quarta-feira, 18 de abril de 2018

[Além das páginas] Extraordinário (livro de R.J. Palácio)



Por 💝Sheila💖:


OI pessoas! Trago a vocês hoje o primeiro post de nossa nova coluna! A proposta da mesma você encontra no nosso primeiro post aqui. E para nosso estréia, gostaríamos de discutir um livro/filme com uma proposta muito bonita: Extraordinário, da autora americana R.J Palácio.

Nesse drama, seremos apresentados a August Pullman, ou Auggie para seus amigos e parentes. Auggie nasceu com uma síndrome genética cuja sequela e uma severa deformidade facial, que o fez passar por inúmeras cirurgias e outras complicações medicas. Em função disso, nunca havia frequentado a escola, e é justamente a respeito desta transição difícil que o livro irá tratar.

Assim, Auggie terá de lidar com as dificuldades de ser um novo aluno, começando a frequentar a escola somente no quinto ano, tendo um rosto bastante diferente. A autora irá abordar a temática de uma forma simples, mas cativante, alternando a narrativa entre os diferentes personagens, todos muito bem construídos, para nos contar uma história cheia de emoção e superação.

O longa que foi para as telonas em dezembro de 2017 foi estrelado por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) no papel do protagonista, Julia Roberts como Isabel, mãe de Auggi e  Owen Wilson, no papel de Nate (pai de August). No elenco infantil teremos   Izabela Vidovic (Via)  Jack Will (Noah Jupe),  Summer (Millie Davis)  e Julian ( Bryce Gheisar).

No filme, vamos encontrar Auggie em meio aos preparativos para conhecer, já no dia seguinte, a escola em que estudará, após passar muitos anos estudando em casa. Num primeiro momento, ele usará bastante um capacete, o que nos fará ficar na expectativa sob como será seu rosto, principalmente se você, como eu, preferiu não ver os trailers.

Aqui, confesso que, pela descrição da autora do livro, esperava que existisse algo visualmente mais difícil, uma deformidade maior. Mas entendemos que talvez isso tenha sido atenuado de maneira proposital, a fim de não chocar em demasia as pessoas que assistiriam.




A caracterização dos personagens fica muito fiel ao livros, bem como o desenrolar da história em si, principalmente levando-se em conta de que a produção segue o estilo da autora, pegando os diferentes pontos de vista dos diferentes personagens que compõem o enredo, e dando sua perspectiva dos acontecimentos.

Uma pequena observação poderia ser feita a respeito do final, pois parece que a parte que fica sob a perspectiva de Miranda é estendida, talvez a fim de evitar a repetição de personagens, o que deixou um pouquinho, levemente, confuso. Claro que provavelmente isto não tenha nem sido notado aos que apenas assistiam ao filme, sem ler o livro.

O papel de Auggie é muito bem interpretado por Jacob, bem como a atenção dada a construção do personagem em si, situações narradas que são excluídas do longa, mas que transparecem em cuidados e pinceladas sutis ao longo da história: sua propensão às ciências, ao espaço, sua predileção pela saga Star Wars, o que nos faz remeter ao livro a todo momento.

Claro, como uma boa amante da literatura, senti falta de algumas passagens, de ver exploradas algumas nuances, mas isso não torna o filme ruim, bem pelo contrario. A excelência da interpretação pelos atores fez inclusive com que eu me emocionasse um pouquinho mais com algumas cenas do filme do que me emocionei lendo o livro.

Ou seja, como adaptação, funciona muito bem ao conseguir trazer para as telas o essencial da obra.

Recomendo


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Resenha: "Branca de Neve - Os contos clássicos" (Alexandre Callari)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão todos e tod@s? Trago a vocês hoje a resenha de um livro que eu queria ler a muitooooo tempo! Já confesso que adoooroo esse mundo dos contos de fadas e tudo que a ele se relaciona, e que de todos Branca de Neve é um dos meus favoritos!

Lançado pela Editora Generale, eu esperava que este livro fosse apenas uma coletânea dos contos clássicos por detrás do que foi popularizado pelos estúdios da Walt Disney, mas foi uma grata surpresa descobrir que ele vai muito além do esperado.

O livro é dividido em três partes:

Na primeira, vamos adentrar o clássico escrito pelos irmãos Grimm em 1857, intitulado "Pequena Branca de Neve" e que mais se assemelha ao seu tão famoso longa adaptado pelos estúdios Disney em 1937.

