quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resenha Tripla: "Saga Encantadas" (Sarah Pinborough)

Por Sheila: Olá Pessoas! Como vão todos e tod@s?
Trago para vocês hoje uma resenha tripla de uma trilogia pela qual eu fiquei absolutamente Encantada (com o perdão do trocadilho).

Trata-se da saga "Encantadas" que compõe-se de "Veneno", Feitiço" e "Poder". Como os três livros estão interligados, apesar das tramas serem diferentes uma da outra, a partir do segundo livro haverão alguns spoilers. Mas não se preocupe, eu aviso de novo quando eles chegarem.

Em "Veneno" iremos encontrar a releitura de um classico que já foi recontado inúmeras vezes: Branca de Neve e os sete anões. Mas logo de cara você notará muitas diferenças - mas muitas mesmo.

Em primeiro lugar, a madrasta não é uma mulher madura e invejosa; é uma menina, pouco mais velha que Branca de Neve, um tanto quanto insegura e, em alguns momentos, cheia de atitudes que até parecem coerentes e empáticas. 

Os anões, estes não são apenas sete. São um povo explorado pelo reino do qual Branca de Neve se apieda. Há alguns com quem Branca de Neve tem mais afinidade, claro, mas todos a conhecem e estimam. E a própria Branca de Neve ... Ah, esse nada tem a ver com a mocinha ingênua de bochechas coradas da Disney. É uma mulher forte, corajosa, segura e voluntariosa, justamente o que faz com que a Rainha pareça apagada e sem graça.

Para saber o que acontecerá ... sim você ter´que ler o livro, lamento. Mas juro que você não se arrependerá. A escrita é simplesmente cativante, e o desenrolar da história mantém e distorce a história original na medida certa e o final. Meu Deus que final! 

**A partir daqui CUIDADO podem haver alguns spoilers**



Em "Feitiço" vamos conhecer uma Cinderela diferente. Sonhadora, trabalhadora, mas um tanto quanto mimada. Não que a vida dela não seja difícil. Mas não é tanto quanto o de sua xará original.

Em primeiro lugar, o pai desta Cinderela ainda está vivo. Sua madrasta também tem desejos de ascender na vida através de um bom casamento das filhas, mas não hostiliza Cinderela, só parece ser um pouquinho indiferente, avoada, mas não que ela assim o faça por mal.

No momento do Feitiço, uma surpresa: afinal, não é a fada madrinha quem aparece para tornar os sonhos de Cinderela realidade, mas uma feiticeira, impaciente, que não lhe dá o traje para festa mas lhe pede algo em troca...

E é aqui que os dois livros, as duas histórias, começam a se encontrar e, mais uma vez, você terá que ler o livro para entender a respeito do que estou falando.

Neste segundo livro, a autora consegue manter o mesmo ritmo do primeiro, fazendo-nos ansiar por cada novo capítulo, cada virada de página, cada parágrafo. E o final ... é um tanto quanto polêmico. Tem quem ame. Tem quem odeie. Eu achei simplesmente Magistral, com M maiúsculo mesmo. Para mim, sem dúvida nenhuma, o melhor dos três.
Já em "Poder" - e se você já leu os outros dois livros você saberá que este na verdade é o primeiro da trilogia, cronologicamente falando - iremos saber um pouco mais a respeito do caçador e de como ele e o príncipe foram parar nas terras do Reino de Branca de Neve - apesar de que este já e o final.

Neste livro, vamos conhecer um príncipe mimado e inconsequente, que irá sair numa jornada a um Reino distante em busca de Glória e história para contar para, na volta, quem sabe casar-se e dar netos aos pais e herdeiros ao trono.

Para acompanhá-lo, irá junto um caçador, a fim de garantir que o príncipe não irá se meter em nenhuma encrenca, e de que voltará inteiro para seu pai, o Rei.

Infelizmente as coisas não acontecem bem como esperavam. No caminho eles encontram uma neta e sua avó, presas em uma luta constante com lobos; mas também uma estranha muralha de espinhos, que eles imaginavam servir para barrar os que quisessem adentrar seus domínios.

Mal sabiam ele que estavam lá para impedir que o Mal despertasse de seu longo sono ...

Com este terceiro livro, o ciclo se fecha, e voltamos ao início da história de "Poder", com todos os  conflitos resolvidos, todas as histórias concluídas e sem absolutamente nenhuma ponta solta e, pelo que me diz respeito, com uma leitora simplesmente extasiada.

A escrita de Sarah Pinborough é voltada ao público adulto. Encontraremos em sua obra, com tons sombrios, sexo, traição, amor e tragédia. O mal, é aquele que parece habitar o ser humano, e os finais felizes nem sempre eram aquilo que se imaginava. 

Preciso dizer que recomendo? Abraços e até a próxima!

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Resenha: "Fúria Vermelha" (Pierce Brown)

Tradução Alexandre D´Elia

Sinopse: Fúria Vermelha é o primeiro volume da trilogia Red Rising, e revive o romance de ficção científica que critica com inteligência a sociedade atual. Em um futuro não tão distante, o homem já colonizou Marte e vive no planeta em uma sociedade definida por castas. Darrow é um dos jovens que vivem na base dessa pirâmide social, escavando túneis subterrâneos a mando do governo, sem ver a luz do sol. Até o dia que percebe que o mundo em que vive é uma mentira, e decide desvendar o que há por trás daquele sistema opressor. Tomado pela vingança e com a ajuda de rebeldes, Darrow vai para a superfície e se infiltra para descobrir a verdade. 'Fúria Vermelha' será adaptado para o cinema por Marc Forster, diretor de Guerra mundial Z.

