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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Resenha: “Querido Dane-se” (Kéfera Buchmann)


Por Kleris: A gente tenta não ter nenhuma expectativa, mas ler uma ficção da Kéfera é algo bem curioso. Ela já havia mostrado um pouco da sua escrita espevitada no primeiro livro (reveja resenha aqui), o que não apareceu muito no segundo (reveja resenha aqui), e neste Kéfera surpreendeu. 
— Você tem muito ódio no seu coraçãozinho, né?
JURA? SÉRIO MESMO? Gênia. Deveria ganhar um prêmio pela constatação.

Sara não está no seu melhor da vida quanto queria – aliás, para ela o tempo está correndo muito depressa, com prazos por ela determinados prestes a expirar sem “conquista” alguma – no caso, chegar aos 30 sem um relacionamento ou emprego estável. 

Pra piorar, seu namorado termina com ela do nada e assume outra garota, que basicamente é a nova cliente de Sara, uma socialite para a qual ela que vai produzir roupas exclusivas. É nessa bagunça toda que Sara tenta focar na oportunidade de trabalho, seguir em frente sem estragar tudo e ainda tratar do seu déficit de atenção.
Querido diário,
FODEU.
Minha terapeuta quer ler meu diário.


Uma boa sacada do livro é sua narração. Kéfera nos apresenta a história como um diário, onde a personagem escreve coisas que ela deve reconhecer como positivas e negativas, proposta de sua terapeuta, o que acaba por virar uma jornada de autoconhecimento – daquelas com muitas resistências no início, muitas reviravoltas de recheio e grandes escolhas pelo caminho. 

Sara, como muitas pessoas, é uma pessoa de percepção frágil, que se entrega muito às expectativas irreais. Por conta disso, decepciona-se muito. Mas está lá, tentando mais uma vez, mesmo que isso envolva se meter nas mais loucas (e perigosas) situações, mesmo que dê uns closes errado bem errados. Quem equilibra essas doidices é sua amiga Denise, quem tá “na guerra” pra tudo. 

— Não. Se apaixonar é ótimo. Só lembra de não colocar todas as suas expectativas nesse cara! Você tem que conseguir ser feliz mesmo que as coisas não deem certo com ele também.
— Denise, para de querer cortar minha vibe! Você viu como o Tiago me trata, não viu? ele é superamoroso. Some de vez em quando, mas faz parte do jogo.
— Tá, pode ser. Mas lembra o que eu sempre digo? Para ser um bom par, você precisa saber ser um bom ímpar. Então, quando ele sumir, você tem que saber ficar bem consigo mesma. É isso que eu estou tentando...

Em uma primeira impressão, o livro é bem clichê e não traz nada muito novo no meio literário contemporâneo – é como a primeira temporada de Crazy Ex-Girlfriend, misturado com filmes brasileiros babacas (como aquele S.O.S. Mulheres ao Mar), umas romantizações e ganas dos anos 90 (em que mulheres precisam ou definem quem são por ter um homem ao lado), e umas tiradas meio #fail. Mas esse ar tragicômico exagerado é apenas um pano de fundo que vai tirar nossa personagem das órbitas e, durante sua jornada, perceber o que é preciso fazer pelo seu final feliz. 
— Peraí. Se você é frustrado, o problema é seu. Não vem querer dizer que meus sonhos são impossíveis.

Esse ponto de quebrar os tais ideais limitantes que torna o livro interessante. Aliás, passei o livro inteiro torcendo por isso! Queria que Sara não tivesse a Gio (a socialite), como inimiga e sim contasse a verdade sobre o pilantra que só queria tirar vantagem delas #sororidade Queria que a Sara se libertasse dessas noias que diminuem e prendem as mulheres por anos a fio e queria que ela não se contentasse com um amor meio bosta (ou com qualquer coisa mais) #yougogirl Nesse sentido, o livro traz sim algo bom, algo novo, algo verdadeiro, e acho ótimo que isso seja reverberado pela audiência que acompanha a autora. 
Essa pergunta ainda me assombra. Tenho procurado muito de mim por aí.

É um livro curto, super rápido e bem gostosinho de ler, excelente para aqueles momentos de pausa ou quando a gente tá querendo pegar o ritmo de leitura após uma ressaca. Não pense que por ser a Kéfera a autora, é um livro ruim ou sem conteúdo – dê tchau a esse preconceito. Muito pelo contrário, foi uma boa estreia da autora na ficção.

