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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Resenha: "Daisy Jones & The Six" (Taylor Jenkins Reid)


Tradução de Alexandre Boide

Por Stephanie: Não faz muito tempo que saiu a minha resenha de Evelyn Hugo aqui no blog, e quem leu deve se lembrar que eu rasguei muita seda para aquele livro – que inclusive está entre as minhas melhores leituras de 2019. Desde então, eu li um outro livro da autora (que achei apenas bom), até me deparar com Daisy Jones & The Six, lançado recentemente pela Cia das Letras e que está bombando lá fora há uns bons meses. É dele que irei falar um pouquinho hoje.

A obra de Taylor Jenkins Reid é uma ficção histórica que se propõe a contar a história da banda sensação dos anos 1970, Daisy Jones & The Six, desde seu início até a fatídica separação, que o público nunca soube bem por que ocorreu – até agora. Por meio de entrevistas, temos os diversos pontos de vista de membros e ex-membros da banda, além de outros depoimentos de pessoas que estiveram envolvidas com ela ao longo dos anos.

Muitas vezes a verdade não está nem de um lado nem de outro, e sim escondida num meio-termo.

Apesar de amar música, principalmente rock, confesso que não sou muito ligada nas bandas e músicas que fizeram sucesso antes da década de 80. Por isso, quando soube que a autora havia se inspirado em Fleetwood Mac para criar a história contada nesse livro, corri para ouvir a banda e conhecer um pouco mais do rock e pop daquela época. Foi uma ótima escolha, que inclusive recomendo muito para quem quiser se ambientar ainda mais durante a leitura.

Não que a ambientação de Daisy Jones seja ruim, muito pelo contrário; é uma das melhores coisas da obra. A gente consegue visualizar com muita facilidade os cenários, as roupas e o estilo de vida que são narrados ao longo do enredo. Taylor tem uma capacidade sensacional de imergir o leitor em suas obras, e é uma das características que mais admiro nela.

Os personagens, mesmo que expressos apenas em suas falas durante as entrevistas, são muito tridimensionais e fáceis de imaginar. Não nego que no começo foi um pouco difícil de acompanhar e entender quem era quem, mas é algo que dá pra se acostumar fácil depois de poucos capítulos.

O mais óbvio seria dizer que a protagonista do livro é a personagem que tem seu nome em destaque: Daisy Jones. Porém, eu sinto que a importância de cada um foi bem dividida, ainda que em alguns momentos a narrativa de Daisy seja a mais presente. Não acho que ninguém ficou apagado, pois a autora soube trazer verossimilhança e mostrar que cada pessoa tem seu papel em uma história, e que, ainda que pareça pequeno, faz diferença.

Gostei muito da representação feminina no livro. Temos mulheres à frente do seu tempo, com personalidades fortes e opiniões que com certeza soavam pouco ortodoxas para a época. E isso está diretamente ligado ao machismo, que também é mostrado (e denunciado) ao longo da obra.

Eu não tinha o menor interesse em ser a porra da musa de alguém. Eu não sou a musa. Eu sou esse alguém. E assunto encerrado.

Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos.

Outros assuntos pesados e relevantes também são abordados no livro, como alcoolismo, abuso de drogas e relacionamentos abusivos. Tudo é muito crível e faz bastante sentido dentro do contexto da história. Mas há também a presença forte de romance, então, nem tudo se resume a “sexo, drogas e rock n’ roll”. Por mais bagunçados que sejam, os casais da obra foram uma das partes mais interessantes para mim, porque são mostrados com muita complexidade e verossimilhança, sem floreios.

É difícil não comparar Daisy Jones e Evelyn Hugo; ambas são obras de ficção histórica com mulheres intrigantes entre os protagonistas. Ainda que tenham sido experiências ótimas, eu ainda prefiro Evelyn, porque achei que a autora conseguiu transmitir mais sentimento na história. Em Daisy Jones eu me senti mais como uma espectadora, mas ainda assim fiquei bastante entretida, portanto, recomendo muito essa leitura!

Agora espero ansiosamente pela série que será lançada pela Amazon, com produção de Reese Witherspoon. Quero muito ouvir todas as músicas da banda (principalmente Aurora). Preciso que essa banda exista em carne e osso, ainda que somente na ficção.

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Resenha: "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide

Aviso de gatilho: Violência doméstica, abuso psicológico, homofobia (spoilers: suicídio, aborto).

