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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Resenha: "Gorda não é Palavrão" (Fluvia Lacerda)

Como ser feliz gostando do seu corpo como ele é
Por Kleris: Que livrinho para guardar no core <3

Tal qual um ted talk, “Gorda não é Palavrão” é um breve relato da modelo plus size Fluvia sobre gordofobia – discriminação essa que menospreza, marginaliza e negligencia pessoas pelo fato de serem gordas. Fluvia fala um pouco sobre a vida, e como e quando a gordofobia a atingiu em cheio, em uma visita ao Brasil. Mas isso fez com que ela apostasse mais no empoderamento de mulheres, algo que ela sempre teve referência desde cedo, mas a grande maioria não. 
Ser gorda nunca foi um problema na minha vida. [...] quando comecei a trabalhar com moda plus size, ninguém questionava os padrões de beleza impostos. Mas essa ideia já estava em mim. Sempre fui a menina para quem diziam: “Nossa, você é tão bonita! Se emagrecer, vai ficar perfeita!”. Só que, ao contrário do que acontece com a maioria das mulheres que ouve isso, eu não ficava triste ou encabulada. Não corria para chorar escondida ou malhar em uma academia qualquer. Para desespero da minha mãe, que sempre quis que fôssemos muito educados, eu respondia na lata: “Quem pediu a sua opinião?”.

Fiquei surpresa com como a modelo retrata o assunto, sempre muito positiva. Sua empatia e seu tom de “ué, qual o problema, não tô entendendo qual é a questão aqui, afinal, somos todos gente” fazem totalmente a diferença.

Embora seja uma leitura curtinha, Fluvia fala de diversas situações desse universo tóxico. Temos, por exemplo, a preocupação excessiva que mascara preconceitos, a moda que resiste em largar o osso de uma imagem não natural, pessoas que creem que são menos ou não estão vivendo até conquistarem um corpo que não seus. 
Sou gorda e não desrespeito ninguém. Por que preciso explicar que minha saúde está bem? Por que preciso justificar coisas que nenhuma modelo magra precisa? Ninguém pergunta a elas sobre o consumo de drogas para emagrecimento.

Temos também luz sobre o machismo, inseguranças que dão lucros às indústrias, preconceitos dentro da comunidade plus size e a força do ódio para atacar pessoas simplesmente por seus corpos. Fluvia não se aprofunda muito nos temas, mas deixa claro o suficiente o que é preciso ser dito e encarado sobre o assunto. 
Claro que o desafio é enorme. Por gerações, aprendemos a seguir condicionamentos machistas sobre como viver e que aparência ter. Esses conceitos são repassados de mãe para filha como algo normal e desejável. O resultado é que muitas mulheres com quem converso têm dificuldade em lidar com essas crenças enraizadas. Mesmo quem sabe que peso não é indicativo de beleza, saúde ou caráter, ainda tem dificuldade em superar valores associados às palavras “gorda” e “magra”.

Ler o livro só me faz pensar que muitos de seus pensamentos demorei séculos para abraçar (e ainda bem que abracei), e que gostaria de ter visto essa representatividade desde cedo. Sofrer pressão estética e gordofobia são coisas diferentes, mas intimamente ligadas. Muitos corpos sequer são gordos e são encarados como fora do padrão (além de motivo de paranoia constante), o que demonstra muita falta de noção – e amor-próprio, empatia, compaixão, autoaceitação. 
Como é possível que algo como o meu peso revele meus sonhos e tudo aquilo que almejo para minha vida? Como ele poderia definir meu caráter ou minha capacidade profissional? Como revelaria minha capacidade de amar? De ser uma boa mãe, amiga, filha, parceira?

Fato é: ninguém deve se sentir menor ou maior por seus corpos. Corpos não resumem ninguém e corpos diferentes não devem ser abominados. Lembro aqui de um post do perfil @naosouexposicao que dizia: “quando alguém quer emagrecer, o que ela realmente quer ser é aceita, amada, respeitada, ter sucesso, ser vista e ser livre. E isso é o que a cultura da dieta não pode dar a ninguém”. 
Como alguém pode se aceitar gorda? Como pode viver bem assim? Como pode se sentir bonita? Fomos adestrados a acreditar que ser gorda é o fundo do poço.

