quinta-feira, 17 de abril de 2014

Resenha: "O começo de tudo" (Robyn Schneider)

Por Marianne: Sabe quando você termina um livro e fica com saudade dos personagens, considera imediatamente ler mais uma vez só pra fazer parte daquela história de novo?  Ou então fica abrindo em páginas aleatórias e lendo uns trechos lembrando com saudade daqueles momentos como se estivesse olhando um álbum de fotos? (Espero de coração que eu não seja a louca e alguém comente “Ah eu também sempre faço isso! :D”). Pois bem, O começo de tudo é esse livro. 

Ezra Faulkner é o típico garoto-perfeito-americano-do-colegial-clichê-dos-clichês, capitão do time de tênis, namorado da garota popular, favorito pro rei do baile e por ai vai. Mas calma! Não desistam da resenha nem do livro antes de ler tudo. Numa dessas festas típicas de high school americana Ezra pega na lata a namorada Charlotte pulando a cerca sem vergonha na cara. Com o saco cheio de tudo Ezra vai embora da festa e logo depois de sair com o carro é atingido por um motorista desatento que nem para pra ver o que aconteceu. 

Com o pulso e o joelho fraturado Ezra recebe as péssimas notícias: não vai mais poder jogar tênis, vai ter que fazer fisioterapia pra se recuperar e vai precisar usar uma bengala pra andar. Ou seja, o combo do bullying e chamariz do desprezo das típicas escolas americanas.
Voltando pra escola Ezra tem que lidar com o fato de que seus amigos não se mostraram tão amigos assim quando ele sofreu o acidente (NINGUÉM foi visitá-lo no hospital, ou telefonou pra saber dele)  e com os olhares curiosos voltados pra ele.

É meio perdido e sem companhia que Ezra se reaproxima do seu amigo de infância, Tobby.  Tobby e Ezra eram melhores amigos até que um dia, num passeio pra Disney, um acidente bizarro foi divisor de águas na vida de Tobby, que virou o cara estranho e nerd do acidente enquanto Ezra caminhou rumo ao posto de garoto perfeito.
— Isso — disse ela, convencida, pois a minha expressão devia ter mudado. — Percebe? Você está entendendo agora, mas eu descobri há muito tempo que, quanto mais inteligente se é, mais tentado se fica a deixar as pessoas imaginarem você. Nós entramos um na vida do outro como fantasmas, deixando pra trás lembranças assombradas de pessoas que nunca existiram. O atleta popular. A nova garota misteriosa. Mas somos nós que escolhemos, no final, como as pessoas nos veem.
E é assim que Ezra se junta a turma dos nerds, entra no grupo de debate e conhece a garota nova, Cassydy, que veio de outra escola e é bem esquiva em relação a perguntas sobre sua vida (e com quem ele obviamente vai ter um romance no decorrer do livro).  Cassidy é um caso a ser analisado a parte. Típica personagem que vai dividir corações, uns vão amar e outros odiar. Eu gostei da moça, mas acredito que muita gente vá achá-la pedante e pretensiosa. Depois ter terminar o livro fiquei pensando se Cassidy poderia ser associada ao estereótipo de maniac pixiel dream girl —personagens femininos idealizados pelos homens e comuns em filmes e livros, que transformam os protagonistas levando-os pra uma vida de aventuras e apreciação da vida sem se preocupar com os problemas — mas a própria Cassidy diz no livro que a transformação de Ezra surgiu de sua própria vontade de se livrar de um padrão de vida onde ele não se encaixava.
Mas eu não fiz nada disso — Cassydi insistiu — Ezra, essa garota que você está perseguindo não existe. Eu não sou uma aventura boemia que leva você a caça ao tesouro e lhe envia mensagens secretas. Sou esta confusão, triste, sozinha, que estuda muito e afasta as pessoas e se esconde numa casa assombrada. E você ainda continua querendo me dar créditos porque você finalmente decidiu que não se sentia contente espremido no corredor estreito das expectativas de todo mundo.
E sabemos que é verdade,  não só Cassidy mas sua relação com Tobby foi mais que fundamental pra Ezra compreender o quão superficial eram suas amizades anteriores.
O relacionamento de todos os personagens faz a gente se apaixonar por eles a cada página. Tudo é descrito de modo extremamente sincero pela autora através da narrativa de Ezra. 

O livro cita um milhão de referências  que a cada momento que eram mencionadas eu ficava in love . Bob Dylan, Dr. Who, Bansky e Harry Potter e muita zoação envolvendo vampiros (não sou fã do gênero, portanto amei rs) são só algumas delas.
E pra arrematar o final é surpreendente, emocionante e coerente com a maturidade dos personagens.
Eu amei, eu me apeguei, até agora to sofrendo que eles não existem de verdade pra sermos todos amigos.

