segunda-feira, 16 de julho de 2018

Resenha: O Livro do Bem – Gratidão (Ariane Freitas & Jessica Grecco)


Conheça as Indiretas do Bem

Por Kleris: Quando o livro chegou, eu não estava tendo uma boa semana (ou mês!). Tinha passado mal por alguma virose por uns dias, o que interferiu no meu sono, também estava chateada com algumas pessoas, enquanto tinha que conviver com outras estava metralhando negatividade pra todo lado. Meu rendimento caiu consideravelmente, minhas atividades estavam acumulando e isso tudo gerava muita culpa. Cansaço, frustração, mágoas e bads eram tudo que eu tinha. Como poderia ser ou estar grata?

Este é um livro especial, porque é sobre uma prática que vai mudar sua vida: a gratidão. É oportunidade de aprender a se conectar melhor com o mundo exterior e desenvolver sua atenção e sua respiração para que sua vida se torne mais leve. É, também, a chance de olhar com mais carinho para os momentos da sua vida e perceber o quanto ela é incrível – ainda que você, muitas vezes, deixe isso passar batido.

Este é um livro sobre tudo o que você sente e como reage a cada acontecimento vivido. E ele só estará pronto quando você preenchê-lo com sua rotina e as suas verdades. Será que você tem vivenciado a gratidão – não a palavra bonita, conhecida e adorada por tantas pessoas –, o sentimento real?

Pois é, fiquei apreensiva logo de cara, mas a curiosidade falou mais alto (ainda bem!). Baixei minhas expectativas, abri o livro. Quando dei conta, já estava imersa nas atividades. Até fiz umas dobraduras de origami! Pensei: é um livro de pequenos exercícios diários, então tenho que fazê-las mesmo que só pra experimentar e ver no que vai dar. Só fazer conforme vierem.



Engana-se quem acha que gratidão é sinônimo de felicidade e que para desfrutar dessa gratidão, é preciso estar no seu melhor momento. A proposta do #livrodagratidão é justamente desconstruir essa ideia e trazer o melhor de nós, de dentro pra fora. Como? Nos colocando a aceitar as sensações, validá-las e praticar o dinamismo das emoções, colocando tudo isso em perspectiva. É o que se poderia chamar de um potinho de sentimentos para os bons e maus dias, um potinho particular de amor que faz a gente se sentir bem com a gente mesmo e com o que possui.


A propósito, separe seu lápis, borracha, e ative o “modo busca” no departamento das memórias, que você vai precisar!

Mais que um livro de exercícios, o livro da gratidão é um livro de aprendizados – rápidos, diretos, incisivos. Ele só pede um pouquinho de atenção por dia, para te acompanhar por todo o ano (!) e retrabalhar nossas percepções (interior e exterior) das coisas (de si e do mundo). Quem curte escrever – e escrever em agendas/planners – vai curtir bastante, pois a maioria das atividades envolve escrita e autoconsciência. Se você é fã ou não de livros interativos, não importa na verdade, pois a proposta do livro não é testar conhecimentos, nem testar nossas resistências ou fazer anotações pela simples anotação. É mais voltado para você reconquistar a si mesmo; um resgate necessário.


Há, por exemplo, exercícios que listam nossos valores, qualidades, armaduras emocionais, coisas que gostamos... São coisas que na correria do dia a dia e no detrimento de nossos sentimentos, vamos deixando pra lá, sem perceber o quanto fazem diferença para nossa energia vital. Há também variados exercícios de respiração (AMEI ESSA PARTE) para achar o seu ideal, origami, playlists do bem, mensagens e palavras do bem, que vão fazer diferença num despertar pós momento obscuro. Estou até reconsiderando fazer meditação...



Dá, aliás, pra aliar certinho com a terapia (se você faz) – algumas coisas cruzaram com a minha e outras eu já fazia, o que acredito que vá ajudar mais ainda se você tem dúvidas sobre procurar um profissional. Por via das dúvidas, é um livro que joga a corda pra te trazer pra cima, e é definitivamente um livro para ficar muito tempo na sua cabeceira.



