segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Resenha: "Lobo por Lobo" (Ryan Graudin)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Imagine um mundo em que Hitler venceu a guerra. Um mundo dominado pelo autoritarismo, violência e punição como forma de controlar a população, onde apenas uma parcela das pessoas é considerada digna. É nesse cenário que Lobo por Lobo inicia sua história e nos traz uma visão sobre a Segunda Guerra Mundial ainda mais sombria e devastadora, acompanhada de uma jornada de uma garota em busca de vingança.

Acompanhamos a história de Yael, uma jovem judia que desde pequena foi escolhida para participar de diversas experiências em laboratórios alemães. Essas experiências deram à Yael uma certa habilidade que irá capacitá-la para cumprir a missão de sua vida: assassinar Hitler. Para tanto, ela precisará competir em uma corrida de motocicletas que irá criar a oportunidade ideal para Yael alcançar seu objetivo.

Lobo por Lobo é um livro um pouco difícil de encaixar em um único gênero. Ele pode ser compreendido como ficção histórica, já que usa um fato histórico como base para o enredo, porém há muitos indícios de ficção científica, que é abordada quando Ryan Graudin nos mostra as experiências feitas pelo governo alemão. Junte isso a aventura e ação e temos uma obra que transborda originalidade, e não se perde mesmo em meio a tantos acontecimentos.
Porque o dia seguinte era o começo do fim. Ela correria da Germânia até Tóquio. Venceria o Tour do Eixo e seria convidada para o Baile da Vitória. Mataria o Führer e, consequentemente, o Terceiro Reich. Estava disposta a atravessar o mundo para mudá-lo. Ou a morrer tentando.
Mesmo com diversos elementos compondo Lobo por Lobo, Ryan prefere focar mais no evento da corrida do que na construção de mundo. Temos uma boa base para nos situar nesta Alemanha dos anos 50, e é possível perceber a opressão do governo sobre a população. Há a menção de campos de trabalho forçado, mas pouco se fala sobre o racismo e o preconceito contra judeus. Tudo fica um pouco subentendido neste sentido. Senti falta de mais exploração a respeito da sociedade. Os diálogos soam bastante atuais, como qualquer outro livro de YA, então talvez se a ambientação tivesse sido melhor elaborada, seria mais fácil enxergar os personagens como pessoas daquela época.

Em relação aos personagens, são muito bem construídos; ninguém é caricato ou unidimensional. Yael foi minha favorita, mas também simpatizei com Felix, Vlad e Babushka. Os personagens com quem Yael tem uma proximidade maior foram todos muito bem trabalhados; por meio de seus flashbacks foi possível sentir tudo o que a protagonista vivenciou com eles.
Ela era a predadora daquela vez. Não a presa. Nunca mais.

Sobre a corrida em si, acho que é melhor não comentar muito para não entregar nenhum spoiler. O que posso dizer é que mesmo nos momentos mais críticos, o ritmo da leitura não é tão frenético, e isso foi um ponto negativo pra mim já que me fez demorar bastante para ler. 

As reviravoltas finais são bem legais e fazem a história valer a pena. Portanto, mesmo com os defeitos que identifiquei, vou ler a continuação e espero que a experiência consiga superar a que tive com este primeiro volume!

Até a próxima, pessoal!
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Resenha: “Do que eu falo quando eu falo de corrida” (Haruki Murakami)

Tradução de Cássio de Arantes Leite
Por Kleris: Murakami me arrebatou em Romancista como vocação (reveja resenha aqui) e nele descobri Do que eu falo quando eu falo de corrida, em que descreve uma ponte notável entre escrita e corrida. Diz Haruki que é este o estilo de vida que o melhor sustenta. Como ele, me identifico quando se trata de aliar um exercício físico que se ama com alguma produção (no caso, escrita). Isso significa qualidade em diversos níveis – produção textual de qualidade, tempo de qualidade, valor de qualidade, aproveitamento de qualidade, vida de qualidade. 
Por mais mundana que uma ação possa parecer, fique nela tempo suficiente e ela se tornará um ato contemplativo, meditativo, até.

Nesta proposta de leitura em especial, Murakami nos envolve de maneira esplêndida ao explorar variados aspectos da corrida – quase como um livro de memórias. Do que eu falo quando eu falo de corrida traz um conjunto de registros lá da virada do século – da década de 90 e os primeiros anos de 2000. São notas escritas despretensiosamente em meio ao que se vivia; na verdade, o impacto das corridas no dia a dia, seja como realização pessoal, seja como mera atividade física. 
Os pensamentos que me ocorrem quando estou correndo são como nuvens no céu. Nuvens de todos os tamanhos diferentes. Elas vêm e vão, enquanto o céu continua o mesmo céu de sempre. As nuvens são meras convidadas que passam e vão embora, deixando o céu para trás. O céu existe ao mesmo que não existe. Possui substância e ao mesmo tempo não. E nós meramente escolhemos essa vasta expansão e nos deixamos abrigar.

A sensação é de ter entrado no escritório do autor e, no meio de uma papelada, ter encontrado algum tipo de diário, que de imediato folheamos. Encontramos relatos honestos, humildes e reflexivos – em sua maioria, divagações que envolvem de tudo um pouco, como a escrita, livros, traduções, escritores e estilo de vida.

