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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Resenha: "Muito Além do Amor" (Camila Moreira)

Sinopse: Desde o começo de sua carreira como promotor, Diego Ferraz sempre foi guiado pelo seu senso de justiça. Implacável com os criminosos e gentil com os injustiçados, este jovem de coração valente está satisfeito em viver sacrificando-se pelo bem de todos à sua volta.Quando Diego se depara com o caso de Larissa ― vítima de abuso doméstico e mãe de Malu, uma adorável menina de 4 anos ― sua vida vira de cabeça para baixo. Ele não consegue parar de pensar nessa linda mulher ― que mesmo depois de ter sofrido tanto nas mãos de seu ex-marido, ainda consegue manter sua força, dignidade e, acima de tudo, doçura.Mais que um mero defensor da lei, Diego quer ser o protetor de Larissa e Malu. Quer passar o resto de seus dias ao lado delas, e mostrar o quão boa a vida pode ser quando nos permitimos amar e ser amados.Mas o coração de Larissa já foi machucado antes, e ela conhece melhor do que ninguém os perigos de se apaixonar perdidamente por aparentes príncipes encantados. É melhor se fechar, se proteger, e assim evitar mais dor. Afinal, contos de fada não são reais... certo?


Por Ili Bandeira: Aqui iremos conhecer o Diego, que é um cara muito bonito, charmoso e fiel aos seus princípios. Atualmente promotor do ministério público, ele quer ajudar as pessoas. Então, numa certa manhã, se depara com um caso de violência doméstica envolvendo Larissa e a sua filha Malu.

Larissa é uma jovem que se apaixonou e casou, na época, com o homem dos sonhos. O tempo, contudo, mostrou à ela quem era o seu marido. Larissa se viu vivendo num relacionamento abusivo que tornou a sua vida um inferno. 

Todos os amigos e familiares eram contra a relação de Larissa e Dennis, desde o início. Ela, ainda imatura e com pouca experiência em relacionamentos, se submeteu as loucuras do marido, acreditando em promessas de mudanças. O estopim do término aconteceu no dia que a insanidade de Dennis atingiu a filha do casal.

A partir deste momento, Larissa usou toda a coragem que lhe tinha restado e pediu o divórcio. Junto com o fim do relacionamento ela denunciou os maus tratos que sofria há anos. Até o momento antes de conhecer Diego, Larissa não queria mais saber de relacionamentos. 

Será que Diego conseguirá vencer os receios de Larissa e se provar merecedor do coração da nossa mocinha?

Não é só um livro que traz uma história bonitinha, é um romance que traz questões importantes - sendo a primordial delas, os relacionamentos abusivos. Muitas mulheres sofrem no Brasil com agressões de seus maridos. O que chama mais atenção é o alerta da autora, Camila Moreira, sobre quando um relacionamento abusivo não é reconhecido pela vítima ou na maioria dos casos a mulher vive com medo de denunciar o agressor porque a maioria desses homens as sustentam. E o que elas podem fazer? Ficam de mãos atadas nessa situação. Mas, se você leitora estiver passando por isso, o que eu espero de coração que não, denuncie!

Com uma escrita maravilhosa, frases reflexivas e trechos de músicas, Camila Moreira traz um enredo com personagens cativantes, mensagens importantes relacionadas a temática principal e uma mocinha que viveu um inferno, mas que encarou com queixo erguido os seus obstáculos e ressurgiu das cinzas como uma fênix.

Mais que recomendado essa leitura!

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Resenha: "Céu sem Estrelas" (Iris Figueiredo)

Esta resenha pode ser encontrada também em O Clube da Meia Noite

Sinopse: Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento. 

Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.

Por Ili Bandeira: Na história, iremos conhecer a Cecília, uma garota inteligente e um pouco gordinha que não aceita bem o seu corpo. Cecilia tem alguns problemas familiares e de auto-estima, os quais a  levam a ter medos e incertezas. A jovem está fazendo 18 anos, mas esse dia não está nada fácil. Ela perdeu o emprego, brigou com a mãe e foi expulsa de casa.

Sem ter onde morar, Cecília vai passar um tempo na casa de sua melhor amiga, Iasmin. A garota agora terá que conviver com o irmão de Iasmin todos os dias. A questão é: Cecília nutre um sentimento platônico por Bernardo desde criança.

A vida de Bernardo também não é um mar de rosas. Ele precisa enfrentar suas inseguranças com base em relacionamentos anteriores que não deram certo. Cecília, por outro lado, está sofrendo por causa do desentendimento com sua mãe e, a cada dia, está mais depressiva com várias  desventuras em sua vida.

“Eu era grande e gorda, então as pessoas me chamavam de fortinha. Eu não me sentia forte. Demorei muito tempo até encontrar minha própria força.”