A mistura dos conteúdos é maravilhosa, ao modo passo a passo com práticas fáceis, e acho que posso dizer que as definições de potinho de âncoras* estão atualizadas. Trata-se assim de uma experiência que, quando realizada com regularidade, só traz a paz, segurança e serenidade tão procurada no mundão de hoje. O que me faz lembrar os livros da Brené Brown, sobre se sentir capaz, suficiente e merecedor de amor. Aliás, uma das coisas mais incríveis desse livro é que ele reflete bem o perfil (do insta!) de se cuidar um tantinho por dia. Foi algo excelente por parte das autoras e da editora. E por isso mesmo, já quero a coleção completa do bem <3



A vocês, leitores, um último recado: só vão, abram o livro, e deixem a magia do amor-próprio, da compaixão, da gratidão, acontecer.

*âncoras – algo que você foca para se manter bem ou algo que você gosta te faz sentir bem e é mantido por perto. Auxilia durante a meditação ou processos de relaxamento.

Tenham todos uma boa jornada!

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Resenha: "Reinado Imortal - A Queda dos Reinos, vol. 06" (Morgan Rhodes)

Tradução: Flávia Souto Maior

Por SheilaOi pessoas! Como estão? E chegamos ao final da série A Queda dos Reinos! Todos os outros cinco livros já foram resenhados aqui no Dear Book por euzinha que vos escreve!

Vou deixar para vocês os links das resenhas anteriores e, como eu sempre aviso, se você não leu os mesmos, a partir daqui, é inevitável que tenhamos alguns spoilers.


A Queda dos Reinos - vol 1.
A Primavera Rebelde - vol 2
A Ascensão das Trevas - vol 3
Maré Congelada - vol 4
Tempestade de Cristal - vol 5


E continuamos a partir daqui com Reinado Imortal. Só relembrando:


- A história se passa em Mítica, que é dividida em três reinos, Limeros, Paelsia e Auranos.

- Limeros e Paelsia são reinos em decadência, que veem em uma discussão entre jovens que acabou muito mal um motivo para invadir a próspera Auranos.

- O rei de Limeros, Gaius Damora, na verdade esta seguindo as orientações de uma Vigilante.

- Vigilantes são seres míticos que detém poder incomensurável, sendo que todos os passos do rei Gaius são na verdade uma forma de encobrir sua caça à Tétrade, que são quatro cristais que supostamente contém magia.

- A princesa Cleiona, unica sobrevivente da família à invasão de seu reino, Auranos, é obrigada a se casar com Magnus, príncipe de Limeros, afim de consolidar uma aliança política.

- Lúcia é a irmã adotiva por quem, Magnus, viveu muitos anos secretamente apaixonado, uma grande feiticeira que veio cumprir uma profecia.

- Jonas é um rebelde Paelsiano, que começa a história matando por vingança, e agora busca aliados para restaurar a justiça nos três reinos.

- Ioannes e Melenia eram vigilantes, e foram mortos ao fim de "Ascensão das Trevas". Ioannes era o tutor de Lúcia, por quem esta estava apaixonada; Melania era a vigilante que ajudava Gaius, mas que na verdade só queria libertar Kyan, deus do fogo, preso na pedra da Tétrade.

- Amara e Ashur são príncipes de Kraeshia que vieram a Mítica em busca da lenda da Tétrade. Ao fim de Tempestade de Cristal, Amara estava casada com Gaius, o Rei Sanguinário e Ashur desaparecido acusado de traição.

No fim de Tempestade de Cristal, Cleo e Magnus, que realizaram uma aliança improvável com o Rei Gaius, são traídos por sua avó que desde o início queria realizar um ritual para libertar os quatro deuses imortais da Tétadre. Para isso, escolheu quatro hospedeiros: A princesa Cleiona, seu amigo Nic, a Vigilante Olívia e o rebelde Taran. Como o Rei Gaius conseguiu matá-la antes do fim do ritual, este não se consolidou como deveria. Ficaram Cleo e Taran com os Deuses contidos em seus corpos, mas ainda no domínio de si; e Nic e Olívia tomados pelos Deuses, mas não de maneira completa.

Magnus havia sido preso por um antigo desafeto e enterrado vivo, para morrer lentamente. Já Jonas impediu que a profecia que previa a morte de Lúcia se concretizasse, ao emprestar um pouco de seu poder para ajudá-la a dar à luz a Lyssa, sua filha com Ioannes.

