Mostrando postagens com marcador Alexandre Raposo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexandre Raposo. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Resenha: "Malorie" (Josh Malerman)

Tradução de Alexandre Raposo.
Por Thaís Inocêncio: Pra quem não conhece o livro nem o filme, Caixa de pássaros conta a história de um surto inexplicável que deixou poucos sobreviventes no mundo, entre eles Malorie e seus dois filhos. Aparentemente, ao ver alguma coisa, possivelmente uma criatura, as pessoas tiram a própria vida de maneira brutal. Por isso, o melhor a se fazer é não abrir os olhos. Nesse primeiro livro, Malorie sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas, para isso, terá que encarar, de olhos fechados, o mundo fora da casa em que está trancada.
Se você não leu Caixa de pássaros, talvez não queria ler o restante desta resenha.
Em Malorie, sequência de Caixa de pássaros, descobrimos que a estadia na escola para cegos não deu muito certo e conhecemos a vida da protagonista doze anos após a sua fuga anterior. Agora, ela vive em um acampamento apenas com os filhos, que estão com 16 anos de idade, mas o mundo continua o mesmo, portanto ainda não se pode vê-lo. Até que, um dia, um homem desconhecido que diz ser do censo bate à sua porta (Ok, eu ri muito nessa parte. Imagine que um mundo apocalíptico, tipo Walking Dead, terrível e perigoso, é incapaz de deter um homem do censo com sua prancheta. Hilário hahaha).
Malorie e os filhos não têm contato direto com esse homem, mas ele deixa para trás documentos contendo informações valiosas, inclusive a de que pessoas que Malorie acreditava estar mortas, na verdade, estão vivas. Então, ela terá que tomar a difícil decisão de se manter segura, protegida pela venda, ou partir em uma viagem incerta, cheia de riscos, em busca de esperança.
"Você pode fazer tudo o que puder para evitar o novo mundo, mas, de um modo ou de outro, em breve ele vai bater à sua porta."
Nos agradecimentos, o autor Josh Malerman conta que, após assistir à adaptação cinematográfica de Caixa de pássaros (que tem algumas diferenças em relação à obra original), ele se perguntou: O que acontece com Malorie agora? É o que ele nos conta neste livro. Não esperem explicações sobre as criaturas em si ou sobre o que originou tudo isso – o foco são Malorie, Tom e Olympia, três pessoas com maneiras completamente diferentes de lidar com um mundo que caiu na escuridão.
Malorie é uma pessoa que, há mais de uma década, vive pela venda (como ela mesma diz), seguindo fielmente as regras de não abrir os olhos e não confiar em ninguém. Olympia é uma garota tranquila e cuidadosa que demonstra respeitar as imposições da mãe. Já Tom é inquieto e, inconformado com o novo mundo, busca soluções para que não vivam mais escondidos. Essas diferenças de pensamentos e atitudes criam conflitos entre os personagens que acabam ditando o rumo da história. Porém, a descrição deles é tão boa que é perfeitamente possível compreender e até se identificar com cada um deles.
"Quero que vocês três saibam que o mundo não vai melhorar. Temos que começar de novo".
Essa sequência é menos eletrizante o primeiro livro, mas ainda carrega uma boa atmosfera de suspense e tensão que te mantém curioso o tempo todo. É inevitável comparar a história com o que vivemos hoje, que também parece ficção. O medo do desconhecido, do incompreensível. A sensação de impotências, as crescentes incertezas. As vendas deles são as nossas máscaras. Malorie diz que, pós-criaturas, a sociedade se dividiu entre pessoas prudentes e imprudentes. A obra ainda mostra que, embora as criaturas sejam terríveis, elas não são o problema; o homem é a criatura a ser temida. Hoje, no nosso mundo, não são os seres humanos imprudentes as verdadeiras criaturas a serem temidas?
"As criaturas podem ser monstros, mas, como evidenciado por sua mãe e pela vida que ela considerou adequada para você, essas coisas terríveis não são o problema. O homem é a criatura a ser temida."
Porém, o final do livro tem um tom de esperança que fez toda a jornada valer a pena pra mim – e até pensar que posso ter alguma esperança real por aqui.
Até a próxima, galera!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Resenha: "O Jardim de Ossos" (Tess Gerritsen)

Tradução: Alexandre Raposo

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje um suspense policial com ares de fantasia que eu queria ler a muitooooooo tempo, mas sempre acabava colocando adiante na fila de leitura.

Como Tess era médica antes de se tornar escritora, seus livros muitas vezes envolvem médicos, e suas descrições das questões relativas a esse ofício são precisas, sem ser maçantes em momento algum.

No início do livro, somos apresentados a Julia Hamil, e Julia só queria plantar um belo jardim. Recém saída de um divórcio doloroso, Julia compra uma propriedade com um espaço amplo e começa a sozinha construir esse novo espaço, só seu.

O que Julia não esperava, era que em seu futuro jardim encontraria ossos. Pelo jeito muito antigos. A moradora anterior da casa que adquiriu, que já estava em seus avançados 92 anos, foi encontrada algumas semanas depois do óbito, também nesse mesmo quintal, parcialmente comida por animais. Ou seja, não é seu o corpo que Julia encontra acidentalmente. Então de quem seria?

Júlia estava junto à janela, olhando para os diversos montes de terra que haviam brotado como pequenos vulcões no quintal. Nos últimos três dias, uma equipe de perícia médica praticamente acampara em seu terreno. Agora ela estava tão acostumada a tê-los entrando e saindo de sua casa para usar o banheiro que sentiria falta deles quando terminassem as escavações e a deixassem em paz naquela casa com sua história, suas vigas entalhadas à mão... e seus fantasmas.

