sexta-feira, 29 de maio de 2020

Resenha: "Teto para dois" (Beth O'leary)


Tradução de Carolina Selvatici

Por Thaís Inocêncio: Tiffy terminou um relacionamento e saiu da casa do ex-namorado. Agora, ela precisa de um lugar barato para morar. 

Leon trabalha como enfermeiro no turno da noite e precisa de dinheiro para ajudar o irmão, que está com problemas. Então, ele resolve procurar alguém pra dividir o apartamento – ou melhor, a cama, porque só tem uma.

O plano é simples: encontrar uma pessoa que trabalhe durante o dia e só fique no apartamento à noite, quando ele está fora. Desse modo, eles podem usar a mesma cama e nem precisam se encontrar. É assim que Tiffy e Leon passam a morar “juntos”. 

Todo o trâmite da locação é feito entre Tiffy e a namorada de Leon, então ela nem o conhece pessoalmente. Por isso, eles passam a tratar de questões cotidianas via post-its espalhados pela casa. Aos poucos, essa comunicação evolui e o plano inicial de dividir a cama já não parece mais tão simples. 

Esse livro consegue ser fofo e sério ao mesmo tempo. Os capítulos são alternados entre os protagonistas e, assim, conhecemos a fundo o encantador Leon e a divertida Tiffy (que também é muito colorida – ela lembra a Lou, de "Como eu era antes de você").

"Bom, como o quarto vai estar?
Entro, intrépido. Solto um grito estrangulado. Parece que alguém vomitou arco-íris e estampas, cobrindo toda a superfície cm cores que nunca estariam juntas na natureza. Cobertor horrível e comido por traças em cima da cama. Uma enorme máquina de costura vege ocupa quase a escrivaninha toda. E roupas... roupas em todos os cantos."

Além do romance, a autora consegue tratar de assuntos necessários e atuais, como o relacionamento abusivo. E ela faz isso de modo muito responsável, esmiuçando a maneira como ele surge e se desenvolve, demonstrando como vítima é manipulada nesses casos e evidenciando a importância de se ter não só uma rede de apoio, mas ajuda profissional para superar os traumas que ele deixa.

"— Eu... me lembro de ser muito feliz com ele. Além de ser, tipo, infeliz pra cacete."

Achei interesse a maneira como a autora constrói pessoas "normais", que fogem do que é considerado padrão de beleza e são lindas na essência. A Tiffy é descrita como uma mulher de "grandes proporções" e Leon é pardo, magro e tem orelhas de abano. As personagens secundárias também são muito bem apresentadas e cativam o leitor, como os amigos da Tiffy, os pacientes do hospital onde Leon trabalho e o irmão dele, Richie (por quem estou apaixonada). A escrita é tão gostosa e a leitura é tão interessante que fica difícil não devorar o livro em poucos dias.

"Sempre vale a pena atravessar as portas."

Até a próxima, galera!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 25 de maio de 2020

Resenha: "Ligeiramente Casados" (Mary Balogh)




Tradução: Ana Rodrigues

Sinopse: À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse – "Custe o que custar!". Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum. Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele – o que acontecerá em quatro dias. Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar. Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados... Nesse primeiro livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos apresenta à família que conhece o luxo e o poder tão bem quanto a paixão e a ousadia. São quatro irmãos e duas irmãs que, em busca do amor, beiram o escândalo – e seduzem a cada página. "Mary Balogh começa esta série de seis livros com um casamento de conveniência entre dois dos personagens mais autossuficientes que já conheci. É uma alegria acompanhá-los na descoberta de que podem, sim, precisar de outra pessoa." – Rakehell Reviews

Por Jayne Cordeiro: "Ligeiramente Casados" é o primeiro livro da série Os bedwyns, da autora Mary Balogh. Não é uma série nova aqui no Brasil, mas ficou anos na minha estante sem que eu lesse, até que a série caiu como escolha em grupo de leitura coletiva, e aqui estamos nós. Não é nenhuma novidade que sou apaixonada por romances de época, e ainda mais quando tem uma série que envolve membros de uma mesma família. E é o que vemos aqui, e não qualquet família, mas uma que representa um ducado.

E também não é novidade que eu adoro romance, em que o casal casa logo e precisa de adaptar a vida de casados. E pelo nome do livro, já dá para ver que é isso que acontece. No começo fiquei com receio de não gostar do livro, por Aidan ser mais sério e  reservado. E não tive um primeiro contato divertido com os Bedwyns,  quanto li o livro predecessor da série, Um Verão inesquecível,  mas até que gostei da família como um todo.

Este livro é divertido, apesar de não acontecer de uma forma tão escancarada. Ele consegue prender o leitor até o final, e cria personagens muito interessantes, complexos, com várias camadas, então você nunca pode ter certeza do que dirão ou farão. Adorei Aidan e Eve, como eles foram maduros,  realistas, mas sem deixar o romance de fora da história. E se no começo, eu achei que o livro seria fraco, isso mudou do meio para o final.

É um ótimo inicio para a série, e conseguiu dar um belo panorama de todos os Bedwyns. Tem todas as qualidades esperadas de um romance de época e já dá vontade de correr para o próximo livro sa série, que pela sinopse, promete ser muito bom.


Curta o Dear Book no Facebook




Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 22 de maio de 2020

Resenha: "Um lugar só nosso" (Maurene Goo)

Tradução de Lígia Azevedo

Sinopse: Lucky é uma jovem estrela do K-pop. Talentosa e cheia de determinação, tem como próximo objetivo expandir sua carreira para o ocidente, e um passo importante para isso está prestes a acontecer: ela vai participar do programa norte americano Later Tonight Show, alguns dias depois do último show de sua turnê, em Hong Kong. O problema é que, por mais que tenha o mundo ao seus pés, Lucky ainda tem dúvidas de que essa é a vida que realmente deseja.
Jack está em seu ano sabático, entre o fim do colégio e o início da faculdade - ou, pelo menos, é o que ele diz para a família. Apaixonado por fotografia, tudo o que deseja é entrar em um curso de artes, mas não sabe como contar isso aos seus pais. Para conseguir se sustentar, faz bicos como paparazzo para um tabloide sensacionalista, e quando conhece Lucky tem o maior furo que poderia desejar bem à sua frente.
Durante um fim de semana em que fingem ser outras pessoas, Lucky e Jack vão descobrir mais sobre si mesmos do que imaginavam – e viver um romance digno de uma canção de sucesso.