"Céu sem Estrelas" é um livro doloroso que aborda a fase mais complicada na vida de uma jovem. A autora trabalha esse período entre o final da adolescência e o início da vida de adulta através dos medos e anseios que a maioria dos jovens sentem. Além disso, a escritora, Iris Figueiredo, retrata muito bem a depressão, a ansiedade, ataques de pânico e até autoflagelação. Tais assuntos são tratados como tabus para várias pessoas, no entanto, ainda bem autores como Iris decidem explorar esse universo. O intuito que o livro tem de orientar as pessoas que passam por isso ou conhecem alguém que sofra dessas doenças do século.

A narrativa do livro é em primeira pessoa e intercala entre Bernardo e Cecília - o que nos dá uma perspectiva sobre os seus sentimentos e inseguranças que eles enfrentam ao longo do seu dia a dia, afinal, ambos passam por problemas de família, amizade e relacionamentos. Aqui temos um alerta para a necessidade de respeitar o momento de cada um, pois cada pessoa tem seu tempo e sua forma de lidar com seus medos e anseios.

Sem dúvida esse livro é muito importante para refletir. Uma mensagem de superação para aqueles que passam por isso diariamente ou para os que não passam, terem mais empatia.

Por fim, queria agradecer muito a autora, Iris Figueiredo, por ter escrito um livro que me tocou muito. Simplesmente maravilhoso. POR FAVOR, LEIAM ESSE LIVRO!



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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Resenha: "O Clube dos Jardineiros de Fumaça" (Carol Bensimon)


Sinopse: Em um cenário formado por coníferas milenares, estradas sinuosas e falésias, a região californiana do Triângulo da Esmeralda concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos. É lá que o jovem professor brasileiro Arthur busca recomeçar a vida, depois dos acontecimentos que o levaram a deixar Porto Alegre. Aos poucos, ele se insere na dinâmica local e passa a fazer parte de uma história que começa com a contracultura dos anos 1960 e se estende até o presente. À vida de Arthur e daqueles com quem estabelece vínculos — o atormentado Dusk, a solitária Sylvia, a indecisa Tamara — mistura-se a de personagens reais que participaram do embate que levou à descriminalização do uso da maconha, fazendo deste um poderoso romance panorâmico. Cruzando história e ficção, com uma linguagem original e ousada, a meio caminho entre Brasil e Estados Unidos, Carol Bensimon compõe em O clube dos jardineiros de fumaça um brilhante retrato da geração hippie e de seu legado.

Por Jayne Cordeiro: Quando tive acesso ao livro, a primeira coisa que me chamou a atenção, foi o título do livro. Na época, eu não fazia a mínima ideia que o tema do livro girava em torno da Maconha. Mas achei o título e uma parte interessante da história bem criativa. Sobre o livro, ele foi escrito por uma brasileira e tem como protagonista um brasileiro, que vai para a Califórnia aprender a arte de criar desta planta tao polêmica. E o que a autora busca é nos apresentar diversos personagens, com pontos de vistas e histórias diferentes, que de alguma forma já se relacionaram com esse produto e possuem pensamentos diferentes sobre ela.

Ele queria entender tanta coisa. Lua sangrenta. A falha de San Andreas. Aquilo que parece fumaça e que chamam de Via Láctea e você pode ver quando está longe das cidades. As moscas da beira da praia. Impostos sobre gorjeta. Certas tatuagens. Uma mulher surfista com um rabo de cavalo grisalho. Ciclistas de roupas fluorescentes viajando pela Highway1. Adesivos de para-choque dizendo ‘veterano do Vietnã’. O canabidiol e os endocanabinoides. Entender de verdade. Lugares onde de repente todas as árvores morrem. A morte de sua mãe. A garota que faz bijuteria e seu discurso urgente sobre karma. Espiritualidade.

A autora cria vários personagens que trazem pensamentos e histórias bem interessantes. Muitos se tornam uma verdadeira surpresa. Ao mesmo tempo em que mostra suas histórias, também conhecemos pessoas e momentos históricos reais que influenciaram na produção de Maconha e seu uso, que se tornou permitido em determinados locais nos EUA. De certa forma, a autora busca tratar positivamente o assunto, e faz isso de forma delicada, sem levantar bandeiras, ma através de uma história que consegue ser envolvente, pela boa escrita dela.

Quando as pessoas são crianças, elas querem ser astronautas, detetives, cientistas. E depois elas olham para si mesmas e estão trabalhando em setores de contabilidade e recursos humanos e querendo se matar toda segunda-feira de manhã. O que aconteceu aí?

Muitas vezes a autora utiliza de capítulos curtos e de suas pesquisas para jogar temas no meio da história, o que dá uma quebra no enredo. Para muitos isso torna o livro leve e interessante, mas particularmente para mim (e digo isso porque é realmente um gosto pessoal) isso atrapalhou um pouco. Na verdade, eu tive um problema com o livro, e sei que é porque não me dou bem com estruturas assim, porque o enredo busca mostrar vários momentos que definem a produção de Maconha na região e a relação das pessoas com ela. Vemos fatos que acontecem no decorrer do livro com os personagens, mas para mim é difícil criar foco em um livro onde as coisas aparecem de forma muito aleatória, sem se encaminhar para um ápice. A sensação de que não vai dar em lugar nenhum, e não há aquela ansiedade para ver o que vai acontecer depois.