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Resenha: “As Sombras de Longbourn” (Jo Baker)

Por Kleris: É uma verdade quase universalmente reconhecida que, uma história antiga como “Orgulho e Preconceito”, em domínio público, permanecerá sendo lida, relida e remexida ao longo dos anos.

Não, não é assim que se inicia a narrativa de Jo, mas posso afirmar que, tal como a Jane Austen, ela abre a história colocando os pontos direto nos Is, nos revelando sobre qual realidade tratará: a vida das presenças espectrais que servem à família Bennet. Jo lhes deu nome, personalidade e história. 

Tomo aqui que vocês já conhecem o enredo em “Orgulho e Preconceito” (OeP). Para que certos acontecimentos tenham maior valor, a história exige uma carga de referências sobre o original; porém, em nada impede o entendimento geral. Na maior parte essas referências funcionam como um guia.

Bom, de volta à residência da família Bennet, dessa vez passeamos por cômodos que Jane Austen pouco se deteve. É na cozinha, no sótão, nos estábulos e no terreno da família que vemos Sarah e Polly, duas órfãs, trabalhando duramente ao lado do mordomo sr. Hill, e sua esposa sra. Hill, a cozinheira/governanta. 

A partir de um narrador na terceira pessoa, semelhante à Austen, conhecemos os cansativos serviços diários e as perspectivas de vida desse pequeno grupo, mais precisamente as de Sarah, jovem criada. Ela é uma moça que guarda opiniões, que não se contenta com o emprego, sofre de desgaste e tem sonhos de uma vida melhor. Duas novas mãos serviçais eram do que a casa precisava.

A chegada de James Smith, o novo lacaio, em nada muito substancial muda a rotina. Ele era uma presença, claro, diminuía o trabalho duro das criadas, veio muito bem a calhar, mas aos olhos desconfiados de Sarah, ele não passava disso. Os outros serviçais, por outro lado, eram bem agradecidos e acomodados em seus postos. Polly é uma menina doce e inocente, sr. Hill é um velho bondoso e trabalhador, e sra. Hill é a “mãezona” que comanda as coisas.

Logo a casa começa se movimentar, pois Bingley é o novo vizinho. Acho que é inevitável por essas horas ter o filme de 1995 ou 2005 (para quem assistiu) passando sob nossas vistas. É enquanto rola o início do romance da srta. Jane com Bingley que Sarah conhece o lacaio Ptolemy (que prefere ser chamado de Tol), um homem vivido e com um status melhor por trabalhar para uma família importante. Isso dá alguma esperança de mudança real de vida a Sarah. Só que uma mudança dessas já havia acontecido sem ela notar.
Sarah não podia imaginar que, ao secar as xícaras que ela lavara, ele pretendia chamar a atenção dela de alguma maneira. As unhas dele, ela notou, pareciam luas pálidas – e chamou-lhe a atenção o movimento de seus músculos no antebraço enquanto ele passava o pano no interior das xícaras –, mas ele permanecia tão silencioso como uma pedra. Depois ela se lembrou [...] de Tol [...] e de como ele a notava, de como ele lhe dirigia todas aquelas atenções [...]. James trabalhava com deliberada lentidão, enxugando cada xícara e copo até rangerem, mantendo-se perto dela, apreciando sua expressão de enfado, seu silêncio obstinado. Aquela pertinácia, aquela carranca o encantavam de uma forma que ele não entendia claramente. [...] Ela era mais dura do que ele imaginava. Não queria nada dele. Ela o afastava de si como uma mosca. Ele se deliciava com isso. 
Conforme a história original foi progredindo, que os dias se faziam de esforços, reconheci um orgulho e preconceito que não poderia imaginar. É incrível como as coisas acontecem debaixo do nosso nariz. Nesse sentido, Jo seguiu a linha do romantismo e realismo de Austen, marcando a narrativa não com frases de efeito, mas cenas, muitas cenas detalhadas e longas (como o trecho anterior), para mostrar o ponto a ponto de como as coisas se davam, como as personagens se comportavam e o que realmente tinham em seus pensamentos. Isso dá uma graça maior às conveniências e nos faz colecionar um monte delas.
“O pacote. O que tem dentro dele?”“Rosetas de sapatos”, ela respondeu.“Rosetas de sapatos?”“Rosetas de sapatos. Rosetas para sapatos.”“Não entendi.”Ela se impacientou. “Os sapatos de baile têm rosetas, que são presas neles.”“Para que se faz isso?”“Para que fiquem bonitos.”Ele ergueu os olhos para o céu.“O que foi?”“Nada. É que, se a encarregarem de novo para uma incumbência tola como essa, debaixo de uma chuva tola como essa”, ele disse, “me procure, me ache, que eu irei no seu lugar.”Ela pôs as mãos aos quadris, os olhos chispando.
“E por que você deve determinar o que eu posso e não posso fazer?”Ele ergueu as palmas das mãos. “Eu não quis...”“E se eu quiser ir? E se para mim for um prazer ir? E se eu não quiser que você meta o bedelho onde não é chamado?”
O livro conta com três partes e um finis. Até a segunda parte as coisas se movem em função do mundo de “Orgulho e Preconceito”; é na terceira que vemos a real imaginação de Baker. A maneira como ela entrelaçou isso à trama de Austen me impressionou bastante, vide as entradas de capítulo, com trechos reais da obra (semelhante às epígrafes em Jane Austen: A Vampira, de Michael T. Ford). 