LISTA DE CLASSESOuros: Membros mais nobres da sociedade. Os mais fortes e belos, orgulhosos e vaidosos. Controlam toda a sociedade.Pratas: Contabilizam e manipulam a moeda e a logística.Brancos: Controlam a justiça e a filosofia da sociedade. São os pensadores.Cobres: Também chamados de Centavos, administram a burocracia e o Comitê de Qualidade.Azuis: São os viajantes e exploradores do universo.Amarelos: Estudam os medicamentos e as ciências.Verdes: Desenvolvem a tecnologia.Violetas: Os criativos. Considerados artistas da sociedade.Laranjas: Os engenheiros mecânicos. São os mais prestigiados da classe dos trabalhadores.Cinzas: Também chamados de Latões, garantem a ordem e a hierarquia nas sociedades.Marrons: Serviçais das tarefas cotidianas.Obsidianos: Também chamados de Corvos. Elite militar da sociedade, garantem a proteção dos Dourados.Rosas: São empregados e proporcionadores de prazer da alta sociedade.Vermelhos: As formigas operárias da sociedade. A capacidade física e mental dos integrantes dessa cor é imensurável.
Fonte: Skoob



Por Eliel: Foi difícil, devo admitir. Realmente não foi nada fácil lidar com tantos detalhes, tantas reviravoltas e tanta pretensão em um só livro. Livro muito grande e maçante, devo ressaltar. Pretendo relatar aqui uma visão sincera.

Fúria Vermelha é o primeiro de uma trilogia e tem a responsabilidade de cativar futuros fãs. É difícil ser o primeiro de uma trilogia que foi comparada à Jogos Vorazes e Game of Thrones. Quer colocar mais peso na responsabilidade desse livro? Ele será um filme pelas mãos do diretor de Guerra Mundial Z (ainda sem previsão de data).

Estou aqui na frente desse post e ainda não sei bem o que dizer sobre esse livro... Essa sensação é horrível, a de não saber usar as palavras.


O livro é dividido em quatro partes, que para mim representam a evolução de Darrow. Ele é o protagonista improvável de uma distopia, pois geralmente é o herói que se rebela contra algo que não parece ser certo e persegue seu ideal. Darrow pelo contrário é empurrado pelos acontecimentos e pessoas à sua volta. 
  • Escravo: Toda essa parte do livro se passa em Marte, que assim como outros planetas e luas foi Terra-Transformado (Processo que torna qualquer ambiente favorável para ser habitada). Esse processo é responsabilidade é dos Vermelhos, eles são a base da pirâmide social. Sem se darem conta do que acontece de verdade eles literalmente estão dando suas vidas para que os outros níveis dessa pirâmide possam ter uma vida melhor. Mas será que isso é justo? Todas as outras camadas sociais são classificadas por cores (ali em cima tem as características de cada uma), essa sociedade idílica é sustentada apenas por mentiras criadas por aqueles que estão no topo e usufruem das cores "inferiores". Por exemplo, os Vermelhos acreditam que são os heróis da humanidade e que quando seu trabalho estiver concluído as outras cores poderão habitar Marte e viverem em harmonia, porém, Marte já está habitada e eles não sabem disso. Apenas para que continuem sendo explorados em sua ignorância.

"Não se trata apenas de algum sonho., Darrow. Vivo pelo sonho de meus filhos poderem nascer livres. Deles poderem ser o que quiserem. De poderem ser donos da terra que o pai deles lhes deu.- Eu vivo por você - digo com tristeza.Ela me beija a bochecha.- Então você precisa viver por mais."
  • Renascido: Depois de perder quase tudo o que tinha na vida, Darrow resolve seguir as palavras de sua esposa e viver por mais. Com a ajuda de uma aliança rebelde acaba entre os Ouros com o único objetivo de destruir o sistema de castas de dentro para fora. Mas ele precisa passar por uma enorme transformação, tanto física, como cultural e um pouco psicológica também. Aqui o livro começa a ficar um pouco mais interessante, em meio a tanta transformação Darrow não perde sua essência (o que pode dificultar ou não sua missão). Seus princípios e valores permanecem os mesmos e apesar de praticamente ser um novo personagem na saga enxergamos claramente aquele Vermelho em meio a tanto Ouro reluzente. Os Ouros tiraram tudo dele e agora ele tem a obrigação de conviver em harmonia com eles, uma tarefa praticamente impossível, ainda mais para ele que não queria fazer parte de nada disso e se conformava com a vida que tinha.
  • Ouro: Ok, aqui o livro se torna interessante. Darrow consegue se infiltrar entre os Ouros, sob a alcunha de Darrow au Andromedus. Não sem antes deixar muito sangue no caminho. Junto com eles aprendemos ainda mais sobre a vida dos Ouros que apesar de regada à muito luxo e opulência, não é tão fácil quanto parece. Darrow terá muitos desafios ainda pela frente. Entrar não foi tão difícil quanto se manter entre eles.
Mártires, vejam bem, são como abelhas. O único poder de que dispõem é proveniente da morte.
  • Ceifeiro: O banho de sangue que esse livro é só vai ficando ainda mais forte, acho que alguns pecados só podem ser lavados com sangue mesmo. Eu não faço ideia de quanto seria necessário para lavar o de uma sociedade inteira.
Acho que devo parar por aqui para não soltar mais spoilers.

O livro maçante se torna inlargável (nem sei se essa palavra existe, acho que não) e por isso foi tão difícil escrever, pois é um livro que não me cativou que me obrigou a ficar com ele até o fim para depois me apaixonar por esse mundo de palavras e detalhes criado por Pierce Brown. 

