segunda-feira, 17 de junho de 2019

Resenha: "Gorda não é Palavrão" (Fluvia Lacerda)

Como ser feliz gostando do seu corpo como ele é
Por Kleris: Que livrinho para guardar no core <3

Tal qual um ted talk, “Gorda não é Palavrão” é um breve relato da modelo plus size Fluvia sobre gordofobia – discriminação essa que menospreza, marginaliza e negligencia pessoas pelo fato de serem gordas. Fluvia fala um pouco sobre a vida, e como e quando a gordofobia a atingiu em cheio, em uma visita ao Brasil. Mas isso fez com que ela apostasse mais no empoderamento de mulheres, algo que ela sempre teve referência desde cedo, mas a grande maioria não. 
Ser gorda nunca foi um problema na minha vida. [...] quando comecei a trabalhar com moda plus size, ninguém questionava os padrões de beleza impostos. Mas essa ideia já estava em mim. Sempre fui a menina para quem diziam: “Nossa, você é tão bonita! Se emagrecer, vai ficar perfeita!”. Só que, ao contrário do que acontece com a maioria das mulheres que ouve isso, eu não ficava triste ou encabulada. Não corria para chorar escondida ou malhar em uma academia qualquer. Para desespero da minha mãe, que sempre quis que fôssemos muito educados, eu respondia na lata: “Quem pediu a sua opinião?”.

Fiquei surpresa com como a modelo retrata o assunto, sempre muito positiva. Sua empatia e seu tom de “ué, qual o problema, não tô entendendo qual é a questão aqui, afinal, somos todos gente” fazem totalmente a diferença.

Embora seja uma leitura curtinha, Fluvia fala de diversas situações desse universo tóxico. Temos, por exemplo, a preocupação excessiva que mascara preconceitos, a moda que resiste em largar o osso de uma imagem não natural, pessoas que creem que são menos ou não estão vivendo até conquistarem um corpo que não seus. 
Sou gorda e não desrespeito ninguém. Por que preciso explicar que minha saúde está bem? Por que preciso justificar coisas que nenhuma modelo magra precisa? Ninguém pergunta a elas sobre o consumo de drogas para emagrecimento.

Temos também luz sobre o machismo, inseguranças que dão lucros às indústrias, preconceitos dentro da comunidade plus size e a força do ódio para atacar pessoas simplesmente por seus corpos. Fluvia não se aprofunda muito nos temas, mas deixa claro o suficiente o que é preciso ser dito e encarado sobre o assunto. 
Claro que o desafio é enorme. Por gerações, aprendemos a seguir condicionamentos machistas sobre como viver e que aparência ter. Esses conceitos são repassados de mãe para filha como algo normal e desejável. O resultado é que muitas mulheres com quem converso têm dificuldade em lidar com essas crenças enraizadas. Mesmo quem sabe que peso não é indicativo de beleza, saúde ou caráter, ainda tem dificuldade em superar valores associados às palavras “gorda” e “magra”.

Ler o livro só me faz pensar que muitos de seus pensamentos demorei séculos para abraçar (e ainda bem que abracei), e que gostaria de ter visto essa representatividade desde cedo. Sofrer pressão estética e gordofobia são coisas diferentes, mas intimamente ligadas. Muitos corpos sequer são gordos e são encarados como fora do padrão (além de motivo de paranoia constante), o que demonstra muita falta de noção – e amor-próprio, empatia, compaixão, autoaceitação. 
Como é possível que algo como o meu peso revele meus sonhos e tudo aquilo que almejo para minha vida? Como ele poderia definir meu caráter ou minha capacidade profissional? Como revelaria minha capacidade de amar? De ser uma boa mãe, amiga, filha, parceira?

Fato é: ninguém deve se sentir menor ou maior por seus corpos. Corpos não resumem ninguém e corpos diferentes não devem ser abominados. Lembro aqui de um post do perfil @naosouexposicao que dizia: “quando alguém quer emagrecer, o que ela realmente quer ser é aceita, amada, respeitada, ter sucesso, ser vista e ser livre. E isso é o que a cultura da dieta não pode dar a ninguém”. 
Como alguém pode se aceitar gorda? Como pode viver bem assim? Como pode se sentir bonita? Fomos adestrados a acreditar que ser gorda é o fundo do poço.

Levei um tempo para ler, um tanto receosa de haver situações gatilho quanto minha relação com a pressão estética/gordofobia, e fiquei muito feliz de ter encontrado uma leitura tranquila. É, aliás, um livro válido de revisitar quando velhas questões retornarem. Os destaques de texto da própria edição vão super ajudar!




