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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Resenha: "O Príncipe Corvo" (Elizabeth Hoyt)


Tradução: Ana Resende

Sinopse: Assistindo à ruína das finanças familiares, Anna Wren, recentemente enviuvada, vê-se na necessidade de encontrar um emprego. Culta e letrada, torna-se secretária do conde de Swartingham, um homem de um caráter mordaz e inflexível, de rosto e corpo marcado por cicatrizes. A postura do conde faz com que Anna perceba que o trabalho não durará muito. Porém, em um improvável lance do destino, ambos despertam o lado mais secreto um do outro, rapidamente desenvolvendo um desejo mútuo e de forte carga erótica, inicialmente não assumido. Na Inglaterra do Império e das conquistas ultramarinas, às vésperas da Revolução Industrial, conseguirá o preconceito e o conservadorismo separar duas almas feitas para se unirem?

Por Jayne Cordeiro: Estava curiosa a um tempo para ler essa série da autora, até porque nunca tinha lido nada dela, e adoro romances de época. Principalmente quando me disseram que as mocinhas dessa série vão atrás do que querem, fiquei ainda mais motivada. E posso dizer que gostei bastante do livro e estou louca para ler os outros dois.

Ouvi algumas pessoas dizerem que meu temperamento é um pouco… – ele fez uma pausa, aparentemente para pensar – Anna o ajudou: Selvagem?

Para começar gostei muito dos protagonistas. Eles não são o maior exemplo de beleza, mas cada um tem o seu atrativo. Edward é um conde rabugento que coloca qualquer um para correr, menos Anna, que consegue responder do jeito certo e isso aproxima os dois. Os diálogos deles são ótimos e muito divertidos. Ele carrega a tristeza por ter perdido a família a muito tempo e sua beleza para a varíola, e ela a solidão da viuvez por anos e a tristeza de nunca ter tido um filho.

Raiva. Anna sentiu raiva. A sociedade poderia não esperar o celibato do conde, mas certamente esperava isso dela. Ele, por ser homem, poderia ir a casa de má reputação e aprontar por toda a noite com criaturas sedutoras e sofisticadas. Enquanto ela, por ser mulher, deveria ser casta sem nem ao menos pensar em olhos escuros e peitos cabeludos. Simplesmente não era justo. Nem um pouco justo.

Fora os momentos divertidos, o livro consegue ser bem hot, sem sair da ambientação de um romance de época. As cenas são muito bem escritas e sensuais, e a Anna nos conquista por ir atrás do que ela quer. Eu não tenho queixa dos dois, porque eles se complementam na medida certa. Não perdendo tempo com enrolações, e cada um correndo atrás para resolver aquilo que acreditam valer a pena.

Ela descobriu que estava chorando, e lágrimas pingavam por seu rosto e se misturavam com a umidade do corpo de Edward. Não fazia sentido, mas Anna não conseguia impedir as lágrimas. Não mais do que poderia impedir seu corpo de querer este homem ou seu coração de amá-lo.

A história em si também é interessante. Não há nenhuma reviravolta ou surpresa, mas ela segue um ritmo legal, e é bem construída. Não tem situações mirabolantes, e gostei de como os dois se impõe e não se deixam abater pelos "vilões". É um ótimo livro do gênero e ponto de partida para a trilogia Príncipes e para a entrada dos livros da autora aqui no Brasil.


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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Resenha: "O Jardim de Ossos" (Tess Gerritsen)

Tradução: Alexandre Raposo

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje um suspense policial com ares de fantasia que eu queria ler a muitooooooo tempo, mas sempre acabava colocando adiante na fila de leitura.

Como Tess era médica antes de se tornar escritora, seus livros muitas vezes envolvem médicos, e suas descrições das questões relativas a esse ofício são precisas, sem ser maçantes em momento algum.

No início do livro, somos apresentados a Julia Hamil, e Julia só queria plantar um belo jardim. Recém saída de um divórcio doloroso, Julia compra uma propriedade com um espaço amplo e começa a sozinha construir esse novo espaço, só seu.

O que Julia não esperava, era que em seu futuro jardim encontraria ossos. Pelo jeito muito antigos. A moradora anterior da casa que adquiriu, que já estava em seus avançados 92 anos, foi encontrada algumas semanas depois do óbito, também nesse mesmo quintal, parcialmente comida por animais. Ou seja, não é seu o corpo que Julia encontra acidentalmente. Então de quem seria?

Júlia estava junto à janela, olhando para os diversos montes de terra que haviam brotado como pequenos vulcões no quintal. Nos últimos três dias, uma equipe de perícia médica praticamente acampara em seu terreno. Agora ela estava tão acostumada a tê-los entrando e saindo de sua casa para usar o banheiro que sentiria falta deles quando terminassem as escavações e a deixassem em paz naquela casa com sua história, suas vigas entalhadas à mão... e seus fantasmas.

Paralelamente a este mistério, o autora também irá no contar sobre as agruras de Rose, uma imigrante Irlandesa que está acompanhando o difícil parto de sua irmã. Muito pobres, estão no hospital da cidade de forma beneficente e, em meio a sua dor, apenas o estudante de medicina Norris Marshall parece conseguir olhar para ela e ver mais do que uma simples garota tola.