Tem tudo o que é necessário para ser uma saga inesquecível que é uma crítica velada à sociedade atual, Metáforas, alegorias, sarcásmo e ironia, tem tudo isso aqui. Leiam livres de preconceitos, não façam como esse que vos fala que se animou com a capa e logo achou tudo muito chato antes da 10ª página. e que depois devorou as 450. Já vão com sede de desvendar o porque este volume foi comparado com sagas tão intensas.

Fui forjado nos intestinos deste mundo duro. Afiado pelo ódio. Fortificado pelo amor. 


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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resenha: “Os príncipes encantados também viram sapos” (Megan Maxwell)

Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Sabe aquele livro que a gente não sabe dizer se gostou ou não? Pois é.

Quem me acompanha aqui, sabe que sou doida pela Megan Maxwell. Deixei isso muito claro em todas as minhas resenhas de livros dela e sobretudo em Você se lembra de mim?, que acabou comigo de uma maneira... Sendo bem franca, não tenho muita certeza se já superei essa DPL.

Os príncipes encantados também viram sapos aborda o relacionamento de Kate e Sam, que se conheceram muito jovens, enfrentaram um relacionamento à distância durante anos e, após terminarem a faculdade, finalmente se casaram e formaram uma família linda, com duas filhas maravilhosas.

Sam, que foi criado em um orfanato e nunca soube o que significava realmente ter uma família, realiza com Kate o seu grande sonho. Com muita luta, junto a Michael – seu melhor amigo e quase um irmão – Sam e Kate abrem o seu próprio escritório de advocacia, vão viver em uma casa confortável e criam, juntos, as duas filhas. Contudo, este conto de fadas se vê ameaçado pela rotina e uma traição pode colocar tudo a perder.

A trama, em si, é muito boa; apresenta um lado até então desconhecido da autora. Pelo menos, para mim. Apesar de Megan Maxwell não ser uma escritora de perfeições – vida cor-de-rosa e pessoas maravilhosas de personalidades perfeitas – este livro parece acentuar ainda mais as imperfeições de seus personagens, suas fraquezas e as agruras da vida.
- Você sabe o que o Sam significava pra mim – disse Kate, enxugando as lágrimas. – Era meu príncipe encantado. O homem ideal! Mas sabe o que eu concluí com essa história toda?
- O que você concluiu?
Com a dor refletida em seu rosto, respondeu:
- Que a vida não é o maravilhoso conto de fadas que eu imaginava... porque os príncipes encantados viram sapos.
As informações vão sendo reveladas aos poucos, o que parece ser feito de propósito, porque você começa detestando um personagem para depois ir descobrindo suas motivações. Isso acabou me fazendo refletir sobre as notícias totalmente descontextualizadas que às vezes recebemos e nos fazem julgar uma pessoa, até que você conhece o panorama real da situação e se dá conta de que, talvez, você se equivocou ao se posicionar antecipadamente.

Há alguns meses - tá bom, faz alguns anos já - comentei com vocês que às vezes não temos a maturidade necessária para um determinado livro (falei disso em P. S. Eu te amo). Penso que talvez tenha ocorrido isso comigo e, lendo futuramente, chegarei a uma conclusão distinta. Todavia, hoje, se me entregassem esse livro sem contarem que é a Megan, eu não saberia.

Apesar de termos aqui uma trama bastante adulta, os personagens não agem de acordo. Temos adolescentes agindo como adultos, adultos agindo como adolescentes e crianças de três anos sendo anormalmente sábias. 

Além disso, as quebras de cena também não são fluidas, falta um dos recursos que a escritora tão bem domina, que são os ganchos elaborados com maestria para não te deixar ir dormir antes de terminar o livro.
- Terry, você realmente me espanta. O cara de quem você é a fim e que estava incrível hoje te pega de jeito, te beija e diz que está louco por você. E você, em troca, humilha o sujeito na frente de dezenas de pessoas, dando uma joelhada onde mais dói. Sério, por que não pensa um pouquinho antes de agir?
Conversando com a Kleris, ela comentou comigo que talvez este seja um dos primeiros livros escritos pela autora e que somente foi publicado depois dos que anteriormente a tornaram Best-seller. Pode ser, não tenho essa informação para garantir ou refutar.

Fato é que não seria honesto dizer que Os príncipes encantados também viram sapos é um livro ruim - porque não é. E também não seria justo com as pessoas que nunca leram Megan Maxwell afirmar algo neste sentido. Como já conversei com vocês, sou muito reticente em realizar afirmações tão incisivas, principalmente porque há inúmeros fatores que podem influenciar o leitor no que tange às emoções causadas pela leitura.

Os príncipes encantados também viram sapos é um livro que aborda, essencialmente, o perdão, as segundas chances, a sobrevivência do amor e o crescimento de uma família a partir dos percalços da vida.
- Roncando?! – gritou. – Foi mal, gatinho, mas sinto te informar que eu não ronco, não.
- Tem certeza?
- Absoluta!
Michael sorriu e fez menção de dizer alguma coisa, mas ela se antecipou:
- Você disse que são sete da manhã?
Michael se levantou e foi se acomodar ao lado dela no balanço.
- Pra ser mais exato, são sete e vinte.
Confusa, Terry retirou o cabelo do rosto, que estava despenteado por causa da brisa, e sussurrou:
- Sentei aqui pra tomar um copo d’água e... putz, devia ser uma ou duas da madrugada!
- Então que belo cochilo você deu no balanço, hein! Hoje você vai ficar com o corpo todo moído.
O que me dói é não ter coragem de te beijar, seu idiota, pensou ela, acalorada. Ter Michael tão perto era pertubador, mas Terry se esforçava para aparentar normalidade.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Resenha: "A Garota Perfeita" (Mary Kubica)

Por Sheila: E aí galerinha! Tudo tranquilo? Hoje a resenha é de uns dos tipos de literatura que eu mais AMO por isso minhas expectativas com essa leitura foram altíssimas! Tenha isso em mente ao ler os comentários sobre o que achei do livro ok?

