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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Resenha: "Nightflyers" (George R. R. Martin)


Tradução: Alexandre Martins

Sinopse: Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. 

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.


Por Jayne Cordeiro: Este livro do autor de Game of Thrones não é um lançamento, afinal o livro é antigo, mas essa é uma edição nova lançada pela Editora Suma. A edição é muito bonita, de capa dura, e com ilustrações em alguns pontos. É um livro curto e que consegue prender o leitor até o final. Em um primeiro momento a história segue um pouco devagar, apresentando os personagens. Não sei se a ideia é fazer o leitor se apegar a eles, porque isso não acontece. A escrita do autor é muito impessoal, e eu senti como se estivesse vendo tudo de fora, o que não é tão legal, como quando o leitor se sente vivenciando aquilo.

Não sei quem ou o que ele é, não sei se aquela história que nos contou é verdade, e não ligo. Talvez ele seja uma mente hrangan, o anjo vingador dos volcryn ou o segundo advento de Jesus Cristo. Que diferença isso faz, porra? Ele está nos matando! — Ele olhou para cada um deles. — Qualquer um de nós pode ser o próximo. Qualquer um de nós. A não ser… Temos que fazer planos, fazer alguma coisa, acabar com isso definitivamente.

Apesar dessa questão, a história se desenvolve bem, e um mistério vai surgindo, incentivando a leitura. Dá para perceber que a história vai tendo uma crescente, e consegue surpreender o leitor no final. Adoro uma história de ficção cientifica, e esse livro cumpre todos os requisitos. Tem conversas sobre temas espaciais e sobre um povo misterioso, tem personagens cibernéticos, acidentes e mortes suspeitas, ação e mistérios para resolver. É uma obra bem interessante. O livro já virou um filme, e tem previsão de se transformar em outro. Uma série estava sendo planejada, mas parece ter sido deixada de lado.

— Entende o quê? — perguntou D’Branin, perplexo.— Você não entende — disse Royd com firmeza. — Não finja que sim, Melantha Jhirl. Não! Não é sábio nem seguro estar lances demais à frente.

Como disse, a história é bem escrita e coesa. Apresenta vários personagens, e apesar da forma como a história é contada, é possível simpatizar com alguns personagens e torcer por eles no final. A história é bem entendível, e o autor procura deixar as informações claras para o leitor que é novato nesse universo. Nunca tinha lido nada do autor, e para um primeiro contato, foi uma boa experiência. E a Suma está de parabéns pela edição que está linda.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Resenha: "E se Fosse Verdade..." (Marc Levy)

Tradução: Jorge Bastos

Sinopse: Autor francês mais lido em todo o mundo, Marc Levy deve em muito o sucesso de suas vendas e críticas positivas a E se fosse verdade..., livro que marcou sua estreia literária. O romance nasceu da ideia de Levy, à época um empresário de sucesso, escrever uma história para seu filho, para que ele a lesse quando chegasse à idade adulta. 

Lauren é uma jovem médica com muito potencial: faz residência no San Francisco Memorial Hospital, na Califórnia. Porém, sua carreira promissora é interrompida quando ela é vítima de um grave acidente de carro e fica em estado de coma. Com morte cerebral confirmada, ela acorda e descobre que está fora de seu corpo – incomunicável como um fantasma. De forma misteriosa, Lauren consegue ser vista apenas pelo solitário Arthur, o novo inquilino de seu apartamento. Cético, ele leva algum tempo para acreditar na história da invasora, mas logo o sentimento entre os dois se torna algo a mais. Sem esperanças, os médicos e a família da jovem decidem fazer a eutanásia. Agora, o casal terá que lutar para salvar o corpo de Lauren, e descobrir alguma forma de reuni-lo com sua consciência. 

Grande sucesso de vendas, a inusitada história de amor foi publicada originalmente em 1999. Seus direitos para o cinema foram comprados por Steven Spielberg e a adaptação homônima, estrelada por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo, lançada em 2005, foi também sucesso de público e crítica.


Fonte: Skoob

Por Sheila: Oi Pessoas!  Quando peguei esse livro em mãos, vi que o mesmo me era familiar. Pesquisando para a resenha, vi que havia sido feito um filme - que eu tinha assistido - baseado neste belíssimo escrito de Marc Levy. Eu só havia assistido ao filme até então, e fiquei super empolgada em conhecer a estória "por de trás" das telinhas. Aliás, este foi o romance de estréia de Marc Levy, vocês sabiam?  Eu não ...

Pois bem, a estória é a seguinte: Lauren é uma jovem residente de medicina super dedicada ao seu trabalho e que, pelo que nos é relatado na primeira parte do livro, ama o que faz e ama sua vida. Do tipo de pessoa que admira um belo pôr do sol, e o espetáculo singelo de uma flor a se abrir.

Em um de seus raros dias de folga, resolve se encontrar para um passeio com os amigos, mas acaba sofrendo um acidente terrível de carro, e o que parecia ser o início de uma vida muito bem vivida, e uma carreira promissora, parece ter acabado antes da hora.

Lauren permanece inerte. Parece repousar tranquila, com o rosto descontraído, a respiração lenta e regular. Pela boca ligeiramente entreaberta, poderíamos imaginar um rápido sorriso, mas pelos olhos fechados, ela parece dormir. Os cabelos compridos emolduram o rosto e a mão direita descansa em cima da barriga.

Arthur é um paisagista de uma sensibilidade imensa que aluga um apartamento que apresenta uma curiosa peculiaridade: há uma linda jovem escondida em seu banheiro. E ela estava cantando. Mas o mais inacreditável é a história que a mesma conta: ela é Lauren, a antiga proprietária do apartamento que ele esta alugando, e está em coma no hospital, num quadro com poucas esperanças de reversão.

