segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resenha: "O Pintassilgo" (Donna Tartt)

Por Sheila: Oi pessoas, como vocês estão? Vocês não sabem, por que as postagens são programadas, mas eu estou há MESES sem escrever um vírgula ... mas como no momento em que escrevo estou na iminência de uma cirurgia, resolvi colocar minhas resenhas atrasadas em dia - e começando bem, para me animar!

Por que começando bem? Bom, por que não foi à toa que "O Pintassilgo" ganhou o Prêmio Pulitzer. O livro já começa instigante: vamos encontrar um jovem adulto, Theodore Decker e ele parece estar em apuros. Nesse primeiro momento, sabemos apenas que o mesmo esta escondido em um hotel em Amsterdam, procurando freneticamente por seu nome nos jornais - apesar de não entender nada da língua.

O Herald Tribune não trazia nada sobre minha situação, mas a história estava em todos os jornais holandeses, densas colunas de texto estrangeiro que se mostravam, cruelmente, fora do alcance da minha mente. Onopgeloste moord. Onbekende. Subi e voltei para cama (totalmente vestido, pois o quarto era gelado demais) e espalhei os jornais sobre a colcha: fotos de viaturas, fitas de isolamento de cena de crime, até as legendas eram impossíveis de decifrar e, embora não parecessem citar meu nome, não havia como saber se traziam uma descrição minha ou se ocultavam informações do público.
Num estado de espírito agitado, e estando também um pouco febril, Theo sonha com sua mãe falecida e a narrativa dá um salto, indo para o dia fatídico em que a mesma deixa de existir, e os tropeços pela vida de Theo começam. A história começa a ser contada desde então, quando vamos encontrar um Theo pré adolescente encrencado na escola por ter sido pego fumando. Sua mãe está a caminho da escola com ele para uma reunião, quando decidem se abrigar da chuva no Metropolitan Museum de Nova York.

Vocês já tiveram um momento em suas vidas em que pararam para divagar sobre o "e se"? Pois parece que no decorrer do restante do livro, a vida de Theo torna-se um grande, imensso e engolfante "e se" que o impede de viver sua vida de forma plena e, vagarosamente vão levá-li até aquele frio quarto de Amsterdam.

E se ele não tivesse fumado aquele cigarro? E se não tivesse começado a chover? E se a mãe não gostasse tanto da obra "O Pintassilgo" de Carel Fabritius? E se o museu não tivesse sofrido um ataque terrorista? E se ele não houvesse, em meio ao caos que se seguiu, sujo de terra, com o teto desmoronando, confuso, ainda um pouco surdo e preocupado com sua mãe, roubado a pintura no intuito de protegê-la?

Bom, aí não teríamos esta obra magnífica, que irá retratar de forma magistral a obsessão que Theodore desenvolve pela pintura, que parece ser seu único elo com sua mãe, morta na explosão, e pela qual ele se culpa incessantemente.

Não há como resumir a história a partir de então, por que ela será a narrativa da vida de Theo, suas angústias, anseios, as pessoas que conheceu em seu processo de luto, a família de um amigo que o acolheu, os amigos que fez pelo caminho, o pai alcoólatra desaparecido que retorna após a tragédia, e tantas outras situações, que só mesmo na leitura do livro é possível sua compreensão.

"O Pintassilgo" foi o livro mais "real" que já li. Era como se Theo realmente existisse, como seu eu quase pudesse fechar o livro e enxergá-lo parado à minha frente, ou como se eu estivesse lendo uma autobiografia. O fato do livro ser escrito em primeira pessoa não desmerece em absolutamente nada a obra, bem pelo contrário, só a enriquece nos dando a oportunidade de acompanhar de perto o rico mundo interno de obsessões do protagonista.

É um romance longo, mais de 700 páginas, denso, mas sem ser cansativo. A forma de escrita? Magistral, sem pontas soltas, com uma trama envolvente e encantadora. Um livro que realmente vale a pena ser lido e com certeza um dos melhores no gênero que já li. E o final, com certeza não será nada do que você esperava. Super recomendo.




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domingo, 5 de julho de 2015

Minhas Palavras: "O que eu quero deixar para o meu filho"

A coluna "Minhas Palavras" apresenta textos originais, de diversos temas, produzidos pela equipe do Dear Book.

POR: Raquel Morelli
Quando (ou "se") tiver um filho, gostaria de deixar para ele alguns pensamentos e valores que valem mais do que qualquer dinheiro.Vou ensinar a ele que a primeira palavra de seu vocabulário deverá ser o "RESPEITO". (Acredito que hoje em dia isso esteja em falta no mundo).RESPEITO é a palavra chave da vida, pois quem aprende a conjugar corretamente esse verbo no dia a dia vai longe (longe mesmo).Vou explicar que todos os seres humanos são iguais, independentemente de sexo, raça, idade, religião, satuts, orientação sexual ou qualquer outra coisa. Filho, você deve tratar todos da mesma forma. Sem preconceitos e sem o famoso "mi mi mi".E, o mais importante, meu filho deverá se respeitar.Ele deverá respeitar a mim e ao pai dele em primeiro lugar, assim como nós iremos respeitá-lo.Sim, vou respeitar meu filho e as decisões que caberão a ele. Sou a favor do diálogo em qualquer circunstância e acredito que educar não é fácil, mas, quando há o diálogo a chance de dar certo (qualquer coisa) é maior.Serei aberta a ouvir suas opiniões, seus medos, desejos e qualquer coisa, mas saiba que também estarei no meu direito de opinar e argumentar, isso é ser saudável.Sou mais velha que você, filho. Cabe a você me ouvir também.E aí entramos em uma outra parte importante: a escola.A educação que eu tive foi me dada em casa. À escola coube, obviamente, o papel de ensinar. Isso, para mim, é tão claro, mas para alguns pais parece que não.Com meu filho, vou passar exatamente isso: educação. Educação com amigos, professores, diretores, coordenadores e com qualquer outro funcionário da escola.Ei, filho, sua professora não é sua babá de luxo. É, talvez, tão importante quanto eu e seu pai.Lembra a primeira palavra que te ensinei? Respeito. Então...Vou ajudar meu filho a saber conhecer seus próprios limites e jamais fazer algo só porque outras pessoas fazem (errado ou não).Limites. Outra palavra importante que ele vai conhecer. Mas impor limites não é sinônimo de autoritarismo.Meu filho saberá bem a palavra "liberdade" e saberá que a sua liberdade não pode extrapolar a liberdade do outro.São palavrinhas simples, mas que para que se crie bem uma criança e faça dela um adulto responsável e integro, é necessário cultivar desde sempre.Agir com naturalidade perante as diferenças. Isso é redundância, voltemos no respeito.Sim, filho, as pessoas são diferentes e você deve respeitar.Amor aos animais. Incrível como as pessoas maltratam e judiam desses seres indefesos. Vou ensinar a ele que devemos amar e não maltratar, exatamente da mesma forma que fazemos com as pessoas: respeitando.Enfim, a herança maior que vou deixar ao meu filho possui um valor muito grande, o valor de muitas palavras e atitudes. Principalmente o valor do RESPEITO.
(Coloquei "filho" no texto, mas claro que poderá ser filha ou filhos).