Tamara respira fundo, como se um pouco de maresia fosse restabelecer sua paciência com Arthur. Eles se conhecem há apenas duas semanas, mas ela já tem a sensação de que está sendo um pouco maternal demais, o que se revelou um erro em outros pontos da sua vida. É simplesmente angustiante agora perceber que isso vai continuar acontecendo. -Não é uma atividade como qualquer outra, Arthur. -Tudo bem, a gente não lê mesmo sobre isso nos folhetos turísticos. -A maioria vende pro mercado ilegal. Eles não têm licença nem nada. Eu não tô aqui há muito tempo, sabe? As pessoas também não saem me mostrando seus jardins. Não dá pra você só relaxar um pouquinho? Eles passam por uma fileira de hotéis cujos quartos têm varanda com vista para o mar e grandes portas envidraçadas. Um homem está fumando no segundo andar. É estranho ver a vida das pessoas acontecendo nos quartos, como se o prédio tivesse sido seccionado para um estudo antropológico.

Para quem gosta de uma drama calmo, sem grandes reviravoltas ou momentos dramáticos, mas que gosta do tema da legalização da Maconha ou de histórias realistas e simples, esse livro é sua escolha certa. Apesar de não ser o meu tipo de leitura, ele traz fatos interessantes, e é possível reconhecer que a autora tem uma escrita legal, bem elaborada e até poética. Vale a pena conferir.



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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Resenha: "A Bruxa da Sapolândia" (André Alvez)

Sinopse: Quando o gato de uma bruxa decide contar a história de sua dona, é bom parar para ouvir o que ele tem para nos revelar…
Campo Grande já teve uma bruxa. Ela existiu na região do atual bairro Taquarussu e ainda vive na memória daqueles que de alguma forma conviveram com ela, seja na forma do mito que se criou ou mesmo com a própria bruxa.
No final dos anos sessenta, quando a noite caía, os sapos, espalhados aos milhares pelas lagoas que formavam a Sapolândia, iniciavam o intenso coaxar que tomava conta da região. Podia ser ouvido de longe. Na casa de madeira escura da Rua Projetada, diversas crianças conviviam com Célia e seus feitiços. Ela prometia curas milagrosas e a volta dos amores perdidos. Para isso, usava os sapos, diversas magias e também as crianças, num ritual que causava assombros.
“Em nenhum momento pensei num texto biográfico. O que sempre realmente me importou foi manter viva a lenda.
O que eu sabia sobre a Célia eram os relatos dos parentes, especialmente os da minha avó, que combinavam e cresciam de maneira assustadora quando relatados por minha mãe, além da própria experiência de criança. Eu tinha medo dela e de toda a história que a envolvia. A bruxa da Sapolândia vai te pegar, todos diziam na intenção de amedrontar as crianças de minha época. Quando decidi escrever, busquei auxílio junto ao Tribunal de Justiça, que foram muito atenciosos e me entregaram todo o processo que culminou na prisão de Célia. Ela ficou presa entre os anos de 1969 até 1971, após denuncia sobre maltratados e assassinato de crianças, as quais ela própria enterrou no terreno lodoso da Sapolândia. Quando saiu, nada mais se soube dela, foi como se desaparecesse para sempre. Também nada se sabia sobre a sua origem. Fiz pesquisa, entrevistei várias pessoas que de alguma forma conviveram com a Bruxa, cada qual contava uma versão diferente. Concluí que eu tinha em mãos o núcleo de uma história e se fazia necessário criar um início e depois o final, totalmente fictícios.” Diz o autor André Alvez, que no processo de criação, deu voz a um gato que conta a história de sua dona.
Fonte: A Bruxa da Sapolândia

Por Eliel: Uma lenda urbana baseada em fatos reais assustadora. São quase 500 páginas repletas de sangue inocente, magia negra e sapos. Uma história real que aconteceu nos anos 60 em Campo Grande - Mato Grosso do Sul. 

André teve acesso ao processo que levou Célia de Sousa, a mulher conhecida como a Bruxa de Sapolândia, à prisão entre os anos 1969 e 1971 acusada pela morte de crianças por fome e maus-trautos, além de participação de rituais de magia negra.

A polícia foi à casa de Célia, no quintal, ela indicou onde estavam enterrados duas crianças, um menino e uma menina: Jesus Aparecido Larson, que morreu em agosto de 1967, e Dirce Silva, falecida em maio de 1967. A retirada dos corpos, sepultados em covas rasas, foi acompanhada pela imprensa, que eternizou em fotos a mulher agachada ao lado de um caixão e fumando cigarro. 

André romantizou esse processo depois de um amplo trabalho de pesquisa, além disso, ele criou uma origem, um passado, para essa mulher. Criou também um desfecho para essa história que permanece inexplicável até hoje, afinal ela sumiu.

