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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Resenha: "Crônicas de Espada e Feitiçaria" (Vários Autores edt. Gardner Dozois)

Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso

Sinopse: Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.

Fonte: Amazon

Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.

Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.

Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.

Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.

É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Resenha: "Hogwarts - "Um Guia ImPerfeito e ImPreciso" (J. K. Rowling)

Sinopse: Contudo, o Ministério da Magia percebeu que construir uma estação bruxa adicional no meio de Londres seria demais até para a notória determinação dos trouxas de não perceber a magia, ainda que exploda bem na cara deles. - J.K. Rowling
Pottermore Presents é uma coleção de textos de J.K. Rowling dos arquivos do Pottermore - pequenas leituras que foram apresentadas originalmente em pottermore.com. Esses e-books, com curadoria do Pottermore, levarão você além das histórias de Harry Potter, pois neles J.K. Rowling revela suas inspirações, detalhes intricados das vidas dos personagens e surpresas do mundo bruxo.
Hogwarts: um guia imperfeito e impreciso leva você numa jornada à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Você vai se aventurar pelos terrenos de Hogwarts, conhecer melhor seus residentes permanentes, aprender mais sobre as aulas e descobrir segredos do castelo... Tudo ao virar de uma página.

Fonte: Amazon

Por Eliel: No terceiro volume das Histórias de Hogwarts somos convidados para embarcar no Expresso que leva os alunos para a mais famosas escola de bruxaria da história. Desde a Estação de King's Cross até os segredos do castelo e seus habitantes.

J. K. Rowling revela curiosidades que enchem as paredes do castelo e as páginas de livros tão queridos e alguns segredos que ficaram apenas nas idéias da autora e agora ela compartilha nesse eBook incrível.

São curiosidades sobre os fantasmas, mais precisamente Nick Quase-Sem-Cabeça; sobre os retratos que enfeitam as paredes do castelos, como Sor Cadogan e os antigos diretores que auxiliam seus sucessores. Mas esse não é um guia definitivo, afinal não tem como ser, precisariam muitas páginas (que eu espero que venham) para se tornar um guia definitivo. A própria a autora define isso:

Então, aqui ficamos: não é uma visita guiada, nem um registro
inteiramente completo, mas agora vocês estão inteirados de alguns dos
muitos segredos da famosa escola de bruxaria. Deixamos você com
alguns conselhos: tenha cuidado ao usar um vira-tempo, pare de
procurar a Câmara Secreta (a não ser que seja ofidioglota) e não fique
tempo demais diante do Espelho de Ojesed.

Conhecer mais sobre as personagens, os cenários e as tramas criadas por J. K. Rowling é uma revisita ao Universo Mágico muito bem vinda. Recomendo fortemente aos fãs da série Harry Potter, afinal essa é uma história viva e merece várias releituras.


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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Resenha: "Histórias de Hogwarts - Poder, Política e Poltergeists Petulantes¨ (J. K. Rowling)

Sinopse: Nenhum Primeiro Ministro trouxa jamais pôs os pés no Ministério da Magia, por razões que foram sucintamente resumidas pelo ex-Ministro Dugaldo McPhail (mandato de 1858 a 1865): "seus cerebrozinhos não conseguiriam lidar com isso". - J.K. Rowling
Pottermore Presents é uma coleção de textos de J.K. Rowling dos arquivos do Pottermore - pequenas leituras apresentadas originalmente em pottermore.com, com algumas novidades exclusivas. Esses e-books, com curadoria do Pottermore, levarão você além das histórias de Harry Potter, pois neles J.K. Rowling revela suas inspirações, detalhes intricados das vidas dos personagens e surpresas do mundo bruxo.
Essas histórias sobre poder, política e poltergeists petulantes lhe oferecem um vislumbre do lado mais sombrio do mundo bruxo, revelando as raízes da implacável Professora Umbridge, informações sobre os Ministros da Magia e a história da prisão de Azkaban. Você poderá sondar mais a fundo os primeiros anos de Horácio Slughorn como mestre de Poções em Hogwarts - e sua relação com Tom Servolo Riddle.