A morte chegou com o doce tilintar de sinos. Rose Connolly aprendera a temer aquele som, pois já o ouvira diversas vezes enquanto se sentava junto à cama da irmã, Aurnia, enxugando-lhe a testa, segurando-lhe a mão ou oferecendo-lhe goles de água. Todo dia aqueles malditos sinos tocados pelos acólitos anunciavam a chegada do padre na enfermaria para ministrar o sacramento da extrema-unção. Embora tivesse apenas 17 anos, Rose já vira uma vida inteira de tragédias nos últimos cinco dias.

No ano de 1830, Rose precisa lidar com a xenofobia de Boston, que vê a si e sua irmã como descartáveis ou com grande desconfiança, enquanto Norris precisa lidar com o fato de ser um estudante de medicina pobre, não imigrante, mas de uma certa forma também um estrangeiro nesse círculo social, o que talvez acabe por fazer com que a empatia por Rose se manifeste.

No relato do passado, iremos lidar com o Estripador de West End, tramas macabras, visitas a lugares lúgubres como cemitérios, roubo de cadáveres, assassinatos, salas de necropsia, dentre outros, que irão progressivamente nos levando a explicações sobre a quem pertencera a casa de Julia num passado longínquo, e claro, de quem era o corpo por ela descoberto.

"O Jardim de Ossos" é uma mistura de romance histórico com romance policial e pitadas de fantasia, que conta com uma escrita extraordinária, que acaba por nos envolver por completo. Não há como acompanhar a excitação das descobertas de Julia sobre os acontecimentos do passado, enquanto também usa o que descobre para re-significar sua vida de recém divorciada.

Com toques de suspense e reviravoltas de tirar o fôlego, Tess Gerritsen consegue nos fazer sentir o que sentem os personagens, ao acompanhá-los em suas tragédias particulares, e tecer um fio intrincado de situações e enigmas com um final que nos surpreende, mesmo que não seja talvez o mais bonito.

Sua engenhosidade para juntar cada uma das peças desse grande quebra-cabeça, revelando-o ao leitor aos poucos, bem como aos personagens, é totalmente admirável, fazendo com que cada minuto e cada página façam sentido dentro da trama.

Recomendo!

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Resenha: “Louca para Casar” (Madeleine Wickham)


Tradução de Alice França

Para Kleris: Como uma chicklitter de coração, não teria livro melhor pra começar o ano. Estava, aliás, precisando de um romance assim, bem gostosinho. Louca para casar calhou de esperar cerca de quatro aninhos na minha estante porque da última vez que o peguei, fora totalmente do clima, não rolou. Agora só penso em renovar meu estoque de chick-lits, pois de tempos em tempos preciso de doses cavalares de amorzinho assim.

Em seus 18 anos, Milly se aventurou num curso profissionalizante em outra cidade, e lá conheceu seu futuro marido, Allan. Mas não era um casamento comum... ou real. Eles casaram para que Allan pudesse ficar no país e ficar com Rupert, sua grande paixão. Após voltar pra casa, Milly nunca mais os viu.

Ao passar 10 anos, Milly está para subir o altar com Simon. Aquele casamento da juventude meio que foi esquecido, abandonado... apagado. Era o que Milly achava, sem se ligar dos trâmites legais e que poderia estar cometendo bigamia. O destino (in)felizmente traz alguém do passado para recobrar a consciência da mocinha e tratar de colocar desespero resolver a situação – antes que alguém descubra.

Enquanto Milly se revira para cuidar dos preparativos do casório, lidar com a família e suas crises, Madeleine nos leva para um significativo e maravilhoso passeio pelos relacionamentos de cada personagem envolvida nesta trama de família.

Primeiramente, a autora caprichou MUITO na construção da história e narrativa. Ao explorar de maneira primorosa os pontos de vista, ela instiga e guarda cada bomba que AAAAAAAAAAAAAAA! Mesmo na gana de querer sempre saber de um e outro personagem, o suspense da narração se torna algo tão gostoso que não te deixa largar o livro por coisa nenhuma.

Mas o que mais impressiona é como Madeleine retrata a vulnerabilidade de seus personagens e como se utiliza de uma situação para despertar a todos de suas realidades. Nesse sentido, sua voz narrativa funciona quase como um microscópio emocional que nos conduz perfeitamente às emoções e papeis de cada um na história. E assim se pauta o status, a instituição do casamento, as insatisfações pessoais, problemas familiares, preconceitos, as maneiras para agradar pessoas e as maneiras de ser feliz. 
Mas não era. Ele precisava de mais, queria mais. Desejava uma vida diferente, antes que fosse tarde. 
— [...] Quer dizer que o seu relacionamento perfeito não é tão perfeito como você pensava. E daí? Isso significa que você tem que jogá-lo fora, descartá-lo?

Não é uma mera história sobre casar e casar por status, ou de que o casamento deva ser uma relação pautada em regras (sociais ou religiosas), mas entender como todos têm seus problemas e que devem lidar não só com as consequências de suas escolhas, mas com seus reais sentimentos sobre tais escolhas. Chamada para tortas de climão? Com certeza!