Por Stephanie: Não é sempre que eu fico com vontade de ler uma história levinha, mas devido ao momento que estamos passando, isso vem acontecendo com maior frequência. Portanto, quando vi esse lançamento da Editora Seguinte, logo me interessei, e fico feliz por ter encontrado exatamente o que esperava.

A história se desenvolve majoritariamente em um período de dois dias, em que Lucky, uma cantora de k-pop, e Jack, um aspirante a fotógrafo que faz bicos como paparazzo, se conhecem e embarcam em uma aventura cheia de romance e momentos fofos.

Não conheço muito da cultura sul-coreana, principalmente em relação à música, mas acredito que nesse quesito, Lucky foi muito bem apresentada. Maurene Goo soube falar do lado obscuro da indústria com delicadeza, fazendo críticas mas sem se aprofundar ao ponto de deixar a história muito pesada. Lucky, além de todas as pressões que sofre por parte da gravadora, também sofre de ansiedade, e também acho que esse aspecto foi abordado de maneira responsável pela autora.

Quem disse que uma vida boa não pode incluir algum egoísmo?

Jack é um mocinho bastante convincente. Não chega a ser bad boy, mas também não é bobo. Independente e sonhador, gostei de ler sobre seus dilemas familiares e em relação à sua carreira. Mais uma vez, Maurene abordou a cultura asiática familiar (como as exigências dos pais de Jack) de forma tranquila e bem verossímil.

Todo o desenvolvimento do enredo, como é de se esperar, bebe bastante da fonte dos romances clichês. Porém, como aqui há protagonistas asiáticos e uma ambientação diferenciada, a história recebe ares de novidade, o que foi um dos pontos altos pra mim. Só eu sei o tanto que salivei com as descrições de comidas, hahaha!

Meu único ponto negativo é o fato de eu não ter me conectado tanto assim com os personagens. Eu os compreendi e senti empatia por eles, mas não sofri junto, sabe? Queria ter me sentido mais próxima deles.

Éramos como as estrelas quando vistas da Terra – uma lembrança de algo que já encontrara seu fim.

Fica então a minha recomendação para todos que gostam ou que estão à procura de uma leitura leve e gostosa!

Até a próxima, pessoal :)

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resenha: "Função CEO - A Descoberta do Prazer" (Tatiana Amaral)


Sinopse: Não precisou mais do que um olhar para que entendesse que não tinha mais volta. Ela pertenceria a ele. Quando Melissa Simon iniciou o estágio como substituta da secretária executiva do CEO do grupo empresarial C&H Medical Systems, nunca imaginou no que estava se metendo. Robert Carter, líder e maior autoridade dentro da empresa seria o seu chefe. Não bastou mais do que um olhar para que Melissa entendesse que não tinha mais volta. Ela pertenceria a ele. Mas não sabia o que encontraria pela frente. Robert Carter é o chefe e ele estará no comando. Melissa Simon é a estagiária e estará disposta a obedecer às regras. Juntos eles descobrirão que sexo, prazer e amor, nunca mais serão a mesma coisa. Um jogo intrigante de sedução e descobertas, onde o amor é a única carta proibida. A entrega impensada a prazeres nunca antes sentidos e a certeza de que nada mais será como antes.

Por Jayne Cordeiro: "A Descoberta do Prazer" é o primeiro livro da trilogia Função CEO, que não é uma obra nova, mas que agora  tive a chance de ler. No começo fiquei achando que não gostaria do livro, porque não conseguia me apegar a história, não ficava instigada a continuar. Mas na medida em que continuei lendo e dando a oportunidade,  eu comecei a ficar curiosa e o livro começou a fluir melhor. Talvez  culpa tenha sido da dinâmica entre o casal, com Robert sendo muito grosso em um momento e sedutor em outro, e com a Melissa também puxando e soltando do outro lado. Mas depois que eles deixaram cair suas barreiras iniciais, a coisa ficou bem melhor.

Isso não quer dizer que ficou tudo um amor entre eles. Na verdade, ficou uma dinâmica bem interessante, porque Melissa fica sempre se questionando sobre entrar em um relacionamento com um homem casado, que está uma relação obrigatória, e cheia de raiva e desgosto com a esposa. E do lado de Robert, vemos como ele se envolve com a Melissa, mas ainda está preso em uma guerra fria com a esposa. E nesse ponto temos um mistério que prende o leitor: qual o acordo entre Robert e Tanya? O que o obriga  continuar casado e qual é o objetivo dos planos que um tem contra o outro? São perguntas que tanto Melissa, quanto o leitor possuem.

O livro é grande, mas a história não é monótona. Robert é muito mandão e quer as coisas do jeito dele, mas Melissa não aceita tudo sem pelo menos lutar um pouco contra. Não há um ápice na história desse livro, porque acho que ele funciona muito mais como uma introdução de todo o contexto e do inicio do romance entre os dois. Ele deixa várias questões em aberto, que incentivam a ler o próximo livro. No geral, o enredo é bom, a forma como a autora escreve é bem realista, e o leitor se irrita, diverte e questiona junto com os personagens. Para quem gosta do gênero  romance erótico, este é um bom livro para colocar na lista de leitura.



Curta o Dear Book no Facebook


Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Resenha: "Codinome Villanelle - Killing Eve #1" (Luke Jennings)

Tradução de Leonardo Alves

Sinopse: O surpreendente thriller que deu origem à série de sucesso Killing Eve, um drama de espionagem diferente de tudo o que você já viu.

Villanelle (um codinome, é claro) é uma das assassinas mais habilidosas do mundo. Uma psicopata hedonista, que ama sua vida de luxo acima de quase qualquer coisa... menos a emoção da caçada. Especializada em matar as pessoas mais ricas e poderosas do mundo, Villanelle é encarregada de aniquilar um influente político russo, e acaba com uma inimiga determinada em seu encalço.
Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional para uma tarefa peculiar: identificar e capturar a assassina responsável e aqueles que a contrataram. Apesar de levar uma vida tranquila e comum, Eve possui uma inteligência rápida e aguçada – e aceita a missão.
Assim começa uma perseguição através do globo, cruzando com governos corruptos e poderosas organizações criminosas, para culminar em um confronto do qual nenhuma das duas poderá sair ilesa. Codinome Villanelle é um thriller veloz, sensual e emocionante, que traz uma nova voz à ficção internacional.

