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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Resenha: "Heartstopper - Volumes 3 e 4" (Alice Oseman)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Stephanie: Heartstopper é uma história para aquecer os corações mais gelados. Nos dois primeiros volumes, somos apresentados a Charlie e Nick, bem como a seus amigos que já nos conquistam logo de cara. Desde o primeiro quadrinho, eu já sabia como seria uma jornada especial, e nos últimos dois lançados por aqui eu só pude confirmar ainda mais como eu amo essa história e tudo o que ela representa.

Em “Um passo adiante” – como o próprio título sugere –, vemos os primeiros acontecimentos do relacionamento dos dois protagonistas, agora oficialmente. É muito gostoso acompanhar o desenvolvimento e amadurecimento de ambos, como eles vão aprendendo a estar juntos e a enfrentar os desafios que se apresentam no início de qualquer namoro (e outros que são específicos de um namoro entre dois meninos).

Alice Oseman sabe como ninguém escrever uma história leve sem ser boba demais. Ela insere com delicadeza assuntos mais sérios, sem nunca perder a mão. Eu gostei muito de todo o enredo, mas não sabia que o melhor ainda estava por vir.


“De mãos dadas” aprofunda ainda mais não só o relacionamento de Nick e Charlie como também as temáticas (e aqui cabe até um aviso de gatilho para transtornos alimentares). Adorei acompanhar a jornada principalmente do Nick, que passa por tantas situações novas e confusas neste volume. O final, apesar de mais triste do que o dos outros, é perfeito para ilustrar o drama vivido por Charlie e as dificuldades que as pessoas à sua volta também enfrentam, ainda que de forma indireta.

Mais uma vez, a autora trata tudo com sutileza e ainda assim, muita responsabilidade. O quarto volume da série se tornou meu favorito, juntamente com o segundo. Mas eu amo todos e recomendo demais a leitura!

Até a próxima, pessoal!


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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resenha: "Minha Coisa Favorita é Monstro" (Emil Ferris)

Tradução de Érico Assis

Sinopse: A história de um assassinato misterioso, um drama familiar, um épico histórico e um extraordinário suspense psicológico sobre monstros — reais e imaginados. A história em quadrinhos mais impactante desde Maus.

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.

Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.

Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.


Por Stephanie: Desde que vi a capa dessa HQ, fiquei encantada. A capa tem uma ilustração lindíssima da autora, Emil Ferris, e é claro que o conteúdo não poderia diferir disso. Com uma história rica e fascinante, Minha coisa favorita é monstro foi uma experiência totalmente diferente de tudo o que eu já li.

A protagonista, Karen, é uma narradora encantadora; uma criança bastante madura que precisa lidar com diversos problemas durante a história, dos mais simples aos mais duros e complexos. Eu adorei seu jeito sonhador e suas frases de impacto; ela soa sábia sem parecer inverossímil, pois é uma garota que precisou crescer muito cedo.




Quanto aos outros personagens, todos são repletos de características marcantes e falhas. Emil soube criar pessoas reais, tridimensionais, que nem sempre tomam as melhores decisões mas que nos fazem sentir bastante empatia.

O enredo é bem diferente e passeia entre diversos gêneros, como terror, suspense policial e ficção histórica. Inclusive, os trechos que se passam na Segunda Guerra Mundial me encantaram, foi algo inesperado e muito bem elaborado pela autora. Cheguei a me emocionar em algumas dessas partes.

Acho que nem é preciso falar muito sobre a arte da HQ. Os traços de Ferris são lindíssimos e eu nem consigo mensurar o tempo que ela levava para desenhar cada página, principalmente com suas dificuldades motoras (conheça a história de superação da autora aqui). É um trabalho de encher os olhos, e a obra certamente vale o preço elevado.




Fica a minha indicação para leitores de quadrinhos experientes ou não. Minha Coisa Favorita é Monstro é uma história completa, que aborda temas importantes e pesados com a visão de uma menina esperta, curiosa e sonhadora. Um prato cheio para os amantes de enredos de tirar o fôlego!

Até mais, pessoal!