Levei um tempo para ler, um tanto receosa de haver situações gatilho quanto minha relação com a pressão estética/gordofobia, e fiquei muito feliz de ter encontrado uma leitura tranquila. É, aliás, um livro válido de revisitar quando velhas questões retornarem. Os destaques de texto da própria edição vão super ajudar!




Vale ainda ter esse livríneo em bibliotecas, escolas, na estante, e principalmente perto de garotas em desenvolvimento – amigas, irmãs, primas, filhas, netas, etc. Fluvia é aquela fada sensata que dá tapa de luva e pisa com bondade. Seu livro é simples e ao mesmo tempo, essencial. 
Se tem algo que gostaria de conseguir transmitir para mulheres do mundo inteiro é como meu relacionamento com meu corpo é simples. Nunca consegui enxergar nada de errado nele. Por mais que pessoas insistissem em me fazer acreditar que não poderia ser feliz comigo mesma, que eu deveria devotar minhas energias, meu dinheiro e meu emocional a essa loucura desenfreada da busca de ser magra, jamais consegui aderir. 
Uma palavra não pode fazer tanto mal assim a alguém. Ou, pelo menos, não deveria fazer.

Se recomendo? Com toda a certeza e para todos os corpos!

Para conhecer mais a Fluvia, acompanhe ela pelas redes sociais:

Até!


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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Resenha: “O Novo Líder - Novas regras para uma nova geração” (Lindsey Pollak)

Tradução de Denise de Carvalho Rocha

Por Kleris: Sabe aquela sensação de ter encontrado um livro raro? De que o livro em mãos vale ouro? Essa foi definitivamente minha sensação enquanto lia o da Lindsey Pollak. Já li uns variados na área e nenhum foi tão abrangente, pontual e significativo como este. Foi com certeza um dos melhores livros de não ficção e empreendedorismo de 2017. Já considero Pollak uma grande amiga! 
Este livro é pra você que dá seus primeiros passos como líder. Minha missão é fornecer absolutamente todas as informações e orientações ao meu alcance, combinando o melhor dos conselhos do passado com as dicas recém-saídas do forno a respeito das últimas tendências, e um punhado de previsões sobre o que você precisará fazer para continuar prosperando no futuro. Além de uma extensa lista de conselhos sobre liderança, eu também vou oferecer minhas melhores estratégias de gestão para turbinar a sua carreira.

O Novo Líder não é apenas mais um livro sobre liderança ou maneiras de como se formar um. O novo líder já existe e está aí, andando com você, discutindo planos com você, se divertindo com você. O novo líder vem da Geração Y, que será a geração a substituir aqueles que já estão se aposentando (em sua maioria, baby boombers). Se você ainda não entendeu do que estou falando, pode deixar que a Lindsey te inteira de tudo deste assunto (tradicionalistas, baby boomers, geração x, geração y, etc). 
Os conselhos de liderança do passado simplesmente não são suficientes para prepará-lo para as realidades complexas de hoje. 
Tornar-se líder em tempos de mudança demográfica significa que você vai precisar desenvolver suas habilidades de comunicação e gestão de pessoas para lidar com profissionais de várias gerações, que têm diferentes expectativas e estilos de trabalho. 
A principal razão por que, hoje em dia, todo mundo está falando sobre as diferenças entre gerações é o fato de que, pela primeira vez na história, quatro gerações estão compartilhando o local de trabalho ao mesmo tempo. (É verdade; não são apenas os baby boomers e os milênios que estão brincando na mesma caixa de areia.)

