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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Resenha: "O Que Ainda Restou" (Bia Carvalho)


Sinopse: Meu nome é Arthur Montenegro. Três anos atrás eu simplesmente desapareci, sendo dado como morto pelos meus familiares e amigos. Porém, a verdade é completamente diferente.

Fui sequestrado por uma corporação secreta e recebi um treinamento militar. O objetivo era me tornar um assassino, mas eu escapei. Ao voltar para minha vida real, já não era o mesmo.

Apenas um pensamento preservou minha vontade de lutar e sobreviver: Christine. A mulher que eu amava e que tanto magoei antes de desaparecer. Contudo, surgir na porta da casa dela ferido e precisando de ajuda talvez não fosse a forma mais correta de me redimir. Muito menos colocá-la em perigo.

Aqueles que me sequestraram ainda me perseguiam. Por saber demais, queriam me eliminar. A solução que encontraram foi usar Christine para me atingir. Então, eu precisava protegê-la, enquanto armava um plano de vingança, sem saber que havia muito mais segredos que colocariam a prova tudo em que eu acreditava e todos aqueles em quem confiava.

Por Jayne Cordeiro: Encontrei este livro por casualidade na Amazon, entre a lista de mais vendidos. Fiquei curiosa pela sinopse, que achei muito bem escrita, e pela história, que me lembrava uma antiga série de TV que assisti, e comecei a ler O Que Ainda Restou.

- Não resista, Arthur. Você é um homem de sorte por ter sido escolhido. - disse o homem.
- Escolhido para quê? - vociferei e mal reconheci a minha própria voz. Soava arranhada, grave e quase embolada, como se tivesse acordado de um coma.
- Em breve você saberá. Precisa apenas se acalmar.

Quero começar dizendo que achei a capa muito bonita, muito bem feita e bem condizente com o clima do livro. Temos aqui uma história que mistura vários gêneros na medida certa. A história tem um romance muito bem desenvolvido, com um casal que a gente se apega fácil. A autora conseguiu mostrar bem a relação do dois, e da amizade que já existia antes disso. A forma como eles acabam se envolvendo no meio de todo o caos que aparece, é realista e  bem apaixonado.

- Christine... - ele sussurrou, e o som daquela voz fez misérias com meu coração. Não que o resto do meu corpo estivesse reagindo de forma muito normal. O estômago revirava, os pulmões falhavam e o sangue parecia congelado, quasse recusando-se a voltar a correr.

O livro é contado, revezando o ponto de vista dos dois, e isso ajuda ao leitor se apegar ainda mais aos dois e a história bonita dos dois. Os personagens secundários que aparecem também são bem desenvolvidos, e a autora não teve medo de usá-los para criar um enredo bem encaixado. O livro também trás o gênero suspense, porque temos o mistério inicial com o desaparecimento de Arthur, então a busca dele pelos chefes da organização que o sequestrou, e quem mais compactuava com os planos deles. Assim, acompanhamos toda a busca por informações e questionamentos que o personagem faz.

- Você etá mesmo decidido a entrar nessa guerra, 48?
- Não me chame assim. Você sabe o meu nome...
- Tudo bem...Arthur. você vai mesmso enfrentar a MR? Não acha que outras pessoas já tentaram antes? Mesmo lá de dentro?
- Não sei. Mas talvez eu seja o mais determinado... E estou aqui fora.

E pela capa também já dá pra ver que o livro traz outro gênero interessante que a ação. Pois é, o leitor vai acompanhar nossos personagens em lutas corporais, tiroteios e fugas, durante todo o tempo, já que a organização criminosa passa a perseguir Arthur e seus amigos. Essas cenas são muito bem feitas também, e em muitos momentos do livro eu pensava como a história daria um ótimo filme. Como ele tinha todas as características que a gente vê com tanta frequência em filmes de ação.

O pânico já havia se instalado. Pessoas tentavam correr, alguns se empurravam, outros caíam, mas toda a desordem foi interrompida por mais um disparo. Um homem, usando uma máscara de esqui, de pé sobre uma cadeira, apontava um fuzil AK-47 e uma Glock G25 para o alto, enquanto mandava que todos ficassem parados.

Para mim, este livro foi uma ótima surpresa e confirmou o porque está tão alto no ranking da Amazon. A autora tem uma escrita envolvente, com personagens bem elaborados. O enredo é interessante e segura o leitor o tempo todo, ansioso para saber o que vai acontecer a seguir, e se o mocinho vai conseguir destruir a empresa e ganhar a mocinha no final. E é claro, quanto ele terá que sacrificar por isso. O livro faz parte de uma duologia, sendo que o segundo livro foca em outro personagem. É uma ótima leitura e que vale a pena indicar para os amigos. 



