Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso
Sinopse:Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.
Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.
Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.
Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.
Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.
É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.
Por
Kleris: Adoro um livro de crônicas
quando tô bloqueada nas leituras – crônicas
salvam vidas, gente! Dose de Quinta
estava na estante tem um tempão tempinho, e se você também é de vibes, vai entender o que é esperar pelo
momento certo. Coloquei o DQ num desafio de leitura (você pode conferir aqui) e foi de um respiro
muito bom.
Sabe quando um cientista
erra uma das substâncias e acaba criando algo mágico? Às vezes o nosso maior
acerto é apenas errar na hora certa.
Pra
quem não conhece, o Dose de Quinta começou como blog, com grande atuação no
instagram. A ideia era de postar “textos de quinta” e todas as quintas-feiras –
coisa que rola até hoje (acompanhe aqui). O Bruno é de São Luís, minha cidade, e atua em diversos
projetos culturais. Acredito que seu livro é um dos mais conhecidos por aqui.
Foi, então, que eu
entreguei você a Deus, para, finalmente, conseguir lhe dizer adeus.
Você simplesmente
coleciona os momentos bons e volta e meia os revive em segredo, porque eles
realmente valeram a pena.
Com
textos nada pretensiosos, mas nem por todo de “quinta categoria”, o livro é o
que nasceu pra ser – falar com simplicidade de como a banda toca quando se
trata de amor. Temos desabafos honestos, melindres, idealizações e “fics” que
acometem os apaixonados – ou os românticos, como diz. O ar, como fica sugerido
pela ideia do DQ, é de tomar doses de amor.
Escrever para você esse
adeus, me fez entender que existe um espaço reservado no peito, só para guardar
as relíquias.
Dar gelo para provocar
saudades pode parecer tentador, mas é assinar um atestado de óbito. Esse
coração é um verão jamais visto, pede calor e jamais, frio.
Estou precisando de
alguém que me convença a banhar na chuva, e a não pensar que isso pode me render
uma boa gripe no dia seguinte.
São
pouco mais de 50 crônicas, textos bem rapidinhos, todos em diferentes fases de
relacionamentos, tal qual a gente se encontra no mundo – todo mundo no seu
tempo, no seu espaço, sem que ninguém precise estar em sintonia.
Não sei se digo que te
amo agora ou espero mais um pouco. É muito cedo pra dizer isso? Há tempo certo?
[...] Talvez, o mais importante seja viver e não descobrir.
Servi para você se sentir
servido, mas só isso pra mim não serve.
Tem
hora que parece que estamos em diversas cabeças, como quando a gente assiste
variadas séries duma vez e acompanha o desenrolar daqueles relacionamentos
todos. A propósito, acho que encontrei cartas
da Robin e do Ted de How I Met Your Mother haha
A verdade é que você não
é obrigado a encontrar ninguém, assim como ninguém é obrigado a encontrar você.
Você apoderou o amor,
colocando-o num arquétipo que não lhe cabe. Laços líquidos e nós frouxos
amarram essa fantasia de que você está amando (ou é amado).
Saudade é como fermento.
É estranho olhar distante
quem já foi de dentro. E mais estranho ainda é saber que somos estranhos, mesmo
nos conhecendo tanto.
Vontade
também não me faltou de chegar em algumas pessoinhas e dizer um “lerigou, my
friend” ou um “que tal conversar isso com uma terapeuta e investigar essas
sabotagens todas? Vai ser ótimo!” – mas é aquele lance: a gente respeita o que
o outro tá sentindo. Daí rola uns textos bem autoconsciência que dão uma folga dos
“muito idealizadores”.
Mas só insista em
derreter um coração gelado se a sua intenção é mantê-lo aquecido.
Você merece muito mais. E
eu vou continuar aqui, amando-a mais do que você se ama. Esperando, enfim, o
dia em que vai parar de querer o que já tem e vai desejar o que já possui.