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Resenha: “Garota Replay - O que você faria se encontrasse a você mesma?” (Tammy Luciano)

Por Kleris: Oi, pessoal. Como andam as leituras? Ultimamente tenho ido às cegas, busco um livro ao aleatório na estante e vou na adrenalina sem saber nada a respeito dele de modo geral. Para esse livro da Tammy me devia a leitura faz um tempinho, se comprei faz duas feiras de livro atrás.

Acho que já comentei na coluna do Littera que comecei a ler tardiamente, então não tive um bom número de juvenis (pelo menos os realistas), avancei mais para (e em) outros gêneros. Minha questão de sempre foi de como seria fazer esse “retrocesso de geração”, ler alguns da conhecida coleção do Pedro Bandeira, por exemplo, e se me agradariam. Bom, esse da Tammy não é exatamente um juvenil, mas tem um bom tom do gênero – tanto que foi publicado pelo selo jovem. Assim, agradeço a uma série meninesca que gamei há pouco tempo para preparar o terreno ;)

Ok, voltando-me para a resenha.

Imagine-se num péssimo dia só querendo espairecer, ver a vida acontecer ao seu redor, menos a sua. Thizi tem estado bem embaralhada, o traíra do namorado estava no hospital por uma batida de carro (assim como um amigo do grupo, este em estado grave), o melhor amigo tinha levado umas porradas do cara horas antes e não queria saber dela, seu nome corria solto pelas fofocas, Thizi não sabia o que queria da vida, os pais vivem viajando pelo mundo. Não bastando tudo isso, Thizi encontra uma pessoa igual a ela (algo como uma versão melhorada) numa festa que vai e daí é como a gota d’água para tudo embaralhar mais ainda.
Não tinha coragem de falar, meu corpo paralisado me fez sentir uma menina de quatro anos sendo pega em alguma arte muito feia. Como a gente diz para a gente mesmo quem a gente é?

O que você faria se encontrasse você mesma?

O primeiro terço do enredo é bem assim, confuso por tanto acontecimento ao mesmo tempo, coisas que só somavam na cabeça de Thizi, e na minha, eu não via claramente o mote da história. Embora evocasse um drama pelas páginas, não sentia empatia pela personagem ou pelas situações, elas ora são contadas rapidamente ora muito detalhadas e podem irritar bastante. Isso porque Thizi me pareceu bem contraditória e tinha coisas que simplesmente não condiziam com quem ela se mostrava (ou dizia) ser.
Eu precisava escutar a voz do meu amigo para o barulho do mar voltar a soar bonito de novo e que se danasse se ele batesse o telefone na minha cara, ou me enxotasse, e eu ficasse na pior depois. Tito primava pela educação e sensibilidade, e mesmo assim não sabia como ele agiria ao escutar minha voz. Minha crise de abstinência doía demais.

No meio disso, está Tito, o melhor amigo apaixonante, que não consegue ficar muito tempo afastado. Eles conseguem fazer as pazes e já dispondo novamente do apoio de seu melhor amigo, Thizi decide investigar melhor quem é esta pessoa igual a si. Acaba descobrindo mais dela própria.

Terminei o livro com mistas sensações, dessas que pedem dias para que se respire e possa melhor explicar os motivos de a história não ter me ganhado. Desse saldo, me parece que o enredo-base seguiu muito a linha de meios para dados fins e senti falta de mais propriedade nas ações e na cabeça dos personagens. Na verdade, eles são novos adultos que se passam muito por jovens adultos; para o contexto em que se inserem, é até compreensível.

No geral, é dessas histórias que fazem mais sentido quando vistas de longe. Alguns pontos não ficaram bem amarrados, e explicações e reviravoltas deixaram a desejar. Embora tenha sentido que a intenção da história fosse de ser confusa, acho que a Tammy extrapolou um pouco nessa dosagem.

Com poucos conflitos, Garota Replay é um conto de 144 páginas bom para aquelas horinhas que você não está interessado em algo em especial. Tammy explora temas referentes às relações sociais e cotidianas, como amizade friendzone, família, decisões e atualidades (o livro tem bastantes citações de músicas pop), sem muita imersão. Apesar da falta de uma maior empatia, shippei torci pelo casal que era de uma amizade bonita e ri com uns pensamentos aleatórios de Thizi.
Eu vivia sentindo culpa por não sentir culpa das coisas e mais culpa ainda quando não me lembrava dos acontecimentos. Minha memória, um horror; perdia compromissos e irritantemente lembrava duas horas depois. Sabe o que é estar placidamente deitada no sofá e dar um pulo no ar, seguido de um grito e a conclusão: perdi a prova extra de Matemática? A vida toda fui uma fraude de lembranças.