Houve uns momentos em que a narrativa se arrastou, mas gosto de pensar que era por ansiedade de chegar em alguns “finalmentes” (rs). Jo foi malandra de me deixar com o coração na mão diversas vezes, me emocionou, me fez rir, torcer shippar, e me chocou a ponto de me questionar seriamente sobre alguns personagens e comportamentos. Para o que Austen nos deu com uma visão romântica, Baker nos traz uma visão realista e vice-versa.

De todas as adaptações que já vi sobre OeP, esta certamente me chacoalhou! Já vi diversos filmes, séries e livros e nenhum até então consigo equiparar. Jo basicamente estendeu o quadro de vivência de Longbourn, região da casa “modesta” dos Bennet. Digo isso entre aspas por todos sabermos que a família não era nada abastada, mas viviam confortavelmente, o que nesse livro, sob a vista dos criados, a gente entende de outro jeito.
Sarah fez apenas um leve gesto de assentimento com a cabeça, cerrou os lábios e voltou a atenção para a mesa, oferecendo o prato de presunto frio: tudo seria esclarecido no devido tempo, não lhe cabia indagar. Nunca lhe cabia falar, a não ser quando lhe falavam primeiro. Era melhor ser surda como uma porta para tais conversas e parecer incapaz de formar uma opinião sobre elas.
Acho que a capa ilustra bem isso (o trecho). Apesar de o livro abarcar várias histórias, é em Sarah em que se centra. Gostei bastante do título também: o original é Longbourn, e a edição daqui acrescentou “as sombras”, o que concorda em dar mais vida a esses personagens. Só não concordo talvez com uma coisa (rs): na contracapa, há uma informação que diz que “Orgulho e Preconceito é só metade da história”. Arrisco afirmar que não é NEM metade e que foram uns bons 200 anos de espera que valeram a pena. Assim como guardei Lizzie e Darcy no coração, guardarei Sarah e James. E Polly, sr. Hill e sra. Hill!

Recomendo àqueles que já leram (ou conhecem a história) OeP alguma vez, independente de terem gostado. Ou mesmo se gostam da série Downtown Abbey! Vocês PRECISAM ver o que Jane não pôde, àquela época, nos contar, e não falo só pelos criados, mas também um imaginário sobre as Bennet casadas. Sugiro, no entanto, que mantenham um aplicativo de dicionário perto (rs). No começo tem umas palavrinhas que podem parar sua leitura, mas com o tempo vocês levam na boa.

Acho que nem preciso dizer que AMEI, né?

E já quero saber de outros trabalhos da escritora.

Espero que também amem. Até a próxima o/



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terça-feira, 15 de abril de 2014

[Gastronomia e Literatura] Pequenas Rosas

Olá Pessoas,

"Foi o tempo que dedicaste à tua Rosa que a fez tão importante"

Uma das frases clássicas de O Pequeno Príncipe, esse clássico traz muitas lições tanto para os pequenos leitores quanto para os maiores.

Esse trecho me trouxe a inspiração que estava perdida por um tempo. E especialmente para vocês eu apresento o Manjar Pequeno Príncipe. Vamos à receita:

  • 1 litro de leite
  • 3/4 xícara (chá) de amido de milho
  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • 50 mL de água de rosas
  • gotas de essência de baunilha
  • 100 g de açúcar para a calda
  • 1 xícara (chá) de água
  • gotas de corante rosa (ou 1 colher (chá) de purê de beterraba sem sal)
Preparo:

Leve ao fogo brando o leite, o amido, o açúcar, 25 mL de água de rosas e a baunilha. Vá mexendo até chegar ao ponto de mingau. Reserve.
Usando uma panela não muito pequena (para evitar acidentes), leve ao fogo baixo o açúcar mexendo sempre até desempelotar mas não deixe queimar
Apague o fogo e acrescente (sem para de mexer) aos poucos a água
Depois de bem misturado, acenda novamente o fogo, mexendo sempre, deixe por mais 1 minuto
Deixe esfriar um pouco e coloque na forma, complete com o manjar e leve à geladeira por algumas horas.
Desenforme e sirva.

Espero que tenham gostado da receita e que testem também!! 

Bon Apetit e Boa Leitura

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Resenha: "Cidade da Meia-Noite" (J.Barton Mitchell)

Por Sheila: Oi pessoas! Hoje a resenha vai ser um pouco diferente por que, na verdade, não li o livro, mas uma prova do novo lançamento da  editora Jangada: "Cidade da Meia-Noite", primeiro volume da Saga da Terra conquistada.