O livro 6 começa praticamente onde o anterior terminou. Vamos encontrar Jonas em uma pousada com a Princesa Lúcia e a pequena recém nascida Lyssa, ainda sem entender muito bem qual seu papel nisso tudo, já que as informações cedidas pelos vigilantes são sempre muito escassas. Ele só sabe de duas coisas: não deixou que uma antiga profecia se concretizasse, e que possui em si uma magia que não sabe como controlar.
Os cílios escuros de Lucia tremulavam. Ela abriu os olhos e encarou Jonas.
- Que... que droga eu acabei de ver? - Jonas perguntou com a voz grossa. - Foi apenas um sonho? Ou foi uma visão do futuro?
- Você estava dentro da minha cabeça - ela sussurrou. - Como isso é possível?
- Eu... não sei.
Enquanto Jonas precisa lidar com sua magia recém descoberta, Cleo tenta entender o que aconteceu com Magnus, e também tentando se adaptar ao fato de que agora há um elementia dentro de si, lutando para assumir o controle. No mal fadado ritual executado pela mãe do Rei Gaius, coube a Cleo ser o novo corpo do Elementia da água. Mas, contrariando o desfecho esperado, ela ainda continuava ali, assim como Taran.


- Como esta se sentindo? - Amara perguntou, hesitante. - Não vi você o dia todo.- Estou bem o suficiente. - Cleo fechou a mão esquerda, que agora tinha o desenho de duas linhas onduladas paralelas, o símbolo da água. A última pessoa que havia compartilhado a marca tinha sido uma deusa.Mas Cleo não se sentia uma deusa. Ela se sentia uma garota de dezessete anos que não tinha dormido nata na noite anterior  depois de acordar assustada de um sono extremamente realista em que estava se afogando.
Amara, quando percebe que nada mais foi que um joguete nas mãos de Kyan, o Elementia do fogo, resolve retornar a Kraeshia onde será coroada imperatriz. Seus sonhos em relação à Tétrade são abandonados, mas seu coração parece ter ficado para trás. Apesar de casada com o Rei Sanguinário foi uma relés criada quem conseguiu, de fato, conquistar seu coração.

Após um instante, Amara abriu os olhos. Seu estômago se revirou. Nerissa Florens estava caminhando em sua direção.
A ex-criada da imperatriz e espiã secreta rebelde em tempo integral - secreta, pelo menos ate muito recentemente - parou diante dela.
Mai uma pessoa que Amara deveria evitar. 

Era o desfecho esperado, mas tudo aconteceu muito rápido. Mortes, acertos de contas, amadurecimentos de pontos de vistas de personagens. Pareceu aqueles finais de temporada de séries que estão prestes a serem canceladas, e os produtores resolvem todos os conflitos em um único episódio. Infelizmente, isso fez com que algumas passagens ficassem um pouco forçadas e previsíveis, e aquele clímax, que permeou toda a saga, acontecesse muito pouco.

Mesmo assim, enquanto saga, é uma história maravilhosa, bem escrita, envolvente, cheia de reviravoltas, magia, romance, lutas sangrentas, perdas terríveis e vitórias sofridas. Afora essa "apressada" no final, recomendo muito!

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

[Cineclube]: Arranha-Céu - Coragem Sem Limite





Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.







Titulo: Arranha-Céu - Coragem Sem Limite
Data de lançamento (Brasil): 12 de julho de 2018
Diretor:  Rawson Marshall Thurber
Elenco principal: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han, Roland Møller, Noah Taylor, Byron Mann, Pablo Schreiber, Adrian Holmes.
Gênero: Ação, Suspense.


Responsável pela segurança de arranha-céus, o veterano de guerra americano e ex-líder da operação de resgate do FBI, Will Ford (Dwayne Johnson), é acusado de ter colocado o edifício mais alto e mais seguro da China em chamas. Cabe ao agente achar os culpados pelo incêndio, salvar sua família que está presa dentro do prédio e limpar seu nome.


Hoje estreia nos cinemas brasileiros o novo filme de Dwayne Johnson, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite. E posso dizer, que pra mim, foi dos melhores dele, de que me lembro. E vou te dizer porque. Os filmes de ação em geral, muitas vezes não possuem histórias muito profundas ou não se importam em tirar uma boa atuação do ator. O importante é muita explosão, tiro e cenas de luta. Bom, temos tudo isso em Arranha-Céu, mas eu gostei desse filme porque ele se diferenciou em outra coisa.


