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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Resenha: "Nightflyers" (George R. R. Martin)


Tradução: Alexandre Martins

Sinopse: Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. 

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.


Por Jayne Cordeiro: Este livro do autor de Game of Thrones não é um lançamento, afinal o livro é antigo, mas essa é uma edição nova lançada pela Editora Suma. A edição é muito bonita, de capa dura, e com ilustrações em alguns pontos. É um livro curto e que consegue prender o leitor até o final. Em um primeiro momento a história segue um pouco devagar, apresentando os personagens. Não sei se a ideia é fazer o leitor se apegar a eles, porque isso não acontece. A escrita do autor é muito impessoal, e eu senti como se estivesse vendo tudo de fora, o que não é tão legal, como quando o leitor se sente vivenciando aquilo.

Não sei quem ou o que ele é, não sei se aquela história que nos contou é verdade, e não ligo. Talvez ele seja uma mente hrangan, o anjo vingador dos volcryn ou o segundo advento de Jesus Cristo. Que diferença isso faz, porra? Ele está nos matando! — Ele olhou para cada um deles. — Qualquer um de nós pode ser o próximo. Qualquer um de nós. A não ser… Temos que fazer planos, fazer alguma coisa, acabar com isso definitivamente.

Apesar dessa questão, a história se desenvolve bem, e um mistério vai surgindo, incentivando a leitura. Dá para perceber que a história vai tendo uma crescente, e consegue surpreender o leitor no final. Adoro uma história de ficção cientifica, e esse livro cumpre todos os requisitos. Tem conversas sobre temas espaciais e sobre um povo misterioso, tem personagens cibernéticos, acidentes e mortes suspeitas, ação e mistérios para resolver. É uma obra bem interessante. O livro já virou um filme, e tem previsão de se transformar em outro. Uma série estava sendo planejada, mas parece ter sido deixada de lado.

— Entende o quê? — perguntou D’Branin, perplexo.— Você não entende — disse Royd com firmeza. — Não finja que sim, Melantha Jhirl. Não! Não é sábio nem seguro estar lances demais à frente.

Como disse, a história é bem escrita e coesa. Apresenta vários personagens, e apesar da forma como a história é contada, é possível simpatizar com alguns personagens e torcer por eles no final. A história é bem entendível, e o autor procura deixar as informações claras para o leitor que é novato nesse universo. Nunca tinha lido nada do autor, e para um primeiro contato, foi uma boa experiência. E a Suma está de parabéns pela edição que está linda.

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resenha: "Minha Coisa Favorita é Monstro" (Emil Ferris)

Tradução de Érico Assis

Sinopse: A história de um assassinato misterioso, um drama familiar, um épico histórico e um extraordinário suspense psicológico sobre monstros — reais e imaginados. A história em quadrinhos mais impactante desde Maus.

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.

Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.

Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.


Por Stephanie: Desde que vi a capa dessa HQ, fiquei encantada. A capa tem uma ilustração lindíssima da autora, Emil Ferris, e é claro que o conteúdo não poderia diferir disso. Com uma história rica e fascinante, Minha coisa favorita é monstro foi uma experiência totalmente diferente de tudo o que eu já li.

A protagonista, Karen, é uma narradora encantadora; uma criança bastante madura que precisa lidar com diversos problemas durante a história, dos mais simples aos mais duros e complexos. Eu adorei seu jeito sonhador e suas frases de impacto; ela soa sábia sem parecer inverossímil, pois é uma garota que precisou crescer muito cedo.




Quanto aos outros personagens, todos são repletos de características marcantes e falhas. Emil soube criar pessoas reais, tridimensionais, que nem sempre tomam as melhores decisões mas que nos fazem sentir bastante empatia.

O enredo é bem diferente e passeia entre diversos gêneros, como terror, suspense policial e ficção histórica. Inclusive, os trechos que se passam na Segunda Guerra Mundial me encantaram, foi algo inesperado e muito bem elaborado pela autora. Cheguei a me emocionar em algumas dessas partes.

Acho que nem é preciso falar muito sobre a arte da HQ. Os traços de Ferris são lindíssimos e eu nem consigo mensurar o tempo que ela levava para desenhar cada página, principalmente com suas dificuldades motoras (conheça a história de superação da autora aqui). É um trabalho de encher os olhos, e a obra certamente vale o preço elevado.




Fica a minha indicação para leitores de quadrinhos experientes ou não. Minha Coisa Favorita é Monstro é uma história completa, que aborda temas importantes e pesados com a visão de uma menina esperta, curiosa e sonhadora. Um prato cheio para os amantes de enredos de tirar o fôlego!

Até mais, pessoal!

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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Resenha: "A Colônia" (Ezekiel Boone)

Tradução: Leonardo Alves

Por Sheila: Oi pessoas! Quem ai, como eu, tem pavorrrr desses seres rastejantes de oito patas???? Confesso que foi com muita, mas muiiiiita relutância que comecei a ler A Colônia. Não por que esperava que a leitura não valesse a pena. Mas por medo de depois não conseguir dormir à noite mesmo.

Apesar do autor no início fazer um pouco de suspense, narrando ataques em diferentes partes do mundo por meio de seres pretos, que se movimentam como um rio e devoram tudo em seu caminho, nós já sabemos que se tratam de aranhas - por causa da capa não é? Nenhuma novidade aí.

Mesmo assim, o estilo da narrativa de Boone me faz lembrar de Stephen King em alguns momentos, com seus vários personagens, todos de alguma forma interligados pela mesma tragédia/momento apocalíptico em comum, todos alheios da existência uns dos outros, mas com mundos prestes a convergir de um jeito ou de outro.