Porque Lindsey fornece um excelente panorama do mercado de trabalho com bases teóricas e práticas. Além de dissertar sobre o assunto, há inúmeros estudos de caso para exemplificar, com insights, notas e testes, também para auxiliar na análise de nosso próprio desempenho. Tal abordagem, distribuída por grandes áreas (como desenvolvimento pessoal, relacionamentos, comunicação, profissionalismo) constrói uma visão bem completa de quem é esse novo líder – o que faz, como faz, por que faz, por que não faz. 
A sua capacidade de liderar outras pessoas começa, antes de tudo, com a sua capacidade de liderar a si mesmo. Você pode se surpreender ao constatar quantas páginas vai ter de ler aqui antes que eu comece a falar sobre gerenciar sobre outras pessoas. Isso é porque você será um líder muito, mas muito melhor para outras pessoas se primeiro passar algum tempo aprimorando o seu conhecimento, a sua mentalidade e a sua atitude. Se esses elementos não forem negligenciados, o resto acontece naturalmente.

Acho que o que mais gostei na leitura foi o tom sincero e humilde de Lindsey. Ela tem uma escrita ótima – clara, dinâmica, despretensiosa, presente, iluminadora, empática – que faz você mergulhar de fato no contexto e se pegar maravilhada pelo que está vendo e reconhecendo. As dicas são valiosíssimas, coisas que você só condensaria após um longo processo de coaching – o que não é errado ou dispensável, apenas digo que pode entregar muito mais e te dar uma direção antes de começar qualquer coisa, ou pelo menos te fazer entender porque seria necessário apostar nisso.

Semelhante a esse trabalho, até então, só conhecia o empenho do brasileiro Gabriel Goffi, CEO de uma startup de performance e negócios exponenciais – o desenvolvimento High Stakes. Não sei dizer se eles bebem da mesma fonte, mas com certeza são os líderes que valem a pena, neste momento, acompanhar e aprender. Sendo assim, deixe lápis, borracha e marcadores adesivados de prontidão, pois vale fazer muitos destaques e notinhas no pé da página.

Se você é ou não da Geração Y (milenium), um jovem profissional ou não, não importa. O livro O Novo Líder veio para sintetizar esse cenário, promover a boa convivência entre quem tá saindo e quem está assumindo as responsabilidades, e te dar um SUBSTANCIAL CONHECIMENTO sobre como crescer na área. É, assim, um formidável livro de cabeceira.

RT TOTAL nesse texto de contra-capa!

Aliás, diria que Lindsey Pollak é a Brené Brown do mundo empresarial. Seria de explodir a cabeça vê-las juntas lidando com algo tão extraordinário quanto o espírito empreendedor. Mas que seria ótimo, ah, seria.

Recomendadísssimo! 
Mais do que qualquer outra coisa, eu acredito que a liderança comece dentro da pessoa, com o modo como ela encara o mundo e seu desejo de fazer algo bom por ele.


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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Resenha: “O Código da Mudança” (Othon Gama)

Por Kleris: Meses atrás, lembro de uma situação estranha e desconfortável que passei. Veja bem, meu corpo não é exatamente "ideal" para os padrões, mas eu aprendi a aceitá-lo (e amá-lo). Também procurei me libertar daquela constante de pensar em números e toda aquela relação complicada com a comida. Abracei os exercícios físicos porque descobri que amava (ainda mais da maneira com que otimizei) e me alimentava razoavelmente bem porque também sou ligada a frutas e comidas caseiras. De alguma maneira, fui encontrando meu equilíbrio de volta.

Então um dia, experimentando uma camiseta, tirei uma foto pra mostrar a uma amiga, que foi quem tinha me presenteado. Daí veio o primeiro choque: eu estava... magra. Eu não compreendia como aquela pessoa da foto era eu. Uns dias antes tinha notado que umas roupas estavam mais folgadinhas, nada muito considerável, e lembrei também que algumas pessoas tinham apontado o fato e eu não levei a sério (por razões mais complexas).

Não demorou muito para começarem a me perguntar que fórmula “mágica”, que “dieta maluca”, eu tinha utilizado, porque queriam “copiar”. E tão logo estranharem porque eu queria meu corpo de volta (!!!). Mas a mudança já havia acontecido, assim, até sem querer, e eu tinha que aprender a lidar com aquilo, entender o que representava para meu processo.

