segunda-feira, 22 de abril de 2019

Resenha: "Longe de casa: minha jornada e histórias de refugiadas pelo mundo” (Malala Yousafzai)


Tradução de Lígia Azevedo.

Por Thaís Inocêncio: Muitas pessoas conhecem a história de Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que foi baleada pelo talibã por defender a educação feminina na sua terra natal, o vale do Swat. Ela se tornou conhecida mundialmente por seu ativismo pelos direitos das mulheres, sobretudo ao acesso à educação, e por ser a pessoa mais nova a receber um prêmio Nobel. Essa história completa e em detalhes está no livro Eu sou Malala, escrito pela própria Malala Yousafzai e pela jornalista Christina Lamb.

Já no livro Longe de casa, o segundo escrito pela jovem, ela decide tirar o foco de sua história e dar voz a outras pessoas que não costumam ser ouvidas: as mulheres refugiadas. Ao longo de sua jornada como ativista, Malala visitou diversos campos de refugiados e conheceu histórias impressionantes de quem foi forçado a sair de casa e partir em busca de um lugar que, muitas vezes, não garante boas condições de vida, mas tem algo mais valioso: a paz.

"Nunca deixa de me chocar que as pessoas considerem a paz algo garantido. Sou grata por ela todos os dias. Nem todo mundo tem essa sorte. Milhares de homens, mulheres e crianças testemunham guerras diariamente. A realidade dessas pessoas envolve violência, lares destruídos, vidas inocentes perdidas. A única escolha que têm para se manter seguras é ir embora. Então elas 'escolhem' ficar longe de casa. Só que não é exatamente uma escolha."

Ainda assim, nos primeiros capítulos, Malala conta resumidamente sua trajetória e ressalta que, embora não seja uma refugiada, compreende perfeitamente a sensação de conviver com a guerra e a violência em seu país de origem e de estar longe de casa – atualmente, ela vive em Birmingham, na Inglaterra. Em seguida, a cada novo capítulo, somos apresentados à história de uma refugiada. Ao todo, conhecemos a vida e a luta de nove jovens de diferentes partes do mundo, do Oriente Médio à América Latina, como Iêmen, Síria, Iraque, Colômbia, Guatemala e República Democrática do Congo.

“Para qualquer refugiado ou pessoa fugindo da violência, que é a principal causa de deslocamento forçado, parece que hoje não existe um lugar seguro no mundo. Até o final de 2017, as Nações Unidas contabilizaram 68,5 milhões de pessoas que foram obrigadas a se deslocar. Delas, 25,4 milhões são consideradas refugiadas.”

É muito interessante a forma como o livro é estruturado. Cada capítulo se inicia com a fala de Malala, nos contando como conheceu a jovem em questão e porque a história dela chamou a sua atenção a ponto de ser selecionada para estar neste livro. Em seguida, ela abre espaço para a fala da própria refugiada, que conta a sua trajetória em primeira pessoa. Todas elas explicam a situação de violência que vivenciaram em seu país de origem e como chegaram ao lugar onde vivem hoje, enfrentando, no caminho, muitas privações e risco de morte. Mas elas também falam de superação, de esperança e de sonhos.

E, entre tantas histórias tristes e difíceis, um dos últimos capítulos do livro mostra como a ajuda de cada um é importante. Nele, conhecemos Jennifer, moradora da Pensilvânia, o estado que mais recebe refugiados nos Estados Unidos. Depois de ver a foto de um menino sírio de três anos sem vida no mar Egeu, imagem que rodou o mundo, ela sentiu que precisava fazer algo diante da maior crise humanitária que enfrentamos neste século. Então, ela passou a ser voluntária em uma organização religiosa que ajuda os refugiados a se instalarem no novo lar, recebendo uma família do Congo. Ao ter contato com a realidade deles, ficou ainda mais evidente para ela o quanto todos podemos ajudar, mesmo que seja com tempo e atenção. É isso que Malala reforça no epílogo, chamando a atenção para o quanto essa luta não é apenas dos refugiados, mas de todos os seres humanos.