Minha admiração pela Sophie Kinsella – sim! – aumentou. Para quem não sabe, Madeleine é o nome real oficial da nossa amada Sophie. Sem deixar suas tramoias de Kinsella de lado, Madeleine aqui desenvolve com uma escrita suave, realista e sóbria – sem aquele típico desespero ou mel exagerado, sabe?

Geralmente ela me deixa a sensação de estar sempre à frente de tudo. Não foi muito diferente em Louca para casar – que, me perdoem, me parece um título injusto para tal obra. Com toques de girl power, desromantização de instituições sociais, feminismo e femismo, love is love, e conflitos, muitos conflitos internos, Madeleine dá um show de ficção. 
Sem a intenção de enganá-lo, mas também sem querer desapontá-lo, ela lhe permitiu formar uma imagem que, sinceramente, não era de todo verdadeira. [...] Tudo o que era precisava era mudar o modo de se vestir, fazer alguns comentários inteligentes ocasionais e permanecer discretamente calada o restante do tempo. 
— O que estou dizendo é que não existe casamento baseado na verdade — corrigiu Esme. — Felicidade é outra coisa.  

Destaque para a personagem principal, Milly, que apesar de ser a mocinha confusa, é uma heroína e tanto. Madeleine, aliás, trabalha bem essa questão de impressões e narrativas que pessoas têm de outras pessoas. Rupert, Isobel, Simon, Allan, James, Olivia e – vá lá – Harry também não ficam pra trás. Só sei que foi difícil deixá-los ao finalizar o livro. Você quer descobrir tudo, acompanhar tudo, pirar com tudo, menos deixar o livro acabar. 
— Não vivo para o trabalho. — Isobel pousou a caneca na mesa com força. — Sou apenas uma pessoa que trabalha.
— Eu não quis dizer...
— Mas disse! — retrucou Isobel, exasperada. — Vocês pensam que minha vida se resume a isso, não é? Uma carreira e nada mais. Vocês esqueceram todos os outros aspectos.

Por fim, Louca para casar é aquele livro que sabe ser amorzinho, mas sabe também nos deixar em reflexão com nossos ideais internos. Recomendadíssimo! 
— Tenho certeza de que você e Milly serão muito felizes. Nem todo mundo tem a mesma sorte.
— Não é uma questão de sorte — retrucou Simon furioso. — Sorte não conta! — Ele fitou James e Olivia. — O que vocês acham que faz um casamento dar certo?
— Dinheiro — respondeu Olivia antes de dar uma gargalhada. — Brincadeira!
— É cumplicidade, não é? — perguntou Simon. Ele se inclinou para frente com ar sério. — Compartilhar, dialogar, conhecer um ao outro profundamente.



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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resenha: “Minha Vida (Não Tão) Perfeita” (Sophie Kinsella)


Resenha publicada originalmente no Chalé Cult


Tradução de Carolina Caires Coelho

Por Kleris: “Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?” – Mário Sérgio Cortella me representa aqui. Que mixed feelings! Tão acostumada ao estilo da Sophie, estou um pouco sem saber escrever como me sinto em relação a este livro. Mas tentarei.

Cat está imersa numa rotina bem louca enquanto caminha atrás de seu sonho – trabalhar com branding (conceito de marcas/design). Assistente em uma agência, ela está esperando e trabalhando pela sua grande oportunidade. Sua chefe, Demeter, é um furacão que deixa um rastro de inveja a qualquer um – e tem, aparentemente, uma vida perfeita, badalada, glamorosa. Cat também “sustenta” uma vida baseada no status, só que um bem distante do seu. Comete até loucuras (como entrar em cafeterias e tirar foto de cafés gourmet) pra mostrar a todos que ela está bem, está feliz e satisfeita.

Quando Cat é demitida, por conta de problemas na empresa, ela se joga em um novo empreendimento de seu pai, o que se torna uma grande aventura. Mas Cat ainda não resolveu o que quer ou como seguir em frente. Nesse ínterim, ela sugada de volta aos problemas e à empresa quando Demeter torna-se sua cliente e Alex, seu chefe crush, está ali para terminar um trabalho.

Minha vida (não tão) perfeita tem uma pegada diferente dos demais livros da Sophie. É bem mais suave, lúcida até. Apesar do que diz a capa (“Chorei de rir”, Jojo Moyes), eu não consegui rir como antes, em outros livros da autora, pois este não é bem uma tragicomédia. Não há casos extraordinários, improváveis, tresloucados ou surreais. Sophie traz a realidade. Algo mais próximo de um drama de costumes, mas sem perder, claro, o seu jeito Kinsella de ser.

Outro ponto diferente foi o gênero de público. Sophie é conhecida por tratar de mulheres adultas fortes e/ou independentes, e neste livro, ela ousou em se colocar na pele de uma millenium (geração Y). Vemos muito de uma garota em seus 26 anos que tá começando de baixo e está em desespero sempre – porque nossa geração é aquela acelerada, que se joga e vai em busca dos seus sonhos, não importa de que maneira, e que também se ferra muito por isso. Mas nem tudo é exasperação. Um ponto forte do team Y é justo transformar o limão numa boa limonada – ou melhor dizendo, transformar qualquer coisa em oportunidade (de mercado, se possível). 
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo?
Mas, quando olho pra ela, sinto uma comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela.