Claro que aqui resumi muito do que foi esse momento bugador, mas posso dizer que esse resultado foi mais consequência do que objetivo, e que na mistura de metas, desafios, exercícios mentais que vinha fazendo (para um dado fim), consegui perceber qual foi meu código de mudança. Porque toda real mudança – ou a volta por cima, diria Brené – envolve um código. Para descobrir esse código, você tem que se conhecer. De verdade.
O caminho para essa mudança de hábitos pode ser complexo, mas a boa notícia é que dá certo. [...] Só depende de você.
Você já deve ter lido livros com fórmulas mágicas infalíveis ou visto oradores incríveis que inflaram sua motivação. Ambos dão a impressão de que “agora é pra valer”. A pessoa mais confiante, determinada, focada, comprometida, disciplinada e motivada do mundo é você naquele momento. Até começarem a aparecer os problemas do dia a dia, a cobrança do banco, uma discussão no trabalho, uma venda que não se conclui, uma entrevista de emprego malsucedida, um imprevisto no seu empreendimento. Então toda aquela motivação vai embora e você se vê novamente sem conseguir resultados concretos e duráveis.
Não existem soluções mágicas para problemas complexos. A motivação é fundamental, mas não basta. Ela faz você começar, porém é apenas a mudança de hábitos que lhe permite seguir em frente. [...] Quem não usa a inteligência emocional cai nas armadilhas da mudança de hábitos e não consegue sair delas.
Othon Gama é um excelente guia de jornada. Neste livro ele conta parte de sua história, de desbravar territórios da mente para perseverar e conquistar um objetivo. Isto porque não é só mirar em algo lá na frente e procurar maneiras de chegar a ele. Esse, na verdade, é um (grande) erro comum. Não adianta buscar algo pra você se você não está disposto a fazer o que deve ser feito. Buscar saídas fáceis ou pular etapas então, nem preciso dizer que de nada valem – aliás, só atrapalham.
Não adianta se enganar, não adianta enganar o mundo, você não consegue fugir de si mesmo, embora muitos fiquem a vida toda tentando. [...] Também existem pessoas que se enganam achando que tudo é fácil, que podem fazer o que quiserem na hora em que quiserem, que estão sempre prontas, mas que não fazem o que afirmam que vão fazer. Elas estão certas quando dizem que podem, mas ou não acreditam nisso realmente ou têm dificuldade de partir para a prática e na primeira dificuldade adiam o projeto, alegando que estão muito ocupadas e vão ter que deixar para depois. Só que esse dia nunca chega, já que elas caem sucessivamente nas armadilhas de seus hábitos. 
O Código da Mudança é uma luz nesse túnel longo e escuro. Ele nos mostra onde pisar, onde desviar, onde parar antes de continuar. Ponto a ponto, Othon se utiliza de conhecimentos sobre a mente, que é onde o (SEU!) código se esconde. Traz fundamentos desde cientistas, coachs, psicólogos e psiquiatras, como Augusto Cury, além de pautas muito chegadas a Jout Jout, envolvendo empoderamento, autoestima, autodisciplina, bem-estar, saúde mental, empatia, dentre outros.

Como tudo isso se resume à formação do ser como pessoa, percebe-se que uma das maiores dificuldades é de cada um olhar para si. Vê-se que explorar as emoções, para muitas pessoas, parece ser mais assustador que um intenso filme de terror.
E quem quer mudar de hábito? Precisa ter conhecimento de quê? De si mesmo. Conhecer-se é um dos mais importantes passos para conseguir mudanças duradouras e sustentáveis na vida. Temos de identificar nossos pontos fortes, nossos pontos de desafios e nossos pontos cegos.
Como toda jornada, a da mudança de hábitos também tem suas armadilhas. E a melhor forma de escapar de armadilhas é saber quais são e onde estão.
A sacada de mudança que Gama propõe se baseia no código dos hábitos e em um método que contempla todo o universo da transformação desejada: a dimensão da sabedoria (o que são os hábitos, como se formam, como funcionam); a dimensão emocional (compreensão de sistemas internalizados e competências emocionais necessárias); e a dimensão executiva (como aplicar e ter êxito). A imagem da borboleta (de capa), a propósito, super representa.
A grande maioria das pessoas falha porque quer chegar lá, mas só trabalha uma ou duas dimensões. Para realmente conseguir atingir os objetivos, é necessária uma abordagem que leve em conta todas as nuances e não menospreze as emoções, as reações fisiológicas, o ambiente, a formação cultural e educacional. Neste sentido, o método tridimensional se torna mais eficiente por “atacar o problema por todos os lados”. 

