sexta-feira, 22 de maio de 2015

Resenha: “A Última Carta de Amor” (Jojo Moyes)

*Por Mary*: “Eu sou puro amor!” Essa é a frase que me define nesse momento. Só vejo arco-íris!

Em A Última Carta de Amor, Jojo Moyes faz uma dobradinha com o recurso utilizado em A Garota que Você Deixou Para Trás de traçar um paralelo entre passado e presente, entrelaçando as duas histórias de um modo envolvente e apaixonante.

Mas para quem pensa que, de algum modo, o recurso pode se tornar repetitivo, não poderia estar mais enganado. Aqui, Jojo mais uma vez inova e nos surpreende, utilizando uma narrativa inicial não linear, personagens autênticos e uma trama tocante, que, aposto, vai te prender do começo ao fim.

Mas vamos conhecer um pouco mais da trama?

Em meados dos Anos 60, Jennifer Stirling acorda em um hospital de Londres após sofrer um acidente de carro. Não consegue se lembrar de nada da sua vida anterior, mas descobre que tem um marido chamado Laurence, mãe, amigas e uma vida financeira confortável. O médico aconselha que não force nada, porque com o tempo a memória voltará – mas Jenny tem a sensação de que sua família não tem muita pressa para que isso aconteça. Quando volta para casa, os dias se passam e a sensação de que há peças faltando em sua vida é incapaz de ser ignorada. Além disso, a completa falta de química com o marido faz com que Jennifer se pergunte que tipo de sentimento tinha por ele quando se casaram. É em meio a este momento de difícil adaptação que Jenny encontra escondidas no meio de suas coisas cartas de amor endereçadas a ela e apenas de uma coisa tem certeza sobre elas: não foram escritas por seu marido.

Quarenta anos depois, em um jornal londrino, Ellie Haworth vive um momento complicado. Envolvida com um homem casado – a quem ela jura de pés juntos que a ama perdidamente e que um dia deixará a mulher por ela –, a relação reflete negativamente em sua vida profissional. Sua reputação, seu emprego e sua carreira estão por um fio e indo por água abaixo, uma vez que se vê cada vez mais consumida pela relação clandestina com John. Vasculhando os arquivos do jornal em busca de material para uma reportagem, Ellie encontra cartas de um amor proibido que estranhamente parecem envolvê-la de um modo inimaginável. Com a ajuda de um arquivista gatinho, Rory, Ellie busca mais informações sobre o casal, decidida a conhecê-los e reuni-los, o que, de alguma forma, acaba por dar-lhe respostas à sua própria situação.

Uma das coisas que mais admiro na Jojo Moyes – além de sua capacidade de nos transportar dentro de uma máquina do tempo para o lugar que ela bem entende – é seu talento em se reinventar. Cada um de seus livros, bem como cada um de seus personagens, são completamente distintos entre si. Abordagem, trama, história. Há em comum o sentimento doce, a narrativa bela e esse tipo de amor altruísta que somente ela sabe descrever.

Inicialmente, Jojo retrata a readaptação de Jenny à sua antiga vida, após acordar no hospital depois de um acidente de carro, no qual perdeu a memória. Contudo, posteriormente, passa a narrar alternadamente com capítulos de sua antiga vida. É aí que mora o perigo: o recurso de utilizar uma narrativa não linear é bastante válido e elogiável, mas fica um pouco confuso. Juro. Levei mais de cem páginas para entender que os capítulos estavam alternados. Não sei se isso aconteceu por pura lerdeza minha, se foi realmente o fato de não haver nenhum indicativo do método adotado ou se era justamente essa a intenção da autora. Fato é que o leitor precisa ficar atento e, se for um pouco mais criterioso (ou chato), pode ficar bastante incomodado com relação a isso. E eu nem posso julgar, porque, né?!

Traça-se um paralelo temporal em A Última Carta de Amor muito interessante. Conforme já mencionei, a primeira parte da história contextualiza-se na Londres dos anos 60. A partir disso, cria-se uma espécie de comparação comportamental quanto ao contexto histórico, sobretudo relativo ao âmbito amoroso e isso meio que é abordado metalinguisticamente. Caramba, Mary, o que diabos você quer dizer com isso, menina? Calma, que eu explico. Lembra que eu contei que a Ellie trabalha em um jornal? Pois, então, ela fica encarregada de escrever uma matéria comparando os amores de ontem com os de hoje. Essa comparação, indiretamente, é realizada pela própria autora ao abordar os problemas amorosos de Ellie, envolvida com um homem casado.

Outro tema indiretamente abordado é o atual papel da mulher na sociedade, se comparado aos costumes de décadas passadas. Não vou começar a falar aqui de feminismo – nem a autora faz isso –, ainda que este seja um tema que se toca inúmeras vezes no decorrer da narrativa. Atrelado a isso, outras questões são discutidas, tais como a problemática comunicação atualmente entre as pessoas (apesar dos inúmeros meios surgidos no decorrer dos anos) e as neuras surgidas em decorrência do surgimento dessas novas tecnologias (mas disso eu falo um pouquinho mais lá na frente, aguenta aí).

Há alguns personagens que merecem menção, dado a que representam. Jenny, em sua coragem de sambar na cara da sociedade e ir atrás do seu amor; Anthony, em sua entrega apaixonada; Rory, por aquela fofura impressionante e o humor que conquista o leitor de cara; e Melissa, que, apesar de aparecer tão pouco, corporifica muito bem o dilema carreira/família da mulher moderna capaz de se dividir em mil. Acho que preciso também mencionar a Ellie, por pura educação, mas, sinceramente, ela me fez muita raiva em alguns momentos.