Peggy Lee cantava Fever na FM 101,3 e Arthur mergulhou várias vezes a cabeça na água. Estava surpreso com a qualidade do som e pelo extraordinário efeito estéreo, sobretudo num radinho que, em princípio, era mono. Prestando atenção, parecia que o estalar dos dedos acompanhando a música vinha do armário. Intrigado, saiu da água e andou  sem fazer barulho até lá, para ouvir melhor. O som estava cada vez mais nítido. Arthur se concentrou, tomou fôlego e abriu bruscamente as duas portas. Arregalou os olhos e deu um passo atrás.
Entre os cabides e de olhos fechados, uma mulher, aparentemente embalada pelo ritmo da música, estalava o polegar e o indicador, cantarolando.

Relutante a princípio em se deixar levar por essa estória inacreditável, Arthur acaba cedendo as provas que Lauren vai lhe fornecendo de que o que diz é verdade - e que ele não esta ficando maluco. É claro que há romance. Mas ele perdurará, na ausência de um contato físico? E até quando a situação se estenderá?

E se fosse verdade... é um romance belíssimo que me emocionou - confesso! - às lágrimas. Traz à tona questões profundas como vida, morte, eutanásia, amores impossíveis, perdas e acontecimentos improváveis, de uma maneira tão bem narrada e costurada,  que virou sem muito esforço um dos meus livros favoritos.

Nas telinhas, Spielberg comprou os direitos autorais, e lançou o filme homônimo, estrelado por Reese Whiterspoon e Mark Ruffalo. Como eu havia visto o filme antes, gostei muito do enredo, apesar de as diferenças entre os dois serem gritantes. No filme, por exemplo, Lauren é mais uma viciada em trabalho, competitiva, que não tem amigos e tem uma tendência a ser mandona.

Para ser imparcial, tentei considerar os dois como obras distintas para poder apreciar sua beleza. Mas com certeza, o livro me emocionou e envolveu muito mais. Se o filme é bonito, o livro de Mar Levy, relançado pela SUMA de letras com uma capa simples, mas belíssima, é cativante!

Se você já leu, releia! E se fosse verdade... me parece uma daquelas estórias que nunca sairão de moda.

Bjinhus a todos e tod@s!

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Resenha: "Celular" (Stephen King)

Tradução: Fabiano Morais


Por Sheila: Oi pessoas do meu coração! Alô Alô kingmaníacos! Chegando nas livrarias agora em agosto pela nossa querida, AMADA, Suma de Letras, a nova edição de Celular!

Com essa nova capa linda, cheia de estilhaços, como se fosse uma tela de celular quebrada, vem engrandecer nossa coleção seguindo o design que a Suma vem criando para todos os lançamentos do mestre. 

Para quem ainda não conhece a história, somos apresentados no início a Clay Riddel, um escritor de histórias em quadrinhos que está muito feliz indo tomar um sorvete. Clay vem há muito tempo tentando vender seus livros de histórias em quadrinhos e, finalmente, havia conseguido. E é justamente nesse momento que nota que algo estranho esta acontecendo com as pessoas.

Então Clay escutou outro grito do Common, e daquela vez não era humano, mas algo entre um latido de surpresa e um uivo de dor. Ele se virou para olhar e viu o cachorro que estivera correndo com o frisbee na boca. Era um cão marrom de bom porte, talvez um labrador. Ele não entendia muito de cachorros; quando precisava desenhar um, copiava a gravura de algum livro. Um homem de terno e gravata estava ajoelhado ao lado do cão, e parecia estar —com certeza não estou vendo o que acho que estou vendo —mastigando a orelha dele. Então o cachorro uivou novamente e tentou se desvencilhar. O homem de terno o segurou firme e, sim, estava com a orelha do cão na boca e, enquanto Clay continuava a olhar, ele a arrancou do lado da cabeça do animal. Desta vez, o cão soltou um grito quase humano, e vários patos que estavam flutuando em uma lagoa próxima alçaram voo grasnindo.
Num evento mundial que mais tarde viria a ser chamado de Pulso, todas as pessoas que estavam ligadas a um telefone celular numa determinada hora foram afetados. As pessoas simplesmente enlouqueceram passando a atacar e matar todos ao seu redor. O caos se instaura, com carros batendo, aviões caindo e pessoas atacando umas as outras.

Clay, que tem apenas seu portfólio, agora sem mais nenhum valor, para se defender, acaba salvando de um ataque Tom McCourty, com quem resolve fugir e procurar por abrigo em um prédio. Lá eles irão encontrar outra sobrevivente, uma menina de 15 anos chamada Alice Maxwell, e irão esperar pela intervenção das autoridades, ou por alguma explicação do que diabos esta acontecendo com o mundo.

—Jesus Cristo —repetiu a voz branda do lado direito de Clay. Ele se virou e viu um homem baixinho com cabelo preto ralo, bigodinho da mesma cor e óculos com armação dourada. —O que está acontecendo? —Não sei —respondeu Clay. Era difícil falar. Muito difícil. Ele sentiu que estava quase empurrando as palavras para fora. Imaginou que fosse o choque. Do outro lado da rua, pessoas corriam, algumas saíam de dentro do Four Seasons, outras do ônibus de turismo acidentado. Enquanto ele observava, um sobrevivente do ônibus colidiu com um dos que escaparam do hotel, e ambos se espatifaram na calçada. Clay teve tempo de se perguntar se estava enlouquecendo e se aquilo tudo não seria uma alucinação dele em algum manicômio. Juniper Hill, na região de Augusta, talvez, entre injeções de Torazina. —O cara no caminhão de sorvete disse que talvez fossem terroristas. —Não estou vendo homens armados —disse o baixinho de bigode. —Nem gente com bombas amarradas nas costas. Clay também não, mas ele olhou para a sacola de compras da PEQUENOS TESOUROS e o portfólio na calçada, e viu que o sangue da garganta aberta da Mulher do Terninho Executivo —meu Deus, pensou, tanto sangue.
Quando por fim eles percebem que toda a ordem no mundo que conheciam se foi, e que estão por conta própria, a única preocupação de Clay é encontrar seu filho  e descobrir se ele esta bem. Acompanhado pelos seus dois novos companheiros, eles logo descobrem que, após o primeiro ataque de fúria, as pessoas atingidas começam a adotar comportamentos, digamos singulares. Quase como se estivessem evoluindo.