Paralelamente a este mistério, o autora também irá no contar sobre as agruras de Rose, uma imigrante Irlandesa que está acompanhando o difícil parto de sua irmã. Muito pobres, estão no hospital da cidade de forma beneficente e, em meio a sua dor, apenas o estudante de medicina Norris Marshall parece conseguir olhar para ela e ver mais do que uma simples garota tola.

A morte chegou com o doce tilintar de sinos. Rose Connolly aprendera a temer aquele som, pois já o ouvira diversas vezes enquanto se sentava junto à cama da irmã, Aurnia, enxugando-lhe a testa, segurando-lhe a mão ou oferecendo-lhe goles de água. Todo dia aqueles malditos sinos tocados pelos acólitos anunciavam a chegada do padre na enfermaria para ministrar o sacramento da extrema-unção. Embora tivesse apenas 17 anos, Rose já vira uma vida inteira de tragédias nos últimos cinco dias.

No ano de 1830, Rose precisa lidar com a xenofobia de Boston, que vê a si e sua irmã como descartáveis ou com grande desconfiança, enquanto Norris precisa lidar com o fato de ser um estudante de medicina pobre, não imigrante, mas de uma certa forma também um estrangeiro nesse círculo social, o que talvez acabe por fazer com que a empatia por Rose se manifeste.

No relato do passado, iremos lidar com o Estripador de West End, tramas macabras, visitas a lugares lúgubres como cemitérios, roubo de cadáveres, assassinatos, salas de necropsia, dentre outros, que irão progressivamente nos levando a explicações sobre a quem pertencera a casa de Julia num passado longínquo, e claro, de quem era o corpo por ela descoberto.

"O Jardim de Ossos" é uma mistura de romance histórico com romance policial e pitadas de fantasia, que conta com uma escrita extraordinária, que acaba por nos envolver por completo. Não há como acompanhar a excitação das descobertas de Julia sobre os acontecimentos do passado, enquanto também usa o que descobre para re-significar sua vida de recém divorciada.

Com toques de suspense e reviravoltas de tirar o fôlego, Tess Gerritsen consegue nos fazer sentir o que sentem os personagens, ao acompanhá-los em suas tragédias particulares, e tecer um fio intrincado de situações e enigmas com um final que nos surpreende, mesmo que não seja talvez o mais bonito.

Sua engenhosidade para juntar cada uma das peças desse grande quebra-cabeça, revelando-o ao leitor aos poucos, bem como aos personagens, é totalmente admirável, fazendo com que cada minuto e cada página façam sentido dentro da trama.

Recomendo!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 23 de março de 2018

Resenha: "Matéria Escura" (Blake Crouch)

Tradução de Alexandre Raposo

Sinopse: Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. Raptado por um homem mascarado, Jason é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: “Bem-vindo de volta, amigo.”
Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?
Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura nos leva a um universo muito maior do que imaginamos, ao mesmo tempo em que comove ao colocar em primeiro plano o amor pela família. Marcante e intimista, seus múltiplos cenários compõem uma história que aborda questões profundamente humanas, como identidade, o peso das escolhas e até onde vamos para recuperar a vida com que sonhamos.


Fonte: Skoob

Por Stephanie: É difícil existir uma pessoa totalmente satisfeita com a própria vida e as com as decisões que toma. Todos temos momentos em que nos fazemos a famigerada pergunta: “E se…?”, quando pensamos em algum acontecimento do passado. Matéria Escura aborda exatamente estas possibilidades e como as consequências de nossas decisões vão se formando de acordo com o que escolhemos.

Não acho que seja spoiler falar o tema principal da obra, mas mesmo assim vou tentar não entregá-lo durante a resenha. É um tema que eu particularmente gosto bastante e que pode funcionar muito se for feito de maneira correta, como é o que acontece em Matéria Escura.

Blake Crouch tem uma narrativa bem visual; os primeiros capítulos se parecem muito com um roteiro de filme e a gente já fica preso à história de imediato, sem vontade de parar a leitura. Depois do ritmo frenético do início, o enredo dá uma freada, mas sem perder o clima de mistério que acompanha o livro todo.
Não há avisos quando tudo está prestes a mudar, a ser tomado de você. Nenhum alerta de proximidade, nenhuma placa indicando a beira do precipício. E talvez seja isso o que torna a tragédia tão trágica.
É meio difícil falar sobre os personagens sem entregar parte do enredo, mas o que posso dizer é que Jason é um ótimo protagonista. Um pouco clichê do gênero de ficção científica, mas que consegue se destacar devido ao seu amor pela família e sua determinação. Os personagens secundários deixaram um pouco a desejar; a maioria foi pouco aprofundada e senti falta de conhecer melhor o background de alguns deles.

O que me deixou um pouco decepcionada foi a resolução final do mistério. Acho que o autor foi meio preguiçoso ao resolver um problema tão complicado de maneira tão simplista. O final, apesar de fechado, dá margens para uma continuação. Talvez ele tenha feito desta maneira porque desde a concepção do livro os direitos já estavam vendidos para a Sony e a obra se tornará um longa-metragem em breve.
Não posso deixar de pensar que somos mais do que a soma total de nossas escolhas e que todos os caminhos que poderíamos ter trilhado influem de algum modo na matemática da nossa identidade.
De qualquer forma, eu recomendo Matéria Escura para qualquer um, até para os que não são muito fãs de sci-fi. As explicações mais teóricas são expostas de maneira simples e sem subestimar a inteligência do leitor, e o ritmo acelerado consegue manter a curiosidade aguçada a cada capítulo que passa.

Até a próxima!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram

Confira os melhores preços de Matéria Escura no Buscapé clicando no banner. Sua compra gera uma pequena comissão ao blog!

 
Ana Liberato