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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Resenha: "Santuário dos Ventos" (George R. R. Martin & Lisa Tuttle)

Tradução: Luís Reyes Gil

Sinopse: George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. O romance, ambientado num planeta distante, conta a história de Maris e seu sonho de se tornar um dos voadores, grupo de habitantes mais prestigiado do Santuário dos Ventos. Para isso, recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

Fonte: Editora Leya

Por Eliel: Quando uma situação não te agrada o conselho mais comum e mais óbvio é mudar. Porém isso às vezes não é tão fácil. No santuário dos Ventos tem uma sociedade engessada que faz distinção social entre os voadores e os confinados à terra, herança dos seus antepassados. Os Voadores são uma classe de prestígio no Santuário dos Ventos, são eles que são o principal meio de comunicação entre as nações. Os Confinados à Terra são todos os outros membros do povo que habitam as ilhas desse planeta tomado por grandes quantidades de água e fortes ventos.

Maris é uma confinada à terra de nascença que teve acesso à asas porque seu pai adotivo, Russ, é um voador. Ele ensina a arte do voo para Maris que tem um talento nato, mas devido ao seu nascimento e as regras não terá o direito de se tornar uma verdadeira voadora.

Muito em breve, ela deverá passar as asas que lhe deram tanto prazer para seu irmão mais novo, Coll (filho biológico de Russ), que não tem o mínimo talento e vontade de ser um voador. Sua verdadeira paixão é a música.

- Não se preocupe - disse Russ, com uma voz cordial, mas meio forçada. - Foi só um suporte, filho; eles quebram à toa. Não é difícil consertar. Você estava um pouco instável, mas todos nós ficamos no primeiro voo. Da próxima vez será melhor.- A próxima vez, a próxima vez, a próxima vez! - repetiu Coll. - Eu não consigo, pai, não consigo. Eu não quero uma próxima vez! Eu não quero suas asas! - Ele chorava abertamente agora, e seu corpo tremia com os soluços.O grupo ficou mudo, chocado, e o rosto de seu pai ganhou um ar severo.- Você é meu filho, um voador. Haverá sim uma próxima vez. E você aprenderá.Coll continuava tremendo e soluçando, as asas já desatadas aos seus pés, quebradas e inúteis, pelo menos por ora. Não haveria voo para Eyrie naquela noite.

As asas dos Voadores são feitas de um material metálico provenientes das velas das grandes embarcações estrelares dos primeiros exploradores a chegarem nesse planeta formado por vários arquipélagos. Dessa forma esse material é bem escasso, e as asas são passadas de geração a geração o que mantém essa cultura viva. Como mensageiros a serviço dos Senhores da Terra, que são os governantes das nações, eles mantém a comunicação e a sobrevivência em comunidade do planeta.

Maris não deseja se separar da liberdade e das sensações proporcionadas pelas asas. Diante de um grande Conselho dos Voadores ela vai lutar bravamente pelo seu direito contra todas as tradições impostas por séculos de história, afinal para ela as asas deveriam ser passadas por mérito e habilidade ao invés por hereditariedade. Dessa forma, menos asas seriam perdidas e vidas seriam poupadas se não caíssem em mãos inexperientes e sem talento.

- Somos pessoas, e se temos algum instinto é o instinto, o desejo de mudança. As coisas sempre mudam e se formos inteligentes faremos as mudanças nós mesmos, e para melhor, antes que sejamos obrigados a fazê-las. A tradição de passar as asas de pai para filho funcionou razoavelmente bem por muito tempo. Com certeza, ela é melhor que a anarquia, ou que a antiga tradição de se defender isso num combate, que apareceu no Leste durante os Dias de Sofrimento. Mas não é a única maneira, nem é a maneira perfeita.

Maris se tornará uma lenda no Santuário, porém terá que lidar com as consequências de seus sonhos e atitudes. Um fardo que pode ser bem pesado para carregar, mas toda revolução tem fardos e consequências diante das mudanças necessárias.

Um livro escrito à quatro mãos e com uma única voz. O mestre Martin e Lisa Tuttle escreveram esse livro em 1981 e somente agora chega uma tradução encantadora chega às nossas mãos por meio da Editora LeYa. Uma aventura ao melhor estilo Espada e Feitiçaria que trata de temas como a busca de sonhos e a importância de questionar sistemas opressores. Com uma protagonista feminina forte e bem construída e à frente do seu tempo.

- Crescer pode ser doloroso - comentou Evan. - E toda cura leva tempo. Dê tempo ao tempo, Maris.

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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Resenha: "A Heroína da Alvorada" (Alwyn Hamilton)

Tradução: Eric Novello


Sinopse: Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados.

Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.

Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: Antes de começar a ler esse post eu sugiro dar uma olhada nos outros volumes da Trilogia do Deserto, e assim evitar qualquer possível spoiler que possa aparecer nesse texto.

Armani e o o que sobrou do exercito rebelde estão presos por uma muralha de fogo dentro do território inimigo. Os inimigos do sultão estão nos portões enquanto o sultão cria suas máquinas demoníacas com a ajuda de sua filha Leyla, uma traidora da rebelião. Houveram muitas mortes no último volume, A Traidora do Trono, e até o final dessa guerra terão muitas outras.