Ao tratar desse desejo de crescer na vida, Sophie insere sensivelmente sua crítica sobre a rede de mentiras que se constrói na internet. Sobre como usamos as redes para nos sufocar e demonstrar uma vida que não é nossa. Como os filtros podem ser tão tóxicos e arrasadores quanto um ambiente de trabalho competitivo. Como essa competição pela foto ou vivência mais glamorosa nos faz perder o real momento. Como isso cria uma narrativa bem diferente para quem nos lê. E como essas mentiras todas podem interferir ou confundir a vida real. 
Depois de algumas semanas de funcionamento, percebi que alguns clientes só querem saber de perguntar: Vocês são sustentáveis? Porque isso é muito importante para nós.   
Sinto vontade de rir quando Demeter se esconde atrás de uma árvore. É inacreditável ver como uma pessoa inteligente pode se tornar uma tola que acredita em tudo o que ouve assim que ouve as palavras “orgânico”, “autêntico” e “Gwyneth Paltrow”. 
— Esse cavalo é especialmente místico. — Eu me aproximo de Carlo e passo uma mão pela anca dele. — Ele traz calma às pessoas. Calma e paz.
Mentira. Carlo é tão preguiçoso que a emoção que ele causa na maioria das pessoas é frustração. Mas não hesito e continuo:
— Carlo é o que chamamos de um Cavalo da Empatia. Nós classificamos nossos cavalos de acordo com seus predicados espirituais, como Energia, Empatia e Detox.
Quando digo isso, percebo que exagerei. Um cavalo de detox? Mas Demeter parece estar engolindo tudo. 

A escolha de tratar a história por um viés mercadológico e marketeiro foi um grande acerto, pois dessa maneira Sophie pôde nos demonstrar melhor do princípio que manipula as pessoas pelas suas fraquezas. Esse realismo coloca em xeque nossos desejos, sonhos e ilusões. É muito louco como a gente vive para reforçar, com palavras bonitas, sacadas de marketing, neurociência, um estilo de vida que não reverbera quem nós somos, mas quem queremos parecer que somos. E é tudo lorota! É como usar a sabedoria para semear o mal – para si e para todos. 
Talvez eu devesse entrar no Instagram agora. Postar alguma coisa divertida.Mas, quando rolo as imagens na tela do celular, parece que elas estão rindo de mim. A quem estou querendo enganar com essas coisas falsas e felizes? É sério: a quem estou querendo enganar?

Com certeza a gente fecha o livro pensando no que estamos postando em nossos perfis, quaisquer redes sociais que sejam. Toda a história, toda a abordagem, foram caminhos arriscados para se tomar, vide o grande histórico da autora, mas achei bacana que ela tentou sair dessa redoma. E me surpreendeu para onde ela levou a história. A alguns leitores pode parecer até morno em relação aos outros livros (e é em alguns pontos mesmo), por outro lado, prefiro encarar como uma história para exercer nossa empatia, senão nossa consciência. No mais, para ir sem grandes expectativas.


Minha vida (não tão) perfeita é um livro sobre as várias versões da gente. Sobre ser verdadeiros conosco, assumir nossa realidade. Sobre se arriscar em um projeto, mas não esquecer aquele sonho, nem de deixar de trabalhar por ele. Não poderia dizer que este é meu favorito da autora, mas relembro aqui uma frase de O sorriso das mulheres (aqui) que, como o trecho de Cortella no início do texto, vale como uma ótima conclusão: “Um bom livro é bom em todas as suas páginas”. 
Não posso deixar um contratempo destruir meu sonho, posso? Claro que não. Um dia vou trabalhar com branding. Ainda vou atravessar a Waterloo Bridge e pensar: Esta é a minha cidade. Eu vou chegar lá.

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Resenha: “Fiquei com seu número” (Sophie Kinsella)

Tradução de Regiane Winarski

O livro já foi resenhado anos atrás pela Juny – aqui.


Por Kleris: Ao decidir por uma releitura, a gente já imagina o que vai encontrar, porque, bem, já passou por aquele lugar. Costumo reler livros em viagens, porque não quero ficar naquela de “será se vai ser uma boa leitura?”; quero entrar na leitura com a certeza de que vou gostar. E foi assim, my friends, que puxei mais uma vez Fiquei com seu número da prateleira e Sophie me deixou no chão: rolando de rir, sem ar, chocada. Quase sem palavras sobre como eu a admiro.

E me perguntando seriamente POR QUE RAIOS EU PASSO TANTO TEMPO SEM LER CHICK-LITS. Descobri o porquê, mas ainda não estou satisfeita – o que é outra história. Vamos à resenha!