Mas vamos ao livro! Nele temos três narradores, sendo que a história será contada pelo ponto de vista de cada um deles. Nosso primeiro narrador é Eve e, quando tudo começa, ela esta tomando um chocolate quente, fazendo-nos de cara pensar em como somos pegos desprevenidos pelas grandes reviravoltas da vida. Um telefonema. E tudo muda.

Mia fará 25 anos em apenas um mês, no dia 31 de outubro. Ela nasceu em um Hallowenn, e presumo que Ayanna esteja telefonando para falar sobre isso. Ela deve estar planejando uma festa surpresa para minha filha. 
- Senhora Dennet, Mia não veio trabalhar hoje - explica Ayanna.

Mas, infelizmente Mia, uma professora de Artes e filha-problema do importante juiz James Dennet não irá comemorar seu aniversário com a família, muito menos com os amigos neste ano. Não que o juiz realmente acredite que algo tenha acontecido com a filha, no que é acompanhado por sua filha-prodígio Grace, mas isso ficaremos sabendo através de do detetive Gabe Hoffman, nosso segundo narrador,
O juiz se sobressalta.
- Minha filha não é uma pessoa desaparecida. Ela esta em um local desconhecido. Com certeza, fazendo algo irresponsável e negligente, algum ato imprudente. Mas não esta desaparecida.
E, por fim, vamos encontrar a narrativa de Colin. O que é um pouco inusitado por que ... bem, por que Colin é o Raptor de Mia. Assim, somos brindados em primeira mão sobre o que o motivou a raptá-la - dinheiro, óbvio - mas em algum as coisas saíram um pouco do eixo. E o que era para ser um trabalho fácil, limpo e rápido, acaba se tornando uma verdadeira bagunça para sua mente pragmática.

Deveria sair na Wacker, mas não faço isso. Continuo Dirigindo.
Sei que é burrice. Sei que tudo pode dar errado. Mas faço isso mesmo assim. Espio pelo espelho retrovisor, para ter certeza de que não estou sendo seguido. E então acelero. Desço a Michigan, para  Ontário, e estou na interestadual 90 antes de o relógio dar 14h15.

Colin é um personagem que as vezes nos deixa confuso. Afinal de contas, quanto de nobreza há em suas atitudes, e quanto são atos feitos total e exclusivamente em benefício próprio? Muitas vezes ele deu um nó grande em meus pensamentos. Afinal, ele era o vilão. Ou será que não?

- Eles encontraram o caderno de esboços na cabana, junto com suas coisas e as de Colin. Presumo que isto lhe pertença.
- Você levou isso com você para Minnesota? - Pergunta Grace.
Mia dá de ombros. Seus olhos estão fixos nas imagens de Colin Thatcher. Claro que ela não sabe. Grace sabe que ela não sabe, mas pergunta assim mesmo. Ela esta pensando a mesma coisa que eu: ali estava aquele bastardo raptando-s e levando-a para gluma cabana abandonada em Minnesota, e ela encontra um meio de levar com ela um caderno de esboços, acima de qualquer outra coisa?
E aqui esta a grande maestria por de trás da escrita de Mary Kubica: a história irá seguir uma trajetória não linear, alternando entre capítulos que se passam antes e depois do sequestro de Mia. Como tudo aconteceu, seguido de todos os efeitos e danos causados à jovem, como perda de memória e uma alteração drástica da personalidade.

"A  Garota Perfeita" apesar de em alguns momentos ser comparada ao célebre "Garota exemplar" tem de parecido com este apenas o título. O livro é um thriller psicologico que nos envolve do começo ao fim, que é apresentado de forma perfeitamente amarrado pela autora. que consegue criar as idas e vindas na narrativa sem deixar de ser objetiva ou soar confusa.

Um ótimo livro para ser lido todo de um vez. Recomendo.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Resenha: "Silo" (Hugh Howey)


Por Sheila: Oi Pessoas! Trago a vocês hoje a resenha do primeiro livro de uma série que ficou famosa na Amazon, conseguindo tirar de Guerra dos Tronos o título de série mais vendida pelo canal. 

Confesso que não sabia dessas informações quando comprei o livro; Sou do tipo que compra o livro pela capa e esse me chamou muito a atenção. Mas, como li o livro todo em menos de um dia e fiquei totalmente preenchida por ele, resolvi resenhá-lo para o blog e fui atras de ais informações sobre a continuação.

Segundo nosso querido skoob: 
O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.
Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. 
Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. 
Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última. 
Ou seja, quem não ficaria com altíssimas expectativas após ler um sinopse dessas? Bom, eu fiquei, e já vou adiantando que  a leitura de Silo será tudo isso e muito, muito mais. De início, somos apresentados ao xerife Holston e sua triste decisão: ele decide, voluntariamente, ser mandado para fazer a limpeza.

Já nas primeiras páginas descobrimos que o ar no mundo lá fora tornou-se irrespirável há  muito tempo, e que apenas algumas câmeras, que de tempos em tempos ficam cobertas de poeira, são o que dão aos enclausurados uma visão, mesmo que extremamente limitada, do exterior do Silo.

Geralmente, a limpeza tem um caráter punitivo; as pessoas que de alguma forma vão contra as leis existentes dentro do Silo são mandadas em trajes especiais para fora, para o mundo inóspito, tendo como punição a limpeza das câmeras externas mas, benevolamente, o traje seria um golpe de misericórdia, e uma tentativa de sobrevivência.