Normalmente os personagens do Dwayne Johnson são impetuosos, extremamente corajosos, e não pensam duas vezes em fazer nada e mal sentem  sofrem quando fazem as ações mais extravagantes. Sem falar que a atuação não é um dos focos. Mas neste filme, eu percebi que seu personagem Will veio diferente. Ele não possui uma das pernas, e em alguns momentos ele passa por situações complicadas por causa disso. Nas cenas, se percebe que o personagem faz um esforço maior em alguns momentos, sofre em outros, toma coragem pra fazer algumas coisas e nem sempre resolve tudo. Resumidamente, eu gostei de como ele pareceu mais humano. Mesmo que ele ainda faça coisas que para quem assiste ainda parece fora da realidade.


Fora isso, o filme apresenta ótimos efeitos visuais, as características do prédio, que é quase como algo vivo, são super criativas e interessantes. Sobre os efeitos, gostei muito das cenas de altura, em que o telespectador vê de cima para baixo, e dá aquele "frio na barriga" pela altura. O que em 3D, ficou ainda mais verossímil. Mas acredito que é apenas por isso que o 3D vale a pena. Ele compensa por dar mais realismo as cenas de profundidade, mas não existe aquele jogo de jogar coisas na sua direção ao algo assim.


Sobre o elenco, gostei de ver a atriz Neve Campbell (conhecida pelos filmes Pânico) de volta aos cinemas, em um papel de destaque, e como mais do que apenas a esposa que Will precisa salvar. Arranha-Céu é filme de ação bem interessante, que não perde tempo, e cria uma história bem movimentada. Tem um elenco legal, com direito a todas os itens do gênero, como cenas de luta, explosões e etc. E é um filme que dá pra ser visto em família também. Com certeza é uma boa opção de lazer para o fim de semana.









Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resenha: “Relatos de um Gato Viajante” (Hiro Arikawa)


Tradução de Rita Kohl

Por Kleris: Relatos de um gato viajante é um título suficientemente chamativo para os gateiros dessa vida, né não? E nem precisa ter um pet com a gente pra querer esse livro de pronto. E se a gente ouve/lê falar tão bem dele, vamos com toda uma gana de amorzinho. Mas não foi dessa vez... comigo.

Nana é o nosso narrador-mor, viajando pelas estradas do Japão, em busca de um novo lar. Acontece que seu cuidador, Satoru, não pode mais cuidar do pequeno felino e essa viagem (uma road trip!) é para ir atrás de amigos que poderiam adotá-lo. A cada parada, o leitor e Nana conhece mais sobre a dura vida desses humanos e como suas amizades e histórias de vida se cruzaram de forma fortuita. Além de Nana, temos outras narrações inesperadas para estender a visão da trama.

Relatos de um gato viajante é um livro do tipo “histórias de vida”, que prima pelo mais puro dos amores: a amizade. Nana é um gato teimoso, mas esperto, carinhoso, leal e, como todo animal, só precisa de amor e atenção. Satoru preenche seu coração assim como Nana preenche Satoru. Apesar de terem se conhecido só na fase adulta, dividem um companheirismo e carinho dignos de um amor para o resto da vida. Mas, infelizmente, eles precisam se separar e Satoru precisa achar um novo cuidador. O grande mistério da trama não é com quem Nana vai ficar, mas sim o porquê dessa separação.

Embora seja uma boa premissa, não senti cuidado da aurora com a história – e aqui morou meu incômodo. Sabe a sensação de ter a faca e o queijo na mão, mas não saber manejar o utensílio? Boa escrita e boa trama não necessariamente garantem um bom livro – o que parece ter sido o caso aqui; é preciso saber levar.

O livro é uma colcha de retalhos, coisa que a sinopse é até honesta: há muitos pontos de vista para acrescentar uma visão das histórias de vida dos muitos personagens. Só que esse recurso parece que não foi bem utilizado, sabe? Ora está em primeira pessoa, ora em terceira e se você não tem costume com nomes japoneses, é batata se confundir em quem é quem ou quem tá falando ou sobre quem se tá falando e vira uma bagunça.