Magno
traz uma escrita de quem está se lançando, tateando as palavras, descobrindo
seu ritmo. Então você pode encontrar uns textos um pouco incertos, mais crus,
que, na real, é a intenção do livro.
O
livro é totalmente independente – sem intervenção de editora – e nem por isso
deixa a desejar na edição, que, aliás, é linda, toda trabalhada na ideia de um bar, onde você vai, senta e toma.
Melhor menu/índice de pedidos. Ao fim, Magno deixa a sugestão de que vai ter
outro livríneo. Será?
Aos
traços de poesia, jogos de palavras, drops de respiro e pequenas doses, dá pra
ler num sopro, dá pra ler em doses homeopáticas. É ideal para você que busca
algo breve e leve, suave na nave. Só garanta suas bandeirinhas pra marcar as
páginas, porque livro de crônicas não é livro de crônicas sem você guardar umas
palavras pra vida.
O
que eu não digo é mais forte do que qualquer palavra. [...] Eu escrevo pra que
você sorria, pra que você chore, pra que você sinta que as mesmas palavras que
podem ferir, também podem curar. Eu escrevo pra que você leia sobre amor, pra
que você sinta e se lembre do que passou.
Não
sei como o livro está de tiragem, mas se você tiver interesse pode contatar o
Bruno lá no @dosedequinta. Deixo aqui meu recomendo :)
É
que nós fazemos planos. E, na maioria das vezes, eles dão errados.
Por
Kleris: Fiz o caminho inverso – li
primeiro Depois do Fim (reveja
resenha aqui)
– o que se revelou uma experiência interessante, ver o Dan mais “novinho”, mais
incerto, à procura do tom ou do caminho a seguir, mas já mostrando de cara seu
ouro: a escrita.
Despretensiosa, fui
saboreando-a devagar no dia a dia – aliás,
vou sentir falta da acolhida após minhas caminhadas – de maneira seus
pequenos textos foram trabalhando diversas de minhas acepções. Acho que é esse
o ritmo natural das crônicas na rotina: um dia de cada vez, alguns textos por
vez, uma boa companhia para pausar um pouquinho e ir além da realidade sem sair
totalmente dela.
Prepare os marcadores
adesivados (de novo) – você vai precisar de muitos deles.
Se você reparar bem nas
ruas, em toda multidão, os rostos que você não conhece, um dia, poderão fazer
parte do seu mundo. São todos estranhos procurando uma chance pra deixarem de
ser, pra tomarem função e papel na vida de alguém, às vezes até na própria. [...]
Nós, os estranhos, só queremos deixar esse vício de anda-pra-lá-anda-pra-cá,
para finalmente conhecer alguém que nos dê nome.
Fora
de um roteiro manjado, as 45 crônicas traçam umas perfeitas histórias imperfeitas. São relatos, intervalos, fluxos de
pensamentos, confissões, conversas... Vários deles carregados de platonismos, autossabotagens
diárias, algumas bads, e, sim,
aprendizados. Diria que o livro não se pauta tanto pelo cotidiano, mas pela
zona de conforto. Na verdade, uma busca de conexões frente à nossa zona de
conforto. É nessa forte resistência ou mesmo na falta dessa desejada ligação,
que muitas vezes deixamos o imaginário tomar conta, seja para o bem, seja para
o mal.
[...] só porque
acontece dentro da sua cabeça, quer dizer que não seja real? É real pra burro.
Você já sentiu isso. E, se não sentiu, paciência. É só questão de tempo.
A gente acaba se
prendendo tanto ao que poderia ter acontecido, que arrasta uma culpa imaginária
a toa. E se culpar pelo que não pode ser desfeito é um daqueles errinhos bobos
que fazem da gente um pouco infeliz num mundo em que a vida já não está fácil.