(ainda não cheguei nesse nível de amnésia, felizmente).

E vocês aí, já leram? O que acharam?

Até a próxima!




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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resenha: "Café Forte" (Eliane Quintella)

Por Sheila: Oi pessoas, como estão? Uma resenha de autora nacional que estava um pouquinho atrasada ... acontece que o livro foi enviado em e-book (aliás esta sendo comercializado pela amazon) e só agora que estou em casa de licença devido a uma fratura, consegui parar para lê-lo. 

Além disso, continuo na minha saga por ler-de-uma-vez-por-todas-os-livros-que-não-li-em-2014 - nem que eu passe todo 2015 fazendo isso! mas acredito que consiga vencer em menos tempo, e colocá-los em dia sobre muitos livros extraordinários - e outros nem tanto.

Comecei a ler este livro com bastante expectativas. A sinopse do skoob é curta e instigante, bem como as resenhas que já foram publicadas por lá, o que talvez tenha contribuído um pouquinho sobre minhas impressões sobre o livro.

Miguel vê sua namorada aterrorizada por um demônio. Ele não acredita, acha que há alguém por trás de tudo e resolve descobrir quem é. Nessa jornada, o ceticismo de Miguel é colocado à prova e ele descobre muito mais do que podia imaginar. Um suspense fantástico que vai deixar o leitor faminto por cada dia um pouco mais de história!

Miguel conhece Dora, sua namorada, em uma livraria. Ela é esbelta, loira, bem sucedida em sua carreira como gerente de uma loja de jóias, meiga e carinhosa. Parecia a mulher ideal e Miguel, médico altivo e orgulhoso, apaixonara-se perdidamente, um amor que beirava a adoração.

Infelizmente, o conto de fadas começa a lentamente se esvair quando Dora começa a aparecer com estranhos hematomas e ferimentos, sem que Miguel consiga que a mesma lhe revele como os mesmos acontecera, ou quem os estaria inflingindo.
Emocionado Miguel agarrou Dora pelos braços com força e a sacudiu violentamente, gritando: 
— Vamos me diga!!! Quem é que está fazendo mal a você? Quem é? Eu não aguento mais! Eu não aguento mais! Você precisa me dizer! – depois de falar ele desmoronou em lágrimas brutais que pareciam ferir seus olhos. Miguel sentia que havia muito mais para saber sobre Dora e ele precisava saber tudo, pois a amava, e sabia que, quando se ama, há força para enfrentar aquele esqueleto assustador guardado dentro do armário. Ela não precisava temer, podia escancarar o esqueleto na cara de Miguel que ele suportaria. Ele estava do lado dela para tudo. Será que ela não via? Dora jogou-se no sofá e gritou: 
— Eu não sei, Guel! Você precisa acreditar em mim!
Mas Miguel não acredita, e não consegue lidar com o fato de que Dora possa estar lhe escondendo o que esta acontecendo, protegendo a pessoa que a vem machucando ao invés de confiar nele para ajudá-la, deixando-a. Num curto espaço de narrativa passam-se alguns meses, e Miguel resolve retomar o relacionamento com seu "anjo", como refere-se à ela.

A condição de Miguel, no entanto, é a de que Dora não lhe esconda mais nada: que ela possa contar toda a verdade sobre o que vem lhe acontecendo. Esta, diz-lhe que sempre temeu seu julgamento, por isso a dificuldade em narrar-lhe quem a vinha machucando. E, a verdade, é que havia um demônio a persegui-la e atemorizá-la.

Enquanto médico, racional e prático, Miguel não consegue acreditar na existência de um demônio, apesar de acreditar que exista alguém que queira assustar sua namorada, um ex-romance que tenha acabado mal, por exemplo. Mas as coisas vão ficando mais sérias: mais hematomas, cortes, pessoas que morrem ao redor de Dora, peças de roupa ensanguentadas.

O que estará acontecendo com Dora? Será que Lara, amiga psiquiatra de Miguel que se propõe a ajudar, visto acreditar em forças e energias que estão para além de nosso entendimento, vai conseguir uma explicação para as coisas aparentemente sem sentido que tem acontecido? E o que prevalecerá? A razão ou o misticismo?

Confesso que tive muita dificuldade para chegar ate o final do livro. Talvez por que, assim como Miguel, eu seja um tanto quanto cética; já nas primeiras páginas, quando a palavra "demônio" aparece, meu alerta "é sério isso?" começou a disparar. Entretanto, no quesito suspense o livro realmente consegue cumprir com seu papel. As informações são passadas aos poucos, e a resolução da trama é muito inteligente e nada clichê.

Mesmo assim, a leitura foi cansativa devido a repetição de algumas expressões - não sei quantas vezes a palavra anjo apareceu, mas foram muitas - e a repetição do nome dos personagens, quando se poderia ter usado de pronomes pessoais ou sinônimos. Além disso, alguns personagens e passagens ficaram muito forçados, não consegui me sentir convencida ou emocionada em alguns trechos. Era como se eles nada me passassem. o Geraldo Roberto (leiam, não vou contar quem é) me dava ânsias de tão cansativo.

A impressão que fiquei de "Café Forte" foi a de que a autora teve uma idéia genial, mas faltou alguma coisa, que eu não sei bem definir, no momento de transpor essa ideia para o papel. Mas ... no momento em que eu escrevo, há cinco resenhas do livro no skoob, todas as cinco extremamente positivas em relação ao livro. Assim, sugiro fortemente que você leia o livro e me diga o que achou. Nada como perspectivas diferentes para nos fazerem rever alguns posicionamentos. Abraços e até a próxima!




