que estamos forçando tanto a barra? É aí que as razões não nos parecem mais certas quanto àquele primeiro momento delirante. E, fato é: ideias nunca nos faltam, embora logística e execução por si, isso sempre falta muito (vide este texto maravilhoso do Rodrigo van Kampen). Melhor dizendo, compromisso pelo que se assume.

A verdade verdadeira para se encarar é, por incrível que pareça, conhecer a si mesmo e apostar em algo coerente a si. Apostar em algo novo é, primeiro de tudo, tornar algo seu, sua cara, natural. Ao fazer parte da nossa rotina, esse algo vai nos alimentar com mais facilidade para alcançar os objetivos. Obrigação, por outro lado, assim como expectativas, é um grande vilão que costuma detonar esse processo – pois o ideal de prazer e diversão se esvai antes mesmo de nos satisfazer.

O que isso tem a ver com comunicação, mídia e até storytelling? Tudo!

Apostar no novo – e em qualquer área acho – não é trazer o diferente; é outra perspectiva sobre o já conhecido. Algo que cative, represente, envolva. Algo que está ali todos os nossos dias, às vezes não tão à vista, mas esperando ser lembrado. Por isso mesmo não queremos mais histórias em que reinam o maniqueísmo ou caricaturas, tampouco explorar clichês atrás de clichês; eles já não convencem, não encantam e nem chamam atenção. Queremos o verdadeiro. O que sempre esteve ali.

Apostar em algo novo vem, diversas vezes, em suprir uma necessidade. Nesse sentido, um novo projeto é como fazer um crossover: conectar e aproximar realidades e experimentar outras abordagens. Mas se comprometam com a ideia, procurem oportunidades, assumam riscos e busquem conhecimento. Ao ter noção de recursos e como usá-los, a gente move pessoas. A gente move qualquer coisa! E sabe-se lá aonde isso vai nos levar.

Não tem nada a ver com sorte. É um real trabalho gradual que dignifica nosso sucesso. É o aprendizado. 

O problema é que muitas vezes se esquece que para chegar a esse patamar há todo um processo desgastante, de uso do tempo e da vida, de esforço muito grande.

Mario Sergio Cortella – Por que fazemos o que fazemos? 

Estilo é sua verdade, sua marca, o que é só seu. É se colocar em tudo o que você faz. E quando você se coloca, a imperfeição aparece. Pronto. É você a perfeita imperfeição que garante o tempero que faltava.
Cris Guerra – Moda Intuitiva 
É muito difícil traçar o caminho que veio dar aqui, mas aconteceu e fui eu que o criei. 
Sophia Amoruso – Girlboss


Há algum tempo descobri como eu podia mover pessoas, conectá-las. As maneiras, diversas. Pelo blog, pelo Clube, pelo mundo afora. Estou experimentando e curtindo, e – quando possível – deixando expectativas de lado. As aventuras que vão me levando a outras e mais outras. E agora à Interrogação, onde exploro perguntas que intrigam e compartilho o prazer de ler depoimentos. Espero que curtam também se encontrar com as pessoas que por aqui passarão. E, quem sabe, possam vocês levar algo delas consigo. 
Parece que vivemos nos alimentando das biografias alheias 
para dar conta da nossa. (Cris) Cris Guerra & Leila Ferreira – Que Ninguém Nos Ouça



Kleris Ribeiro é beletrista, produtora e agente cultural. Garota dos bastidores, se joga em marketing digital, comunicação e, recentemente, zines. Fascinada pelos mistérios do universo do livro, é administradora do blog Dear Book e diretora do Clube do Livro Maranhão. Fangirl, diz que mantém a cabeça nas nuvens e os pés no chão.

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Obs: 
*storytelling: arte de contar história em qualquer mídia, de modo a envolver e se relacionar com seus leitores e seguidores. 

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

[Novidades] Planeta de Leitores: um novo projeto \o/




O Clube do Livro Maranhão e Editora Planeta de Livros Brasil têm o prazer de apresentar um novo projeto literário, o PLANETA DE LEITORES.