Murakami nos conduz com leveza. Ele tem um jeito impressionante de nos sugar atenção e nos colocar no local exato ao que estava. Tem até momentos de suspense! Em sua jornada de maratonas, vivemos e torcemos. Corremos também quase lado a lado, folheando tudo bem rapidinho.  
Não — esqueça a cerveja. E esqueça o sol. Esqueça o vento. Esqueça o artigo que tem de escrever. Apenas se concentre no movimento do pé adiante, um depois do outro. É a única coisa que importa.

Acho que o que mais conquista (novamente) é seu carisma, desde a construção de texto às ideias que quer passar. Nada egocêntrico, ele deixa claro o que faz/fez, sem induzir ou forçar a barra. Quer dizer, ele respeita a escolha do outro (ou pelo menos se esforça muito pra isso). É bacana ver como se aceita, em suas forças e em suas falhas, sempre a reforçar algo bom de si, favorecer sua saúde mental ou mesmo sincronizar a atividade com seu singular eu. 
Quando corro digo a mim mesmo para pensar em um rio. E nuvens. Mas em essência não estou pensando em uma coisa. Tudo que faço é continuar correndo em meu próprio vácuo aconchegante, caseiro, meu silêncio nostálgico. E isso é uma coisa maravilhosa. Digam as pessoas o que disserem. 
Eis por que a hora e pouco que passo correndo, preservando um tempo só meu, em silêncio, é importante para me ajudar a manter o bem-estar mental. Quando estou correndo, não preciso conversar com ninguém e não tenho que escutar ninguém falando. Tudo que tenho que fazer é olhar para a paisagem que passa por mim. Essa é uma parte de meu dia sem a qual não consigo viver.

Apesar de algumas notas suas enfatizarem âncoras de bem-estar, estados contemplativos e percepção, não tem nenhum lenga-lenga sobre saúde. Como eu disse, ele não tem interesse de “converter” ninguém para a atividade física. Seus registros são apontamentos que fez basicamente para si – para revisitar de tempos em tempos e se autoavaliar. Mas são tão bons que não podiam ficar na gaveta, né?  
Os pensamentos que me ocorrem quando estou correndo são como nuvens no céu. Nuvens de todos os tamanhos diferentes. Elas vêm e vão, enquanto o céu continua o mesmo céu de sempre. As nuvens são meras convidadas que passam e vão embora, deixando o céu para trás. O céu existe ao mesmo que não existe. Possui substância e ao mesmo tempo não. E nós meramente escolhemos essa vasta expansão e nos deixamos abrigar. 
Mas por mais determinada que seja a pessoa, por mais que possa odiar a ideia de perder, se não for uma atividade da qual realmente gosta, não vai continuar nela por muito tempo. Mesmo que o faça, não seria nada bom para essa pessoa.
É por esse motivo que nunca recomendei a corrida para os outros. Faço questão de nunca dizer algo como: “Correr é ótimo. Todo mundo deveria tentar.” [...]
Mesmo assim, alguém pode ler este livro e dizer: “Ei, vou experimentar correr um pouco”, e depois descobrir que gosta. E é claro que isso seria maravilhoso. Como autor do livro, eu ficaria muito feliz se isso acontecesse. Mas as pessoas têm seus próprios gostos e antipatias. Algumas são mais afeitas para correr em maratonas, outras, ao golfe, outras, a jogos de azar.

Há, claro, esse compartilhar de experiências, a descrever condições de corrida, ritmo e preparação. Percebe-se, no entanto, que o que se sobrepõe a tais é justo o aprendizado, seu interesse maior de registro.   
Por mais que você fique ali nu se examinando diante de um espelho, nunca vai ver refletido o que existe por dentro.

Do que eu falo quando eu falo de corrida é uma excelente opção de leitura aos aficionados por corrida, exercício físico, esportes de atuação solo. Maratonas, energia, quilômetros, aliás, são palavras-chave. Murakami, porém, vai bem além. Seus textos hipersensoriais criam uma espécie de redoma que se desenha em um momento de apreciação e nela concentra o pensamento – senão, a luta pelos nossos sonhos. Recomendo! 
[...] decidi que deveria apenas escrever honestamente sobre o que penso e sinto quanto a correr, e me ater ao meu próprio estilo. [...] a maior parte deste livro registra meus pensamentos e sensações em tempo real. [...] Talvez não sejam grande coisa, mas são lições pessoais que aprendi ao pôr meu corpo efetivamente em movimento [...] Pode acontecer de essas lições não se prestarem a generalizações, mas é justamente porque o que é apresentado aqui sou eu, o tipo de pessoa que sou. 
As pessoas às vezes zombam de quem corre todo dia, alegando que é uma tentativa desesperada de viver mais. Mas não acho que esse seja o motivo pelo qual a maioria corre. A maioria dos corredores corre não porque queira viver mais, mas porque quer viver a vida ao máximo. [...] Forçar a si mesmo ao máximo dentro de limites individuais: essa é a essência de correr, e uma metáfora aplicada à vida — e, para mim, ao ato de escrever, também. Acredito que muito corredores concordariam. 
Às vezes, quando estou praticando uma palestra em minha cabeça, me pego fazendo todo tipo de gesto e expressão facial, e as pessoas que passam por mim na direção oposta me lançam um olhar estranho. [eu na vida]

Até a próxima!

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Resenha: "Em busca de Watership Down" (Richard Adams)

Tradução: Rogério Galindo

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Trago a vocês hoje a resenha de um clássico da literatura de fantasia - do qual, confesso, nunca havia ouvido falar - com uma temática um tanto quanto inusitada.