Poppy se vê numa situação bem... complicada. Ao meio de uma reunião com as amigas e colegas para surtar sobre o anel de noivados, o hotel que hospeda um evento social vira um pandemônio quando a sirene de incêndio soa, e ao meio do transtorno, Poppy perde o anel – da família do noivo, Magnus. Entramos na história justo no momento de maior desespero de Poppy, enquanto ela revira o saguão do hotel atrás da joia. Sem muita esperança, ela tem que esperar notícias e então... lhe roubam o celular na rua. Nem preciso dizer que sua síncope toma maiores proporções, né? Mas no meio do pânico, uma luz surge: ela acha um celular no lixo e resolve usá-lo até arranjar outro, até porque Poppy NÃO PODE perder nenhuma notícia sobre o anel nesse meio tempo.

É assim que ela entra no mundo de Sam, o responsável pelo aparelho. Que, aliás, acaba de perder a assistente e precisa da ajuda de Poppy para fechar um negócio ali mesmo no hotel. É apenas ÉPICA a cena que ela salva o mundo corporativo – ou pelo menos a empresa de Sam. E é essa gentileza – e mico da vida – que faz Sam repensar sobre o aparelho celular e permitir que eles dividam a caixa de mensagens. Chamar mais confusão que isso não sei dizer – que é, na verdade, só uma pontinha do iceberg desta trama. São tantas reviravoltas que não consigo dizer mais que isso.
Conforme vou descendo os e-mails, começo a me sentir desconfortável. Nunca tive tanto acesso ao celular de outra pessoa. Nem ao dos meus amigos. Nem mesmo ao de Magnus. Tem certas coisas que não se compartilha. 
Isso é totalmente surreal. E emocionante. E um pouco angustiante. Tudo ao mesmo tempo. 

Confesso que tinha um receio de reler este livro por motivos de 1) li tem quase 5 anos, e 2) depois que se muda algumas filosofias de vida (como o feminismo), diversos livros ganham nova visão e é provável que essa nova experiência de leitura seja... ruim. Estaria eu preparada para deixar minha Sophie ir? Ou melhor, estragar minha visão da autora? Posso dizer agora que: não se preocupem, não só continua MARAVILHOSA, quanto minha admiração subiu mais uns degraus e marquei ainda mais cenas do que já tinha marcado #totalwin

Sophie entrega mais que uma história apaixonante, ela OUSA, ela quebra barreiras, e chuta na cara de quem fala que chick-lit é uma narrativa fácil ou rasa. Bem, tudo depende da abordagem, né? Apesar de apresentar situações que encaixam fácil no estilo, a maneira com que Sophie nos induz faz toda a diferença. Em Fiquei com seu número então, tem inúmeras razões que confirmam isso. Diria até que é a marca da autora dar essa rasteira nos desconfiados e/ou haters.
Não.
 Não não não não não.
 :( Não faz isso.
 Você não pode.


Arrisco dizer ainda que os melhores “e se?” se encontram também nesta leitura. São situações absurdas e totalmente plausíveis. Não tem nada que te faça ficar “hmmmm, não me parece possível” ou “aham, colega”. São fatos que seguram nossa atenção do começo ao fim em um mega deleite do chamado “romance slow burn” – aquele que queima devagar e de maneira progressiva.
E não quero soltar. Não quero que isso termine. Embora eu esteja tropeçando e com frio e no meio do nada. Estamos num lugar onde jamais nos encontraremos de novo.

Além daquele lance de ver/ler coisas que não tinha percebido na primeira leitura, outra coisa super interessante sobre reler livros é o quanto de informações que a nossa mente apaga! Costumamos nos agarrar a algumas coisas, e esquecemos totalmente outras, tão marcantes quanto, e é isso que faz ser uma experiência tão impressionante. Não achei que seria possível amar muito mais a Kinsella <3

Nem preciso dizer o que foi reviver minhas cenas preferidas, né? A cena da Poppy enrolando os japoneses, a cena do sabão na janela, as NOTAS DE RODAPÉ, as palavras-cruzadas, o BOSQUE... FEELS EVERYWHERE. Não duvido que serão, em sua maioria, as mesmas das de vocês ^^ entendedores entenderão e não, não é spoiler!
Não há resposta, mas não ligo. É catártico apenas digitar.

Enfim, é uma leitura gostosa, alucinante, mil e umas reviravoltas aloucadas, apaixonante, genial, irresistível... I N C R Í V E L. Procura uma leitura contemporânea bem fresh? De cair o queixo e lhe faltar o ar pelas gargalhadas? Com conspiração, mistérios e armações? Mulheres em busca de sua independência? Com muita tragicomédia e amor? Pois se prepare pra vomitar arco-íris e ao mesmo tempo nadar neles. Leve Fiquei com seu número a g o r a <3 E se já leu, vale ler de novo!

Se recomendo?! Minha vontade é de sentar o dedo na letra i e não soltá-lo nunca mais: recomendadíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimo!
50. Antiético é o mesmo que desonesto? Esse é o tipo de debate moral sobre o qual eu poderia ter perguntado a Antony. Em circunstâncias diferentes.

Até a próxima!