Nesta trama de ficção científica repleta de tecnologia avançada, encontraremos não só um vocabulário científico, mas também artefatos das Terras Estranhas, que são objetos que possuem propriedades especiais, e que fazem com que a estória tenha ares de fantasia científica.

No início, não sabemos muito. Somos apresentados à Holt, e ele esta fugindo do Bando - mas não nos é contado por que. Apenas sabemos que Holt é um sobrevivente, o que ele não cansa de repetir para si mesmo, enquanto percorre um mundo desolado junto com seu único amigo, Max, um cão pastor de pelagem acinzentada.

No desenrolar da trama, descobrimos que Holt Hawkins é um dos poucos Imunes que resta sobre a Terra. Isso quer dizer que a Estática - algo que deixa os olhos dos outros (crianças e adolescentes) com quem divide este mundo devastado, cheio de ramificações negras, como teias - não pode atingi-lo. Pena que isso não se aplique às pessoas que ele já amou.
Holt detestava lugares como aquele. Eram cicatrizes. Cicatrizes na superfície do planeta, e o mundo estava cheio delas agora. Ele os odiava pelas lembranças que traziam de volta, as imagens antigas que o forçavam a ver novamente.
Imagens dela. (...)
A sobrevivência era um fator importante em cada decisão que Holt tomava. Era como ele vivia, e significava muitas coisas. Uma delas, era descobrir o que tinha valor. Se você tivesse coisas de valor, poderia sobreviver.
A Estática, é o legado deixado pelos Confederados, alienígenas que invadiram o planeta e dominaram todas as formas de resistência a partir de um sinal telepático com o poder de controlar as mentes, que era muito eficiente em adultos, em torno de 20 anos. Antes disso, o único sinal da iminência da contaminação são as manchas negras nos olhos dos condenados, que estão caminhando todos, inexoravelmente, para a submissão absoluta.
Os garotos o arrastaram do veículo destruído e o jogaram com força contra a porta enferrujada.
Eles eram mais novos que Holt, mas nem tanto. Dezessete ou dezoito anos, ele deduziu, vendo os veios negros se alastrando pelos olhos deles, o sinal que denunciava a Estática. Eles já estavam bem entranhados; e isso significava que o tempo deles estava acabando.
Logo, as crianças e adolescentes restantes começam a tentar sobreviver da forma que podem. Holt, se torna um caçador de recompensas. E é assim que sua estrada acaba por cruzar com a de Mira Toombs, já que há uma recompensa por sua captura na Cidade da Meia Noite. Holt pretende capturá-la pela recompensa, mas descobrirá que isto se mostrará muito mais difícil do que parecera a princípio ...
Algo arrancou Holt e Max do chão como se eles não pesassem nada.
Eles foram içados e começaram a flutuar em pleno ar, sem peso, os pés fora do chão, girando sem controle. Em choque, Holt tentou alcançar a parede, o teto ou qualuqer coisa em que se apoiar, mas não havia nada por perto. Ele estava preso, pairando inutilmente no espaço sobre o chão daquele banheiro em ruínas.
A garota riu com aquela cena.
Acontece que se Holt era um caçador, Mira Toombs é uma Bucaneira: alguém que visita com regularidade as Terras Estranhas atrás de artefatos como o que foi lançado contra Holt, excluindo sua gravidade e fazendo-o perder sua presa. Mas Mira também está em sua própria busca, apesar de que seu tempo está acabando: os ruídos da Estática parecem estar cada vez maiores e mais difíceis de ignorar.
Um som estridente preencheu a mente de Mira de repente.
Era como estática, como um rádio fora de sintonia no último volume. O choque fez com que seus joelhos se dobrassem e ela mal conseguiu evitar a queda quando foi atingida.
Durou apenas um instante... e então retornou para onde tinha vindo, para o fundo de seu inconsciente. Ainda estava lá, como sempre, o pulso estridente de estática que ela podia ouvir nas profundezas de sua mente. O sempre presente efeito da Estática, o presentinho que os Confederados tinham dado à humanidade.
Mas tudo pode mudar quando encontram Zoey presa em uma das naves dos Confederados. Aliás, eles estão com um comportamento cada vez mais estranho, suas grandes máquinas de metal enfrentando-se, pintadas com cores diferentes, como se brigassem por algo. E o que estaria fazendo esta menininha, que não lembra quem é, dentro de uma nave?
- Você pode andar - Holte perguntou à Zoey. Ela assentiu, mantendo os olhos nos dele. - Se eles vierem em peso, vamos ter de continuar seguindo em frente. Você consegue? Andar e não parar?
- Consigo.  - respondeu a menina. - Obrigada Holt. (...)
Foi só algumas horas mais tarde, quando o som das máquinas e das pernas dos caminhantes desaparecia atrás dele e a sirene do alarme que vinha do leste finalmente silenciara, que ele se deu conta que a menininha o chamara pelo nome, no local do acidente.
Ela dissera seu nome ... mas Holt não tinha dito a ela qual era.
O primeiro livro da Saga da Terra Conquistada é uma mistura na dose certa de ação, aventura, suspense, ficção científica e fantasia. Consegue ser emocionante, e ao mesmo tempo ter um humor ácido em situações inusitadas que conseguem desviar a atenção para o fato de que a Terra foi tomada e que, afinal de contas, todos os que sobraram eram crianças quando isto aconteceu. 