Nossa história começa no Peru, com um bilionário acima do peso, suas três modelos semifamosas/acompanhantes do momento, um guarda costas zeloso e um guia, Miguel, que já teve dias melhores. Nas selvas do Peru, ele esta acostumado a ter que lidar com grupos de turistas que ele considera estúpidos, mas se sente particularmente cansado nesse dia.

Além de suspeitar que sua namorada o está traindo, ele precisa parar o passeio do grupo peculiar que o acompanha a cada 20 minutos mais ou menos, não só por que o ricaço gordo parece não conseguir acompanhar o ritmo do restante do grupo, mas por que este também parece estar tendo problemas em manter a comida dentro de si, tendo que parar constantemente para se aliviar aos lados da trilha que seguem.

Talvez por seus problemas pessoais, não presta muita atenção ao fato da floresta estar tão silenciosa, ou na ausência até mesmo de insetos, o que distrairia um pouco seus turistas. Mal sabe ele que esta prestes a lidar com uma situação inusitada - e, infelizmente, fatal - e que seus problemas anteriores estão prestes a se tornar irrelevantes.

Até os pássaros estavam quietos. Ele tentou prestar mais atenção, e então ouviu alguma coisa. Sons ritmados. Folhas esmagadas. Quando se deu conta do que era, um homem apareceu de repente no ponto onde a trilha desaparecia em uma curva. Até mesmo a cem metros de distância, estava nítido que havia algo errado. O homem viu Miguel e gritou, mas Miguel não entendeu as palavras. O homem então olhou para trás e, ao virar a cabeça, tropeçou e tombou com força. Algo que parecia um rio preto surgiu de repente atrás dele. O homem só conseguiu ficar de joelhos antes de a massa escura o cercar e cobrir. Miguel deu alguns passos para trás, mas percebeu que não queria se virar.

Ao mesmo tempo, o autor nos apresentará a outros lugares e personagens que irão, aos poucos, fazendo parte dessa trama envolvendo aracnídeas assassinas sedentas de sangue: 

Manny e Steph estão na Casa Branca. Ela é a primeira presidente mulher dos Estados Unidos; ele é um amigo, que virou amante, que casou - e depois se separou - com uma bióloga que será também importante na trama, que virou político e novamente amante de Steph  e agora tenta ajudá-la a descobrir como alguns incidentes isolados parecem estar intimamente conectados. 

Mike Rich é um agente do serviço secreto com dificuldades em aceitar o divórcio e, mais ainda, o fato de que sua ex-mulher quer mudar o sobrenome de Annie, a filhinha deles de 09 anos. Quando ele precisa investigar um avião que caiu de forma misteriosa, ele é o primeiro a notar que a aranha que encontra não parece ser uma aranha comum, e a capturar uma delas viva.

... ele já estava virado de novo para o corpo de Henderson, torcendo para que aquilo saindo do rosto do cadáver fosse só uma ilusão causada pelas sombras. Não era. Mike estava vendo claramente. Era uma aranha, e três quartos do corpo peludo do tamanho de uma bola de golfe estavam se arrastando para fora do rosto de Henderson por um buraco na parte superior da bochecha direita. Mike sentia a mão latejar, e agora o sangue gotejava livremente. Os únicos sons dentro do avião eram a respiração de Mike e o esforço da aranha para sair do rosto de Henderson. Parecia… Ah, merda. Parecia som de mastigação. Mike sentiu ânsia de novo e não conseguiu se conter. Saiu correndo até a abertura por onde tinha entrado no jatinho, apoiou a mão boa na lataria, se inclinou para fora e despejou o que restava do almoço.

Já Melanie é uma especialista nessas pequenas aracnídeas e tem por elas um fascínio arrebatador. Assim, no início parece uma surpresa agradável que um amigo de sua pós graduanda, do Peru, envie para seu laboratório uma bolsa de ovos que parece ter quase dez mil anos e, muito estranhamente, estar viva e prestes a eclodir.

Além disso, teremos vários outros personagens que, de maneira maior ou menor, irão contribuir para encher a narrativa, não por que sua história particular os tornem personagens principais, mas por que são peças importantes de um quebra-cabeça que vamos construindo até que finalmente possamos ter uma idéia geral do que está acontecendo com um mundo.

"A Colônia" é um livro angustiante aos aracno fóbicos, e eletrizante para quem curte uma boa narrativa de cenários apocalípticos. Haverá muito suspense, ação, enquanto o autor vai contando pedacinho por pedacinho do que esta acontecendo, sendo que vamos descobrindo um pouco junto com os personagens e no desenrolar da história.

Apesar do tema "aranhas do mal" já ter sido bastante explorado, principalmente por Hollywood, a escrita de Boone consegue ter uma originalidade inquietante, e uma narrativa que prende o leitor do início ao fim e o faz ficar desejando por mais.

Este é o primeiro livro de uma trilogia, e muitas pessoas criticaram bastante o final muito aberto, mas como o segundo livro, "A Expansão", já foi lançado, e pretendo emendar uma leitura na outra, não fiquei assim tão decepcionada. Recomendo com ressalvas, algumas descrições são bem explícitas e se você tem muiiiitooo medo de aranhas, não leia. Sério.

Forte Abraço!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Resenha: "O Iluminado" (Stephen King)

Tradução : Betty Ramos de Albuquerque

Por Sheila: Oi pessooasss! Já comecei empolgada! Sabem por que? Sim, por que a Suma, essa linda, conseguiu mais uma vez! Depois dos lançamentos de Cujo e A Hora do Lobisomem através do projeto Biblioteca Stephen King, chega aqui nas terras tupiniquins esse relançamento lindo, divino MARAVILHOSO de O iluminado, de novo em capa dura, alto relevo, e uma diagramação que é quase uma obra de arte.