A região que Célia morava era conhecida por Sapolândia, porque era recheada por diversos lagos de diferentes portes onde uma quantidade imensa de sapos infestavam o lugar. Perto dali existia uma casa de madeira escura, onde Célia morava e praticava seus atos de pura maldade, especialmente contra crianças.

Temos outras personagens interessantes, como Sofia, uma entidade misteriosa que está sempre presente na narrativa juntamente com o gato que conta essa história. Outra personagem misteriosa é Natanael, um menino que viaja no tempo levado pelas sombras amigas, tem hábitos peculiares e pinta quadros perturbadores.

As sete crianças que sofrem nas garras de Célia são um quadro fiel da maldade humana. Sem dúvida são os mais dramáticos dessa narrativa, não se admire ao derrubar algumas lágrimas, ficar enjoado diante das atrocidades que acontecem. 

A escrita André Alvez para A Bruxa da Sapolândia é de perder o fôlego, um pouco de sono e um tempo para refletir sobre a crueldade humana contra seu igual. Com certeza é uma leitura irresistível, repleta de mistérios. Saber que tem aquele fundo de verdade torna o texto mais profundo.


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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

#Lançamento: Encontro - Um Conto do Clube do Livro (EBOOK GRATUITO)

Curtaficção de estreia de Kleris Ribeiro será lançada pelas plataformas PagSocial e PayWithATweet

Imagine poder vivenciar um encontro de leitores a qualquer hora. E, além disso, descobrir que uma experiência literária pode ir além do folhear de páginas. É isto que a escritora Kleris Ribeiro nos faz experimentar em Encontro – Um conto do clube do livro, sua curtaficção de estreia, lançada virtualmente neste novembro em formato ebook pelas plataformas PagSocial e PayWithATweet – onde leitores “pagam” com um compartilhamento em suas redes sociais, como Twitter e Facebook, para ter acesso ao conteúdo.

Baseada em experiências dentro do Clube do Livro Maranhão, a história do conto transita entre diversos personagens – clubistas, pessoas que ainda não conhecem o projeto e pessoas que nunca imaginariam ter um contato mais íntimo com a leitura. Cada um deles traz uma vivência singular em um “dia de clube”. O próprio encontro é assim descrito pela autora, que lança mão de sentimentos e emoções para transformar a experiência do clube em palavras.

“São pessoas diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas,
curiosas o bastante para ir além da leitura.”

A cada linha e a cada personagem, o leitor é tomado por uma onda de identificação. Talvez ele se veja na Bárbara, mandando mensagens para convidar os amigos para o encontro. Ou quem sabe se identifique com a Petra, mãe de André Paulo, que não resiste à curiosidade e visita o clube pela primeira vez. O André, é claro, acompanha a mãe. E aqui, de forma sutil, a ficção se alinha à realidade e mostra que os clubes de leitura são um espaço para todos.

”Ao levar informações e reflexões, os leitores podem se sentir acolhidos, sabendo que eles também são protagonistas de suas histórias e podem contribuir muito na história de outras pessoas", descreve Kleris, que foi assertiva ao homenagear o Clube (de qual participa) na obra, além de dar holofotes aos clubes de leitura presenciais. ”Saber que esses espaços de troca existem pode incentivar mais a procura e participação de leitores”, completa.

Para clubistas, a curtaficção é uma forma de reviver a mágica do clube a qualquer instante. Para os navegantes que ainda não embarcaram na primeira viagem, o ebook adocica as expectativas e não deixa o leitor perder o navio. E para quem ainda não conhece o Clube do Livro Maranhão, a historieta é uma excelente oportunidade de adentrar a este incrível e extraordinário universo

Encontro - Um conto do clube do livro será disponibilizado exclusivamente entre os dias 14 e 25 de novembro, de forma gratuita no PagSocial e PayWithATweet. Para conferir o lançamento virtual, acesse http://bit.ly/EbookClube


SOBRE A OBRA E A AUTORA

“É envolvente, reflexivo, sensível e muito verdadeiro em retratar as diferentes perspectivas da literatura, da leitura e das relações humanas.” Talita Guimarães – autora de Vila Tulipa e Recorte!

Uma experiência literária pode ir além do folhear de páginas – é o que promete um “dia de clube”. Descubra neste conto como uma simples reunião pode fazer diferença na sua história.
A conversa nunca é só sobre livros, é sobre a vida.

Kleris Ribeiro é beletrista, produtora cultural, redatora, social mídia, leitora e diretora no Clube do Livro Maranhão. Escreve para o blog @dearbookbr e no IG literário @textosdecapa.

LANÇAMENTO
ENCONTRO  UM CONTO DO CLUBE DO LIVRO
Autoria: Kleris Ribeiro
Gênero: Ficção, Conto, Drama, Contemporâneo.
Temáticas: Leitores, leitura, clube de leitura, relacionamentos.
Ebook independente, 32 páginas.