Falando em Ellie, preciso comentar as neuras dela. É engraçado como isso é tão natural com o que vivemos no dia a dia. Quem aí nunca ficou às voltas com uma mensagem de texto ou e-mail daquele paquera, tentando interpretar a todo custo o que ele quis dizer com o mínimo “Oi, tudo bem?”? Se visualizou a mensagem no Whatsapp e não respondeu... Ah, então, aí mesmo que a gente se descabela (de raiva ou desespero, o que preferir). NÃO RESPONDEU POR QUÊ? O contrário também. Que atire a primeira pedra quem nunca ficou pensando, repensando e reescreveu milhares de vezes uma mesma pequena mensagem, só para garantir que o carinha lerá com a interpretação certa? Apesar de compreender a Ellie, isso chega a irritar. Criticar os outros é tão fácil... 
“Ela passa as mensagens armazenadas no celular, tentando ver se houve algum indício desse ‘esfriamento’ nos torpedos que ele lhe mandou.”
“Isso não dá uma impressão de dependência, possessão nem mesmo desespero. Sugere que ela é uma mulher com muitos convites, coisas para fazer, mas significa que o colocará em primeiro lugar se necessário. Ela relê a mensagem por mais cinco minutos, para garantir que acertou perfeitamente o tom, e a envia.”
 Me compreendam, ela não é aquele tipo de personagem insuportável – não quero passar a impressão errada a vocês – entretanto há um detalhe ou outro que nos faz implicar um pouquinho. Implicância saudável, garanto a vocês. Afinal, mocinha que é mocinha, tem que ser odiada e essa nem é completamente chata como algumas que vemos por aí.

BTW, para encerrar, quero elogiar uma coisa concernente à parte física do livro. No decorrer da leitura, percebi que os capítulos todos são iniciados com algumas últimas cartas de amor e isso me chamou a atenção. Algumas de pessoas conhecidas, outras não. Nos agradecimentos, a Jojo explica que essas correspondências foram enviadas por muitos de seus leitores, mas que contou também com a participação de correspondências literárias.



Se você quer morrer de amores e ficar toda sentimental por alguns dias, definitivamente, A Última Carta de Amor é a escolha certa. 
“Mas de repente me dei conta, no meio daquela pequena cena de loucura, que ter alguém que nos entenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhorada de nós mesmos é o presente mais incrível (...). Não sei ao certo como conquistei o direito. Não me sinto totalmente seguro desse direito mesmo agora. Mas a própria chance de pensar em seu rosto lindo, seu sorriso, e saber que alguma parte disso poderia me pertencer talvez seja a coisa mais importante que me aconteceu na vida.”





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quinta-feira, 21 de maio de 2015

[Assiste aí] The Blacklist

Olá pessoas!

Meu Deus! Quanto tempo! Acho que nem sei mais escrever.

Perdoem-me pelo sumiço, acho que eu estava acreditando que três semanas nunca passariam. Até eu esquecer o dia do meu último post. Mas estou de volta, trazendo mais uma série. E para me redimir dos meus dias de sumida, vou postar na próxima quinzena, a primeira indicação de uma web série.

Para meu segundo post, vou trazer uma das séries da minha enorme lista de favoritas. Vamos falar de The blacklist.


O que mais me interessou nessa série, inicialmente, foi a temática dela. Eu já sou apaixonada por séries policiais. E The blacklist sabe dosar essa questão ainda com um mistério intrigante. Tanto que a cada vez que assisto um episódio, já fico ávida pelo próximo, curiosa por mais uma pista sobre o envolvimento dos personagens em algo que você nem sabe o que é. 


Personagens principais. (Achei melhor não pedir para
a galera do FBI dá um sorriso)
Talvez, vocês pensem que séries de ar misterioso queira mais enrolá-los do contar uma história interessante, mas confiem em mim, quando digo que essa série te entrega informações aos poucos e o bastante para mantê-lo instigado pelo próximo episódio. E pelo próximo. E pelo próximo. Ops, já é a próxima temporada. E quando você estiver encaixando pecinhas. BAM. Pense novamente. 

E como os senhores não gostam de ser enrolados, vamos logo entregar toda o motivo da atração pela série.


A historia toda gira em torno do vilão mais procurado do mundo, Raymond Reddinton, que resolve se entregar de uma hora pra outra para o FBI, e o mais estranho, ele diz ter uma lista com os verdadeiros criminosos do mundo e pronto para entregar de um por um. Com uma condição: ele só fala com a agente Elizabeth Keen. O problema é que a agente nunca tinha visto ou tido contato com o tal criminoso. Ou seja, a prisão de Raymond tem coisas mais estranhas do que somos capaz de imaginar.

"Você fala demais"

Isso é tudo que vocês vão saber inicialmente, o porque esse cara apareceu para contar tudo isso agora, e porque essa mulher é a única com quem Raymond quer falar, são tópicos, cujas pistas vão sendo espalhadas durante as temporadas. Não arranquem os cabelos para saber o que está acontecendo. Não vai adiantar muito, amiguinhos. Só passem para o próximo episódio. 



"Oh Meu Deus! O suspense está me matando."
Ah! Não vamos nos esquecer também, que Raymond é o personagem mais incrível de toda a série. Além de inteligente, é um personagem eletrizante e com um texto extremamente bem escrito, mas que de nada seria se o ator não conseguisse nos convencer tão bem. Raymond é o criminoso mais amado e procurado do mundo também. Os melhores quotes da série são deles, com certeza. Eu amo a sinceridade dele também, fala o que pensa e consegue o que quer.