Agora, eles terão de aprender as novas regras da sociedade pós Pulso, se quiserem sobreviver para ver o nascer do próximo dia e, quem sabe, conseguirem achar o filho de Clay e sua ex-esposa ainda vivos e esperando por ele.

Celular é um livro brutal, pesado, onde a tecnologia se vira contra a humanidade, e há a todo momento o questionamento de qual a nossa responsabilidade ao a utilizarmos de forma indiscriminada. Como sempre, o destaque para os livros do King são a forma como consegue nos mostrar que não há monstro maior que o próprio ser humano, e sua capacidade ilimitada para encontrar formas de ferir o outro.

Mas, em contraponto, também sempre há as pessoas que, mesmo em meio ao caos, continuam fiéis às suas convicções de moral e civilidade, mesmo que a civilização como a conhecemos praticamente já não mais exista.

Aos Kingmaníacos, leitura obrigatória. Super recomendo!

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resenha: "A Máquina do Tempo" (H. G. Wells)

Tradução: Braulio Tavares

Por Eliel: De vez em quando, é muito bom visitar os clássicos. Afinal, não só eles falam ao leitor sobre o espírito de uma época mas também, em alguns casos, dão o ponto de partida para o surgimento de toda uma nova era na literatura.

Nesta edição especial com ilustrações e extras, lançada pela nossa queridíssima Suma de Letras, encontraremos não só a beleza do escrito épico de H. G. Wells, como também uma edição digna de colecionador por seu acabamento e construção.

Para os que ainda não conhecem, "A máquina do Tempo" narra a história de um cientista inglês que, por meio de sua invenção, acaba em um futuro extremamente distante, onde os Eloi e os Morlock dividem a Terra de forma nem sempre pacífica.

Lançado em 1895, foi um livro visionário por ser o primeiro a tratar do conceito de viagem no tempo através de um dispositivo montado especificamente para este fim, mediante a vontade de seu criador.

Você assistiu De volta para o Futuro? Planeta dos Macacos? O exterminador do futuro? Bom, não podemos creditar todas essas histórias a Wells, mas com certeza foi ele quem primeiro lançou mão, literariamente falando, desta possibilidade, e o fez muito bem.

O livro foi adaptado para os cinemas duas vezes, uma em 1960 e outra em 2002. Na primeira versão, foi relativamente fiel ao livro original, enquanto a versão de 2002 adicionou um romance à trama. Nela o ator principal só constrói a máquina para tentar salvar sua noiva, Emma, que havia morrido tragicamente. Ao não conseguir modificar o passado, vai ao futuro em busca de respostas.

Na trama original, o personagem principal, chamado apenas de "viajante do tempo", convida diversos homens proeminentes em suas carreiras, desde jornalistas até médicos renomados, para um jantar em sua residência. O motivo, é intrigante: explicar-lhes sobre as suas descobertas, que tangem à possibilidade de se viajar no tempo. E mais, que ele havia construído uma máquina capaz de o fazê-lo.

Nós nos entreolhamos, perplexos. — Diga-me uma coisa — o Médico foi o primeiro a falar —, você está falando sério? Acha, com toda a sinceridade, que essa máquina está realmente viajando no Tempo? — Sem dúvida! — disse o Viajante do Tempo, abaixando-se para apanhar um tição na lareira. Enquanto acendia o cachimbo, voltou-se e fitou o Psicólogo. (Este, para demonstrar que não estava perturbado, tirou um charuto e tentou acendê-lo sem cortar a ponta.) — E não é só isso — continuou,indicando o laboratório. — Tenho ali dentro uma grande máquina quase terminada. Quando estiver pronta, tenciono viajar eu próprio.
É com incredulidade que os homens presentes à reunião, achando que o protótipo criado pelo Viajante do tempo nada mais foi que um truque de prestidigitador. Na semana seguinte, no entanto, em novo jantar servido em sua casa, vêem o Viajante entrar em casa em situação lastimável: descalço, sujo, cabelos desgrenhados, machucado e com ar distante como se algo lhe ouvesse acontecido.

— Mas por onde é que andou você, homem de Deus? — gritou de novo o Médico. O Viajante do Tempo não pareceu tê-lo ouvido. — Fiquem à vontade, não quero perturbá-los — falou, articulando com dificuldade as palavras. — Estou bem. Deteve-se e estendeu a taça para que a enchessem de novo, e esvaziou-a de uma só vez. — Isso faz bem — disse. Seus olhos se tornaram mais brilhantes e um leve rubor subiu-lhe às faces. Relanceou os olhos sobre nós numa espécie de muda aprovação e em seguida se pôs a andar pela sala quente e confortável. Depois voltou a falar, ainda como se tivesse dificuldade cm encontrar as palavras. — Vou lavar-me e mudar de roupa, depois descerei para lhes dar as explicações. .. Deixem para mim um pouco desse carneiro. Estou quase a morrer de fome
Sentado à mesa e já refeito, o Viajante do tempo come com bastante apetite, mostrando que suas palavras não tinham sido um exagero, realmente estava faminto. Em seguida, convida os homens a escuta-lhe narrar suas aventuras em sua primeira viagem no tempo. O restante do livro será então o estranho e surpreendente relato do viajante do tempo do que encontrou nessa empreitada inusitada.

