sexta-feira, 18 de julho de 2014

Resenha: "Jardim de Inverno" (Krinstin Hannah)

Por Sheila: Oi pessoas como vocês estão? Trago a vocês hoje resenha de mais uma autora best-seller do The New York Times (como será que se faz para ser considerado um autor best-seller? Por que eu já resenhei vários, mas não sei... alguém ai sabe?) Kristin Hannah (de quem eu também nunca tinha ouvido falar).

Bom se vocês forem se aventurar a ler este livro e gostarem de um bom drama, preparem seus lencinhos de papel. Vocês irão precisar. A contra-capa do livro diz que este é o romance mais bem escrito e comovente de Kristin, o que eu não posso avaliar já que não li os outros. Mas você com certeza vai se emocionar com a história destas três mulheres.

Meredith é a filha mais velha. Sempre cordata e obediente, fez o que todos esperavam dela: casou, teve filhos e, quando o pai ficou mais velho, assumiu o cuidado com o negócio da família: o pomar de macieiras Belye Nochi. Chegando aos 40, ela não sabe muito bem quando é que passou de senhorita para senhora.

Nina é a filha mais nova, uma fotógrafa impetuosa que viajou o mundo todo retratando dramas indizíveis, capturando momentos belíssimos e comoventes pelo olhar de sua lente. Nunca casou, e ter filhos é algo que não passa por sua cabeça de forma alguma.

Anya Withson era considerada uma mulher fria pelas filhas. Russa, sempre foi distante das filhas. Tanto a mãe, como as duas filhas, pareciam não ter absolutamente nada em comum. A única coisa que ainda fazia com que se sentissem uma família era o Sr Withson já que o pai, ao contrário de Anya, amava as filhas e se extremava nas demonstrações de carinho.

A única coisa que a mãe parecia fazer com as duas filhas era contar-lhes histórias – até isso acabou, quando Meredith tinha 12 anos e tentou encenar um dos contos de fadas para a mãe, durante uma festa natalina na casa em que moravam.
Meredith se virou, vendo a mãe no meio dos convidados, imóvel, o rosto pálido, os olhos azuis faiscando. Sangue escorria de sua mão. Ela havia quebrado o copo de coquetel e mesmo dali Meredith podia ver um caco de vidro fincado na mão dela.
- Chega – disse a mãe em tom ríspido. – Isso não é entretenimento para uma festa.
Os convidados não sabiam o que fazer; alguns levantaram, outros permaneceram sentados. A sala ficou em silêncio.
- Eu nunca deveria ter contado para vocês esses ridículos contos de fadas – Mamãe disse, o sotaque russo acentuado por causa da raiva. – Esqueci como meninas podem ser românticas e cabeça oca.
Desde este acontecimento da infância, Anya não contou mais histórias para as filhas, e estas simplesmente desistiram de ao menos tentar se aproximar da mãe. Só que agora, o pai das duas irmãs está morrendo e, em seu leito de morte, pede que as filhas se comprometam com ele, em um estranha promessa.
Ele segurou a mão dela e fitou os olhos marejados da filha.
- Importa sim – disse ele, os lábios tremendo, a voz tão fraca que ela mal conseguia ouvir. – Ela precisa de vocês... e vocês precisam dela. Prometa.
- Prometer o quê?
- Depois que eu me for. Conheça sua mãe.
- Como? - Ambos sabiam que não havia forma de se aproximar da mãe dela. – Eu tentei. Ela não fala conosco. Você sabe disso.
- Faça-a contar a história da camponesa e do príncipe. – Ao dizer isso, ele fechou os olhos novamente e sua respiração ficou ainda mais pesada. – Mas história inteira
Agora, Meredith e Nina terão que descobrir uma forma de se aproximarem – uma da outra e da mãe – enquanto esta última parece, gradativamente, perder a lucidez, e volta a lhes contar a história da camponesa, a mesma que sempre lhes contara quando eram pequenas – e que precipitou a desavença que pareceu fragmentar de forma tão permanente o relacionamento das três.

Só que as duas irmãs descobrirão que a mãe é uma mulher muito mais profunda do que imaginavam e que, por trás de seu semblante frio, carrega uma dor e tristeza que começarão a entender, quando descobrirem que a história da camponesa é muito mais do que uma forma que a mãe tinha de fazê-las dormir.

“Jardim de Inverno” é uma história belíssima e comovente, que vai falar sobre perdas devastadoras, mas também da possibilidade de superação e redenção. Sobre verdades escondidas por medo, mas também do amor incondicional que uma mãe pode ter por seus filhos – mesmo que estes venham a nunca ficar sabendo.

Agora só falta você comprar seu lencinho, e se aventurar pelas linhas lindamente traçadas por K. Hannah. Recomendadíssimo.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Resenha: "A menina que semeava" (Lou Aronica)


Por Mariane: Tenho um certo preconceito com livros que contam a história de mundo de fantasia, universos paralelos e seres mágicos. Não que eu não goste, eu adoro, mas geralmente não me convencem e esse é o problema. Não me julguem, eu sou parte da geração que cresceu lendo J. K. Rowlling, meus níveis de exigência pra um mundo de fantasia convincente são altíssimos.


E foi com esse preconceito (bobo, eu sei) que comecei a ler A menina que semeava.

Chris é um botânico divorciado que tenta a todo custo recuperar o relacionamento que tinha com a filha Becky antes do divórcio. Becky, de quatorze anos, vive com a mãe, Polly, e teve a infância marcada por um triste episódio: quando tinha quatro anos foi diagnosticada com leucemia e foi submetida aos tratamentos pra se livrar da doença.

Com a intenção de tornar as visitas aos hospitais e as sessões de quimioterapia menos aflitivos à filha Chris criou junto de Becky um mundo de fantasia chamado Tamarisk. Um universo com rei, rainha, princesa, inimigos, reuniões diplomáticas e criaturas fantásticas. Cada detalhe de Tamarisk foi criado pela imaginação de pai e filha e, vivendo no meio de um mundo real de luta contra o câncer e um mundo imaginário com rei e rainha, Becky venceu a leucemia.