Apesar da proposta inicial desse projeto ser o relançamento de obras clássicas esgotadas do mestre Stephen King, a Suma resolveu apostar em "O Iluminado", mesmo possuindo edição recente do mesmo em brochura. Eu, como fã incondicional fico felicíssima e, não fosse ter recebido meu exemplar de cortesia, com certeza compraria a edição em capa dura.

Afinal, O iluminado, terceiro livro da carreira de King, foi o seu primeiro a virar Best-Seller, e aquele que alavancou sua carreira como escritor. Essa é também uma das primeira obras em que notamos um ar de autobiografia em alguns dos personagens de King. Sendo ele mesmo um alcoólatra em recuperação na época, pode haver muito de Stephen King no Jack Torrance que ansiava por apenas um copo, só um.

Para aqueles que estão adentrando agora no mundo "kingano" e quiserem saber um pouco da trama, segue uma pequena sinopse:

“O lugar perfeito para recomeçar”, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria, os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita. Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto... e mais sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais. Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai... 

Acontece que Danny é um iluminado, alguém que consegue se comunicar por pensamentos, e o poder de saber de coisas que ainda não aconteceram. Antes mesmo de ir para o Overlook, Danny já sabia que aquele era um lugar ruim. Muito ruim.

- Danny... Danniii...Levantou os olhos e lá estava Tony, no final da rua, acenando ao lado de uma placa de "PARE". Danny, como sempre, sentiu uma  calorosa explosão de alegria ao ver o velho amigo, mas dessa vez parecia sentir também uma pontada de medo, como se Tony tivesse vindo com alguma escuridão nas costas. Um vidro de vespas que, quando soltas, picariam profundamente.- Cuidado velhinho...
As visitas de Tony eram assim. As vezes, ele mostrava onde estavam coisas que haviam desaparecido, o que era bom, por que isso deixava mamãe e papai felizes. Em outras... bom, em outras era como foi dessa vez. Danny sendo transportado para um lugar (o futuro?) onde coisas horríveis estavam acontecendo, coisas que na verdade ele não queria saber. Por que Danny era só um menininho de 5 anos, que ainda amava seu pai mais que tudo. Mesmo que um dia ele tenha quebrado seu braço por molhar alguns de seus papeis.

Enquanto isso, Jack Torrance está em meio à sua entrevista de emprego para trabalhar no Overlook e, bom, ele realmente acreditava que as coisas poderiam ser melhores. Ele de fato acreditava nesse recomeço. E talvez, no fim, o mais triste seja que ele não era um homem mau, e ele também amava seu menininho acima de todas as coisas. Mas, infelizmente, Jack era fraco.

E no Overlook, existia um mal. Que parecia estar apenas esperando a chegada de alguém como Danny, com seus poderes extremados, para poder expandir-se para além das paredes que lhe aprisionava há tanto tempo. 

Adaptado para as telonas em 1980 por Stanley Kubrick, essa versão de "O Iluminado" acabou se tornando uma adaptação altamente controversa, devido às mudanças na trama e final, tendo recebido duras críticas do próprio  Stephen King; e, numa menos conhecida mini série em 1997 com Rebeca De Morney de "A Mão que Balança o Berço". Ganhou uma sequência em 2013, onde vamos encontrar o personagem principal, Danny, 30 anos mais velho na obra intitulada "Doutor Sono".

Quem sabe com essa onda de adaptações do King neste 2017 alguém resolve assumir a frente e produzir um remake dessa obra aterrorizante? Oremos!

AH, e Suma, sua linda, não pare! Esperando ansiosa o relançamento de "A Incendiária" para trazer para vocês! Abraços e até a próxima!


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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Resenha: "Réquiem" (Bianca Sousa)

Sinopse: Amadeus, professor universitário de história da arte, é um homem solitário que encontrou na arte sepulcral uma maneira de sublimar a dor da perda.


Entre esculturas que guardam túmulos e segredos, ele encara a morte em carne e osso. Um encontro que o mudará para todo o sempre.



“Há quanto tempo espero por você?”


Fonte: Bianca Sousa

Por Eliel: Rápido e mortal, vou definir assim a leitura desse conto de Bianca Sousa. 

O título já nos dá uma pista de qual será o rumo dessa estória, Réquiem é uma missa especial celebrada pelas igrejas cristãs em homenagem aos mortos.

Esse conto é como se fosse essa homenagem, mas o nosso protagonista se vê do outro lado diante de um ponto de vista totalmente inusitado. Principalmente para nós, leitores de fantasia, que estamos rodeados de vampiros, lobisomens e zumbis, ser surpreendido por uma criatura pouco utilizada na literatura é uma sensação muito boa.


Decidi então persegui-la; assim, quando chegasse minha hora, eu a encararia de frente e diria: "Há quanto tempo espero por você?"

Só pela ousadia e a qualidade da escrita da autora eu já indico a leitura. Vocês não vão se arrepender. Uma homenagem grotesca e horripilante aos mortos que vai te assombrar por um bom tempo.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Resenha: "A hora do lobisomem" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

UMA CRIATURA CHEGOU A TARKER’S MILLS. A HORA DELA É AGORA, O LUGAR DELA É AQUI.