O
livro segue um caminho natural de fases. Estações conhecidas, agasalhos
emocionais, relutâncias (in)voluntárias, que, apesar de nos fazer sentir gente como a gente, estão ali para
contribuir para nosso despertar. Nesse processo, assim como a vida, Dan nos dá
e nos toma “pessoas”. Da fantasia ao primeiro passo de sair dessa zona
confortável – mas já não tão agradável – é que vivemos as possibilidades e nos
medimos pelas expectativas.
A gente sempre abafa o
que tenta incomodar a apatia com algum som familiar, com alguma memória
preenchida ou com a desculpa de que a gente tá sempre ocupado e não pode
prestar atenção. Eu, assim como um monte de gente, não quero sair da inércia,
não quero sair daquele limbo sentimental, a menos que alguém me puxe.
E, de repente, é um
fracasso. A gente não entende. Por quê? Tava tudo tão certo, tudo tão exato, a
fórmula era aquela, o espetáculo parecia tão atraente no folhetim e fuén.
No fim do dia, sabe
quando você chega em casa, tira os sapatos, bebe um cappuccino quente e sente o
corpo todo esquentar? Sou essa sua sensação.
Dose
a dose, entre ideais, tantas buscas e esperanças, Dan tem uma escrita sincera
que te agarra de pronto. Vai falar daquilo que a gente não admite, daqueles
conflitos que a gente tenta se sobrepor, do apego que nos bagunça, de como a
gente insiste em agradar pessoas antes de nós mesmos, e dá lição, a sua
maneira, como sobre ser inteiro e não metade. A sensação mesmo é de “se dar
conta”. É uma leitura que sugere olhar pra si, mesmo depois de olhar pro outro,
e se questionar se é ou não pra ser, em um exercício de autoconsciência. Exercício
esse que lembra um pouco de Do que eu
falo quando falo de corrida (aqui),
do Murakami.
Você nunca quer se
molhar; quer sempre se sentir seguro, quer pintar e bordar nessa figura íntegra
e imponente de quem não sente nada e tá tudo bem. Tá tudo bem? Tá nada, não
adianta mentir pra mim [...]
A gente é o corredor,
não a sala. É a maçaneta ou o corrimão. Somos caminho, nunca o destino final.
Tem gente que pira quando percebe isso, porque, ao contrário do que o outro
sente, talvez a gente veja nele uma droga de uma porta, um caminho final, uma
faixa de chegada. E as expectativas não batem.
Embora
muito se queira, também muito nos contentamos, muito tentamos fazer algo dar
certo ou fazer algo acontecer sem, na real, pensar sobre o esforço necessário –
e um esforço de duas vias. Nesse sentido, alguns textos já se aproximavam do limbo de Depois do Fim, fazendo de Por
Onde Andam As Pessoas Interessantes? uma grande e excelente introdução.
Uma das manias mais
dolorosas que a gente tem é de sempre renunciar a uma história inteira por
conta da forma como ela acaba.
Percebi que amor nenhum
dá certo quando a gente precisa se esforçar pra fazer acontecer a mágica.
Só com o tornozelo
torcido, na última consequência do acontecido, foi que percebi o que estava na
minha cara. Que não adianta insistir quando a forma não cabe na gente. Às vezes
até cabe, mas depois de um tempo incomoda.
Recomendadísssssimo!
Leitura para revisitar sempre :) Apesar dos comentários sobre a capa do livro
ter traços “infantis”, gosto dela. Gosto por inteiro da edição. Já mal posso
esperar pelo terceiro livro – em processo de publicação.
Abaixo,
a playlist que ambienta todo o livro <3
Mais importante que
isso tudo: que você exista. E que não demore tanto pra chegar à minha vida.
E aí que mora o
problema: quando eu percebo. Depois que a gente percebe, não dá mais pra
ignorar, e começa a acontecer de a gente perceber mais ainda.
Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.
Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.
Por Kleris: Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada? É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação: o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra de rotina – que tudo se evidencia.
Você sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com você.
Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí.
As coisas nunca acabam pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário, confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.
Amores, desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro, marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz encarar vários estágios do fim. Ele costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida, filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva.