Lançado originalmente em 1971, o livro todo fala apenas de uma coisa: Coelhos. Watership Down é o lugar buscado por um bando de coelhos mirrados e assustados que acreditam nas premonições de Quinto, um coelho vidente, que prevê a destruição da toca onde até então eles viviam.

Ele começou a choramingar de medo.
- Mas que tipo de coisa, do que você esta falando? Achei que você disse que não tinha perigo.
- Não sei exatamente o que é - respondeu Quinto, aflito - Não tem perigo aqui, pelo menos não neste momento. Mas ele esta chegando... esta chegando. Ah, Avelã, olhe! O campo! Esta coberto de sangue! 

Desse antigo viveiro partem 10 coelhos: Avelã, o amigo de Quinto que acreditou em suas visões e decidiu que era hora de ir embora, e acabou por virar o novo líder; Topete e Prata, coelhos grandes da Owsla, o que quer dizer que eles eram o segundo em comando na hierarquia dos coelhos; Sulquinho, um amigo de Quinto; Leutodonte e Dente-de-Leão, chamados de periféricos e que viram na partida uma boa chance de subirem de posição; Amora que, com sua inteligência, superou muitos obstáculos no trajeto; e Verônica e Bolota, coelhos que também viam poucas perspectivas em continuar no antigo viveiro.

Ou seja, nem todos estavam seguindo Quinto em função de seus aparentes "dons" premonitórios; alguns eram o que poderíamos chamar de simples aventureiros, sem nada a perder, ou jovens inconsequentes em busca de uma mudança, o que em alguns momentos dificultou a jornada, visto que houveram muitos momentos em que as sensações de Quinto foram ignoradas, inclusive por Avelã, o que acabou sendo quase fatal para alguns deles.

Basicamente, o livro contará as aventuras e perigos que estes lindos coelhos antropomorfizados irão enfrentar até chegar a essa mítica colina vislumbrada pelas visões de Quinto, o coelhinho com premonições; bem como os desafios de se estabelecer nesse novo local e fazer com que o novo viveiro prospere em meio aos perigos naturais que os coelhos precisam enfrentar: construção de abrigos apropriados, proteção contra predadores naturais etc.


Além disso, nossos intrépidos coelhinhos também possuem sua própria cultura, língua, mitos de criação do universo, provérbios e, até mesmo poesia, encontrada em um viveiro onde os coelhos já não sabiam mais exatamente como era ser selvagens.

Ao mesmo tempo em que o livro é uma fabula lindíssima, e você não deixa de em algumas passagens pensar num "ah, que coisa mais ffoffa" - afinal, gente, são coelhinhos! Os seres felpudos mais cuti-cuti do universo - há passagens carregadas de drama, violência, loucura e muita agressividade, o que faz a leitura ficar um tanto quanto sombria.


O autor aproveita para trabalhar muitos temas fortes em sua narrativa, como a opressão de um sistema autoritário e fascista, delírio coletivo e loucura, sobrevivência do mais forte, alienação cultural entre outros; mas também fala de solidariedade, empatia, generosidade e dos benefícios de se viver em uma comunidade onde há respeito e união.

Uma curiosidade é que o autor nunca imaginou a grandiosidade que sua obra atingiria. Começando como uma história para entreter suas filhas em uma longa viagem de carro, "Em busca de Watership Down" ganhou a Medalha Carnegie, a Medalha Guardian Prize e outros prêmios literários e foi rejeitado por todas as grandes editoras de Londres, sendo quase um Harry Potter da década de 70.

Ah, e claro, o livro foi re-impresso em capa dura com imagens em alto relevo, folhas amarelas e de alta qualidade e uma diagramação LINDA que fazem com que esse livro mereça destaque na minha estante! Muito obrigada Editora Planeta por esse relançamento MARAVILHOSO!

Livro recomendadíssimo!

Ps: Ah! Já ia esquecendo! Neste ano, a Netflix confirmou o lançamento de uma série de animação baseada no livro. Ansiooooooooosa já! Bjinhus!

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Resenha: "Amaldiçoado" (Joe Hill)

Tradução: Bárbara Heliodora & Helen Potter Pessoa

Sinopse: Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

Fonte: Skoob


Por Eliel: Publicado originalmente como O Pacto.

Meu primeiro contato com a história foi com o filme homônimo, onde o personagem principal, Ignatius Perrish, é interpretado por Daniel Radcliffe (Harry Potter). Logo já veio a vontade de conhecer a obra que inspirou aquele filme sombrio e intrigante.

Embora, o tema, o título e até a capa remetam a um livro de horror, ele não é só isso. Aqui é possível encontrar muito drama, romance e muito mistério. Os segredos mais obscuros serão revela-dos nesse thriller empolgante.

Imagina se um dia você acorda após beber muito com aquela ressaca acompanhada de uma forte dor de cabeça. Basicamente, é assim que começa essa história, porém os sintomas da ressaca não param por aí em Ig. Ele acaba de adquirir um par de chifres que ele acredita ser uma alucinação.

Faz um ano que Ig perdeu sua namorada, Merry William, que foi assassinada e abusada sexualmente. Para a maioria dos moradores da cidade o principal suspeito é o próprio Ig. Toda essa situação já é bem difícil para que ele lide, ele não precisava de mais dois problemas bem na sua cabeça para todo mundo ver.