Infelizmente até aquele momento a T I, um dos núcleos de maior poder decisório dentro do Silo, ainda não havia conseguido construir um traje que durasse mais do que alguns minutos do lado de fora, fazendo com que a limpeza fosse também uma sentença de morte em todas as limpezas anteriores.

Mas, voltando a Holston, ele esta cansado. Acerca de três anos, nesta mesma data, sua esposa, também saiu voluntariamente para realizar a limpeza. Mas o que as pessoas não sabem, é que  Allison descobriu alguma coisa nos servidores do Silo. Algo que a fez querer sair. Algo que soava como esperança. E algo sobre o qual começou a discutir com Holston, mesmo que de forma alucinada, antes de ser enviada para fora.
- Isso não é real.Foi isso o que Holston pensou ter ouvido. Ele se agitou.- Querida? - Ele segurou as barras, se ergueu e ficou de joelhos. - Amor - murmurou limpando as lagrimas que haviam secado em seu rosto.(...)- Nada do que você vê é real - disse ela baixinho.- Amor. - Holston arriscou tocar suas mãos, e ela não o impediu. Ele as segurou. - O que você descobriu? Foi um e-mail? De quem?Ela sacudiu a cabeça.- Não. Eu descobri os programas que eles usam (...)
Allison continua falando, apesar de que de forma um tanto quanto incoerente, sobre suas descobertas. A culpa, segundo ela, é da T.I. Há uma conspiração encobrindo a verdade e ela promete a Holston. Diz que irá voltar. Diz que provará a ele. Mas, com o passar dos anos, Holston só vê o monte de pano caído, sofrendo pela atuação do tempo, do que um dia foi sua esposa. E juntar-se a ela parece ser a única saída. Isto é, se é que ela estava certa. Então, por que ela não voltou?

Já no princípio da trama saberemos o que Holston encontrou lá fora, quando foi sua vez de realizar a limpeza, e contar estragaria boa parte da atmosfera criada por Howey. O importante é que, com a saída de Holston, o Silo precisa de um novo xerife, sendo Juliette a escolhida.

Mas os segredos envolvendo a saída de Holston e sua esposa passam a ser a nova obsessão da jovem xerife, que também passa a se perguntar o que os levaria a tomar tal atitude? Além disso, no mundo estratificado do Silo, Juliette era apenas uma mecânica, alguém que vivia nas profundezas do Silo, su porção mais inferior.

Ela logo descobrirá que nem todos estão contentes com sua nomeação. E que a teia de mentiras que cerca a manutenção da vida no Silo é muito maior do que conseguiria imaginar. Mas seriam elas necessárias? O que é melhor? A morte na ignorância, ou a verdade mortífera que esta a ponto de descobrir?

Silo é uma Distopia que começa nos deixando cheio de dúvidas, e que compensa seu andar um tnto quanto arrastado até lá pelas páginas 120/150 com o ritmo acelerado em que as coisas acontecem a partir de então.

A história é contado a partir do olhar sobre três núcleos de personagens diferentes, o que nos faz ir descobrindo aos pouquinhos, junto com eles, as mentiras encobertas com sangue e as verdades que não parecem melhorar o quadro geral da situação.

Até o último instante, não sabemos bem o que pensar com o que vamos descobrindo, o que sentir, como reagir à narrativa de Howey, que vai acrescentando uma tensão crescente até culminar no final arrebatador do livro, que encerra um ciclo mas não resolve boa parte da trama maior que o autor conseguiu criar.

Se eu recomendo? Eu estou quase surtando pela continuação, que já foi publicada mas ainda não tenho dinheiro para comprar :(. (Aceitando vakinha, vales e depósitos em conta!) Abraços e até a próxima!

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Resenha: Moda Intuitiva (Cris Guerra)

Por Kleris: Moda Intuitiva é um título que resume tão bem o que deveria ser a nossa relação com a moda que acho que não há título melhor para estampar na capa. Desde o primeiro momento o livro me chamou atenção e, mesmo não sendo muito ligada em moda, decidi me arriscar, dar uma oportunidade para um mundo que, aparentemente, eu era avulsa.

Foi a melhor decisão de todas, pois QUE LIVRO MARAVILHOSO, gente! Cris abre nossos olhos para além das impressões egoístas e mesquinhas que vemos por aí. Moda não é apenas roupas, combinação destas, assessórios, tampouco status ou perfeição. Quem leva isso pra frente, que sim, já começa muito errado.

Em Moda Intuitiva, Cris planta a semente da ousadia – não de extravagâncias, mas de criatividade. Ao passar a olhar a moda com olhos inventivos, imaginativos e até engenhosos, Cris valorizou a moda pelo que é: uma relação pessoal que deve aflorar e manifestar o melhor de nós mesmos. Tal qual para os poetas, que se expressam e brincam em versos e rimas, a vestimenta apresenta mil e umas possibilidades de revelação.
Ali, comecei a entender que a moda pode ser bem mais que veículo de expressão social, de valores ou ideias. Ela pode nos ajudar nos nossos dilemas mais íntimos. Como um meio terapêutico a nos guiar, incentivar, consolar e sublimar. Assim, a Cris me ganhou. [...] Essa busca é o que nos conduz ao nosso estilo individual. É isso. Estilo é uma conquista pessoal dos que se dispõem ao maravilhoso exercício do autoconhecimento e a aceitação. André Carvalhal, autor do livro A moda imita a vida – como construir uma marca de moda. 
Mas uma roupa tem a obrigação de valorizar quem a usa. Caso contrário, você não veste uma roupa, veste uma caricatura.