O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. 
Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? 
Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. 
Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? Eu estou em ÊXTASE com esse livro lindo, perfeito, MARAVILHOSO lançado pela Suma de Letras. Na verdade, este é o segundo livro do projeto da Suma de Letras intitulado Biblioteca Stephen King. A ideia é relançar toda uma coleção de livros raros do nosso popular escritor de suspense e terror para os fãs. Você encontra a resenha de "Cujo", primeiro livro lançado, aqui.


Mais uma vez, o livro veio em capa dura, folhas amarelas, mas este exemplar veio todinho ilustrado pelo Bernie Wrightson, além de conter ilustrações extras, no final, de quatro ilustradores brasileiros. Segundo a editora, a ideia era que eles "escolhessem e representassem sua cena preferida de A hora do lobisomem"


Para quem ainda não conhece esse clássico de Stephen King, tudo começa quando, na cidade de Taker's Mill, um ataque brutal é encoberto pela primeira nevasca do ano. Sozinho e preso em um barracão devido a nevasca, Arnie Westrum, sinaleiro da Ferrovia, houve algo arranhar a porta. Seria um cachorro perdido? Ele descobrirá da pior forma que estava errado em sua suposição.
Antes que ele possa decidir o que fazer sobre o visitante, o choramingo baixo se transforma em um rosnado. Um baque soa quando uma coisa incrivelmente pesada bate na porta ... recua ... bate de novo. A porta treme na moldura, e um  borrifo de neve entra pelas frestas.
A porta fica no lugar por mais um tempo, curvada em torno da linha vertical e, enfiado nela, investindo e atacando, com o focinho franzido em um rosnado e olhos amarelos ardentes, esta o maior lobo que Arnie já viu ...
E os rosnados soam terrivelmente como palavras humanas.
Agora, em Taker's Mill sabe-se que existe um lobo voraz. Mas há uma certa similaridade nos ataques, que parecem acontecer apenas uma vez por mês, sempre quando a lua cheia esta bem alta no céu.

Enquanto a besta caça pessoas, Marty, um garotinho apenas, começa sua própria investigação para caçar o que vem se tornando o grande tormento daquela pequena cidade, fazendo com que até mesmo o quatro de julho seja cancelado. Ele acha que talvez saiba quem a besta é. Mas o que pode um garotinho contra uma criatura que é a encarnação do próprio mal?

A hora do lobisomem é um livro curto, lançado pela primeira vez em 1982, por muitos considerado mais adequado à uma coletânea de contos do que figurar como obra independente, por ter menos de 100 páginas em sua edição original. Dividido em 12 capítulos, um para cada mês do ano, foi adaptado para as telinhas em 1985, sendo também conhecido como Bala de prata.

Dentre as obras de Stephen King, este não pode ser dito como um dos que mais se destaca. Tem uma narrativa simples e fluída, mas não é memorável. Agora, esta edição relançada pela Suma de letras, esta sim configura-se como aquisição indispensável a qualquer fã das obras de King. Afinal, mais do que um livro, a capa, diagramação e ilustrações são quase uma obra de arte. Este não é um livro para se Ler, é um livro para se Ter. E Suma, sua linda! Fiquei tão feliz com o livro, por tocá-lo, por você existir e ter lançado essa coleção FANTÁSTICA que meu marido já esta ficando com ciúmes.

Abraços e até a próxima!


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sexta-feira, 31 de março de 2017

Resenha: "Jantar Secreto" (Raphael Montes)



Por Sheila: Oi pessoas! Tudo tranquilo? Resenha de nacional hoje e que nacional! Povo tupiniquim arrasando e mostrando que best seller não é coisa só de gringo não.

Mesmo suspense, terror e horror sendo os meu gêneros favoritos, e eu já tendo ouvido falar bastante no Raphael Monte, nunca havia tido a oportunidade de ler nenhum dos seus livros até estar com "Jantar Secreto" em mãos.

Pois bem, o livro irá narrar a história de quatro jovens, Dante, Hugo, Leitão (sobrenome, mas que no livro terá duplo sentido) e Miguel. Vindos do interior do Paraná  para o Rio de Janeiro para tentar uma vida de independência e sucesso nas carreiras que escolheram, eles logo descobrem que a vida na cidade grande, mesmo com um diploma universitário, não é tão fácil assim.

Mas me adiantei um pouco. Para que vocês possam entender um pouco como toda a confusão começou, vocês precisam saber que a peregrinação por um lugar para ficar que fosse agradável e acessível foi bastante árdua.

Era incrível a quantidade de imóveis velhos, decrépitos, fedidos e quase contaminados que as pessoas ofereciam para alugar. Em quatro dias na cidade, visitamos muquifos inimagináveis. Enquanto os blocos de Carnaval lotavam as ruas de alegria e barulho, nós murchávamos de desgosto. Morar na Zona Sul do Rio de Janeiro era como morar num castelo europeu ou num resort nos lagos andinos: estava fora de nossa realidade.

O narrador desta história é Dante, um futuro graduado em administração que acreditou que seu trabalho em uma livraria era temporário, mas que não contava com a crise, ou com outros problemas no caminho que o impediriam de ser um sucesso em sua carreira - o que os inúmeros livros de auto ajuda que lera esqueceram de contar.

O mesmo acaba morando com seus amigos de infância e, agora, colegas de apartamento, todos com as mesmas dificuldades, claro que com algumas nuances: Hugo é um excelente chefe de cozinha, mas parece que é principalmente sua arrogância o que lhe impediu de ascender na carreira; Miguel é médico, fazendo residência, ou seja, se a coisa toda tivesse estourado em dois ou três anos talvez o desfecho dessa história teria sido diferente. E Leitão ... bom, Leitão faz jus a seu nome, obeso, hacker, desistiu  da faculdade e passa o dia todo vendo pornô, comendo e aplicando golpes na internet.