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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Resenha: “Amor próprio” (Camyla Silva)


Por Kleris: Tem um tempo que procurava uma leitura mais relax para uma temporada de ressacas e esse livro, em sua simplicidade, foi determinante para um descanso. Me chamou atenção pelo título e pelas temáticas que a sinopse entregava, embora a capa fosse um pouco contrastante (uma pessoa que demonstra uma “beleza padrão”).

A trama conta a trajetória de vida de Maria Alice, uma garota que passa pelas problemáticas da vida sempre se colocando por último ou não se sentindo suficiente, uma insegurança natural que todos temos. A sinopse apresenta a ideia de pessoas tóxicas, mas não as vi. Pessoas babacas, sim. Pessoas que tiravam proveito e iam embora, mas não seguravam a personagem em relações abusivas (talvez uma personagem, mas tenho algumas dúvidas). 
Letícia. Marisa. Papai.
Para mim, eram como personagens, criaturas distantes e fictícias das quais eu só ouvia falar. 
Sentia-me uma estranha dentro do meu próprio quarto. 
O que esperar de alguém que não te conhece e resolve comprar uma roupa pra você? Um desastre!

Vi também (muita) competição feminina e estereótipos de “vilões”, predominando bastante a ideia de maniqueísmos – ou a pessoa é muito boa, ou a pessoa é muito maldosa. O quanto tinha de pessoas ruins, tinha de pessoas boas ao redor da personagem. 
— Mas você ainda não disse, Alice, você quer ir ou não? 
E eu tinha escolha?

Levada pelas memórias de Alice, não vi um conflito claro na história, apesar das sugestões na sinopse e no próprio título. A personagem não passa a se amar pelo que é ou pelo que tem. Aliás, ela até passa por uma transformação pra se adequar a um padrão, que dizem ser o sonho dela. Ela, literalmente, ganha outra identidade. Ao meu ver, ficavam a questões: Ela queria isso? De verdade? Ou novamente atropelaram suas vontades impondo outras? E sem essa pessoa ou essa oportunidade, ela estaria satisfeita consigo mesma? Onde estavam realmente seus maiores desejos?

Me pareceu que todo o amor sempre dependia de algo ou alguém, menos dela própria, e esse amor resolvia as coisas. Em dados momentos, até lembra um pouco a história da Cinderela – a falta de um pai, duas irmãs detestáveis e um príncipe para torná-la a princesa que “nasceu pra ser”. O momento da extreme makeover, por exemplo, é uma tortura para a personagem, ela mesma não se vê ali, mas se outra pessoa diz que é bom para ela, ela aceita e acredita que aquele é o padrão para se definir. E não é essa a mensagem do amor próprio, da compaixão, empatia ou mesmo do empoderamento. 
Havia entendido a estratégia de Stela e Peter, eles tinham criado a minha identidade, eu estava feliz com o resultado; sentia-me orgulhosa. [...] Não eram apenas as mudanças na minha aparência. Meus cabelos, minhas roupas, eram diferentes, mas não só isso, eu me sentia diferente. 
— Nunca mais repete isso, Darling. Você sabe muito bem que imagem é tudo.
Revirei os olhos, sim eu sabia, tinha que me acostumar com isso.

Por outro lado, Camila tem boa escrita, que te leva fácil e te deixa curiosa pelos fatos. Tem potencial. Leria algo seu novamente. 
— Sejam quais forem suas escolhas, brilhe. Você é iluminada, menina!
Iluminada.
Nunca tinha ouvido algo assim.

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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Resenha: "Amores eternos de um dia" (Michele Contel)


Sinopse: Você sabe identificar os diversos tipos de boy lixo? E como lidar com eles? Existe reciprocidade no mundo virtual? E como fica o amor em tempos de likes?
Em Amores eternos de um dia, jogando a real sobre aplicativos e relacionamentos efêmeros, primeiro livro da jornalista Michele Contel.

São abordados os mais diversos temas atuais em relação aos relacionamentos virtuais, em como a tecnologia revolucionou e aproximou pessoas de diferentes regiões e até países apenas com um clique. Da mesma forma que isso possibilita uma imensa interação com qualquer pessoa  usuária de aplicativos sociais,isso também interfere na durabilidade dos relacionamentos amorosos.

Onde o "romance casual" prevalece e,a possibilidade de um relacionamento amoroso recíproco é quase inexistente. Michele Contel abre o coração nesse livro que retrata de forma franca e sutil o amor na realidade virtual em que vivemos hoje.

Por Estéfani Mates: Oi gente! Estreando por aqui, venho trazer a vocês a resenha desse livro cativante, que fala sobre as relações no mundo moderno. O livro Amores eternos de um dia traz que, atualmente, com os variados aplicativos de redes sociais, as relações foram se tornando efêmeras e sem muita profundidade. 