Cris toca na estima, na intuição, na percepção e até mesmo na adaptação, vez que moda não é algo para nós nos adequarmos, a moda é algo que deve se adequar a nós. Aliás, o que funciona para um, não deve necessariamente valer para outro. A gente pega emprestado, testa, reinventa se preciso, pois uma cópia por simples cópia nunca respeitará propriamente o corpo e a mentalidade de um para outro. A moda está aí para ressaltar o eu de cada um. 
É muito mais frequente ver a moda frustrando pessoas do que fazendo-as felizes. É hora de se rebelar contra isso. 
Ter estilo não é se vestir igual todo dia: é ser fiel à sua essência, entendendo que em um dia você pode acordar diferente do outro, sem deixar de ser você 
Estilo é sua verdade, sua marca, o que é só seu. É se colocar em tudo o que você faz. E quando você se coloca, a imperfeição aparece. Pronto. É você a perfeita imperfeição que garante o tempero que faltava.



Bom senso é outro ponto apresentado, ele é quem deve ser nosso norte pra tudo. Ás vezes nos apegamos tanto a regras, a modelos, a modinhas, que nos perdemos no processo de identificação. Estou usando isso por que gosto ou por que tá na onda? Esta SOU eu? Essa peça fica bem em mim, mas me sinto bem com ela? Vale mesmo levar essa roupa? Ela combina comigo? Vou usá-la noutra oportunidade? 
Aprendi que a moda não deve ser mais uma maneira de nos fazer infelizes, e sim um caminho para nos libertar. Não deve ser tratada de forma superficial, pois tem uma importância muito maior na nossa vida do que admitidos.

Bom senso é escolha, é pensar se vale a pena, tanto de custo-benefício, quanto de estima e conforto. Por que nos esprememos numa calça que tá gritando que não é para nós? Por que nos torturamos em nos modelar pelo que é imposto? Como não conseguimos ver o absurdo que acompanha essas lógicas? Cris mostra que um pouco mais de ponderação nos ajuda a não cair nessas ciladas, até mesmo para frear o consumismo ou se desapegar das impressões de terceiros. Ficar bonita(o) para outros é coisa do passado. 
O chato da moda é essa tentativa de se tornar uniforme. 
Verdade, na moda, é escolher por afinidade, e não por regra ou tendência. É entrar numa roupa e se deixar levar por suas sensações. Verdade é usar a roupa para reforçar sua identidade, e não para ser igual a ninguém. Sentir, e não calcular. Ser, e não pretender ser. Na hora de se vestir, pense nisso. Tire do armário a sua verdade. 
A consultora Glória Kalil diz sabiamente que “moda é oferta, estilo é escolha”. A descoberta do seu estilo passa por aprender a se encontrar no que está sendo ofertado e, assim, saber escolher – e não estou falando de fazer opções “certas” ou “erradas”. Aprender a se conhecer para tomar caminhos que o definam. Mulheres com estilo mostram-se a cada escolha. Seus guarda-roupas são retratos de suas almas.

O que achei super bacana nesse livro é que a autora traz, além de uma abordagem bem diferenciada, um pouco da sua história para nossa inspiração. Como a moda, não é nada para ser copiado fielmente, mas compreendido, experimentado, repensado. A moda foi algo de extrema importância para ela se reinventar, para entender a si mesma, para cuidar, para investir – tanto é que Hoje Vou Assim, seu blog, é um sucesso. Sempre partindo da ideia de apostar em nós mesmas, em um tom próximo do autoajuda, Cris afirma e reafirma várias vezes para encontrarmos aquilo que é nosso cerne; o resto vem por si só. Ouse ser você. Isso é ter estilo. 


Mais que poder de compra, moda é capacidade de observação, sensibilidade e sutileza. E isso não se compra. Elegância não tem nada a ver com ostentação. Repetir roupa é um jeito inteligente e diferenciado de fazer moda, principalmente se você souber variar pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Ruim é repetir atitudes que trazem culpa, apego e dívidas, como encher o armário de roupas novas sem o menor critério.
Cris também faz um tour pelo mundo da moda, independente de você ser entendido ou não. Mostra influências, origens, costumes, grandes referências, ícones. E dá dicas, valiosas dicas, procura novas vertentes, sai do senso comum, pensa fora da caixa, que valem desde nossa decisão numa compra à descoberta do que te faz feliz. E se você descobriu, que tal uns exercícios para brincar e recriar? Os exercícios estão aí para nos levar a grandes e boas revelações. Basta, claro, que estejamos dispostos a ir atrás. 



É bom cuidar da sua autoestima para iniciar a experiência de descoberta do seu estilo. Será necessário tentar muitas vezes e se permitir tomar caminhos incertos. Com o tempo você aprenderá a ter segurança para não se levar tão a sério e se permitir tentar de novo. Mas é importante não parar de caminhar. 
Se você acordou a fim de vestir um jeans com camiseta branca, não gaste horas pensando numa forma de transformar o look em alguma coisa mais original. Há dias que você quer ser invisível e pronto. Está feliz ao se olhar no espelho? É isso que importa. 
Não acredito que existam pessoas desprovidas de estilo, e sim as que ainda não descobriram qual é o seu. Quem se veste normalmente de um jeito básico pode sim, ter um estilo básico. Mas também pode viver outra realidade: a preguiça de procurar novos looks, de sair de sua zona de conforto. 
Combinam-se peças, cores e texturas como as letras se fundem nos versos e delas fazemos poesia. O trabalho na frente do espelho é fazer uma rima rica. E isso não tem nada a ver com dinheiro.

Se pudesse, faria umas mil citações desse livro porque ele é maravilhoso assim <3

Moda Intuitiva é um guia, não um manual; é para inspirar, emponderar, desmistificar. Cris Guerra nos leva nesse tour de um modo tão leve, fluído e envolvente, que damos conta que moda (como é vista) é o de menos, intuição é que deve ser (sempre) mais. Mas essa foi/é a expressão de Cris Guerra; qual será a sua?