Como é que a gente explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar nem pra mim.
Tô te implorando lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de desistir de você.
Cê acha que isso aqui vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um dia passa.Acho que sim, acho que não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida.
Mesmo as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas. É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora passa.
“Com Bovolento, mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)
Daniel também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro amigo.
E a gente se força a achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras, suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara.
Olhamos todos o lado do mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida dela.
Mais do que isso, tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita para ser sozinha. Discordo.
Há crônicas para arranhar, para amainar, para rasgar, para descansar, para rir (de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta, o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos. Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre que puder. Ao fim você vai se sentir melhor.
Será que um dia eu voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe?
Vão bater na tua porta, vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique bem. Mas você não reage aos estímulos.
Aliás, com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro, parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.
De plus, temos um projeto gráfico maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas, amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra que não há experiência sem aprendizado.
Ademais, em diversos momentos, lembrei do livro Que Ninguém Nos Ouça (aqui), pela vibe de lavar a alma, e dos livros da Brené Brown (aqui), quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua própria jornada.
Você pode não ter se candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara, sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais Forte do Que Nunca – Brené Brown
Depois do Fim é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde, mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore Girls com junky food. É um mergulho profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra outra.
De vez em quando, seremos essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só não era o tempo certo, só não estávamos curados.
"Minha sorte é que eu escrevo crônicas. Não preciso fingir que sei alguma
coisa. Muito pelo contrario: preciso de um exercício diário de ignorância pra
nunca deixar de ser leigo. Afinal, o mundo está o tempo todo tentando te empurrar
certezas goela abaixo"(Dúvidas de um ignorante)
Por Mari Diniz.Crônicas não
requerem uma linearidade de leitura, não requerem verdades universais, não
requerem um tempo para serem lidas e não esquecidas. Para as crônicas tudo que
basta é o seu interesse em ler. Caviar é uma ova traz a abordagem de uma
diversidade de temas, em que abre espaço até para o Chaves. Possui um humor
crítico, mas, principalmente, temas políticos.
O foco político do
livro poderia até não agradar alguns. Entretanto, no decorrer da leitura, ele
me fez pensar no porque não pensamos em política. O intitulado Esquerdista
Caviar, Gregorio Duvivier, diferente do que se pode imaginar, não exibe uma
argumentação a fim de convencer o leitor de uma certa posição política. Ele não
busca provar e deixar a certeza de algum ponto de vista, embora explique com
clareza sua opinião. Talvez, Gregorio Duvivier seja um indeciso, cuja sua única
certeza seja que algo precisa mudar.
“Pra
começar, caviar não me representa – nunca vi nem comi, só ouço falar. Caviar é
uma ova – literalmente. Entendo a metáfora, mas acho que não se aplica a essa
nova esquerda hipster que vocês tanto odeiam. Melhor seria Esquerda Maionese
Trufada. Esquerda Cerveja Artesanal. Esquerda Bicicleta de Bambu. Aí sim: esse
cara sou eu. Ou, pra ser sincero, nem assim. (Serhumaninade)”
Entre os contos, Serhumanidade, seja um dos melhores a
fim de entender a mensagem do livro como um todo. Principalmente, por se tratar
de uma coleção de crônicas. Serhumanidade
busca abordar em uma única crônica temas defendidos por Gregorio contra os
absurdos da desigualdade.
Política se torna
o tema-estrela do livro e rende boas crônicas e bons sorrisos. A ironia de Gregorio
representa aquele Como assim? Ou É isso mesmo? Plantados na nossa cabeça.
A sua ironia ajuda um tanto quanto a pensar, a prestar atenção no que está
acontecendo. Além de se utilizar de metáforas bem desenvolvidas e argumentadas.
Porém, como já mencionado,
a diversidade de temas presente no livro, enriquece ainda mais a coleção. Aliás,
crônica é dia a dia. É cotidiano. O humor encontrado em mínimos detalhes que
nos parece que apenas cronistas conseguem perceber.