Há muito e muito tempo, bem no meio do inverno, quando os flocos de neve caíam do céu leves como plumas, uma rainha estava sentada costurando junto a uma janela com esquadrias de ébano. Costurava distraída, olhando os flocos de neve que caíam lá fora e, por isso, espetou o dedo com a agulha e três gotas de sangue caíram na neve. Aquele vermelho em cima do branco ficou tão bonito que ela pensou: "Eu queria ter um neném assim, que fosse branco como a neve, vermelho como o sangue e negro como a madeira da moldura desta janela."Algum tempo depois, ela teve uma filha, que era branca como a neve, vermelha como o sangue e tinha cabelos negros como o ébano. Deram a ela o nome de Branca de Neve, mas, quando ela nasceu, a rainha morreu.

Além de outras versões - sete no total  - algumas muito semelhantes e, o mais destoante, contado em forma de poema. São elas:  "A Jovem Escrava"; "Árvore-Dourada e Árvore-Prateada"; "Maria, a madrasta má, e os sete ladrões"; "O Caixão de Cristal"; "A Morte dos Sete Anões"; "A Fábula da Princesa Morta e dos Sete Cavaleiros". Há versões em que, inclusive, não é a madrasta, mas a própria mãe que se toma de ciúmes da filha.

Era uma vez um rei que tinha uma esposa, cujo nome era Árvore de Prata, e uma filha, cujo nome era Árvore de Ouro. Num certo dia, entre outros dias, Árvore de Ouro e Árvore de Prata foram a uma ravina em que havia uma fonte, e dentro da fonte havia uma truta.

Árvore de Prata disse:
– Trutinha, minha pequena camarada, não sou a mais bela rainha do mundo?
– Oh! De verdade? Você não é não!
– Mas, quem é então?
– Ora, é Árvore de Ouro, sua filha.
Árvore de Prata foi para casa, cega de raiva.
Deitou-se na cama e jurou que nunca mais ficaria boa se não conseguisse comer o coração e o fígado de Árvore de Ouro, sua filha.

Aqui, além de adentrarmos as diferentes facetas apresentadas à cada história pela cultura da qual se originou, teremos também os comentários de Alexandre Callari, que vão elucidar muitas nuances que, num primeiro momento, podem passar despercebidas do olhar menos atento. Para além da história, há mitos, lendas e toda uma rica simbologia por detrás desse conto.

Na segunda parte do livro, será analisada toda a filmografia dai resultante, indo desde histórias até mesmo pitorescas e curtas passando, obviamente, pelo longa de Walt Disney, e caminhando até algumas adaptações bem recentes, como Espelho Espelho meu que teve Julia Roberts como Rainha Má; e Branca de Neve e o Caçador com Kristen Stewart, a protagonista da famosa saga "Crepúsculo". Também irá abordar algumas adaptações criadas para o teatro que se destacaram e até mesmo HQs.

Já na terceira parte, seremos brindados com conto do próprio Alexandre Callari, que irá fazer uma releitura do clássico, intitulado "Mundo dos Espelhos: Lobos, Sangue e Neve".

O interessante da história de Callari é que, na sua versão, Branca de Neve deixa de ser uma princesa sujeitada à maldade sem explicação de uma Rainha Invejosa e, depois, sujeitada a esperar ser resgata por um príncipe encantado, para verdadeira protagonista de sua história e de sua vida. Não mais mera vítima, mas salvadora de si mesma.

Por mais que alguns dos contos tenham passagens que hoje chocariam nossa sensibilidade - como a punição de dançar em sapatos de ferro até a morte, ou algumas questões claramente incestuosas - é interessante encontrar as origens de uma história que se tornou tão popular em nosso imaginário, bem como também saber de algumas curiosidades.

Por exemplo, vocês sabiam que o orçamento do longa metragem de Walt Disney ultrapassou em DEZ - isso mesmo dez vezes - o orçamento original? E que por muito tempo o filme ficou conhecido como "Loucura Disney"? Claro, que hoje sabemos que Branca de Neve foi o que alçou a Disney como a empresa multimilionária que é, mas na época deve ter sido difícil aos que trabalhavam no projeto.

Por fim, a versão do conto escrita por Callari, muito mais adulta, nos faz re-visitar esse nosso recôndito infantil, redescobri-lo e significá-lo de forma diferente. Também nos faz ver o trabalho de remodelagem por Disney de forma mais aberta e crítica, visto que na realidade, em sua origem, os contos também não seriam recomendados ao público infantil.