Ela havia morrido para que outros pudessem viver. Para que pudéssemos salvá-los. Para que outras garotas não morressem enquanto estivéssemos fora da cidade. Talvez até tivesse entrado ali sabendo que uma de nós morreria e decidira que seria ela. Para que pudéssemos viver. Escapar.Ela havia morrido para que pudéssemos fugir. Então fugimos.

Esse foi um dos volumes mais emocionantes e intensos para mim. Amani amadureceu muito e agora é a líder de uma rebelião e tem que fazer escolhas extremamente difíceis. Por vários momentos simplesmente precisei fechar o livro, respirar fundo e preparar um chá. 



Amani terá que lidar com as consequências de suas escolhas, com os seus desejos e com forças primordiais de seres míticos. Será que ela está preparada para tudo o que acontecerá até o clímax dessa aventura que chega ao fim nesse volume?

Tive a impressão de se tratar de um livro sobre encontros e desencontros, digo isso porque muitas personagens que nos foram apresentados em volumes anteriores estarão de volta. Bem ao estilo final de novela para dar desfecho aos seus arcos. Alguns desses encontros mais marcantes para mim foi entre Amani e seu irmão desaparecido, Noorsham; e quase no final de tudo - ao menos era o que parecia -, entre Amani e seu pai djinni, Bahadur.

Amani narrou a história dela em meio a uma guerra onde ela deixou de ser aquela garota egoísta da Vila da Poeira para se tornar uma das principais apoiadoras da causa do príncipe rebelde, Ahmed. Uma coisa que mais deixa curioso ao longo da leitura é se ele conseguirá cumprir sua promessa: Uma Nova Alvorada. Um Novo Deserto. E assim se tornar um governante que o sultão, seu pai, jamais fora para o povo.

O príncipe rebelde é o verdadeiro herdeiro. Ele deve governar Miraji, ou nenhum outro sultão reinará. O país será destruído pela guerra e pela conquista, consumido por exércitos à espreita em nossos portões. Será dividido e sangrará até a morte nas mãos de nossos inimigos.Este sultão só pode trazer escuridão e morte. Apenas o verdadeiro herdeiro de Miraji pode trazer paz e prosperidade.Então, um grito aflorou na multidão. Mesmo assim, todos ouviram as palavras que se seguiram.O príncipe rebelde renascerá.Trazendo uma nova alvorada. Um novo deserto.

Fugir da cidade de Izman, libertar o restante dos rebeldes de sua prisão em Eremot e acabar com o sultão são alguns dos maiores arcos desse livro, entre muitos outros que vão se solucionando, é um livro com muitas outras narrativas amarradas. Enxergo essas páginas como aquelas tapeçarias que tinham a mesma função de transmitir as histórias de um povo ao longo dos anos. 

Eu devia saber melhor do que ninguém a distância que separava as lendas da verdade. As histórias nem sempre eram contadas inteiras. Os monstros das histórias eram menos ferozes no mundo real; os heróis menos puros; os djinnis mais complicados. Mas havia certas coisas que não deveriam ser cutucadas só para ver se os dentes eram mesmo tão afiados quantos as histórias diziam. Porque, considerando a mínima possibilidade de as histórias estarem certas, você acabarias perdendo um dedo. 

A trilogia, como um todo, é super rica em relação ao folclore árabe. Isso fica muito nítido ao revelar o dia-a-dia das personagens, sua cultura e suas relações. E por se tratar de uma ficção fantástica, muitos dos mitos e lendas são mais vivos do que se pode imaginar.


Intercalado com a narrativa há pequenos contos relacionados às personagens, esses capítulos são os únicos que têm título. Alwyn conseguiu dar um final épico para essa trilogia arrebatadora e seguiu de perto o exemplo de Sherazade como uma contadora de histórias árabes.


A guerra tomava vidas e mudava as dos sobreviventes.

Bônus: Um e-book grátis com contos extras no mesmo universo de A Rebelde do Deserto. Confiram os Contos de Areia e Mar

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Resenha: “Um Barril de Risadas, Um Vale de Lágrimas” (Jules Feiffer)


Tradução de Carlos Sussekind

Por Kleris: Acho que já mencionei em outra resenha que, da mesma maneira que curto sincronizar músicas à situação e/ou humor, gosto de aproveitar leituras conforme o momento. Com quase um aninho na estante, lembrei de Um barril de risadas, um vale de lágrimas e foi em um momento certeiro. Estava saindo de uma leitura um tanto pesada e Feiffer me ofereceu o caminho de volta. Então se você procura algo pra destravar ou fazer uma ponte de leitura, leve este livro <3 
Roger tinha um estranho efeito sobre as pessoas.