Os outros personagens conseguem acompanhar com excelência o ritmo de um personagem tão bem construído. O elenco é ótimo e super empolgante. Todos os personagens conseguem encantá-lo que às vezes, personagens secundários não são.

Cada episódio é uma investigação nova. Mais um criminoso riscado da lista. E todos os casos são cada vez mais fascinantes. Toda a receita de um romance policial + mistério, e porque não, alguns sorrisos que Raymond vai deixar no seu rosto?
Confiram o trailer e se apaixonem: 


Parece que eu ainda sei escrever, pessoas. Mas não vou deixar o tempo me fazer desaprender assim tão fácil novamente. Por enquanto, só assistam essa série. Ela está pedindo para ser vista. Ainda nem tem tantas temporadas lançadas até agora. Dá pra acompanhar rapidinho.

Até o próximo post,

Mariana Diniz

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Resenha: "A Improvável Jornada de Harold Fry" (Rachel Joyce)

Por Eliel:


Sinopse: A Improvável Jornada de Harold Fry - Vencedor do britânico National Book Award na categoria de melhor livro de estreia e finalista do prestigiado Man Booker Prize, A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra. 

Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha conhecida com quem não tem contato há décadas, ele descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer. Então, Harold Fry escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. Ali, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry.

Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, porque, acredita, enquanto caminhar, Queenie Hennessy estará viva, ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos.Fonte: Skoob

"Desde o instante em que conheci Harold Fry, não quis mais deixá-lo. Impossível parar de ler." Erica Wagner, The Times

E posso dizer que eu também senti o mesmo que a crítica literária acima. Do momento que ele cruza a soleira da porta para responder à uma carta de uma amiga que ele não via a muitos anos e que está padecendo de um câncer terminal é possível perceber que essa jornada será muito mais profunda do que o simples colocar um pé na frente do outro.

Harold Fry é um senhor aposentado com uma vida pacata e sem surpresas, chega a ser monótona. Eu não gostaria de envelhecer assim. Ele trabalhou durante toda a sua vida em uma única empresa e teve uma vida simples voando abaixo do radar, nunca chamando a atenção para si ou para seus feitos, um ser humano mediano.

A garçonete disse:

- A gente tem que dar uma enlouquecida de vez em quando, senão não dá. - Ela deu um breve tapinha em seu ombro e, finalmente, entrou pelas proibidas portas de vaivém.

Vivendo cada dia na mesma rotina dentro de um casamento desgastado, certo dia chega a fatídica carta de Queenie Hennessy. Decidido a responder a carta, ele caminha a até a caixa de correspondências, depois até o correio e daí para frente começa a jornada para entregar a carta pessoalmente. O detalhe é que a caminhada é de cerca de 1000 km.

Sem nenhum preparo prévio, nem físico e nem psicológico, ele acredita que enquanto caminha até sua amiga ele pode ajudá-la a lutar contra o câncer. Sua jornada será extremamente cansativa e cheia de dificuldades. Além disso, ela será uma caminhada à sua mente e ao seu passado. Tudo isso para salvar uma vida, e se tudo der certo mais de uma vida poderá ser salva.

Tem tanta coisa na mente humana que a gente não entende. Mas, sabe, se a gente tem fé, pode fazer qualquer coisa.

Ao longo do caminho ele vai encontrar pessoas, repensar atitudes e descobrir o prazer dos detalhes cotidianos. O poder de transformação dessa caminhada é percebido através dos temas abordados, como amor, fé, autoconhecimento, perdão, dor, solidão entre outros de igual importância.

Na minha opinião não é daqueles livros que batem recordes de venda, porém, ele é de uma simplicidade e verossimilidade que deveria ser lido ao menos uma vez na vida. Ou mais, garanto que em cada fase da sua vida você absorverá outras nuances das lições contidas nessas páginas ricas em sabedoria. Isso só me ensinou que as aparências enganam, Harold Fry é muito mais do que um senhor aposentado.

Ele estava tão feliz, tão unido à terra sob seus pés, que poderia rir e rir de tão simples que era.

Rachel Joyce tem uma fluidez na escrita que foi um tanto difícil de acreditar que não era um relato real. Por vezes monótono como uma caminhada solitária deve ser e em outras tão emocionantes que lágrimas simplesmente brotam sem razão aparente. Emocione-se com a força de vontade por trás de cada passo de Harold Fry.



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Resenha Dupla: “A Garota Que Você Deixou Para Trás” (Jojo Moyes)

*Por Mary e Kleris*: Oi, pessoal! Hoje tem resenha especial e em dupla para esse livro impressionante da Jojo Moyes. Quem “traumatizou” ou corre de Como Eu Era Antes de Você, chega mais que em A Garota Que Você Deixou Para Trás a autora com certeza é perdoada.

Liv é uma mulher que ficou recentemente viúva, mas ainda não superou muito bem a perda, vivendo solitariamente em uma bonita construção projetada pelo finado marido arquiteto. Além da vida fria dentro da casa minimalista e impessoal, Liv precisa lidar com os problemas financeiros e sua dificuldade em desapegar das coisas que lhe trazem lembranças.