Por Stephanie: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo foi o livro de abril da TAG Inéditos. A obra ganhou bastante destaque desde seu lançamento lá fora, e será lançada para o público em geral pela editora Paralela. Eu fiz a leitura em inglês (em audiobook), mas comprei a caixinha pois queria ter a história física em português.

A obra nos apresenta a história de Evelyn Hugo, uma reclusa atriz de Hollywood muitíssimo famosa nos anos 50 que hoje vive sozinha em uma mansão. Ela está prestes a organizar um evento beneficente e exige que a repórter Monique Grant faça a entrevista para divulgar o acontecimento. Porém, a jornalista é surpreendida quando descobre que Evelyn, na verdade, deseja que Monique escreva sua biografia, contada por ela própria. A atriz promete esclarecer todos os boatos a respeito de sua vida pública e privada, principalmente em relação a seus sete casamentos (um dos motivos por seu nome sempre ser lembrado pela mídia em geral). A partir daí, somos levados a conhecer a fundo a carreira dessa mulher tão misteriosa, que pode ser comparada a ícones como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, seja pela beleza estonteante ou pelo talento. 

Acho que o que mais me encantou nessa história foi a narrativa de Taylor Jenkins Reid. Ela alterna entre presente e passado e muda os narradores para nos ambientar com perfeição em cada época em que a obra se passa. A autora consegue transmitir todo o espírito da Hollywood clássica e moderna, narrando os locais e os costumes com maestria. Evelyn é uma narradora envolvente e encantadora; é possível perceber os anos de sabedoria acumulada em sua fala, bem como todo o sofrimento e as lições aprendidas por ter vivido uma vida conturbada desde a infância.

Quando a história de Evelyn começa, o livro é separado em partes, de acordo com cada marido. Há uma comparação muito interessante feita entre as manchetes dos jornais e as falas de Evelyn, que mostram de forma crua como os tabloides e a mídia em geral distorcem fatos e inventam mentiras para ganhar dinheiro às custas de pessoas reais, que por coincidência, são famosas.

Para evitar qualquer tipo de spoiler, não vou falar sobre os maridos ou sobre outros personagens específicos; o que posso dizer é que todos são incrivelmente bem escritos e tridimensionais. Eu consegui imaginá-los com suas nuances e características únicas. Mais um ponto positivo na escrita de Reid.

Apesar de ser ficção, o livro soa como uma autobiografia, portanto, o ritmo não é dos mais rápidos. Há uma quebra sempre que o ponto de vista muda e passa a ser de Monique, o que não sei se agregou muito para a história. Há um motivo para isso que é explicado no final mas, mesmo assim, acho que ficou meio “sobrando”.

As principais temáticas de Os sete maridos envolvem sexualidade, machismo e as consequências da fama. Todas são abordadas com uma verossimilhança absurda. Eu conseguia imaginar as situações e me indignar como se fossem reais. Não é difícil ver muitos reflexos da nossa sociedade em vários acontecimentos.

"Dá pra ser feliz vivendo sua verdade, seja ela qual for."

Fiquei muito reflexiva ao finalizar a leitura. Pensei em como pode ser cruel a vida de uma celebridade que, mesmo aparentando ter tudo, ainda pode se sentir extremamente infeliz, e também refleti sobre os limites que podemos cruzar pelas pessoas que amamos. Os mínimos problemas que tive com o livro se referem a alguns acontecimentos e plot twists que considerei muito dramáticos, principalmente mais pro final. Eu entendo que eles serviram, provavelmente, para trazer um aprofundamento maior para a protagonista, mas acho que algumas coisas foram levemente exageradas. De qualquer forma, é um livro maravilhoso que eu recomendo para qualquer pessoa, até para as que não têm costume de ler ficção histórica!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

[Resenha]: "Onde a Luz Cai" (Allison Pataki & Owen Pataki)

Tradução: Cristina Antunes

Sinopse: Três anos após a queda da Bastilha, Paris fervilha com os ideais da Revolução Francesa iniciada em 1789. A Monarquia foi deposta, a aristocracia, desmantelada, e ergue-se uma nova nação do povo e para o povo.

Inspirado pelo senso de dever patriótico, Jean-Luc, um advogado jovem e idealista, muda-se para a capital com o filho e a esposa, Marie. André, filho de um antigo nobre, foge de seu passado privilegiado para lutar no exército republicano francês junto do irmão. Sophie, uma bela e jovem viúva aristocrática, sobrinha de um poderoso e vingativo general, embarca em sua própria luta pela independência.
Mas a promessa de esperança começa a ser ameaçada pelo medo quando a busca incessante por justiça se converte em fanatismo e gera instabilidade, transformando compatriotas em inimigos e alimentando a sede de sangue nas ruas.