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terça-feira, 30 de junho de 2015

Littera Feelings #33 – Um epílogo



Quando o livro acaba, ainda estou naquele plano de vivência, ainda sou amiga daquele personagem, comemoro sua vitória e ainda suspiro aliviada por alguma solução.


Quando o livro acaba, fico olhando sua contracapa. Espio mais uma vez a primeira capa, as orelhas, o folhear das páginas. São pequenos bônus que a editora (e o impresso) nos dá.


Quando o livro acaba, quero rememorar uma vez mais as passagens, os capítulos, o design e transitar pelas bandeirinhas das marcações adesivadas.


Quando o livro acaba, levo um pedaço dele comigo. Levo lições, guardo recados, espero outros resultados. Espero a história assentar e me fazer refletir novamente.


Quando o livro acaba, me sinto diferente de alguma maneira. Aprendi algo novo, reconheci algo velho, comparei situações, tive lembretes e insights.


Quando o livro acaba, tenho ressaca. É saudosismo sem igual. Eu quero voltar ao impossível, onde era o começo, onde tinha tanto por vir.


Quando o livro acaba, desembarco de uma viagem. Longa ou curta, talvez já vislumbre outra na estante.


Quando o livro acaba, algum ciclo se fecha. Não é que tudo vá ficar para trás, mas novas realizações te esperam lá na frente.


Quando o livro acaba, é, por certo, hora de dar tchau. Fica a promessa, voltarei, algum dia, não sei quando, quem saberá, só... Algum dia.




Chegamos a esta última página, o último post do Littera Feelings: esta é minha despedida da coluna =') Após quase dois anos posso dizer que cumpri o papel pelo qual pedi e é chegada a hora de encontrar outro caminho. Ainda estarei aqui no DB e continuarei a colecionar mais figurinhas de leitor! 

Os capítulos vão ficar todos disponíveis no blog para quando quisermos voltar. Ficam guardados vários bônus, bandeirinhas  e lembretes :) 

Ah, e meus preferidos, claro!


Foi um prazer dividir esses posts e ouvir/ler as respostas de vocês. Agradeço muitíiiiissimo à Juny pelo espaço.

A gente se esbarra por aqui.


Kleris Ribeiro.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Resenha: “Americanah” (Chimamanda Ngozi Adichie)

*Por Mary*: Quando recebi esse livro, fiquei um tanto incerta quanto a ele. Sabe quando você segura o volume como uma espécie rara a ser observada? De início, notei a bela capa que utiliza formas e cores que aliam o africano ao americano; e, logo depois, a contracapa com estampa étnica (muito bonita, por sinal). Li a sinopse, mas permaneci incerta e, em seguida, fiz algo que não costumo: fui pesquisar mais sobre a obra.

Veja bem, não gosto de ler resenhas antes para não me influenciar de algum modo, mesmo que indiretamente. Mas tentei saber mais sobre a autora, a publicação... essas coisas. Em meio a isso, acabei vendo algumas opiniões sobre este livro, que é elogiadíssimo tanto como obra de ficção, quanto no âmbito acadêmico. Confesso que isso me deixou um pouco intimidada. E se eu não gostasse? Eu sou do contra?

Como que enviado pelos deuses dos resenhistas, um ex-professor da faculdade postou sobre a obra no FB. E, bem, o cara – que é um chato de galocha – amou... e isso me deixou ainda mais intimidada. Para neutralizar isso, tive que deixá-lo esperando um pouco, porque não me sentia no clima (até já falei sobre maturidade literária na resenha de P. S. Eu te amo) e não queria correr o risco de ser injusta com um bom livro por simplesmente não estar em um momento literário condizente.

Creio que isso foi muito bom, porque Americanah é o tipo de livro despretensioso. Sinceramente, tenho um pouco de preconceito com livros demasiado pretensiosos. Quero dizer, parece que o autor constrói a história não por ela mesma, mas para chocar, ensinar ou para ser Cult. Por esse motivo, algumas vezes, histórias supervalorizadas são vendidas pela “imagem” intelectual transmitida, em vez de por sua qualidade.

Seguindo um caminho inverso, Chimamanda cria uma história profunda e substancialmente leve sem se tornar cansativa, ou como se quisesse nos empurrar goela abaixo um ensaio sobre etnia, raça e preconceito. Logo nas cem primeiras páginas, a autora consegue abordar política, fanatismo religioso, costumes, paternalismo e misoginia. 
“Minha mãe acusou o homem publicamente e ele ficou furioso e deu-lhe um tapa, dizendo que não ia aceitar que uma mulher falasse com ele daquele jeito. Então minha mãe se levantou, trancou a porta da sala de conferências e pôs a chave no sutiã. Ela disse a ele que não podia retribuir o tapa, pois ele era mais forte, mas que ele teria de pedir desculpas publicamente, na frente de todo mundo que vira o tapa nela (...). As pessoas diziam ‘Como ele pôde dar um tapa numa viúva?’, e isso a deixou ainda mais irritada. Disse que não deveria ter levado um tapa por ser um ser humano completo, não por não ter um marido para defendê-la.” 
Depois de treze anos vivendo nos Estados Unidos, Ifemelu está decidida a voltar ao seu país de origem: a Nigéria. Para tanto, se desfaz de seu apartamento, fecha um blog de sucesso e termina com o seu namorado americano, Blaine. Algo parece faltar e, de algum modo, Ifemelu acredita que essa parte que falta está na Nigéria, esperando-a. Sentada em um salão de beleza, Ifem relembra sua adolescência na Nigéria, seu namorado de escola e faculdade, Obinze, e os fatos que a levaram a morar nos Estados Unidos, bem como sua difícil adaptação ao ocidente, novos amores e, por fim, a necessidade insana de retornar.