O problema realmente começa quando os amigos resolvem fazer uma aparente "boa ação" para Leitão em seu aniversário: contratar uma prostituta, já que acreditam que ele ainda seja Virgem. Acontece que, devido a obesidade de Leitão, isso não foi fácil de encontrar, cabendo  a Dante realizar uma peregrinação atrás de uma mulher disposta a aceitar a tarefa.

Tudo parecia ir bem, sendo que as "visitas" de Cora à Leitão passaram a ser frequentes. O que ninguém se perguntou, foi de onde Leitão estava tirando tanto dinheiro para sustentar esse estilo de vida e, para o leitor atento, faz todo o sentido que a imobiliária ligue para Dante cobrando seis meses de aluguel atrasado.

Acabamos descobrindo que Leitão tem um passado obscuro e uma dificuldade de aceitação da realidade, o que explica por que os amigos relevam seu estilo de vida nada convencional e prático, bem como mais essa grande "mancada" e tentam se organizar para pagar a dívida com a imobiliária para não precisarem abrir mão do apartamento.

É aqui que as coisas começam a ficar surreais ... pensando em copiar iniciativa que existe nos países gringos, de abrir a casa à estrangeiros e pessoas que queiram provar a comida local, eles se inscrevem em um site que propicia este tipo de experiência, cabendo a Hugo preparar a comida, Dante recepcionar, Miguel comprar os ingredientes e Leitão - mais uma vez Leitão - lidar com tudo que dissesse repeito à área da informática.

Digamos que Leitão resolve oferecer um prato um tanto quanto exótico no primeiro jantar. Aliás, exótico demais. A forma como os amigos acabam embarcando por este caminho, e enveredando por um mundo de drogas, crimes, corrupção e degradação moral, é o que compõe o restante da narrativa deste Thriller psicológico repleto de humor negro e ironia.
Na madrugada do dia 18 de junho de 2016, um homem entra na 15ª DP do Rio de Janeiro, no bairro do Jardim Botânico, e pede para falar com o delegado de plantão. Suas mãos tremem, mas ele mantém o olhar firme. Veste um smoking ensopado de sangue."Você está bem?", perguntam os policiais. "Esta ferido?"O homem insiste em conversar com o delegado de plantão."Senhor, o que aconteceu? Vou chamar uma ambulancia.""Vim confessar o que fizemos."

É interessante que o horror presente nas descrições vem justamente de percebermos o quanto o ser humano pode mergulhar no crime e degradação moral quando a questão é dinheiro, e como coisas consideradas imorais e indefensáveis podem se tornar aceitáveis quando nos cobrimos com um discurso de negação e racionalização dos fatos.

Dante é meu nome. Preciso que não se esqueça disso. Mesmo quando chegar à metade dessa história, quando souber o que aconteceu e concluir que sou um filho da puta, um monstro sem coração, preciso que não se esqueça: meu nome é Dante e eu era um cara legal. Você provavelmente quer saber como tudo começou. Se não for o tipo de pessoa que se impressiona à toa, posso te contar os detalhes.

Um livro para ser lido todo de uma vez, cheio de aventura, suspense, cenas e situações inusitadas e, se você não é um sociopata, asco, mas muito asco mesmo. Cenas fortes e muito bem descritas que podem causar muito incômodo. Uma dica: não leia antes das refeições, principalmente se você pretender comer carne.

Recomendo! Abraços e até a próxima!

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Resenha: "Medo de Palhaço" (Marcelo Milici e vários autores)

Por Sheila:  Oi pessoas! Como estão??? Eu estava mega, super, hiper ansiosa com a leitura desse livro! Sim, eu sou meio macabra, eu sei. Mas quando se passa o dia todo tendo de lidar com a sombra do Outro, as vezes essa é a única forma de lidar com toda essa escuridão: transformar o horror em arte. Para aliviar a pressão imposta pelo Real, as vezes é preciso fugir para a fantasia.

E, sendo eu uma aficionada por tudo que diz respeito ao terror e seus subgêneros - do sobrenatural ao psicológico (principalmente esse!) - claaaaro que eu fiquei M-A-L-U-Q-U-I-N-H-A para ler este livro. Afinal, quer personagem mais icônico deste gênero que o palhaço? 

Para quem tem caulrofobia (medo de palhaços) ATENÇÃO!!!! Melhor deixar de ler a resenha por aqui. Aos que quiserem prosseguir, sigam por sua conta e risco HUAHUAHAUAHU (risada maléfica).

Você sabia?: Daniel Radcliffe, ator de Harry Potter, e Johnny Depp são coulrofóbicos.

O livro começa dissecando as origens dos palhaços, tanto na própria etimologia da palavra, como nas suas primeiras aparições. Com variantes, podemos ver os primeiros palhaços já no teatro grego, passando pela idade média como os famosos bobos da corte para, só recentemente, se transformarem no palhaço que conhecemos hoje: rosto pintado, nariz vermelho, roupas largas e coloridas.

Mas quando foi que o palhaço, figura que deveria entreter e divertir, torna-se terrorífico? O livro passa então a narrar as histórias, algumas lendas urbanas, outras verdadeiras, que talvez tenham contribuído para enxergarmos essa figura de forma diferente. A primeira delas, diz respeito a história que teve origem em Osasco, São Paulo, onde na década de 90 um palhaço estaria matando e roubando órgãos de crianças.