Mas o tempo passou, Chris e Polly se divorciaram e o relacionamento afetuoso e estreito que Chris e Becky costumavam ter, assim como suas histórias sobre Tamarisk, foram desaparecendo aos poucos.
Quando seu filho nasce, cada uma das suas conquistas parecem superar a anterior, e cada uma faz você se sentir cada vez mais conectado a ele. Simples necessidades biológicas dão lugar a interação, que dá lugar às brincadeiras, que dão lugar a conversas relevantes e assim por diante. O relacionamento fica mais próximo a cada fase. A certa altura, no entanto, você chega ao topo da curva. Seu filho continua a crescer, a se tornar um ser humano mais completo e mais denso, mas sua ligação com esses eventos se torna cada vez mais distante.
Quase dez anos depois de ter vencido o câncer Becky começa a sentir umas fraquezas e tonturas que ela sabe que podem ser um péssimo sinal. Na esperança de que seja apenas um mal estar Becky ignora os sintomas e espera pra ver os resultados de seus exames de rotina, que estão marcados pra daqui alguns meses.

Enquanto isso, num lugar distante chamado Tamarisk, rainha Miea tem ocupado quase todo o seu tempo tentando descobrir a causa de uma praga que está se espalhando rapidamente pelas plantações do reino. Toda sua equipe de estudiosos está trabalhando no caso e ninguém parece perto de chegar a uma solução.

É em meio a esses  medos e ansiedades que carregam pra si e na busca de uma resposta pra algo que parece não ter solução que Miea e Becky, a partir de uma conexão especial, criam uma ponte entre os dois mundos por onde Becky pode visitar Tamarisk sempre que está na sua cama na casa do pai — lugar onde a alguns anos atrás eles criaram todas as histórias do reino.
Becky percebeu algo disforme na escuridão. Ao chegar mais perto —como ela estava se movendo? —, a imagem começou a se aproximar. Era a nuca de uma cabeça de uma mulher. Uma cabeça com mechas de cabelos lustrosas e brilhantes como as de sua prima Kiley. A cabeça se virou e Becky viu o rosto da mulher—e imediatamente soube quem era.
Becky se envolve de maneira tão leal a Tamarisk que é impossível não nos envolvermos também. A busca por uma solução para a praga que está destruindo o reino se torna um dos seus principais objetivos e é nessa busca que se inicia uma etapa de reaproximação com seu pai e de divergências com a mãe.

O livro demora um pouquinho pra engatar e dar aquela sensação de que finalmente a história está fluindo, mas quando flui vamos nos encantando cada vez mais pela relação de cumplicidade e carinho de Becky e Chris. 

O mundo de Tamarisk acabou me convencendo por que o autor acertou em cheio em não detalhar muito o modo como o mundo funcionava. A ideia central do livro não é te fazer se encantar com os seres mágicos e a lógica relacionada ao mundo de fantasia, mas sim compreender a história por trás de tudo aquilo.

E no fim compreendemos tudo, de uma maneira linda, mostrando como a nossa imaginação pode transformar momentos e nos fazer viajar através de histórias.

Sei que muita gente torce o nariz pra livros com temática fantasiosa, alguns por que não gostam mesmo, outros por puro preconceito “é-coisa-de-criança”. Mas acredito que todo mundo ao pegar um livro pra ler, seja uma biografia, um romance ou um suspense embarcamos nós mesmos no nosso “Tamarisk” particular e por momentos nos esquecemos de todos os problemas a volta e nos concentramos apenas na história contada. E é por isso que apesar de ser cri-cri eu adoro o gênero, e recomendo muito A menina que semeava pra quem ainda acredita nos poderes “mágicos” da imaginação.

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domingo, 13 de julho de 2014

Resenha: "Convergente" (Venorica Roth)

Por Juny: E depois de meses eis que eu voltei. A ressaca literária foi tensa e o desanimo para escrever foi maior ainda. As vezes desanima a falta de comentários e a falta de valorização por parte das editoras que acham que nosso serviço é ao estilo “fast-food” te mando 5 livros e quero todas as resenhas em 1 semana senão encerramos a parceria... Essas parcerias unilaterais, sem levar em conta a qualidade das resenhas e somente a velocidade de produção é o que mais acontece por ai. Por isso estamos optando por menos parceria e mais liberdade e qualidade na produção. Desabafos a parte, fiquem com a resenha de “Convergente”.

Resenha: "Convergente" (Venorica Roth)

Um dos livros que mais esperei pela leitura nesse ano e um dos que mais adiei o final. Quanto mais próximo do fim, mas eu queria ir devagar, temia muito o desfecho.

O final de “Insurgente” foi de tirar o fôlego, a revelação sobre a verdade, o mundo por trás das cercas foi bem chocante. Em “Convergente” conhecemos a realidade, e o “experimento” é como um big brother manipulando a vida daquelas pessoas em nome da ciência, da pureza dos genes.
"Solto uma risada, e é a risada, e não a luz, que expulsa a escuridão que estava se acumulando dentro de mim, que me lembra de que ainda estou viva, mesmo que seja neste lugar estranho, onde tudo em que eu acreditava está desmoronando. "
Essa questão de geneticamente puros e geneticamente danificados, vai muito além da Divergencia e coloca Tris e Tobias em lados opostos. Tobias se deixa levar, sem investigar ao certo as reais motivações do grupo de rebeldes geneticamente danificados. Tris, como sempre, busca a verdade, vai além em toda essa trama cheia de mentiras e intrigas e se consagra como uma protagonista que não esqueceremos tão cedo. Christina, Peter e Caleb são boas surpresas, suas participações evoluem a cada livro, a cada capitulo. O passado da mãe de Tris e Caleb também envolve algumas surpresas. Evelyn, Marcus e Johanna comandam a guerra entre os “sem facção” e os “leiais”, mas seus problemas são pequenos quando se conhece tudo o que há por trás.
"Eu me apaixonei por ele. Mas não fico com ele de maneira automática, como se não estivesse mais ninguém disponível para mim. Fico com ele porque decido fazê-lo todos os dias quando acordo e sempre quando brigamos, mentimos um para o outro ou nos desapontamos. Eu o escolho continuamente, e ele me escolhe também."
O amor por mais que tenha sua importância na trilogia, fica para trás, pois os ideais da luta são mais importantes. Estou evitando falar muito sobre a história, pois a cada capitulo nesse livro há um grande spoiler ou uma atitude decisiva.
"Sinto uma pontada no centro do peito. Ela tem razão. O desespero pode levar uma pessoa a fazer coisas surpreendentes. Nós dois sabemos bem disso."
Os capítulos alternam a narração dos fatos entre Tris e Tobias. É difícil uma distopia com final 100% feliz, então “Convergente” não foge a regra, sempre há sofrimento para que no final haja paz e justiça. O final me marcou bastante, Veronica Roth não teve medo de ousar.
"Eu a vira, mas não a enxergara; ninguém a enxergara como ela era de fato, até que ela pulou. Imagino que uma chama que queime com tanta intensidade não seja feita para durar."
A trilogia “Divergente” cresce a cada livro e o final foi bem digno de toda a trama. Sempre estará entre os meus favoritos. Vai ser difícil superar o fim da trajetória de Tris e Tobias. Recomendo muito a leitura!