Na Nigéria, Obinze recebe um e-mail de Ifemelu que mexe com ele muito mais do que gostaria. Apesar de estar casado e ter uma filha, não pode negar que jamais esqueceu seu primeiro amor (e nunca pôde compreender o motivo de ela ter se afastado). Mesmo depois de tantos anos – de ter construído uma fortuna considerável e se estabelecido – não consegue deixar de se perguntar “E se...?”. E a chegada de Ifemelu irá mostrar se tudo o que tiveram realmente ficou no passado ou se há alguma possibilidade de restaurar a ruptura causada pela distância.

Apesar de não seguir uma narrativa linear, Chimamanda consegue deixar tudo muito claro. Com capítulos bem marcados e partes igualmente bem delimitadas, o leitor não se perde e é como se a autora tivesse o feeling perfeito de puxar você para o caminho que ela quer que siga sempre que te sente perdendo o fio da meada. É bastante perceptível, nesse sentido, a sensibilidade da Chimamanda, que parece ter o compasso adequado para que a obra não perca o sentido ou fique maçante.

Por outro lado, o retorno de Ifemelu à Nigéria me pareceu pouco explorado. Isto é, boa parte do livro é dedicado a contar sobre o passado da protagonista, desde sua adolescência na Nigéria – perpassando pelos fatos que a levam a ir morar nos Estados Unidos – até os anos passados na América, quando decide retornar. Acontece que isso tudo toma, pelo menos, dois terços do livro e é apenas no último terço que ocorre a chegada de Ifemelu à sua terra natal. Até aí tudo bem, não fosse a sinopse dar a entender que o ponto central da obra é sua readaptação à Nigéria. Isso acontece? Sim! Mas de forma bem rápida. 
“Aisha fez Ifemelu se lembrar do que tia Uju disse quando finalmente aceitou que ela estava falando sério sobre voltar à Nigéria – Você vai aguentar? –, e a sugestão de que ela havia sido irrevogavelmente mudada pelos Estados Unidos a fez sentir como se sua pele estivesse cheia de espinhos.” 
No entanto, diante da magnitude da obra, não considero que esse detalhe possua tanta relevância. Narrada em terceira pessoa, Americanah é uma obra bem fundamentada, contada de forma ágil. A leitura flui. Se o tamanho assustar você, o medo vai embora logo no primeiro capítulo. É o tipo de livro gigante que, quando você se dá conta, já devorou metade das páginas.

Além disso, os personagens são muito humanos, muito verossímeis. A Ifemelu é cheia de defeitos, mas isso dá a ela uma carga de realidade indescritível. Obinze, um cara idealista e romântico, também está longe de ser perfeito. Sem dúvida, esse grau de humanidade deixa a obra ainda mais valiosa.

O único grande erro da Chimamanda foi esse aqui:

Duerdinhito? Sério? Tudo bem que brasileiro adora um nome complicado, mas Duerdinhito foi demais. Da próxima vez, tenta Wandherkleudysson. ;)


Não posso me esquecer de mencionar a ambientação, claro. É interessante como a autora aborda isso, fazendo piada tanto sobre o senso comum ocidental acerca da África, quanto à ocidentalização dos próprios nigerianos no que se refere à supervalorização dos costumes estrangeiros e a corrupção do país. Pari passu, estamos tão habituados à ponte aérea literária EUA-Inglaterra-(algumas vezes)Brasil, que um local “exótico” dá uma arejada na leitura.

Por fim, fiquei com a impressão de que alguns núcleos não foram completamente encerrados, o que me faz pensar que a autora quis deixar em aberto para um eventual segundo volume. Procurei algo a respeito, mas não encontrei nada. Sendo assim, se alguém aí souber alguma coisa, me conta, por favor!

Bom, Americanah tranquilamente pode ser indicado tanto para quem quer apenas um romance bacana para relaxar em um dia de chuva quanto para quem gosta de temáticas mais sérias, pois de uma forma bastante inteligente se faz uma reflexão perspicaz relativa a uma gama de temas complexos. Não perca tempo, conheça você também a Nigéria pelos olhos da nossa protagonista. 
“Obinze devia ter tomado as rédeas e começado a falar com Ginika, Kayode devia ter ido embora, Ifemelu devia ter ido atrás e o destino dos deuses teria sido cumprido. Mas Obinze falou pouco e Kayode teve que sustentar a conversa, com a voz ficando cada vez mais exuberante, e de tempos em tempos ele olhava de soslaio para Obinze, como quem desejasse incentivá-lo. Ifemelu não soube quando exatamente, mas, naqueles instantes, enquanto Kayode falava, algo estranho aconteceu. Um tremor dentro dela, uma revelação. Ifemelu se deu conta, de repente, de que queria respirar o mesmo ar que Obinze.”


*HABEMUS FILME*


Na verdade, ainda não habemus realmente filme, mas os direitos para o cinema foram comprados pela atriz Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz por Doze Anos de Escravidão (aqueeeela do vestido de pérolas roubado). Confesso que já super visualizei a Lupita no papel de Ifemelu e fiquei animada. Idubitavelmente, há bastante material para uma boa adaptação, mas, como bem sabemos, isso depende de diversos fatores. Mais uma vez, aguardemos.





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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Resenha:"Diário de um Adolescente Apaixonado" (Rafael Moreira)

Por Clarissa: Oi gente, tudo bem? Bom minha indicação de hoje é “Diário de um Adolescente Apaixonado” esta resenha vai estar meio diferente, este livro não tem um história de fantasia, mas sim de você fazer sua história, viver seus momentos.