Recomendo!

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Resenha : "Antes de Tudo Acabar" (Mary C. Müller)

Por Stephanie: Antes de Tudo Acabar é um YA contemporâneo nacional escrito pela autora Mary C. Muller, que conquistou mais de 2 milhões de leituras no Wattpad e conseguiu lançar seu livro físico pela Editora Planeta em 2017. A história tinha tudo pra dar certo, mas alguns deslizes acabaram comprometendo minha experiência com a obra.

Rafael é o protagonista do livro, um adolescente considerado “esquisito” que tem uma paixonite pela sua melhor amiga, Anne, uma menina linda que usa tênis de cores diferentes e compartilha todos os momentos com ele. A relação é abalada após Anne começar um novo relacionamento amoroso, e tudo começa a desmoronar a partir desse acontecimento e de outras situações que se desenrolam ao longo do livro.
Era triste imaginar uma rotina toda baseada no fingimento, todos agindo como se estivesse tudo okay e normal. Todas aquelas máscaras de Coringa, cheias de sorrisos, quando por dentro não aceitavam a forma como as coisas eram.
No início eu estava gostando bastante da leitura porque ela me trouxe um sentimento de nostalgia. Os momentos que Rafa passa com Anne fazendo coisas banais como lanchar no McDonald’s, ficar de bobeira em casa ou matar aula para ficar conversando me lembraram muito da minha época no Ensino Médio, uma época que pode não ter sido a melhor da minha vida mas que gosto de revisitar às vezes.

A autora aborda relações bastante complicadas no livro, já que Rafa tem uma mãe alcoólatra e um pai que começou uma nova família com a amante, e Anne tem um pai abusivo e começa a namorar um cara mais velho que pode não ser tão legal quanto aparenta. Acho que incluir estes relacionamentos foi uma forma que Mary encontrou de mostrar que qualquer um pode passar por situações difíceis e que é importante ter amigos com quem contar quando o fardo fica muito pesado.

Alguns dos outros assuntos abordados envolvem homossexualidade, estupro, automutilação e bullying. Acho que todos têm importância e é super válido encontrar estes debates em livros para jovens, mas acredito que Mary tentou incluir muita coisa em seu livro e acabou se perdendo um pouco, focando no que era menos interessante: a paixão de Rafa por Anne.

Rafa muitas vezes soa reclamão e egoísta, exigindo de Anne algo que ela não pode oferecer a ele. E isso foi irritante de acompanhar pois ele só pára de agir assim quando um novo interesse amoroso aparece, lá pela metade do livro. De repente ele só tem olhos para a nova garota e começa a agir de modo bem frio com aquela que um dia já foi sua melhor amiga.

No geral, o livro é bom, tem uma capa linda e vale a pena pra quem busca algo despretensioso e fácil de ler. Quem gosta de temas pesados pode não ter uma boa experiência, já que não vai encontrar estes temas sendo tratados com muita profundidade na obra.
Antes de tudo acabar, a gente aprende a ser quem é.

Até a próxima, pessoal!
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terça-feira, 10 de abril de 2018

[Novidades] Seleção de Colaboradores do Blog Dear Book

Opa! Quer participar de nosso time?



Oi pessoas! Como estão?


Infelizmente, existem aqueles momentos na vida em que precisamos redefinir nossas metas e escolher algumas prioridades. E foi por isso que alguns de nossos colaboradores precisaram se afastar para ir em busca de novas metas e sonhos. Sempre os guardaremos em um cantinho do nosso coração e desejamos tudo de melhor nessa nova etapa que se inicia!

Em vista dessa ausência e da necessidade de dar um refresh no blog, abrimos a partir de hoje (10 de abril) inscrições para novos integrantes! 

Estamos com vagas abertas para:


(01) Resenhista
(01) Colunista tema livre


Então, o Dear Book é um blog literário de quase 8 anos de estrada. Sempre apresentando boas dicas e críticas, por aqui também já tivemos conteúdos diversos com filmes e séries e estamos a fim de resgatá-los, ou até trabalhar com alguma nova proposta. Que novos passageiros também compartilhem dessa viagem pelo entretenimento.