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Resenha: "O Instinto de morte" (Jed Rubenfeld)

Por Sheila: Oi pessoas! Fiquei um tempo sem escrever e deu saudades de vocês ... também andei enrolando um pouquinho nas leituras, principalmente por que as últimas não vinham chamando muito a minha atenção.

Assim, foi com surpresa - e alegria - que terminei a leitura de "O Instinto de morte". Afinal, preciso confessar que ainda não conhecia o autor, e saber que ele também havia escrito o Best Seller "A interpretação do assassinato" não ajudou - por que eu também não conhecia esse.

Outro fator que fez com que eu ficasse com um pouquinho de "má vontade" em lê-lo, foi o fato deste ser um romance histórico, que tem como pano de fundo um acontecimento real - o atentado à bolsa de Wall Street que aconteceu em 1920 (vocês sabiam disso? eu não fazia idéia!).

É que as vezes tenho dificuldade em acompanhar os nomes de lugares e os acontecimentos quando sei que tudo aconteceu "de verdade", fora que alguns autores tentam explicar o que de fato teria acontecido, criando as situações mais mirabolantes e se utilizando de personagens históricos de forma algumas vezes pouco lisonjeira.

Mas já vou me retratando: realmente gostei muito do livro, denso, tenso e bem escrito. Tanto que resumi-lo ficou um tanto quanto difícil ... e vou "roubar" a sinopse do skoob para passar para vocês.
Sinopse - O Instinto de Morte - Jed Rubenfeld
Tendo como pano de fundo um dos grandes mistérios da história americana - o atentado à bomba que pôs abaixo Wall Street, em 1920 -, O Instinto de Morte é a volta de Jed Rubenfeld ao universo literário de A Interpretação de um assassinato, romance que o consagrou mundialmente. O Instinto de Morte contém todos os elementos do melhor thriller policial, mas também a recriação histórica acurada e a percepção sombria e densa da mente humana, que fizeram de seu livro anterior um best-seller internacional. Costurando ficção e realidade, psicanálise e suspense, o autor coloca Sigmund Freud e Marie Curie no cerne de uma trama de consequências devastadoras, conforme um quarteto de heróis tão improváveis quanto ambíguos tenta resolver seus conflitos pessoais e desvendar um dos maiores e mais incompreensíveis ataques terroristas já vividos em solo americano.
E aí se empolgaram? Eu fiquei um tanto cética a princípio - sou psicóloga por formação, com ênfase psicanalítica, e fiquei com um "pé atrás" pelo envolvimento de Freud na trama do livro - mas a forma como o autor constrói sua narrativa é tão elaborada e envolvente, que não há como não se empolgar com  a história.

Teremos ação, aventura, suspense, romance, tramas diabólicas, vilões improváveis, mocinhos nem sempre politicamente corretos e personagens secundários que - confesso! - me encantaram por completo, fiquei com muita vontade de ler o livro anterior deste autor, "A interpretação de um assassinato".

Além disso, a narrativa é cheia de reviravoltas, becos sem saída, idas e vindas, e um final totalmente imprevisto e surpreendente! Também gostei bastante das explicações psicanalíticas - um pouquinho "resumidas" e distorcidas à favor da história, mas mesmo assim estas partes da narrativa demonstram uma apropriação por parte do autor do tema. Enfim... recomendo!

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Aniversário do Dear Book, 4 anos!


Mais um ano de Dear Book! Parece que foi ontem o dia 10/07/2010, onde tudoooo começou....

Estamos aqui, apesar de todas as dificuldades, compartilhando nosso amor pela literatura! Muito obrigada a todos que acompanham nosso trabalho! Vocês são muito importantes para nós! \o/

E como sempre, o aniversário é nosso, mas o presente é de vocês! E após um período sem promoções, estamos de volta! Participem! ;D



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terça-feira, 8 de julho de 2014

[Gastronomia e Literatura] Aventura na Alemanha e uma Comida Clássica

Olá Pessoas,

Narrativas que tem como pano de fundo a Alemanha na época da Primeira e da Segunda Guerra Mundial são uma das minhas paixões literárias e se tiver um pouquinho de fantasia nessa mistura, então me ganhou de vez.

O primeiro Leviatã de Scott Westerfeld tem tudo isso e muito mais. Você pode acompanhar a resenha aqui.

Mas o que quero lembrar, na verdade, é que hoje nosso adversário na Copa do Mundo é a Alemanha. E para assistir ao jogo e evitar de roer as unhas de nervoso, coma Pretzel.

Vamos lá, que ainda da tempo antes do jogo.