O que é estranho é que ninguém parece realmente se importar com essa deformidade. Ig acorda na casa de Glenna, eles estão juntos a um tempo mesmo que ele não goste de verdade dela. Ao se deparar com aquelas coisas na testa dele, Glenna começa a revelar seus pecados mais secretos. Perturbado com essa reação ele vai à procura de ajuda, e isso se repete com todos com quem ele tenta interagir. O maior incômodo é saber de coisas das pessoas que ele tem algum tipo de afeição.


"As pessoas não param de me contar coisas pavorosas."

Seus recém adquiridos poderes não param por aí, ao tocar nas pessoas ele tem acesso a memórias mais obscuras do que mesmo sob sua influências as pessoas deixam escapar. Além disso, ele pode falar em qualquer idioma e até usar a voz de outra pessoa. É óbvio que ele não descobre isso de repente, é gradativo ao longo da narrativa, afinal tudo começa como uma alucinação para Ig.

Será que essa "benção" em forma de chifres será a forma que Deus encontrou para limpar o nome de Ig? A verdade tão bem guardada por pessoas que ele confiava e que podiam ter evitado que toda essa desgraça abatesse sobre esse jovem promissor.

Todos pecam e tem sua parcela de culpa nesse mundo e o irmão de Ig, seu melhor amigo Lee Torneau e outros personagens dessa história terão muito o que confessar diante de seu demônio interior.

Personagens são tão bem construídos que, apesar de se tratar claramente de uma ficção, estão bem próximos da realidade. Ora os odiará, ora os amará, mas somente os entenderá quando essa narrativa acabar.

Na minha opinião, esse livro é um romance tão bem construído que nos faz pensar em quantas coisas fazemos em nome do amor e quantas delas são realmente por amor. Uma narrativa que nos leva a enxergar nossas relações e emoções de frente e saber encará-las como são.

Joe Hill me impressionou como conduziu toda a trama que é repleta de curvas, você nunca sabe o que vai encontrar a frente. Fiquei extremamente curioso para conhecer mais da obra dele. Aguardem para ver mais dele por aqui.

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Resenha: "Coisas Frágeis 2" (Neil Gaiman)

Tradução: Michele de Aguiar Vartuli

Sinopse: Em "Coisas Frágeis 2", Neil Gaiman mostra sua versalidade compondo poemas inspirados em contos de fada. "A Câmara Secreta", "Cachinhos", "Instruções" e "Inventando Aladim", e criando narrativas sob a influência dos mais diversos elementos. As pequenas histórias que integram o conto "As Meninas" tiveram origem nas canções do álbum Stranger Little Girls, de Tori Amos. Em "No Final", Gaiman imaginava como seria o último livro da Bíblia e acaba criando em Gênesis às avessas; já em "Pó Amargo", lendas urbanas e os estudos de Zora Neale Hurston sobre a cultura negra e vodu compõem uma narrativa que tem como cenário a cidade de Nova Orleans. O conto "Quem Alimenta e Quem Come" nasceu de um pesadelo de Gaiman, enquanto "Garotos Bonzinhos Merecem Favores" teve como ponto de partida lembranças da infância do autor. E é isso que Neil Gaiman faz em Coisas Frágeis 2, além de contar histórias, cria narrativas em que o horror se une ao humor, a doçura à crueldade e o realismo à fantasia para oferecer ao leitor um meio de libertar-se.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Se você chegou até aqui é porque já se deliciou ou ao menos ficou curioso com a obra de Neil Gaiman. Esse é o segundo volume da coletânea de contos dele, a resenha do primeiro livro está aqui. Ao explorar esses novos textos irá se deparar não somente com contos, ms também pequenos poemas. Como não estão ligados por nenhuma ordem cronológica ou ideológica podem ser lidos da melhor maneira que você escolher.

O objetivo de Gaiman ao reunir esses contos e poemas sob o título de Coisas Frágeis fica bem claro já na introdução...

Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.

Esse seria o fio condutor que abraça todos os textos de ambos os volumes. Entretanto, uma lição que fica aqui é perceber a força que as coisas que são frágeis realmente tem. Um coração despedaço continua a bater e um sonho pode renascer. Todas as coisas podem ser frágeis e ainda assim fortes, como as ideias transformadas em contos por um autor talentoso.

Originalmente, Coisas Frágeis, era um volume único, porém na edição nacional foi dividido em dois volumes. Há quem diga que a divisão não favoreceu a ordem feita pelo autor e que o segundo volume ficou com os contos mais fracos da coletânea.

O resumo da ópera é um forte incentivo para ler e começar a se aventurar em romances maiores desse que é considerado um dos maiores autores contemporâneos de literatura sobrenatural e fantasia.

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Resenha: "Como Falar com Garotas em Festas" (Neil Gaiman, Fábio Moon & Gabriel Bá)

Tradução e Adaptação: Fábio Moon & Gabriel Bá

Sinopse: Enn é um garoto de quinze anos que nunca se deu bem com as garotas, enquanto seu amigo Vic tem todas a seus pés. Na Londres dos anos 1970, auge do punk rock, os dois estão prestes a viver a aventura mais espetacular das suas vidas. Ao serem convidados para uma festa, conhecem as belas Stella, Triolet e Wain e descobrem mais segredos do que jamais poderiam supor. Do premiado Neil Gaiman, autor de Deuses americanos e Sandman, e adaptado e ilustrado de maneira extraordinária pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, Como Falar com Garotas em Festas é uma graphic novel eletrizante, uma jornada sobre as descobertas do amor, das diferenças e dos mistérios que cercam o amadurecimento.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Se você já leu Coisas Frágeis de Neil Gaiman já deve ter topado com esse conto por lá.