Recomendo!
Até a próxima o/


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segunda-feira, 26 de março de 2018

Resenha: “Louca para Casar” (Madeleine Wickham)


Tradução de Alice França

Para Kleris: Como uma chicklitter de coração, não teria livro melhor pra começar o ano. Estava, aliás, precisando de um romance assim, bem gostosinho. Louca para casar calhou de esperar cerca de quatro aninhos na minha estante porque da última vez que o peguei, fora totalmente do clima, não rolou. Agora só penso em renovar meu estoque de chick-lits, pois de tempos em tempos preciso de doses cavalares de amorzinho assim.

Em seus 18 anos, Milly se aventurou num curso profissionalizante em outra cidade, e lá conheceu seu futuro marido, Allan. Mas não era um casamento comum... ou real. Eles casaram para que Allan pudesse ficar no país e ficar com Rupert, sua grande paixão. Após voltar pra casa, Milly nunca mais os viu.

Ao passar 10 anos, Milly está para subir o altar com Simon. Aquele casamento da juventude meio que foi esquecido, abandonado... apagado. Era o que Milly achava, sem se ligar dos trâmites legais e que poderia estar cometendo bigamia. O destino (in)felizmente traz alguém do passado para recobrar a consciência da mocinha e tratar de colocar desespero resolver a situação – antes que alguém descubra.

Enquanto Milly se revira para cuidar dos preparativos do casório, lidar com a família e suas crises, Madeleine nos leva para um significativo e maravilhoso passeio pelos relacionamentos de cada personagem envolvida nesta trama de família.

Primeiramente, a autora caprichou MUITO na construção da história e narrativa. Ao explorar de maneira primorosa os pontos de vista, ela instiga e guarda cada bomba que AAAAAAAAAAAAAAA! Mesmo na gana de querer sempre saber de um e outro personagem, o suspense da narração se torna algo tão gostoso que não te deixa largar o livro por coisa nenhuma.

Mas o que mais impressiona é como Madeleine retrata a vulnerabilidade de seus personagens e como se utiliza de uma situação para despertar a todos de suas realidades. Nesse sentido, sua voz narrativa funciona quase como um microscópio emocional que nos conduz perfeitamente às emoções e papeis de cada um na história. E assim se pauta o status, a instituição do casamento, as insatisfações pessoais, problemas familiares, preconceitos, as maneiras para agradar pessoas e as maneiras de ser feliz. 
Mas não era. Ele precisava de mais, queria mais. Desejava uma vida diferente, antes que fosse tarde. 
— [...] Quer dizer que o seu relacionamento perfeito não é tão perfeito como você pensava. E daí? Isso significa que você tem que jogá-lo fora, descartá-lo?

Não é uma mera história sobre casar e casar por status, ou de que o casamento deva ser uma relação pautada em regras (sociais ou religiosas), mas entender como todos têm seus problemas e que devem lidar não só com as consequências de suas escolhas, mas com seus reais sentimentos sobre tais escolhas. Chamada para tortas de climão? Com certeza!

Minha admiração pela Sophie Kinsella – sim! – aumentou. Para quem não sabe, Madeleine é o nome real oficial da nossa amada Sophie. Sem deixar suas tramoias de Kinsella de lado, Madeleine aqui desenvolve com uma escrita suave, realista e sóbria – sem aquele típico desespero ou mel exagerado, sabe?

Geralmente ela me deixa a sensação de estar sempre à frente de tudo. Não foi muito diferente em Louca para casar – que, me perdoem, me parece um título injusto para tal obra. Com toques de girl power, desromantização de instituições sociais, feminismo e femismo, love is love, e conflitos, muitos conflitos internos, Madeleine dá um show de ficção. 
Sem a intenção de enganá-lo, mas também sem querer desapontá-lo, ela lhe permitiu formar uma imagem que, sinceramente, não era de todo verdadeira. [...] Tudo o que era precisava era mudar o modo de se vestir, fazer alguns comentários inteligentes ocasionais e permanecer discretamente calada o restante do tempo. 
— O que estou dizendo é que não existe casamento baseado na verdade — corrigiu Esme. — Felicidade é outra coisa.  