De ambos os lados os chamados "joguinhos", têm ganhado espaço onde quem demonstrar menos interesse na relação vence. Pois, muitos acreditam que estes aplicativos possibilitam encontrar várias pessoas e se, não der certo terá mais opções de conhecer a "pessoa certa ". 


A  autora Michele Contel também irá falar sobre muitas experiências suas e de algumas amigas que já vivenciaram as desventuras em busca do amor nas redes sociais, e em como isso também às fizeram ter experiências maravilhosas e inspiradoras ao longo dos anos. 

Como tudo na vida, muito pode ser levado como aprendizado, e isto não significa que você está errado por se permitir aproveitar o momento e usufruir da tecnologia a seu favor, conhecer pessoas, lugares e culturas novas ou até mesmo não estar afim dessa interação virtual, por achar que não é a melhor maneira de começar um relacionamento sério.

Na realidade, Michele nos fará perceber que neste quesito,  é tudo uma questão de opinião e bom senso. E toda interatividade é bem vinda, se usada com o intuito de promover bem estar seja em nossas relações de amizade,amorosas e familiares. 

Acredito que o propósito do livro é provar que nem tudo precisa ser efêmero, passageiro, nem tudo na internet e nos aplicativos das redes sociais tem malefícios e que, podemos sim, tirar ótimas experiências no convívio social virtual levando-as para a vida real. Recomendo!



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sábado, 11 de agosto de 2018

Resenha: "Ate quando - O Vai e vem" (Christiane de Murville)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje mais uma resenha de um livro Nacional, da nossa nova parceria com a editora Chiado. Trata-se do livro da Psicóloga Christiane de Murville.

Bem no início, seremos apresentados ao conjunto de protagonistas que encabeçarão - e aqui esta a genialidade e originalidade da obra - as diversas idas e vindas até a Terra para viver as mais diversas experiências.

João é descrito como um peão de obras que se sente explorado pelo patrão e, por isso mesmo, exaurido em suas forças.
O dia estava gelado e o vento frio e cortante castigava sem piedade a turma que virava o concreto na obra da construtora do Sr Mário. João nem sentia mais o nariz e as orelhas, anestesiados pelo clima hostil, e tampouco os dedos das mãos de tão congelados, duros e enrijecidos que estavam. E como todo inicio de tarde, depois do almoço tudo parecia ainda mais difícil e sofrido.

Por pensar demais em que a existência era sem sentido, e o que melhor seria sofrer um acidente, é isso mesmo que acaba acontecendo com João. Ele era desleixado, tentava ficar para trás quando um trabalho mais pesado era solicitado e, por conta disso, acabou sendo esmagado por uma das máquinas. Mas, o que fica claro, é que João acabou por atrair essa situação para si.

Só que a moleza e a inércia eram tantas, que João mais ficava remoendo seus infortúnios do que de fato fazendo alguma coisa para mudar sua situação. Racionalizava pensando que não era mais tão jovem, convencendo-se que a culpa da sua infelicidade era mesmo dos outros. 

Ao terminar uma existência terrena, João tem sempre acesso ao seu armazém das memórias, onde não só revisita sua última passagem pela Terra, como vê aqueles seus desejos mais profundos que não puderem ser alcançados, o que parece mantê-lo de certa forma preso a eles.

Assim, a cada retorno, João cria novos propósitos para si. Mas, como no retorno à Terra precisa beber da água do esquecimento antes, nem sempre ele consegue se lembrar dos propósitos que assumiu antes de embarcar em uma nova existência. Também vai cruzando diversas vezes com as mesmas pessoas de outras vindas em outros papéis, resolvendo algumas questões ou, as vezes, infelizmente criando outras.

O livro tem uma belíssima visão holística a respeito do propósito e sentido da existência terrena, como se nossa vinda até o aqui/agora tivesse sido programada por nós mesmos com o objetivo puro e simples de viver experiências.

João dava-se conta de que havia vivido um verdadeiro inferno  os últimos anos, achando equivocadamente que estava no céu. Ele e todos os seus agregados familiares que vivia encontrando na Terra mergulhavam no tempo e não paravam de correr atrás das mesmas coisas como imagem pessoal, domínio, poder, status ... o foco recaia sempre sobre itens que João percebia, tão logo a balança da vida pendulasse, evaporavam-se por completo.

A idéia de se melhorar enquanto ser humano não parece vir de fora, mas partir de cada um dos protagonistas a medida que amadurecem e percebem que algumas coisas atrás das quais correram por toda uma existência, no fim das contas, não teve sentido. Com ilustrações criadas pela própria autora, parece ser uma alegoria muito bem escrita a respeito da vida e, principalmente, do pós vida, do que esperar, de como entender de forma minuciosa a trama criada por cada uma de nossas atitudes e pensamentos.

O mais interessante é que, apesar de o livro parecer ter uma perspectiva espiritual, ele não é doutrinário. A autora não tenta convencer de nada, simplesmente conta uma história, de um ponto de vista diferente.