Se interessaram?

~~~~~~~~~Venham ver as especificações :) ~~~~~~~~

Para resenhista

O que esperamos de um (a) RESENHISTA
- Que disponha de tempo para leitura e escrita de opiniões, de pelo menos 1 livro a cada 15 dias.
- Que conheça e saiba utilizar a plataforma blogger de postagem, quanto a funcionamento e formatação de textos e imagens.
- Que esteja por dentro de novidades quanto ao mundo literário, das tendências e saiba passar isso ao leitor.
- Construção de textos bem apresentáveis, com aquele português básico em conformidade.
- Publicação de críticas sinceras, que pontuem pontos fracos e fortes e evitem entregar spoilers.
- Escrita de resenhas puramente suas (e inéditas), nada de plágios. Se for preciso linkar uma referência, faça, mas não copie conteúdos sem permissão de seus donos.
- Que auxilie na divulgação de resenhas na mídia do blog (principalmente Facebook), que seja bem comunicativo (a).
- Que publique suas resenhas no skoob ou outra rede social de leitores.
- Se possível, gostaríamos que cobrisse eventos (em suas cidades ou não) ligados a assuntos do blog.
- Nenhuma restrição quanto à idade ou localização.

Revejam algumas resenhas do blog

Para Colunistas

O que esperamos de um (a) COLUNISTA 
- Que disponha de tempo para escrita de opiniões sobre temas diversos (filmes, séries, curiosidades).
- Que conheça e saiba utilizar a plataforma blogger de postagem, quanto a funcionamento e formatação de textos e imagens.
- Que esteja por dentro de novidades quanto ao mundo literário e cinematográfico, das tendências e saiba passar isso ao leitor.
- Que apresente uma ideia original de coluna (proposta de resenha, review, indicação, dinâmicas, listas... seja criativo!), com título específico que valide a intenção da coluna.
- Que construa textos (inéditos) bem apresentáveis, com aquele português básico em conformidade e inteiramente seus (nada de plágios).
- Que publique textos sinceros, sejam lançamentos ou não, que pontuem pontos fracos e fortes e evitem entregar spoilers.
- Que auxilie na divulgação de posts na mídia do blog (principalmente Facebook).
- Se possível, gostaríamos que cobrisse eventos (em suas cidades ou não) ligados a assuntos do blog.
- Nenhuma restrição quanto à idade ou localização.

Reveja uma antiga coluna do blog

Ok, quero me inscrever!
Como procedo?


Para resenhista

Simples! Envie um e-mail para dear.book@hotmail.com com uma resenha-exemplo (nomeie o arquivo deResenha_Seu_Nome) de uma leitura (livre) recente e deixe claro os seus dados no corpo de texto. Dúvidastambém no corpo de texto.

Assunto (título de e-mail): SELEÇÃO DE RESENHISTA.

Dados
- Nome/Apelido
- Idade
- Links de redes sociais (twitter, facebook, skoob)
- Colabora/ou em outro blog? Qual(is)?
- Apresente-se! O que você faz? Sua formação acadêmica? Que livros gosta de ler? E seus autores favoritos? Séries? Filmes? Outras paixões? Queremos conhecer você.
- De onde você é? (Cidade/Estado)
- Confirme seu e-mail usual de contato.
- Não se esqueça de comentar seu interesse em fazer parte do Dear Book!

Para colunista

Simples! Envie um e-mail para dear.book@hotmail.com com sua proposta de coluna (no corpo de texto) eum texto em anexo contendo seu “primeiro post”, apresentando-se ao público e comentando o assunto da sua coluna e deixe claro os seus dados no corpo de texto. Dúvidas também no corpo de texto.

Assunto (título de e-mail):
SELEÇÃO DE COLUNISTA 

Dados
- Nome/Apelido
- Idade
- Links de redes sociais (twitter, facebook, skoob)
- Colabora/ou em outro blog? Qual(is)?
- Apresente-se! O que você faz? Sua formação acadêmica? Que livros gosta de ler? E seus autores favoritos? Séries? Filmes? Outras paixões? Queremos conhecer você.
- De onde você é? (Cidade/Estado)
- Frequência de disponibilidade: quinzenal ou mensal?
- Confirme seu e-mail usual de contato.
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Sobre o envio de inscrição e avaliação


Aceitamos inscrições a partir de hoje até dia 30 de abril de 2018 as vagas. Sem previsão definida para determinar o (a) novo (a) integrante do DB, pois dependerá do número de inscrições recebidas. Esperamos por vocês, hein!


Bjos,