Na luta para impedir que o caos desfaça todo o progresso da Revolução, as vidas de Jean-Luc, André e Sophie se entrelaçam, e eles são forçados a questionar os sacrifícios feitos em nome da nova República.

Com participação de figuras lendárias como Robespierre, Luís XVI e Thomas-Alexandre Dumas, Onde a luz cai é um romance admirável, que se desenrola das ruas e salas de audiências de Paris até a épica marcha de Napoleão pelas areias do Egito. Com detalhes vívidos, os Pataki capturam corações e mentes dos cidadãos da França, lutando pela verdade acima de tudo e pela crença em uma causa maior.
Por Eliel: Esse livro se passa no auge da Revolução Francesa, onde a guilhotina não faz distinção de pobres ou nobres e lava a praça com sangue. Emitir sua opinião ou defender ideais que vão de encontro com o de algum outro grupo pode ser seu último feito antes da cabeça cair em um cesto diante dos olhos da população.

Jean-Luc St. Clair, um advogado idealista que tem desejo de servir ao povo, principalmente os mais afetados pela pobreza. Ir até a capital, Paris, é uma oportunidade de realizar seu trabalho. Junto com sua esposa, Marie St. Clair, eles vivem em um bairro humilde e logo terão um filho. Ao entrar para o Clube Jacobino e discordar dos ideais de Guillaume Lazare, Jean-Luc ganha um poderoso inimigo.

André Valière, renunciou seu título de nobreza e alista-se no exército francês afim de servir ao seu país, assim como seu irmão. Sendo de origem nobre sua vida está em constante risco, principalmente, quando o General Murat parece ter uma rixa com ele e faz de tudo para o destruir. Pode ser por causa do seu recente affair com a sobrinha do General.

Sophie de Vicennes, a sobrinha do General Murat, vive em Paris sob a proteção de seu tio após a morte de seu marido - com quem foi obrigada a se casar. Sua luta é por liberdade dentro de uma sociedade caótica. A perseguição promovida pelo General é implacável e faz com que ela e André fujam de um lugar para outro.

Essas três personagens serão de extrema importância e seus destinos irão se entrelaçar ao longo da narrativa. Os caminhos da Revolução tomam rumos preocupantes, cada dia é derramado mais sangue inocente. O povo está sedento de sangue nobre, após tantos anos de servidão o que eles querem vingança. Ninguém está em segurança.

Além desses, a obra conta com outras personagens que só enriquecessem a obra. Por exemplo, o General Kellermann, que irá viver uma das cenas mais chocantes do livro. Algumas das personagens são reais e icônicos,: Thomas-Alexandre Dumas, Luís XVI, Maria Antonieta e Napoleão.

Os irmãos Pataki construíram uma ficção histórica sensacional em meio há um dos períodos históricos mais impressionantes. São páginas repletas de fatos e conteúdos da História da Revolução. É claro que alguns pontos foram adaptados para se adequar à narrativa, mas isso não faz perder em nada o encanto da obra em relação a realidade. Isso só foi possível graças a grande pesquisa empreendida por eles.

Narrativa emocionalmente envolvente, rica em detalhes, nos mostra a natureza humana em jogo. O medo e o desejo de vingança trazem o pior do ser humano à tona. "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" é um lema bonito, mas na prática é algo utópico. Um romance revolucionário e muito bem vindo, incrivelmente atual para período em que foi baseado.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Resenha: "Sangue por Sangue - Lobo por Lobo #2" (Ryan Graudin)


Tradução de Guilherme Miranda

Se você não leu o primeiro livro, essa resenha pode conter spoilers.

Por Stephanie: Eu estava com boas expectativas para a leitura de Sangue por Sangue. Gostei do primeiro livro (resenha aqui), mas esperava que o segundo conseguisse ampliar a história e tornar tudo mais interessante. E fico muito feliz de dizer que foi exatamente isso que aconteceu.