Destaque para a personagem principal, Milly, que apesar de ser a mocinha confusa, é uma heroína e tanto. Madeleine, aliás, trabalha bem essa questão de impressões e narrativas que pessoas têm de outras pessoas. Rupert, Isobel, Simon, Allan, James, Olivia e – vá lá – Harry também não ficam pra trás. Só sei que foi difícil deixá-los ao finalizar o livro. Você quer descobrir tudo, acompanhar tudo, pirar com tudo, menos deixar o livro acabar. 
— Não vivo para o trabalho. — Isobel pousou a caneca na mesa com força. — Sou apenas uma pessoa que trabalha.
— Eu não quis dizer...
— Mas disse! — retrucou Isobel, exasperada. — Vocês pensam que minha vida se resume a isso, não é? Uma carreira e nada mais. Vocês esqueceram todos os outros aspectos.

Por fim, Louca para casar é aquele livro que sabe ser amorzinho, mas sabe também nos deixar em reflexão com nossos ideais internos. Recomendadíssimo! 
— Tenho certeza de que você e Milly serão muito felizes. Nem todo mundo tem a mesma sorte.
— Não é uma questão de sorte — retrucou Simon furioso. — Sorte não conta! — Ele fitou James e Olivia. — O que vocês acham que faz um casamento dar certo?
— Dinheiro — respondeu Olivia antes de dar uma gargalhada. — Brincadeira!
— É cumplicidade, não é? — perguntou Simon. Ele se inclinou para frente com ar sério. — Compartilhar, dialogar, conhecer um ao outro profundamente.



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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Resenha: “Fiquei com seu número” (Sophie Kinsella)

Tradução de Regiane Winarski

O livro já foi resenhado anos atrás pela Juny – aqui.


Por Kleris: Ao decidir por uma releitura, a gente já imagina o que vai encontrar, porque, bem, já passou por aquele lugar. Costumo reler livros em viagens, porque não quero ficar naquela de “será se vai ser uma boa leitura?”; quero entrar na leitura com a certeza de que vou gostar. E foi assim, my friends, que puxei mais uma vez Fiquei com seu número da prateleira e Sophie me deixou no chão: rolando de rir, sem ar, chocada. Quase sem palavras sobre como eu a admiro.

E me perguntando seriamente POR QUE RAIOS EU PASSO TANTO TEMPO SEM LER CHICK-LITS. Descobri o porquê, mas ainda não estou satisfeita – o que é outra história. Vamos à resenha!

Poppy se vê numa situação bem... complicada. Ao meio de uma reunião com as amigas e colegas para surtar sobre o anel de noivados, o hotel que hospeda um evento social vira um pandemônio quando a sirene de incêndio soa, e ao meio do transtorno, Poppy perde o anel – da família do noivo, Magnus. Entramos na história justo no momento de maior desespero de Poppy, enquanto ela revira o saguão do hotel atrás da joia. Sem muita esperança, ela tem que esperar notícias e então... lhe roubam o celular na rua. Nem preciso dizer que sua síncope toma maiores proporções, né? Mas no meio do pânico, uma luz surge: ela acha um celular no lixo e resolve usá-lo até arranjar outro, até porque Poppy NÃO PODE perder nenhuma notícia sobre o anel nesse meio tempo.

É assim que ela entra no mundo de Sam, o responsável pelo aparelho. Que, aliás, acaba de perder a assistente e precisa da ajuda de Poppy para fechar um negócio ali mesmo no hotel. É apenas ÉPICA a cena que ela salva o mundo corporativo – ou pelo menos a empresa de Sam. E é essa gentileza – e mico da vida – que faz Sam repensar sobre o aparelho celular e permitir que eles dividam a caixa de mensagens. Chamar mais confusão que isso não sei dizer – que é, na verdade, só uma pontinha do iceberg desta trama. São tantas reviravoltas que não consigo dizer mais que isso.
Conforme vou descendo os e-mails, começo a me sentir desconfortável. Nunca tive tanto acesso ao celular de outra pessoa. Nem ao dos meus amigos. Nem mesmo ao de Magnus. Tem certas coisas que não se compartilha. 
Isso é totalmente surreal. E emocionante. E um pouco angustiante. Tudo ao mesmo tempo. 