Roger é um príncipe meio abobalhado, que tem esse tal estranho efeito sobre as pessoas: quem chega próximo dele, ri, ri de se acabar. Sua presença por si só faz isso e é algo incontrolável. Roger também não colaborava, ele ria de qualquer coisa, não tinha tempo ruim pra ele. Só que essa “felicidade eterna” lhe era prejudicial. Como que um dia ele poderia assumir o trono (e o reino), se ninguém (nem se quisessem!) conseguia levá-lo a sério?

O rei Deldizifidicer, seu pai, então pede ao J. Imago Mago, mago do reino, para auxiliar Roger nessa causa. Ao que parecia, a causa deveria ser descoberta pelo próprio, em uma jornada sem um destino definido, a não ser essa busca, que ninguém também sabia de quê na verdade. Só se sabia que Roger precisava mudar sua situação, ter “experiências de vida”. E assim ele foi, atrás de seu destino, mais empurrado do que outra coisa, com um pó mágico que Imago lhe dera, um recurso que ajudaria a imunizar pessoas de rirem quando perto dele estivesse.

O mago, claro, dava suas bisbilhotadas na aventura de Roger, até porque o príncipe começava a se demorar na sua busca. Numa dessas espiadas, Imago Mago percebera que Roger estava a se dispersar da missão, vez que estava muito seguro com aquele pózinho mágico, tão perdido quanto os outros homens e mulheres que divagavam em suas próprias jornadas. Em uma última interferência, o mago produz uma situação a fim de chamar a atenção de Roger e colocá-lo de volta à trilha. É quando ele se vê em dificuldade que a jornada verdadeiramente começa. 
“Que significa isto?”, pensou. Seu primeiro pensamento depois de muito, muito tempo. A última vez em que chegara perto de algo que poderia chamar de pensar foi quando ele era uma árvore e havia deixado cair um galho na cabeça de Tom. Ao longo de um dia, pensar figurava em último lugar na lista de coisas que tinha para fazer. Por que pensar quando se pode brincar? 
“Você precisa tomar uma decisão.”
“Uma decisão?”, gemeu Roger. “Mas eu nunca tomei uma decisão.”
“Para tudo há uma primeira vez.”

Um barril de risadas, um vale de lágrimas é uma novela que fala sobre sair da zona de conforto – e que existe esperança para quem não se acha (ou não parece) capaz. De maneira quase ingênua, mas também realista, temos uma digna jornada de herói. Temos também uns elementos e personagens fora do comum para pequenas lições de vida. Além de Roger, destaques para Imago Mago, Tom, Lady Sarita e até mesmo o rei Deldizifidicer, figura singular que rouba a cena até mesmo sem querer.

Ao retratar a ideia de se lançar no mundo e dele colher as mais diversas experiências, Jules emparelha o bom e o ruim da vida como algo para nosso aprendizado – de que a parte ruim também tem papel importante, e por isso não deve ser evitado ou desprezado. Também se trabalha as percepções, sobre si, sobre o mundo, as amizades, nossos desejos e desejos de outras pessoas, de deixar que se lute as próprias batalhas, de se aperceber de pessoas que não respeitam a vontade ou o caminho do outro.

Feiffer nos insere nessa empreitada com muito humor. A gente acha que não vai rir, já que parece tudo tão bobo, mas ele tem um jeitinho de nos envolver tão tão tão carismático, que nos faz torcer por esse anti-herói e virar as páginas atrás de respostas. Para garantir essa bobice gostosa, o que mais tem é virada inesperada. Valoriza-se ainda a própria jornada – os passos, as dúvidas, desafios e enigmas da vida, os momentos de reflexão, maneiras de fazer diferente pra alcançar um rumo diferente. 
Armadilhas, uma após a outra. E depois, haveria mais armadilhas à sua espera? Uma vida inteira de armadilhas enfileiradas! Venceria a primeira contra todas as possibilidades para em seguida ver-se frente a frente com novas impossibilidades, uma segunda uma terceira, uma quarta, e assim por diante?

E tão melhor quanto a trama é a narração. Temos um narrador conversador ótemo, que garante uma leiturinha leve, fluída, suave na nave na medida. Geralmente não curto esse tipo de narração, vez que tendem a divagar, perder o foco e tentar agregar uns fatos nada a ver. Aqui, até mesmo as divagações são um elemento interessante, o que corrobora muito com a aura de metaleitura (uma leitura sobre leitura <3) e de realismo fantástico da trama – isso sem, no entanto, exagerar na dose. Goxtei muito disso. 
O que é bom nesse negócio de ser escritor é que a gente sabe tudo o que vai acontecer antes que aconteça. Na vida real não se consegue ter certeza sobre o que vai acontecer daqui a cinco minutos, mas no seu próprio livro você tem o controle que na vida real é impossível. 
Escolhi dar a este capítulo esse título porque, muitas vezes, quando vou chegando ao fim do livro que estou lendo, não consigo deixar de pensar em quantas páginas ainda faltam para acabar. Aí dou uma corrida até o final e espio. E acabo descobrindo coisas que não queria saber. #quemnunca