O livro começa do mesmo ponto em que seu antecessor terminou. Yael está em fuga após a tentativa fracassada de matar Hitler, e precisa encontrar uma maneira de chegar até a resistência e elaborar um novo plano que derrube de vez o Terceiro Reich.
Eles eram o que o Reich mais temia. Uma garota judia e um menino alemão segurando o futuro e o passado de mãos dadas.
O ritmo de Sangue por Sangue é bem mais intenso do que o de Lobo por Lobo. Até a metade da história, os acontecimentos não param e o clima de tensão é constante. Sabemos que Yael nunca está totalmente segura, por mais que as circunstâncias indiquem o contrário. Luka, Felix e algumas outras figuras conhecidas retornam à obra, e também temos a participação de novos personagens (e outros não tão novos assim). Apesar do ranço que tive de certas pessoas – que não vou citar por motivos de spoiler –, eu adorei a complexidade e evolução da maioria delas. Um super ponto positivo para Ryan Graudin.

A autora mais uma vez deu foco às relações de Yael com as pessoas de seu passado, mostrando alguns flashbacks não só de quem tem algum envolvimento com a história da protagonista, mas também explorando as histórias de outros personagens, para que o leitor possa entender as motivações de cada um e compreender um pouco mais de suas personalidades.
Ela não estava pronta, mas ficaria. Voltaria ao começo para encontrar um fim. (...) Estava a caminho de terminar o que tinha começado.
O final é fechado, mas nem tanto. Confesso que eu esperava algo um pouco maior, grandioso, mas reconheço que Ryan Graudin fez um excelente trabalho em incluir reviravoltas chocantes e resolver os principais problemas criados. Eu gostei muito dessa duologia e com certeza recomendo para quem espera um livro de YA com um background interessante, personagens bem escritos, muita ação e pouco romance.

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Resenha: "O Jardim de Ossos" (Tess Gerritsen)

Tradução: Alexandre Raposo

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje um suspense policial com ares de fantasia que eu queria ler a muitooooooo tempo, mas sempre acabava colocando adiante na fila de leitura.

Como Tess era médica antes de se tornar escritora, seus livros muitas vezes envolvem médicos, e suas descrições das questões relativas a esse ofício são precisas, sem ser maçantes em momento algum.

No início do livro, somos apresentados a Julia Hamil, e Julia só queria plantar um belo jardim. Recém saída de um divórcio doloroso, Julia compra uma propriedade com um espaço amplo e começa a sozinha construir esse novo espaço, só seu.

O que Julia não esperava, era que em seu futuro jardim encontraria ossos. Pelo jeito muito antigos. A moradora anterior da casa que adquiriu, que já estava em seus avançados 92 anos, foi encontrada algumas semanas depois do óbito, também nesse mesmo quintal, parcialmente comida por animais. Ou seja, não é seu o corpo que Julia encontra acidentalmente. Então de quem seria?

Júlia estava junto à janela, olhando para os diversos montes de terra que haviam brotado como pequenos vulcões no quintal. Nos últimos três dias, uma equipe de perícia médica praticamente acampara em seu terreno. Agora ela estava tão acostumada a tê-los entrando e saindo de sua casa para usar o banheiro que sentiria falta deles quando terminassem as escavações e a deixassem em paz naquela casa com sua história, suas vigas entalhadas à mão... e seus fantasmas.

Paralelamente a este mistério, o autora também irá no contar sobre as agruras de Rose, uma imigrante Irlandesa que está acompanhando o difícil parto de sua irmã. Muito pobres, estão no hospital da cidade de forma beneficente e, em meio a sua dor, apenas o estudante de medicina Norris Marshall parece conseguir olhar para ela e ver mais do que uma simples garota tola.

A morte chegou com o doce tilintar de sinos. Rose Connolly aprendera a temer aquele som, pois já o ouvira diversas vezes enquanto se sentava junto à cama da irmã, Aurnia, enxugando-lhe a testa, segurando-lhe a mão ou oferecendo-lhe goles de água. Todo dia aqueles malditos sinos tocados pelos acólitos anunciavam a chegada do padre na enfermaria para ministrar o sacramento da extrema-unção. Embora tivesse apenas 17 anos, Rose já vira uma vida inteira de tragédias nos últimos cinco dias.

No ano de 1830, Rose precisa lidar com a xenofobia de Boston, que vê a si e sua irmã como descartáveis ou com grande desconfiança, enquanto Norris precisa lidar com o fato de ser um estudante de medicina pobre, não imigrante, mas de uma certa forma também um estrangeiro nesse círculo social, o que talvez acabe por fazer com que a empatia por Rose se manifeste.