Inesperadamente, entram em sua vida uma antiga colega de faculdade, Mo, e um investigador de obras de arte desaparecidas, Paul. Em meio a isso, um quadro de passado obscuro comprado durante sua lua de mel se vê no centro de uma disputa judicial, ao mesmo tempo em que Liv começa a descobrir – muito além do valor monetário da obra – a história por trás da pintura e de que modo “A Garota” viajou pela Europa durante a Primeira Guerra Mundial, reaparecendo décadas depois nas mãos de uma jornalista americana.

De início, já desejo mencionar a minha admiração pela capacidade da Jojo Moyes de se reinventar. Confesso que comprei esse livro já esperando algo que seguisse a mesma linha de Como Eu Era Antes de Você, mas me enganei redondamente. Até mesmo a estruturação da narrativa é distinta.

Aqui, Jojo divide a história em duas partes, a primeira sendo como um livro independente, no qual se conta a história de Sophie, em primeira pessoa; e, a segunda, escrita em terceira pessoa, nos dias atuais, introduzindo o leitor ao mundo de Liv e Paul, intercalados com capítulos continuadores da história de Sophie.

Achei estranha, no começo, essa divisão completa das partes e posso dizer que inclusive foi difícil me adaptar, mas isso aconteceu naturalmente. É meio chocante, porque, ao terminar a primeira parte, você encontra a vida de Liv e ocorre uma espécie de quebra. São duas histórias absolutamente distintas, a priori. Porém, no decorrer da obra, a autora faz sua mágica, entrelaçando as tramas de tal maneira, que nem mesmo a distância temporal é capaz de afastar as duas protagonistas. 

Ela se parece com você.

Ela não se parece nada comigo.

É interessante como o universo brinca com os caminhos das duas. Pelas quase 400 páginas as histórias paralelas dão todo um ar de suspense, ansiedade e reservas. Moyes nos arrebata a ponto de não querermos deixar nenhum personagem para pular para outra “visão”, mesmo que muitas perguntas nos suguem para outros pontos da história.

Das diversas questões que nos chamam atenção, uma que se destaca é a significância que ganha o quadro A Garota Que Você Deixou Para Trás entre essas vidas. Como poderia uma simples obra mover céus e terras?

Não é apenas um quadro e não é apenas um conflito.

Há dois pontos importantes a serem discutidos sobre a primeira parte.
A primeira delas diz respeito à impressionante ambientação feita pela Jojo Moyes de uma cidade francesa ocupada pelas tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial, em meados de 1916. A autora menciona nos agradecimentos o livro que utilizou para tanto, mas, caramba, a descrição dela nos faz sentir como se estivéssemos vivendo aquele momento, em que os moradores são subjugados ao poder dos soldados alemães e obrigados a aceitar uma intrusão à cidade. E, mais que isso, às suas vidas. Para quem aprecia História, sobretudo esse corte de estudo das Guerras Mundiais, imagino que ficará bem satisfeito com o resultado conferido pelo talento da Jojo. 

O relógio do avô de René Grenier começara a soar. Isso, reconhecia-se, era um desastre. O relógio estava enterrado havia meses no canteiro lateral da casa, com o bule de chá de prata, quatro moedas de ouro e o relógio de bolso do avô, para evitar que sumissem nas mãos dos alemães.

O plano dera certo – de fato, quando se andava na cidade, o chão rangia por causa dos objetos de valor que haviam sido enterrados às pressas em jardins e caminhos – até Madame Poilâne entrar no bar numa fria manhã de novembro e interromper o jogo de dominó de René com a notícia de que a cada quarto de hora soavam badaladas abafadas sob o que restava das cenouras dele.


E o segundo ponto que merece destaque nesta primeira parte da obra, julgo que seja a própria Sophie e sua fé inabalável. Ela é o tipo de pessoa que vê tudo dando errado, o mundo caindo na sua cabeça e tudo indica que a coisa só piora, mas ela está lá. Firme. Confiante. Todas as pessoas ao seu redor já desistiram, sucumbiram e acham que ela só pode ter enlouquecido por acreditar tanto no melhor do futuro – e das pessoas, consequentemente. A sociedade, como sempre, é insana. 

— Você acha mesmo que nós duas podemos ir para a nossa terra? Para St. Péronne? Depois do que fizemos?

O soldado começou a se endireitar, esfregando os olhos. Parecia irritado, como se nossa conversa o tivesse acordado.

— Bem... talvez não agora – gaguejei. – Mas podemos voltar à França. Um dia. As coisas serão...

Foi por uma matéria de revista que a família de Sophie reencontrou o quadro pendurado na casa de Liv; eles vinham há tempos reunindo os trabalhos do pintor de A Garota. Por força de um processo legal de restituição de bens, crendo que o quadro fora mais um roubado pelos alemães na época da Primeira Guerra, eles querem a obra de volta. Liv entra nesse embate porque não aceita que a vida lhe tire mais um pedaço.

É estranho sair do início do século XX para o início do XXI na segunda parte da narrativa, mas aos poucos vemos como essa primeira ambientação se faz necessária para a história. Moyes poderia ter omitido toda essa visão e fico feliz que não tenha feito. Me senti na pele de Liv sempre pensando na Sophie e tendo expectativas sobre seu destino. É bem sobre os valores que agregamos às coisas e como faz que não só imaginemos uma história presenciada por estas, mas também sobre como nos importemos com aqueles que também já tomaram o mesmo objeto como parte de si.

Ao nos guiar para essa segunda trama, Jojo nos envolve numa mais que acirrada briga, que vai além desse processo judicial. Liv conheceu Paul, um cara gentil, maravilhoso e honesto, quem aflora sentimentos há muito esquecidos. Mas de novo o universo brinca com o destino, pois o trabalho de Paul revela-se um real conflito, já que ele está encarregado deste caso em específico, o retorno do quadro A Garota Que Você Deixou Para Trás às mãos da família.