Fonte: Amazon

Por Eliel: Esse segundo volume de Histórias de Hogwarts é igualmente interessante e que amplia nossas impressões sobre a saga Harry Potter, porém um pouco mais sombrio que o anterior. J. K. Rowling apresenta fatos e curiosidades sobre a criação e o contexto de dois importantes representantes da Sonserina, a origem de Azkaban e um pouco de política ao tratar sobre o Ministério da Magia.

Dolores Umbridge é sem sombra de dúvidas uma das personagens mais odiosas que Harry teve o desprazer de conhecer, exceto por Lord Voldemort. Curioso que esses dois deixaram cicatrizes em Harry. Uma pessoa ambiciosa e sem escrúpulos que não se importa com quem terá que pisar para atingir seus objetivos. Extremamente racista e preconceituosa esconde sua personalidade por trás de muito rosa e gatinhos fofos (ela me dá náuseas).

Ela sempre teve uma carreira importante no Ministério da Magia, e que tal conhecer um pouco da política no mundo bruxo e como ele se relaciona com o mundo dos trouxas? Desde a sua origem até os dias atuais temos uma lista dos Ministros e suas contribuições (ou não).

Uma delas foi a prisão de Azkaban, um habitat de dementadores que fez muitas vítimas atrás de seus portões e é usada até hoje como a mais importante prisão bruxa e que ninguém quer conhecer de verdade.

Para mim, a história do Professor Slughorn e sua predisposição a escolher os alunos mais talentosos para seu Clube do Sluge. Um professor excepcional, ambicioso e muito ingênuo. Sua relação com Tom Riddle e por ter compartilhado o segredo das Horcruxes atormenta a consciência desse pobre professor que só queria estar cercado de alunos promissores.

Falando em ambição, não podemos nos esquecer do Professor Quirell que achava que poderia vencer o Lord das Trevas e acabou se envolvendo de corpo e alma com ele. Inteligente e com um futuro promissor como educador, porém teve um triste fim por causa de escolhas erradas.

Já em Hogwarts temos um conto de uma das entidades mágicas mais petulantes, o poltergeist Pirraça. Embora, por motivos de roteiro ele não esteja presente nos filmes ele tem bastante participação nos livros, seja provocando os estudantes ou participando da Grande Batalha de Hogwarts.

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Resenha: "Histórias de Hogwarts - Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos" (J. K. Rowling)

Sinopse: Minerva era a deusa romana dos guerreiros e da sabedoria. William McGonagall é celebrado como o pior poeta na história britânica. Havia algo de irresistível nesse nome e na ideia de que uma mulher tão brilhante pudesse ser uma parente distante do cômico McGonagall. - J.K. Rowling

Pottermore Presents é uma coleção de textos de J.K. Rowling dos arquivos do Pottermore - pequenas leituras apresentadas originalmente em pottermore.com, com algumas novidades exclusivas. Esses e-books, com curadoria do Pottermore, levarão você além das histórias de Harry Potter, pois neles J.K. Rowling revela suas inspirações, detalhes intricados das vidas dos personagens e surpresas do mundo bruxo.

Essas histórias sobre proezas, percalços e passatempos perigosos traçam o perfil de dois dos personagens mais icônicos e corajosos da série Harry Potter: Minerva McGonagall e Remo Lupin. J.K. Rowling também nos permite dar uma espiadinha por trás do mistério que é a vida de Sibila Trelawney, e você ainda vai se deparar ao longo do caminho com Silvano Kettleburn, um imprudente amante das feras mágicas.

Fonte: Amazon

Por Eliel: A saga do bruxinho mais querido é/foi muito importante para iniciar muitos leitores desde 1997 quando o primeiro livro foi lançado. Desde então muitos fãs foram cativados pelos livros, filmes, jogos e tudo o que envolve o Universo Mágico. Cada novidade que surge deixa os fãs em polvorosa. Atualmente, estamos acompanhando a expansão por meio de Animais Fantásticos. 

Em um "passeio" pela Amazon, encontrei alguns eBooks da Pottermore Presents bem interessantes. Não pensei duas vezes e abasteci meu Kindle. E com muito orgulho vim trazer o primeiro volume desses pequenos contos escritos por J. K. Rowling que expande nossa visão sobre esse vasto universo.