Rafael Moreira é um adolescente que ficou famoso depois que começou a falar no YouTube (Rafael Moreira), sobre todos os assuntos quem têm a ver com a vida adolescente, o que nos faz parar pra pensar, sobreviver a este mundo de muitas escolhas e deveres. Rafael tem opinião para muitas coisas, mas acredita que há muitas coisas ainda para serem descobertas, seja no amor, amizade, família ou na vida.
“Sempre que você olhar para os lados, para o acostamento ou para o outro lado da estrada, vai notar que alguém estará voltando. Que alguém estará buscando um novo caminho. E que mais alguém estará perdido... Mas não desanime. Não se perca!”
No Diário de um Adolescente Apaixonado, o Rafa abre seu coração e conta tudo de interessante – e emocionante – que já aconteceu na vida dele. Nos tombos e os aprendizados, nas pessoas que perdeu nos amores que falharam tudo o que acontece na vida de um adolescente.
“Tenha seu objetivo em mente e certifique-se sempre de que esteja na direção dele. E o mais importante: não se esqueça de curtir a paisagem do caminho até lá.”
Este é um livro muito fofo e legal, nos faz pensar em muitas coisas, na vida principalmente, em tudo em que passamos no dia a dia sobrevivendo a tudo o q eu acontece. Tenho muitas partes favoritas neste livro. Trechos, frases e o livro em si. Tem um toque de comédia, aprendizado, simplicidade e íntimo. É tão legal quando o autor coloca um pouco de sua vida para os leitores o conhecer melhor, saber como é um pouco a vida de escritor, os leitores se sentem mais privilegiados, como um amigo. Tem muito a ver com o que acontece em nossa vida de adolescente, novos aprendizados, arrependimentos e saber lidar com tudo o que acontece. Rafael é um sucesso na internet e agora por seu livro, esperamos que venham mais historias hilárias e conselhos. Não é só um diário falando amor e tal, sim, fala de amor, mas de um amor pela companhia de alguém em especial e/ou pela família e amigos. Um amor que todos nós temos e queremos compartilhar, seja com que for.

Eu julguei o livro pelo título, achei que era meloso, só sobre amor, mas me enganei. E era diferente do que eu pensei simples e que faz pensar sobre tudo, gosto de livro que me faz pensar na vida, é como um incentivo a seguir o que eu quero. Os capítulos são pequenos, que quando você ver, já acabou. As paginas tem um toque de diário, algo simples e um toque íntimo do Rafael. A Editora Novo Conceito caprichou neste livro, que o deixou harmonioso. Rafael ficou conhecido pela sua Fanpage Me Apaixonei e seu canal no YouTobe.

Espero que tenham gostado, deixem seus comentários. Até a próxima!

                    Boa leitura!

















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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Resenha: “#GirlBoss” (Sophia Amoruso)

Por Kleris: #Girlboss é daqueles livros que a gente costuma passar por ele na livraria e ele some no borrão das novidades. Mas se a gente vira um segundo para olhar e lê-lo, percebemos, é daqueles que conserva a história única de uma pessoa (que podíamos nunca nem saber o nome) e que a gente agradece à editora por trazer esse livro tão bacana. 
Eu nunca pretendi ser um exemplo, mas há partes da minha história – e as lições que aprendi com ela –, que eu quero compartilhar. [...] [Este livro] vai ajudá-la a identificar as suas fraquezas e usar os seus pontos fortes. Vai mostrar que a vida tem uma certa ironia.

Sophia é hoje uma executiva, CEO do site Nasty Gal, um negócio de roupas que iniciou numa pequena lojinha do eBay (algo como um mercado livre da vida lá fora – embora tenhamos um eBay Brasil, empresa de mercado eletrônico). Foi um negócio arriscado, mas um no qual Sophia apostou e seu trabalho cresceu por “naturalidade” do varejo.

Foi algo do tipo instintivo, já que não teve muita orientação, e vale milhões. Sophia, no entanto, não vê como algo a se iniciar procurando fama. Ela só queria vender roupas pela internet e se comprometeu em atender bem as clientes, que é o que importa, e por essa filosofia que o Nasty Gal chegou aonde chegou. Amoruso, uma dessas pessoas que parece nada promissora, foi quem conquistou isso, pouco a pouco, e aos trancos e barrancos se necessário. Erros também geram lucros se formos espertos. 
Pela segunda vez, nos vimos na beira da estrada, sem nada além de canivetes, mochilas e uma lanterna. Eram três da madrugada e estávamos paradas no acostamento de uma rodovia [...] Sugeri que a nossa opção mais segura seria abrir os nossos sacos de dormir na floresta até o amanhecer, mas, idiota que ela era, rejeitou a ideia, explicando que tinha “medo de animais”. Medo de fazer massagem nas costas de um maluco gigante ela não tinha, agora de um cervo bebê encostar o focinho nela, parecia que sim.

Em uma conversa animada, Sophia conta fatos de sua vida que ela hoje acredita ter lhe ajudado nesse caminho torto, mas de sucesso. Pelos breves capítulos, acompanhamos de tudo um pouco entre loucuras e dedicação. Amoruso nos afirma por todo o livro que sucesso não é fama e é preciso foco. Melhor, comprometimento, responsabilidade e muito trabalho pesado. Quando nos dedicamos, coisas acontecem. Talvez não as melhores, ou as que queremos, mas coisas acontecem mesmo e você pode sempre virar o jogo. Uma #girlboss (ou #dudeboss) pode dar conta. 
O sucesso da Nasty Gal tem sido uma viagem louca e veloz, e eu não vou mentir: houve momentos em que essa viagem foi absolutamente assustadora. [...] Toda vez que eu me levantava de manhã em vez de dizer “dane-se” e voltar a dormir, toda vez que eu gastava uns minutos a mais na descrição de um produto para que ficasse perfeita, eu estava escolhendo meu destino e plantando sementes do meu futuro. É muito difícil traçar o caminho que veio dar aqui, mas aconteceu e fui eu que o criei.

Sophie também reforça sobre a ideia do homeoffice e bastidores de um business. Independente de ser pequeno ou não, não é bem colorido como se imagina e a cabeça (pessoa) de um empreendimento tem que estar acima de muitos interesses – alguém, afinal, tem que pensar e fazer a parte chata. Não é algo para levianos.