Por mais que seja uma leitura que traz a tona algumas expressões antigas, e conceitos comuns ao ano em que foi escrita, não se torna maçante em momento algum. A leitura é fluida  ágil, os acontecimentos encadeiam-se de forma lógica e não levei mais que um dia para lê-lo.

As ilustrações ficaram belíssimas, adorei também o material extra dessa edição que, convenhamos, fica perfeita na estante! Se você ainda não leu, leia! Você não vai se arrepender. Mas, se não leu, adquirir o livro vale muito a pena, realmente ficou uma peça magnífica!

Ah, e uma curiosidade! Você sabia que a ideia de viagem do tempo vem sendo pesquisada aqui no Brasil? O físico Mario Novello lidera uma equipe há cerca de 15 anos que se dedica justamente a teorização sobre a construção de uma máquina do tempo. Eles investigaram uma possibilidade levantada em 1949 pelo matemático Kurt Gödel para as equações da relatividade geral de Einstein e Henri Poincaré.



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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Resenha: "Interferências" (Connie Willis)

Tradução: Viviane Diniz Lopes

Sinopse: Combinando humor e romance, Connie Willis, ícone da ficção científica, entrega um livro envolvente sobre os perigos da tecnologia, do excesso nas redes sociais e... do amor. Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava. Mais complicado do que ela esperava.

“Um dos livros de ficção científica mais divertidos dos últimos anos.”— Locus “Um conto de fadas tecnológico extremamente divertido.” — BookPage.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Quem diria que com essa capa fofa teríamos uma ficção cientifica ao estilo Black Mirror? Pois é, e uma ficção cheia de humor para tratar de um avanço que sinceramente eu não quero que a tecnologia alcance: a telepatia.

Eis que surge a ideia de uma nova tecnologia que promete ampliar as sensações entre pessoas apaixonadas. Capaz de fazer que a pessoa amada sinta os seus sentimentos e dessa forma a relação entre vocês se estreite ainda mais. 

Com uma pegada de humor, Connie Willis, aborda um tema muito interessante para a nossa geração. O excesso de comunicação entre as pessoas através de aparelhos eletrônicos e redes sociais tem causado muitos problemas nas relações humanas. Está faltando mais olho no olho, mas é claro que essas tecnologias servem para melhorar nossa comunicação, é o excesso que é o problema. As respostas instantâneas têm aproximado quem está longe, mas quem está lado a lado acaba esquecido.

Briddey está apaixonada por Trent, o galã da empresa. Ele deseja que os dois se conectem ainda mais, então sugere uma pequena cirurgia que promete fazer exatamente isso. Na empresa não se fala de outra coisa nas rodas de fofoca. Exceto, como a Commspan irá derrubar o próximo lançamento de smartphone da Apple.

Trent está a frente desse projeto grandioso que é mantido em segredo, por isso anda tão preocupado. Mesmo com tantos afazeres ele está muito ansioso para se conectar logo com sua namorada, Briddey. Ela também está muito ansiosa, isso porque precisa manter isso em segredo da sua família irlandesa superprotetora e tradicional. Além disso, ela também têm muito trabalho para desenvolver novos conceitos e aplicativos para os produtos da empresa.

C. B. Schwartz é o gênio excêntrico por trás da Commspan, é ele quem desenvolve as ideias e produtos. Um gênio da informática e da comunicação que prefere se manter isolado em seu laboratório e longe de outras pessoas. É dele que Briddey precisa para adiantar o trabalho dela para que o final de semana esteja livre para realizar seu EDD, a cirurgia da empatia com Trent.

Entretanto, ao descobrir que ela fará essa cirurgia, C. B., tenta desesperadamente inibir essa ideia maluca. Ele mostra pesquisas, casos, um milhão de motivos para não fazer isso. Ele tem motivos muito fortes para não querer que Briddey se submeta a algo tão nocivo, na opinião dele.

Não adianta, ela faz a cirurgia e agora precisa enfrentar as consequências de seus atos. Por exemplo, após a cirurgia ela desenvolve uma ligação telepática justamente com C. B. ao invés de se conectar empaticamente com Trent.

Com muita relutância e nenhuma opção, Briddey aceita a ajuda de C. B. para lidar com esse problema antes que Trent descubra que seus planos deram errado. A partir daí se desenvolve uma relação fofa entre os dois lidando com as dificuldades de ter várias vozes em sua mente.

A premissa de ficção científica a la Black Mirror é ótima. Tem um grande plano de fundo que permeia a narrativa que faz críticas ao excesso de comunicação, mas não deixa de ser um romance com a típica fórmula do triângulo amoroso. Um livro grande (tem cerca de 400 páginas) com narrativa bem leve. Recomendo.

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resenha: "A Incendiária" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.
Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Por Sheila: Oi pessoas!!!! Vários pontos de exclamação por que eu sempre fico super, hiper, ultra MEGA empolgada quando o assunto é Stephen King. Juntamos o querido King com a Suma (sua linda!) + edição em capa dura + relançamento de livro esgotado e o que acontece? Eu SURTO, obviamente.

Lançado em 1980, estava esgotado há vários anos, e era um dos pedidos constantes de inclusão na Biblioteca Stephen King - Inclusive por mim! E a nossa querida Suma, mais uma vez, conseguiu se superar na escolha e no capricho!

Para quem ainda não leu, vamos ao livro: no melhor estilo sci-fi, King irá nos apresentar aos jovens Andy e Vicky McGee, que foram usados em uma experiência secreta ainda adolescentes. Enquanto Andy consegue "empurrar" as pessoas e levá-las a pensar o que ele deseja, sua filha Charlene (Charlie) herda os genes modificados dos pais e parece ter poderes muito mais proeminentes. Enquanto Andy fica esgotado ao usar seus poderes, Charlie consegue fazê-lo sem nenhum efeito colateral.