 A forma como a estória é narrada também é um elemento a ressaltar, já que vamos descobrindo, as vezes junto com os personagens, as vezes através deles, tudo o que aconteceu com a humanidade, e como eles conseguiram sobreviver desde então. Não temos nenhuma informação em "primeira mão" do autor, e temos de tatear às cegas, junto com Mira, Holt e Zoey, a partir do desenrolar da trama, o que não só aguça a curiosidade, como faz deste um livro de tirar o fôlego. 

Ok, eu AMEI  o livro #prontofalei. Foi um dos melhores livros de ficção/fantasia que tive em mãos em muito tempo. Afinal de contas, o tema "invasão alienígena" já foi excessivamente explorado, principalmente pela mídia televisiva, por todos os ângulos - do trágico ao cômico. E é justamente aí que reside a maestria da escrita de J. B Mitchell: ele consegue transformar o óbvio em algo instigante e diferente, ao focar mais nos personagens e nas consequências da invasão em suas vidas, do que na invasão em si.

Fora que além da escrita bem construída, sem nenhuma ponta solta, há um mistério envolvendo Zoey e os objetivos da invasão dos confederados à nossa querida Terra. Conclusão? Mega ansiosa pela continuação, roendo as unhas para saber o que vai acontecer (autores de sagas e trilogias, amo e odeio todos vocês!) Abraços a todos e todas e leiam o livro para nos dizerem o que acharam!


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terça-feira, 8 de abril de 2014

[Gastronomia e Literatura] Que tal Mudar?

Olá Pessoas,

A pergunta que dá o tema desse post é bem interessante, ela tem um quê de desafio. Sentiu? Mas o que seria esse mudar? Eu acredito que, como Humanos, estamos em constante mudança, seja de cunho emocional, físico ou mental.

Um corte de cabelo novo, se matricular em um curso diferente ou começar uma dieta (dieta não!! Essa palavra assusta, prefiro uma reeducação alimentar). Mudar é o meio mais interessante de não cair na monotonia.

Quer tentar sair um pouco do comum? Vi a receita de hoje no Blog Panelaterapia (visitem! tem muita coisa deliciosa por lá) e resolvi compartilhar com vocês e encaixar essa gostosura na minha di... quero dizer reeducação! Vamos lá:

Foto: Blog Panelaterapia



  • 1 lata de leite condensado
  • 2 bananas maduras (qualquer banana)
  • 1 colher (sobremesa) de manteiga sem sal
  • Canela

Preparo:

  1. Leve ao fogo o leite condensado, as bananas amassadas e a manteiga sem sal.
  2. Mexa em fogo baixo até começar a ferver. Depois que ferver continue mexendo (no fogo mínimo) por mais uns 10 minutos, até engrossar bem.
  3. Coloque o brigadeiro em um recipiente untado com manteiga e leve para a geladeira. O ideal é deixar umas 4 horas lá, para ficar bem firme. 
  4. Para fazer as bolinhas, molhe as mãos, isso vai impedir que grudem. Passe as bolinhas na canela e coloque em forminhas.
  5. DELICIE-SE
Mas, ainda fica a pergunta: Que tal Mudar??

Boa Leitura e Bon Apetit

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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Littera Feelings #14 – O valor de um livro dito “clássico”

3. Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.
Por que ler os clássicos? – Ítalo Calvino


Olá, queridos leitores. Como estão suas voracidades? A minha andava um pouco em baixa, nesses últimos dias que tem melhorado. Devorei dois históricos (A Cidade dos Segredos e As Sombras de Longbourn) que me deixaram “nadando nos feels” por dias – o último talvez eu demore a superar rs. Em breve devem estar em resenha aqui no blog.


Esses dois na verdade reforçaram bastante umas questões que queria trazer para a coluna faz um tempinho: qual é a dos clássicos para serem clássicos e como isso é visto pelas pessoas. Não quero entrar na onda do preconceito literário, levantar teorias sobre a origem das más impressões (acredito muito que aquela decoreba pra vestibular contribua nesse quesito), nem bater lá na influência estética de movimentos, muito menos encher a bola deles. Há muitas razões para que um livro seja um clássico e ele nem precisa ser “bom” – e não falo propriamente sobre gostos.