#Girlboss é mais que roupas (vintage), look e moda – na verdade Sophia pouco toca nesse assunto – ele é indicado a quem se interessa por empreendorismo, mídia e comércio alternativo, business e bastidores de pequenas empresas. Faço uma indicação especial para blogueiros e leitores que pretendem expandir projetos com pequenos negócios. Temos visto muito no nosso meio vendas de camisetas, marcadores, chaveiros, bijus, bonequinhos e afins, temáticos de livros e leituras, ou mesmo alguma prestação de serviço, e às vezes a gente só precisa ouvir/ler uma história parecida com a nossa – principalmente quando o assunto é se resolver com os ditos metadatados! 
Eu não percebia na época, mas o que eu estava fazendo incluía duas técnicas para administrar um negócio bem-sucedido: identificando o público-alvo e sabendo como fazer marketing de graça.

Naquela época eu comia, dormia, bebia e imaginava termos de busca. Eu acordava com os lençóis e cobertores numa bagunça suada e emaranhada à minha volta, praticamente gritando “cocktail dress de lantejoula dos anos 80!” na escuridão.

Se você ainda hesita em começar alguma pesquisa no assunto, vale dar uma oportunidade ao que aqui Sophia relata e te intera. A #girlboss une o útil ao agradável e te manda a real sem toda aquela dureza didática ou metodológica de empreendimentos. É uma introdução àquele negócio que já anda na sua cabeça. 
Começamos comprando lotes de seis, experimentando para ver o que vendia e o que não vendia. Se vendesse, aprendíamos. Se não vendesse, aprendíamos. E continuamos aprendendo.

Preciso dizer? Recomendadíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissimo!





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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Resenha: “Como Eu Realmente... - Passeios pelo lado meio esquisito da nossa imaginação” (Fernanda Nia)

Por Kleris: Certamente vocês já se encontraram em situações do dia a dia em que os pensamentos e atitudes não bem condiziam com o que as pessoas do espaço exterior (e extrínseco ao ser) imaginam. Eis um livrinho que mostra bem essa ~realidade~.

Conheci o trabalho da Fernanda Nia pelas andanças na internet (ou por algum sábio retweet). Inicialmente era um site onde a Fernanda postava pequenos quadrinhos com situações cotidianas e comentários sobre o que realmente se passava em sua cabeça quando se encontrava nelas. O projeto cresceu e Fernanda já lançou o segundo volume agora em maio! =) 

Pelas 80 páginas de “exageros e esquisitices de uma garota criativa demais”, há casos críticos, casos triviais e casos que só estando na situação para entender o que são as criações malucas da cabeça. Ao passo que entramos na da Fernanda, ela parece saber muito sobre a nossa. Como eu realmente reajo a essa ~invasão~? Com risadas, claro!
Prazer, sou a Niazinha, a não-exatamente-brilhante estrela do Como eu realmente. Sou uma garota como outra qualquer, apaixonada por bolinhos e fofurinhas em geral, que acabou tendo de desenvolver uma imaginação exagerada demais para compensar todas as situações constrangedoras ou socialmente esquisitas pelas quais sou obrigada a passar por aqui.

A edição é como uma revista e é um mimo! Conta com 5 seções temáticas que reúnem vários conteúdos já postados pela Fernanda e outros mais inéditos. Temos Fofuras, exageros, inseguranças; Srta. Garrinhas, sargento fofura e outros bichinhos; Parentes, amigos, amores; Livros, filmes e jogos; e Estudos e aulas. Cada quadrinho remete a um caso ou situação e não há uma história ou enredo, são conteúdos independentes unidos por um tema comum e mais uns comentários engenhosos da autora (aí sim pode ter uns contos especiais e citações de ótimos romances não publicados pela Niazinha).
Este é um balãozinho de bate-papo pós-tirinha. É aqui que eu extravaso tudo o que não deu tempo de dizer em tão poucos quadrinhos. Histórias pessoais inusitadas, reflexões psico-pseudo-sociológicas ironicamente válidas ou até contos inventados completamente surreais. Enfim, qualquer coisa que o lado mais esquisito da minha imaginação me convença a compartilhar. Só não me carreguem para o hospício, por favor.

— Não posso voltar – ela murmurou, mais para si mesma do que para Zico, seu bode montanhês de estimação. – Sinto saudades da cidade, confesso. Mas nunca mais terei coragem de voltar e encarar o julgamento silencioso daquelas pessoas. Não depois do erro que cometi. Aquela vida foi condenada pelo meu próprio crime.

Zico levantou seu rosto mastigante para a anciã. Ela entendeu a pergunta em seus olhos inexpressivos, e uma lágrima solitária lhe escapou.

— Foi o pior crime de todos, meu amigo. Eu... cometi um erro de português na frente do gatinho da outra sala. 

No entanto, temos personagens! A Niazinha é quem conversa conosco pelas páginas e nos apresenta ao Sargento Fofura (um cachorro); à Maria Modinha, ao Sílvio Sem Senso Social, Mãe e Pai, figuras “ilustres” que “tornam a vida mais louca e interessante”.

 
(clique em cima para melhor visualizar o texto)


Como eu realmente... é uma HQ de leitura super rápida e ótema para quando estamos em alguma espera. Tem viagem, tem teorias malucas, tem conspiração, tem fofura, tem pôneis, tem bolinhos e... tem uma surpresinha ao final.

 


Alô, Fernanda, quando teremos uma bonequinha da Niazinha?
-QQQQQQQQQQ
Deixe uma fã boba sonhar...

Recomendo!