“Faça o que puder. Saiba que compaixão é a chave. E que atos de generosidade, tanto grandes quanto pequenos, podem fazer a diferença e ajudar o mundo a se curar.”



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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Resenha: "Maquinas Mortais" (Philip Reeve)


Tradução: Guilherme Kroll

Sinopse: Neste brilhante mundo criado por Philip Reeve, a humanidade quase teve um fim em um conflito nuclear e biológico chamado de Guerra dos Sessenta Minutos. O mundo virou um descampado, a tecnologia foi praticamente extinta e todos os esforços humanos se voltaram para um único objetivo: fazer suas cidades sobreviverem. Para isso, elas precisam se mover, se tornando Cidades de Tração, para se afastar da radioatividade e doenças. Londres é uma grande cidade e está sempre a busca de novas cidades para se alimentar, como dita o Darwinismo Municipal: metrópoles consomem as cidades menores, que consomem vilarejos e assim por diante...No meio de um ataque de Londres à uma cidadezinha desesperada, Hester Shaw, uma menina com uma cicatriz horrível, tenta matar Thaddeus Valentine, o maior arqueólogo da metrópole. Valentine é salvo por Tom Natsworthy, um historiador aprendiz de terceira classe. De repente, ambos acabam caindo para fora da Cidade de Tração. Agora perdidos no vasto Campo de Caça, sem uma cidade para protegê-los, os dois precisam unir forças para alcançar Londres e sobreviver a um caminho cheio de saqueadores, piratas e outras Cidades de Tração. Além disso, ao que tudo indica Londres está planejando um ato desumano, envolvendo uma arma não usada na Guerra dos Sessenta Minutos, que pode dar fim ao pouco que restou do planeta...

Por Jayne Cordeiro: Máquinas Mortais é um lançamento recente da editora HarperCollins, e teve sua adaptação para o cinema lançada neste começo 2019. Sobre o livro, no primeiro momento, posso dizer que achei o enredo bem interessante. Uma história bem criativa e diferente do que costumamos ver por aí em distopias. Quem imaginaria um mundo pós apocalíptico em que a cidades funcionam sobre rodas e perseguem umas as outras atrás de suprimentos para sobreviver. Achei tudo mundo bem elaborado, e esse é com certeza um ponto a favor.

Era natural que cidades comessem vilas, assim como as vilas comiam vilarejos, e vilarejos pegavam pequenos assentamentos. Isso era Darwinismo Municipal, e esse era o jeito que o mundo funcionava há mil anos.

O livro traz vários pontos de vista, e com isso vários personagens são apresentados e narram suas aventuras convergindo para o ápice, e isso dá uma dinâmica legal a história. Bem melhor do que se fosse contado apenas por Tom ou Hester, os principais personagens da história. A escrita do autor é boa, ele mantem um ritmo rápido no livro, mas sem ser corrido demais. 

Lembre-se, não sabemos o quanto a garota sabia a respeito do trabalho da Mão. Se ela contasse a qualquer outra cidade que nó temos a MEDUSA antes de estarmos prontos para usá-la…

Mas para mim, o livro tem um problema, que atrapalhou muito a leitura, e me fez demorar demais para terminar. O leitor não consegue criar um laço de simpatia com os protagonistas. Mesmo com todas as aventuras, e o passado sofrido de alguns deles, não dá para se apegar a eles. Parece que apesar de o autor saber relatar os fatos e situações muito bem, ele já não consegue passar as emoções da mesma forma. E tenho muita dificuldade em continuar uma leitura, quando não me interesso pelos personagens. 

Você não é um herói. E eu não sou bonita. E nós provavelmente não vamos viver felizes para sempre - ela disse - Mas nós estamos vivos, e juntos, e nós vamos ficar bem.

Fora isso, até mesmo os momentos dramáticos (e o autor não tem pena de causar mortes e sofrimento), não há aquele clima. No final da contas, para mim tanto fazia se alguém pudesse morrer naquele momento. E assim, o livro acaba ficando desinteressante. O que é uma pena, porque a história é boa. Mas a mim, ele não conseguiu prender. Agora, é um livro que o leitor pode amar ou detestar. Vai depender de como a leitura segue para você. Ele é o primeiro de uma série de livros. E como se trata de uma história de fantasia, totalmente focada no drama e aventura (não espere romance), se você gosta do gênero pode valer a pena dar uma chance.