As ilustrações também, de maneira simplista, incrementam a história. Embora ache que daria um filme maravilhoso – de animação, de preferência – o conjunto como livro me parece bem mais rico. Os traços singelos e as entradas dinâmicas dão esse toque especial para guiar a imaginação. A capa, aliás, traz uma sacada de contexto bem bacana! Gostei da Seguinte ter mantido a arte anterior da edição da Companhia das Letras <3

Um barril de risadas, um vale de lágrimas é, assim, uma aventurinha juvenil que tem tudo pra ser abraçado. Amei a escrita de Jules e com certeza devo ir atrás de outros livros dele! 
“Há um mundo de verdade lá fora, meu peralta”, vociferou Imago Mago no auge de sua frustração. Apontou para a janela na direção da Floresta Para Sempre e mais além. “É um universo misturado em que há muito sol e muita sombra, muita glória e muita solidão. E você não experimentará nada disso. Não experimentará nada de coisa nenhuma,”. J. Imago Mago levantou-se de Roger e atravessou a sala até chegar à janela. Ficou um bom tempo olhando para fora. “O que está lhe faltando é aventurar-se numa busca”, disse ele. Um brilho faiscou nos seus olhos.
“Numa o quê?”, perguntou Roger.
“Exatamente!”, exclamou o mago. “O que é preciso é enviá-lo numa busca!”
“Tipo salvar uma linda mocinha das garras de um dragão ou de um ogro? Isso até que me faria dar boas risadas!”
“Roger, você não é sério bastante para salvamentos [...]” 
“Não compreendo”, disse Roger. “Lá onde?”
“Acolá, adiante ou além”, disse o mago.
“Deixa eu ver se eu peguei”, disse Roger. “É pra eu encontrar minha busca num desses lugares, ou num outro lugar. É isso que você está me dizendo?”
“Acolá, adiante ou além”, repetiu o mago.

Recomendo!

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sexta-feira, 2 de março de 2018

Resenha: "A Invasão de Tearling" (Erika Johansen)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje o segundo livro da trilogia iniciada com "A Rainha de Tearling". Esse primeiro livro também foi resenhado aqui no blog, e você pode ver a primeira resenha clicando aqui.

Como essa é a resenha de uma continuação, é inevitável que hajam spoilers, pois costumo iniciar falando um pouco sobre o desfecho do primeiro livro. Assim, àqueles que não querem estragar  a surpresa sugiro que parem por aqui.

Ao final do primeiro livro, vemos que as safiras de Kelsea não só lhe conferem dons premonitórios, mas também um incrível poder, que a mesma esta longe de compreender ou controlar.

Descobrir o traidor foi algo bastante doloroso, até por que, como eu disse na primeira resenha, nenhum dos vilões é um vilão de fato. Afora a entidade que habita o fogo e visita a Rainha de Mortmese, todos os outros personagens com más inclinações parecem ter passado por rupturas significativas em suas vidas, o que pode não justificar o ato mal, mas explica por que eles se tornaram o que são.

Enquanto em "A Rainha de Tearling" Kelsea está se esforçando para provar que é uma soberana forte, não uma boneca de luxo como foi sua mãe, em "A Invasão de Teraling" vemos uma menina tentando se tornar uma mulher. Conflitos com a aparência, amores, desejo, tudo isso acontecendo sem que possa ser vivido plenamente. Afinal, uma monarca não pode apresentar aos súditos esse tipo de fraqueza.

Sentia um grande arrepio de medo sempre que observava o rosto no espelho, lembrando uma coisa que Carlin disera uma vez: "A corrupção começa com um único momento de fraqueza". Kelsea não conseguia lembrar sobre o que elas estavam conversando, mas parecia se lembrar de Carlin olhando para Barty com crítica no olhar. Agora, ao olhar para si mesma no espelho, Kelsea soube que Carlin estava certa.

Além disso, apesar de suas jóias parecerem apagadas, Kelsea passa a ser levada para o passado, durante um período pré-travessia, onde acompanha de forma minuciosa a vida de uma mulher, Lily, o que aparentemente parece não ter nenhuma explicação lógica. Lily não é nenhuma figura histórica importante, então por que Kelsea passa a visitar cada vez mais seu mundo longínquo?

Quem é você Lily?Ninguém sabia. Lily tinha sumido no passado com o resto da humanidade. Mas Kelsea não podia ficar satisfeita com isso. Suas safiras funcionavam fora de seu controle, as ações inconsistentes e enlouquecedoras. Mas nunca mostraram a Kelsea nada que ela não precisava ver.

Em meio a tudo isso, continua a invasão pelo povo Mort e sua rainha vermelha, que também acaba se mostrando, ao longo do livro, muito menos uma tirana e mais uma mulher com feridas emocionais profundas, tentando se defender de algo que mal sabe nomear para si mesma.

Esse segundo livro nos trará muitas reviravoltas, paixões secretas, vilões e mocinhos trocando de papéis, muitas dúvidas, mas também muitas respostas respondidas. Vamos entender melhor quem é quem nessa trama mas, principalmente, como o mundo de Tearling começou.