Essa voz alternada, que só parece querer apelar e acrescentar drama, não ajuda muito; fica tudo muito disperso e se perde do propósito. A sensação é de que a autora não soube se decidir em como mostrar a história e ficou só adicionando coisas. Não soube sustentar os pontos de vista. Pra dificultar ainda mais as coisas, há trechos em que o livro se utiliza de negritos ou itálicos para diferenciar quem tá falando, e em outros não se usa o mesmo artifício pra demonstrar e, o que já era bagunçado, fica mais fácil de perder a paciência com a narração. 
A água cintilava ao sol com aquela cor bonita, um verde-petróleo... E o mais importante era que lá no fundo desse oceano verde brilhante estavam alguns dos ingredientes do Premium Blend Peito de Frango & Consomê de Frutos do Mar. Só de pensar nisso, fico apaixonado. Ai, babei. 
Hoje não está tocando aquela música das pombas voando da cartola.
Em vez disso, estamos ouvindo rádio. Talvez seja para dar um descanso ao leitor de CD. Já fazia algum tempo que um homem de certa idade, com voz elegante, elogiava um livro. Parece que ele era ator.

Outra coisa que também é irritante é o ponto de vista de Nana – esperei um livro que me prometia uma história de vida de um gato no ponto de visão de um gato. Não é isso que acontece, pois Nana é muito humanizado. Não me passou a ideia de que era a visão de um gato, mas sim de uma pessoa presa no corpo de um gato. Ora ele sabe exatamente tudo e sabe descrever as coisas perfeitamente como um ser humano, ora ele não sabe de nada e se passa por ingênuo diante das coisas humanas. Não há uma personalidade clara, não convence. De novo, o ponto de vista não se sustenta. Ou melhor, não se respeita a própria visão. Isso acaba por subestimar muito o leitor – e os leitores gateiros, sem falar que desperdiça toda uma história bonita e seus personagens interessantes. 
Volta volta volta volta volta! Eu sou seu gato até o fim!

Apesar dos apesares – e de ter praticamente ativado uma leitura dinâmica, consegui em alguns poucos momentos me emocionar pela relação de Satoru e Nana. Não é o bastante pra largar osso do que incomoda o livro inteiro, mas é algo. Tive ainda empatia por alguns personagens e suas problemáticas familiares, como Kosuke, cujo pai abusivo lhe desgraçava a cabeça, ou Daigo, que tentava suprir a ausência dos seus. A resiliência de Satoru também tem muito a dizer.

Seria um lindo infantojuvenil de escola se não fosse essas questões que acima descrevi. Uma road trip e uma viagem emocional na visão de um gato? É uma ideia interessante e, pelo jeito, foi muito para Hiro segurar. No mais, é uma leitura leve para ir sem muitas pretensões – sendo um gateiro ou não. 
Neste mundo, as paisagens que um gato jamais verá são muito maiores do que tudo o que ele chega a conhecer. 
Desde que a gente partiu, eu já conheci duas cidades onde você cresceu. Já conheci uma vila de agricultores. Conheci o mar.
O que mais a gente vai ver até o fim desta viagem?

Até a próxima!


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quinta-feira, 5 de julho de 2018

[Cineclube]: Cargo






Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.






Titulo: Cargo
Data de lançamento (Brasil): 18 de maio de 2018
Diretor:  Ben HowlingYolanda Ramke
Elenco principal: Martin Freeman, Simone Landers, Anthony Hayes, Caren Pistorius, Kris McQuade, Susie Porter, David Gulpilil.
Gênero: suspense, drama, terror



Andy (Martin Freeman) corre contra o tempo para salvar sua filha. Infectado por um vírus de uma pandemia zumbi, ele tem apenas 48 horas para encontrar um lugar seguro a fim de proteger a criança. A salvação que o pai procura pode estar em um tribo aborígene isolada, mas para ter acesso ao grupo, ele terá que ajudar uma jovem indígena em uma missão perigosa.



Cargo é um filme que estive bastante curiosa para ver, porque adoro histórias com zumbis (mesmo que a maioria dos filmes seja bem clichê) e porque ele prometia bastante tensão ao colocar um bebê em meio a todo o perigo que é um mundo destruído por uma epidemia que promete criar zumbis. E para completar tem a questão do tempo. Em 48 horas, Andy terá sido completamente infectado e representará um perigo para a sua filha Rosie. Então começa a busca por um lugar seguro e com pessoas que possam proteger a criança.


Se você está procurando um filme de zumbis estilo Resident Evil, cheio de ação e mortes, Cargo não serve para você. Neste filme essa transformação em zumbi (o jeito mais fácil de chamar) é tratado como uma doença contagiosa, como acontece em Guerra Mundial Z, e o mundo já parece devastado pela doença. Existem alguma cenas em que essas pessoas já infectadas aparecem, mas o foco do filme não é a morte ou sangue, mesmo que esses itens apareçam. Na verdade, é como se tudo isso fosse apenas plano de fundo da história.