No relato do passado, iremos lidar com o Estripador de West End, tramas macabras, visitas a lugares lúgubres como cemitérios, roubo de cadáveres, assassinatos, salas de necropsia, dentre outros, que irão progressivamente nos levando a explicações sobre a quem pertencera a casa de Julia num passado longínquo, e claro, de quem era o corpo por ela descoberto.

"O Jardim de Ossos" é uma mistura de romance histórico com romance policial e pitadas de fantasia, que conta com uma escrita extraordinária, que acaba por nos envolver por completo. Não há como acompanhar a excitação das descobertas de Julia sobre os acontecimentos do passado, enquanto também usa o que descobre para re-significar sua vida de recém divorciada.

Com toques de suspense e reviravoltas de tirar o fôlego, Tess Gerritsen consegue nos fazer sentir o que sentem os personagens, ao acompanhá-los em suas tragédias particulares, e tecer um fio intrincado de situações e enigmas com um final que nos surpreende, mesmo que não seja talvez o mais bonito.

Sua engenhosidade para juntar cada uma das peças desse grande quebra-cabeça, revelando-o ao leitor aos poucos, bem como aos personagens, é totalmente admirável, fazendo com que cada minuto e cada página façam sentido dentro da trama.

Recomendo!

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segunda-feira, 12 de março de 2018

Resenha "Os Últimos Dias da Noite" (Graham Moore)

Tradução Jorio Dauster



'Se você observar com cuidado. Vai ver que a maioria dos sucessos instantanesis levou muito tempo para acontecer' (Steve Jobs)
Por Mari Diniz: Se estiver procurando uma boa ficção, já adianto, Os Últimos Dias da Noite é uma boa escolha. No cenário de uma Nova York de 1888, envolta no clima das grandes invenções, a disputa entre dois grandes inventores torna-se a base principal para o enredo do livro.  Porém, a disputa que para leigos poderia ser mais incompreensível do que interessante, é muito bem explicada pelo fato de nosso personagem principal, também um leigo, ser o advogado a defender um dos protagonistas da desavença.

Diferente de alguns livros um pouco mais grossinhos, Os Últimos Dias da Noite não é um livro que engatinha a dar um estimulo ao leitor, tão pouco engatinha quando estamos mais para a metade da leitura. Em alguns momentos o livro pode parecer um pouco mais lento, porém sempre há algum novo acontecimento na história para voltar a leitura. Com um ritmo muito fomentador, a história é cheia de seus altos e baixos e sacadas para quem não é advogado e muito menos cientista possa entender e se entreter. A leitura não tem nenhuma dificuldade e até alguns poucos termos científicos vão sendo desmistificados pelo fato do nosso narrador contar a historia a partir do nosso leigo advogado.
Paul absorveu o que lhe fora dito. Como poderiam explicar tudo aquilo aos potenciais fregueses, sem exigir que cada um deles enfiasse as mãos num gerador CA? Ter um sistema melhor do que o de Edison de nada serviria caso não pudessem explicar ao publico porque era melhor. A realidade não valia nada; a percepção era o busílis. Edison tinha se dado conta disso antes deles. Enquanto Westinghouse usava as descobertas de Tesla para criar um produto superior, Edison partira para criar uma história superior.
Um dos pontos mais interessantes do livro é a mistura entre a realidade e o que o autor brilhantemente cria. Nas páginas finais do livro, há uma agradável explicação de quem foram todos os personagens e que fatos que ocorreram no livro são verdadeiros. A criatividade do autor em organizar fatos aleatórios cronologicamente para que o desfecho do livro finalize a partir da sua criação foi uma das coisas que mais me chamou atenção ao observar a obra como um todo.

O livro tem outros detalhes que também adicionam outros pontos positivos, como citações de grandes nomes no inicio de todos os capítulos, como Steve Jobs e Bill Gates, além de um mapa que marca todos os pontos principais em que o livro se passa. O nome do livro também é muito curioso, um dos primeiros motivos pelo qual me interessei em lê-lo, por se tratar de uma corrida pela chegada da luz elétrica nas cidades, e o teórico “fim da escuridão”.

‘Em Edison, os senhores têm um inimigo comum’, disse Paul.
Westinghouse ignorou esse comentário ‘O que é que o senhor produz?’, ele perguntou.
‘Pensamentos’, Tesla respondeu, como se falasse com uma criança. ‘Tenho pensamentos. E as coisas que imagino vão durar mais e ter mais efeitos nos próximos séculos que os seus brinquedos frágeis.’
‘As muitas coisas que construí vão durar muito tempo’
‘Não, sr. George Westinghouse. As construções são efêmeras. Só as ideias duram pra sempre.’
Há até mesmo espaço para um pouco de romance, embora não seja um dos pontos principais do livro. Paul se apaixona por uma cantora que surge como uma de suas clientes e não se torna apenas uma companheira romântica para o personagem, mas também se envolve no desenvolvimento principal da narrativa.