Mas essas pessoas realmente se importam com o quadro? Quem deve ficar com a obra? Quem merece estar com ela? Melhor: com Sophie?

O que me surpreendeu nesse livro foi a força demonstrada pelas duas personagens, que, além de bem construídas, nos mostram o que é a verdadeira perseverança. Dotadas de tamanha fé, elas permanecem com seus ideais e lutam contra o mundo desolador, mesquinho e egoísta, mesmo quando nem tudo está ao seu favor. Jojo novamente nos coloca a prova quando o assunto é a confiança e, primordialmente, a escolha.

Apesar de todo esse clima de guerra, dominação alemã, processo e julgamentos, a história não pincela um drama por completo. Há momentos de tensão sim, mas há também momentos doces, engraçados e esperançosos. Para eles existem Hélene, Herr Kommandant, Mo, Greg, o pai de Liv, e, claro, Paul. Se você já teve seu coração arrancado pela autora em outro livro, aqui em A Garota ela trata de costurá-lo de volta.

Eles chegam à quadra dela, e ele ri do primeiro encontro deles; de Mo e de sua aparente convicção de que ele era um ladrão de bolsas.

— Vou fazer você pagar aquela recompensa de quatro libras — diz ele, impassível.  — Mo disse que eu tinha direito a ela.
— Mo também acha que é absolutamente aceitável colocar detergente nas bebidas de clientes de quem a gente não gosta.
[...]
— Mo está sendo desperdiçada nesse trabalho. Tem lugar para essa moça no crime organizado. 

Vale aqui uma nota sobre a edição. Semelhante à Como Eu Era Antes de Você, a capa é uma delicadeza só. Não pensem, por isso, que é alguma continuação (vide nota ao fim desta resenha). Assim como a editora preservou a capa original, conservaram o título, que é desses que tem uma força de presença tremenda na história. Percebemos isso cada vez mais após a leitura assentar.

Outro dia encerrei a resenha de Louco Por Você com o trecho de um episódio da série Forever, que condizia com o conflito debatido no livro. Curiosamente, a coincidência novamente ocorreu e, dia desses, vendo a série, me deparei com um episódio que se relaciona perfeitamente ao tema de A Garota Que Você Deixou Para Trás. Achei que seria legal repetir a dose.

“A expiação pode ocorrer de diversas formas. Um pedido sincero de desculpas, um grande gesto, uma prece silenciosa. Ou algo mais complexo, mais obscuro, mais difícil de se decifrar. E embora seja verdade que nenhuma expiação é capaz de mudar o passado, ela tem o poder de nos curar, de restaurar relacionamentos e ligações que pensávamos estarem perdidos para sempre.”

Precisamos dizer que recomendamos muitíííííííííssimo?


P.S.: O que será novamente de nossos corações quando After You (Depois de Você), a CONFIRMADA continuação de Como Eu Era Antes de Você, chegar?


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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Resenha: "A Primeira Noite" (Marc Levy)

Por Sheila: Oi pessoas? Como vão vocês todos? Tudo tranquilo? Trago a vocês hoje a continuação de um livro de Marc Levy, já resenhado no blog aqui. O livro Primeiro Dia - e, sim, neste caso você terá de ler o primeiro livro para poder entender o segundo - virou um best-seller sem esforço, e terminou de um jeito AH MEU DEUS EU NÃO ACREDITO NISSO.

Aos que tiveram que esperar pelo lançamento da continuação, muito dó. Mas como eu recebi os dois livros juntos, ao terminar o primeiro pulei direto para este. Para quem ainda não leu o primeiro e não gosta de estragar as surpresas, recomendo parar a leitura por aqui, pois no próximo parágrafo vou falar um pouquinho sobre como o primeiro terminou.

Bom o primeiro terminou numa grande expectativa. Afinal, Keira e Adrian estavam na China, foram perseguidos, jogados em um rio, e Keira ... morreu. Como a moda de matar personagens anda muito em voga, e eu me recuso a ler a parte de trás dos livros, por que muitos já me "entregaram" a história, eu fiquei numa dúvida tremennnnnnnnnnndda sem saber se, de fato, ela havia morrido.

Mas enfim, Adrian volta para casa, viajando logo em seguida para a Grécia, com o coração desolado pela perda. Tão desolado, que ele até mesmo abandona a grande busca pelos artefatos que ele e Keira vinham realizando juntos.

Aliás, o grande mistério do primeiro livro eram estes artefatos. E que, vamos descobrir, parecem revelar os segredos sobre a criação do nosso mundo. Só que há uma espécie de grupo, ainda não nominado, que é contra esta busca, preferindo que esta verdade mantenha-se escondida. Tudo leva a crer que tenha sido este grupo, inclusive, que cometeu o atentado contra a vida de Adrian e Keira.

Mas a dor para Adrian, que encontrara uma antiga namorada - que, na verdade, nunca tinha esquecido - e agora perdia a pessoa que acreditava ser o grande amor de sua vida, é imensa. Até que uma misteriosa foto, faz com que Adrian acredite que nem tudo estava perdido.

O livro começa  a ser narrado por Walter, Administrador da faculdade de Adrian e seu amigo, que faz um pequeno resumo dos acontecimentos acontecidos até então. E é na voz dele que ficamos sabendo da possível sobrevivência de Keira, através de um pacote enviado anonimamente da China.