Para quem acompanha o site Pottermore sabe que a autora sempre publica muitas curiosidades inéditas por lá, mas encontrar em bom português reunido por aqui é bem mais prático e com preço bem acessível é sensacional.

Nesse primeiro volume iremos conhecer um pouco do passado de dois queridos professores, Minerva McGonagall e Remo Lupin. Saber do contexto em que essas personagens foram criados dá mais peso para cada releitura da obra que deu origem à essa saga. Além desses dois nomes de peso, temos também um conto da Professora Trelawney e do último professor de Trato das Criaturas Mágicas antes de Hagrid, Silvano Kettleburn. 

Entre um conto e outro, a autora incluiu curiosidades sobre Animagos, Lobisomens e Onomantes. Com a mesma qualidade de Harry Potter esses contos extras criados só enriquecem ainda mais uma narrativa que cativou tantos fãs ao longo de tantos anos.


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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Resenha: "O Elefante Desaparece" (Haruki Murakami)

Tradução: Lica Hashimoto

Sinopse: Com a mesma genialidade com que escreveu seus romances mais famosos, 1Q84ou Crônica do Pássaro de Corda, por exemplo, Haruki Murakami usa esta coletânea de contos para tomar o senso de normalidade de assalto. Um homem vê seu elefante favorito desaparecer, dois recém-casados sofrem de uma fome avassaladora que os faz roubar uma lanchonete no meio da noite, e uma jovem mulher descobre que a forma de se livrar de um pequeno monstrinho verde pode estar ligada a seus próprios pensamentos: esses são apenas alguns dos contos que integram essa seleção de dezessete histórias. Por vezes assustador, por vezes hilário, O elefante desaparece é mais uma prova da habilidade que Murakami tem de ultrapassar as fronteiras da realidade — e de voltar carregando um tesouro.


“Todos os contos se passam em universos paralelos não tão distantes da realidade, é quase como se eles sempre estivessem escondidos logo abaixo da superfície: ruelas secretas que oferecem uma perspectiva inesperada.” — The New York Times



“Encantador e intrigante. Todos os contos possuem características surreais e um tom moderno e espirituoso.” — The Wall Street Journal



“Essa coletânea consegue reunir as melhores características de um romance: um tom homogêneo e uma multiplicidade de detalhes que cria uma textura única para a escrita.” — The Independent

Fonte: Grupo Cia das Letras

Por Eliel: O título causa um estranhamento logo de cara. Isso é proposital, pois o estilo de Murakami é cheio repleto de surrealismo, abstracionismo beirando o absurdo deixando a obra aberta para interpretação e discussão. 

Os contos são ambientados principalmente no Japão e geralmente são pessoas comuns que trazem um ar solitário até melancólico. Parece até que conhecemos aquele vizinho ou aquela senhora que passa pela rua tamanha a habilidade do autor de nos envolver na narrativa.

Não existe um tema central que ligue os contos uns aos outros, por isso eles podem ser lidos em qualquer ordem. Murakami tem uma habilidade para distorcer a realidade usando de transtornos psicológicos, inércia, fantasia, entre outros. Ele faz isso de uma forma natural que você só se dá conta que atravessou o véu da realidade depois de estar bem longe na trama.

- Sei que soa estranho - ela admitiu. - Não é para menos. A história toda é bem esquisita.

Os contos podem parecer meio sem pé nem cabeça e Murakami tem o costume de não dar muitas explicações, mas o conceito é esse mesmo, provocativo e ousado. Esse autor vai mexer com seu psicológico (no bom sentido).

Hoje eu entendo que, em muitos casos, não se deve relatar a realidade das coisas. A realidade deve ser criada.

Meu conto favorito é Sono, nele acompanhamos o dia a dia de uma mulher que por alguma razão não sente mais sono e não se sente cansada. Por isso começa a refletir sobre sua vida, seu casamento  e as consequências na sua rotina por não dormir.