Por Stephanie: Me interessei por Codinome Villanelle por ser a obra que deu origem à aclamada série Killing Eve (inclusive fiquei surpresa quando soube que o programa não era um roteiro original). Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas posso afirmar que o livro sozinho não teria conseguido despertar meu interesse pela série, caso já não existisse antes.

O enredo é bastante simples: acompanhamos a caçada de uma investigadora britânica que tenta capturar uma assassina de aluguel. Os crimes cometidos por Villanelle envolvem pessoas do alto escalão mundial, e por isso o livro tem um tom muito presente de espionagem durante todo o seu desenvolvimento – o que surpreendentemente me agradou, já que não sou muito fã dessa temática.

A narrativa de Luke Jennings é bem direta, sem muitas firulas e bastante fria. O ponto de vista é em terceira pessoas e há algumas descrições breves de locais e de sentimentos dos personagens, mas curiosamente e sem motivo aparente o autor foca bastante a descrição de roupas, principalmente as de Villanelle, que praticamente só usa looks de grife. Achei o excesso dessas descrições muito cansativo.

Villanelle está usando um vestido Valentino de seda e luvas de gala Frateli Orsini que cobre até o cotovelo. O vestido é vermelho, mas de um tom tão escuro que quase parece preto. Uma bolsa Fendi espaçosa está pendurada em seu ombro por uma corrente fina.

O livro é dividido em apenas quatro capítulos, que chegam a ser quase independentes. Como Villanelle viaja bastante, cada parte se passa em um local diferente e tem um “alvo” distinto; por isso, é como se, ao final de cada capítulo, houvesse uma conclusão para o crime que a assassina cometeu. Não costumo gostar de livros com poucos capítulos mas a leitura flui bem e o livro é curto, então até que isso não me incomodou tanto.

Meus maiores problemas têm relação com a escrita do autor, que achei um tanto amadora. Como esse não é o livro de estreia de Jennings, não consigo achar uma justificativa para uma escrita tão pouco inspirada, que diz muito mas mostra pouco. Villanelle e Eve são sempre descritas como arqui inimigas, porém, na prática, não conseguimos ver todo o ódio que o autor descreve que há entre elas. Na verdade, os personagens como um todo são bastante frios e não conseguem convencer como pessoas reais.

De pé ali no terraço, em sua jaula de neve, Villanelle sente a ansiada onda de poder. A sensação de invencibilidade que o sexo promete, mas só um assassinato bem-sucedido proporciona de fato.

A única exceção é a própria Villanelle, que nitidamente é a personagem a quem o autor dá mais atenção e desenvolve melhor. Ela é bissexual e acho que nesse ponto foi bem desenvolvida, com naturalidade (um ponto a ressaltar é que o livro possui diversas cenas de sexo protagonizadas por ela). Villanelle é descrita como sociopata em várias passagens e o autor repete em muitas ocasiões que a assassina sabe imitar as emoções humanas com perfeição. Toda essa repetição, mais uma vez, soou bastante cansativa. Acredito que esses problemas se resolveriam com uma boa mão de um editor.

É difícil dizer se recomendo ou não essa leitura. Acho que os fãs do seriado podem ter uma experiência positiva, afinal, é sempre bom ter materiais inéditos sobre algo que gostamos, mas aqueles que como eu nunca assistiram Killing Eve provavelmente terão alguns dos problemas que tive com a obra. Ainda assim, verei a série assim que possível, porque parece ser superior ao livro (que é o primeiro de uma trilogia).

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 1 de maio de 2020

Resenha: "Vermelho, Branco e Sangue Azul" (Casey McQuiston)

Tradução de Guilherme Miranda

Sinopse: O que pode acontecer quando o filho da presidenta dos Estados Unidos se apaixona pelo príncipe da Inglaterra?

Quando sua mãe foi eleita presidenta dos Estados Unidos, Alex Claremont-Diaz se tornou o novo queridinho da mídia norte-americana. Bonito, carismático e com personalidade forte, Alex tem tudo para seguir os passos de seus pais e conquistar uma carreira na política, como tanto deseja.

Mas quando sua família é convidada para o casamento real do príncipe britânico Philip, Alex tem que encarar o seu primeiro desafio diplomático: lidar com Henry, irmão mais novo de Philip, o príncipe mais adorado do mundo, com quem ele é constantemente comparado ― e que ele não suporta.

O encontro entre os dois sai pior do que o esperado, e no dia seguinte todos os jornais do mundo estampam fotos de Alex e Henry caídos em cima do bolo real, insinuando uma briga séria entre os dois.

Para evitar um desastre diplomático, eles passam um fim de semana fingindo ser melhores amigos e não demora para que essa relação evolua para algo que nenhum dos dois poderia imaginar ― e que não tem nenhuma chance de dar certo. Ou tem?

Por Stephanie: Se você é leitor e viveu na Terra nos últimos meses, com certeza já ouviu falar em Vermelho, Branco e Sangue Azul, de Casey McQuiston. O livro virou febre mundial desde seu lançamento, e vem conquistando cada vez mais fãs em cada país que é lançado. No Brasil, não foi diferente: a obra foi muito bem recebida pelo público e Casey foi inclusive confirmada na Flipop, evento organizado pela Editora Seguinte, que a princípio se realizará nos dias 10, 11 e 12 de julho.

Com tanto hype em cima desse livro, não tinha como eu ficar indiferente; me interessei desde o começo e fiz questão de encaixá-lo nas minhas leituras assim que possível. Fico feliz em dizer que entrei pro time dos que adoraram a história e que querem divulgá-la para que mais pessoas possam conhecê-la e se apaixonar por ela!

Acho que não é nenhum segredo que VBSA tem um enredo que se pode chamar de clichê. Só pela sinopse já dá pra saber quais caminhos a obra tomará. Porém, acredito que o trunfo do livro está em sua representatividade: além de ter um casal homoafetivo como protagonista, há também a família de Alex, que possui descendência latina. Sem esquecer também que no mundo de VBSA, os EUA têm uma presidenta.