Neil Gaiman é um autor com inúmeras obras de sucesso e muitas delas são contos de fantasia. Esse é o caso da resenha de hoje. Neil escreveu, Fábio Moon e Gabriel Bá foram lá e traduziram e adaptaram para uma graphic novel incrível como eles sempre fazem.

Ilustrações sensacionais e bem psicodélicas, como o próprio conto nos leva a entender, ajudam a enxergar as intenções por trás das palavras do autor. 

Nessa estória vamos com Enn, um adolescente que não tem o menor jeito com as garotas, e seu amigo Vic, o bonitão que fica com todas as mais gatas, à uma festa repleta de garotas lindas. Um conto sobre o amor e amadurecimento.

O desenrolar da trama começa logo depois dos dois chegarem à festa onde não conhecem ninguém, mas está cheio de garotas lindas, de outro mundo. Vic logo já começa a se acertar com uma delas sobrando para Enn o grande desafio, falar com essas garotas. Até aí uma história adolescente normal, mas não se esqueça que Gaiman é conhecido por suas fantasias e que elas são garotas de outro mundo...


Para ficar ainda melhor, o conto vai ganhar uma adaptação para os cinemas que ainda não tem data definida para chegar em terras brasileiras. Teremos nessa adaptação Elle Fanning (de Malévola) e Nicole Kidman (de Lion). Deixem nos comentários o que vocês acharam dessa adaptação para os quadrinhos e o que esperam da adaptação do cinema.

Acredito que ler esse conto será uma ótima entrada para o mundo de Gaiman e também para os quadrinhos dos gêmeos Moon e Bá.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Resenha: “Amor Roxo” (Rafael Vitti e Júlia Oristanio)

*Por Mary*: Sem dúvida, uma das coisas de que mais gosto nos poemas do Rafael Vitti é a simplicidade. A forma aparentemente despretensiosa como brinca com os versos e joga com as palavras.

Esse jogo de palavras a que me refiro não se restringe apenas à troca de uma palavra ou outra, mas também – e principalmente – a geração de som, a musicalidade impressa no conjunto e a ordenação dos versos. Todo este aparato reunido resulta em um trabalho capaz de atrair até os leitores mais avessos a rimas.

Longe da poesia clássica, parnasiana, cuja estrutura importa mais do que é dito, Rafael Vitti exerce um importante papel na literatura e talvez nem o saiba: ele aproxima o público jovem de uma categoria literária difícil e muitas vezes encarada como maçante. Ele nos mostra que poesia não é só cult, ela pode – e deve – descrever o dia a dia.

Além do conteúdo muito bem escrito, Amor Roxo possui um bom apelo visual. Sem deixar que este roube a cena, as imagens e combinações de cores complementam os desenhos dos poemas. Eu diria que a atual forma de fazer poesia é justamente essa: o casamento do literato às imagens e sons; o que Rafael e Júlia fazem muito bem, a propósito.


  

Diferentemente do que destaquei em Quer se ver no meu olho?, a respeito da multiplicidade de temas, Amor Roxo parece manter seu foco no amor. Variadas maneiras de amar, em diferentes momentos dele. Sedução, relacionamento, perda, desespero, paixão, satisfação.


  

Eu senti um pouco de falta de saber quem escreveu o quê. Porque como este livro reúne poemas do Rafael e da Júlia, eu gostaria que ficasse um pouco mais clara a autoria. Por outro lado, dá para brincar de adivinhação. O que nos resta, é comparar com os poemas de seu livro anterior, Quer se ver no meu olho?. Será que o fandom aí poderia ajudar esta curiosa resenhista?

 


Mas aí vocês vão me chamar de doida, porque ao mesmo tempo em que senti falta, eu também curti bastante o fato de não saber quem escreveu o quê. Dá aquela impressão de unicidade, sabe? Como se ambos fossem um e acho que essa era a ideia, porque não é como se fossem simplesmente dois autores dividindo um livro, mas realmente um trabalho em conjunto.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Resenha: “O Código da Mudança” (Othon Gama)

Por Kleris: Meses atrás, lembro de uma situação estranha e desconfortável que passei. Veja bem, meu corpo não é exatamente "ideal" para os padrões, mas eu aprendi a aceitá-lo (e amá-lo). Também procurei me libertar daquela constante de pensar em números e toda aquela relação complicada com a comida. Abracei os exercícios físicos porque descobri que amava (ainda mais da maneira com que otimizei) e me alimentava razoavelmente bem porque também sou ligada a frutas e comidas caseiras. De alguma maneira, fui encontrando meu equilíbrio de volta.

Então um dia, experimentando uma camiseta, tirei uma foto pra mostrar a uma amiga, que foi quem tinha me presenteado. Daí veio o primeiro choque: eu estava... magra. Eu não compreendia como aquela pessoa da foto era eu. Uns dias antes tinha notado que umas roupas estavam mais folgadinhas, nada muito considerável, e lembrei também que algumas pessoas tinham apontado o fato e eu não levei a sério (por razões mais complexas).