1½ Tablete de Fermento Biológico
1½ xícara (chá) de Água
2 colheres (sopa) de Açúcar Mascavo
5 xícaras (chá) de Farinha de Trigo
Manteiga para Untar
1 colher (chá) de Sal
2½ xícaras (chá) de Água Morna
3 colheres (sopa) de Bicarbonato de Sódio
Sal Grosso a Gosto

Preparo:
1. Dissolva o fermento em 1 1/2 xícara (chá) de água. Coloque num recipiente grande e acrescente o açúcar. Mexa bem e acrescente a farinha, aos poucos, e em seguida o sal. Misture a massa até que se desprenda das mãos. Se necessário acrescente mais farinha, sempre aos poucos.
2. Reserve a massa num recipiente e cubra. Deixe a massa descansar por cerca de 1 hora ou até que dobre de volume.
3. Pre-aqueça o forno em temperatura alta (200º). Unte 2 assadeiras grandes com manteiga e farinha de trigo.
4. Retire a massa do recipiente e divida-a em 12 partes iguais. Estique cada porção, com a palma da mão, em forma de cordão.
5. Dê forma aos cordões e una as pontas. Coloque a água morna e o bicarbonato de sódio num recipiente e misture bem. Despeje a mistura num prato fundo.
6. Mergulhe cada pretzel no banho de água morna com bicarbonato, com uma escumadeira, e coloque-os em seguida na assadeira untada. Deixe os pretzel crescerem mais uma vez por cerca de 15 minutos.
7. Pincele com manteiga derretida e polvilhe com sal grosso. Leve a assadeira ao forno pré-aquecido por cerca de 15 minutos ou até que fiquem dourados.

Corre pra cozinha preparar enquanto nossa seleção corre em campo.
Então, Bom Jogo...
Boa Leitura e Bon Apetit

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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Littera Feelings #17 e Kafka – Entrevista de Leitura #2

MANDA MAIS COPA QUE TÁ POUCA COPA!

Leggo

Olá, amigos leitores, como estão?

No post passado estava eu um pouco incerta sobre as leituras sobreviverem com tanta empolgação sobre o evento da Copa do Mundo, maaaaaaaaaaaaaas, olha, devo dizer, o que não li em meses, li nessas últimas semanas e fiquei muito feliz de ver leitores internet a dentro também se esbaldando em leituras – mesmo que seguisse o movimento de “olho no livro, olho no whatsapp, olho no jogo, olho numa rede social”. Realmente, brasileiro tem uma força de vontade (e criatividade) imensurável XD

Então enquanto estamos nos preparativos para o jogo de amanhã, convido vocês para um "olho no jogo, olho post"!

O que trouxe pra vocês hoje é um post especial da coluna, a Entrevista de Leitura. Para quem não lembra ou perdeu a primeira entrevista (podem ver aqui), relembro que é uma oportunidade de contato mais direto com os leitores, numa entrevista em que o centro das questões é a experiência de leitura - com um livro clássico. Aproveitando o lembrete, aí vão os requisitos para quem gostaria de participar do próximo post dessa seção:

  • Leitura recém-finalizada;
  • Clássico da literatura (nível mundial);
  • Não valem releituras.

Assim, vos apresento os convidados desta entrevista.

No microfone de leitor está...

Luan Queiroz, estudante de Letras, que diz ter um “coração literário onde cabe desde John Green, Suzanne Collins, J. K Rowling até Machado de Assis”, quem gosta e lê de tudo um pouco.

Na bancada de leitura do lado está...