(…) É essa a escolha. Eu amo o Henry, com tudo isso, por causa de tudo isso. De propósito. Eu amo o Henry de propósito.

Com todos esses elementos, McQuinston constrói uma história que utiliza de artifícios já conhecidos para conversar com um público que não costuma se ver representado em narrativas como essa, ou seja, o LGBTQ+. Por mais que seja fácil imaginar o final de tudo, é um respiro ver situações típicas das comédias românticas heteronormativas tendo protagonistas fora desse padrão.

Alex e Henry são protagonistas cativantes e completamente opostos. Isso que torna a dinâmica entre eles tão divertida de acompanhar. Por falar em dinâmica, é bom deixar avisado que há cenas bem quentes entre o casal, e eu não recomendaria esse livro para menores de 16 anos.

Quanto aos personagens secundários, achei que todos agregaram positivamente. Talvez eles pudessem ter sido um pouco mais aprofundados (principalmente a irmã de Alex), mas como o foco de VBSA é o romance, é compreensível que outros assuntos acabem ficando um pouco de lado.

VBSA tem um pano de fundo político que pensei que seria apenas abordado de leve, mas que surpreende por ter um papel importante na narrativa. Há muitas crises e disputas ao longo do enredo, e acho que se fosse apontar alguma coisa que não me agradou tanto, seria essa questão, que fica bastante presente conforme a obra se aproxima de seu desfecho.

De forma geral, eu gostei muito de Vermelho, Branco e Sangue Azul e recomendo a leitura para os fãs de romance que estejam buscando uma história leve e engraçada!

Pensar em história me faz pensar em como vou me encaixar nela um dia, eu acho. E você também. Eu meio que gostaria que as pessoas ainda escrevessem desse jeito. História, hein? Aposto que poderíamos fazer.

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 27 de abril de 2020

Resenha: “Enfim, Capivaras” (Luísa Geisler)


Por Kleris: Se prepare para a caçada mais épica desse Brasil! 
Porque se você mora na Chapada do Pytuna, precisa tomar a iniciativa e criar a aventura.

Em Enfim, Capivaras, uma turma de garotos e garotas se unem para pegar o mentiroso da escola no pulo. No caso, Dênis – também conhecido como Binho. Não importa a situação ou contexto, Binho tem essa mania de grandeza e de mentiras sobre coisas que ele tem, conhece ou já viu. Até então era difícil comprovar informações soltas ou pouco palpáveis (como ter conhecido o Faustão), mas quando ele diz que tem uma capivara de estimação, a galera se reúne pra ir lá visitar o animal. Assim, só aparecer na porta da casa dele e ver até aonde essa lombra iria. 
Porque, como nossas próprias mentiras, a gente quer que seja verdade.

Para a surpresa de zero pessoas, Dênis conta que Capi, a capivara, fugiu. Surge a ideia então de ir atrás dela, afinal, não deve ter ido muito longe. Até porque a cidade, Chapada do Pytuna, no interior de Minas, também não era muito grande. E assim, com o carro de Léo, munidos de salgadinhos, bolos e bebidas, eles seguem à procura de Capi. Ou da verdade. Ou da justiça pelas merdas que Binho dizia por aí, interferindo na vida de tantas outras pessoas sem qualquer responsabilidade. 
Olhamos pra Vanessa e erguemos o mapa de leve. Ela faz que não com a cabeça (acelerado, vídeo acelerado), enquanto Nick dobra o papel e enfia no bolso. Vamos entrar no mato atrás de uma capivara potencialmente roubada, vamos no sentido contrário da civilização, que na verdade não é civilização, às dez da noite. Nenhuma ideia parece boa e essa é a pior de todas. Abro um sorriso.

Esse é um livro que você não vai querer largar até encontrar todas as respostas. É também um livro bem vapt-vupt, de uma sentada só, sincerão. Embora curto e rápido, é hiper rico de histórias, detalhes, identidades. E uma das coisas mais legais – além de sua premissa – é como a história é contada.

Acompanhamos a empreitada em um espaço de 12 horas e em tempo real com vários pontos de vista: de Vanessa, a garota da cidade grande que se mudou recentemente para o interior; Nick, a garota de um espírito aventuresco que luta para encontrar um encaixe no mundo; Léo, o garoto de pai fazendeiro (e rico), que deveria andar na linha; e Zé Luís, o filho da empregada da casa de Léo, um companheiro que vive à sombra do amigo. 
A gente está assim. A gente é assim. Neste momento.

Cada um tem motivações, vivências e segredos que marcam a experiência confusa da adolescência. Isso facilmente nos lembra do clássico Clube dos Cinco que repercute até hoje em diversas séries e filmes, mas o plus aqui é que a gente se conecta à trama de uma maneira nada americanizada. É aquela cidade pacata, pequena, buraco de meteoro, quente pra dedéu, sem vento algum e bem comum dessa terra e de muitos brasileiros. Ao retratar o ambiente interiorano, nossa linguagem e nossas peculiaridades, sentimos o quanto a história é crível. Aliás, é ótimo ler algo assim, tão nosso, tão a gente, tão verdadeiro. 
— Não sei se é seguro ficar parado aqui na estrada — diz Nick, enquanto olhamos para Dênis.
— É — diz Zé Luís. — Alguém pode querer nosso minduim.
— Sei lá — ela diz —, é que escureceu. 
— Outro Gusmão que não bate bem é aquele primo dele — digo —, que tem a esposa alcoólatra, que bebia até perfume, lembra?
— É — Nick começa a sentar no chão —, mas isso foi depois que o pai dela teve um AVC e tal, não dá pra dizer que...
— Posso terminar minha história? — interrompe Dênis.
— Ah — eu rio. — É mesmo.