Dentro havia alguns pertences que Keira e ele tinham deixado num monastério e uma série de fotografias, nas quais imediatamente reconheci Keira. Havia em seu rosto uma estranha cicatriz. Uma cicatriz que eu nunca havia visto ate então. Informei Ivory, que acabou me convencendo de que aquilo era uma prova de Keira ter sobrevivido.

Walter simplesmente não consegue se conter, contando a Adrian sua descoberta. Este, se lança em uma viagem que tem muito de onírica pela China, a fim de descobrir o paradeiro de Keira e resgata-la onde quer que estivesse sendo mantida.

Com isso, a procura dos outros artefatos parece se perder um pouco, ficando o início do livro focado nas buscas por Keira e no romance entre os dois. Mas quando os dois retomam a busca, ela continua tão tensa e alucinante quanto no primeiro livro.

Eu só queria chegar ao final deste livro para saber, afinal de contas, qual o segredo da criação do mundo. Realmente não esperava pelo que foi revelado. Achei o final surpreendente e muito bem elaborado e escrito, assim como toda a trama.

Mas não concordo com o final. Não concordo MESMO! O que não quer dizer que ele não foi brilhantemente escrito, e entrou para a minha lista de favoritos - mesmo não concordando (em parte) com o desfecho. Se alguém também já leu, comente aí o que acharam! Abraços e até a próxim@.





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terça-feira, 12 de maio de 2015

Resenha: "Pines" (Blake Crouch)

Livro - Pines
Por Yuri: Olá a todos! Hoje a resenha é do livro “Pines” de Blake Crouch, que inspirou a série de TV Wayward Pines  e estreará no dia 14/05 no canal por assinatura Fox.


O livro conta a história de um agente secreto dos Estados Unidos. Ethan Burke recebe a missão de encontrar dois agentes a serviço do governo (Bill Evans e Kate Hewson) que desapareceram na cidade de Wayward Pines.

Quando está chegando na cidade, o agente sofre um acidente de carro e acorda em uma floresta, sem qualquer coisa que possa comprovar sua identidade e sem a sua pasta que contém as informações do caso.
Recobrou a consciência deitado de costas com a luz do sol derramando-se sobre seu rosto e o murmúrio de água corrente por perto. Sentia uma dor excepcional no nervo óptico e um latejar constante, indolor, na base do crânio: o trovejar distante de uma enxaqueca se aproximando [...] O mato mais verde que já tinha visto – uma floresta de folhas longas e macias – ladeava a margem. A água era cristalina e fluía rápida entre as rochas que desapontavam pelo canal. Do outro lado do rio, um penhasco se erguia por mais de trezentos metros. Pinheiros cresciam em grupos pelas saliências da encosta, e o ar estava carregado de seu perfume e da doçura da água corrente.
Burke tenta entrar em contato com sua família e seu chefe, mas suas tentativas são sempre frustradas. As conversas com os moradores só tornam a cidade mais sombria, pois nada em Wayward Pines é aquilo que parece.

Tudo parece piorar quando Ethan Burke encontra o agente Bill Evans morto e logo depois o corpo some misteriosamente. Para complicar ainda mais as coisas, Burke encontra a agente Kate morando na cidadezinha e o mais estranho, parece anos mais velha!!!
- Kate?
- O que?
- Estou maluco?
- Não – ela respondeu – Não mesmo.
Quando Burke resolve deixar Wayward Pines, descobre que uma cerca elétrica circunda a cidade. Será que é para impedir os moradores de saírem ou que alguma coisa possa entrar?

O livro é cheio de ação e todo o suspense me fez devorar o livro, para saber logo qual era o grande mistério da cidade, mas durante a leitura fiquei em um clima meio Residente Evil. Sabe aquela sensação de que a qualquer momento vai aparecer um zumbi e você vai levar aquele susto? Mas não tem nada de zumbi pessoal!!!

A leitura é bem fácil e a história interessante, mas não achei o final nada surpreendente.

Para aqueles leitores, que assim como eu, amam ler os livros dos filmes/séries, vale a pena conferir os dois. Eu recomendo o livro e fiquei com muita vontade de assistir a série.

Até a próxima!


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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Resenha: "Enquanto a chuva caia" (Christine M.)

Por Sheila: Oi todo mundo! Resenha super, hiper MEGA atrasada por que - ok, já vou confessar logo de cara - não gostei muito da sinopse do livro, nem a que esta na contra capa do livro, menos ainda a do skoob.

Assim, eu coloquei uma leitura na frente. E outra, mais outra, e mais umas três ou dez. No entanto, uma das minhas muitas resoluções de ano novo incluíam 1) ler todos os livros do blog de 2014 e 2) Resenhá-los, claro.

Ainda dei uma procrastinadinha para terminar de ler este livro e resenhá-lo. Mas eu tenho uma boa desculpa: uma fratura que me impede de ficar sentada muito tempo, e que me obriga a digitar apenas com uma mão (palmas para mim!).

Começando então com a sinopse do skoob, um dos motivos de meu receio com a leitura:

Erik não procura mais a garota dos seus sonhos. Vive em busca de adrenalina e de uma razão para continuar cumprindo tarefas obscuras. Ele sabe que é muito bom no que faz e não vê nada que possa ser melhor do que os seus dias repletos de perigo. O que Erik não esperava é que sua paixão por correr riscos seria a sua ruína. Ameaçado, ele precisa fugir para o exterior e viver disfarçado de cidadão comum, trabalhando como advogado em uma grande empresa.