Equipe DB.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: "Dias de Despedida" (Jeff Zentner)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Você certamente já leu algum livro sobre morte, mais precisamente sobre luto. São histórias comuns e que parecem sempre servir de consolo para quem já passou por algo semelhante, além de conseguirem emocionar a maioria dos leitores. Dias de Despedida poderia ser só mais uma dessas histórias, mas a escrita de Jeff Zentner conseguiu levar a obra para outro patamar.

Carver, o protagonista e narrador do livro, é um rapaz de 17 anos que recentemente perdeu seus três melhores amigos em um acidente de carro, pelo qual ele se sente culpado. Essa culpa vem do fato de que Carver enviou uma mensagem de texto para o motorista do carro, seu amigo Mars; mensagem esta que Mars estava respondendo quando chocou seu carro com um caminhão.

Além do peso do luto, Carver precisa lidar com a possibilidade de ser indiciado pela morte de seus amigos (o pai de Mars é um juiz conhecido na cidade). Como era de se esperar, as consequências emocionais e psicológicas destas situações tornam a vida de Carver um inferno, e ele vai tentar fazer o possível para não sucumbir enquanto tenta lidar com seus problemas. A história acompanha o processo de luto de Carver desde o momento dos enterros de seus amigos até a possível aceitação, com a ajuda de sua família, amigos e de um novo terapeuta com quem ele começa a se tratar. 
Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.
A narrativa é muito fluida, mesmo se tratando de um assunto tão pesado e complexo. Zentner insere algumas passagens do passado dos amigos de Carver, mostrando como se conheceram e alguns dos momentos que passaram juntos. A sensação de nostalgia é constante e impossível de conter, um misto de alegria e pesar que me acompanhou durante toda a leitura. Dá pra ver como a amizade da Trupe do Molho era linda e muito intensa.

A relação de Carver com outros personagens também é muito bem trabalhada. Jesmyn, vovó Betsy e Georgia são pessoas tão incríveis, cada uma à sua maneira, que é impossível não se apaixonar pelas cenas em que elas aparecem e interagem com Carver. O romance poderia ter ficado de fora, mas foi compreensível no contexto da obra.

A diversidade está muito presente em Dias de Despedida. Zentner é um homem branco e hétero mas isso não o impediu de incluir personagens negros, asiáticos e gays em sua obra, de maneira natural e crível, sem cair em estereótipos e até alertando os leitores sobre o racismo e machismo contido em nosso dia-a-dia.

(...)Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita.
O tom escolhido pelo autor foi muito acertado, em momento algum achei o livro deprê. O final me trouxe esperança de que tudo acaba bem, de um jeito ou de outro. E me passou a mensagem de que ninguém precisa passar pelos momentos ruins sozinho. Tudo bem sentir saudade e dividir isso com outras pessoas, tudo bem se abrir com a sua família, tudo bem procurar ajuda profissional. Sua saúde mental vem em primeiro lugar.

Até a próxima, pessoal!
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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Resenha: "O Destino de Tearling" (Erika Johansen)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! como vocês estão? Hoje encerramos mais uma trilogia. Ah! Trilogias! Como não amá-las de forma apaixonada? Como não se sentir ansioso com a espera pelas continuações? Como não morrer de frustração ao fim de algumas, ou de nostalgia ao término de outras?

A trilogia que começou com "A Rainha de Tearling" já resenhada pelo blog aqui me cativou de uma forma absoluta - o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom, por que é sempre uma satisfação para um leitor ter em mãos uma obra que realmente o empolgue, instigue, prenda a atenção.

E ruim ... bom por que ele faz parte de uma trilogia. Não há garantias de que os próximos dois livros conseguirão cumprir com o mesmo papel, e que o desfecho seja elaborado de forma a abarcar todas as dúvidas construídas e elaboradas na trama.

Felizmente, o segundo livro, "A Invasão de Tearling" já resenhado aqui conseguiu ser melhor do que o primeiro, e a trama, que era repleta de segredos - o que afinal era o Tearling, a travessia, de onde surgiu a Rainha Vermelha, ou o espectro de fogo que a acompanha - tudo isso nos é respondido no segundo livro, deixando a terceira parte a tarefa de responder a algumas poucas perguntas e, claro, resolver a trama criada ao longo dos outros dois livros.