São 17 contos e o conto de abertura (O Pássaro de Corda e as Mulheres de Terça) é o primeiro capítulo de um dos seus livros (O Pássaro de Corda). O conto que fecha essa antologia é justamente o que dá título à esse livro. São contos de diversos tamanhos e ritmos, mas a leitura do livro em si é bem rápida. Gostei bastante da experiência e com certeza recomendo

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Especial de Halloween - Conto de "A Menina que Roubava Livros" (Markus Susak)


Minha autoria
Por Clarissa:

“18 de abril de 1944
O que está havendo com vocês?
Não estão vendo o que está ocorrendo?
Pessoas estão sendo mortas cruelmente.
Pessoas são levadas de suas famílias.
Seus pertences confiscados e vendidos por este homem sem escrúpulos e cruel.
Onde está mamãe?
Ouvi-a chorar e gritar de dor. Para onde levaram ela?
Por que ela não estava respirando? Ela estava tão magra!
Não come à dias para que eu possa comer.
Por que temos que ficar aqui?
Por que todos dormem uns sobre os outros?
Onde foi parar os cabelos das mulheres?
Por que bateram naquela outra garota?
Ela está muito machucada e não há remédios. Não há comida nem água.
Por que não nos dão cobertas para o frio?
Está nevando lá fora, mas na é mais engraçado rolar na neve. Não nos deixam brincar.
Levaram minhas bonecas.
Chamaram-me de criança suja e cretina. Disseram que as pessoas como nós, denigrem a população alemã.
Mas sei que na fizemos nada disso. Ou fizemos?
Por que nos odeiam tanto?
Outro dia levaram uma remessa de mulheres e crianças para um compartimento estranho.
Mandaram que todos tirassem as roupas, foram tomar banho?
Mas a água aqui é gelada. No inverno as pessoas estão morrendo pelo  frio.
Minha autoria
Por que aquelas pessoas não voltaram mais depois que entraram naquela câmara?
Deram às roupas delas para os novos amigos que chegaram. Por que eles choram tanto?
Me levaram para o banho também. E depois para aquela câmara. De repente vi um pequeno feixe de luz e jogaram alguma coisa aonde estávamos. Um cheiro horrível de gás começou a tomar conta do local.
Eu não conseguia respirar. Eu queria só sair dali e ficar com a mamãe de novo.
Por que estamos aqui?
E o banho? Por que não estamos vendo água?
Por que estão todos gritando?
Por que todos estão pedindo socorro? Por que não nos ajudam?
Os gritos pararam. E eu fui com a mamãe e os outros.”

Carta de uma meiga garota chamada Ingrid, meus eternos agradecimentos.

Minha autoria

Esta crônica foi feita pela minha amiga Ingrid. E me fez lembrar muito dos livros A menina que roubava livros e O menino do pijama listrado. E me fez imaginar como foi a destruição e os sofrimentos daquela época. O que as pessoas viveram nas Guerras Mundias, não sofreram somente pelos ataques aéreos, mas com as torturas, os trabalhos forçados que tinham muitos riscos de vida, e a prisão da liberdade, não podiam se expressar. Milhões de pessoas perdendo a vida injustamente, crianças perdendo suas infância por algo que mal sabiam.Na história de Markus Susak, quem narra o conto é a sabia e silenciosa Morte. Conta o que se passa em cada vida, seja as breves ou as longas vidas. Mas que levaram em suas vidas uma grande bagagem de delicadeza e brutalidade, perdas e glórias, amor e dor.
A mensagem deste livro é que devemos dar importância aos pequenos detalhes, aos momentos. Porque é isso que nos torna humanos.
Mas uma coisa é fato quando a morte conta uma história você deve parar para ler.

Para quem quiser conhecer melhor e ver suas lindas fotos, sigam a minha amiga Ingrid no instagram: https://instagram.com/winter_melancholy/

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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Resenha: "Branca de Neve - Os contos clássicos" (Alexandre Callari)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão todos e tod@s? Trago a vocês hoje a resenha de um livro que eu queria ler a muitooooo tempo! Já confesso que adoooroo esse mundo dos contos de fadas e tudo que a ele se relaciona, e que de todos Branca de Neve é um dos meus favoritos!

Lançado pela Editora Generale, eu esperava que este livro fosse apenas uma coletânea dos contos clássicos por detrás do que foi popularizado pelos estúdios da Walt Disney, mas foi uma grata surpresa descobrir que ele vai muito além do esperado.