“Odeio
os carros quando tô a pé. Odeio os pedestres quando tô de bicicleta. Odeio os
ônibus quando tô de carro. Odeio os ônibus quando tô de ônibus. Odeio todo
mundo quando eu acordo. Odeio cigarro. E odeio quem se incomoda com cigarro
quando eu tô fumando. Odeio acordar cedo e odeio acordar tarde. Odeio o Brasil,
e odeio, ao mesmo tempo as pessoas que odeiam o Brasil.
Tem
ódio que não faz o menor sentido. Mas tem ódio que faz. (Que ódio)”
Entre essas
crônicas, algumas das minhas preferidas Sábado
e O céu fica aqui pertinho, tem uma diferente
modalidade de escrita, com uma crônica corrida que tenta seguir ou fluxo de
pensamento, ou melhor, seguir as divagações da mente humana. O que, obviamente,
diverte o leitor e dá um toque especial a crônica.
Além do simples
cotidiano, Gregorio Duvivier ainda dá espaço para permear entre outros assuntos,
principalmente quando se fala da própria linguagem, no qual inclusive aborda o
tema Palavras. Formação, significados e usos.
A leitura de
Caviar é uma ova é sortida e super agradável. As crônicas muito bem escritas
encantam por sua simplicidade e por seu humor inteligente. Mas, como diria
minha vó, principalmente por sua personalidade opiniosa. Livro recomendadíssimo.
“Imagine
duas vidas paralelas. Numa delas você gosta da Anitta – ou, pelo menos, a existência
dela não te incomoda. Na outra, toda vez que você vê a cara da Anitta você tem
engulhos, quando ouve a voz da Anitta o estomago revira, você evita ir a festas
porque sabe que vai tocar Anitta. O objeto não gostado acaba ocupando um espaço
gigantesco de seu tempo – muito maior que os objetos gostados. Aprender a
gostar é, sobretudo, perceber que não vale a pena perder tempo com o que você
não pode mudar (Haters gonna hate)”
Por Kleris:
Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada?
É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois
do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação:
o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra
de rotina – que tudo se evidencia.
Você sempre acha que
essas coisas nunca vão acontecer com você.
Quando você achava que
nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão
imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda
está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir
como tirá-lo daí.
As coisas nunca acabam
pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário,
confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As
coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.
Amores,
desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro,
marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz
encarar vários estágios do fim. Ele
costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida,
filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do
que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva.
Como é que a gente
explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar
nem pra mim.
Tô te implorando
lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô
desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso
pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de
desistir de você.
Cê acha que isso aqui
vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um
dia passa. Acho que sim, acho que
não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter
sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente
depois da despedida.
Mesmo
as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas.
É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora
passa.
“Com Bovolento,
mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com
ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se
houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)
Daniel
também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais
sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar
a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar
das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque
negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de
dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro
amigo.
E a gente se força a
achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras,
suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara.
Olhamos todos o lado do
mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua
vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida
dela.
Mais do que isso,
tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita
para ser sozinha. Discordo.
Há
crônicas para arranhar, para amainar,
para rasgar, para descansar, para rir
(de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta,
o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o
leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre
sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos.
Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre
que puder. Ao fim você vai se sentir melhor.
Será que um dia eu
voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe?
Vão bater na tua porta,
vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o
escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais
engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na
tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de
avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique
bem. Mas você não reage aos estímulos.
Aliás,
com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer
voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os
mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro,
parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.
De
plus, temos um projeto gráfico
maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como
entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas,
amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados
de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra
que não há experiência sem aprendizado.
Ademais,
em diversos momentos, lembrei do livro Que
Ninguém Nos Ouça (aqui),
pela vibe de lavar a alma, e dos livros
da Brené Brown (aqui),
quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar
em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua
própria jornada.