Pra fechar essa resenha, vale falar do projeto gráfico maravilindo com todo o primor da Planeta <333 A edição se assemelha a uma revista, com texto dando de encontro com fotos e imagens diversas da maneira mais sacada possível, muito bem imersa e elegante no espaço da moda. 

Recomendadíííííííííííííííííííííssimo! 


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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Resenha: Quando o sofrimento bater à sua porta... (Padre Fábio de Melo)

Por Kleris: Quem conhece o Padre Fábio, sabe que ele gosta de se utilizar de belas palavras em suas apresentações – ou pelo menos ser mais elegante quando se trata de apontar algo, como em suas redes sociais. Quando vai pregar, seja em palestra, programa de TV ou aqui no livro, ele deixa o mundo pop lá fora, e leva a Palavra para ser vista de uma maneira mais cotidiana, mais humana até. Pelo título, ele é bem feliz em usar uma expressão reticente, como um jogo de palavras pra capturar o leitor, porém, quanto ao desenvolvimento do livro, eu não diria o mesmo quando se trata de seus argumentos e/ou o modo como os apresentou. Explico. 
Quando o sofrimento bater à sua porta, é melhor abrir. Resistir ou negá-lo é apenas um jeito de fugir do que mais cedo ou mais tarde você terá que enfrentar.

Quando o sofrimento bater à sua porta... é, claramente, um livro que nos convida à reflexão. A postura do padre ao determinar “é melhor você abrir” é de aceitação, de compreensão do sofrimento e superação. É uma daquelas coisas óbvias que na verdade todo mundo se nega a aceitar – talvez porque pareça, justamente, óbvio demais. E o Padre Fábio vai lá discursar sobre toda a base do sofrimento e humanidade, com sustentação filosofal, psicológica, sociológica e literária.

Acho que o que meu desapontamento se deu justo por aí, pois minha expectativa me fez pensar que o livro seria algum tipo de abraço para os sofrimentos da sociedade, que às vezes não sabe ou não está se conectando bem com Deus, que está meio perdido, algo como um acalanto para aquele que precisa de uma palavra de fé em um momento de angústia... Enfim, o título me deu a impressão que seria uma abordagem mais voltada à espiritualidade, não à humanidade. 
Tudo depende da lente que usamos para enxergar o que nos acontece. Tudo depende do que deixamos demorar em nós.

E, ok, o livro traz, de certa maneira, isso; é o seu tratamento que me pareceu impreciso e indireto demais. Ou seja, ele muito fala, mas pouco apresenta. Capítulos inteiros, por exemplo, poderiam ser reduzidos em poucas páginas. Esse desenvolvimento em oratória é ótimo, em retórica, nem tanto; fica cansativo. Embora os capítulos sejam curtos, o tema em si os tornam maçantes, sempre dando voltas e voltas. A argumentação, nesse sentido, também não ajudou muito, pois em alguns capítulos ele suscita várias coisas, puxando e linkando, e quando nos damos conta, estamos já em um tópico distante, o que possivelmente nos distrai do que ele tinha proposto no início. Senti falta de algo mais... homogêneo. O que pode ser uma questão de estilística (?)

Nesse links de temas, Fábio relata casos e mais casos, alguns pessoais, outros de pessoas que o procuraram para alguma orientação. Ao pautá-los dentro das discussões, essas histórias deixam de ser meros exemplos e, às vezes, tornam-se pequenas lições – eu só não contava com a contradição de algumas delas. Achei complicado ele trazer ao texto situações complexas de um modo tão simplista e até ingênuo. Noutras vezes o particular falava mais alto e o ensinamento se perdia. Enfim, foi um pouco confuso. 
Muitos sofrimentos na nossa vida são resultado de não sabermos perder, não sabermos atravessar a ponte, não sabermos mudar de estação.

Pensando mais a respeito, minha conclusão é de que o conteúdo precisava de mais cuidado para quem ou como está sendo direcionado. Quem quer sentar e passear pelas grandes teorias, desde filosofia à literatura, esse papo é pra você; se você busca algum exercício de fé, sugiro outra leitura. 
Revista-se de humanidade. Descubra nas pequenas coisas o quanto é preciso ser humano. Não queira ser anjo. Cuidado com os pesados fardos que presume serem caminhos da santidade. Não se esqueça que Deus não o quer perfeito. Deus o quer santo. Só isso. [...] Deixe de sofrer pelas metas absurdas a que se propôs. Busque a santidade por meio de caminhos possíveis, simples.

Não por isso o livro é de todo ruim, aqui e acolá há umas reflexões e passagens bem interessantes, como a análise no capítulo 4 sobre uma música popular, ou quando ele avalia as relações interpessoais, que, como ganchos, podem se revelar de maneiras cômicas, a la estilo que vemos no twitter. Há também dúzias de frases de efeito que realmente te dão o que pensar. 
Já encontrei muita gente que semeou limão pedindo a Deus a graça de colher laranjas. Fico pensando se há honestidade nesse pedido. 
Sofremos muito, eu sei, mas também não podemos negar que sofremos por questões insignificantes. Com todo o respeito, sofremos por falta de inteligência. Sofremos por não sermos capazes de analisar com profundidade os problemas que nos afligem. Sofremos por falta de entendimento. Sofremos por falta de iniciativas. Sofremos por falta de perseverança. Sofremos por inércia, por comodismo.

Entre os capítulos, inclusive, há umas pausas com trechos de diversas autorias, resgatando grandes nomes, como Mia Couto e João Paulo II. Leria mais livros do Padre Fábio, só não iria com tantas expectativas. 