O livro é dividido em três partes:

Na primeira, vamos adentrar o clássico escrito pelos irmãos Grimm em 1857, intitulado "Pequena Branca de Neve" e que mais se assemelha ao seu tão famoso longa adaptado pelos estúdios Disney em 1937.

Há muito e muito tempo, bem no meio do inverno, quando os flocos de neve caíam do céu leves como plumas, uma rainha estava sentada costurando junto a uma janela com esquadrias de ébano. Costurava distraída, olhando os flocos de neve que caíam lá fora e, por isso, espetou o dedo com a agulha e três gotas de sangue caíram na neve. Aquele vermelho em cima do branco ficou tão bonito que ela pensou: "Eu queria ter um neném assim, que fosse branco como a neve, vermelho como o sangue e negro como a madeira da moldura desta janela."Algum tempo depois, ela teve uma filha, que era branca como a neve, vermelha como o sangue e tinha cabelos negros como o ébano. Deram a ela o nome de Branca de Neve, mas, quando ela nasceu, a rainha morreu.

Além de outras versões - sete no total  - algumas muito semelhantes e, o mais destoante, contado em forma de poema. São elas:  "A Jovem Escrava"; "Árvore-Dourada e Árvore-Prateada"; "Maria, a madrasta má, e os sete ladrões"; "O Caixão de Cristal"; "A Morte dos Sete Anões"; "A Fábula da Princesa Morta e dos Sete Cavaleiros". Há versões em que, inclusive, não é a madrasta, mas a própria mãe que se toma de ciúmes da filha.

Era uma vez um rei que tinha uma esposa, cujo nome era Árvore de Prata, e uma filha, cujo nome era Árvore de Ouro. Num certo dia, entre outros dias, Árvore de Ouro e Árvore de Prata foram a uma ravina em que havia uma fonte, e dentro da fonte havia uma truta.

Árvore de Prata disse:
– Trutinha, minha pequena camarada, não sou a mais bela rainha do mundo?
– Oh! De verdade? Você não é não!
– Mas, quem é então?
– Ora, é Árvore de Ouro, sua filha.
Árvore de Prata foi para casa, cega de raiva.
Deitou-se na cama e jurou que nunca mais ficaria boa se não conseguisse comer o coração e o fígado de Árvore de Ouro, sua filha.

Aqui, além de adentrarmos as diferentes facetas apresentadas à cada história pela cultura da qual se originou, teremos também os comentários de Alexandre Callari, que vão elucidar muitas nuances que, num primeiro momento, podem passar despercebidas do olhar menos atento. Para além da história, há mitos, lendas e toda uma rica simbologia por detrás desse conto.

Na segunda parte do livro, será analisada toda a filmografia dai resultante, indo desde histórias até mesmo pitorescas e curtas passando, obviamente, pelo longa de Walt Disney, e caminhando até algumas adaptações bem recentes, como Espelho Espelho meu que teve Julia Roberts como Rainha Má; e Branca de Neve e o Caçador com Kristen Stewart, a protagonista da famosa saga "Crepúsculo". Também irá abordar algumas adaptações criadas para o teatro que se destacaram e até mesmo HQs.

Já na terceira parte, seremos brindados com conto do próprio Alexandre Callari, que irá fazer uma releitura do clássico, intitulado "Mundo dos Espelhos: Lobos, Sangue e Neve".

O interessante da história de Callari é que, na sua versão, Branca de Neve deixa de ser uma princesa sujeitada à maldade sem explicação de uma Rainha Invejosa e, depois, sujeitada a esperar ser resgata por um príncipe encantado, para verdadeira protagonista de sua história e de sua vida. Não mais mera vítima, mas salvadora de si mesma.

Por mais que alguns dos contos tenham passagens que hoje chocariam nossa sensibilidade - como a punição de dançar em sapatos de ferro até a morte, ou algumas questões claramente incestuosas - é interessante encontrar as origens de uma história que se tornou tão popular em nosso imaginário, bem como também saber de algumas curiosidades.