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Resenha: “Younger” (Pamela Redmond Satran)

Tradução de Ana Paula Costa
Por Kleris: Desde que soube que Younger, a série, era baseada em um livro, fiquei enamorando-o para ler. Mas fiz um acordo comigo mesma: iria separar impressões da série e livro, para uma melhor experiência. Imaginei que em algum tempo da leitura isso viria por água abaixo, pois já tinha assistido duas temporadas da série, e me veio à mente a lembrança da experiência de leitura de Pretty Little Liars (que não engatei mesmo por tantos conflitos de referências, entre o livro e a série). Colocando a carroça na frente dos bois, digo logo: deu certo.

Em Younger, Alice é uma quarentona recém-divorciada que nasceu virada pra lua – não que ela acredite muito nisso, embora tenha uma quedinha por misticismos: ela chegou na casa dos 4.0 aparentando ter menos de 3.0. Após o divórcio, a morte da mãe e a distância da filha (que está em um intercâmbio na África), ela quer reaver sua vida, recomeçar. Em clima de ano novo, ela sai da sua zona de conforto, que é o subúrbio de Nova Jersey, para a badalada e instigante Nova York.

Vez que Alice tem esse presente da natureza de parecer mais nova do que é, ela e sua bestie Maggie inventam, de brincadeira, um extreme makeover para rejuvenescer. A brincadeira dá tão certo que Alice adota para recomeçar a vida. Além de um trabalho na editora de que é super fã, ela arruma um namorado para balançar suas estruturas. Mas o peso das experiências lhe assombram e as mentiras, que não são poucas, arriscam lhe sufocar. Alice tem apenas um desejo: ser jovem e viver o que há para ser vivido, sem ter sua idade como empecilho. 
— Isso é ultrajante.
— Por que é ultrajante? Foi você mesma quem disse que desejava ser mais jovem. Você tem que arrumar um emprego, queira você ou não.
— Eu quero – assegurei a ela.  — Ok, então. Será mais fácil achar um sendo uma mulher de 28 do que uma de 44 anos.
— Não gosto de mentir – confessei. — Posso estar usando roupas apertadas e quilos de maquiagem, mas sou eu mesma. Por que tenho que ter uma idade específica?
— Exatamente – disse Maggie. — Por que você tem que dizer que tem 44 ou 28 ou sei lá que idade? Você não precisa dizer a verdade nem mentir.
 

Younger é um chick-lit que explora um pouco de tudo do gênero: independência da mulher, questões de imagem e idade, malabarismos femininos, jornada de trabalho, exigências sociais, problemas amorosos, sexo, feminismo, etc. Em termos mais específicos, acho que seria um Single City Girl Lit misturado com General Mom Lit:
Single city girl lit, ou literatura das garotas solteiras na cidade grande, é um gênero que envolve: encontros, paqueras, amigos, trabalho, drinks e apartamentos apertados divididos com pessoas legais-estranhas-bizzaras-divertidas. A principal característica é se passar numa grande cidade, geralmente Nova York ou Londres.  
Ex: Sex and the City, Temporada de Caça: aberta, Confissões de uma Ex, Delírios de Consumo de Becky Bloom, A Rainha da Fofoca.

Mom Lit, algo como literatura da mamãe, é um subgênero do chicklit cujas histórias têm a temática voltada para a maternidade, gravidez ou sobre a criação dos pequenos. Normalmente, estes livros tratam desta temática de forma bem humorada, revelando a loucura que pode ser a maternidade. Mom Lit pode ser subdividido em três outras categorias, determinadas pelo período que a mãe está passando durante a narrativa – pregnancy lit, baby lit e general mom lit. (Fonte: Blog Lost in Chick-lit) 

Apesar de intrigante, Pamela nos entrega uma história bem sóbria – sem grandes reviravoltas, sem melodramas, deslumbramentos ou mesmo um forte humor trágico (clássico do gênero). As coisas apenas... acontecem. Experiências, maternidade, descobertas, encontro de gerações. 
— Só acho que deve ser mais agressiva e fazer o que você quer, desde o início – disse ela, olhando para o teto. — Como você vai se transformar em uma pessoa inteiramente nova se continua agindo como a antiga você?

Nessa pegada realista, achei bacana que a autora se manteve centrada, não se detendo a explorar mais que o necessário de algumas questões – como o trabalho ou resgatar questões do passado. Por outro lado, pensando bem, seus personagens caem fácil no maniqueísmo, em que ou temos pessoas ótemas ou pessoas saco, e basicamente isso. Senti falta de um algo mais em cena. Talvez por ser um livro pensado para ser único, não haveria como explorar tanto entre um agito e outro.

É uma leitura razoável e rápida com uma trama interessante de se acompanhar, ideal para aqueles momentos em que só se quer uma leiturinha para passar o tempo; você sai com um sorrisinho de canto pelo crescimento da história. De escrita ágil e serena, a história é fechadinha. Pontua bem sobre a juventude ser um estado de espírito e como nós mulheres podemos mais que dobrar nossas jornadas de vida.



Quanto à série, vejo que de fato o livro só deu o pontapé, pois no seriado há bastante espaço para desenvolver os conflitos e personas (e muitos causos do mercado editorial!). As inserções, inclusive, dão um ar mais magnífico pra história. Não houve mudanças drásticas, nem ficou um ar de fanfic do original. É uma excelente adaptação!