O filme é muito sobre as relações familiares e como elas mudaram devido a doença que se espalhou pelo mundo. E colocar um bebê no meio disso tudo é genial, porque a todo momento você se preocupa com o futuro dela. O que acontece com essa criança se a única coisa que a protege do perigo é o seu pai e agora ele tem um prazo para se tornar esse perigo também? Então a todo momento você fica naquela tensão, esperando que algo aconteça.


O filme não se passa o tempo todo apenas entre pai e filha fugindo dos zumbi, enquanto ele busca um lugar seguro para ela. Diversos outros personagens aparecem no decorrer do filme, em diferentes situações. Alguns representando perigo e outros não. Um destaque bastante especial para a triz juvenil Simone Landers que está muito bem na sua estreia, e que tem um papel bem maduro e diferente para uma criança em filme de zumbi.

Cargo é um filme pós apocalíptico e une o suspense/terror dos zumbis com um drama bem interessante sobre família. As atuações estão muito boas, e a caracterização dos zumbis está bem legal. Acredito que é um filme que vale a pena ser visto. Que vai te causar aquela tensão esperada, mas que pode até de levar a derramar algumas lágrimas também.









Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Resenha: “Dom Casmurro” (Machado de Assis)



Por Kleris: Tudo começou com um meme (disponível no fim deste post). Quer dizer, no ano passado, durante a época da votação do cronograma de leitura do Clube que participo, uma amiga fez campanha para Dom Casmurro (e o resultado acabou por ser A hora da estrela). Daí recentemente, numa conversa com leitores, reavivou-se um meme literário que sugeria mais que um bromance entre Bentinho e Escobar. Encucada com umas impressões mais, resolvi tirar a prova – reli Dom Casmurro.

Pra quem ainda tá por fora desse clássico nacional, te deixo a par da trama: Bento Santiago é um cara solitário que então conta sua história de vida. O cara é tão fechado em si que um moço do bairro o apelidou de “Dom Casmurro”. Mas nem sempre ele foi assim. Ele era alegre, espevitado e tinha uma paixão desde menino que passou por muitos percalços porque a mãe fez uma promessa para que ele fosse padre. É no seminário onde se prepararia para a batina que conheceu Escobar. Ambos conseguem se safar do destino religioso.

Bento casa com Capitu, Escobar com Sancha, melhor amiga de Capitu. Aí que eles viram amigos inseparáveis. Tem seus filhos e se aproximam ainda mais. Um dia, Bento diz que percebe que Sancha deu em cima dele. Logo, traços de seu filho começam a ficar muito parecidos com de Escobar. Os ciúmes que Bento tinha entram em ebulição e paranoia. Sobram por fim só suas tormentas e dúvidas, estas que lhe afetaram sua vida e devem justificar a alcunha de “Casmurro”.

Minha primeira leitura foi há pouco mais de 5 anos, na faculdade, muito guiada pela pergunta clássica – a suposta traição de Capitu. Desta vez, preferi deixar isso de lado e só segui com as impressões. Interessante é que havia notinhas minhas da leitura anterior no meu exemplar e isso ajudou bastante na hora confrontá-las. Considerei, claro, a época de publicação de Machado. Não tem como fugir do realismo do autor. Aliás, o texto revela que tem coisinhas que até Machado deixou passar, porque sua época de vivência tinha uma compreensão bem limitada (machista e patriarcal).

Dom Casmurro é um excelente livro – mas com um século de interpretações questionáveis. A premissa que todos conhecemos (e nos foi repassada por gerações) é sobre uma dúvida quanto a uma suposta traição, e não sobre um cara amargurado falando de seu objeto de afeição que não atendeu suas expectativas (que é o que me parece ser). E, traindo ou não traindo, Capitu é crucificada – dissimulada em seus “olhos oblíquos e de ressaca”. Não há vez para a mocinha. Mas e Bentinho? Alguém alguma vez questiona Bentinho?

Bento é um exímio narrador, isso é inegável. Te enrola tão bem que é fácil cair em sua paranoia. Isso se você estiver procurando respostas pra pergunta que acompanha a reputação deste livro. Mas se você para pra “ouvir” Bentinho, pensa na sua mágoa, e como pessoas se comportam quando assim estão, isso muda o quadro geral. 
Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa de Engenho Novo, reproduzindo a de Matacavalos... A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida [...]