Confesso que tinha um receio de reler este livro por motivos de 1) li tem quase 5 anos, e 2) depois que se muda algumas filosofias de vida (como o feminismo), diversos livros ganham nova visão e é provável que essa nova experiência de leitura seja... ruim. Estaria eu preparada para deixar minha Sophie ir? Ou melhor, estragar minha visão da autora? Posso dizer agora que: não se preocupem, não só continua MARAVILHOSA, quanto minha admiração subiu mais uns degraus e marquei ainda mais cenas do que já tinha marcado #totalwin

Sophie entrega mais que uma história apaixonante, ela OUSA, ela quebra barreiras, e chuta na cara de quem fala que chick-lit é uma narrativa fácil ou rasa. Bem, tudo depende da abordagem, né? Apesar de apresentar situações que encaixam fácil no estilo, a maneira com que Sophie nos induz faz toda a diferença. Em Fiquei com seu número então, tem inúmeras razões que confirmam isso. Diria até que é a marca da autora dar essa rasteira nos desconfiados e/ou haters.
Não.
 Não não não não não.
 :( Não faz isso.
 Você não pode.


Arrisco dizer ainda que os melhores “e se?” se encontram também nesta leitura. São situações absurdas e totalmente plausíveis. Não tem nada que te faça ficar “hmmmm, não me parece possível” ou “aham, colega”. São fatos que seguram nossa atenção do começo ao fim em um mega deleite do chamado “romance slow burn” – aquele que queima devagar e de maneira progressiva.
E não quero soltar. Não quero que isso termine. Embora eu esteja tropeçando e com frio e no meio do nada. Estamos num lugar onde jamais nos encontraremos de novo.

Além daquele lance de ver/ler coisas que não tinha percebido na primeira leitura, outra coisa super interessante sobre reler livros é o quanto de informações que a nossa mente apaga! Costumamos nos agarrar a algumas coisas, e esquecemos totalmente outras, tão marcantes quanto, e é isso que faz ser uma experiência tão impressionante. Não achei que seria possível amar muito mais a Kinsella <3

Nem preciso dizer o que foi reviver minhas cenas preferidas, né? A cena da Poppy enrolando os japoneses, a cena do sabão na janela, as NOTAS DE RODAPÉ, as palavras-cruzadas, o BOSQUE... FEELS EVERYWHERE. Não duvido que serão, em sua maioria, as mesmas das de vocês ^^ entendedores entenderão e não, não é spoiler!
Não há resposta, mas não ligo. É catártico apenas digitar.

Enfim, é uma leitura gostosa, alucinante, mil e umas reviravoltas aloucadas, apaixonante, genial, irresistível... I N C R Í V E L. Procura uma leitura contemporânea bem fresh? De cair o queixo e lhe faltar o ar pelas gargalhadas? Com conspiração, mistérios e armações? Mulheres em busca de sua independência? Com muita tragicomédia e amor? Pois se prepare pra vomitar arco-íris e ao mesmo tempo nadar neles. Leve Fiquei com seu número a g o r a <3 E se já leu, vale ler de novo!

Se recomendo?! Minha vontade é de sentar o dedo na letra i e não soltá-lo nunca mais: recomendadíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimo!
50. Antiético é o mesmo que desonesto? Esse é o tipo de debate moral sobre o qual eu poderia ter perguntado a Antony. Em circunstâncias diferentes.

Até a próxima!

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domingo, 25 de junho de 2017

#Indicação: “Os 12 Signos de Valentina” (@Rayctjay)

Por Kleris: A gente diz que não é de acreditar em signos, mas lá e cá somos capturados por tais perfis tão convincentes – né, non?

Isadora tinha certeza de que Lucas era o homem da sua vida. Até não ser mais. Um belo dia, durante o próprio aniversário, ela descobre da pior forma possível que ele a vinha traindo com a sua amiga da faculdade. Antes de qualquer conclusão, algumas certezas: seis anos jogados no lixo e um coração em milhões de pedaços.

O fundo do poço não tem fim para a até então espirituosa estudante de jornalismo, e ela se perde em filmes feitos para chorar, pizza e lembranças do maldito-amor. Tudo isso enquanto stalkeia diariamente o perfil do ex-namorado. A prima e melhor amiga, Marina, não se conforma e insiste em levá-la para uma night regada a bebida, boa música e caras interessantes, com o argumento de que “apenas um novo amor pode curar um coração partido”.

Não dá certo. Mas a menina recebe valiosos conselhos de uma exotérica funcionária da balada e descobre porque o seu relacionamento acabou: astrologia. Ela, ariana, o ex, pisciano, os dois juntos? Inferno astral. Bingo! A resposta para todos os seus problemas – ela só precisa encontrar o libriano perfeito e ser feliz para sempre.