Não conhecia a autora e estou ansiosíssima para ler a segunda parte de "Até quando" o que pode demorar um pouqinho, tendo em vista que este foi lançado  no início deste ano. Mas pretendo ir em busca de outros livros da autora e, claro, trazê-los até você, nosso fiel leitor.

Recomendadíssimo.



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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Resenha: “Dom Casmurro” (Machado de Assis)



Por Kleris: Tudo começou com um meme (disponível no fim deste post). Quer dizer, no ano passado, durante a época da votação do cronograma de leitura do Clube que participo, uma amiga fez campanha para Dom Casmurro (e o resultado acabou por ser A hora da estrela). Daí recentemente, numa conversa com leitores, reavivou-se um meme literário que sugeria mais que um bromance entre Bentinho e Escobar. Encucada com umas impressões mais, resolvi tirar a prova – reli Dom Casmurro.

Pra quem ainda tá por fora desse clássico nacional, te deixo a par da trama: Bento Santiago é um cara solitário que então conta sua história de vida. O cara é tão fechado em si que um moço do bairro o apelidou de “Dom Casmurro”. Mas nem sempre ele foi assim. Ele era alegre, espevitado e tinha uma paixão desde menino que passou por muitos percalços porque a mãe fez uma promessa para que ele fosse padre. É no seminário onde se prepararia para a batina que conheceu Escobar. Ambos conseguem se safar do destino religioso.

Bento casa com Capitu, Escobar com Sancha, melhor amiga de Capitu. Aí que eles viram amigos inseparáveis. Tem seus filhos e se aproximam ainda mais. Um dia, Bento diz que percebe que Sancha deu em cima dele. Logo, traços de seu filho começam a ficar muito parecidos com de Escobar. Os ciúmes que Bento tinha entram em ebulição e paranoia. Sobram por fim só suas tormentas e dúvidas, estas que lhe afetaram sua vida e devem justificar a alcunha de “Casmurro”.

Minha primeira leitura foi há pouco mais de 5 anos, na faculdade, muito guiada pela pergunta clássica – a suposta traição de Capitu. Desta vez, preferi deixar isso de lado e só segui com as impressões. Interessante é que havia notinhas minhas da leitura anterior no meu exemplar e isso ajudou bastante na hora confrontá-las. Considerei, claro, a época de publicação de Machado. Não tem como fugir do realismo do autor. Aliás, o texto revela que tem coisinhas que até Machado deixou passar, porque sua época de vivência tinha uma compreensão bem limitada (machista e patriarcal).

Dom Casmurro é um excelente livro – mas com um século de interpretações questionáveis. A premissa que todos conhecemos (e nos foi repassada por gerações) é sobre uma dúvida quanto a uma suposta traição, e não sobre um cara amargurado falando de seu objeto de afeição que não atendeu suas expectativas (que é o que me parece ser). E, traindo ou não traindo, Capitu é crucificada – dissimulada em seus “olhos oblíquos e de ressaca”. Não há vez para a mocinha. Mas e Bentinho? Alguém alguma vez questiona Bentinho?

Bento é um exímio narrador, isso é inegável. Te enrola tão bem que é fácil cair em sua paranoia. Isso se você estiver procurando respostas pra pergunta que acompanha a reputação deste livro. Mas se você para pra “ouvir” Bentinho, pensa na sua mágoa, e como pessoas se comportam quando assim estão, isso muda o quadro geral. 
Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa de Engenho Novo, reproduzindo a de Matacavalos... A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida [...]

Fato é que somos levados a cair no papo de um desvairado (ele vê o que quer ver), o que nos leva a mais um caso de romantização de abuso. Isso se prova pelo fato de que não haveria história se fosse o inverso. 

O personagem de José Dias também contribui muito para essa percepção torpe de Bento. Quase um tutor ao garoto/homem, o agregado não era das pessoas mais recomendadas para cuidar de Bentinho. Ele mesmo tinha umas rixas com o pai de Capitu, o Pádua. Há quem diga que isso não passava das denúncias sobre os comportamentos questionáveis da sociedade e toda uma hipocrisia, mas aqui vou além. O cara era abusivo, do tipo narcisista mesmo. Plantava a discórdia e saía correndo. Era o perfeito embuste.  
— [...] Não digo isto por ódio, nem porque ele fale mal de mim e se ria, como se riu, há dias, dos meus sapatos acalcanhados...
— Perdão – interrompi suspendendo o passo –; nunca ouvi que falasse mal do senhor; pelo contrário, um dia, não há muito tempo, disse ele a um sujeito, em minha presença, que o senhor era “um homem de capacidade e sabia falar como um deputado nas câmaras”.
José Dias sorriu deliciosamente, mas fez um esforço grande e fechou outra vez o rosto; depois replicou:
— Não lhe agradeço nada. Outros, de melhor sangue, me têm feito o favor de juízos altos. E nada disso impede que ele seja o que lhe digo.