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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Resenha: "Mulheres na Luta" (Marta Breen & Jenny Jordahl)


Tradução: Kristin Lie Garrubo

Sinopse: O movimento feminista em quadrinhos, para jovens e adultos. Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres ― pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras ―, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito ― e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Por Jayne Cordeiro: Em um sorteio, durante um evento literário, acabei tendo nas mãos esse livro bem diferente. No começo, fiquei meio triste por não exatamente aquele que eu queria, mas na medida em que comecei a prestar atenção em Mulheres na Luta, vi que este livro era um trabalho excepcional, e que ele precisava fazer parte da minha estante. De uma forma bem didática, como histórias em quadrinho, o leitor consegue ter um panorama geral e superficial as principais mulheres envolvidas na luta pelos direitos da mulheres. Direitos hoje que são considerados comuns, ma que foram conquistados com muito esforço pelas nossas antepassadas.


Apesar de ser um livro contado por imagens, ele é bem adulto. Acredito que é uma boa escolha para dar de presente para uma adolescente ou jovem adulta, pois de forma simples, ele passa uma mensagem bem profunda. As histórias de cada mulher são curtas e interligadas, mas a autora consegue contar bem o que aconteceu com cada uma delas. As ilustrações também ficaram ótimas. Ela conseguem ser delicadas quando precisa, mas também explicitas. Tem momentos em que elas conseguem passar uma diversão e também momentos impactantes.


As histórias possuem cores diferentes como fundo, mas acredito que isso também está ligado ao que cada história tenta passar. Para as pessoas que desejam conhecer um pouco mais sobre a história do Feminismo e suas origens, esse livro é bem interessante. E como as histórias são curtas e com menos texto, eu acabei lendo ele em questão de 1 hora. E fiquei com uma ótima impressão no final. Todo o trabalho do livro, com sua diagramação, imagens, a escolha das histórias e falas, mostra que houve todo um cuidado na elaboração da obra, de origem norueguesa, mas que abrange o mundo todo, e consegue atingir a qualquer pessoa.


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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Resenha: "Querido Evan Hansen" (Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul)

Tradução: Guilherme Miranda

Lançamento em 17 de Abril de 2019

Sinopse: Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.

Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma.
Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira. Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter?
Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.
"Mesmo no formato de livro, a história de Evan Hansen canta. Leitura obrigatória, especialmente para quem já se sentiu invisível." - Becky Albertalli, autora de Com amor, Simon
"Querido Evan Hansen é uma poderosa reflexão sobre o luto, a depressão e as várias formas como estamos presentes (ou não) na vida daqueles que estão em nosso redor sem nem perceber." -  David Arnold, autor de Mosquitolândia.

Por Eliel: Contém gatilhos emocionais relacionados à depressão e suicídio.

Sou um apaixonado por musicais da Broadway e ter a oportunidade de conhecer um romance baseado em uma das mais aclamadas montagens dos últimos anos é sem dúvida incrível. Val Emmich escreveu esse romance sob o olhar do criador do ganhador do prêmio Tony de melhor musical de 2017, Steven Levenson e os compositores Benj Pasek e Justin Paul. Essa peça tem chamado atenção por ter ganho prêmios de Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora, tudo isso em pouquíssimo tempo desde sua estréia em 2016 no Music Box Theatre, na Broadway, onde ainda está em cartaz. Ainda esse ano vai estrear em Londres e também nos cinemas, porém sem data prevista.

Vejam uma das músicas mais marcantes dessa montagem, Waving Through A Window:


E tem a minha favorita também, For Forever:


O livro que será lançado esse mês pela Editora Seguinte, trás um aprofundamento para a obra original que faz ela ter ainda mais peso. Hoje em dia nunca se falou tanto dos problemas de relacionamentos e a falta de comunicação, principalmente entre as gerações. Bullying e depressão são os hits do século. Esse livro trata de todos esses assuntos de uma forma única. 