Enquanto que no livro a protagonista é uma personagem mais maternal que sugere empatia e compaixão, gosta de pratos limpos e poucos agitos, na série, ela é muito mais ousada, sagaz e de espírito aprendiz. Acho que só o Thad foi feito para ser odiado nas duas versões.

Se você, como eu, fez o caminho inverso de começar pela série, com certeza esse fator do algo muito conhecido vai te guiar por diversas cenas, tornando tudo mais cinematográfico, mas nada que resulte em um conflito de referências entre as mídias da história. 
— A propósito, me chamo Lindsey.
— Alice.
— Ah – disse ela. — Como a Munro. Ou a Walker.
Eu poderia ter dado um beijo nela.
— Todo mundo diz como a de No País das Maravilhas – falei para ela.
— Eu não sou todo mundo – concluiu ela. — Mas ainda serei seu Coelho Branco.

Até a próxima!

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Retrospectiva Dear Book 2016 - Grupo Editorial Record


Se você está procurando por um livro e não sabe bem qual adequar ao momento – ou mesmo está em dúvida sobre levar ou não um livro a mais no carrinho de compras numa promo, vamos destacar neste post livros e trechos de resenhas da nossa equipe, de 2016. Esperamos que isso ajude nossos caros leitores na hora da compra ;) Acompanhem as retrospectivas!

Obs: nem todos os livros são lançamentos de 2016.


O sorriso das mulheres
Nicolas Barreau
Resenha completa aqui

É esse caráter muito pretencioso, que promete e cumpre, e faz isso de uma maneira tão diluída à trama que é capaz de pegar todo mundo sem quase ninguém sequer notar. [...] No mais, há aquele quê clássico de brincar com clichês. Há alternância de pontos de vista, mentiras que viram super bolas de neve, grandes decepções amorosas, paixões platônicas e avassaladoras, excentricidades, fiéis escudeiros, “frases feitas”, reviravoltas, referências, etc, etc. [...] Tem totalmente a cara de livro que guarda a sensação de um achado e a cara de livro que esconde muitos segredos. Pra completar, traz as receitas mencionadas pela nossa heroína cozinheira. De uma maneira ou de outra, quase posso ter certeza de que, como diz o aviso na capa, este romance fará você feliz.



No mundo da Luna – a entrevista

Carina Rissi
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O conto é curto e mostra toda a garra de Carina Rissi de nos envolver em situações desastrosas. Luna é essa pessoa que não consegue respirar sem algo repercutir ao seu redor e causar algo catastrófico. É fácil se identificar com sua ansiedade medonha, seu deslumbramento e coração esperançoso. [...] Recomendadísssimo para você que está procurando uma tragicomédia, algo leve ou breve.


O livro das criaturas de Harry Potter

Jody Revenson
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São 9 capítulos repleto de seres fantásticos agrupados por onde poderíamos encontrá-los no mundo mágico de Harry Potter, por exemplo, os seres da floresta, os seres do lago etc. São 208 páginas repletas de imagens, fotos, citações e curiosidades; a leitura é fluída e rápida, esse volume acaba sendo um livro de referência para todo esse universo criado por J.K. Rowling.





Amor Plus Size
Larissa Siriani
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Amor Plus Size passeia por família, amizade, transtornos alimentares, imagem, amor-próprio e aprendizados. É de uma leitura gostosinha, humorada, sensível e muito shipável. A escrita da Larissa nos envolve e guia fácil, serena. Melhor combo <3



Não conhece a editora-chefe e todos os selos do Grupo? Confira:
Record – casa oficial

Selos
Civilização Brasileira; Paz & Terra; Galera Record; Galerinha Record;
Best Seller; Nova Era; BestBolso; Viva Livros; Bertrand Brasil
José Olympio; Rosa dos Tempos; Best Business; Verus Editora.



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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Resenha: "O túmulo sob as colinas" (Belinda Bauer)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Eu estou muuuuiiittooo melhor agora que começou a esfriar aqui pelo Sul do país. Bom, trago a vocês hoje a resenha de um romance de estréia publicado pela Record. Trata-se de Belinda Bauer, uma autora britânica de quem eu nunca tinha ouvido falar  que já possui outros livros lançados - mas ainda não no Brasil - que seguem o mesmo estilo deste lançamento.

Tanto a narrativa quanto a capa - que ilustra muito bem o tom que o livro segue - são sombrios. Não por que este seja um livro de terror, mas por tratar de um tema pesado e uma situação melancólica. A própria descrição do local onde a trama se passa tem uma coloração cinzenta ...


A charneca de Exmoor gotejava com samambaias sujas, relva áspera e descolorida, tojo espinhento e urzes do ano anterior. Tudo tão escuro que um incêndio parecia ter varrido a paisagem, levando consigo as árvores e deixando a charneca fria e exposta para enfrentar o inverno de forma desprotegida. A garoa dissolvia o horizonte ao redor e mesclava céu e terra num casulo cinzento, em torno da única coisa visível na paisagem: um garoto de 12 anos, metido numa calça preta impermeável, mas sem chapéu, sozinho com uma pá.