O que move a narrativa (e faz suas páginas voarem) são os diálogos; as interações são tão naturais que podemos nos ver ali, reconhecer outras pessoas e voltar alguns anos de nossa própria história de crescimento. Eu, pelo menos, revivi um pouco dos anos 2000, as picuinhas de turma, as modinhas, os privilégios sobressaltados, lembrar das companhias, da conveniência escolar, e ver um pouco da porra da vida de todo mundo. Todos tivemos um amigo x, y, z da trama, e todos guardamos histórias escabrosas da época da escola. É a temporada mais traumática da vida, mas é um tempo que a gente não pira sozinho. 
— Acho que tá na hora de ir pra casa.
— Espera — diz Nessa. — A gente não vai resgatar o tamanduá?
— Resgatar o quê? — digo. — A gente sai pra catar uma capivara e quando vê tá cagando com a vida de outro bicho da fauna brasileira. Deixa pra lá.
— “Outro bicho da fauna brasileira...” — Léo diz, rindo.

Nesse contexto, Luísa lança as cagadas dos personagens ao leitor para que tire suas conclusões. Identidade, percepção de realidade e refúgio são temas fortes e que incitam conversas importantes, assim como quebras de tabus. Para tal, ela se utiliza de muitas conversas do grupo e conversas internas para mostrar as situações e acho que essa foi uma das melhores escolhas de como nos presentear a história. Sua intervenção entre os capítulos, com listas regressivas paralelas à trama, também se revela um grande acerto para a narrativa. 
11 motivos pelos quais Zé Luís está junto nessa bagunça11. Porque, por algum motivo, ele sempre está junto nessa bagunça. Por ser o Filho da Empregada, cargo oficial, sempre tem que ajudar. Ele ajuda a mãe a terminar mais rápido, a secar a louça, a dobrar a roupa. Ajudou com a mudança entre os apartamentos caros da família, ouvindo sobre como cada custava dois milhões. Ele ajuda Léo com os deveres de casa desde suas primeiras dificuldades com frações.

E assim ela vai do humor ao drama, do simples ao complexo e do banal ao pesado em poucas linhas – palavras até. Nelas, trabalha-se bastante esse senso de liberdade, de ser e apenas ser, de sair da linha, de fazer merdas, de se procurar, de encontrar apoio no outro, tudo junto e misturado. A sensação que fica é que precisamos de mais livros verdadeiros e sincerões como esse. 
Por mais que seja extrovertida — voltada para fora —, se sente mais introvertida — voltada para dentro. Ela se sente uma silêncio-vertida. E precisa esconder isso. 
— A gente vai trocar um lugar real, que a gente tá vendo por uma fazenda imaginária onde tem capivaras? — diz Dênis. — Vocês tão bêbados?

Enfim, Capivaras é assim uma leitura certeira para aquela viagem de busão ou trem rumo ao interior. É criar a aventura quando a aventura não vem até você. E é excelente para curtir tardes chuvosas, aproveitar intervalinhos de aula, curar ressacas literárias e mandar a censura ir à merda por querer abafar uma preciosidade dessas (reveja o caso aqui). Vale lembrar também de ler a entrevista com a autora no final, uma novidade da editora Seguinte para os seus últimos lançamentos <3

E, claro, recomendadíssimo!

Semelhante à obra anterior de Luísa (De espaços abandonados; reveja resenha aqui), perguntas ecoam. A diferença é que um livro nos deixa aos berros alucinada e o outro rindo loucamente. Deixo com você pra descobrir essa. 
— Eu nunca moraria num lugar sem McDonald’s — digo. — Não por não poder ir ao McDonald’s, mas pelo que isso significa, sabe? Se não chegou McDonald’s, o que mais não chegou?

Até a próxima!



sexta-feira, 24 de abril de 2020

Resenha: "Como se Casar com um Marquês" (Julia Quinn)


Tradução: Ana Rodrigues

Sinopse: Elizabeth Hotchkiss precisa se casar com um homem rico, e bem rápido. Com três irmãos mais novos para sustentar, ela sabe que não lhe resta outra alternativa. Então, quando encontra o livro Como se casar com um marquês na biblioteca de lady Danbury, para quem trabalha como dama de companhia, ela não pensa duas vezes: coloca o exemplar na bolsa e leva para casa. Incentivada por uma das irmãs, Elizabeth decide encontrar um homem qualquer para praticar as técnicas ensinadas no pequeno manual. É quando surge James Siddons, marquês de Riverdale e sobrinho de lady Danbury, que o convocou para salvá-la de um chantagista. Para realizar a investigação, ele finge ser outra pessoa. E o primeiro nome na sua lista de suspeitos é justamente... Elizabeth Hotchkiss. Intrigado pela atraente jovem com o curioso livrinho de regras, James galantemente se oferece para ajudá-la a conseguir um marido, deixando-a praticar as técnicas com ele. Afinal, quanto mais tempo passar na companhia de Elizabeth, mais perto estará de descobrir se ela é culpada. Mas quando o treinamento se torna perfeito demais, James decide que só há uma regra que vale a pena seguir: que Elizabeth se case com seu marquês. 

Por Jayne Cordeiro: Fiquei bem curiosa para ler esse livro, porque ouvi falar muito bem dele, principalmente comparado com o primeiro da série que não gostei tanto. E também, ele traria como protagonista o James, que já apareceu no primeiro livro e de quem gostei muito. Ele é um nobre e tem aquele jeito bem humorado e atraente, que qualquer leitora se apaixona. James vai para a casa da tia, Lady Danbury, se fazendo passar por uma administrador de terras recém contratado, com o objetivo de encontrar o chantagista da sua tia. E lá ele conhece Elizabeth, a jovem dama de companhia da tia, que cuida dos irmãos mais novos, e sem dinheiro para isso. Agora ela percebe que precisa se casar se quiser manter os irmãos bem, e James se prontifica a ajudar a moça a treinar para conquistar um marido. Mas os dois acabam se envolvendo, sendo que ela precisa de um marido com condições de manter os irmãos e James é apenas um funcionário pra ela.

Eu gostei muito desse livro. James é um personagem galanteador, bem humorado e divertido. Elizabeth é uma mulher doce e ao mesmo tempo de personalidade, e guerreira, ao criar vários irmãos mais novos sem ter nenhuma verba, além do seu trabalho como dama de companhia, da famosa Lady Danbury, que já apareceu muito em outras histórias da Julia Quinn. E essa é uma personagem que participa muito aqui, e muitas das cenas divertidas envolvem ela. E os diálogos do casal são ótimos e o leitorse apega a eles muito rápido. É gostoso acompanhar a interação deles. A diversão está principalmente nos diálogos, e em algumas outras cenas, mas de forma bem feita, sem ser forçada. E as cenas românticas também são ótimas.