Feita prisioneira da Rainha Vermelha, Kelsea é levada para a prisão de Mortmesne. Seu futuro não parece promissor - acorrentada, constantemente agredida, chocalhando em uma carroça, sem suas safiras. Mas, mesmo assim, Kelsea continua com o porte de uma verdadeira Rainha.

O carcereiro estava sorrindo de novo, as sobrancelhas erguidas esperando uma reação. Eu já estou morta, Kelsea lembrou a si mesma. Em teoria, ela já era uma mulher morta havia meses. Havia grande liberdade nesse pensamento, e essa liberdade permitiu que ela puxasse as pernas, como se para se encolher no canto da carroça, e, no último momento, arqueasse as costas e chutasse o carcereiro no rosto.
Ele caiu para o lado com um baque. Os cavaleiros ao redor explodiram em gargalhadas, a maioria nada gentil; Kelsea percebeu que o carcereiro não era muito popular com a infantaria, mas essa constatação não a ajudaria em nada. Ela ficou de joelhos e levou as mãos acorrentadas à frente do corpo, preparada para lutar da melhor forma possível.

Já a Rainha Vermelha precisa enfrentar a rebelião causada em seu reino, uma fissura que se tornou cada vez maior, e teve seu estopim na retirada do exército sem que seus soldados pudessem realizar os saques e pilhagens que esperavam em pagamento aos seus serviços. Quase sem aliados, com um povo altamente descontente, e com safiras que não respondem a ela, a Rainha Vermelha sabe que talvez esteja próxima do fim.  

— Nós recebemos um salário — respondeu outro homem.
— Uma verdadeira mixaria.
— É verdade — disse uma terceira voz. — Minha casa está precisando de um telhado novo. Não vou conseguir pagar com essa esmola.
—Parem de reclamar!
—Ah, e você? Você sabe por que estamos indo para casa de mãos vazias?
 —Sou um soldado. Não é meu trabalho saber das coisas.
—Eu ouvi um boato —murmurou a primeira voz em tom sombrio. —Ouvi que os generais e os coronéis preferidos deles, de Ducarte para baixo, vão receber a cota deles.
—Que cota? Não houve pilhagem!
—Eles não precisam de pilhagem. Ela vai pagar diretamente a eles, do tesouro, e deixar o resto de nós de mãos vazias!
 —Não pode ser verdade. Por que ela os pagaria por nada?
 —Quem sabe por que a Dama Escarlate faz as coisas? 

Finalmente saberemos quem é o espectro libertado por Kelsea, sua história junto aos Tear, e o por que de sua busca incessante por sangue e devastação, bem como entenderemos boa parte das motivações secretas por detrás de cada um dos personagens, mesmo do pouco acessível Clava, que foi denominado regente de Tearling na ausência de sua verdadeira rainha.

A escrita deste terceiro e último volume flui de uma maneira surpreendente, foi impossível abandonar as páginas até chegar ao desfecho. Cada final de capítulo trazia um acontecimento tão surpreendente
que eu precisava continuar lendo para saber mais, assim como Kelsea precisava continuar no passado, em "A Invasão de Tearling" o passado de Lily, e em "O Destino de Tearling" o passado de Katie.

A obra inteira é uma mistura de fantasia com a mais crua realidade, onde vamos encontrar temas como política, os limites de uma utopia, a formação de sistemas totalitários, os meios de subordinação e alienação, seja por falta de uma educação de qualidade, seja pela privação de conhecimento de um sistema religioso rígido e corrupto.

—De que adianta uma visão do passado?
—É uma boa pergunta, mas eu vejo tudo mesmo assim: quinze anos após o Desembarque, a cidade de Tear começou a apodrecer de dentro para fora. Quando disse aquilo, Kelsea percebeu que a história falhou com eles; sempre, na sala de aula de Carlin, a queda da utopia de Tear foi atribuída à morte de Jonathan Tear.
Mas tinha começado bem antes disso, todos os vícios antigos da humanidade retornando. Kelsea os sentiu mesmo em Katie, que foi criada por uma das tenentes mais antigas e de mais confiança de Tear.
Até Katie tinha dúvidas. Talvez nós não sejamos capazes de ficar satisfeitos, pensou Kelsea, e a ideia pareceu abrir um buraco dentro dela. Talvez a utopia seja inalcançável. 

Personagens fortes e marcantes, uma protagonista fora dos padrões, vilões tão carismáticos quanto os próprios protagonistas, viradas inesperadas, alianças improváveis e um final eletrizante e surpreendente. Preciso dizer mais? Se você não leu os dois primeiros livros, aventure-se. Juro que vai valer a pena.

Forte abraço e até a próxima!
 
Ana Liberato