Você pode não ter se
candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara,
sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela
começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas
acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos
tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever
nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais
Forte do Que Nunca – Brené Brown
Depois do Fim
é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde,
mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore
Girls com junky food. É um mergulho
profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra
outra.
De vez em quando, seremos
essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a
gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só
não era o tempo certo, só não estávamos curados.
Por
Kleris: Hoje faço diferente, não
escrevo uma resenha propriamente, mas sim um recorte sobre esta leitura. Te
convido para este passeio em especial, e, para uma melhor experiência, cá deixo
uma trilha sonora. Já plugou os fones no ouvido? Vem comigo.
Boy - We Were Here
We walked these streets like kings
Our faces in the wind
And everywhere we were
We made the city sing
We sang forever young
We had our fingers crossed
And when the city sleeps
It
dreams of us
Sabe
aqueles livros que aparecem na hora certa? Recorte! demorou para me chegar às
mãos (publicado em 2015), porém, tão logo abri e li os primeiros textos, senti.
Ele seria um mergulho necessário. Ele preencheria minhas pausas. Ele me
encantaria. Valeria a espera. E ao fim, eu iria querer mais. E assim foi.
(guitar)
Yeah it still does
Oh love it changes shapes
It glows in many shades
We won't be gone as long as
Our echoes resonate
We need no photographs
The past's not only past
I find us everywhere
And that's how the magic lasts
Com
um prefácio de guardar no bolso e todo um miolo de guardar no coração, Recorte!
é um livro que procura reunir o melhor do dia a dia. A autora se propôs a
recortar diariamente algo, um sentimento, uma ação, uma descoberta, algo que
viveu, presenciou, ouviu, e imprimiu em cursivas em dois cadernos. Com o tempo,
surgiu a vontade de compartilhar esses escritos e só de pensar em alguns, quero
dar um abraço na Talita pela decisão – e olha que tenho uns bocados de abraços em
débito. Da mesma maneira que ela captura e preserva o sentimento, reservo
muitos deles cá comigo nas bandeirinhas azuis que demarquei por todo o livro.
Prepare as etiquetas, porque você vai precisar de um montão delas!
'Cause everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Ao
contexto, de procurar o melhor dos nossos dias, coisas que passam naturalmente
em um borrão, revela-se também o melhor das pessoas; no caso, as pequenas
experiências aqui escritas revolvem as nossas e viramos cúmplices, seja por
empatia, seja por identificação. Resgatam-se as memórias, as historietas de
criança, os dilemas do crescimento, os desejos ingênuos, as saudades que mais
marcam, as catarses diárias. A gente para um pouco no tempo e desacelera. E
conforme a leitura vai, acerta uma sintonia.
Everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Acumulados página após
página, alguns ilustrados por mim mesma, meus recortes de cada dia vivido
viraram exercício de apreensão sensorial da realidade. E me ensinaram a
enxergar ao redor farejando vida, bebendo gestos, tateando intenções.
É que a gente custa a
descobrir para que nasce e às vezes quando não é levado a pensar muito, passa
pela vida sem descobrir.
Algumas pessoas arrancam de nós a paz. Outras restauram.
E são por estas últimas que a vida vale a pena.
It's only little things
Footmarks and fingerprints
A treasure hunt through town
It's full of evidence
Our monuments are all around
Everything's on the move
The paint is wet
All colors are new
But if you look carefully
You'll see us shining through
Para
o leitor, é entregue pouco mais de 90 textos para serem lidos dose a dose. A
cada pausa, dez, quinze, vinte folhas; a imersão é de vários mergulhos. O toque
singelo que perpassa as páginas simplesmente me ganhou. E as percepções, claro,
o olhar míope, aquele embaçado, mas imaginativo, deslumbrado e satisfeito. Talita
transita pelo sensorial de maneira magnífica; é um puro exercício de
contemplação. Senão, de resgate.