Mais alguém esta ansioso pelo desfecho? Abraços e até a próxima!

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Resenha: "O Livro das Sombras" (Philip Pullman)

Tradução: José Rubens Siqueira

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje resenha desse lançamento há muito aguardado pelos fãs de Philip Pullman e a Trilogia Fronteiras do Universo! Na verdade, esse livro é o primeiro de uma nova trilogia, que antecede Fronteiras do Universo, e explica um pouco mais sobre o mundo de Lyra Belacqua, sua anterior personagem principal.

Neste novo livro, ainda faltam dez anos para que comece a narrativa de "A Bússola de Ouro" primeiro livro da Trilogia Fronteiras do Universo. Nessa nova aventura, vamos conhecer Malcom, um garoto de 11 anos com um coração imenso.

Malcolm era filho único do proprietário. Tinha onze anos, uma personalidade curiosa e gentil, um corpo robusto e cabelos vermelhos. Frequentava a escola Elementar Ulvercote, que ficava a quase dois quilômetros e tinha vários amigos. Mas ele gostava mesmo era de brincar sozinho com seu daemon, Asta.

Na Taverna de seus pais, A Truta, encontraremos um Malcolm pacífico e dedicado a ajudar seus pais. Além disso, nunca deixa de ajudar as freiras de um convento próximo, lugar onde iremos encontrar uma Lyra ainda bebê.

Preso por um enternecimento quase que instantâneo pela criança, Malcolm tenta saber mais sobre o misterioso aparecimento da criança, mas percebe que há algo errado em relação a isso; enquanto as freiras mostram-se evasivas e pouco colaborativas, começam chegar estranhos na taverna de seus pais que parecem ter interesse fora do comum nessa pequena criança abandonada.

Malcolm começou a recolher os pratos e talheres.
- Você viveu a vida inteira aqui, Malcolm? - perguntou lorde Nugent.
- Sim senhor. Eu nasci aqui.
- E, em toda sua longa experiência no convento, sabe se algum dia elas cuidaram de uma menor?
- Alguma criança muito nova?
- É. uma criança nova demais para ir à escola. Um bebê mesmo. Você sabe?

O segundo título do livro, "La Belle Sauvage", deve-se ao nome da embarcação da qual Malcolm se utiliza não só para viver muitas aventuras, mas também para manter Lyra a salvo já que, mesmo em tenra idade, já é motivo de extensas discussões, problemas e tramas sutilmente elaboradas.

Este primeiro volume tem um início lento, nos levando a conhecer Malcolm e seu dia a dia. Mas quando a aventura começa, atinge um ritmo muito mais cadenciado, cheio de aventura, magia, bruxas e ursos de armaduras (saudades!). Afinal, uma tempestade toma tudo o que antes era conhecido, e nesse novo mundo, Malcolm e sua improvável aliada Alice tem somente uma missão: proteger Lyra.

Apesar de ser leitura independente do "Fronteiras do Universo", é leitura obrigatória para quem já leu, pois traz diversos esclarecimento referente aos livros posteriores, fazendo com que a leitura dos mesmos se torne mais interessante e rica. Vamos aprender mais sobre a própria Lyra, o aletiômetro e a importante profecia que cerca essa criança tão especial.

Recomendo!

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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Resenha: "As Aventuras do Capitão Cueca – Vol.1" (Dav Pilkey)


Tradução de Clara Lacerda


Por Kleris: Quem não foi leitor quando criança sabe o quanto um livrinho de aventura (e bagunça!) fez falta enquanto a gente tentava se encontrar no mundo adulto dos adultos. Lembro pouquíssimo de livros que li, na escola, e de como algumas histórias hoje ainda têm grande importância na minha cabeça. 

Eu “perdi” minha chance quando pequena, mas como ainda quero ser ponte de leitura para primos e sobrinhos, vou curtindo umas leituras fora da minha zona para quando eu puder oferecer um livro a uma criança, saber que aquele livro é uma opção acertada. E ao ouvir falar que o Capitão Cueca foi para a Companhia das Letrinhas (antes era da Cosac Naify), já fiquei toda interessada haha

O volume 1 da série As aventuras do Capitão Cueca traz a introdução da saga de dois meninos travessos, Jorge e Haroldo, que gostavam de desenhar e criar historinhas, para além de fazer estripulias sempre que podiam. E por conta dessas travessuras, o diretor da escola “marcou” eles para pegá-los no pulo numa dessas traquinagens. Armado de câmeras escondidas, o Sr. Krupp garantiu provas contra os meninos, que tripudiaram de um jogo do time da escola com suas gaiatices.

Para o vídeo não vazar e os meninos sofrerem consequências de suas ações, o diretor fez um acordo: nada mais de peraltices e nada iria acontecer com eles. Sem opções, os dois tiveram que concordar... Mas não aguentando por muito tempo, bolaram um jeito de tirar o diretor de cima deles: usar um anel de hipnose. O negócio deu tão certo que foi impossível não se deixar levar, pois na brincadeira eles hipnotizaram o Sr. Krupp para virar o Capitão Cueca real e daí a confusão estava feita.