Não demorou muito para começarem a me perguntar que fórmula “mágica”, que “dieta maluca”, eu tinha utilizado, porque queriam “copiar”. E tão logo estranharem porque eu queria meu corpo de volta (!!!). Mas a mudança já havia acontecido, assim, até sem querer, e eu tinha que aprender a lidar com aquilo, entender o que representava para meu processo.

Claro que aqui resumi muito do que foi esse momento bugador, mas posso dizer que esse resultado foi mais consequência do que objetivo, e que na mistura de metas, desafios, exercícios mentais que vinha fazendo (para um dado fim), consegui perceber qual foi meu código de mudança. Porque toda real mudança – ou a volta por cima, diria Brené – envolve um código. Para descobrir esse código, você tem que se conhecer. De verdade.
O caminho para essa mudança de hábitos pode ser complexo, mas a boa notícia é que dá certo. [...] Só depende de você.
Você já deve ter lido livros com fórmulas mágicas infalíveis ou visto oradores incríveis que inflaram sua motivação. Ambos dão a impressão de que “agora é pra valer”. A pessoa mais confiante, determinada, focada, comprometida, disciplinada e motivada do mundo é você naquele momento. Até começarem a aparecer os problemas do dia a dia, a cobrança do banco, uma discussão no trabalho, uma venda que não se conclui, uma entrevista de emprego malsucedida, um imprevisto no seu empreendimento. Então toda aquela motivação vai embora e você se vê novamente sem conseguir resultados concretos e duráveis.
Não existem soluções mágicas para problemas complexos. A motivação é fundamental, mas não basta. Ela faz você começar, porém é apenas a mudança de hábitos que lhe permite seguir em frente. [...] Quem não usa a inteligência emocional cai nas armadilhas da mudança de hábitos e não consegue sair delas.
Othon Gama é um excelente guia de jornada. Neste livro ele conta parte de sua história, de desbravar territórios da mente para perseverar e conquistar um objetivo. Isto porque não é só mirar em algo lá na frente e procurar maneiras de chegar a ele. Esse, na verdade, é um (grande) erro comum. Não adianta buscar algo pra você se você não está disposto a fazer o que deve ser feito. Buscar saídas fáceis ou pular etapas então, nem preciso dizer que de nada valem – aliás, só atrapalham.
Não adianta se enganar, não adianta enganar o mundo, você não consegue fugir de si mesmo, embora muitos fiquem a vida toda tentando. [...] Também existem pessoas que se enganam achando que tudo é fácil, que podem fazer o que quiserem na hora em que quiserem, que estão sempre prontas, mas que não fazem o que afirmam que vão fazer. Elas estão certas quando dizem que podem, mas ou não acreditam nisso realmente ou têm dificuldade de partir para a prática e na primeira dificuldade adiam o projeto, alegando que estão muito ocupadas e vão ter que deixar para depois. Só que esse dia nunca chega, já que elas caem sucessivamente nas armadilhas de seus hábitos. 
O Código da Mudança é uma luz nesse túnel longo e escuro. Ele nos mostra onde pisar, onde desviar, onde parar antes de continuar. Ponto a ponto, Othon se utiliza de conhecimentos sobre a mente, que é onde o (SEU!) código se esconde. Traz fundamentos desde cientistas, coachs, psicólogos e psiquiatras, como Augusto Cury, além de pautas muito chegadas a Jout Jout, envolvendo empoderamento, autoestima, autodisciplina, bem-estar, saúde mental, empatia, dentre outros.

Como tudo isso se resume à formação do ser como pessoa, percebe-se que uma das maiores dificuldades é de cada um olhar para si. Vê-se que explorar as emoções, para muitas pessoas, parece ser mais assustador que um intenso filme de terror.
E quem quer mudar de hábito? Precisa ter conhecimento de quê? De si mesmo. Conhecer-se é um dos mais importantes passos para conseguir mudanças duradouras e sustentáveis na vida. Temos de identificar nossos pontos fortes, nossos pontos de desafios e nossos pontos cegos.
Como toda jornada, a da mudança de hábitos também tem suas armadilhas. E a melhor forma de escapar de armadilhas é saber quais são e onde estão.
A sacada de mudança que Gama propõe se baseia no código dos hábitos e em um método que contempla todo o universo da transformação desejada: a dimensão da sabedoria (o que são os hábitos, como se formam, como funcionam); a dimensão emocional (compreensão de sistemas internalizados e competências emocionais necessárias); e a dimensão executiva (como aplicar e ter êxito). A imagem da borboleta (de capa), a propósito, super representa.
A grande maioria das pessoas falha porque quer chegar lá, mas só trabalha uma ou duas dimensões. Para realmente conseguir atingir os objetivos, é necessária uma abordagem que leve em conta todas as nuances e não menospreze as emoções, as reações fisiológicas, o ambiente, a formação cultural e educacional. Neste sentido, o método tridimensional se torna mais eficiente por “atacar o problema por todos os lados”. 

Os hábitos ruins sabotam nosso SAC [sistema de autocrenças] e nos impedem de acreditar que é possível mudar. Ora, se prometermos a nós mesmos que vamos fazer diferente e não fazemos, que vamos mudar nossos hábitos para melhor e não mudamos porque não entendemos como eles funcionam, achamos que o problema somos nós, que não somos bons o suficiente. Essas crenças que aprisionam o sucesso são um tiro de canhão no SAC. Ter um SAC forte é a base para desenvolver as habilidades necessárias para mudar hábitos.