O enredo é divertido, e utiliza uma ideia que parece boba, com um livro que ensina como conquistar um Marquês, e uma moça que tenta colocar essas ideias (muitas sem noção rsrsr) em prática. Li esse livro muito rápido, porque a leitura é rápida, divertida e instigante. É um livro que recomendo demais, e que trás tudo aquilo que no outro livro ficou faltando. E ainda trás de volta o casal do primeiro livro, que participam de algumas das cenas mais divertidas da história.

Curta o Dear Book no Facebook


Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta



quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro: como a leitura pode nos ajudar em momentos difíceis

Olá, pessoal!

Hoje, dia 23 de abril, é comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Todos sabemos que a situação atual não é exatamente para comemorações, porém, nós da equipe do Dear Book acreditamos no poder dos livros e decidimos compartilhar de que forma a leitura vem nos ajudando a lidar com esse momento tão incerto. Esperamos que todos estejam bem e, se possível, lendo em casa!

Jayne
Escolhi como minha próxima leitura o primeiro livro da trilogia Função CEO, da autora brasileira Tatiana Amaral. Já tinha ouvido falar dela, e tive o prazer de conhece-la em um evento literário. Só tinha lido um livro dela, que foi Baile de Máscaras, agora vou começar esse aqui, que tem tudo aquilo que gosto em um romance.
Robert é um empresário de sucesso, dominador e que deseja Melissa, sua nova estagiária. O relacionamento enfrenta vários problemas, e acompanhamos essa história cheia de romance, erotismo e drama.
A série já estava encalhada na minha estante faz um tempo e, nesse isolamento social, estou aproveitando para colocar a leitura em dia. Principalmente daqueles livros que estão na fila a muito tempo.


Stephanie
Atualmente estou lendo A história secreta, de Donna Tartt. O livro tem uma história e escrita bem densas, mas consegue prender a atenção graças aos diálogos e personagens marcantes.
Durante esse período, venho recorrendo bastante à leitura como forma de desestressar e ocupar a mente com histórias diferentes. Acho reconfortante ler sobre situações e dilemas que em nada se assemelham aos que vivencio, pois me lembram de que há muito mais na vida do que o presente. Tento sempre pensar que tudo é passageiro e que essa situação em algum momento vai ter fim.


Thaís
Estou lendo Minha história, a autobiografia de Michelle Obama, ex-primeira dama dos Estados Unidos. Tem sido uma leitura muito agradável e cheia de curiosidades. Michelle fala muito sobre sua vida pessoal, mas sem deixar de associá-la a questões sociais, raciais e de gênero, provocando muitas reflexões e ensinamentos aos leitores. Sinto que esse livro está numa crescente, tornando-se melhor a cada capítulo, então estou bem ansiosa pelo que vem pela frente.
Nesse período de quarentena e isolamento social, a leitura tem sido uma ótima ferramenta de distração pra mim. Tanto os livros de não ficção, como a autobiografia da Michelle Obama, quanto os livros de ficção têm me ajudado a escapar um pouquinho da realidade difícil que estamos vivendo e a manter a mente sadia. Já que os livros nos fazem viajar, nada melhor do que estar ao lado deles nesse momento em que devemos todos ficar em casa!

Espero que tenham gostado! Até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

terça-feira, 21 de abril de 2020

Resenha: " Como Agarrar uma Herdeira " (Julia Quinn)


Tradução: Ana Rodrigues

Sinopse: Quando Caroline Trent é sequestrada por engano por Blake Ravenscroft, não faz o menor esforço para se libertar das garras do agente perigosamente sedutor. Afinal, está mesmo querendo escapar do casamento forçado com um homem que só se interessa pela fortuna que ela herdou. Blake a confundiu com a famosa espiã espanhola Carlotta De Leon, e Caroline não vai se preocupar em esclarecer nada até completar 21 anos, dali a seis semanas, quando passará a controlar a própria herança milionária. Enquanto isso, é muito mais conveniente ficar escondida ao lado desse sequestrador misterioso. A missão de Blake era levar "Carlotta" à justiça, e não se apaixonar por ela. Depois de anos de intriga e espionagem a serviço da Coroa, o coração dele ficou frio e insensível, mas essa prisioneira se prova uma verdadeira tentação que o desarma completamente. Um dos livros mais românticos – e engraçados – de Julia Quinn, Como agarrar uma herdeira inaugura a série Agentes da Coroa.

Por Jayne Cordeiro: "Como Agarrar uma Herdeira" é o primeiro livro da série Agentes da Coroa, que até agora tem dois livros publicados. Aqui temos uma Caroline que precisa fugir da casa de seu tutor que quer obrigar seu casamento. Mas os planos de Caroline mudam, quando ela acaba sequestrada, confundida com uma espiã. Blake é um agente secreto do governo, que está uma missão que acaba dando errado, quando sequestra uma inocente moça em vez de uma perigosa espiã. Blake não quer se envolver com a moça, mas a cada dia que passa, ele sente a parede emocional  que ergueu, se quebrar. 

Todo mundo já deve ter percebido que sou fã de um romance de época. E Julia Quinn é uma das divas desse gênero, apesar de não ser  minha autora favorita. E essa série, quem nem é nova, era uma das que ainda não tinha lido dela. E eu gostei do livro. Mas foi um dos mais fracos pra mim, entre todos que já li da autora. O livro tem um enredo bom. Algo mais diferente do que outros livros dela, que mostra o casal na sociedade. Aqui eles ficam sozinhos em uma casa, sem precisar cumprir todas as questões sociais, sem bailes, e com uma boa dose de ação, com espionagem e emboscadas. E o livro ainda trás uma boa dose de cenas divertidas, porque Caroline é um pouco desastrada, e Blake é bem ranzinza.

Mas apesar de tudo, não consegui me apegar ao casal. O romance deles não me conquistou. Acho que uma parte da culpa é do Blake, que foi um personagem muito rabugento. Se associado a isso houvesse uma possessividade, ou um romantismo por parte dele, isso teria compensado. Mas isso não acontece. Acabamos tendo uma mocinha um pouco infantil e um mocinho muito sério, e apesar de terem algumas cenas românticas interessantes, não me conquistaram. Mas o livro não é ruim, e vale a leitura. Mas quando comparado ao segundo livro, ele fica mais abaixo. Trarei logo a resenha desse para vocês.