Vale ainda ter esse livríneo em bibliotecas, escolas, na estante, e principalmente perto de garotas em desenvolvimento – amigas, irmãs, primas, filhas, netas, etc. Fluvia é aquela fada sensata que dá tapa de luva e pisa com bondade. Seu livro é simples e ao mesmo tempo, essencial. 
Se tem algo que gostaria de conseguir transmitir para mulheres do mundo inteiro é como meu relacionamento com meu corpo é simples. Nunca consegui enxergar nada de errado nele. Por mais que pessoas insistissem em me fazer acreditar que não poderia ser feliz comigo mesma, que eu deveria devotar minhas energias, meu dinheiro e meu emocional a essa loucura desenfreada da busca de ser magra, jamais consegui aderir. 
Uma palavra não pode fazer tanto mal assim a alguém. Ou, pelo menos, não deveria fazer.

Se recomendo? Com toda a certeza e para todos os corpos!

Para conhecer mais a Fluvia, acompanhe ela pelas redes sociais:

Até!


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sábado, 15 de junho de 2019

Resenha: "Imperfeitos - Recomeços Livro II" (Lauren Layne)


Tradução: Lígia Azevedo.

Sinopse: Será que Michael conseguirá encontrar um final feliz depois de ser rejeitado por Olivia? Uma comédia romântica surpreendente sobre como recomeços podem ser a cura para um coração partido. Quantas vezes um mesmo coração aguenta ser despedaçado? Essa é a pergunta que atormenta Michael St. Claire, o ex-bon vivant que, após ser rejeitado por Olivia e abandonado pelo melhor amigo, deixa o glamour nova-iorquino para trás e vai trabalhar num clube de tênis numa cidadezinha no Texas. Há um motivo secreto por trás dessa escolha geográfica: é lá que se encontram seu pai biológico e seu meio-irmão, Devon, que não fazem ideia de sua existência. O que o plano de Michael não previa era conhecer Chloe, a garota mais inteligente, sarcástica e original que ele já vira. Em pouco tempo, eles se tornam grandes amigos, e quando Michael descobre que Chloe é apaixonada por Devon ele resolve que irá ajudá-la. Mas será que dois corações rejeitados conseguem, juntos, construir um recomeço? Ou irão apenas se machucar, perdidos na eterna busca por aceitação e pertencimento?

Por Jayne Cordeiro: Imperfeitos faz parte da série Recomeços, escrito pela Lauren Layne. A série já conta com o Prequel Como num filme (resenhado aqui) e Em Pedaços (primeiro livro). Cada um dos três livros acaba focando em um personagem, dos amigos Olivia, Ethan e Michael. Os três eram grandes amigos e Olivia e Ethan namorados também. As coisas acabam se complicando e cada um vai para um lado, e protagoniza um desses livros da série. O primeiro lançado foi Em Pedaços, focado na Olivia, e que funciona como ponto de partida para Como num filme e Imperfeitos. Mas não se preocupe, é possível ler este livro sem ter lido os anteriores, dá para acompanhar legal. Eu já tinha lido o prequel, mas não Em Pedaços.


Quero uma história para contar, Michael. Quero ter feito pelo menos uma loucura com vinte anos, em meia aos diplomas sem graça e a obsessão por Harry Potter. Quero me perder em alguém.

Sobre Imperfeitos, nós temos dois personagens diferentes que acabam se aproximando por terem algo em comum. Michael é um personagem amargurado com o passado e que não quer se aproximar de ninguém. Ao contrário, Chloe é uma garota alegre, divertida, que tenta a todo momento ultrapassar a barreira que Michael impõe. Gostei muito dela, e de como ela pode ser insegura obre si e seu corpo, mas ela tenta sempre passar um ar de confiança e não se deixando abater. O dois carregam aquela dor de não conquistarem quem amam, e se sentirem como inadequados para o amor. E com isso, eles acabam sendo a força um do outro.


Não sei se em algum momento Chloe e eu fomos de fato apenas amigos. O jeito como nos entendemos, sem palavras, com perfeição…

O livro é fácil e gostoso de ler. O leitor dá várias risadas com eles, com seus diálogos (principalmente o drama de Chloe com a academia) e cenas conjuntas. Há também uma grande carga dramática, com a forma como os dois se sentem  com suas vidas, com a procura inconsciente por um relacionamento em que eles sejam a primeira escolha de alguém. A questão familiar envolvendo Michael e seu pai biológico também é construída. A autora aproveita para desenvolver de forma bem natural a amizade e depois romance entre Michael e Chloe, ficando algo bem natural. As cenas românticas são ótimas, e o final foi bem a cara do livro. Uma mistura de doce, divertido e cheio de amor. É uma série bem divertida, e apesar de parecer ter um roteiro clichê, o livro tem sua própria cara e conquista o leitor.

Quero o cara que me queria antes de eu ter virado cisne.

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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Resenha: "Wild - Quebrando as Regras 2" (Liz Spencer)


Sinopse: Uma coisa é certa sobre mim: eu sou um fora da lei.