Há na verdade vários significados ao se tomar algo como “clássico”. O Aurélio Online traz isso bem, quando aponta que pode remeter a autores, aos momentos da cultura que prezou demais por artistas renomados ou buscou maneiras de restaurar essa ideia (visão histórica), senão a obras que foram tomadas como modelos de sucesso. Também se refere àquilo que pode ser tomado como habitual, senão grandioso e chamativo, como os clássicos do futebol.

O que você quer dizer então, Kleris?

Atribuição de valor. Seja coletivo, seja individual.

Fernão Lopes, láaa no Humanismo (fui longe!), escreveu crônicas que podem não bater interesse a mim ou a você, leitor (a), não de ler numa tarde de feriado, num domingo calmo e frio, debaixo de umas cobertas com chocolate quente e esperar surpresas sobre reis como D. João ou D. Pedro. Há quem goste, numa pesquisa quem sabe (vai que?). Mas de geral? A importância dele e uns poucos outros naquela época era de registrar o que era visto e vivido. O valor desses textos é mais histórico, nem por isso menos literário, se ele utilizou da escrita, algo que até então era incomum à população. 

Quem teve a oportunidade de ler A Carta, percebeu que Pero Vaz de Caminha escreveu sobre uma terra maravilhosa, em tons leves e calmos, admirados e respeitosos até, em seus limites de escrivão e, de certa forma, de “cultura” dominadora. Agora me diz quem, em sã vontade, levanta um dia e procura por essa carta como leitura do dia? Assim, do nada, como a gente vai lá passear na estante de casa ou nas vitrines de livrarias? 

Minha leitura foi obrigatória, ainda que bem apresentada (vou sempre me lembrar do tio Caminha, que era engraçado a sua maneira). Nada contra se você tiver vontade – indico até! Só realmente não imagino que dessas leituras as pessoas queiram extrair algum tipo de “prazer”. Surpreendam-me se for o caso (rs).

Acontece que ao longo da história teve dessas... De escritos e mais escritos que se utilizavam das palavras para expressar, registrar, revelar mais que ficção, senão dentro da própria ficção, ou tudo junto e misturado, como em (auto)biografias. Os Sertões (de Euclides da Cunha) pode ter sido uma boa sacada jornalística e tal, dizem que lá pelo meio do livro que a coisa engrena mais, só que não me apetece de ler. E olha que foi leitura obrigatória! Dei um jeito de fugir, porque eu não via chances de rolar.



Sabe-se que para cada movimento que se prosseguiu, que ganhou atenção na sociedade (porque tem uns que são pulados no ensino médio!), houve escritores de destaque. Quem não lembra no segundo ano do francês de Gustave Flaubert? Imagino que Madame Bovary causou uma comoção a la 50 Tons de Cinza por revelar mais da mulher do que se era “permitido” – e faço aqui a comparação só pelo alvoroço que ambas promoveram em suas épocas de lançamento.

Na escola a gente viu muito sobre Eça de Queirós e Machado de Assis, mas quero saber quem se lembra, no Realismo, de Fialho de Almeida e... é, não lembro um “desconhecido” no âmbito nacional. Porque se não era Machado, era Raul Pompeia ou Arthur Azevedo.

Sempre tem alguém para levar a fama por todo um movimento, por ter impactado de tal maneira que é quase impossível se lembrar de outro. E no meio dessas “importâncias” todas, a eles foram atribuídos valores. Tinha que haver algum mérito nisso, não? Por isso estão aí, documentados.


Só que esse valor não deve ser parâmetro, tampouco deve medir qualidade. Como comentado no começo, um clássico pode ser assim considerado por várias razões, sem, em nenhum momento, deixar de ser uma "obra". E obra por obra, sai(u) uma a cada minuto. Dentre elas, poucas foram reconhecidas, assim como poucas "representaram" épocas. 


Quem representará a nossa?

Não achei O Conto de Natal (de Charles Dickens) essa coisa toda que falam dele, embora entenda como pode ter sido surpreendente para aquele momento da história o fato do personagem ver e falar com fantasmas. Dom Casmurro (Machado de Assis), por outro lado, creio ter sido golpe de gênio. Gostei bastante de O Grande Gatsby (Scott FitzGerald); no entanto, já não posso dizer o mesmo de Memórias de Um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida) também fugi desse, ele não me desceu. Meu apego do momento é Jane Eyre (Charlotte Brönte) <3 

O fato de serem marcados como clássicos em nada deve interferir se são bons ou não (aqui sim falo de gostos).

E – chega de viagem, né (rs) – ainda que os movimentos literários tenham "parado" de serem “documentados” nas grades escolares, a produção literária não parou. Ela nunca para. O que os críticos andam afirmando é que naquela época era mais fácil de manter os registros – até porque eram menos escritores, menos movimentos. Hoje a estética por estética pode ser um nicho tal qual outro.

Quem sabe daqui uns anos, quando netos ou bisnetos nos visitarem, eles levem como dever de casa a leitura de um clássico? Um desses que saiu ontem, anteontem ou está para sair amanhã? Não podem eles vir a serem os novos clássicos?