Ah! Visitem o site ou 
acompanhem mais tirinhas pelas redes sociais:



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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Resenha: "Middlesex" (Jeffrey Eugenides)



Livro - Middlesex

Por Yuri: Olá pessoal! Hoje a resenha postada é do livro Middlesex, escrito pelo autor Jeffrey Eugenides. Quando me perguntaram se eu gostaria de fazer a resenha do livro, eu aceitei, apesar de não ser o tipo de livro que eu costumo ler ou que me chama a atenção em uma livraria.

Aviso desde já que será uma resenha longa, mas devo fazer jus às 574 páginas de um livro bem escrito.

O livro é uma odisseia de Calíope Stephanides e a sua busca para entender a própria identidade e aceitar o próprio corpo. Como trata-se da vida do personagem, a melhor forma de entender Middlesex é por meio de um trecho inicial do livro, o qual descreve os acontecimentos mais importantes da jornada do personagem.
“Minha certidão de nascimento informa que me chamo Calíope Helen Stephanides. Minha carteira de habilitação mais recente (da República Federal da Alemanha) registra como meu primeiro nome simplesmente Cal. Joguei no gol de um time de hóquei, há muito tempo milito na Fundação Salve o Peixe-Boi, raramente frequento as missas da Igreja Ortodoxa grega e, na maior parte da minha vida adulta, tenho trabalhado para o Departamento de Estado americano. Como Tirésias, fui primeiro uma coisa, depois outra. Meus colegas da escola me ridicularizavam, servi de cobaia para médicos, me submeti às apalpações de especialistas e às pesquisas da Fundação March of Dimes. Uma garota ruiva de Grosse Pointe se apaixonou por mim sem saber o que eu era. (O irmão dela gostou de mim também). Certa vez um tanque de guerra me levou a uma batalha urbana; uma piscina me transformou num mito; abandonei meu corpo para ocupar outros – e tudo isso aconteceu antes de eu completar dezesseis anos.”

Confesso que demorei um pouco para engrenar a leitura e inicialmente achei a história bem entediante. O livro é divido em quatro partes: a história dos avós de Calíope; a história dos pais; a história de Calíope até a sua descoberta e por fim a vida pós descoberta e como ele lidou com o novo gênero sexual. Toda essa jornada foi contada para que o leitor pudesse entender como o “defeito” no quinto cromossomo foi passado de geração em geração até chegar em Cal.
“Pois agora, uma vez que já nasci, vou voltar o filme, fazendo meu cobertor rosa voar do meu corpo e meu berço sair de cena em disparada enquanto o cordão umbilical é reatado, e então eu solto de novo o grito na hora em que aquele ponto entre as pernas da minha mãe me suga para dentro. Ela volta a ficar gorda. [...] É quando saímos dos Estados Unidos e vamos para o meio do oceano, onde a trilha sonora soa estranha, tocada ao contrário. Surge um navio a vapor, e lá no alto, no convés, um bote salva-vidas curiosamente balança sozinho; mas aí o navio aporta, a popa primeiro, e de novo estamos em terra firme, onde o rolo de filme se solta do carretel, de volta ao começo...”

O que torna a leitura cansativa é o fato do livro ser bem descritivo, e no geral detalhes em excesso não me agradam. Como Middlesex é uma espécie de autobiografia de Calíope, muitas vezes alguma cena entra por associação de memórias.
“Detroit sempre foi uma cidade feita de rodas. Muito antes das Big Three e do apelido de Cidade dos Motores; antes que alguém, um dia, desse uns malhos dentro de um Thunderbird ou uns amassos num Model T; antes do dia em que um jovem Henry Ford pôs abaixo a parede de sua oficina porque, ao projetar seu quadriciclo, tinha pensado em tudo, menos em como aquele troço sairia dali; e quase um século antes que Charles King, numa noite fria de março de 1986, como se no leme de um barco, saísse guiando [...].”

Acho que com o trecho anterior deu para entender o que eu quis dizer com excesso de detalhes. Tudo isso e mais um pouco foi escrito porque Calíope lembrou de um acontecimento que vivenciou com o pai quando ia narrar a chegada dos avós nos Estados Unidos. No entanto, apesar da descrição prolongada, a linguagem do autor e a forma como o livro foi traduzido tornou a leitura bem poética.
“E, portanto, antes que seja tarde, quero registrar essa história de uma vez: essa jornada atribulada de um único gene através dos tempos. Canta, ó Musa, a mutação recessiva do meu quinto cromossomo! Canta como foi que ela floresceu, há dois séculos e meio, nas encostas do Monte Olimpo, enquanto baliam as cabras e caíam no chão os frutos das oliveiras. Canta a jornada por nove gerações, através da qual, invisível, ela ganhou o corpo no caldo contaminado da família Stephanides. E canta a Providência disfarçada em massacre que de novo pôs o gene em movimento, canta como, soprado feito semente, ele atravessou o mar até a América, onde singrou por nossas chuvas químicas e desceu à terra fértil do útero de uma mulher do Meio-Oeste, minha mãe.”

O que acelerou a leitura e me prendeu a atenção era como e quando Cal ia descobrir sua anomalia genética. Como alguém passa sua adolescência sem saber que é hermafrodita? Qual a sensação ao descobrir isso? Já imaginou se um dia você é menina e no outro descobre que é um menino? E acho que essa é a grande sacada do livro, conseguir mostrar como é viver tudo isso desde os olhos de uma criança que percebe que tem algo de diferente consigo mesma.

A descrição psicológica dos personagens foi escrita com muita perfeição. Foi muito fácil entender os sentimentos dos personagens, como a culpa da avó e a sensação de Calíope de não pertencer ao próprio corpo. Mesmo sendo uma realidade distante, pelo menos pra mim (não sei vocês, mas nunca conheci nenhum indivíduo hermafrodita), as dúvidas e os pensamentos de Cal eram tão reais que várias vezes me peguei pensando se o autor passou por isso.

Para quem está à procura de bons livros, eu recomendo Middlesex. Esse vale a pena ler.

Até a próxima!






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