Tendo vivido uma adolescência destruída, sou considerado louco, assassino e me tornei presidente de um dos mais temidos MCs do estado da Califórnia.

Todo homem como eu tem seu pequeno segredo sujo. Eu posso dizer que possuo vários, muitos deles me tornaram inabalável. Em contrapartida, barreiras internas podem se tornar facilmente instáveis quando o passado resolve te abalar. Quando os fantasmas de um mundo esquecido decidem colidir com o presente e bagunçar o seu futuro.
O primeiro impacto veio quando ela reapareceu e me pediu por ajuda.
O segundo golpe veio quando resolvi lhe estender a mão.
Mas minha bondade não passava disto.
Eu não sou o cavaleiro de armadura que ela tanto acreditava. Eu não o herói da história, o príncipe no cavalo branco, nem mesmo o maldito sapo.
Eu sou o que sou, e isso é tudo.
Chame-me de Knife, se preferir. Chame-me de homem da sua vida, insano e sanguinário ou de grande bastardo sujo.
Eu só tenho uma observação a fazer:
Jamais, em hipótese alguma, se iluda com o meu sorriso torto ou procure por bondade em meu par de olhos escuros...
Talvez você não esteja preparado para o que possa encontrar por lá.

Por Jayne Cordeiro: Wild é o segundo livro da série Quebrando Regras. Os livros são independentes, mas é claro que eu recomendo a leitura do primeiro Broken, porque é muito bom. Sobre Wild, eu fiquei super animada quando descobri que o livro usaria como tema um Motoclube. Adoro os romances desse universo, apesar de alguns esteriótipos não tão legais. Todos os livros dessa categoria que eu li foram escritos por americanas, onde esses clubes são mais fortes. Foi muito legal ver  um autora brasileira retratar tudo tão bem. E foi um dos melhores do gênero que eu já li.

— Se algo acontecesse com você, eu os caçaria até no inferno e alimentaria os filhos da puta com seus próprios paus. Isso é fato. Pisquei algumas vezes, sentindo meu coração bater ainda mais forte com sua declaração. Eu seria muito desequilibrada em dizer que sua resposta havia sido adorável? Bem, adorável não era a palavra mais adequada para se dizer, no entanto era a forma Héctor de ser adorável. — Obrigada por isso... eu acho — falei timidamente.

Hector e Jazmine tiveram uma infância difícil. Cresceram juntos até Hector ir embora e Jazmine ficar com o pai. Anos depois, mais velhos, Jazmine segue para a cidade onde Hector mora e é presidente dos Renegade Souls, um motoclube  que possui alguns negócios fora da lei. O reencontro não é nada do que ela imaginava, mas os dois acabam se aproximando. Gostei de como o Hector consegue ser forte, duro, com os outros, mas ao mesmo tempo muito doce com ela. Ele tem um jeito mais bruto, não é do tipo que mede as palavras, mas consegue conquistar. Ele é altamente sexy, então não dá pra ninguém resistir a ele.

— Mas talvez seja compreensivo o fato de eles a desejarem. — Suas mãos subiram pelas minhas coxas e depois acariciaram meus quadris. — Você é tão bonita. Tão incrivelmente sexy. — Com um puxão brusco, ele me virou de frente para si. Seus intensos olhos negros me devoravam. Perdi-me dentro deles por um momentâneo instante. — Mas você é minha. Apenas minha, Jazmine.

Jazmine consegue ser uma boa mistura de menina ingênua e de personalidade forte. Ela não deixa que ninguém passe por cima dela, mas pensa muito nos outros também. O relacionamento deles acontece de forma muito real, aos poucos. Não é aquela coisa de "olhou, apaixonou", apesar de os dois já trazerem sentimentos da infância. O livro vai esquentando aos poucos, e ele traz várias cenas hots, que são muito bem escritas. Na verdade, todo o livro é bem escrito. A história é bem conduzida, o suspense envolvendo um mistério especifico vai se desenvolvendo bem.

— Deus! — lamentei, levando a mão à boca. Notei Héctor vir em minha direção, e mais um grito rasgou minha garganta quando outro tiro atravessou a janela, sendo acompanhado por uma verdadeira rajada de balas. O corpo de Héctor caiu sobre o meu, então fui arrastada com ele pelo piso escuro. Eu estava em estado de choque, desnorteada, mas ainda tinha ciência de que se não saíssemos dali, morreríamos os dois. 

O livro traz, além do romance hot, mistério e ação. Ele não tem tanta ação quanto o Broken, mas possui seus momentos mai animados. Há realmente uma história no livro, ele não parece uma desculpa para cenas hots, como as vezes vemos por ai. A autora consegue criar bons personagens, situações envolventes, que vão entreter bem quem gosta do gênero romance hot. E para quem gosta de romances MC (motoclube), esse vai te conquistar.

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Ana Liberato