Capitu me parece apenas uma personagem imperfeita, que tem sua personalidade, mas sem malícias, sem interesses de intrigas. Ela merecia mais. Escobar era outro que merecia mais também. Tinha ele mais respeito pelo bromance que Bentinho nem um dia podia imaginar. Acho que as consequentes críticas do livro preferiram rotular isso como mera “ambivalência psicológica”. E acho que Bento (ou Machado) que não entendeu sobre certas investidas. 
Capitu era Capitu, isto é, uma criatura muito particular, mais mulher do que eu era homem. 
Como era possível que Capitu se governasse tão facilmente e eu não? 
Um amigo supria assim um defunto, e tal amigo que durante cerca de cinco minutos esteve com a minha mão entre as suas, como se não visse desde longos meses.
— Você janta comigo, Escobar?
— Vim para isto mesmo. 
Escobar apertou-me a mão às escondidas, com tal força que ainda me doem os dedos. É ilusão, decerto, se não é efeito das longas que tenho estado a escrever sem parar.

Isso tudo, no entanto, nada fere o mérito de Machado de Assis. Ele foi brilhante. O modo como conduziu e fez muitos caírem na história de Bento, como reproduziu nas linhas a revolta, a amargura, a obsessão de um sujeito comum, assim como seu apego às memórias e às idealizações... Acho que é porque é tão natural confiarmos e torcermos pelo narrador.

O fato de Machado jogar a bola pra gente, de fazer a interpretação do caso, também é impressionante. Mas às vezes não deixo de pensar que pintam o autor mais do que ele foi... Nesse caso, tenho que ler outros de seus trabalhos para averiguar melhor isso. Quem sabe? 
É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim, preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas.

Há ainda muitas referências universais da época. Indico que você tenha um exemplar com notas de rodapé e textos extras para te auxiliar um pouco na compreensão da época – cotidiano, hábitos, expressões. A edição da L&PM, de 2008, tem todo um aparato.

Dom Casmurro é assim um livro sobre um cara que não sabe perder, culpa tudo e todos ao redor e tampouco é humilde de assumir o que fizera. É a típica pessoa que coloca no outro uma responsabilidade absurda por tudo o que faz. Queria uma felicidade que só competia a ele ser feliz, queria um casamento que seguisse seus preceitos. É sobre alguém que não aprendeu a dar espaço, nem a respeitar a mulher, e preferiu seguir uma vida amargurada. Suas lembranças, claro, são bem seletivas em demonstrar o “pior” do outro, mas esquece (sempre) de olhar para si. Reconsiderem isso numa próxima leitura ;)

Fiquei puto porque não consegui controlar o seu pensamento
Mas amei você, amei você, mas amei você
Mas amei você, amei você, mas amei você
Pode agradecer



Até a próxima!

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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Resenha: "Dona Casmurra e Seu Tigrão" (Ivan Jaf)

Sinopse: Barrão é lutador de jiu-jítsu: passa os dias na academia esculpindo os músculos. Impulsivo e ciumento, ele entrou numa fria: agrediu um homem com quem imaginava que a namorada o traía. Por isso, perdeu a namorada, a confiança dos pais e responde a inquérito policial. Para piorar, vai muito mal no colégio e corre o risco de levar bomba. Mas talvez ele ainda consiga limpar a própria barra lendo Dom Casmurro, célebre romance de Machado do Assis e assunto da prova de fim de ano. Para enfrentar esse desafio, barrão vai contar com a ajuda de Lu, uma estagiária zangada e esquisitona que trabalha na biblioteca do colégio. Juntos, eles lerão o clássico machadiano sobre o ciúme, aprendendo algo sobre a dinâmica desse sentimento em relação à estrutura social do Brasil no século XIX.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Geralmente, os clássico machadianos tem uma linguagem um pouco mais difícil de compreender logo na primeira leitura, fazendo do dicionário um fiel amigo nessa jornada. Entretanto, a proposta de Ivan é contextualizar e simplificar para que os jovens do século XXI possam ter contato com esse clássico sem ter traumas com a língua.

Lu irá ajudar o valentão e muito ciumento Barrão a entender Dom Casmurro e assim ter a chance de terminar seus estudos. O guia dessa jornada será Machado de Assis que com trechos de o Dom Casmurro irá ser a salvação de um aluno rebelde que já perdeu tudo e já não pode arriscar mais nada.

Será uma leitura extensa para Barrão, porém Lu fará de tudo para simplificar a história de Bentinho e Capitu. E não pense que será fácil para Lu e muito menos para Barrão conviverem enquanto estudam juntos. Lembrem-se que Barrão é extremamente ciumento, provar se Capitu traiu ou não Bentinho será uma das coisas mais frequentes nesse livro.

Uma leitura leve que instiga a conhecer mais a fundo Dom Casmurro. Acredito que esse é um daqueles livros que dão passagem e suporte para encarar leituras mais densas e assim criar um hábito de leitura nos leitores iniciantes.

Recomendo fortemente, antes ou depois de Dom Casmurro.

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Ana Liberato