 



As aventuras do Capitão Cueca reúne tudo o que uma digna aventura moleque deve ter: traquinagem, astúcia, imaginação, adultos querendo controlar crianças, crianças sendo crianças, ação, e aquela chamada irresistível para façanhas. Tem também super heróis, bandidos, robôs e segredos, que são ótimos ganchos para vários volumes.

A leitura é super rápida, bem visual e mantém sua atenção presa. Não importa que para um adulto todos os conflitos e resoluções pareçam algo bobo, pois para a criança vai ter outro valor. Eu diria que é um livro pra se ler em conjunto, pra se ter um momento bacana com a criança, e ela mesmo viver a história, sem essa de grandes lições ou moral, apenas brincar e gastar a energia delas com algo bom.

Vale essa reflexão da Jout Jout


A edição da Companhia das Letrinhas está excelente, bem colorida, chamativa e interativa. Tem um lance super legal, o flip book, que foi o marco do autor Dav Pilkey para suas histórias: você pode mexer páginas pra criar um efeito de ação. A Companhia também trouxe umas páginas biográficas mostrando a criação do Capitão, além de curiosidades que vão te levar literalmente à infância, quando assistia os Batutinhas. 




Me senti de volta aos desenhos animados ambientados em escolas – como Hey Arnold, mesmo que um pouco mais infantil. Em alguns aspectos, como a metaleitura (uma leitura que fala sobre a leitura), me lembrou também do juvenil Minha Vida de Livro (reveja resenha aqui). No mais, o livro me parece bem atemporal, e é mesmo um primeiro romance épico para abrir a percepção dos pequeninos. Recomendo!

P.S.: O livro foi adaptado para o cinema recentemente. Pelo trailer, ficou bem bacana!


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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Resenha: "A Canção do Sangue" (Anthony Ryan)

Tradução: Gabriel Oliva Brum

Por Sheila: Oi pessoas! Como vão todos e tod@s? Quem ai gosta de trilogia? E se ela se passar num mundo com ares de medieval, cheio de mistérios, um toque de magia, mas também muita ação com cenas de tirar o fôlego? Se essa for a "sua praia" você esta no lugar certo!

A queridíssima Editora Leya aceitou meu pedido para adentrar no mundo da Trilogia "A sombra do corvo" mesmo eu estando bem atrasadinha (o primeiro livro foi lançado em 2014), mas prometo me esforçar bastante para terminar a leitura e resenha de toda a trilogia para vocês o quanto antes! Mas vamos à história.

O livro começa com um prisioneiro, amaldiçoado por muitos por ser o Matador do Esperança. Visto com escárnio por uns e reverência por outros, ele esta sendo levado para uma espécie de batalha como julgamento por seus atos.

Escoltando-o, está Lorde Verniers,  Cronista Imperial, e todo o livro parece constituir-se do relato que Vaelin Al Sorna, o Matador do Esperança, lhe fará enquanto atravessam o mar para encontrar seu destino.

Ele tinha muitos nomes. Embora ainda não tivesse chegado ao trigésimo ano, a História achou apropriado conferir-lhe títulos em abundância: Espada do Reino para o rei louco que o enviara para nos atormentar; o Jovem Falcão para os homens que o seguiam pelas provações da guerra, Lâmina Negra para seus inimigos cumbraelinos e, como eu descobriria muito mais tarde, Beral Shak Ur para as tribos enigmáticas da Grande Floresta do Norte - a sombra do corvo.
É subindo ao navio que Al Sorna oferece a Verniers algo ao que ele não consegue emitir negativa: sua história. Que começa quando um pequeno garoto de 10 anos é levado pelo pai até a Casa da Sexta Ordem, sua nova família, que irá treiná-lo para ser um guerreiro, não do Reino, mas da Fé. O treinamento se mostrará duro, difícil e brutal.

A vida na Ordem é dura e, não raro, curta. Muitos de vocês serão expulsos antes do teste final, talvez todos, e aqueles que ganharem o direito de permanecer conosco passarão o resto de suas vidas patrulhando fronteiras distantes, lutando guerras intermináveis contra selvagens, foras da lei ou hereges, no decorrer dos quais é muito provável que vocês morram se tiverem sorte, ou sejam mutilados, se não tiverem. Os poucos que ainda estiverem vivos após quinze anos de serviço receberão suas próprias unidades para comandarem, ou voltarão aqui para ensinar aqueles que os substituirão. Essa é a vida que suas famílias lhes deram. Pode não parecer, mas é uma honra.
Honra ou não, Vaelin era apenas uma criança, que havia perdido recentemente a mãe, e ter como fim ser jogado pelo pai, atual Espada do Reino, para crescer em uma Ordem tão difícil por honra não parece assim tão bom a seus olhos. Assim, é com raiva, não com gratidão, que Vaelin abraça a crença da Sexta Ordem: proteger a Fé e seus colegas, agora Irmãos. Não há mais outra família que não a Ordem, e tudo que ficou fora dos portões deve ser esquecido.