Por exemplo, vocês sabiam que o orçamento do longa metragem de Walt Disney ultrapassou em DEZ - isso mesmo dez vezes - o orçamento original? E que por muito tempo o filme ficou conhecido como "Loucura Disney"? Claro, que hoje sabemos que Branca de Neve foi o que alçou a Disney como a empresa multimilionária que é, mas na época deve ter sido difícil aos que trabalhavam no projeto.

Por fim, a versão do conto escrita por Callari, muito mais adulta, nos faz re-visitar esse nosso recôndito infantil, redescobri-lo e significá-lo de forma diferente. Também nos faz ver o trabalho de remodelagem por Disney de forma mais aberta e crítica, visto que na realidade, em sua origem, os contos também não seriam recomendados ao público infantil.

Recomendo!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Resenha: "Coisas Frágeis 2" (Neil Gaiman)

Tradução: Michele de Aguiar Vartuli

Sinopse: Em "Coisas Frágeis 2", Neil Gaiman mostra sua versalidade compondo poemas inspirados em contos de fada. "A Câmara Secreta", "Cachinhos", "Instruções" e "Inventando Aladim", e criando narrativas sob a influência dos mais diversos elementos. As pequenas histórias que integram o conto "As Meninas" tiveram origem nas canções do álbum Stranger Little Girls, de Tori Amos. Em "No Final", Gaiman imaginava como seria o último livro da Bíblia e acaba criando em Gênesis às avessas; já em "Pó Amargo", lendas urbanas e os estudos de Zora Neale Hurston sobre a cultura negra e vodu compõem uma narrativa que tem como cenário a cidade de Nova Orleans. O conto "Quem Alimenta e Quem Come" nasceu de um pesadelo de Gaiman, enquanto "Garotos Bonzinhos Merecem Favores" teve como ponto de partida lembranças da infância do autor. E é isso que Neil Gaiman faz em Coisas Frágeis 2, além de contar histórias, cria narrativas em que o horror se une ao humor, a doçura à crueldade e o realismo à fantasia para oferecer ao leitor um meio de libertar-se.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Se você chegou até aqui é porque já se deliciou ou ao menos ficou curioso com a obra de Neil Gaiman. Esse é o segundo volume da coletânea de contos dele, a resenha do primeiro livro está aqui. Ao explorar esses novos textos irá se deparar não somente com contos, ms também pequenos poemas. Como não estão ligados por nenhuma ordem cronológica ou ideológica podem ser lidos da melhor maneira que você escolher.

O objetivo de Gaiman ao reunir esses contos e poemas sob o título de Coisas Frágeis fica bem claro já na introdução...

Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.

Esse seria o fio condutor que abraça todos os textos de ambos os volumes. Entretanto, uma lição que fica aqui é perceber a força que as coisas que são frágeis realmente tem. Um coração despedaço continua a bater e um sonho pode renascer. Todas as coisas podem ser frágeis e ainda assim fortes, como as ideias transformadas em contos por um autor talentoso.

Originalmente, Coisas Frágeis, era um volume único, porém na edição nacional foi dividido em dois volumes. Há quem diga que a divisão não favoreceu a ordem feita pelo autor e que o segundo volume ficou com os contos mais fracos da coletânea.

O resumo da ópera é um forte incentivo para ler e começar a se aventurar em romances maiores desse que é considerado um dos maiores autores contemporâneos de literatura sobrenatural e fantasia.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Resenha: "Coisas Frágeis" (Neil Gaiman)

Tradução: Michele de Aguiar Vartuli

Sinopse: Neil Gaiman é um dos maiores escritores de ficção em atividade, reconhecido pelos seus romances (Lugar Nenhum, Filhos de Anansi) e pelo seu trabalho em quadrinhos (Sandman). Em Coisas Frágeis, Gaiman mostra que seu talento como contador de histórias funciona perfeitamente no reino das narrativas curtas. Neil Gaiman escreve com desenvoltura sobre os mais diversos universos - sejam criados por outros autores (com contos que aludem aos mundos de Sherlock Holmes, Matrix e Nárnia) quanto seus próprios, como no conto "O Monarca do Vale", que tem como protagonista o personagem Shadow, de Deuses Americanos.