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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Resenha: “A louca dos gatos” (Sarah Andersen)

Tradução: André Czarnobai



Por Kleris: Ela está de volta com muito mais quadrinhos, tragédias, dilemas e loucuras gargalhantes <3 E nada como uma pausa só pra rir da nossa --desgraça-- vida cotidiana! Sarah tem um humor sagaz que é impossível não nos arrebatar. REPRESENTA é nossa impressão imediata, o que a torna essencial para os milleniuns – entende quem é um.

E NÃO HÁ MEME SUFICIENTE PRA EXPRESSAR TODOS OS RISOS E/OU GRITOS QUE DEI.

A louca dos gatos é, como os outros sucessos (Ninguém vira adulto de verdade e Bolota molenga e feliz), um compilado de tirinhas. Enquanto o primeiro volume traz algo como “momento de reconhecer realidades”, o segundo inovou ao trazer uma das grandes questões da geração do milênio – a dificuldade em sair da zona de conforto. Já neste terceiro, seguindo a vibe de vida real, Sarah traz experiências corajosas sobre jornadas, como é se jogar no desconhecido, ir além do desespero e ansiedades e mostrar o que está do outro lado de nossos receios: as conquistas!



 



Não é preciso ter lido os anteriores para compreender este último, mas é interessante que há uma linha de progressão sim. É o que podemos ver pelo próprio título – Sarah, como conhecemos no volume 2, não é nada fã de gatos, porque tinha referências de que eram animais pouco sociáveis, porém, após ter que ficar uma temporada com uma gatinha, não queria mais devolver à dona (que era sua mãe), totalmente rendida aos encantos mais banais que os gatos podem nos proporcionar como não amá-los?








A louca dos gatos é justo sobre você se lançar em algo que tem dificuldade em fazer, mas tentar, nem que seja aos poucos, e assim sair da zona de conforto, ver o que há do outro lado, que pode ser muito legal. Experimentar e se expor são grandes marcos nesse livro. À sua maneira, Sarah injeta uma motivação que, pelo que hoje vemos, é bem necessária – principalmente se você lida com algo criativo. Precisamos de mais ação diante de tantos sabotadores. Nesse sentido, a autora reflete bastante sobre saúde mental, talentos, comportamento e como a gente se reconhece perante esse momento de problematizações.







 

Problematizar, aliás, é bem aquele CAMINHO SEM VOLTA, né não? Uma pílula vermelha cedida pelo Morpheu.

Para uma pessoa “fechada”, como conhecemos Sarah lá no volume um, com tantos receios, mas igualmente talentosa, aqui vemos que ela está cada vez mais “aberta”, tanto pelos temas que aborda, quanto pelos relatos que agregam muito mais experiências. Naturalmente, ela retrata muito do universo feminino (claro), então pode ter certeza que nossas inseguranças, inconveniências e problemas sociais saltam das páginas. Aliás, o útero é um vilão que nos ensina demais sobre a capacidade de viver “apesar de”. Ou pelo menos de justificar porque sempre somos múltiplos sentimentos.  






A edição é semelhante aos outros livros, de capa dura, folhas durinhas, totalmente colecionável. Ter Sarah na nossa estante é ter alguém que nos compreende, ser alguém que a entende e rirmos todos pelas doidices que passamos. Realmente, não estamos sozinhos nem nas maiores loucuras que passa por nossas cabeças.




JÁ PODE VIR MAIS LIVROS, PORQUE QUERO MAIS LIVROS E SENTIR TUDO EM CAPSLOCK, PORQUE É ASSIM QUE NOSSO ÂMAGO SALTA QUANDO SE ESTÁ DIANTE DO TRABALHO DA SARAH <3

Recomendadíssssimo!

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Resenha: “Uma Bolota Molenga e Feliz” (Sarah Andersen)

Tradução de André Czarnobai

Por Kleris: Uma bolota molenga e feliz é a ilustração perfeita de nossa geração (Y)! Sarah Andersen (siga ela no insta aqui!) volta com uma nova coletânea de quadrinhos para nos arrebatar com gostosas gargalhadas de identificação. Ela só pede uns minutinhos de sua atenção e quando você vê, está no chão rolando de rir – e mandando fotos das páginas pra todxs xs migxs! PORQUE REPRESENTA MUITO.