'Cause everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
E
não só de beleza vive o mundo. Os não-recortes
transitam agridoces.
Por isso este recorte é
um não-recorte. E não merece estar aqui. Mas a vida é isso. Para haver um álbum de
recortes é preciso que existam coisas que não mereçam ser recortadas. E sobrem longe de nós. Então este recorte não
merecedor de estar aqui foi recortado só para nos lembrar disso.
Everywhere we've been
We have been leaving traces
Everywhere we've been
We have been leaving traces
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Tenho o ipê que me cabe
cultivar. Dentro das possibilidades do meu limitado jardim. Quando reconheço o
tamanho do meu alcance, melhoro meu desempenho, ampliando minhas chances de
melhor alcançar.
Porque às vezes a gente
precisa justamente da plenitude dos que nos toca sem motivo declarado. Daquilo que
se completa sem precisar fazer sentido aos nossos sentidos. E ainda assim nos
encanta.
(guitar)
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
Nem todos nós nascemos
com a alma de poeta sintonizada a um corpo sensível ao toque da poesia. Alguns de
nós, vez em quando, tem a percepção da vida inspirada. Descobrem cores,
cheiros, toques que parecem finalmente mostrar-lhes a existência de uma vida
com leveza. Passam a recortar poemas das paisagens por onde passam. Ficam
em um feliz estado de flutuação. O coração aquecido. Cada um tem o seu motivo
para achar, vez por outra, a vida mais bela. E aí entra uma sábia ressalva: a
vida nunca deixou de ser inspiradora. Nós é que nem sempre estamos bem o
suficiente para percebê-la. E por algum motivo misterioso, isso também confere
sentido ao estado de não flutuação. É que é preciso viver
para aprender a se encantar. Fazer disso uma constante é o que nos impulsiona a
flutuar em frente. Leve e ao sabor da brisa amiga que sopra a favor de nós, vez
em quando.
(brass)
We were here
We were here
We were really here
Meus
textos preferidos marquei de outra cor: A
infância é leve, Do balãozinho, A vida e o encanto que dão sentido a tudo
(último trecho acima citado), A caneta,
Janela, A paz de cada dia, Das
pessoas, O não-recorte, O avesso do recorte, Um tempo de não-recortes, O copinho II, Energia do mundo, Recorte
carioca, A vantagem de ser invisível,
Crença, Estimação, Quando fiquei
parada vendo Mia Couto passar, Intervalo,
Quem se é, onde se está, quando se está.
We're in the air
We're in the water
From the rooftops
Down to the pier
I'll never walk these streets alone
We were here
We were really here
We're in the air
We're in the water
Engraved into waves
Invisible ink on the walls
We were here
We were really here
Recorte!
é, por fim, um bom companheiro de busão, metrô e outros transportes urbanos,
lugares que você pode sentar, folhear e ler a vontade enquanto a vida corre
solta. Pra mim foi uma das melhores leituras do ano. Obrigada, Talita, pelo
presente <3 Espero ter conseguido transmitir a experiência neste recorte
especial.
E
você aí, leitor, se acha que precisa se encantar de novo pela vida, recorte. E
procure por Recorte! Recomendadíííííííííssimo <333
A gente é feliz nos
intervalos, mesmo. Mas se for pensar em todos os intervalos em que já foi
feliz, descobre uma vida inteira.
P.S.:
We were here (Boy) foi uma música que
marcou muito uma fase de exploração do mundo em exercícios antiestresse, catarse viciante, e a cada vez que retornava do passeio,
lia doses em descanso. Por isso o music
trip :)
Juliana Rios Graduada em Administração, aventureira e fundadora dos blogs Dear Book e Juny Pelo Mundo. Apaixonada por viagens, culturas e em descobrir novas possibilidades. Mora em São José dos Campos – SP.
Colaboradores
O blog
O Dear Book é um blog colaborativo destinado a resenhas e indicações, noticias do mundo literário, entre outros.