Fato é que somos levados a cair no papo de um desvairado (ele vê o que quer ver), o que nos leva a mais um caso de romantização de abuso. Isso se prova pelo fato de que não haveria história se fosse o inverso. 

O personagem de José Dias também contribui muito para essa percepção torpe de Bento. Quase um tutor ao garoto/homem, o agregado não era das pessoas mais recomendadas para cuidar de Bentinho. Ele mesmo tinha umas rixas com o pai de Capitu, o Pádua. Há quem diga que isso não passava das denúncias sobre os comportamentos questionáveis da sociedade e toda uma hipocrisia, mas aqui vou além. O cara era abusivo, do tipo narcisista mesmo. Plantava a discórdia e saía correndo. Era o perfeito embuste.  
— [...] Não digo isto por ódio, nem porque ele fale mal de mim e se ria, como se riu, há dias, dos meus sapatos acalcanhados...
— Perdão – interrompi suspendendo o passo –; nunca ouvi que falasse mal do senhor; pelo contrário, um dia, não há muito tempo, disse ele a um sujeito, em minha presença, que o senhor era “um homem de capacidade e sabia falar como um deputado nas câmaras”.
José Dias sorriu deliciosamente, mas fez um esforço grande e fechou outra vez o rosto; depois replicou:
— Não lhe agradeço nada. Outros, de melhor sangue, me têm feito o favor de juízos altos. E nada disso impede que ele seja o que lhe digo.

Capitu me parece apenas uma personagem imperfeita, que tem sua personalidade, mas sem malícias, sem interesses de intrigas. Ela merecia mais. Escobar era outro que merecia mais também. Tinha ele mais respeito pelo bromance que Bentinho nem um dia podia imaginar. Acho que as consequentes críticas do livro preferiram rotular isso como mera “ambivalência psicológica”. E acho que Bento (ou Machado) que não entendeu sobre certas investidas. 
Capitu era Capitu, isto é, uma criatura muito particular, mais mulher do que eu era homem. 
Como era possível que Capitu se governasse tão facilmente e eu não? 
Um amigo supria assim um defunto, e tal amigo que durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se não visse desde longos meses.
— Você janta comigo, Escobar?
— Vim para isto mesmo. 
Escobar apertou-me a mão às escondidas, com tal força que ainda me doem os dedos. É ilusão, decerto, se não é efeito das longas que tenho estado a escrever sem parar.

Isso tudo, no entanto, nada fere o mérito de Machado de Assis. Ele foi brilhante. O modo como conduziu e fez muitos caírem na história de Bento, como reproduziu nas linhas a revolta, a amargura, a obsessão de um sujeito comum, assim como seu apego às memórias e às idealizações... Acho que é porque é tão natural confiarmos e torcermos pelo narrador.

O fato de Machado jogar a bola pra gente, de fazer a interpretação do caso, também é impressionante. Mas às vezes não deixo de pensar que pintam o autor mais do que ele foi... Nesse caso, tenho que ler outros de seus trabalhos para averiguar melhor isso. Quem sabe? 
É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim, preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas.

Há ainda muitas referências universais da época. Indico que você tenha um exemplar com notas de rodapé e textos extras para te auxiliar um pouco na compreensão da época – cotidiano, hábitos, expressões. A edição da L&PM, de 2008, tem todo um aparato.

Dom Casmurro é assim um livro sobre um cara que não sabe perder, culpa tudo e todos ao redor e tampouco é humilde de assumir o que fizera. É a típica pessoa que coloca no outro uma responsabilidade absurda por tudo o que faz. Queria uma felicidade que só competia a ele ser feliz, queria um casamento que seguisse seus preceitos. É sobre alguém que não aprendeu a dar espaço, nem a respeitar a mulher, e preferiu seguir uma vida amargurada. Suas lembranças, claro, são bem seletivas em demonstrar o “pior” do outro, mas esquece (sempre) de olhar para si. Reconsiderem isso numa próxima leitura ;)

Fiquei puto porque não consegui controlar o seu pensamento
Mas amei você, amei você, mas amei você
Mas amei você, amei você, mas amei você
Pode agradecer



Até a próxima!

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Ana Liberato