Andy pegou a carteira, que tinha só uma nota de um dólar. Agradeceu a Deus por não ser um daqueles táxis com divisória à prova de balas, que não permitia contato entre passageiro e motorista, exceto por uma abertura para o dinheiro. Contato direto sempre facilitava o impulso. Nunca conseguiu descobrir se eraalgo psicológico ou não, e agora não importava.
— Vou dar a você quinhentos dólares — informou Andy, baixinho —, para você levar a minha filha e eu até Albany. Certo?
— Jeee-sus, moço… Andy colocou a nota na mão do taxista, e quando o sujeito olhou, Andy deu outro impulso… com força.
O motorista estava satisfeito. Não estava pensando na história enrolada do passageiro. Não estava questionando o que uma garotinha de sete anos estava fazendo visitando o pai por duas semanas em outubro, época de aulas. Não estava pensando no fato de que nenhum dos dois possuía bagagem . Não estava preocupado com nada. Ele tinha sido impulsionado. Agora, Andy pagaria o preço.

Acontece que os McGee nunca deixaram de ser vigiados pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora pessoas que apresentem qualquer tipo de poder especial. E assim, quando a pequena Charlie herda de seus pais a capacidade de produzir fogo, conhecida como pirocinesia, o casal faz de tudo para evitar que a mesma se exponha, ou exponha seus poderes especiais.

O início do livro é muito rápido, já começa com a fuga de pai e filha. Infelizmente, como Charlie tinha dificuldade em controlar seus poderes por causa de sua pouca idade, a Oficina descobriu seu dom, e tentou tirá-la de Andy e Vicky. Em meio a fuga, descobrimos que Vicky não os acompanha por que foi assassinada pela Oficina em sua tentativa de proteger a filha.

Papai, estou cansada — disse com agitação a garotinha de calça vermelha e blusa verde . — A gente não pode parar? — Ainda não, querida. Ele era um homem grande de ombros largos, vestindo um paletó de veludo gasto e puído e uma calça marrom de sarja. Ele e a garotinha estavam de mãos dadas, andando pela Terceira Avenida em Nova York. Caminhavam rápido, quase correndo. Ele olhou para trás, e o carro verde ainda estava lá, seguindo lentamente junto ao meio-fio. — Por favor, papai. Por favor. Ele olhou para ela e viu como seu rosto estava pálido. Havia círculos escuros embaixo dos olhos da menina. Ele a pegou no colo e a apoiou na dobra do braço, mas não sabia por quanto tempo conseguiria seguir assim. Também estava cansado , e Charlie não era mais tão leve. 

Um dos grandes antagonistas desta trama é o agente da Oficina, Rainbird, um indígena que persegue  a menina não pelos ideiais da organização que representa, mas por um motivo muito mais bizarro: Rainbird acredita que, ao matar Charlie, precisa olhar em seus olhos para receber uma grande revelação espiritual.

Adaptado para as telonas em 1984, chegou ao Brasil com o título Chamas da Vingança e tinha Drew Barrymore, ainda muito pequena, como Charlie e David Keith como Andy McGee, o pai. Infelizmente à época foi considerado um fracasso de bilheteria, mas ainda tenho a esperança de um remake.


Repleto de cenas de fuga desesperada, amizades desfeitas, dúvidas horrendas e muita ação nas mãos da pequena Charlie, que precisa usar seu dom para se defender, A Incendiária é um livro maravilhoso, que irá nos prender do início ao fim, não só por sua escrita, mas por nos fazer questionar a ética por trás da existência de diferenças que impactem a vida de outras pessoas.

Afinal, até onde podemos esperar que Charlie se torne uma pessoa "normal", ou que se torne uma incontrolável máquina de matar, incendiando tudo e todos em seu caminho? Teria tirado alguma vida se não tivesse sido tratada como um monstro? Seria seguro mantê-la em meio as ouras pessoas, sem poderes?

Um clássico obrigatório aos fãs de nosso querido King, e um trabalho mais que espetacular da nossa querida editora Suma, mais uma vez com capa dura em alto relevo, folhas amarelas, ótima revisão e diagramação que tornam a leitura um prazer. Recomendo!

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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Resenha: "A Colônia" (Ezekiel Boone)

Tradução: Leonardo Alves

Por Sheila: Oi pessoas! Quem ai, como eu, tem pavorrrr desses seres rastejantes de oito patas???? Confesso que foi com muita, mas muiiiiita relutância que comecei a ler A Colônia. Não por que esperava que a leitura não valesse a pena. Mas por medo de depois não conseguir dormir à noite mesmo.

Apesar do autor no início fazer um pouco de suspense, narrando ataques em diferentes partes do mundo por meio de seres pretos, que se movimentam como um rio e devoram tudo em seu caminho, nós já sabemos que se tratam de aranhas - por causa da capa não é? Nenhuma novidade aí.

Mesmo assim, o estilo da narrativa de Boone me faz lembrar de Stephen King em alguns momentos, com seus vários personagens, todos de alguma forma interligados pela mesma tragédia/momento apocalíptico em comum, todos alheios da existência uns dos outros, mas com mundos prestes a convergir de um jeito ou de outro.

Nossa história começa no Peru, com um bilionário acima do peso, suas três modelos semifamosas/acompanhantes do momento, um guarda costas zeloso e um guia, Miguel, que já teve dias melhores. Nas selvas do Peru, ele esta acostumado a ter que lidar com grupos de turistas que ele considera estúpidos, mas se sente particularmente cansado nesse dia.