Os hábitos ruins sabotam nosso SAC [sistema de autocrenças] e nos impedem de acreditar que é possível mudar. Ora, se prometermos a nós mesmos que vamos fazer diferente e não fazemos, que vamos mudar nossos hábitos para melhor e não mudamos porque não entendemos como eles funcionam, achamos que o problema somos nós, que não somos bons o suficiente. Essas crenças que aprisionam o sucesso são um tiro de canhão no SAC. Ter um SAC forte é a base para desenvolver as habilidades necessárias para mudar hábitos.

Entender nossos hábitos é apenas o meio do caminho (talvez até menos). Mas, por certo, se é algo que VOCÊ quer, que bom que você começou a jornada. Por certo, exige tempo, paciência, disposição e muita, MUITA confiança – acessórios esses que, não se preocupe, você também pode aprender a desenvolver durante a caminhada.
É importante ressaltar que, quando falo em conhecimento, não me refiro apenas às disciplinas tradicionais, mas ao desenvolvimento humano. Além de consumir livros e revistas, ver filmes e assistir a palestras, precisamos reformular nosso sistema educacional, que muitas vezes forma pessoas inseguras e cheias de crenças limitantes, em vez de confiantes, corajosas, ousadas e criativas. Precisamos repensar e buscar soluções para criar a educação do século XXI, porque ainda estamos no século passado nessa área.
Você conhece pessoas que são verdadeiras formadoras de crenças limitantes? Que só colocam os outros pra baixo? É preciso tomar cuidado com elas, porque são verdadeiros destruidores da autoconfiança e autoestima. Não seja assim nem deixe que tratem você assim. As mesmas palavras podem ser cruéis ou vir embaladas em carinho.
Fonte: Aquele Eita (instagram)
O livro é mais teórico do que de prática e achei isso formidável nele. Quem nunca leu algo nessa linha, precisa dessa base. Consciência, percepção, instrução, discernimento, resiliência. Os exemplos são eficientes e a parte prática vem a ser um complemento. Você pode deixar uma agenda ou caderno de notas ao lado, se você é desses que necessita fazer um acompanhamento mais detalhado. Se possível, seria interessante também poder contar um profissional – psicólogo ou coach.

A leitura é de duas ou três sentadas, muito clara e precisa, gostosinha até. Apesar de chegada para o estilo pesquisa, Othon conversa conosco como se estivéssemos em uma de suas palestras. Não me espantaria de vê-lo em um TEDex (gostaria muito, inclusive). O bom de ser um livro (e não apenas uma palestra) é que podemos marcar e marcar a vontade! Vale revisitar trechos e notas sempre que puder.

Prepare sua cartelinha de marcadores adesivados, você vai precisar.
Todo ser humano, seja o presidente dos Estados Unidos, seja um morador de rua, tem um SAC [sistema de autocrenças]. O que muda é o conteúdo dele. Olhamos para as pessoas que realizaram feitos notáveis e dizemos: “Como são confiantes! Que capacidade de liderança!”. Achamos que possuem poderes quase sobrenaturais. Balela. Todos têm medos, frustações e colecionam fracassos. Pessoas bem-sucedidas constroem o alicerce das suas vitórias nas suas derrotas.
Se você é iniciante, essa é a compreensão mais completa que vai encontrar. E se você já está na arena, O Código da Mudança é o livro que vai te segurar, reforçando todo o passo a passo e sistema de comportamentos. Fãs de Brené Brown (eu!) e Augusto Cury vão curtir muito.