Porém, agora Isadora não está mais tão interessada em procurar um grande amor, mas sim em tentar entender mais sobre o zodíaco, decidindo fazer dele o seu trabalho final da matéria Jornalismo Online e criando assim “Os 12 Signos de Valentina”, um blog escrito sob um pseudônimo e com apenas um objetivo: relatar as experiências amorosas que ela decide ter com cada um dos 12 signos.

É óbvio que as coisas saem do controle, o blog vira uma febre da noite para o dia e Isadora encontra dificuldades em preservar a sua identidade dos fãs, dos amigos malucos e dos garotos com quem está se envolvendo. Valentina toma conta da sua vida e a transforma de “chifruda deprimida que não sai de casa” em “caçadora expert na arte da sedução”, mostrando para Isadora que ela pode sim se divertir sozinha, E MUITO, e que ela sempre teve valor. As duas só não contavam com o óbvio: se apaixonar.

Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?


Original do wattpad (agora disponível apenas para degustação), a ficção brasileira Os 12 signos de Valentina foi publicada pela Editora Galera. Com ares de tragicomédia umtombointeiroportragicomédias e escrita despretensiosa, Ray Tavares tem tudo para te conquistar de pronto. Quem mal espiei o livro e já curti pacas?

Espie o primeiro capítulo aqui
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PRÉ-VENDA aqui
Outras histórias publicadas (wattpad) aqui

E se você é do Rio, Curitiba ou Belo Horizonte, não deixe de passar no lançamento da Ray <3

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de sua cidade

Sucesso, Ray <3
Até a próxima!

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Resenha: “Younger” (Pamela Redmond Satran)

Tradução de Ana Paula Costa
Por Kleris: Desde que soube que Younger, a série, era baseada em um livro, fiquei enamorando-o para ler. Mas fiz um acordo comigo mesma: iria separar impressões da série e livro, para uma melhor experiência. Imaginei que em algum tempo da leitura isso viria por água abaixo, pois já tinha assistido duas temporadas da série, e me veio à mente a lembrança da experiência de leitura de Pretty Little Liars (que não engatei mesmo por tantos conflitos de referências, entre o livro e a série). Colocando a carroça na frente dos bois, digo logo: deu certo.

Em Younger, Alice é uma quarentona recém-divorciada que nasceu virada pra lua – não que ela acredite muito nisso, embora tenha uma quedinha por misticismos: ela chegou na casa dos 4.0 aparentando ter menos de 3.0. Após o divórcio, a morte da mãe e a distância da filha (que está em um intercâmbio na África), ela quer reaver sua vida, recomeçar. Em clima de ano novo, ela sai da sua zona de conforto, que é o subúrbio de Nova Jersey, para a badalada e instigante Nova York.

Vez que Alice tem esse presente da natureza de parecer mais nova do que é, ela e sua bestie Maggie inventam, de brincadeira, um extreme makeover para rejuvenescer. A brincadeira dá tão certo que Alice adota para recomeçar a vida. Além de um trabalho na editora de que é super fã, ela arruma um namorado para balançar suas estruturas. Mas o peso das experiências lhe assombram e as mentiras, que não são poucas, arriscam lhe sufocar. Alice tem apenas um desejo: ser jovem e viver o que há para ser vivido, sem ter sua idade como empecilho. 
— Isso é ultrajante.
— Por que é ultrajante? Foi você mesma quem disse que desejava ser mais jovem. Você tem que arrumar um emprego, queira você ou não.
— Eu quero – assegurei a ela.  — Ok, então. Será mais fácil achar um sendo uma mulher de 28 do que uma de 44 anos.
— Não gosto de mentir – confessei. — Posso estar usando roupas apertadas e quilos de maquiagem, mas sou eu mesma. Por que tenho que ter uma idade específica?
— Exatamente – disse Maggie. — Por que você tem que dizer que tem 44 ou 28 ou sei lá que idade? Você não precisa dizer a verdade nem mentir.
 

Younger é um chick-lit que explora um pouco de tudo do gênero: independência da mulher, questões de imagem e idade, malabarismos femininos, jornada de trabalho, exigências sociais, problemas amorosos, sexo, feminismo, etc. Em termos mais específicos, acho que seria um Single City Girl Lit misturado com General Mom Lit:
Single city girl lit, ou literatura das garotas solteiras na cidade grande, é um gênero que envolve: encontros, paqueras, amigos, trabalho, drinks e apartamentos apertados divididos com pessoas legais-estranhas-bizzaras-divertidas. A principal característica é se passar numa grande cidade, geralmente Nova York ou Londres.  
Ex: Sex and the City, Temporada de Caça: aberta, Confissões de uma Ex, Delírios de Consumo de Becky Bloom, A Rainha da Fofoca.