Evan Hansen é um adolescente tímido e que sofre com a ansiedade, por isso tem tanta dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Seu terapeuta sugere que ele escreva cartas para ele mesmo para trabalhar seus sentimentos. A história de desenvolve após Evan quebrar o braço quando cai de uma árvore durante as férias e agora vai começar mais um ano letivo.

Seu gesso permanece branco, ninguém assina como tradicionalmente acontece nesses casos. Evan não tem amigos, ele tem colegas de classe que estudam juntos por anos. Um desses colegas é Connor Murphy, um adolescente cheio dos seus próprios problemas, mas que ao perceber o gesso em branco se oferece para assinar. Dessa forma, o gesso de Evan tem uma única assinatura.

Evan têm uma queda por Zoe, uma das garotas mais populares da escola. Como qualquer clichê romântico, ela é inalcançável para ele. E após um momento estranho entre os dois e antes da sua próxima sessão de terapia, Evan escreve a carta mais sincera que consegue para mostrar ao seu terapeuta. Uma carta que fala de suas emoções, seus sentimentos pela Zoe e que mostra que apesar das aparências ele não está nada bem. Connor encontra a carta na impressora da biblioteca e vai levar para Evan, porém ao bater os olhos na carta ele vê que Evan fala da sua irmã. Isso mesmo, Zoe Murphy é sua irmã.

Vou ter de mostrar alguma coisa para o dr. Sherman, e tudo que tenho até agora é "Querido Eva Hansen".  Apaguei todas as coisas que escrevi de manhã. Toda aquela besteira sobre ser verdadeiro comigo mesmo. Só escrevi aquilo porque pensei que soava bem.É claro que soava bem. Ficção sempre soa bem, mas não ajuda muito quando a realidade vem e joga você de cara no chão. Quando enrola sua língua, prendendo as palavras na sua cabeça. Quando deixa você almoçando sozinho.

Connor fica muito bravo e desconta toda sua raiva em Evan. As coisas começam a se complicar quando Connor comete suicídio e é encontrado com a carta de Evan no bolso. Todos começam a achar que eles eram os melhores amigos e lidavam com seus problemas em segredo.

Evan cai em uma rede de mentiras alimentada por ele mesmo para não ferir os sentimentos dos pais de Connor. Uma amizade falsa é alimentada e dá esperanças para uma família em crise. Os acontecimentos levam um rumo que Evan jamais quis, ele se torna um modelo para pessoas que sofrem com a ansiedade e ele passa a ser reconhecido não só na escola.

Queria que tudo fosse diferente. Queria fazer parte de alguma coisa. Queria que alguma coisa que eu digo fosse importante, para quem quer que seja. Sério: alguém perceberia se eu desaparecesse amanhã?Do fundo do coração, seu melhor e mais querido amigo, Eu.

Uma poderosa história sobre responsabilidade e amadurecimento em quanto lida com problemas que, infelizmente, são tão comuns na nossa época. Mesclando capítulos do Evan com os do Connor (mesmo após sua morte) nos dão uma visão bem ampla de cada acontecimento.

Por momentos bizarra e emocionante, uma narrativa densa e de fácil compreensão. Com toda a certeza uma leitura agradável que fará muitas emoções virem à tona. Esse é o trabalho de uma obra literária, te tirar do lugar comum e te transportar além, te fazer refletir e agir. Recomendo fortemente.

- Hoje em dia, a sua geração, odeio falar isso, mas vocês só querem saber de alegria instantânea. Quem quer parar para ler um livro quando se pode ver o Facebook? Mas não tem como substituir um trabalho bem-feito. Não tem. Só precisa de um pouco de paciência.

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Resenha: "Crônicas de Espada e Feitiçaria" (Vários Autores edt. Gardner Dozois)

Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso

Sinopse: Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.

Fonte: Amazon

Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.

Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.

Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.

Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.