Outra história, essa totalmente verídica, seria a do Serial Killer John Wayne Gacy, conhecido como o Palhaço Assassino. Ele matou cerca de 33 jovens ao longo de três décadas e, apesar de nenhuma dessas mortes envolver diretamente suas apresentações como palhaço - Gacy era como nosso querido Dexter para quem acompanhava a série, fazia todo o possível para parecer um cidadão modelo - a associação feita pela imprensa americana se popularizou rapidamente. Gacy foi preso e condenado à morte por injeção letal. Muitos filmes foram produzidos recontando essa história, tanto em estilo documentário como ficcionais.

No restante das páginas - 288 em seu total - iremos nos deparar com mais de cem análises de filmes, séries, desenhos, programas de televisão e afins que trazem em sua temática estes palhaços terroríficos. É claro que separei algumas delas para vocês, de forma totalmente aleatória (mentira, escolhi os que eu gosto/vi).

Falando especificamente de filmes, nossa eles são muitos. Dos clássicos ao toscos - deliciosamente toscos - os filmes de palhaços não-tão-legais-assim conquistaram milhares de fãs nas últimas décadas. E é claro que euzinha estou la, na primeira fila, erguendo a mão o máximo possível para ajudar a engordar essas estatísticas!

Um desses filmes é o "Palhaços Assassinos do Espaço Sideral". Considerado uma comédia de terror, foi lançado em 1988, e trata da queda de uma nave-circo na cidade de Crecente Cove, nos Estados Unidos. Com armas como pistolas de algodão doce e tortas de ácido, os palhaços aterrorizam a pequena cidade, ate serem expulsos, apesar de ficar ambíguo se há possibilidade de retornarem ou não.



Agora, um palhaço icônico para o gênero, e que talvez tenha ajudado a engrossar as estatísticas de pessoas caulrofóbicas foi Pennywise, de IT. Baseado em livro homônimo escrito por Stephen King, It foi considerado uma obra prima do horror e do medo, sendo lançado em 1971 e dirigido por George Lucas.
Pennywise: Venham ver senhoras e senhores! Metade palhaço, metade monstro, sua origem é desconhecida, sua fome é incontrolável. Ele atrai suas presas com sua aparência agradável, e as conduz ao esgoto para se alimentar delas. Não fiquem muito próximos, de sua jaula ... ele é muito rápido e esperto. E estará eternamente em seus pesadelos.
Envolvendo um grupo de amigos, muitas mortes e cenas de puro terror, It é considerado um dos melhores livros de Stephen King, e ganhará um remake a ser lançado ainda agora em 2017. Dividido em duas partes, os longas contarão a história do grupo de garotos na infância na primeira parte, e seu desfecho com eles já adultos na segunda. Confesso que eu estou ansiosíssima por este filme e pretendo estar lá na pré-estreia!

Outro clássico de terror envolvendo palhaços, desta vez incorporado na pele de um nada convidativo boneco de brinquedo foi o filme Poltergeist: o fenômeno. Neste, o palhaço pode não ser a figura central utilizada para causar medo e terror, mesmo assim sua utilização foi marcante.

Uma das diversas aparições sobrenaturais que atormentam a casa dos Freeling, este sinistro boneco costumava ficar ao lado da cama do pequeno Robbie, e mesmo antes de ser possuído pela Besta, já causava desconfiança no garoto.
Assim como It, Poltergeist também teve um remake lançado em 2015 que, infelizmente não agradou o público. Apesar da trama ser praticamente  mesma - família em dificuldades financeiras muda-se para casa mal assombrada, com a caçula sendo sequestrada pelas entidades terroríficas - enquanto a obra original consegue trazer o suspense em um crescente, gerando tensão e medo, o remake fica parecendo quase uma comédia de terror. Virou quase um trash estilo "zé do caixão".

Essa é uma pequena amostra da análise realizada nesta enciclopédia de 288 páginas, que contém um número ainda muito maior de obras, análises e, até mesmo, discussões científicas e psicológicas a respeito deste tipo de fobia e formas de superá-la.


Uma questão não abordada pelo autores e que trago a título de curiosidade foi a aparente "onda" de creepy clows (palhaços assustadores) que surgiram nos EUA agora em 2016. Imagine você estar a rua e um palhaço assustador como esse aqui da esquerda ficar encarando você? Bizarro não?

Algumas pessoas dizem que foi uma reação de fãs ao remake do filme It, e que não havia motivos para alarde. outras, que a grande maioria dos relatos nada mais era do que boatos e sensacionalismo da mídia já que nenhum ataque propriamente dito foi notificado. Pelo sim, pelo não, evite os estados da Carolina do Norte  e do Sul!

E, ainda sobre o livro, o que dizer? Foi uma leitura fascinante, com um conteúdo em que transparece o compromisso dos autores com a fidedignidade da informação e o comprometimento em criar de fato uma enciclopédia completa e de qualidade. A diagramação é perfeita, o acabamento lindo, uma verdadeira obra de arte.


E vocês, já leram "Medo de Palhaço"? O que acharam? Não deixem de comentar, e mais risada maléfica para vocês pelo nosso querido Pennywise! Até a próxima!


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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Resenha "Revival" (Stephen King)


"Às vezes estamos próximos demais de alguma coisa para conseguir enxergá-la."

Por Gabi: A mão chega a tremer falando do Rei do Terror, escritor do século e todos os milhares de títulos e honrarias de King. Quase nunca venho aqui falar deste gênero, mas vamos lá... Começando com essa capa lindaaa que a Suma nos presenteou, com um design holográfico que, à medida que movimentamos o livro parece que os raios o vão permeando. 