A Metamorfose, de Franz Kafka.
Dados Complementares

Edição (editora e ano de publicação): Companhia das Letras, 1997.
Época de enredo: O ano exato não é informado, mas levando-se em conta os acontecimentos, a história se passa na mesma época em que o livro foi escrito, ou seja, inicio do século XX.

~~~~~~~~ Eis Luan e Kafka! ~~~~~~~~

Conte-nos sobre o que trata o livro a seu ver. Teria vontade de reler?
Luan: Acho que de alguma forma todos conhecem Kafka (mesmo que nunca tenham lido nenhum livro escrito por ele). Basicamente é sobre um homem, Gregor Samsa, que acorda uma certa manhã e se percebe transformado em inseto. Não nos é revelado o motivo dessa transformação. O que se vê nas páginas seguintes é como o nosso protagonista e sua família encaram essa "mudança".
Minha sensação de estranhamento foi muito grande no inicio. Não é um livro tão fácil de ser digerido assim, mas aos poucos o leitor, assim como o próprio Gregor, vai se acostumando com a nova condição do personagem. Duro é ver a maneira como a família o trata em determinados momentos. Por mais asqueroso que o "inseto" possa parecer, há traços fortes de humanidade nele ainda, o que todos parecem esquecer.
A barata é um símbolo: a vida do Gregor não os satisfaz, mas ele é daqueles que "sofre calado", sabe como é? Um cara que trabalha duro num emprego que ele não suporta para pagar a dívida do pai (que fica em casa sem fazer nada o dia todo) e para no futuro custear os estudos da irmã que ele tanto gosta e que no final é umas das que mais faz pressão para que o "inseto" que era seu irmão vá embora. O interessante é que na pele do inseto é que o Gregor realmente se sente livre: ele sobre pelas paredes, vai aprendendo a usar as patas, e, melhor do que tudo, não tem que trabalhar.
Eu releria pra tirar ainda mais coisa do livro. É uma obra que exige um certo esforço, mas que te permite mil interpretações. Ainda tenho a cisma de que havia uma tensão sexual entre o Gregor e a sua irmã... não sei, mas fiquei com essa impressão. Tenho que reler pra tirar a prova (ou não).

Diante do conhecimento geral sobre o livro, diria que seu pensamento atual sobre A Metamorfose mudou muito após a leitura?
Luan: Sim, antes da leitura, eu achava que era um daqueles livros clássicos em que o autor misturava filosofia com ficção e acabava rendendo um caldo sujo e incompreensível. No final das contas, não é nada disso. "A Metamorfose" é um livro sensível, indispensável e o mais interessante de tudo, plurissignificativo. Não é uma leitura fácil (a Literatura em geral nunca é), mas vale muito a pena ser lido.

Quanto à sensação de estranhamento que mencionou, foi uma dificuldade em que sentido? Por enredo, escrita, ambientação (ou outro)? O livro chegou a bater de frente com algum ideal seu? Isso interferiu durante sua leitura?
Luan: Os próprios acontecimentos do enredo já causam esse estranhamento (um homem acorda na forma de inseto? Como assim?). Eu sempre tive a ideia de que a família seria a base de tudo e acho que o Gregor compartilha essa ideia comigo. Mas ver a forma como todos os membros da família exploravam o pobre filho, obrigando-o a se manter num emprego detestável para sustentar sozinho o lar me fez refletir muito até onde vai o amor familiar.
(Isso interferiu) Um pouco. À medida que me acostumava à figura do inseto Gregor, eu me sentia ainda mais enojado pelos outros membros da família. Isso fez eu repugnar um pouco o final (não vou contar o final hahahaha).

(Peter Kuper adaptou a obra para os quadrinhos. Mais cenas podem ser vistas aqui - contém spoilers)

E se você se visse na condição do protagonista? E na condição de algum familiar? Tipo, de repente você é irmão ou pai de um inseto. Qual seria sua preferência?
Luan: Não faço a mínima ideia do que eu faria. Nem gosto de pensar nisso hahahahahaha. Acho que por mais difícil que possa ser (na condição de algum familiar), eu tentaria continuar enxergando-o como um ser humano... não sei, eu não arrumaria uma maçã no meu filho como o pai do Gregor fez.
Acho que ser um inseto é bem ruim, mas lidar com um ente querido inseto é bem pior.

Que ideologia você sentiu ser bem forte? Como ela repercutiu em você?
Luan: Há uma crítica forte do Kafka ao capitalismo no livro: um homem que é forçado a estar no emprego que ele não gosta apenas para manter o status e conseguir sustentar a família: esse é o Gregor. Percebe-se também que ao virar inseto, a principal preocupação do nosso protagonista é o que o chefe vai achar se ele chegar tarde no serviço. Gregor é facilmente substituído quando o chefe descobre a nova "faceta" do personagem.
(Isso repercutiu em) Muita reflexão. Confirmar que os pontos negativos do capitalismo não são de hoje, que eles já estavam presentes, já estavam prejudicando pessoas lá no comecinho do século XX, num país bem distante do nosso foi bastante interessante. Fiquei imaginando também o quanto de nós não queríamos acordar insetos pelo menos uma vez na vida (tanta gente reza pra acordar doente) só pra não ter que levantar cedo pela manhã, só pra não ter que pegar um ônibus lotado naquele dia para ir ao trabalho.

O que diria ser inesquecível em A Metamorfose?
Luan: Acho que a cena final, por mais que eu tenha gostado muito dela. Uma das últimas coisas que a irmã fala para/sobre o Gregor ficaram muito na minha cabeça, vai ser complicado esquecer.

Consegue imaginar essa história se passando na atualidade? Como acha que a sociedade iria lidar?
Luan: Acho que o Gregor é o reflexo do homem moderno, logo “A Metamorfose” é um livro muito atual. Agora do ponto de vista do enredo, um homem virando inseto... não consigo imaginar isso, e acho que nem é tão bacana se pensar assim. A distância entre a literatura e a realidade é o que faz com que as pessoas continuem lendo e contando histórias.

Há algum trecho que queira destacar?
Luan: Desculpe, mas acabaria contando um grande spoiler (risos). Como já falei gosto muito de uma das últimas coisas que a irmã fala sobre/para o Gregor. É forte, é pesado e revela muito sobre os pontos fracos de toda aquela família. Interessante que esse trecho em especial me lembra um dos trechos da música O Vento, do Los Hermanos: “não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer”.

Houve alguma música que marcou sua leitura – ou lembrança dela?
Luan: Além do Vento, dos Hermanos, eu fiquei imaginando que esse livro poderia ter uma trilha sonora toda feita pelo Yann Tiersen. A dor e a liberdade do Gregor seriam ainda mais deliciosamente sentidas por mim.

Complete: “O livro é legal, mas...”?
Luan: O livro é legal, mas Kafka o achava uma porcaria (risos). Vai entender...

~~~~~~;~~~~~

E aí, também ficaram remexidos com Kafka? Quais eram/são suas ideias sobre A Metamorfose?


O que eu conhecia sempre foi pouco, minha curiosidade era mais pela questão do inseto e da reação das pessoas. A simbologia da qual o Luan comentou também, e agora parece mais forte na minha cabeça isso de humanidade. Gosto de temas sociais, então acho que já tenho uma queda (?) (rs) Decerto também já fico com umas teorias conspiratórias pra quando topar com esse livro. Obrigada, Luan, adorei o papo!

Espero que nossos leitores também tenham gostado.

Interessados em participar de uma entrevista, dentro dos citados requisitos, só mandar nome, um contato de rede social (FB ou twitter), o nome do livro e do autor para marykleris@hotmail.com, assunto Littera Feelings.

Até o próximo post,

#VAIBRASIL


Kleris Ribeiro.

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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Documentário: "Ilha das Flores"

Olá, leitores!
Sentiram a minha falta? Hehehe...

Estou passando por grandes momentos importantes na minha vida pessoal, como o término de uma faculdade (mais precisamente: elaboração de TCC), início da minha carreira como professora, início da minha  carreira como escritora (hehehe), enfim, muitas coisas.
Por isso ando sumida.
Mas, como agora estou de férias, o tempo livre é maior, então pretendo voltar com a coluna de filmes.

E hoje trago uma novidade: Vou fazer,a  princípio, dois especiais sobre documentários brasileiros \o/
Eu adoro “docs”, porque são filmes rápidos que retratam a realidade.

Para quem não sabe, 'documentário', segundo o site WIKIPEDIA, documentário é um "gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmação não se deve deduzir que ele represente a realidade «tal como ela é». O documentário, assim como o cinema de ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade."

Não sei porque nunca havia falado com vocês desse gênero tão interessante do cinema. Os docs são bem legais porque, muitas vezes em pouco tempo, conseguem transmitir muitas mensagens. E eu, realista que sou, adoro quando o tema de filmes é "realidade"/ drama.

Hoje, para "inaugurar", apresento-lhes, o doc. "ILHA DAS FLORES", um curta, de 1989, dirigido e produzido pelo cineasta Jorge Furtado, apresentando a história de pessoas que vivem em "Ilha das Flores". . Ele narra a desigualdade entre as pessoas de uma forma diferente, seja pelo enredo, seja pela linguagem, seja pelas imagens, então, podemos dizer que o documentário é narrado de uma forma única.

Assisti ao "Ilha das Flores" durante uma aula quando cursava Jornalismo em 2011 e, como admiradora do cinema, achei muito interessante essa forma diferente de abordar o assunto (desigualdade social), em meio a tantos clichês.