Recomendo o livro pra quem gosta de história, quem gosta de disputas jurídicas, quem gosta de uma ficção, ou pra quem procura uma boa leitura.
Que sentiria um homem criativo? Como seria viver suas descobertas, excitar-se com suas loucuras inventivas? Paul tentou imaginar o que um Edison, um Tesla, um Westinghouse poderiam sentir em um momento de pura inspiração... Mas ele não era capaz daquilo. Paul não inventava: ele resolvia. Os problemas chegavam à sua escrivaninha e ele os solucionava. Respondia a perguntas, corrigia erros. Se alguém lhe fizesse uma pergunta, ele era excepcionalmente bom em fornecer uma resposta. Porém, não era o tipo de pessoa apta a formular questões.

Até a próxima!
Mariana Diniz

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Resenha: "Lobo por Lobo - Lobo por Lobo #1" (Ryan Graudin)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Imagine um mundo em que Hitler venceu a guerra. Um mundo dominado pelo autoritarismo, violência e punição como forma de controlar a população, onde apenas uma parcela das pessoas é considerada digna. É nesse cenário que Lobo por Lobo inicia sua história e nos traz uma visão sobre a Segunda Guerra Mundial ainda mais sombria e devastadora, acompanhada de uma jornada de uma garota em busca de vingança.

Acompanhamos a história de Yael, uma jovem judia que desde pequena foi escolhida para participar de diversas experiências em laboratórios alemães. Essas experiências deram à Yael uma certa habilidade que irá capacitá-la para cumprir a missão de sua vida: assassinar Hitler. Para tanto, ela precisará competir em uma corrida de motocicletas que irá criar a oportunidade ideal para Yael alcançar seu objetivo.

Lobo por Lobo é um livro um pouco difícil de encaixar em um único gênero. Ele pode ser compreendido como ficção histórica, já que usa um fato histórico como base para o enredo, porém há muitos indícios de ficção científica, que é abordada quando Ryan Graudin nos mostra as experiências feitas pelo governo alemão. Junte isso a aventura e ação e temos uma obra que transborda originalidade, e não se perde mesmo em meio a tantos acontecimentos.
Porque o dia seguinte era o começo do fim. Ela correria da Germânia até Tóquio. Venceria o Tour do Eixo e seria convidada para o Baile da Vitória. Mataria o Führer e, consequentemente, o Terceiro Reich. Estava disposta a atravessar o mundo para mudá-lo. Ou a morrer tentando.
Mesmo com diversos elementos compondo Lobo por Lobo, Ryan prefere focar mais no evento da corrida do que na construção de mundo. Temos uma boa base para nos situar nesta Alemanha dos anos 50, e é possível perceber a opressão do governo sobre a população. Há a menção de campos de trabalho forçado, mas pouco se fala sobre o racismo e o preconceito contra judeus. Tudo fica um pouco subentendido neste sentido. Senti falta de mais exploração a respeito da sociedade. Os diálogos soam bastante atuais, como qualquer outro livro de YA, então talvez se a ambientação tivesse sido melhor elaborada, seria mais fácil enxergar os personagens como pessoas daquela época.

Em relação aos personagens, são muito bem construídos; ninguém é caricato ou unidimensional. Yael foi minha favorita, mas também simpatizei com Felix, Vlad e Babushka. Os personagens com quem Yael tem uma proximidade maior foram todos muito bem trabalhados; por meio de seus flashbacks foi possível sentir tudo o que a protagonista vivenciou com eles.
Ela era a predadora daquela vez. Não a presa. Nunca mais.

Sobre a corrida em si, acho que é melhor não comentar muito para não entregar nenhum spoiler. O que posso dizer é que mesmo nos momentos mais críticos, o ritmo da leitura não é tão frenético, e isso foi um ponto negativo pra mim já que me fez demorar bastante para ler. 

As reviravoltas finais são bem legais e fazem a história valer a pena. Portanto, mesmo com os defeitos que identifiquei, vou ler a continuação e espero que a experiência consiga superar a que tive com este primeiro volume!

Até a próxima, pessoal!
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Ana Liberato