Mom Lit, algo como literatura da mamãe, é um subgênero do chicklit cujas histórias têm a temática voltada para a maternidade, gravidez ou sobre a criação dos pequenos. Normalmente, estes livros tratam desta temática de forma bem humorada, revelando a loucura que pode ser a maternidade. Mom Lit pode ser subdividido em três outras categorias, determinadas pelo período que a mãe está passando durante a narrativa – pregnancy lit, baby lit e general mom lit. (Fonte: Blog Lost in Chick-lit) 

Apesar de intrigante, Pamela nos entrega uma história bem sóbria – sem grandes reviravoltas, sem melodramas, deslumbramentos ou mesmo um forte humor trágico (clássico do gênero). As coisas apenas... acontecem. Experiências, maternidade, descobertas, encontro de gerações. 
— Só acho que deve ser mais agressiva e fazer o que você quer, desde o início – disse ela, olhando para o teto. — Como você vai se transformar em uma pessoa inteiramente nova se continua agindo como a antiga você?

Nessa pegada realista, achei bacana que a autora se manteve centrada, não se detendo a explorar mais que o necessário de algumas questões – como o trabalho ou resgatar questões do passado. Por outro lado, pensando bem, seus personagens caem fácil no maniqueísmo, em que ou temos pessoas ótemas ou pessoas saco, e basicamente isso. Senti falta de um algo mais em cena. Talvez por ser um livro pensado para ser único, não haveria como explorar tanto entre um agito e outro.

É uma leitura razoável e rápida com uma trama interessante de se acompanhar, ideal para aqueles momentos em que só se quer uma leiturinha para passar o tempo; você sai com um sorrisinho de canto pelo crescimento da história. De escrita ágil e serena, a história é fechadinha. Pontua bem sobre a juventude ser um estado de espírito e como nós mulheres podemos mais que dobrar nossas jornadas de vida.



Quanto à série, vejo que de fato o livro só deu o pontapé, pois no seriado há bastante espaço para desenvolver os conflitos e personas (e muitos causos do mercado editorial!). As inserções, inclusive, dão um ar mais magnífico pra história. Não houve mudanças drásticas, nem ficou um ar de fanfic do original. É uma excelente adaptação!

Enquanto que no livro a protagonista é uma personagem mais maternal que sugere empatia e compaixão, gosta de pratos limpos e poucos agitos, na série, ela é muito mais ousada, sagaz e de espírito aprendiz. Acho que só o Thad foi feito para ser odiado nas duas versões.

Se você, como eu, fez o caminho inverso de começar pela série, com certeza esse fator do algo muito conhecido vai te guiar por diversas cenas, tornando tudo mais cinematográfico, mas nada que resulte em um conflito de referências entre as mídias da história. 
— A propósito, me chamo Lindsey.
— Alice.
— Ah – disse ela. — Como a Munro. Ou a Walker.
Eu poderia ter dado um beijo nela.
— Todo mundo diz como a de No País das Maravilhas – falei para ela.
— Eu não sou todo mundo – concluiu ela. — Mas ainda serei seu Coelho Branco.

Até a próxima!

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Resenha: “No mundo da Luna – A entrevista” (Carina Rissi)

Por Kleris: A entrevista é um mimo da Carina para os leitores – inclusive, disponível GRATUITAMENTE na Amazon (aqui). Originalmente, era um trecho do livro No mundo da Luna (resenha aqui), porém, como o livro estava muito longo, ele precisou ser cortado. Mas era um material bom demais para ser assim, descartado. 
A entrevista de emprego é uma das minhas cenas favoritas – uma das mais divertidas – , e é com imenso prazer que agora eu a divido com você.
Carina Rissi.

Basicamente, A entrevista é um close da história antes de todo o rolo da trama principal acontecer. É quase um headcanon, na verdade: uma parte da história que foi mencionado por cima na linha de tempo oficial (canon) e que momentaneamente é descrita para esclarecer como dado fato aconteceu; ou seja, um trecho que só fica na cabeça/imaginação (head) – geralmente de fãs, porque a história passa direto sobre ele. Enfim, você pode encarar até como conto-prólogo, já que daqui muita coisa define bases para o romance da Carina.