É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Resenha: "Muito Além do Amor" (Camila Moreira)

Sinopse: Desde o começo de sua carreira como promotor, Diego Ferraz sempre foi guiado pelo seu senso de justiça. Implacável com os criminosos e gentil com os injustiçados, este jovem de coração valente está satisfeito em viver sacrificando-se pelo bem de todos à sua volta.Quando Diego se depara com o caso de Larissa ― vítima de abuso doméstico e mãe de Malu, uma adorável menina de 4 anos ― sua vida vira de cabeça para baixo. Ele não consegue parar de pensar nessa linda mulher ― que mesmo depois de ter sofrido tanto nas mãos de seu ex-marido, ainda consegue manter sua força, dignidade e, acima de tudo, doçura.Mais que um mero defensor da lei, Diego quer ser o protetor de Larissa e Malu. Quer passar o resto de seus dias ao lado delas, e mostrar o quão boa a vida pode ser quando nos permitimos amar e ser amados.Mas o coração de Larissa já foi machucado antes, e ela conhece melhor do que ninguém os perigos de se apaixonar perdidamente por aparentes príncipes encantados. É melhor se fechar, se proteger, e assim evitar mais dor. Afinal, contos de fada não são reais... certo?


Por Ili Bandeira: Aqui iremos conhecer o Diego, que é um cara muito bonito, charmoso e fiel aos seus princípios. Atualmente promotor do ministério público, ele quer ajudar as pessoas. Então, numa certa manhã, se depara com um caso de violência doméstica envolvendo Larissa e a sua filha Malu.

Larissa é uma jovem que se apaixonou e casou, na época, com o homem dos sonhos. O tempo, contudo, mostrou à ela quem era o seu marido. Larissa se viu vivendo num relacionamento abusivo que tornou a sua vida um inferno. 

Todos os amigos e familiares eram contra a relação de Larissa e Dennis, desde o início. Ela, ainda imatura e com pouca experiência em relacionamentos, se submeteu as loucuras do marido, acreditando em promessas de mudanças. O estopim do término aconteceu no dia que a insanidade de Dennis atingiu a filha do casal.

A partir deste momento, Larissa usou toda a coragem que lhe tinha restado e pediu o divórcio. Junto com o fim do relacionamento ela denunciou os maus tratos que sofria há anos. Até o momento antes de conhecer Diego, Larissa não queria mais saber de relacionamentos. 

Será que Diego conseguirá vencer os receios de Larissa e se provar merecedor do coração da nossa mocinha?

Não é só um livro que traz uma história bonitinha, é um romance que traz questões importantes - sendo a primordial delas, os relacionamentos abusivos. Muitas mulheres sofrem no Brasil com agressões de seus maridos. O que chama mais atenção é o alerta da autora, Camila Moreira, sobre quando um relacionamento abusivo não é reconhecido pela vítima ou na maioria dos casos a mulher vive com medo de denunciar o agressor porque a maioria desses homens as sustentam. E o que elas podem fazer? Ficam de mãos atadas nessa situação. Mas, se você leitora estiver passando por isso, o que eu espero de coração que não, denuncie!

Com uma escrita maravilhosa, frases reflexivas e trechos de músicas, Camila Moreira traz um enredo com personagens cativantes, mensagens importantes relacionadas a temática principal e uma mocinha que viveu um inferno, mas que encarou com queixo erguido os seus obstáculos e ressurgiu das cinzas como uma fênix.

Mais que recomendado essa leitura!

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

[Cineclube]: Bumblebee




Cineclube é uma coluna que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.



Titulo: Bumblebee
Data de lançamento (Brasil): 25 de dezembro de 2018
Diretor: Travis Knight
Elenco principal: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr, Jason Drucker, Pamela Adlon, Stephen Schneider, John Ortiz e Glynn Turman
Gênero: Ação, ficção cientifica.

1987. Refugiado num ferro-velho numa pequena cidade praiana da Califórnia, Bumblebee, um fusca amarelo aos pedaços, machucado e sem condição de uso, é encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. Só quando Bee ganha vida ela enfim nota que seu novo amigo é bem mais do que um simples automóvel.