Os nove contos de Coisas Frágeis trazem Gaiman abordando os mais diversos temas, misturando puberdade, punk rock e ficção científica em "Como Conversar com Garotas nas Festas"; combinando o Sherlock Holmes de sir Arthur Conan Doyle com o terror de H. P. Lovecraft em "Um Estudo em Esmeralda"; extrapolando o mundo de Matrix em "Golias", inspirado no roteiro original do primeiro filme; ou mesmo presenteando a filha mais velha com um conto fantástico sobre um clube de epicuristas em "O Pássaro-do-Sol". Coisas Frágeis é um tratado prático de como escrever boas histórias - histórias que, como diz a introdução do livro, "duram mais que todas as pessoas que as contaram, e algumas duram muito mais que as próprias terras onde elas foram criadas".

Fonte: Skoob

Por Eliel: Esse livro é uma coletânea de contos que revelam as inúmeras facetas criativas de Gaiman. Perceberá nessas páginas o poder que ele tem de nos fazer enxergar a magia no mundo cotidiano por usar elementos tão corriqueiros. Após lê-los, aposto que nunca mais olhará com os mesmos olhos uma senhora no parque ou um pássaro a voar.

O estilo de escrita de Gaiman é bem característico e mesmo ao se aventurar em narrativas diferenciadas, o seu estilo parece água, é adaptável e se encaixa perfeitamente sem deixar de ser dele. Isso fica bem claro em Um Estudo em Esmeralda, que basicamente é uma história a la Holmes com pitadas de Lovecraft, onde o sabor final é de Gaiman sem sombras de dúvida.

Embora sombrio, como é de se esperar do autor, os contos são confortáveis com uma sensação de estar em casa em volta de uma fogueira contado histórias com os amigos. Você vai pensar duas vezes antes de ir ao banheiro à noite? Vai, e isso é o poder que a literatura deve ter de te tirar do lugar comum e fazer repensar a nossa realidade.

Acredito que não preciso nem recomendar, mais do que recomendei durante toda a resenha. Para quem gosta de contos fantasiosos é uma ótima escolha, de leitura fluída e bem fácil. Sugiro que após ler venha ver essa resenha novamente e achar as referências ocultas ;)

P.S.: O conto Como Falar com Garotas em Festas ganhou uma versão em HQ que logo estará por aqui no Dear Book e ainda uma versão cinematográfica que estréia em breve nas telonas do Brasil. Acompanhem as novidades.

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Resenha: “Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial” (Ethel Johnston Phelps)

Tradução de: Julia Romeu

*Por Mary*: “Era uma vez...”

Tenho uma sobrinha de sete anos, uma prima de oito e uma afilhada de quatro. Quando li a apresentação deste livro, pensei nelas e em como eu gostaria de ter tido acesso a histórias com heroínas rebeldes e corajosas na minha infância.

Sobretudo didático, uma introdução nos ensina a diferença entre narrativas folclóricas e contos de fadas, que, nesta obra, são tratados de maneira sinônima. Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial reúne uma coletânea de histórias contadas no mundo todo, oriundas de diversos povos, com o objetivo de reforçar crenças, entreter ou divertir crianças e adultos, sempre trazendo heroínas em seu plano principal. 
Essa história é tão confortável e familiar quanto um cobertor macio. É a mesma história que meninas e mulheres ouvem há décadas. Ela afirma que um final feliz é algo dado – não alcançado – e que a melhor maneira de obtê-lo é esperar pacientemente, de preferência cantando uma musiquinha bonita. [...] Não há muitas musiquinhas bonitas nos contos de Chapeuzinho Esfarrapado. O que estas histórias contêm é valentia e iniciativa, esperteza e coragem, humor e compaixão.

No século XIX, a protagonista era vista como uma rebelde, e seu comportamento não era aprovado. Sua irmã gêmea dócil e gentil tinha o comportamento que era considerado ideal. O folclorista do século XIX que adaptou o conto, descreveu Chapeuzinho Esfarrapado como uma “sirigaita”. Mas fica claro que ela é a personagem principal e a verdadeira heroína da história.