Além de suspeitar que sua namorada o está traindo, ele precisa parar o passeio do grupo peculiar que o acompanha a cada 20 minutos mais ou menos, não só por que o ricaço gordo parece não conseguir acompanhar o ritmo do restante do grupo, mas por que este também parece estar tendo problemas em manter a comida dentro de si, tendo que parar constantemente para se aliviar aos lados da trilha que seguem.

Talvez por seus problemas pessoais, não presta muita atenção ao fato da floresta estar tão silenciosa, ou na ausência até mesmo de insetos, o que distrairia um pouco seus turistas. Mal sabe ele que esta prestes a lidar com uma situação inusitada - e, infelizmente, fatal - e que seus problemas anteriores estão prestes a se tornar irrelevantes.

Até os pássaros estavam quietos. Ele tentou prestar mais atenção, e então ouviu alguma coisa. Sons ritmados. Folhas esmagadas. Quando se deu conta do que era, um homem apareceu de repente no ponto onde a trilha desaparecia em uma curva. Até mesmo a cem metros de distância, estava nítido que havia algo errado. O homem viu Miguel e gritou, mas Miguel não entendeu as palavras. O homem então olhou para trás e, ao virar a cabeça, tropeçou e tombou com força. Algo que parecia um rio preto surgiu de repente atrás dele. O homem só conseguiu ficar de joelhos antes de a massa escura o cercar e cobrir. Miguel deu alguns passos para trás, mas percebeu que não queria se virar.

Ao mesmo tempo, o autor nos apresentará a outros lugares e personagens que irão, aos poucos, fazendo parte dessa trama envolvendo aracnídeas assassinas sedentas de sangue: 

Manny e Steph estão na Casa Branca. Ela é a primeira presidente mulher dos Estados Unidos; ele é um amigo, que virou amante, que casou - e depois se separou - com uma bióloga que será também importante na trama, que virou político e novamente amante de Steph  e agora tenta ajudá-la a descobrir como alguns incidentes isolados parecem estar intimamente conectados. 

Mike Rich é um agente do serviço secreto com dificuldades em aceitar o divórcio e, mais ainda, o fato de que sua ex-mulher quer mudar o sobrenome de Annie, a filhinha deles de 09 anos. Quando ele precisa investigar um avião que caiu de forma misteriosa, ele é o primeiro a notar que a aranha que encontra não parece ser uma aranha comum, e a capturar uma delas viva.

... ele já estava virado de novo para o corpo de Henderson, torcendo para que aquilo saindo do rosto do cadáver fosse só uma ilusão causada pelas sombras. Não era. Mike estava vendo claramente. Era uma aranha, e três quartos do corpo peludo do tamanho de uma bola de golfe estavam se arrastando para fora do rosto de Henderson por um buraco na parte superior da bochecha direita. Mike sentia a mão latejar, e agora o sangue gotejava livremente. Os únicos sons dentro do avião eram a respiração de Mike e o esforço da aranha para sair do rosto de Henderson. Parecia… Ah, merda. Parecia som de mastigação. Mike sentiu ânsia de novo e não conseguiu se conter. Saiu correndo até a abertura por onde tinha entrado no jatinho, apoiou a mão boa na lataria, se inclinou para fora e despejou o que restava do almoço.

Já Melanie é uma especialista nessas pequenas aracnídeas e tem por elas um fascínio arrebatador. Assim, no início parece uma surpresa agradável que um amigo de sua pós graduanda, do Peru, envie para seu laboratório uma bolsa de ovos que parece ter quase dez mil anos e, muito estranhamente, estar viva e prestes a eclodir.

Além disso, teremos vários outros personagens que, de maneira maior ou menor, irão contribuir para encher a narrativa, não por que sua história particular os tornem personagens principais, mas por que são peças importantes de um quebra-cabeça que vamos construindo até que finalmente possamos ter uma idéia geral do que está acontecendo com um mundo.

"A Colônia" é um livro angustiante aos aracno fóbicos, e eletrizante para quem curte uma boa narrativa de cenários apocalípticos. Haverá muito suspense, ação, enquanto o autor vai contando pedacinho por pedacinho do que esta acontecendo, sendo que vamos descobrindo um pouco junto com os personagens e no desenrolar da história.

Apesar do tema "aranhas do mal" já ter sido bastante explorado, principalmente por Hollywood, a escrita de Boone consegue ter uma originalidade inquietante, e uma narrativa que prende o leitor do início ao fim e o faz ficar desejando por mais.

Este é o primeiro livro de uma trilogia, e muitas pessoas criticaram bastante o final muito aberto, mas como o segundo livro, "A Expansão", já foi lançado, e pretendo emendar uma leitura na outra, não fiquei assim tão decepcionada. Recomendo com ressalvas, algumas descrições são bem explícitas e se você tem muiiiitooo medo de aranhas, não leia. Sério.

Forte Abraço!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Resenha: "O Destino de Tearling" (Erika Johansen)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! como vocês estão? Hoje encerramos mais uma trilogia. Ah! Trilogias! Como não amá-las de forma apaixonada? Como não se sentir ansioso com a espera pelas continuações? Como não morrer de frustração ao fim de algumas, ou de nostalgia ao término de outras?

A trilogia que começou com "A Rainha de Tearling" já resenhada pelo blog aqui me cativou de uma forma absoluta - o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom, por que é sempre uma satisfação para um leitor ter em mãos uma obra que realmente o empolgue, instigue, prenda a atenção.

E ruim ... bom por que ele faz parte de uma trilogia. Não há garantias de que os próximos dois livros conseguirão cumprir com o mesmo papel, e que o desfecho seja elaborado de forma a abarcar todas as dúvidas construídas e elaboradas na trama.