Segundo o site WIKIPEDIA, esse documentário ganhou os seguintes prêmios:
-Melhor filme de curta-metragem (e mais 8 prêmios) no 17° Festival de Gramado, 1989.
-Urso de Prata para curta-metragem no 40° Festival de Berlim, 1990.
-Prêmio Air France como melhor curta brasileiro do ano, 1990.
-Prêmio Margarida de Prata(CNBB), como melhor curta brasileiro do ano, 1990.
-Prêmio Especial do Júri e Melhor Filme do Júri Popular no 3° Festival Clermont-Ferrand,França,1991.
-Blue Ribbon Award no American Film and Video, New York, 1991.
-Melhor Filme no 7º No-Budget Kurzfilmfestival, Hamburgo, Alemanha, 1991.

Segue abaixo, o documentário completo para quem ainda não viu e para quem já viu e deseja rever. Vale muito à pena e espero que vocês gostem.

Logo estarei de volta com a Segunda Parte do especial “Docs”, trazendo um outro que também é imperdível!

Um grande beijo, Kell =)

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Resenha: "Maldição - Wicked #2" (Nancy Holder e Debbie Viguié)

Por Gabi: Oi gentee!! Tanto tempo sumida daqui, eis que dou as caras  novamente. rs Minha vida está uma correria insana, mas estou tentando colocar tudo nos trilhos. Então vamos ao nosso assunto de hoje!

Venho trazer para vocês o segundo volume da série Wicked, lançado pelo selo Jovens Leitores da Rocco. O primeiro volume já foi resenhado por mim aqui no blog - confira resenha de Bruxaria - Wicked #1"- ou seja, se você não o leu, essa resenha contém spoilers! :O 

No primeiro volume da série, Holly descobriu ser de uma linhagem de bruxas muito poderosa, a confraria Cathers, eterna inimiga da confraria Deveraux. E lutou para impedir que eles conseguissem evocar o Fogo Negro, mas ele acabou consumindo Jer, filho de Michael Deveraux e o amor de Holy, além de tia Marie Claire.

A narrativa deste volume começa um ano depois desse acontecimento. Holly e Amanda estão sozinhas agora, já que Nicole fugiu e está perambulando pela Europa. Mas elas não tem tempo para lamentar as perdas, mas devem unir forças para destruir seu poderoso e astuto inimigo. Holly, acima de tudo, deve ser forte e exercer seu papel de líder nessa luta. 

Michael se mantém ausente, apenas unindo forças e conhecimento para atacar. O grande "X da questão" é que ela precisa descobrir quem são seus inimigos de verdade nesse caminho, quais decisões tomar e como vencer essa guerra contra os Deveraux. Será que ela vai ser forte e sábia o suficiente? Fará as escolhas certas para salvar e proteger aqueles que ama? Por onde andará Nicole? E seu amor Jer, será mesmo que ele foi consumido pelo Fogo Negro?

Com o final do primeiro volume, depositei muitas expectativas em "Maldição", que foram frustradas. O livro continua com sua narrativa fluida, mas me senti como se precisasse de um maior desenrolar dessa história. Cheguei ao final e me senti meio perdida... "Aonde Holder e Viguié vão levar essa história?" Preciso de mais mais mais e maaais informações.

Uma das coisas que acho mais bacanas, entretanto, são as retomadas ao passado das confrarias e os acontecimentos que desencadearam vários fatos do presente.  Toda essa ancestralidade e retomada no tempo me agrada e muito. É um fator que "amarra" o enredo e deixa a obra bem mais interessante. 

Então, a luz se materialzou, como antes, e tomou a forma de Isabeau, flutuando ao redor dela, os dedos dormentes tentando desatar o cinto...

... e sua voz tomou conta da mente de Hollu mais uma vez: é a maldição dos Cahors, ma chere Holly. Aqueles que amamos morrem na água, não nas chamas. Morrem afogados.
 
Foram os Deveraux que nos amaldiçoaram. eles nos perseguem ao longo dos tempos, tentando nos matar. Você precisa sobreviver. Precisamos encerrar essa vendeta... para sempre. 


Estou muito curiosa pelo terceiro volume da série, que se não me engano tem 6 volumes. Tomara que não seja tão extensa, tenho um certo "pé atrás" com séries muito extensas, sinto que perdem o rumo inicial da história e acabam se perdendo. 

E vocês aí que já leram "Bruxaria", o que acharam de "Maldição"? Não deixem de comentar, hein? Saudadees demais de vocês, gente! *--*

Beijos beijos e boa leitura!

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terça-feira, 24 de junho de 2014

Resenha: "As Gêmeas" (Saskia Sargison)

Por Sheila: Oi todos e tod@s, como vocês estão? Trago a resenha de mais um autor – na verdade autora – estreante, Saskia Sarginson (nomezinho complicado, não é? Ela cresceu em Suffolk, na Inglaterra, talvez seus pais quisessem que os nomes combinassem ...) uma mãe de gêmeas, de onde parece ter advindo um pouco da sua inspiração para a criação desta história.

Nela conheceremos as gêmeas Isolte e Viola. A primeira, é uma editora de moda de uma grande revista, e esta em um relacionamento – apesar de não chamar assim – com o fotógrafo Bem. Viola está presa em uma cama de hospital, sendo alimentada por uma sonda, já que recusa-se a comer. 
- Ela dormiu muito hoje – a enfermeira avisa Isolte. Ela balança a cabeça, apontando para a cama do canto, onde há um monte pequeno. Uma forma adormecida. A forma tão pequena que é mais como um montinho criado por um arado.
Quando Viola foi internada no hospital, Isolte pensou que seria curada. Nove anos depois, Viola teve vários terapeutas e passou um mês na ala psiquiátrica; ficou um pouco melhor e depois piorou novamente. Esta é terceira vez que foi hospitalizada. O ato de desaparecimento de Viola vem acontecendo faz muito tempo.
Acontece que há algo no passado das gêmeas. Algo do que sabemos, mas que não chegamos a tomar conhecimento. Viola irá nos contar que algo aconteceu quando eram pequenas, mas não o que, ou de eu forma, apenas como se sentiu.
Estou cansada agora. Quero voltar a dormir. Estou divagando. Sei que estou. Issy não ia gostar disso. Ela me disse para ficar quieta quando tivermos de sentar naquela salinha com um homem e uma mulher nos fazendo as mesmas perguntas de novo e de novo.
O que fizemos? O que vimos? A que horas? Quando? Onde?
Eles pensavam que éramos malvadas, entende? Eles pensaram que tínhamos feito alguma coisa imperdoável.
Aos poucos, vamos sendo apresentados ao passado das duas irmãs: sua mãe hippie que as criou em uma comunidade, sem regras e sem um pai, indo depois para uma casa isolada no litoral, perto de uma floresta. A idéia era que tivessem uma vida autossustentável, e tirassem da floresta o que precisavam para viver.