A série Harry Potter (J.K. Rowling) já é considerada um clássico infanto-juvenil. Crepúsculo (Stephenie Meyer) abriu as portas para a re-humanização de figuras fantásticas; assim como Jogos Vorazes (Suzanne Collins), dentre as distopias, retomou o realismo e fortes ideologias. John Green pode não ter sido o primeiro da linha sick-lit não gosto do termo, masss, e nem por ser dessa linha, como imagino o Nicholas Sparks, fez dele menos importante nesse quesito. Sophie Kinsella, Marian Keyes e Helen Fielding são, em seu nicho de chick-lits, as autoras mais “clássicas” para as tragicomédias femininas, assim talvez como Martha Medeiros e Tati Bernadi para as crônicas. Cada um se fez (ou está se fazendo) inesquecível. Isso é reconhecimento coletivo.

E se lá na história da literatura, quando seus netos ou bisnetos forem estudar, os livros didáticos trouxessem (sonhar, por que não?) uma linha de tempo que pontuasse 50 Tons de Cinza logo após a geração Harry Potter? Você também não ia dizer “nãaaaao, teve muita coisa entre um e outro”? É, a gente tá vivendo esse presente, mas estamos sabendo reconhecer os marcos que esses tantos livros estão deixando no nosso dia a dia?

Diria o Ítalo Calvino (trecho lá em cima) que eles ficarão nas dobras da memória, do inconsciente coletivo ou individual.

Agora, já que abri o leque de considerações sobre os clássicos, quero saber de vocês, qual(is) livro(s) do momento acham que será um clássico lá no ano de 3023 (se a humanidade sobreviver, claro)? O que acham sobre esses pesos culturais que estão levando? E, se um clássico pode ser aquele habitual, que clássicos são seus? Quando viajo, por exemplo, é comum que leve um chick-lit, costumo guardar para essas ocasiões. Têm algum habitual de ônibus? De mantra de prova? De procura em livraria? De saída de séries? Não sei, me digam vocês o/

Clássico, enfim, se trata do valor que damos. Valor esse que, quem sabe, perdure pela história.

Até a próxima,

Kleris Ribeiro.

P.S.: Conhecem a #EntrevistaDeLeitura do Littera Feelings? Tivemos nossa primeira aqui. A ideia aborda os clássicos da literatura (em abrangência mundial) apenas como requisito de participação, o propósito mesmo é conversar sobre as leituras e o que o leitor pôde captar delas.

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Resenha: "Brilho - Em Busca de Um Novo Mundo #1" (Amy Kathleen Ryan)

Por Clarissa: Oi, oi gente, tudo bem com vocês? Espero que sim, bem minha indicação de hoje é “Brilho- em busca de um novo mundo, para quem gosta de uma aventura nas estrelas.

A terra acabou, sumiu. Duas naves espaciais, a Empyrean e a New Horizon, vagam pelo espaço há mais de 40 anos, em busca de uma terra nova, para que a humanidade que restou se reproduzir e viver em paz. Mas tem um problema, a New Horizon não conseguiu conceber descendentes para continuar a missão e povoar a nova terra.
“A chance de nos protegermos contra a derrota está em nossas mãos, mas a chance de derrotar o inimigo é fornecida pelo próprio inimigo” – Sun Tzu, A arte da guerra
Na escuridão do espaço, a New Horizon torna-se uma ameaça para nave irmã, Empyrean. Sua tripulação precisa desesperadamente de jovens, para casar e ter seus descendentes. A Empyrean não suspeita que possa ser atacados por quem pretende levar o que eles têm de mais precioso, os jovens. Ali nasceu Waverly, que agora tem 15 anos e nada conhece fora da nave, ela fez parte da primeira geração concebida com sucesso no espaço escuro e profundo. E sua única preocupação era de uma adolescente normal, com sua vida simples e feliz, ao lado de seu namorado Kieran Alden.
“- Gostaria que você me descrevesse a sensação do sol batendo no rosto. Já tentei simular essa situação. Até enfiei a cabeça no forno uma vez.”
Mas como nem tudo é um paraíso, a nave irmã New Horizon, ataca a Empyrean, e assim a vida de todos vira de cabeça para baixo, há muitas perdas, separações e sofrimentos. E logo descobrem que os inimigos não estão somente do lado de fora. Surgem personagens muitos complexos, que você vai amar e odiar.

Brilho, é um livro fascinante, achei meio parado no começo, com muitas informações, mas depois começa a evoluir. Os personagens são muito complexos, tem muita intriga, ação e romance. Como é uma trilogia então, termina naquela parte que você quer saber o que vai acontecer com cada um dos personagens (isso acaba com qualquer leitor). O volume 2 é Spark e o volume 3 é Flame. Mas para acabar com nosso mundo, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Porem, enquanto isso ficamos na expectativa grande querendo mais e mais. 
 