Felizmente, o segundo livro, "A Invasão de Tearling" já resenhado aqui conseguiu ser melhor do que o primeiro, e a trama, que era repleta de segredos - o que afinal era o Tearling, a travessia, de onde surgiu a Rainha Vermelha, ou o espectro de fogo que a acompanha - tudo isso nos é respondido no segundo livro, deixando a terceira parte a tarefa de responder a algumas poucas perguntas e, claro, resolver a trama criada ao longo dos outros dois livros.

Feita prisioneira da Rainha Vermelha, Kelsea é levada para a prisão de Mortmesne. Seu futuro não parece promissor - acorrentada, constantemente agredida, chocalhando em uma carroça, sem suas safiras. Mas, mesmo assim, Kelsea continua com o porte de uma verdadeira Rainha.

O carcereiro estava sorrindo de novo, as sobrancelhas erguidas esperando uma reação. Eu já estou morta, Kelsea lembrou a si mesma. Em teoria, ela já era uma mulher morta havia meses. Havia grande liberdade nesse pensamento, e essa liberdade permitiu que ela puxasse as pernas, como se para se encolher no canto da carroça, e, no último momento, arqueasse as costas e chutasse o carcereiro no rosto.
Ele caiu para o lado com um baque. Os cavaleiros ao redor explodiram em gargalhadas, a maioria nada gentil; Kelsea percebeu que o carcereiro não era muito popular com a infantaria, mas essa constatação não a ajudaria em nada. Ela ficou de joelhos e levou as mãos acorrentadas à frente do corpo, preparada para lutar da melhor forma possível.

Já a Rainha Vermelha precisa enfrentar a rebelião causada em seu reino, uma fissura que se tornou cada vez maior, e teve seu estopim na retirada do exército sem que seus soldados pudessem realizar os saques e pilhagens que esperavam em pagamento aos seus serviços. Quase sem aliados, com um povo altamente descontente, e com safiras que não respondem a ela, a Rainha Vermelha sabe que talvez esteja próxima do fim.  

— Nós recebemos um salário — respondeu outro homem.
— Uma verdadeira mixaria.
— É verdade — disse uma terceira voz. — Minha casa está precisando de um telhado novo. Não vou conseguir pagar com essa esmola.
—Parem de reclamar!
—Ah, e você? Você sabe por que estamos indo para casa de mãos vazias?
 —Sou um soldado. Não é meu trabalho saber das coisas.
—Eu ouvi um boato —murmurou a primeira voz em tom sombrio. —Ouvi que os generais e os coronéis preferidos deles, de Ducarte para baixo, vão receber a cota deles.
—Que cota? Não houve pilhagem!
—Eles não precisam de pilhagem. Ela vai pagar diretamente a eles, do tesouro, e deixar o resto de nós de mãos vazias!
 —Não pode ser verdade. Por que ela os pagaria por nada?
 —Quem sabe por que a Dama Escarlate faz as coisas? 

Finalmente saberemos quem é o espectro libertado por Kelsea, sua história junto aos Tear, e o por que de sua busca incessante por sangue e devastação, bem como entenderemos boa parte das motivações secretas por detrás de cada um dos personagens, mesmo do pouco acessível Clava, que foi denominado regente de Tearling na ausência de sua verdadeira rainha.

A escrita deste terceiro e último volume flui de uma maneira surpreendente, foi impossível abandonar as páginas até chegar ao desfecho. Cada final de capítulo trazia um acontecimento tão surpreendente
que eu precisava continuar lendo para saber mais, assim como Kelsea precisava continuar no passado, em "A Invasão de Tearling" o passado de Lily, e em "O Destino de Tearling" o passado de Katie.

A obra inteira é uma mistura de fantasia com a mais crua realidade, onde vamos encontrar temas como política, os limites de uma utopia, a formação de sistemas totalitários, os meios de subordinação e alienação, seja por falta de uma educação de qualidade, seja pela privação de conhecimento de um sistema religioso rígido e corrupto.

—De que adianta uma visão do passado?
—É uma boa pergunta, mas eu vejo tudo mesmo assim: quinze anos após o Desembarque, a cidade de Tear começou a apodrecer de dentro para fora. Quando disse aquilo, Kelsea percebeu que a história falhou com eles; sempre, na sala de aula de Carlin, a queda da utopia de Tear foi atribuída à morte de Jonathan Tear.
Mas tinha começado bem antes disso, todos os vícios antigos da humanidade retornando. Kelsea os sentiu mesmo em Katie, que foi criada por uma das tenentes mais antigas e de mais confiança de Tear.
Até Katie tinha dúvidas. Talvez nós não sejamos capazes de ficar satisfeitos, pensou Kelsea, e a ideia pareceu abrir um buraco dentro dela. Talvez a utopia seja inalcançável. 

Personagens fortes e marcantes, uma protagonista fora dos padrões, vilões tão carismáticos quanto os próprios protagonistas, viradas inesperadas, alianças improváveis e um final eletrizante e surpreendente. Preciso dizer mais? Se você não leu os dois primeiros livros, aventure-se. Juro que vai valer a pena.

Forte abraço e até a próxima!
sexta-feira, 2 de março de 2018

Resenha: "A Invasão de Tearling" (Erika Johansen)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje o segundo livro da trilogia iniciada com "A Rainha de Tearling". Esse primeiro livro também foi resenhado aqui no blog, e você pode ver a primeira resenha clicando aqui.

Como essa é a resenha de uma continuação, é inevitável que hajam spoilers, pois costumo iniciar falando um pouco sobre o desfecho do primeiro livro. Assim, àqueles que não querem estragar  a surpresa sugiro que parem por aqui.

Ao final do primeiro livro, vemos que as safiras de Kelsea não só lhe conferem dons premonitórios, mas também um incrível poder, que a mesma esta longe de compreender ou controlar.