Curta o Dear Book no Facebook


Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


segunda-feira, 30 de março de 2020

Resenha: "De Repente uma noite de Paixão" (Lisa Kleypas)


Tradução: Ana Rodrigues

Sinopse: Não há espaço para romance na vida da escritora Amanda Briars. Reconhecida no meio literário londrino, ela realiza as próprias fantasias através das personagens que cria em suas histórias de amor. Em nome da liberdade, está satisfeita em viver na solidão.

Amanda só não quer completar 30 anos sem nunca ter experimentado o prazer, e a solução mais discreta é contratar os serviços de um profissional. Quando o homem aparece à sua porta, a atração entre os dois é evidente, mas, para frustração dela, ele interrompe a noite de paixão no meio e vai embora.
Uma semana depois, ela o reencontra em um jantar e descobre que Jack Devlin é, na verdade, seu novo editor. Amanda fica mortificada.
Porém as lembranças daquela noite permanecem vivas na mente dos dois, e basta uma centelha para que o fogo entre eles se reacenda. Só que Jack, filho rejeitado do nobre mais notório de Londres, tem o coração endurecido e não acredita no amor, enquanto Amanda resiste ao desejo crescente em nome de sua independência.
Quando o destino entrelaça suas vidas, suas convicções mais profundas entram em choque. Agora os dois precisam decidir se, depois de conhecerem a verdadeira paixão, conseguirão voltar a se satisfazer com menos que isso.

Por Jayne Cordeiro: Lisa Kleypas é a minha rainha quando se trata de romances de época. Por isso, fui correndo atrás desse novo lançamento dela, e posso já começar dizendo que ADOREI. E para mim ele foi muito inovador na forma como o relacionamento de Amanda e Jack começa e se desenrola. Eu sempre digo que gosto dos livros da Lisa porque eles costumam ser mais passionais, com romances que começam mais rápido do que nos livros da Julia Quinn, por exemplo. Mas neste livro a Lisa consegue bater seu próprio recorde.

Logo nas primeira páginas já temos cenas quentes porque a nossa protagonista Amanda decide contratar um homem para perder a virgindade e conhecer os prazeres da vida, já que é uma solteirona de 30 anos, e não tem pretensões de se casar. E Jack acaba aparecendo e sendo confundido com o contratado. A atração entre o dois é palpável desde o primeiro encontro, o que vira um problema para Amanda depois, quando descobre que o homem seria seu editor. E além desse encontro apimentado no começo, temos um casal que começa um relacionamento amoroso sem ideias iniciais de casamento ou de precisar resguardar a mocinha porque ela tem que achar um pretendente para casar.

Nunca tinha lido um romance de época em que o casal tinham esse tipo de relacionamento antes. E isso foi bem interessante. Sem falar que Jack e Amanda são ótimos personagens. As interações entre os dois são incríveis, e Jack é um sonho, com seu gosto por irritar um  pouco Amanda, e com seu tino comercial implacável. E ele consegue ser um homem bem evoluído e moderno pra sua época. Foi um livro gostoso de ler, que matei em um dia. Trata-se um ótimo lançamento, e diversão garantida para os leitores de romance.


Curta o Dear Book no Facebook


Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

sexta-feira, 27 de março de 2020

Resenha: "A Filha do Conde" (Lorraine Heath)



Tradução: Daniela Rigon

Sinopse: “Era revoltante ver que ela estava ainda mais bonita do que quando a vira pela última vez, quando trocaram juras de amor e fizeram promessas que foram quebradas poucas horas depois… Os anos e a maturidade tinham acrescentado uma graça que Lavínia não possuía aos 17, quando Finn declarara o seu amor.Será que ela ainda se lembrava dos momentos com carinho ou a memória também rasgava seu coração, como fazia com o dele? Lavínia o fizera de tolo. Nenhuma das lembranças que tinha dela deveriam ser agradáveis. Mas, em algumas noites, ainda ficava na cama encarando o teto, porque a imagem dela surgia sempre que fechava os olhos.Cinco anos de sua vida em isolamento, e a única coisa para lhe fazer companhia, para mantê-lo são, era a lembrança que tinha dela. Aquelas memórias eram seu sustento. No começo, ele as invocava para alimentar a sede de vingança, de retribuição, mas a solidão fora aumentando até transformá-las em sonhos. As lembranças traziam a esperança de que o amor estaria esperando em algum lugar, que voltaria a tê-la, sorrindo para ele, rindo com ele, enchendo-o de alegria. Lavínia não era mais sua - na verdade, nunca fora - mas, ainda assim, uma parte tola de si não conseguia se esquecer de quando quase a tivera, aquela garota que amara no passado.”

Por Jayne Cordeiro: "A Filha do Conde" é o terceiro livro da série da Lorraine Heath que venho trazendo as resenhas aqui no blog. E preciso dizer a essa altura, que a Lorraine entrou na lista de melhores autora de romance de época para mim. Os livros delas trouxeram temas relevantes, diferenciados, e ela consegue dar um ótimo equilíbrio entre drama e romance. E esse livro trouxe um tema que me interessou bastante, que é um casal que já tinha uma história passada. E o livro já vem com um gancho do livro anterior ao explicar porque a Lavinia fugiu do casamento e porque se escondeu naquela região.

O enredo desse livro foi o mais emocional e pesado dos três até agora. Ainda existe o tema ligado ao bastardo, e o estigma social, mas também mostra mais das consequências negativas disso. E fala sobre como a nobreza pode ser cruel com os seus próprios. Foi um livro carregado de drama, porque Lavinia e Finn passaram por muita coisa, mas também foi um livro divertido e doce. As interações entre os dois, e como a Lavinia mudou durante esses anos foi ótimo de acompanhar. Eu achei que eles passariam o livro todo se engalfinhando, mas não foi o que aconteceu. 