Marina comanda o império da família depois de seu pai ter sucumbido ao mal de Alzheimer. Precisa suportar ver os pais tombarem diante da ação implacável do tempo, enquanto ainda carrega a ferida provocada pela morte do jovem marido. Com o comando das empresas nas mãos, ela percebe que nem todas as atividades da corporação obedecem aos manuais de boa conduta.

Quando ambos se encontram, presente e passado se misturam, dando início a um mistério arrebatador que os atrai a uma paixão incontrolável. No entanto, os segredos, cedo ou tarde, virão à tona e os colocarão em lados opostos da balança.
Nenhum dos dois é inocente, mas será que eles aceitarão as verdades que tanto se empenham em esconder? É possível construir um futuro mesmo depois de descobrir que nesta história não há mocinha nem herói?

Ok, confesso que minha implicância foi só até aí. Erik acaba se revelando, logo nas primeiras páginas, alguém que leva uma vida dupla: advogado durante o dia, justiceiro durante a noite. Sim, ele "caça", tortura e mata quem ele considera os "vilões" sem dó algum. Isso acaba fazendo com que ele vá criando uma lista de inimigos e, durante uma missão, um descuido o faz ser baleado.

- Ei, acorde!
Eu não quero acordar, não quero estar aqui e nem quero a minha irmã me tratando feito uma das crianças. mas há dez meses,em um dos meus milésimos últimos trabalhos, fui baleado e foi sério. Quando sai do hospital e soube que ficaria de licença por um tempo bem maior do que imaginava, corri para a casa da minha irmã.

Marina é muito jovem e vamos encontra-la controlada mas muito apreensiva. Ela é a mais nova CEO da empresa da família, tarefa que alguns consideram ser demais para seus ombros - e ela mesma parece ter alguma relutância em aceitar, mas vê como seu dever. Com seu pai sendo diagnosticado com Alzheimer e o ainda recente falecimento de seu jovem marido, ate mesmo ela se pergunta se conseguirá dar conta da direção da empresa.

Todos sabiam que isso aconteceria. Meu pai esta doente há bastante tempo e, ainda que tenha tentado manter tudo como estava, não conseguiu. Honestamente, por mais que eu não queira estar sentada nesta cadeira agora, a ideia de que ele esta mais livre e sofrendo menos me consola. Se é preciso que eu caia no centro deste furacão para que ele possa descansar, tomar remédios mais fortes e ter um pouquinho de paz, tudo bem.

Ambos acabam se encontrando na empresa de Marina, em Nova York, para onde Erik vai como advogado, supostamente para esconder-se enquanto as pessoas que o perseguem não desistirem de encontrá-lo no Brasil. Mas nada é o que parece, e acabamos sendo envolvidos por uma intrincada trama repleta de mentiras, traições e surpresas.

Confesso que o início do livro foi muito cansativo. estava muito parecido com "garoto problemático encontra garota boazinha e eles precisam resolver se conseguem ficar juntos". Mas lá pelo meio o livro da uma guinada. Um mistério parece cercar a vida dos personagens, e Marina parece não ser somente a herdeira rica - nem ser tão inocente quanto se imaginava.

Diálogos inteligentes, e um final que, apesar de ser um tanto quanto clichê, tem uma guinada inesperada, que faz com que tenha valido a pena a espera e leitura para atingi-lo.  Um romance policial BRASILEIRO, Nacional, mostrando que a nossa literatura pode sim ser tão boa quanto a estrangeira. Recomendo!


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sábado, 9 de maio de 2015

[Entrevista] Adorbs Produções e Dona Moça: uma websérie transmídia brasileira (Parte 2)


Olá, pessoal!

Quem perdeu a primeira parte desta entrevista, pode ler aqui. Em uma breve recapitulação, apresentamos a equipe Adorbs Produções, uma produtora de séries exclusivas para a internet, estas inspiradas em grandes clássicos literários brasileiros. A primeira aposta, Dona Moça, é uma adaptação de Senhora (José de Alencar) realizada em conteúdo original que segue a linha transmídia, ou seja, multiplataformas para melhor nos ambientar dessa história. 

Nessa imersão, como bem vimos, os personagens já despontaram nas redes sociais. No twitter, Aurélia Camargo, fundadora da empresa Dona Moça Eventos, comanda junto da sócia e fiel escudeira Fifi as badalações dos eventos paulistanos que realizam. A família Seixas também já deu as caras: Fernando e suas viagens, sua irmã Nic, super fã de GoT, The 100 e Harry Potter, e Mari Seixas, quem trabalha como cozinheira na Dona Moça Eventos.

Essa semana a equipe revelou mais um perfil para acompanharmos: J. Alencar, jornalista e colunista que vai cobrir algumas notícias.  


Agora que estamos bem apresentados, acompanhem comigo mais bastidores de produção com a equipe Adorbs. Para esse papo, conversei com a Jacque (J) e a Maynnara (M); meus breves comentários estão em itálico (K).