Luna é uma jornalista recém-formada que está em busca de ação na sua profissão – ou pelo menos tentando pagar as contas e viver mais confortavelmente. Ela divide um minúsculo apê com Sabrina, sua melhor amiga, e, como a clássica heroína de chick-lits, Luna é aquela personagem que está tentando crescer na vida em meio às sagas do dia a dia. Ao procurar por uma oportunidade, Luna se depara com uma vaga de emprego na revista Fatos & Furos e a chance de trabalhar com seu ídolo do jornalismo, Dante Montini. Para isso, ela só precisa passar na entrevista. 
Por favor, Deus, me ajude a me sair bem nessa entrevista. Isso pode mudar a minha vida!
Eu me levantei. Sabrina, ainda adormecida, rolou no colchão, se esticando toda, como uma estrela-do-mar. Uma perna escapou para fora da cama e atingiu meu joelho.
Tá legal, Deus, nem precisa ser uma mudança muito grande. Um apê com dois quartos já está de bom tamanho.

O conto é curto e mostra toda a garra de Carina Rissi de nos envolver em situações desastrosas. Luna é essa pessoa que não consegue respirar sem algo repercutir ao seu redor e causar algo catastrófico. É fácil se identificar com sua ansiedade medonha, seu deslumbramento e coração esperançoso. Apesar de cair facilmente na lei de Murphy, Luna não perde a fé de que vai sair do buraco – embora muito demonstre o contrário e se jogue na sofrência. 
Meu primeiro crachá. Ai, meu Deus!Tomei o elevador, ainda fascinada com o pequeno retângulo de plástico. Aquele seria o primeiro de muitos. Tinha que ser. Será que eu podia ficar com ele quando fosse embora? 
Tentei não parecer uma boboca deslumbrada e evitei ficar olhando para todo lado. Não queria parecer uma criança que acaba de entrar na Disneylândia e... Ah, meu Deus, aquele ali é o Murilo Velasques? Eu sou muito fã desse cara!
Ok. Foco, Luna!

Ainda não li o livro No mundo da Luna, mas com certeza fui fisgada por esse conto. É possível ler sim sem ter conhecido o livro anterior, vez que a Carina não entrega demais nem de menos. Acho que para quem, como eu, não leu o livro principal, leva o conto como uma prévia do que vem aí; já quem fez sua leitura do romance, leva as situações como um bônus ou curiosidade. 
Li uma vez que Steve Jobs, o fundador da Apple, ficava nervoso em palestras, por isso segurava um clipe de papel entre os dedos enquanto falava no microfone. Isso o ajudava a encontrar o equilíbrio e a serenidade necessários. Se nem o Steve Jobs sabia como se comportar no ambiente de trabalho, quem saberia então? O sobrenome do cara era trabalho!

Recomendadísssimo para você que está procurando uma tragicomédia, algo leve ou breve. É a Carina Rissi, bebê :) 
E havia algo mais no ar. Uma sensação nova, um arrepio diferente, que me fez sentir cócegas na boca do estômago.
— Acho que algo maravilhoso está prestes a acontecer, Sá. 


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Resenha: “Esposa 22” (Melanie Gideon)


Por Kleris: Home, sweet home! Nada como voltar a um chick-lit depois de tantas outras andanças pelo meio literário. Acho que fazia mais de ano que eu não lia um e a sensação foi essa, de volta em casa. E mais, Melanie, que estava na minha estante fazia uns dois anos à espera de uma viagem, com certeza me deixou com essa pulga atrás da orelha: POR QUE EU NÃO LI ANTES? Me lembrou Cecelia Ahern nesse sentido (aqui).

Alice Buckle é uma mulher bem casada com William e tem dois filhos. A vida parece ir muito bem, muito cotidiana, até que uma e outra crise querem fisgar a família. Nessa rotina de preocupações usuais surge uma pesquisa aleatória, um spam, no e-mail dela, uma pesquisa sobre casamento e ela decide ser uma correspondente. É assim que conhecemos verdadeiramente a vida de Alice (com perfil anônimo de Esposa 22), nas respostas que ela cede ao Pesquisador 101. 
1. Quarenta e três, não, quarenta e quatro.
2. Tédio.
3. Uma vez por semana.
4. De satisfatório a melhor que a maioria.
5. Ostras.
6. Há três anos.
7. Às vezes digo a ele que está roncando quando não está para ele ir dormir no quarto de hóspedes e eu ter a cama inteira só pra mim. 