O livro é muito bom, e acabei lendo ele em menos de um dia. A leitura é gostosa, rápida, e muito interessante. Os personagens secundários são ótimos, fazendo menção especial a Robyn, que já tinha conquistado nossos corações no livro anterior, e que parece conseguir um belo desfecho neste. O casal é envolvente, e é um ponto positivo poder acompanhar o desenvolvimento a longo prazo do casal, já que vemos eles desde a adolescência até a vida maduro. É outro livro que super indico, e estou muito ansiosa para ver os próximos livro da série.

Curta o Dear Book no Facebook


Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta



terça-feira, 24 de março de 2020

Resenha: "Amor de Um Duque" (Lorraine Heath)


Tradução: Daniela Rigon

Sinopse: Gillie Trewlove sabe o valor da bondade de desconhecidos, já que foi abandonada ainda bebê na porta da mulher que a criou. Quando se depara com um homem sendo agredido em sua própria porta ― ou melhor, no beco próximo da sua taverna ―, ela não hesita em ajudá-lo. Porém, o homem é tão bonito que não pode pertencer a um lugar como Whitechapel, muito menos à cama de Gillie, na qual ele precisa ficar para se recuperar. O duque de Thornley está tendo um péssimo dia. Ser abandonado no altar é humilhante, ser salvo de bandidos por uma mulher ― ainda que uma mulher linda e corajosa ― é mais ainda. Após ajudá-lo a se recuperar, Gillie concorda em acompanhá-lo pelas ruas sombrias de Londres em busca da noiva. No entanto, cada momento juntos os leva ao limite do desejo, e faz o duque repensar sua escolha a respeito do casamento. Gillie sabe que a aristocracia nunca iria aceitar uma duquesa como ela, mas Thorne está disposto a provar que nenhum obstáculo é insuperável diante do amor de um duque.

Por Jayne Cordeiro: "Amor de um duque" é o segundo livro de uma série focada em um grupo de irmãos considerados bastardos. O primeiro livro já foi resenhado aqui, dias atrás, que se chama "Desejo e Escândalo". E preciso dizer que gostei muito do primeiro, mas gostei ainda mais desse segundo. Aqui nós temos um verdadeiro conto de fadas, já que há um duque e uma plebeia, que ainda por cima, carrega o estigma de ser uma bastarda. E de novo a autora utilizada dessa questão cultural tão impactante e nada explorada por outras autoras do gênero.

Gillie é uma mulher espetacular. Forte, decidida, independente, mas sem ser fria. Ela consegue ser simpática, atenciosa e não levar desaforo pra casa. Thorne é um verdadeiro duque, que sabe se impor, mas que também é bastante atencioso e justo. Eles dois sabem desde o começo que não há chance para um relacionamento, mas é difícil lutar contra uma atração tão forte, e ainda mais quando envolve duas pessoas que se dão tão bem. Gostei muito de como o romance foi se desenvolvendo aos poucos. No começo, um intrigava ao outro, por virem de mundos tão diferentes, e esse desejo de se conhecerem, leva a esse romance encantador.

O livro é muito bem escrito, com uma história gostosa e envolvente. Os personagens são bem elaborados, e adoro a família da Gillie, principalmente a proteção dos irmãos dela. Ainda há um mistério envolvendo a noiva fugitiva de Thorne, que já serve de plot intrigante e de ligação para o livro seguinte da série "A filha do conde". Resumidamente, "O amor de um duque" é um ótimo romance de época, com uma história cheia de profundidade, e ao mesmo tempo romântica e divertida. É uma ótima recomendação de leitura para esses tempos conturbados que vivemos. Vocês vão gostar.


Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta




sexta-feira, 13 de março de 2020

Resenha: "Desejo e Escândalo" (Lorraine Heath)

Tradução: Thalita Uba

Sinopse: Mick Trewlove é o filho bastardo do duque de Hedley, mas ninguém sabe disso. Mesmo depois de se tornar um empresário de sucesso, ele ainda busca vingança contra o homem que o abandonou. E qual a melhor forma de fazer isso do que seduzir a noiva do filho legítimo do duque? Lady Aslyn está noiva do conde Kipwick, filho único do duque de Hedley, mas se vê, inesperadamente, apaixonada pelo misterioso bilionário Mick Trewlove. Durante os passeios pelos parques de Londres, ela começa a desconfiar de que algo se esconde por trás do sorriso sedutor, mas não tem certeza. Quando os segredos são revelados, uma reviravolta inesperada surpreende Mick, que terá que escolher entre manter seu plano de vingança ou ser feliz.

Por Jayne Cordeiro: Temos aqui mais um romance de época que me conquistou demais. É o primeiro livro da Lorraine Heath que eu leio, e gostei muito dele, por trazer um enredo bem diferente. Para começar, o protagonista Mick é um empresário de sucesso, sem nenhuma ligação com a nobreza, e ainda por cima um bastardo. Mas ele sabe quem é seu pai e desde cedo planeja sua vingança contra o homem que o abandonou. Já Aslyn, é filha de nobres, que foi criada como protegida do pai biológico de Mick. Por vingança, este decide se aproximar de Aslyn e usá-la.

A ideia de trazer um bastardo como protagonista foge dos padrões de homem aristocrata, e nesse caso a mocinha é a nobre. O livro aproveita para mostrar uma realidade de antigamente que era o abandono de bastardos filhos de nobres e o que acontecia com essas crianças. Além disso temos um casal que é muito simpático. Mick tem um jeito mais bruto em relação aos nobres, mas isso torna ele mais atrativo, além de ser rico e protetor, do jeito que eu gosto. Asly sempre foi muito protegida pela família, vivendo como uma verdadeira lady. E se envolver com Mick a leva para fora da sua zona de conforto.

O romance dos dois demora um pouco para acontecer, mas desde o começo é muito interessante acompanhar os dois  juntos. Seus diálogos e pensamentos fazem a leitura passar bem rápido. E o livro ainda conta com um final muito bom, trazendo uma surpresa, que foi um dos pontos máximos da história. Para mim, foi uma ótima apresentação a autora, que mostrou uma escrita fácil, envolvente, na medida certa de romance, drama e diversão. Os dois livros seguintes da série já foram lançados, sendo que o próximo "Amor de um Duque", traz como protagonista uma das irmãs postiças de Mick, que também foi abandonada quando criança. Logo devo trazer a resenha dela aqui no blog também.



Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta



 
Ana Liberato