A Fé do Reino constitui-se no culto dos Finados, ou seja, aqueles que já se foram, e não acredita-se em Deus, seja ele único ou mais de um. Aqueles que não seguem a Fé do Rei Janus, que unificou o reino, outrora quatro feudos independentes, é julgado e morto como herege ou Negador. Além disso, há sempre o temor das Trevas, histórias sobre pessoas com poderes sobre humanos que devem ser caçadas e condenadas a qualquer custo.

Enquanto Vaelin cresce, vamos descobrindo que a Ordem, apesar de dura, se importa com seus discípulos e que estes  realmente tem motivos para se sentirem acolhidos e entre uma família. Além disso, também vamos descobrir que as Trevas encontram-se mais próximas do que imaginávamos; que existem tramas políticas que vão muito além da Fé e da adoração que cada um resolve seguir; e que a Ordem tem segredos obscuros que ameaçam vir à tona a qualquer momento.

Este é um livro cheio de aventura com descrições que envolvem na leitura, a ponto de as páginas quase parecerem virar sozinhas. Foram mais de 600 página lidas em uma semana, e mal posso esperar pela continuação, para descobrir todas as respostas que ficaram sem uma conclusão neste primeiro volume, bem como tudo o que Vaelin ainda pode amadurecer como personagem, junto com seus irmãos da Ordem, presentes em todas suas batalhas.

Super recomendo! Abraços e até a próxima!

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Resenha: "A Traidora do Trono" (Alwyn Hamilton)

Tradução Eric Novello

Sinopse: Amani Al’Hiza mal pôde acreditar quando finalmente conseguiu fugir de sua cidade natal, montada num cavalo mágico junto com Jin, um forasteiro misterioso. Depois de pouco tempo, porém, sua maior preocupação deixou de ser a própria liberdade- a garota descobriu ter muito mais poder do que imaginava e acabou se juntando à rebelião, que quer livrar o país inteiro do domínio do sultão. Em meio às perigosas batalhas ao lado dos rebeldes, Amani é traída quando menos espera e se vê prisioneira no palácio. Enquanto pensa em um jeito de escapar, ela começa a espionar o sultão. Mas quanto mais tempo passa ali, mais Amani questiona se o governante de fato é o vilão que todos acreditam.
Fonte: Skoob

Por Eliel: Antes de começar a ler esse post eu sugiro dar uma olhada no primeiro volume da Trilogia do Deserto, A Rebelde do Deserto, e assim evitar qualquer possível spoiler que possa aparecer nesse texto.

Após seis meses desde os últimos acontecimentos do último volume, Amani, está ainda mais envolvida com a rebelião e seus ideais de fazer um novo deserto sob um governo mais justo e humano.

O primeiro volume é repleto de ação e reviravoltas na aventura. Esse volume têm 10 vezes mais, afinal a rebelião se aproxima cada vez mais do sultão, um homem cruel e impiedoso. Amani é traída por uma pessoa improvável e acaba nas mãos do tirano governador do deserto.

Totalmente desprotegida é obrigada a sobreviver pelos seus próprios instintos e fazer alianças que serão o diferencial para tornar o deserto um lugar melhor para se viver. Para isso, ela precisa que os rebeldes continuem firmes em sua posição.

Nesse livro intermediário, a guerra vai começar de dentro para fora, começando com Amani que deverá ser forte em seus princípios mesmo quando são questionados com grande eloquência e destreza. De dentro das emoções e da razão para dentro dos muros do palácio e além.

Como um demji, Amani, não consegue mentir e justamente essa sua característica à ajuda em uma das passagens mais empolgantes do livro. Saber a hora de dizer toda a verdade para o seu maior inimigo e ganhar a confiança dele exige muita habilidade.

A fé de Amani na rebelião será testada ao extremo, será que diante do sultão e cercada de riquezas ela irá titubear e trair a rebelião? Se você ficou curioso para se envolver nessa rede de traições, corre já por a leitura em dia!

Esteja preparado para conhecer personagens mais profundos dessa trama, a própria Amani tem um crescimento muito impressionante e suas relações pessoais com Shazad, Ahmed e Jin são muito bem estruturadas e desenvolvidas. Com as personagens femininas é possível ver claramente um Ode ao poder delas nos bastidores da disputa de poder entre pai e filho pelo deserto.

A riquíssima mitologia árabe é  muito bem apresentada e com todos os detalhes da magia dos djnnis e sua origem e consequências amarra a trama de um jeito que não é possível largar até chegar à última página. Agora que devorei esse livro só me resta aguardar ansiosamente pelo fechamento dessa trilogia. 

E já espero um final épico para a rebelião e para nossa Rebelde do Deserto.

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Ana Liberato