No interior do Estado do Maine somos apresentados sob a perspectiva do narrador/personagem Jaime Morton sua grande família que mora em uma pequena e religiosa comunidade. Todos se conhecem, os filhos frequentam os encontros de jovens toda quinta, enquanto as famílias se veem nos cultos da igreja etc.

Mas o que Jamie não imagina é que a sombra que viu enquanto brincava com seus soldadinhos de brinquedo no quintal de casa, estaria sobre ele durante toda a vida. E esta tinha nome e sobrenome: Charlie Daniel Jacobs. O reverendo Charlie e sua família-de-margarina mudam-se para a cidade  e logo conquistam a todos. Ele com seus discursos fraternos e a facilidade em lidar com as crianças e jovens, a mulher por tocar piano lindamente e o filho "Chaveirinho" por encantar por sua fofura extrema. 

Uma tragédia acontece à família de Jacobs e o faz colocar em cheque nuas crenças em Deus e na religião e depois do que ficou conhecido como o "Sermão Terrível" ele desaparece da cidade. Jaime vira um guitarrista e segue com sua banda na estrada regado a muito sexo, drogas e rock'n'roll. Em seus  trinta-e-poucos anos ele é um viciado em heroína, sem rumo na vida e tentando fugir das memórias tristes do que aconteceu com sua família. Eis que seu destino se choca com Charlie, que através da "eletricidade secreta" o salva do vício, mas depois ele vê que há um preço muito caro por esse revival (com o perdão do trocadilho, não resisti) 

- Alguma coisa aconteceu.
Espetada-espetada.
- Alguma coisa...
Botei a língua para fora e mordi. O clique voltou, mas não nos ouvidos, mas enterrado nas profundezas da minha cabeça. [...]
Olhei para a Lua, tremendo e imaginando quem ou o que estivera me controlando. Porque eu tinha sido controlado. 

Ao longo da narrativa somos guiados por temas delicados, como fanatismo religioso, a fé, drogas, discriminação racial e morte,  sempre aliados a uma boa dose de terror, sarcasmo e do sobrenatural que está tão próximo do real que talvez seja o ponto crucial do livro. O final surpreendente quebra a narrativa um pouco descritiva demais e em alguns momentos meio "arrastada". 

QUAL O LIMITE ENTRE A LOUCURA E A SANIDADE? ENTRE O REAL E O SOBRENATURAL? 

ATÉ ONDE PODE NOS LEVAR A CURIOSIDADE AO REDOR DO "ALÉM DA MORTE"?

E vocês fans de King e do terror, o que acharam da obra?

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Especial de Halloween - Resenha: “O Vilarejo” (Raphael Montes)









“No vilarejo, falar que o pecado mora ao lado é mais do que um dito popular: é uma verdade ameaçadora da qual os moradores se dão conta pouco a pouco.

E, para alguns, é tarde demais. Como resistir ao mal? À luxuria, à ganância, à ira? 

Como não ceder aos pecados da carne quando a guerra chega e o inverno castiga, quando o frio e fome tomam conta, quando uma força maior parece conspirar e rodear os moradores para que eles se entreguem aos seus piores instintos?”




Por Yuri: Oi pessoal! O dia 31 de outubro já está chegando, então para deixar o Dear Book em clima de Halloween, nada melhor do que uma resenha de conto de terror. No livro de Raphael Montes os demônios estão soltos para invocar o pior nos habitantes do vilarejo.
“O legado mais famoso do padre Binsfeld é a classificação dos demônios, escrita em 1589. De acordo com seu trabalho, cada um dos demônios, os Sete Reis do Inferno, era responsável por invocar um pecado capital nos seres humanos: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba).”

“O Vilarejo” é dividido em sete contos, no qual cada um narra a história de um morador. O primeiro conto, “Banquete para Anatole”, é uma referência ao demônio da gula. Durante o período de guerra, o frio assola o vilarejo, e sem ter o que comer Anatole parte para caçar. Sua esposa, Felika, espera por muito tempo pelo retorno do marido e enquanto Anatole não volta, estoca comida secretamente para não dividir com os vizinhos.
“Entre fadas e dragões, Felika ouve nova batida à porta. Não pode acreditar que a impertinente sra. Helga voltou. Caminha devagar, hesita. Ao puxar as cortinas, mal se contém: Anatole! [...]
- Você está ótima, querida! – diz o marido, enquanto aperta suas bochechas. Espanta-se que a esposa esteja tão sadia e corada.
- Tenho dado meu jeito – gaba-se Felika.
- Parece até um tanto mais... gorda!
- Ora, não seja bobo, Anatole!
- Onde estão as crianças?
- Na mesa, jantando. Vamos comemorar!
Espalhados pelo pequeno cômodo, Anatole reconhece os corpos de vários moradores do vilarejo. No sofá, sem a cabeça, está Krieger, o aleijado. Ao lado, Ivan, o ferreiro, tem uma faca rústica cravada no peito. Mais perto da lareira, as pernas e as cabeças de Vália e Latasha, enfiadas em espetos compridos, esperam o momento de serem assadas.”
Confesso que eu sou super medrosa. Quando li o resumo do livro, achei que apareceria uns demônios no meio da história. Já estava arrepiada no primeiro conto achando que a qualquer momento a personagem seria possuída, mas a ideia não é essa. Depois que eu terminei o primeiro conto, entendi que cada personagem representaria um pecado capital em referência aos Sete Reis do Inferno.