Esse garoto é Steven Lamb, um garotinho que vive em uma família que passou por uma perda terrível: seu tio, Billy, desapareceu misteriosamente quando tinha aproximadamente a sua idade. Agora, essa família enlutada - mesmo decorridos mais de 20 anos - simplesmente é um lugar frio e tenso, onde Steven se sente agredido pela mãe (que as vezes acaba perdendo a paciência e batendo muito) e ignorado pela avó.
A avó de Steven olhava pela janela com o olhar  fixo. Ela começara a vida como Glória Manners. Em seguida, tornou-se a esposa de Ron Peters. Depois disso ficou sendo a mãe de Lettie, e então de Lettie e Billy. Decorrido muito tempo, passou a ser conhecida como a Pobre Sra Peters. Agora, ela era a avo de Steven. Mas, no fundo, sempre seria a Pobre Sra Peters; nada poderia mudar isso, nem mesmo seus netos.
A avó de Steven é uma mãe inconformada com o sumiço do filho, que o espera em frente à janela há muitos anos, tanto que acaba por esquecer sua filha mais velha, Lettie, ausentando-se da família e alheando-se do mundo. E é por isso que Steve Lamb carrega uma pá: ele não acredita que seu tio irá voltar. E acredita que no momento em que conseguir encontrar o corpo do tio falecido, talvez consiga trazer alguma paz para sua família. aliás, ele imaginava que faria muitas coisas com seu ato heroico, principalmente pela avó ...

Ela deixaria de ficar parada na janela, esperando a impossível vinda de um garoto para casa; passaria a prestar atenção a ele e a davey, e não apeas daquela form desprezível, rancorosa, mas da maneira que uma avó deveria fazer, com amor, segredinhos e uns trocados para comprar bala.
E, se a avó amasse a ele e a Davey, talvez ela e sua mãe ficassem mais amáveis uma com a outra, e se isso acontecesse, todos seriam mais felizes, seriam uma família normal e ... Bem ... tudo apenas ficaria ... melhor.
Mas há um pequeno problema: as escavações de Steven já duram dois anos, e até agora o único esqueleto que encontrou foi o de uma ovelha ... nada nunca foi provado, e é por isso que a avó de Steven espera pelo retorno do filho há tanto tempo, mas alguém foi preso pelo sumiço de diversos outros garotinhos, mais ou menos na mesma época que o tio Billy. Seu nome era Avery, e ficou conhecido como o Estrangulador da Van, um verdadeiro predador, que nunca confessou por nenhum de seus crimes.

Durante um segundo, Mason Dingle não assimilou o que estava vendo. Depois, recuou um pouco a cabeça, batendo-a na armação da porta. Avery já vira essa reação antes. Agora, aconteceria uma de duas coisas: ou o garoto começaria a ruborizar e a gaguejar, afastando-se rapidamente, ou começaria a ruborizar, e a gaguejar, sentindo-se obrigado – porque Avery era um adulto que lhe fizera uma pergunta – a apontar para a área no mapa, de modo que sua mão ficaria a poucos centímetros do pênis dele. Quando isso acontecia as coisas podiam seguir qualquer caminho, e as vezes isso acontecia. Avery preferia a segunda reação, por que prolongava o encontro mas a primeira também era boa: ver o medo, a confusão e o sentimento de culpa na expressão dos garotos, afinal, no fim das contas, todos queriam aquilo. Ele proprio era apenas mais honesto quanto ao assunto.
Mas Mason Dingle mostrou-se uma presa muito mais difícil do que ele poderia imaginar, o que culminou em sua prisão e, após meses de averiguação, a acusação por seis estupros e assassinatos de meninos entre 8 e 11 anos, todos enterrados na charneca de Exmoor. Assim, Steven não tem por que acreditar que seu tio fora enterrado em algum outro lugar. Ou será que teria?

Para descobrir, Steven resolve ter uma ação arriscada: irá escrever para Avery, na prisão, e tentará descobrir onde seu tio está enterrado, para trazer alívio para sua família. O que Steven não imaginava é que estava embarcando em um jogo perigoso, atiçando a curiosidade e a mente perversa de um serial killer que decide que não tem mais nada a perder - e que é muito, mas muito inteligente.

"O túmulo sob as colinas" é um thriller triste e tenso, em que vemos a inocência ser esmagada pela crueldade e perversidade que ainda existem espalhadas pelo mundo. Em alguns momentos, ler os pensamentos de Avery pode se tornar uma tarefa penosa, tendo em vista o conteúdo explícito do qual a autora lança mão.

Agora, passado todos esses anos, ainda conseguia recapturar parte da emoção daquele momento quando identificava um alvo. O modo como tinha a ereção, sua boca cheia de saliva, a ponto de ter de engoli-la para na babar como um retardado (...) Ele engrenou a marcha da van e seguiu pela rua, puxando o mapa para cima das pernas ...
Confesso que este é um tipo de tema que me causa certo mal estar. Mesmo assim, a inteligência da escrita de Bauer, aliados à trama tensa e carregada de suspense me fizeram "devorar" as 320 páginas em menos de dois dias, e as páginas finais são realmente de tirar o fôlego.

Recomendo, e estou ansiosa para ler os outros títulos da autora que, espero, sejam lançados pela Record também! Abraços!




 
Ana Liberato