Perto das outras crianças, elas são estranhas, mas compensam as gozações e comportamentos excludentes aproximando-se mais. Também ajuda conhecerem dois meninos da cidade, também gêmeos, que passam a ser seus companheiros em suas explorações pela floresta.

No desenrolar da trama, acabaremos descobrindo que não foi só Viola que ficou com marcas profundas do que quer que tenha acontecido naquela floresta. Isolte, ou Issy, também carrega seus fantasmas – apesar de sua vida aparentemente “normal” fazer com que as pessoas sequer notem.

“Gêmeas” é escrito em primeira pessoa, e narrado ora por Isolte, ora por Viola; ora no presente, ora no passado. A princípio essas “idas e vindas” me deixaram um pouco confusa, levou um tempo até que eu conseguisse diferenciar entre os tons de narração das duas gêmeas.

Mas, assim que consegui acompanhar estas duas “vozes” a leitura seguiu rápida e fácil. Afinal, a história tem todos os elementos para ser uma grande obra. Há momentos dramáticos, romances juvenis, outros mais maduros, suspense – afinal o que houve com as gêmeas? – e momentos bastante tensos que beiram o terror.

O final também me surpreendeu, esperava algo diferente. Mas valeu a pena a leitura, acabou sendo uma historia que me prendeu do início ao fim. Ficarei esperando pelo próximo livro de Saskia (espero que ela continue escrevendo!) e, por enquanto, recomendo!

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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Resenha: "Quando eu era Joe" (Keren David)

Por Sheila: Oi pessoas, como estão? Trago a vocês hoje o romance de estreia de Keren David, o primeiro de uma série de três – sendo que o próximo livro tem sua previsão de lançamento para julho de 2015 L. Vou esperar ansiosa que a Novo Concito nos envie o próximo exemplar de cortesia...

Ty Lewis é um garoto de 14 anos, que parecia estar no lugar errado, na hora errada. Instado a fazer “a coisa certa” por sua avó – a quem considera mais sua mãe do que Nicki, sua mãe de fato – eles procuram a polícia e descobrem que Ty pode estar em perigo.

Afinal, ele presenciou a morte de outro garoto, também com 14 anos, e parece que os responsáveis pelo ocorrido não só sabem quem ele é, mas farão o que estiver a seu alcance para garantir que Ty não testemunhe a respeito do que viu naquela noite fatídica.
- Vamos – grita o policial. – Rápido, desçam!
Descemos correndo a escada íngreme que leva à rua, arrastando nossas malas conosco. Na metade do caminho, ouvimos um enorme estampido. Quase tropeço, e o prédio inteiro parece tremer. Um som crepitante, um cheiro sufocante... e há fumaça... fumaça subindo pelo vão da escada... mas conseguimos chegar ao térreo e saímos para a noite.
Só que eles não estão mais seguros. A explosão em seu prédio foi só um indício de até onde a família do garoto responsável pela morte que Ty presenciou está disposta a ir. Pela experiência da polícia, Ty e sua mãe Nicki estão correndo sério risco de vida, e precisarão entrar para o programa de proteção à testemunha.

Agora, Ty se tornará Joe, e irá morar com sua mãe na pequena cidade acerca de 80 kilômetros de Londres, onde moravam até então. Joe será um ano mais novo que Ty, terá de repetir o oitavo ano. Além disso, seu cabelo e sobrancelha foram escurecidos, assim como seus olhos – de verde-claro para castanho, com um par de lentes de contato.

Ajudando-os, estão os detetives Maureen, responsável pela mudança do visual de ty e Nicki – que não ficou nem um pouco feliz com o seu novo look; e Doug que tem muito pouca paciência com as reclamações dos dois, Nicki com a perda de seus amigos e trabalho. Ty tendo que iniciar do zero na nova escola, Academia Parkview.
A escola é o único lugar onde me sinto tranquilo. Fora dela, estou sempre na expectativa de lojas explodindo e bandidos surgindo das sombras. É exaustivo, pois nada jamais acontece, então estou gastando uma tremenda energia ficando constantemente ligado e me preocupando.
Mas quando cruzo o portão da escola, me sinto melhor. Ninguém vai me achar aqui. Estou camuflado no meio de centenas de crianças, todas vestidas do mesmo jeito. Não é como em Londres, onde todo mundo é diferente. No pátio, a maioria tem a mesma cor, o mesmo visual. Nunca imaginei que era possível ser tão invisível.
Ty também irá descobrir que há outras vantagens em ser Joe. Por estar em uma série anterior, ele já sabe todas as respostas. Por ser mais velho, se sobressai de seus colegas e chama a atenção das meninas de sua classe. Seu novo visual, assim como sua transferência repentina e misteriosa à escola, fazem-no assumir um ar misterioso.

Agora, ele é popular, começa a se destacar nos esportes e desentender-se com outros colegas valentões de sua escola – ele que deveria permanecer escondido, incógnito e praticamente invisível. Além disso, as coisas em casa também não vão bem. Nicki também não está se adaptando à nova vida, sobrecarregando Ty que precisa cuidar dos dois.

Em meio aos primeiros romances adolescentes, Ty, agora Joe, terá que pesar seus sentimentos e aprender a viver mentindo – apesar de que vamos descobrir de que talvez haja mais coisas que ele esconde. Ou será mais grave o que a polícia vem escondendo deles?

“Quando eu era Joe” é um romance policial envolvente, muitas vezes tenso, em que mergulhamos no complexo mundo adolescente do protagonista, em meio a sua busca de uma identidade, em meio às mentiras que precisa contar. Quais são necessárias à sua sobrevivência? Em que momento precisa ser honesto? Afinal de contas, quem ele é? E quem quer ser?