Descobrir o traidor foi algo bastante doloroso, até por que, como eu disse na primeira resenha, nenhum dos vilões é um vilão de fato. Afora a entidade que habita o fogo e visita a Rainha de Mortmese, todos os outros personagens com más inclinações parecem ter passado por rupturas significativas em suas vidas, o que pode não justificar o ato mal, mas explica por que eles se tornaram o que são.

Enquanto em "A Rainha de Tearling" Kelsea está se esforçando para provar que é uma soberana forte, não uma boneca de luxo como foi sua mãe, em "A Invasão de Teraling" vemos uma menina tentando se tornar uma mulher. Conflitos com a aparência, amores, desejo, tudo isso acontecendo sem que possa ser vivido plenamente. Afinal, uma monarca não pode apresentar aos súditos esse tipo de fraqueza.

Sentia um grande arrepio de medo sempre que observava o rosto no espelho, lembrando uma coisa que Carlin disera uma vez: "A corrupção começa com um único momento de fraqueza". Kelsea não conseguia lembrar sobre o que elas estavam conversando, mas parecia se lembrar de Carlin olhando para Barty com crítica no olhar. Agora, ao olhar para si mesma no espelho, Kelsea soube que Carlin estava certa.

Além disso, apesar de suas jóias parecerem apagadas, Kelsea passa a ser levada para o passado, durante um período pré-travessia, onde acompanha de forma minuciosa a vida de uma mulher, Lily, o que aparentemente parece não ter nenhuma explicação lógica. Lily não é nenhuma figura histórica importante, então por que Kelsea passa a visitar cada vez mais seu mundo longínquo?

Quem é você Lily?Ninguém sabia. Lily tinha sumido no passado com o resto da humanidade. Mas Kelsea não podia ficar satisfeita com isso. Suas safiras funcionavam fora de seu controle, as ações inconsistentes e enlouquecedoras. Mas nunca mostraram a Kelsea nada que ela não precisava ver.

Em meio a tudo isso, continua a invasão pelo povo Mort e sua rainha vermelha, que também acaba se mostrando, ao longo do livro, muito menos uma tirana e mais uma mulher com feridas emocionais profundas, tentando se defender de algo que mal sabe nomear para si mesma.

Esse segundo livro nos trará muitas reviravoltas, paixões secretas, vilões e mocinhos trocando de papéis, muitas dúvidas, mas também muitas respostas respondidas. Vamos entender melhor quem é quem nessa trama mas, principalmente, como o mundo de Tearling começou.

Mais alguém esta ansioso pelo desfecho? Abraços e até a próxima!

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Resenha: "O Livro das Sombras" (Philip Pullman)

Tradução: José Rubens Siqueira

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje resenha desse lançamento há muito aguardado pelos fãs de Philip Pullman e a Trilogia Fronteiras do Universo! Na verdade, esse livro é o primeiro de uma nova trilogia, que antecede Fronteiras do Universo, e explica um pouco mais sobre o mundo de Lyra Belacqua, sua anterior personagem principal.

Neste novo livro, ainda faltam dez anos para que comece a narrativa de "A Bússola de Ouro" primeiro livro da Trilogia Fronteiras do Universo. Nessa nova aventura, vamos conhecer Malcom, um garoto de 11 anos com um coração imenso.

Malcolm era filho único do proprietário. Tinha onze anos, uma personalidade curiosa e gentil, um corpo robusto e cabelos vermelhos. Frequentava a escola Elementar Ulvercote, que ficava a quase dois quilômetros e tinha vários amigos. Mas ele gostava mesmo era de brincar sozinho com seu daemon, Asta.

Na Taverna de seus pais, A Truta, encontraremos um Malcolm pacífico e dedicado a ajudar seus pais. Além disso, nunca deixa de ajudar as freiras de um convento próximo, lugar onde iremos encontrar uma Lyra ainda bebê.

Preso por um enternecimento quase que instantâneo pela criança, Malcolm tenta saber mais sobre o misterioso aparecimento da criança, mas percebe que há algo errado em relação a isso; enquanto as freiras mostram-se evasivas e pouco colaborativas, começam chegar estranhos na taverna de seus pais que parecem ter interesse fora do comum nessa pequena criança abandonada.

Malcolm começou a recolher os pratos e talheres.
- Você viveu a vida inteira aqui, Malcolm? - perguntou lorde Nugent.
- Sim senhor. Eu nasci aqui.
- E, em toda sua longa experiência no convento, sabe se algum dia elas cuidaram de uma menor?
- Alguma criança muito nova?
- É. uma criança nova demais para ir à escola. Um bebê mesmo. Você sabe?

O segundo título do livro, "La Belle Sauvage", deve-se ao nome da embarcação da qual Malcolm se utiliza não só para viver muitas aventuras, mas também para manter Lyra a salvo já que, mesmo em tenra idade, já é motivo de extensas discussões, problemas e tramas sutilmente elaboradas.

Este primeiro volume tem um início lento, nos levando a conhecer Malcolm e seu dia a dia. Mas quando a aventura começa, atinge um ritmo muito mais cadenciado, cheio de aventura, magia, bruxas e ursos de armaduras (saudades!). Afinal, uma tempestade toma tudo o que antes era conhecido, e nesse novo mundo, Malcolm e sua improvável aliada Alice tem somente uma missão: proteger Lyra.

Apesar de ser leitura independente do "Fronteiras do Universo", é leitura obrigatória para quem já leu, pois traz diversos esclarecimento referente aos livros posteriores, fazendo com que a leitura dos mesmos se torne mais interessante e rica. Vamos aprender mais sobre a própria Lyra, o aletiômetro e a importante profecia que cerca essa criança tão especial.

Recomendo!

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Ana Liberato