Planeta de Leitores é uma aposta da Editora Planeta de Livros Brasil em promover encontros literários e aproximar os autores da casa de seus leitores através de parcerias com clubes de leitura; e o Clube do Livro Maranhão é o primeiro a sediar este projeto. Cada encontro é pensado para ter um autor visitante, para dialogar e trazer novos interesses e repertórios à mediação. As primeiras edições estão marcadas para este maio, julho e setembro \o/ 

Para esta primeira edição do Planeta de Leitores MA, fechou-se a parceria para levar a autora Mary Del Priore à ilha de São Luís e tem como livro-tema o recém-publicado título “Beije-me onde o sol não alcança”Haverá, ainda, convidados à mesa para enriquecer mais o bate-papo literário. É claro que nossas colaboradoras de São Luís vão participar! A Kleris está pelos bastidores da organização e a Mary - quem já nos presenteou com uma resenha do livro (aqui) - vai estar à mesa como convidada de apoio. 


Pense na ansiedade!

Sobre a autora

Mary é uma historiadora, pesquisadora, pós-doutora, professora e escritora em diversas editoras, como Planeta, Rocco e Leya. Graduou-se em História, fez doutorado em História Social e pós-doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, na França.

É colaboradora em revistas nacionais e internacionais, e publica crônicas no jornal O Estado de S. Paulo. Escreveu, organizou ou colaborou em mais de 40 livros. Foi duas vezes vencedora do Prêmio Casa Grande & Senzala (1997 e 1999), ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti (1998 e 2015), Prêmio Fundação Biblioteca Nacional (2009), dentre outros.

Desde 2010, Mary Del Priore publica livros na Editora Planeta. Além de “Beije-me...”, conta com sucessos como “Uma breve história do Brasil”, “A descoberta do Novo Mundo”, “A viagem proibida nas trilhas do ouro”, “Histórias internas”, “Histórias e conversas de mulher”, “Do outro lado”.

“Beije-me onde o sol não alcança” é seu primeiro romance histórico; um romance epistolar baseado em fatos reais que traz à luz o relacionamento entre um conde russo, a herdeira de um barão do café do Vale do Paraíba e uma ex-escrava no período Brasil imperial. O olhar da historiadora faz um retrato vivo do tempo e dos acontecimentos que o marcaram, mas é a história de amor de Maurice Haritoff, Nicota Breves e Regina Angelorum (nomes reais que parecem inventados) que nos arrebata. Como outros livros da autora, é um livro de bagagem acadêmica e histórica que leva leitura de qualidade a seus leitores. 

Para adicionar na sua estante, acesse aqui no skoob. 
Para mais informações, consulte: http://marydelpriore.com.br/


Sobre o Clube do Livro Maranhão

O Clube do Livro Maranhão é um projeto sem fins lucrativos que reúne cidadãos da comunidade leitora maranhense em encontros culturais, como eventos literários, seminários, oficinas e outros, com o objetivo de proporcionar oportunidades de desenvolvimento sociocultural através de um intercâmbio de conhecimento; recentemente, aliás, foi certificado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura (MinC). Em sua confraternização com leitores, o Clube agrupa um público de jovens e adultos antes dispersos, de modo que incentiva, impulsiona e integra diversas atividades culturais a partir da leitura e entretenimento – como o cinema, as artes plásticas, as artes cênicas, além de toda disseminação e divulgação de obras literárias, artísticas e culturais.

Vem pro Clube, vem pro Planeta de Leitores MA!
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Planeta de Leitores MA
Dia: 28/mai
Local: Livraria Leitura – do São Luís Shopping
Horário: 15h às 17h

Entrada Franca.



Na página do Clube do Livro Maranhão já se encontra o link do evento 
Não deixe de marcar presença!
Confira outros posts sobre encontros (aqui) do Clube aqui no DB.

Post fonte: blog do Clube


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Ana Liberato