Entender nossos hábitos é apenas o meio do caminho (talvez até menos). Mas, por certo, se é algo que VOCÊ quer, que bom que você começou a jornada. Por certo, exige tempo, paciência, disposição e muita, MUITA confiança – acessórios esses que, não se preocupe, você também pode aprender a desenvolver durante a caminhada.
É importante ressaltar que, quando falo em conhecimento, não me refiro apenas às disciplinas tradicionais, mas ao desenvolvimento humano. Além de consumir livros e revistas, ver filmes e assistir a palestras, precisamos reformular nosso sistema educacional, que muitas vezes forma pessoas inseguras e cheias de crenças limitantes, em vez de confiantes, corajosas, ousadas e criativas. Precisamos repensar e buscar soluções para criar a educação do século XXI, porque ainda estamos no século passado nessa área.
Você conhece pessoas que são verdadeiras formadoras de crenças limitantes? Que só colocam os outros pra baixo? É preciso tomar cuidado com elas, porque são verdadeiros destruidores da autoconfiança e autoestima. Não seja assim nem deixe que tratem você assim. As mesmas palavras podem ser cruéis ou vir embaladas em carinho.
Fonte: Aquele Eita (instagram)
O livro é mais teórico do que de prática e achei isso formidável nele. Quem nunca leu algo nessa linha, precisa dessa base. Consciência, percepção, instrução, discernimento, resiliência. Os exemplos são eficientes e a parte prática vem a ser um complemento. Você pode deixar uma agenda ou caderno de notas ao lado, se você é desses que necessita fazer um acompanhamento mais detalhado. Se possível, seria interessante também poder contar um profissional – psicólogo ou coach.

A leitura é de duas ou três sentadas, muito clara e precisa, gostosinha até. Apesar de chegada para o estilo pesquisa, Othon conversa conosco como se estivéssemos em uma de suas palestras. Não me espantaria de vê-lo em um TEDex (gostaria muito, inclusive). O bom de ser um livro (e não apenas uma palestra) é que podemos marcar e marcar a vontade! Vale revisitar trechos e notas sempre que puder.

Prepare sua cartelinha de marcadores adesivados, você vai precisar.
Todo ser humano, seja o presidente dos Estados Unidos, seja um morador de rua, tem um SAC [sistema de autocrenças]. O que muda é o conteúdo dele. Olhamos para as pessoas que realizaram feitos notáveis e dizemos: “Como são confiantes! Que capacidade de liderança!”. Achamos que possuem poderes quase sobrenaturais. Balela. Todos têm medos, frustações e colecionam fracassos. Pessoas bem-sucedidas constroem o alicerce das suas vitórias nas suas derrotas.
Se você é iniciante, essa é a compreensão mais completa que vai encontrar. E se você já está na arena, O Código da Mudança é o livro que vai te segurar, reforçando todo o passo a passo e sistema de comportamentos. Fãs de Brené Brown (eu!) e Augusto Cury vão curtir muito.

Desta maneira, não seja aquela pessoa que observa o outro conquistar algo, ressente-se por não conseguir e quer a solução pronta e rápida, como aquele exemplo de experiência lá em cima. Para cada conquista, um esforço. Não, não vou revelar qual foi o meu código de mudança; melhor, busque o seu. Respeite seu tempo. E não espere por algo ou alguém para começar. 
Mais forte do que nunca – Brené Brown (aqui)
Isso parece fácil, mas você se surpreenderia ao saber quantos nunca reconhecem os próprios sentimentos e emoções – apenas os descarregam. [...] A ironia é que, ao mesmo tempo que criamos distância entre nós e as pessoas ao redor, descontando tudo nos outros, ansiamos por laços afetivos mais profundos e por uma vida emocional mais rica. 
Ansiedade: como enfrentar o mal do século – Augusto Cury (aqui)
Ter coragem para velejar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossas fragilidades, admitir nossas loucuras, corrigir rotas e nos educar para sermos autores de nossa própria história é, acima de tudo, ter um caso de amor com a vida.E ninguém pode fazer essa tarefa por você – nem filhos, parceiro(a), amigos, neurologista, psiquiatra, psicólogo ou livros. Só você mesmo... Não traia o que você tem de melhor!

Se joga nessa jornada, migx!
Recomendadíssimo.
Até a próxima!


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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resenha: “Minha Vida (Não Tão) Perfeita” (Sophie Kinsella)


Resenha publicada originalmente no Chalé Cult


Tradução de Carolina Caires Coelho

Por Kleris: “Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?” – Mário Sérgio Cortella me representa aqui. Que mixed feelings! Tão acostumada ao estilo da Sophie, estou um pouco sem saber escrever como me sinto em relação a este livro. Mas tentarei.

Cat está imersa numa rotina bem louca enquanto caminha atrás de seu sonho – trabalhar com branding (conceito de marcas/design). Assistente em uma agência, ela está esperando e trabalhando pela sua grande oportunidade. Sua chefe, Demeter, é um furacão que deixa um rastro de inveja a qualquer um – e tem, aparentemente, uma vida perfeita, badalada, glamorosa. Cat também “sustenta” uma vida baseada no status, só que um bem distante do seu. Comete até loucuras (como entrar em cafeterias e tirar foto de cafés gourmet) pra mostrar a todos que ela está bem, está feliz e satisfeita.