Desta maneira, não seja aquela pessoa que observa o outro conquistar algo, ressente-se por não conseguir e quer a solução pronta e rápida, como aquele exemplo de experiência lá em cima. Para cada conquista, um esforço. Não, não vou revelar qual foi o meu código de mudança; melhor, busque o seu. Respeite seu tempo. E não espere por algo ou alguém para começar. 
Mais forte do que nunca – Brené Brown (aqui)
Isso parece fácil, mas você se surpreenderia ao saber quantos nunca reconhecem os próprios sentimentos e emoções – apenas os descarregam. [...] A ironia é que, ao mesmo tempo que criamos distância entre nós e as pessoas ao redor, descontando tudo nos outros, ansiamos por laços afetivos mais profundos e por uma vida emocional mais rica. 
Ansiedade: como enfrentar o mal do século – Augusto Cury (aqui)
Ter coragem para velejar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossas fragilidades, admitir nossas loucuras, corrigir rotas e nos educar para sermos autores de nossa própria história é, acima de tudo, ter um caso de amor com a vida.E ninguém pode fazer essa tarefa por você – nem filhos, parceiro(a), amigos, neurologista, psiquiatra, psicólogo ou livros. Só você mesmo... Não traia o que você tem de melhor!

Se joga nessa jornada, migx!
Recomendadíssimo.
Até a próxima!


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sábado, 8 de julho de 2017

[Novidades] Dumplin’ (Julie Murphy), da @EdValentina

Dumplin’ deveria ser leitura obrigatória para qualquer pessoa, mulher ou homem, que já tenha se sentido desconfortável – mesmo que só uma pontinha – com o próprio corpo. A estrela de Julie Murphy continua a brilhar com esta história revolucionária e comovente que mudará muitas vidas. John Corey Whaley, premiado autor de Quando tudo volta e Noggin

Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, a Editora Valentina apresenta uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação <3 
Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.

Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre.

"Bonita, ele diz.
Gorda, eu penso.
Mas não posso ser as duas coisas ao mesmo tempo?"
\o/


Com um release desses, quem JÁ QUERO – AGORA! – Dumplin’ ?

Release, capa, sinopse, estilo, gênero, temáticas... Tudo demonstra ser uma leitura necessária pra ontem! Mas se você ainda não tá convencido, confere aí o booktrailer. Te desafio a não entrar em looping de Jolene e desejar loucamente este livro <333


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\o/ \o/ \o/ 

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Resenha: “Amor Plus Size” (Larissa Siriani)



Por Kleris: Algumas leituras nos tocam num ponto tão delicado que por um momento a gente não consegue dizer nada a respeito, só espera estar pronta para falar. Amor Plus Size foi esse livro que me arrebatou duas vezes. Lembro-me que a Larissa fez um especial para promover o livro e pediu depoimentos de leitoras-beta; na época, quis muito participar, mas eu não estava naquele ponto aberto para escrever e publicar algo pessoal de tamanha magnitude (admiro quem fez!) – ao invés disso, fiz um post de indicação (reveja aqui). Com o lançamento do livro, devorei rapidinho, mas de novo, querendo trazer uma resenha, travei. E se tem uma coisa que aprendi nesse ano foi: quando a gente não conta algo ou foge de uma situação desconfortável, ela se torna algo bem maior do que é e de alguma forma nos aprisiona muito mais em nós mesmas. Mas isso é outra história. Vamos ao livro!

Maitê é uma garota que em 9 de 10 batalhas diárias se vê na luta contra seu corpo. Acima do peso “ideal”, ela sobrevive às pressões e ideias malucas da mãe, da médica, da Maria Eduarda que faz questão de gritar para toda a escola ouvir, das revistas, da mídia e de toda a sociedade que estampa que felicidade é pensar e ser magro. Em uma fase da vida borbulhante então, Maitê se vê praticamente todos os dias acuada por estas impressões. Esse horizonte começa a mudar quando surge a oportunidade de modelar como plus size, um mercado da moda ainda pouco acessível ou explorado, principalmente quanto a adolescentes. Paralelo à procura pelo seu verdadeiro eu entre as tantas afirmações sobre o que representa ou não ser gorda, Maitê vive seu terceirão como qualquer garota de 17 anos: com muitas paixões, interesses e desilusões.