Recomendo este livro para todos os amantes de qualquer tipo de leitura, Amy conseguiu atenção de um publico amplo. Amantes de distopia, romance, ficção cientifica. O leitor vai achar que alguns personagens são confiáveis, que vão ajudar, até que na ultima pagina tudo muda. Não gosto quando comparam um livro com outro, neste caso foi Jogos Vorazes (serie que eu amo!), mas para mim não deu tanto interesse. Quero saber o que vai acontecer, o rumo que a escritora vai dar a cada um, e ter muita, mas muita imaginação, os cenários são completos e parece que o leitor está lá vivenciando com o personagem.

Bem, espero que tenham gostado, e não se esqueçam de deixar seus comentários dicas e criticas. Beijos fiquem com Deus até a próxima.

Boa leitura!
 
 

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terça-feira, 1 de abril de 2014

[Gastronomia e Literatura] Rapidinha Gastronômica #1

Olá Pessoas,


Fonte: Radio Cultura Foz
O Grupo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura (GEPAC) tem uma gama de publicações acadêmicas disponível online. A biblioteca está disponível clicando aqui.

O e-book " A Agricultura Familiar à Mesa" me chamou atenção e resolvi compartilhar com vocês. A obra é organizada pela antropóloga Renata Menasche e apresenta os resultados do projeto de pesquisa “A multifuncionalidade da agricultura à mesa: hábitos alimentares e produção para autoconsumo; identidade e estratégias de reprodução social de famílias rurais”, realizado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul entre 2004 e 2006.

O e-book está disponível aqui.

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segunda-feira, 31 de março de 2014

Resenha: "A filha das flores" (Vanessa da Mata)



Por Marianne: Vanessa da Mata já é bastante conhecida por todos como cantora e compositora. Em A filha das flores, seu romance de estreia, vemos a desenvoltura da moça como escritora.

O livro tem uma poesia notável pelo modo como Vanessa escreve, o que torna a leitura muito agradável.
A tal “filha das flores” é Adalgiza, que todos chamam de Giza. Giza foi criada pelas tias no interior do Brasil. Não fica claro no livro em qual cidade ou estado a história de passa, acredito que a intenção da autora foi criar uma cidade fictícia. 
Giza e as tias tem um jardim de flores que abastece a igreja, leva condolências pros funerais e recados acompanhados de rosas aos apaixonados da cidade.

A história começa com Giza na adolescência e à medida que ela vai crescendo alguns questionamentos começam a pipocar na cabeça da moça. Por que ela é criada pelas tias? Quem são seus pais que ninguém comenta? E o que existe além das fronteiras da vila onde ela vive?

É movida por esses questionamentos que um dia meio escondida Giza vai a vila vizinha, chamada Vila Morena, pra descobrir o que há por lá e é surpreendida por um mundo completamente diferente da pacata e monótona vila onde mora.
Prostitutas, ex-presidiários e uma Rainha que todos adoram e esperam ansiosamente. Sim, uma Rainha, que aparece de vez em quando e a vila inteira se prepara pra festejá-la.
Cheguei e parei o fusca em uma sombra de pequizeiro, cautelosa, entrei na Vila Morena: o rabo amputado e afastado, apenas a alguns quilômetros do centro de tudo. Casinhas coloridas e jocosas, de um mau gosto irrecuperável, encheram meu corpo de riso, achei hilário. A desconstrução delas parecia propositada, feita para arrancar diversão dos outros —paredes tortas e cores exageradas, prontas a desbancar qualquer negociação com a civilidade.
Com a curiosidade instigada por esse universo novo de Vila Morena, Giza sai escondida das tias pra conhecer a festa da Rainha e a partir daí ela começa uma descoberta do seu mundo, das pessoas com quem ela vive e do próprio corpo.
Entrei no fusca, o carro da entrega nunca fora tão longe. E eu então! Pensando em tudo que tinha me acontecido, parecia ter nascido outra vez em outra parte do mundo. Talvez fosse um delírio, essas pessoas eram opostas a todas as outras com quem eu sempre convivi.
O livro toma uns rumos diferentes, uma hora você acredita que está indo pra um lado mais fantasioso (com todas as descrições da festa da Rainha e seus “súditos”) e outra hora parece estar tomando um rumo mais “vida real”. 
No final esses dois “rumos” do livro se encontram e quase tudo se explica. Algumas coisas ficam sem explicação mesmo, e acredito que foi a única falha da história. Criou-se um mundo tão fantasioso que ao trazê-lo pro real nem tudo pode ser explicado.
Não é um livro que você vai devorar em um dia, é pra ir apreciando aos poucos, se encantando com a ingenuidade e perspicácia de Giza, crescendo e entendo com a protagonista o universo onde a história é contada. Ficamos no aguardo pra outras obras de Vanessa! Espero que tenham curtido a resenha, até a próxima :)

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