O engraçado é que não temos acesso às perguntas, só às respostas, então você entra na história tentando adivinhar do que ela tá falando, ao mesmo tempo em que acompanha as altas descrições de Alice. Ela é professora de artes cênicas em uma escola e já esteve por trás da escrita de outras peças, então escrever cenas é com ela, mesmo que seja para um completo estranho. Assim como captura o Pesquisador 101, Alice nos prende em sua história de vida, seus hábitos e dramas pessoais e familiares.


(preferível mostrar a página que copiar uma cena inteira e, de quebra, mostrar como são os capítulos - clique em cima para melhor visualização)

Mas o livro não coloca só conversações diretas entre e-mails. Nessa comédia de costumes, Melanie une rotina e hábitos das redes sociais de um modo muito natural que fica impossível de largar o livro, pois ela consegue se equilibrar bem na narrativa. É, assim, multimídia, como diz a capa com citação de The Washington Post.


(clique em cima para melhor visualização)

Há muitos rolos e desenroladas nessa trama e achei bem impressionante como Melanie consegue concatenar e conciliar tudo em deliciosas e misteriosas 400 páginas. Isso porque Alice pode ser um pouco transloucada, ela tenta resolver os problemas antes que fiquem bem maiores, mas sua família e amigos têm outra ideia sobre o que são reais problemas.

Às vezes pode ser muito para uma matriarca, às vezes muita coisa pode passar por debaixo de seus narizes e aí que mora o perigo. Melanie mostra que até o mais perfeito-imperfeito-perfeito casal pode ter suas dúvidas e crises e às suas maneiras tentam dar um jeito nisso. Mistérios então, não faltam para embaralhar a cabeça dessa Esposa 22, que, por vez, pode estar se envolvendo demais com um tal Pesquisador 101. 
O que eu posso fazer?
Pode me dizer seu nome.
Não posso.
Imagino que você tenha um tipo de nome antiquado. Como Charles ou James. Ou talvez algo mais moderno, como Walker.
Você percebe que tudo muda quando sabemos os nomes uns dos outros. É fácil revelar o nosso eu verdadeiro a estranhos. Muito mais difícil é revelar essas verdades para quem a gente conhece.

Gostei bastante como a autora partiu de um momento tão crucial da história e trouxe mais quinhentos nesses entrelaces de cotidiano real e cotidiano virtual. Essa ideia de como ambas as esferas podem coexistir, e às vezes prejudicar nossa convivência e comunicação, é uma boa jogada nesse romance. Com uma escrita bem leve, clean e simples, a autora mostra que nem sempre é preciso absurdos ou tramas extraordinárias para apresentar uma boa história interessante e engraçada. Bateu até feelings de Martha Medeiros.
Isso é fácil. Muito fácil. Quem diria que a confissão poderia poderia trazer tamanha descarga de dopamina?

Entre mistérios, loucuras e costumes, Esposa 22 mostra ser uma verdadeira pegadinha para os leitores. Mais que mera comédia e mais que mera história de família, há ganchos e há grandes reviravoltas à espreita para surpreender. Quando você acha que vai ser clichê, a Melanie vai lá e te arrasa, simples assim. Já quero conhecer outros trabalhos dessa moça! 

Adorei a capa, guarda bem os mistérios que envolvem a trama. Quanto à edição e os momentos virtuais, ficaram todos bem apresentados dentre os curtos capítulos. Tem surpresinha também ao final, uma que vai fazer você praticamente voltar ao início e começar tudo de novo.

Preparem as etiquetas adesivas e o coração, porque esse, ah, esse é pra se encher de amor <3
Você está em guerra?  Possivelmente.
Como alguém pode estar em guerra “possivelmente”? Não seria óbvio?
A guerra nem sempre é óbvia, ainda mais quando a pessoa está em guerra consigo mesma.
Que tipo de guerra a pessoa normalmente trava consigo mesma?
Uma guerra em que um lado da pessoa acha que ela está cruzando uma linha e o outro acha que essa linha está pedindo para ser cruzada.
Pesquisador 101? Está me chamando de pedinte?
De jeito nenhum, Esposa 22.
Bem, então está me chamando de linha?
Talvez.
Uma linha que você está pisando?
Basta me mandar parar.
Esposa 22? 


Até a próxima!

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Ana Liberato