A edição é simples, com alguns arranjos (como os citados trechos entre capítulos), guiada por títulos em capítulos. A capa é bacana, te atrai e fácil te faz colocar no lugar da pessoa estampada. 


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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Resenha: “A vida invisível de Euridice Gusmão”(Martha Batalha)




Por Marii: A vida de Eurídice Gusmão e Guida Gusmão nos faz perguntar como a história de duas irmãs tornou-se tão diferente e, ao mesmo tempo, tão limitadas pelos preceitos machistas de uma sociedade de não muitos anos atrás. Desse mesmo Brasil que hoje moramos. E, embora, ainda haja marcas profundas desse machismo. Nesse livro, senti que é muito difícil não conseguir gritar depois que começamos a ganhar alguma voz.
“Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados, ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Eurídice lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar.”

Apesar de inicialmente achar que A vida invisível de Eurídice Gusmão fosse discursar sobre princípios feministas, me enganei ao encontrar uma personagem que poderia ter sido e ainda sim criar um interesse mesmo com a quebra de expectativas. Poderia ter sido, pois entre tantos os interesses que poderiam ter sido realizados e Eurídice vai descobrindo no decorrer de sua vida, tantas escolhas que poderiam ter sido feitas, Eurídice foi uma personagem limitada que teve que cumprir seu dever de dona-de-casa, mãe e esposa, e não teve muito espaço, ou melhor, muita liberdade para pensar em si.
“Eurídice pulos por dentro e por fora, mas os pais disseram que não, talvez não, com certeza não. As aulas com o senhor Jean Luc estavam indo muito bem, pra que mais? Para os pais de Eurídice, a flauta jamais seria um fim. A flauta era apenas um meio. Um meio de aumentar as prendas da filha para que fizesse um bom casamento. Um meio de distrair a família depois do jantar, quando um ou outro pedia: ‘Toque esta marchinha! ’. Eurídice não precisava de mais aulas com aquele excêntrico senhor de calças coloridas.”
A história do livro inicia-se com a vida de Eurídice Gusmão, mas não conta só sobre a vida dela, há outros personagens próximos como o marido Antenor, ou a vizinha fofoqueira Zélia. Isso, porque o livro é cheio de flashbacks da história de vários personagens a fim de explicar personalidades ou atos, por vezes, injustificáveis. Durante o livro inteiro viajamos pelo passado de personagens que vão surgindo na história e se misturando a vida de Eurídice. E entre esses personagens, está a segunda personagem muito importante, sua irmã, Guida. Demora um pouco até conhecermo-la, apesar do livro não ser para lá de muito grosso. Mas até o momento não havia nenhum grande clímax, ou eu nem imaginava onde eu desejava chegar. Percebi, depois, que todo o momento anterior e todas as histórias serviram-nos para nos preparar ao que viria a seguir, como também a nos fazer perceber a limitação das personagens mulheres que poderiam ter sido, como Eurídice.

Antes que tratemos de Guida, ou qualquer outro personagem. É importante frisar que o livro retrata de forma clara e direta o que era essa sociedade, que há menos de cem anos, pode ter sido vivenciada pelas nossas avós. E apesar, de desagradável hoje aos nossos olhos, são nas ironias e no humor simples, em pequenos detalhes, que Martha batalha faz as críticas que eu esperava. Achei bem cuidadoso o uso de palavras ou até expressões que se popularizaram, de saberes populares, como o famoso: formiga faz bem para os olhos. É aquela doçura de coisas que nossas avós nos diziam quando éramos crianças. Cada momento que lia algo assim, era um sorriso.
“’Sabe aquela brincadeira de rabo de burro? ’
‘Que?’
‘Aquela brincadeira de rabo de burro. Quando a gente tapa o olho da criança e diz que ela tem que colocar o rabo no burro. Aquela que a gente fazia nas quermesses da igreja.’
‘Sim.’
‘A vida é como essa brincadeira, Eurídice. Ás vezes a gente acha que está fazendo tudo certo, mas quando se dá conta descobre que estava com os olhos tapados e não consegue acertar de jeito nenhum.”
Voltando a Guida Gusmão, a irmã mais velha de Eurídice, que apesar da mesma família, não teve o mesmo destino que nossa personagem principal. Teve um destino mais infeliz, e enquanto lia sobre a história de Guida Gusmão, por um narrador em terceira pessoa que não tem o que esconder sobre a boa reputação da moça, descobrimos uma personagem que tinha uma vontade de sobreviver, mas que não conseguiu escapar das línguas afiadas da sociedade. Pessoalmente, me interessei mais pela personagem Guida, por ter sido a mais oprimida pela sociedade machista e ainda sim permanecer (e sobreviver).

“E Eurídice olhava triste para as unhas, porque estava de luto. Foram difíceis os meses que se seguiram ao enterro do caderno por trás dos toma da enciclopédia. Tentou-se dedicar mais aos filhos, mas essa era uma dedicação, digamos, estrábica. Com um olho ela vestia Afonso e Cecília para a escola, e com o outro se perguntava: Será que a vida é só isso? Com um olho ela ajudava as crianças com o dever, e com o outro se perguntava: E quando eles não precisarem mais de mim? Com um olho contava histórias, e com o outro se perguntava: Existe vida além dos uniformes escolares, da memorização da tabuada e de todas as histórias da carochinha?

A vida invisível de Euridice Gusmão não trata apenas de Euridice, e sim, de diferentes mulheres de uma época não muito distante da nossa e que sequer pensariam em ter voz para as suas vontades. Queria dizer que ainda temos muito o que fazer e ainda podemos fazer muito, mesmo com pequenos pedacinhos feministas e que podem ser.

Até a próxima,


Mariana Diniz
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