Quando Cat é demitida, por conta de problemas na empresa, ela se joga em um novo empreendimento de seu pai, o que se torna uma grande aventura. Mas Cat ainda não resolveu o que quer ou como seguir em frente. Nesse ínterim, ela sugada de volta aos problemas e à empresa quando Demeter torna-se sua cliente e Alex, seu chefe crush, está ali para terminar um trabalho.

Minha vida (não tão) perfeita tem uma pegada diferente dos demais livros da Sophie. É bem mais suave, lúcida até. Apesar do que diz a capa (“Chorei de rir”, Jojo Moyes), eu não consegui rir como antes, em outros livros da autora, pois este não é bem uma tragicomédia. Não há casos extraordinários, improváveis, tresloucados ou surreais. Sophie traz a realidade. Algo mais próximo de um drama de costumes, mas sem perder, claro, o seu jeito Kinsella de ser.

Outro ponto diferente foi o gênero de público. Sophie é conhecida por tratar de mulheres adultas fortes e/ou independentes, e neste livro, ela ousou em se colocar na pele de uma millenium (geração Y). Vemos muito de uma garota em seus 26 anos que tá começando de baixo e está em desespero sempre – porque nossa geração é aquela acelerada, que se joga e vai em busca dos seus sonhos, não importa de que maneira, e que também se ferra muito por isso. Mas nem tudo é exasperação. Um ponto forte do team Y é justo transformar o limão numa boa limonada – ou melhor dizendo, transformar qualquer coisa em oportunidade (de mercado, se possível). 
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo?
Mas, quando olho pra ela, sinto uma comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela.

Ao tratar desse desejo de crescer na vida, Sophie insere sensivelmente sua crítica sobre a rede de mentiras que se constrói na internet. Sobre como usamos as redes para nos sufocar e demonstrar uma vida que não é nossa. Como os filtros podem ser tão tóxicos e arrasadores quanto um ambiente de trabalho competitivo. Como essa competição pela foto ou vivência mais glamorosa nos faz perder o real momento. Como isso cria uma narrativa bem diferente para quem nos lê. E como essas mentiras todas podem interferir ou confundir a vida real. 
Depois de algumas semanas de funcionamento, percebi que alguns clientes só querem saber de perguntar: Vocês são sustentáveis? Porque isso é muito importante para nós.   
Sinto vontade de rir quando Demeter se esconde atrás de uma árvore. É inacreditável ver como uma pessoa inteligente pode se tornar uma tola que acredita em tudo o que ouve assim que ouve as palavras “orgânico”, “autêntico” e “Gwyneth Paltrow”. 
— Esse cavalo é especialmente místico. — Eu me aproximo de Carlo e passo uma mão pela anca dele. — Ele traz calma às pessoas. Calma e paz.
Mentira. Carlo é tão preguiçoso que a emoção que ele causa na maioria das pessoas é frustração. Mas não hesito e continuo:
— Carlo é o que chamamos de um Cavalo da Empatia. Nós classificamos nossos cavalos de acordo com seus predicados espirituais, como Energia, Empatia e Detox.
Quando digo isso, percebo que exagerei. Um cavalo de detox? Mas Demeter parece estar engolindo tudo. 

A escolha de tratar a história por um viés mercadológico e marketeiro foi um grande acerto, pois dessa maneira Sophie pôde nos demonstrar melhor do princípio que manipula as pessoas pelas suas fraquezas. Esse realismo coloca em xeque nossos desejos, sonhos e ilusões. É muito louco como a gente vive para reforçar, com palavras bonitas, sacadas de marketing, neurociência, um estilo de vida que não reverbera quem nós somos, mas quem queremos parecer que somos. E é tudo lorota! É como usar a sabedoria para semear o mal – para si e para todos. 
Talvez eu devesse entrar no Instagram agora. Postar alguma coisa divertida.Mas, quando rolo as imagens na tela do celular, parece que elas estão rindo de mim. A quem estou querendo enganar com essas coisas falsas e felizes? É sério: a quem estou querendo enganar?

Com certeza a gente fecha o livro pensando no que estamos postando em nossos perfis, quaisquer redes sociais que sejam. Toda a história, toda a abordagem, foram caminhos arriscados para se tomar, vide o grande histórico da autora, mas achei bacana que ela tentou sair dessa redoma. E me surpreendeu para onde ela levou a história. A alguns leitores pode parecer até morno em relação aos outros livros (e é em alguns pontos mesmo), por outro lado, prefiro encarar como uma história para exercer nossa empatia, senão nossa consciência. No mais, para ir sem grandes expectativas.


Minha vida (não tão) perfeita é um livro sobre as várias versões da gente. Sobre ser verdadeiros conosco, assumir nossa realidade. Sobre se arriscar em um projeto, mas não esquecer aquele sonho, nem de deixar de trabalhar por ele. Não poderia dizer que este é meu favorito da autora, mas relembro aqui uma frase de O sorriso das mulheres (aqui) que, como o trecho de Cortella no início do texto, vale como uma ótima conclusão: “Um bom livro é bom em todas as suas páginas”. 
Não posso deixar um contratempo destruir meu sonho, posso? Claro que não. Um dia vou trabalhar com branding. Ainda vou atravessar a Waterloo Bridge e pensar: Esta é a minha cidade. Eu vou chegar lá.

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Ana Liberato