Fora o livro ser narrado em primeira pessoa, o que as vezes faz com que a leitura se torne um pouco cansativa – ao menos para mim que não gosto muito deste tipo de narrativa – fiquei empolgada com o livro e curiosa pela continuação. Recomendo.


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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Resenha: “A Cidade dos Segredos” (Sasha Gould)

Por Kleris: Olá, leitores. Hoje vamos de romance histórico com uma trama intensa e misteriosa na sociedade veneziana. Embarquem na gôndola que aqui passa e vou guiar vocês por essa cidade de segredos.
– Veneza é uma cidade de segredos. – diz ele. – Todos parecem ter um. Penso no patrimônio de meu pai, que está se dilapidando; no fingimento de Beatrice perante Vincenzo; na doença do duque. 
Nada poderia deixar Laura mais feliz que deixar o convento a que foi jogada e voltar para casa, onde reencontraria sua irmã mais velha, Beatrice. Mas se achou a instituição rigorosa e exigente, é porque não sabia do que as pessoas eram capazes em Veneza. Eis que finalmente o pai a manda buscar, só que não pelos anseios da garota. Beatrice estava morta. Foi um baque e tanto para Laura, principalmente por esse afogamento da irmã deixar muita coisa no ar.

Nisso, a garota deveria tomar seu lugar quanto aos interesses e ordenações do pai autoritário, que seria de se casar com o ex-noivo de Beatrice e salvar a família da miséria iminente. Por resposta de uma educação rígida, só restava a Laura acatar e obedecer. E o faria se o noivo não fosse um velho desprezível.

Mas havia quem a ajudar, se possível. Allegreza, uma das damas da sociedade, apresenta a Laura um grupo secreto que atuava naquela comunidade veneziana, o Segreta, constituído por mulheres que, por seus segredos, controlavam o real traçar daquelas vidas e agia por debaixo dos panos de todo o teatro social. Só que para Laura conseguir qualquer ajuda, como se livrar desse destino trágico que o pai lhe lançou, ela precisava pagar um preço de entrada: revelar um segredo válido àquele grupo.

Era apenas o começo da peça social em que se metia. Na verdade, pode-se dizer que Laura foi socada ali quando a gôndola (embarcação comprida, graciosa e ligeira, peculiar para navegação nos canais de Veneza) já havia traçado muita história pelos cursos dos rios e das vidas daquelas pessoas.
Apanho uma gorda azeitona verde de uma bandeja que um criado me oferece. Do outro lado da sala, vejo Allegreza num vestido preto com ranhuras brancas na saia e penas pretas no cabelo. Animada, ela conversa com um grupo de mulheres mais velhas. Imagino que esteja sussurrando para elas o segredo do duque [...] Laura, endireite sua postura – alerta meu pai. 
Dotada ainda por muita inocência, não era acostumada com festas, com falsidades ou mesmo dramas intensos. Assistiu hostilidade entre famílias inimigas, viu-se como moeda de troca e interesse na mão do pai e ainda teve essa morte da irmã, dentre outros acontecimentos, que faziam uma teia de perdição na sua cabeça. Enquanto devia se rearranjar novamente perante a sociedade, mais dessas histórias começam a se revelar.

Mas claro, Laura também deu tempo ao seu coração, com um amor daqueles do tipo “impossível”, por causa das diferenças sociais. É com Giacomo, um pintor que atende encomendas dos mais abastados, que Laura se permite baixar mais guarda e seus dias parecem melhores, assim como ao lado de Faustina, ama e fiel escudeira.
– Eu adoro a Veneza que você descreve – digo. – A Veneza que conheço se resume a dinheiro, poder e conforto para o corpo. Que eu saiba, nunca tem nada relacionado à beleza ou à alma.
– Se esta é a minha Veneza, então também pode ser a sua.
Por um instante sublime e maravilhoso, penso que ele pode ter razão.
Com umas 250 páginas, “A Cidade dos Segredos” (Cross My Heart) é o primeiro de uma série e é uma introdução intensa. Tenho pouca experiência de leitura com enredos históricos, fora uns clássicos mesmo, então por toda narrativa me vi em filmes de época e noutros livros (como Jane Eyre, Romeu e Julieta e até Lisístrata, lá dos gregos). A escrita ajudou bastante nesse quesito, pois, de linguagem bem trabalhada, muito rica em detalhes, com alguns floreios e de traços góticos e realistas, ela nos suga para o enredo. É tudo muito tenso!

Quando Laura se vê metida num jogo de interesses e que deve lutar por sua “sobrevivência”, senão fugir das intrigas, ela tem que abdicar de sua inocência e conhecer mais desse jogo de não confiar em ninguém. Personagens como Carina, Paulina e Allegreza me fizeram sentir como a própria Laura, perdida entre histórias antigas e decisões preciosas. Assim, gostei bastante em como o caráter da protagonista foi se remoldando à nova realidade e como a história respeitou os valores da época.
– Eu não preciso fazer o que meu pai me pede, preciso? – digo, deitando na cama. Faustina estende o suave lençol sobre mim e então se senta a meu lado, me acariciando a testa.
– Querida, devemos fazer como nos mandam. A longo prazo, é melhor para nós. Os homens é que governam o mundo.
Os capítulos são curtos, o que quebra bastante a tensão e dá um segundinho para respirarmos as “deixas”. É garantido que, enquanto você não alcançar o próximo, parece que não sossega. Então se preparem, pois quando sentarem para ler, não vão querer fazer pausa alguma. Li em dois dias sofrendo com as interrupções!

Confesso que não dei muito pela capa ou pela sinopse. Mesmo ao finalizar fiquei achando que a capa ainda não fazia jus, isso até a história descansar mais. É a mesma da edição original e espero que reproduzam aqui a do segundo livro. Ambas têm muito a ver com a história.

Como toda apresentação de séries, a história tem muito o que explorar dos personagens e seus passados. O que não falta é pano pra camisa.

Recomendo para quem gosta de intrigas, mistérios e conspirações sutis. Já quero ler de novo com os segredos fresquinhos na cabeça e já quero o próximo (Heart of Glass, sem título no Brasil ainda). 

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