Mas diferentemente da primeira coletânea, Ninguém vira adulto de verdade (reveja resenha aqui), Sarah não só expõe nossos conflitos de geração, tampouco se esconde atrás de seus desenhos. Dessa vez ela deixou sua voz falar mais alto e contar experiências, envolvendo-se e contextualizando mais as tirinhas. Achei fantástico que não foi só um “repeteco”

 

  


Diria que a pegada desse volume é mais de reconhecer a nossa zona de conforto e aos poucos colocar o pé pra fora, sabe, pra ver o que acontece. Isso sem deixar, claro, de fazer o melhor para si – mesmo que seja ser uma bolota molenga e feliz, livre de padrões, livre de amarras sociais. É uma visão corajosa em termos de saúde mental – e, diga-se de passagem, muito necessária neste momento.

 

 

Desta maneira, o livro tem um toque de breves narrativas, sem deixar de lado as tirinhas carismáticas que levam e trazem temas relevantes. Permanece o universo feminino de viver (e se ferrar), com nossas inseguranças, hábitos, desconfortos e insanidades diárias. E nosso grande vilão pessoal – o útero! – está de volta com novas artimanhas (quando não, né?)

 

 


Na mesma linha da edição passada, temos uma maravilhosa capa dura. É de sentar com ele em um intervalinho do estresse do trabalho e estudos, e não querer sair desse mundo trapalhão. Acho que posso dizer que é um potinho necessário de empatia. Você não vai sair a mesma inadequada depois de lê-lo. Aliás, para mim, a capa só grita MIM DEIXA SER FELIZ DO MEU MODO *riso nervoso*, *suspiro aliviado* e *embrace yourselves

 


Não sei o que esperar de uma próxima coleção, mas só posso dizer que AAAAAAAAAAAAAAA QUERO!

 


Recomendadíííííííííííííííííííííííííííííííííssimo!

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Resenha: "Como Falar com Garotas em Festas" (Neil Gaiman, Fábio Moon & Gabriel Bá)

Tradução e Adaptação: Fábio Moon & Gabriel Bá

Sinopse: Enn é um garoto de quinze anos que nunca se deu bem com as garotas, enquanto seu amigo Vic tem todas a seus pés. Na Londres dos anos 1970, auge do punk rock, os dois estão prestes a viver a aventura mais espetacular das suas vidas. Ao serem convidados para uma festa, conhecem as belas Stella, Triolet e Wain e descobrem mais segredos do que jamais poderiam supor. Do premiado Neil Gaiman, autor de Deuses americanos e Sandman, e adaptado e ilustrado de maneira extraordinária pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas é uma graphic novel eletrizante, uma jornada sobre as descobertas do amor, das diferenças e dos mistérios que cercam o amadurecimento.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Se você já leu Coisas Frágeis de Neil Gaiman já deve ter topado com esse conto por lá.

Neil Gaiman é um autor com inúmeras obras de sucesso e muitas delas são contos de fantasia. Esse é o caso da resenha de hoje. Neil escreveu, Fábio Moon e Gabriel Bá foram lá e traduziram e adaptaram para uma graphic novel incrível como eles sempre fazem.

Ilustrações sensacionais e bem psicodélicas, como o próprio conto nos leva a entender, ajudam a enxergar as intenções por trás das palavras do autor. 

Nessa estória vamos com Enn, um adolescente que não tem o menor jeito com as garotas, e seu amigo Vic, o bonitão que fica com todas as mais gatas, à uma festa repleta de garotas lindas. Um conto sobre o amor e amadurecimento.

O desenrolar da trama começa logo depois dos dois chegarem à festa onde não conhecem ninguém, mas está cheio de garotas lindas, de outro mundo. Vic logo já começa a se acertar com uma delas sobrando para Enn o grande desafio, falar com essas garotas. Até aí uma história adolescente normal, mas não se esqueça que Gaiman é conhecido por suas fantasias e que elas são garotas de outro mundo...


Para ficar ainda melhor, o conto vai ganhar uma adaptação para os cinemas que ainda não tem data definida para chegar em terras brasileiras. Teremos nessa adaptação Elle Fanning (de Malévola) e Nicole Kidman (de Lion). Deixem nos comentários o que vocês acharam dessa adaptação para os quadrinhos e o que esperam da adaptação do cinema.

Acredito que ler esse conto será uma ótima entrada para o mundo de Gaiman e também para os quadrinhos dos gêmeos Moon e Bá.

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Ana Liberato