Em outras resenhas já mencionei que gosto quando autores pegam algo comum do cotidiano e tornam toda a trama muito crível. Siriani nos entrega isso muito bem, articula uma história que pode parecer simples e razoável a olhos comuns, porém imprime algo que, por incrível que pareça, ainda precisa ser muito reforçado. Para muito além do bullying, autoconhecimento, aceitação e empoderamento são palavras fortes neste livro. Representatividade!

Vide aqui @mulherzinhasqn

Precisamos de mais livros assim. É repensando sobre isso que a lembrança bate forte na Brené Brown e na Chimamanda N. Adichie quando dizem que precisamos lutar e mudar essa cultura que tanto nos faz mal. 
[...] O tipo de livro que eu gostaria de ter lido quando tinha meus 15,16 anos, ou mesmo agora. Um livro que me lembrasse que eu posso ser sensacional sem precisar me enquadrar no modelo de beleza de ninguém [...] Mas gosto de acreditar que a Maitê vai conseguir fazer alguma diferença na vida de quem leu, como fez na minha vida. Ela aprendeu tanto comigo quanto eu com ela – com ela e com todos os personagens do livro, cada qual com a sua batalha. No fim do dia (ou do livro), espero que vocês, leitores, possam olhar pro espelho e ver o mesmo que ela viu: que todo mundo, à sua própria maneira, é espetacular. Larissa, 2014, link – Como nasceu Amor Plus Size.
“Você é uma garota bonita demais pra usar 48”, ela me dissera uma vez. Uma das inúmeras frases que ela soltava ao acaso, sem se dar conta de como me magoava. As opiniões sempre controversas em que me elogiava e me criticava ao mesmo tempo eram tão frequentes que era de se esperar que eu tivesse criado algum tipo de escudo contra elas. Só que não. Toda e qualquer briga me machucava como se fosse a primeira.

Amor Plus Size passeia por família, amizade, transtornos alimentares, imagem, amor-próprio e aprendizados. É de uma leitura gostosinha, humorada, sensível e muito shipável. A escrita da Larissa nos envolve e guia fácil, serena. Melhor combo <3 
Mas aquela garota... aquela garota ali da foto, ela não era assim. Ela não era como eu. Quero dizer, era eu, mas como se fosse uma... versão 2.0! Ou 10.0, na verdade. Uma versão melhorada, destemida, descarada, confiante e incrivelmente maravilhosa. Olhar para ela era inspirador e humilhante ao mesmo tempo: eu queria muito ser como ela, mas não me considerava capaz. Como poderia? Eu nem sabia como ela tinha surgido. 
Outra pessoa além de mim e do Isaac tinha visto aquelas mesmas fotos e enxergado outra garota – aquela Maitê orgulhosa de si mesma, alegre e exposta. Alguém tinha visto quem eu queria ser e estava botando a maior fé.
Mas a questão era a seguinte: Será que eu mesma botava fé? Em mim? Era difícil saber. Eu estava fazendo o possível para mudar, claro, e tentava todos os dias me aproximar daquela outra garota, mas ainda não estava pronta para dar tamanho tiro no escuro.  Quem ia gostar de uma modelo gorda?
 
— Você estava linda — o Isaac comentou, de repente. Soou como um comentário casual, mas ainda assim me fez corar. — Ainda tá.
— Quando foi que eu fiquei bonita assim? — indaguei com um riso, mais para mim do que para ele. — Você sempre foi — ele disse, levando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha. — Só precisava de um empurrãozinho para enxergar.
Aparei a mão dele no meio do movimento, segurando-a junto ao rosto. Sorri, aproveitando aquele sentimento bom e sem nome que se espalhava pelo meu peito.
— Obrigada por me mostrar.

Obrigada por mostrar isso aos leitores, Larissa!

Leve este potinho de amor pra casa o mais rápido possível!
Recomendadííííííssimo! 

Eu tinha escolhido ser eu mesma. 


Até a próxima!
#blogdearbook #dearbookbr #amorplussize

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Ana Liberato