A franquia Transformes já possui uma quantidade razoável de filmes, com direito a vários protagonistas humanos e muita explosão acontecendo. Não vou mentir, que demorei a assistir esse filme, porque andei bem desmotivada com a série. Os últimos filmes foram bem fracos, só trazendo destruição no enredo, e com personagens humanos bem fracos e sem graça. Para mim, os melhores filmes foram o primeiro e o segundo. Depois disso a coisa começou a desandar. Mas decidi dar uma chance a Bumblebee e até que gostei bastante.


Para começar, o fato de o Michael Bay não ter dirigido o filme já foi um alívio, e acho que o novo diretor conseguiu dar uma boa repaginada na série. E é claro que por ser uma história que se passa bem antes do primeiro transformes, ele acabou tendo muito mais liberdade para atuar. E por vir antes dos outros, o filme pode explicar algumas coisas que são mostradas nos filme anteriores, e isso é sempre legal. O filme tem vários momentos divertidos também.


Anos 80 é uma época bem rica e interessante para ambientar um filme. Caracterizaram bastante a protagonista  e aproveitarem bem a trilha sonora da época. Gostei da protagonista. Acho que trazer um elenco mais juvenil dá um ar mais divertido e interessante para o roteiro. A forma como ela interage com o Bee, e como ele ajuda a garota a lidar com a perda do pai, que ela não havia conseguido superar é um drama que ajuda o filme a ser mais do que apenas tiro e explosão. O filme não chega a ser tão bom quanto o primeiro e segundo Transformers, mas conseguiu ficar em terceiro lugar, superando os outros filmes, que para mim foram bem superficiais.







Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

                                             Redes Sociais de Jayne:
                                                         SKOOB
                                                        FILMOW

                         E você, o que achou da coluna? Deixe seu comentário!


Até o próximo Cineclube!
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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Ili Bandeira: Este livro foi uma grata surpresa para mim, li em apenas em algumas horas e fui surpreendida com a escrita fluída, rápida, envolvente e cativante da autora, Erin Beaty. Enquanto estava lendo, tinha várias suspeitas do que iria acontecer em seguida, e tomei dois ou três tapas na cara da autora, porque tudo que imaginei não aconteceu e fiquei de queixo caído com o desenvolvimento dos acontecimentos durante a escrita.


Sage é uma jovem de 16 anos, inteligente, observadora e engraçada que perdeu seus pais logo jovem e por isso mora com a família de seu tio, o que ela detesta, pois eles querem que ela se comporte como uma dama, mas infelizmente ela ama usar calças, tem uma língua afiada, adora subir em árvores para a insatisfação de seus parentes.


Sage tem o desejo de ser independente, trabalhar para ter seu próprio sustento e tem repúdio a casamentos.


Quando chega a hora de um casamento arranjado, seu tio a obriga ir para a Sra. Rodelle, casamenteira mais famosa da região para uma avaliação rápida. Mas a entrevista dá errado e não sai como planejado pois, Sage, acaba sendo sarcástica com a senhora e ela a manda embora aos gritos. 


Depois de alguns dias Sage volta à casa da casamenteira querendo pedir desculpas. A Sra. Rodelle, aceita as desculpas e a convida para ser sua aprendiz, a jovem não tem outra opção e aceita a oferta. ⠀



Durante seu trabalho de aprendiz de casamenteira, Sage tem que viajar para Concordium, evento onde os casamentos são arranjados, então nossa protagonista precisa observar e analisar o comportamento e personalidades das moças que estão indo em caravana com ela e respectivamente os seus pares, que são filhos dos nobres que encontram no caminho da viagem, para poder fazer uniões compatíveis. 


Capitão Quinn está em meio a uma missão confidencial e suspeita que Sage seja espiã do inimigo, pois repara que ela  anota algo secreto em seu caderno todo dia.


A história foi muito bem construída e já deixa um gancho maravilhoso para a sua continuação. Recomendo muito a leitura para quem adora várias reviravoltas, mistérios, suspense, uma pitada de romance e um final maravilhoso.




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Ana Liberato