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Como foi o processo de seleção de elenco? Pelo que vi recentemente, a Jacqueline anunciou estar definido ^.^

M - Nós dividimos o casting em 3 etapas. Primeiro pedimos que o pessoal enviasse os currículos pro nosso e-mail, daí selecionamos o que mais gostamos e pedimos pra que enviassem um vídeo se candidatando pra trabalhar na Dona Moça, assumindo o papel do personagem e, por ultimo, nós fizemos um teste presencial pra ver a química dos atores juntos. Ficamos bem surpresas, porque na fase inicial recebemos muitos currículos, não só pelo o nosso e-mail, mas também pelo banco de atores. Acho que chegamos a receber mais de 200 cvs nessa história.
Acho que o mais difícil mesmo foi a nossa ultima etapa, porque os atores eram muito bons e queríamos ter vaga para todos eles. Ainda temos planos para o futuro com outras produções e esperamos vê-los de novo. O que nos deixou surpresas é que eles trouxeram visões diferentes dos nossos personagens e ainda assim trouxeram algo que nos agradou.
J - A gente não esperava essa procura toda por parte dos atores. A May falou uma coisa importante: tínhamos atores muito, mas muito bons na etapa final. Acho que o mais difícil foi escolher a Fifi. Três atrizes incríveis e cada uma com uma visão diferente da personagem. Diferente, mas ao mesmo tempo igual (rs).

K – Hahahah e como desempataram?
M - Acho que o que contou mais para o desempate foi a química que os personagens passaram entre si. Como falamos, todos eles eram muito bons, mas os nossos personagens são amigos de anos e seria importante que eles conseguissem passar isso para os espectadores.
J - Tinha que ter aquela intimidade toda. Não queríamos atores e atrizes fingindo ser amigos. Queríamos que eles parecessem amigos MESMO.
K - Uma coisa que achei legal da parte de vocês foi ter iniciado os personagens nas redes antes mesmo da escolha dos atores. Geralmente a gente vê, nas outras webséries semelhantes, que os perfis surgem com as fotos dos seus respectivos atores. E aí surgiu essas figuras de Dona Moça com avatares e ainda assim pareceu uma coisa natural.
M - O que queríamos na verdade era aproveitar o período antes do lançamento pra testar de fato a nossa transmídia, ver o que daria certo e o que poderíamos evitar quando já estivéssemos com tudo pronto.
J - Sem contar que o comportamento deles nas redes sociais serviu de guia para os atores estudarem os personagens.
K - Verdade! Foi então um experimento com muitos ganhos já de entrada.

  
Para uma dedicação a esse projeto, vocês têm planos para crowdfunding* (financiamento coletivo)?

M - Temos planos de fazer um crowdfunding ao fim da primeira leva de episódios (os 10 primeiros).
J - Aguardem que teremos perks (recompensas) muito legais para quem ajudar a financiar o restante dos episódios.
K - \o/ Esses episódios vão ao ar antes de lançar o financiamento, ao longo ou depois?
M - A ideia é que quando começarmos a campanha nós ainda tenhamos alguns episódios dessa primeira leva para serem exibidos durante. E como o processo de financiamento e entrega do dinheiro demora um tempo, temos também alguns projetos da Adorbs para entrarem no ar enquanto a segunda parte da série não volta.
J - Podemos dizer que vocês não terão apenas uma websérie. Vem mais coisa por aí. Mas se eu contar mais vamos estragar a surpresa.
K – Huuuuuuuuum *olhinhos de curiosidade*


Afinal, é preciso ler/ter lido Senhora para acompanhar Dona Moça?

(sneak peek do primeiro episódio)
J - Eu acho que não.
M - Assim como nas outras webseries, é possível entender a Dona Moça sem ler o livro.
J - Da mesma forma que outras webséries e quaisquer outras adaptações, elas contam uma história solo. Claro que ler o livro pode ajudar a entender referências escondidas, piadinhas e outras coisitas. Mas não é estritamente necessário.
K - E assim vocês abrem a série para mais público, além do próprio convite a ler José de Alencar.
J - Exatamente.
M - O que queremos na verdade é aproximar mais os nossos clássicos do público final, trazendo uma linguagem mais próxima do que vivemos hoje.
J - Nossa meta é popularizar a literatura brasileira entre a geração que já nasce usando internet. Dona Moça é o primeiro projeto, mas sonhamos em fazer mais – não necessariamente no formato de websérie – mas definitivamente com a mesma temática.

[Mais informações sobre as adaptações de Senhora, 
a Adorbs preparou um material aqui]


Para quando está programado o início do vlog oficial da série?



M - Estreamos na quarta-feira, dia 27 de maio, e esse vai ser sempre o dia das nossas postagens.
K - Uia! Tá tão perto!
J – AHAM! Mais do que você imagina :)
M - Muuito, por isso estamos ficando cada vez mais ansiosas hahahaha Estamos com o cronograma pronto para todo o período da serie, tivemos algumas mudanças na parte de produção, mas a data de estreia se manteve a mesma.
  

Bônus: Podem revelar alguma trilha sonora da série? ^.^


J - Não temos dinheiro para pagar uma trilha sonora hahahahha Referências musicais vocês terão o tempo todo. Os títulos dos episódios são letras de músicas. Mas certos personagens também terão contas no 8tracks, que é um site e aplicativo para criar mixtapes. A gente pode sentir um pouco do humor deles através da criação dessas playlists.


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Espero que nossos leitores (e agora espectadores) tenham gostado. Agradeço às garotas da equipe Adorbs pelo papo, curti demais! Desejo MUITO SUCESSO e que espalhem BASTANTE AMOR nesse projeto super bacana <3

Daqui já faço uma chamada de Entrevista de Leitura para a coluna Littera Feelings àqueles que estiverem se aventurando pela primeira vez em Senhora (ou outro livro, sem problema). Para mais informações sobre os requisitos dessa entrevista, vejam as edições anteriores aqui.

[A Adorbs indicou onde encontrar Senhora – os livros]


Até a próxima empreitada!


Kleris Ribeiro.


Observação:

Crowdfunding* - Financiamento coletivo que arrecada capital para uma dada iniciativa.

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