Em Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial, você conhecerá uma princesa que veste uma capa esfarrapada e anda por aí montada em um bode, uma mãe que enfrenta um elefante para salvar seus dois filhos, uma jovem que enfrenta o exército das fadas para salvar seu amado, três mulheres fortes que ajudam um lutador a impressionar o Imperador, três velhinhas que enfrentam o sobrenatural com muita coragem, uma égua vestida de noiva, uma donzela que salva seu amado de um feitiço terrível dos trolls, uma esposa que usa a inteligência para salvar seu marido de uma grande enrascada contra um gigante, dentre outros.

Todos os contos são narrados em terceira pessoa, no esquema do “era uma vez”, com animais falantes, fadas, encantamentos e “foram felizes para sempre”, em reinos muito distantes ou pequenas aldeias espalhadas pelo mundo.
- O rei me mandou perguntar o que vossa alteza gostaria que ele lhe trouxesse de presente de Dûr.
Mas Imani, que só pensava em como poderia desatar o nó sem partir o fio, respondeu:
- Paciência.
O que ela quis dizer foi que o mensageiro precisava esperar até que pudesse atende-lo. Mas o mensageiro foi embora com a resposta e disse ao rei que a única coisa que a princesa Imani desejava era paciência.
- Oh! – exclamou o rei. – Não sei se é possível comprar isso em Dûr. Eu próprio nunca tive, mas, se conseguir encontrar, comprarei para ela.
 
Diferentemente dos contos de fadas a que estamos acostumados, no entanto, as princesas destas histórias não são donzelas em perigo que esperam passivamente pelos atos heroicos dos príncipes que irão salvá-las com um beijo de amor verdadeiro. Muito pelo contrário, em muitas destas histórias, são as princesas quem salvam os príncipes, cumprindo funções heroicas que vão muito além de um mero beijo. Elas enfrentam exércitos de fadas, trolls, feitiços malignos e até o destino, para salvar a vida do ente amado.

Muito embora estes contos, em tese, sejam destinados ao público infantil, a equipe de edição realizou um maravilhoso trabalho de coleta e adaptação, elaborando textos explicativos que representam verdadeiros ensaios de análise literária, que esclarece e amplia os horizontes dos adultos que leem as belas tramas feministas. 
Enquanto discutíamos o livro, me dei conta de que havia subestimado não apenas o meninos (por que ele não iria gostar de um livro só por trazer histórias com protagonistas mulheres?), mas o poder da história em si. Foi um lembrete esclarecedor de que esta coletânea oferece janelas e espelhos para meninos também. Ver a si mesmos como, talvez, desejem ser – parceiros com os mesmos direitos, ajudantes de grande valor e, às vezes, beneficiários de um bom resgate – e ver meninas retratadas não como donzelas indefesas, mas como as pessoas fortes e capazes que eles sabem que elas são.
Fiquei com vontade de ler para as minhas garotinhas (e elas que me aguardem!).

Ainda que sejam contos feministas, acredito que é uma leitura indicadíssima para os meninos também, principalmente aqueles que gostam de aventuras. As meninas arrasam enfrentando muitos perigos e agindo em pé de igualdade com os personagens masculinos das histórias.

Portanto, se você deseja uma leitura leve, divertida, capaz de reporta-la a reinos tão, tão distantes, capaz de te levar até de volta para a sua infância, Chapeuzinho Esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial é leitura para se fazer uma sentada só, e também para manter o livro dentro da bolsa para horas vagas, uma vez que são histórias rápidas, descomplicadas e curtas.
- Você não vai me perguntar por que uso essas roupas em frangalhos?
- Não – disse o príncipe. – Está claro que você as usa porque quer e, quando quiser trocá-las, vai fazer isso.
Ao ouvir isso, a capa toda rasgada de Chapeuzinho Esfarrapado desapareceu e em seu lugar surgiram um manto e uma saia de veludo verde. O príncipe apenas sorriu.
- Você fica muito bem com essa cor.
Quando o castelo surgiu no horizonte, Chapeuzinho Esfarrapado disse para ele:
- Não vai pedir para ver meu rosto sem essas manchas de fuligem?
- Isso também vai acontecer quando você quiser.
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Ana Liberato