Achei o primeiro conto horripilante e vale a pena dizer que os outros contos não deixam nada a desejar. Todos são repletos de cenas de morte, assassinato e preciso dizer que fiquei com vergonha do comportamento humano. O livro realmente mostrou o pior dos seres humanos.

O livro é bem curto, escrito para ser lido de uma vez. Apesar de serem contos individuais, é interessante ler na ordem sugerida, pois as narrativas seguem uma linha de raciocínio que é amarrada no último conto. Para aqueles que não costumam ler notas inicias, sugiro que não deixe de ler o prefácio e o posfácio deste livro, pois essas partes tornam a obra muito mais instigante.

Fica aqui a sugestão de um livro fácil de ler, mas com uma ideia interessante.

Até a próxima!

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

[Assiste aí] Dona Moça e Penny Dreadful

Olá, internet!

Estou colando aqui de novo para quem está de férias (ou no final delas) meio sem saber o que assistir, e para quem já está, mas tem tanta série na lista para essas – e as próximas – férias (e, falando a verdade, até as férias de 2017) que jurou não assistir mais nada. Só que eu sei que vocês não se controlam, então, trouxe, também, as séries compactas, as webséries... Hoje vai ter uma indicação dupla, sim!




Desde o início da coluna Assiste aí eu já vinha nessa de webséries, aliás, é uma coisinha tão gostosa e rapidinha de assistir. Você começa a assistir uma, termina, e já está começando outra porque descobriu ela lá na página inicial do Youtube. Todo mundo gosta, se não uma websérie, pelo menos um canal, um vlog.

A websérie de hoje, então, sensacional. Ela acabou de terminar a primeira temporada, e a Kleris, aqui do blog, fez um post bem antes para vocês assistirem  confiram essa entrevista: parte 1 e parte 2 – por que ela estava muito determinada a conquistá-los. Aqui é só um “selo de qualidade” ;) Quero todo mundo colando lá!

Dona Moça eventos, o nome da websérie, é uma empresa de Fifi Mascarenhas e Aurélia Camargo para promoção de eventos sociais. Elas criaram um canal para a empresa, mas o canal se estende dos limites da empresa para o pessoal das nossas personagens. E vai nos entrelaçando e encantando a cada episódio. Não apenas com os episódios, na verdade.

Dona moça eventos é uma das melhores webséries que já assisti. Ela retrata o clássico Senhora, de José de Alencar, nesses dias atuais, sabe? Pensa assim, enquanto o livro se passa em um século que não existia um celular, nossos personagens preferidos têm direito a Instagram! Ah, e a twitter também. Essa interação com o público faz a série ir além dos cinco minutinhos de cada vídeo, cria intimidade entre você, os personagens e as relações deles.


Uma série interativa e muito bem feita, os personagens são cativantes, são curiosos. Não preciso comentar a euforia pela aparição do Fernando à medida que os episódios vão passando. Além de interessante, a websérie nos apresenta o melhor, divertimento. Deve ser por isso, afinal, a procura por esses tipos de passatempo. 
O que queremos na verdade é aproximar mais os nossos clássicos do público final, trazendo uma linguagem mais próxima do que vivemos hoje.” (Maynnara Jorge, em entrevista para o blog)
Essa declaração foi feita na entrevista acima mencionada, e, PARABÉNS, produção, acho que o objetivo de vocês vem sendo cumprido. A primeira temporada chegou ao fim essa semana e a segunda temporada depende do seu público. A websérie está com uma campanha de financiamento coletivo com direito a brindes e surpresas. Você, leitor, pode doar a partir de 10 reais e ajudar as meninas da Adorbs a produzir mais conteúdo de Dona Moça #SaveDonaMoça. Mais informações, vocês podem acompanhar na página do face ou dando uma passadinha neste link aqui.
                                                            

 Vamos falar de série agora, ok? Ok. Já ouviram falar de Penny Dreadful?

"Eu acredito em maldições.
Eu acredito em demonios.
Eu acredito em monstros"
- Vanessa Ives

Particularmente, acho muito difícil fazer uma série de terror, por que manter o interesse do público por vários episódios, várias temporadas, requer sempre inovação, texto e atuação bem feitos, uma dose de mistério suficiente para não tornar nem denso demais, nem entediante demais a série. É tanta coisa, que são poucas que se destacam.

Penny Dreadful é uma série relativamente recente, com apenas duas temporadas, já vem conquistando muita gente, já vem me conquistando. A qualidade da série a diferencia e muito, as cenas de suspense e a arte em todos os quesitos, seja figurino, maquiagem, fotografia. Eu me apaixonei logo nos primeiros episódios por uma série de terror com alto nível, nós precisávamos de Penny Dreadful. Claro que existem boas séries de terror, muitas das quais eu acompanho, mas achei PD diferente.

Motivos para assistir Penny Dreadful:

1.   Ocorre durante uma Londres Vitoriana.

2.   Mistura clássicos do terror. Lembraram do Frankstein, o Drácula, Dorian Gray, vampiros, outros não vou falar porque é spoiler.

3.  A história principal da série não se enclausura nas conhecidas histórias dos conhecidos personagens, é uma história intrigante, polêmica e misteriosa.

4.   O cenário mais escuro dá uma ambientação fantástica tanto para a época em que ocorre quanto para o gênero da série.

5.    O roteirista da série já fez o roteiro de Sweeney Todd, Rango e Star Trek: Nemesis.


Gente, tem mais motivos, mas esse post vai ficar enorme, então vocês assistam e colem aqui os motivos de vocês nos comentários.

Abaixo, o trailer de Penny Dreadful e 1º ep de Dona Moça:




Até a próxima,


Mariana Diniz.
 
Ana Liberato