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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Resenha: “Querido Dane-se” (Kéfera Buchmann)


Por Kleris: A gente tenta não ter nenhuma expectativa, mas ler uma ficção da Kéfera é algo bem curioso. Ela já havia mostrado um pouco da sua escrita espevitada no primeiro livro (reveja resenha aqui), o que não apareceu muito no segundo (reveja resenha aqui), e neste Kéfera surpreendeu. 
— Você tem muito ódio no seu coraçãozinho, né?
JURA? SÉRIO MESMO? Gênia. Deveria ganhar um prêmio pela constatação.

Sara não está no seu melhor da vida quanto queria – aliás, para ela o tempo está correndo muito depressa, com prazos por ela determinados prestes a expirar sem “conquista” alguma – no caso, chegar aos 30 sem um relacionamento ou emprego estável. 

Pra piorar, seu namorado termina com ela do nada e assume outra garota, que basicamente é a nova cliente de Sara, uma socialite para a qual ela que vai produzir roupas exclusivas. É nessa bagunça toda que Sara tenta focar na oportunidade de trabalho, seguir em frente sem estragar tudo e ainda tratar do seu déficit de atenção.
Querido diário,
FODEU.
Minha terapeuta quer ler meu diário.


Uma boa sacada do livro é sua narração. Kéfera nos apresenta a história como um diário, onde a personagem escreve coisas que ela deve reconhecer como positivas e negativas, proposta de sua terapeuta, o que acaba por virar uma jornada de autoconhecimento – daquelas com muitas resistências no início, muitas reviravoltas de recheio e grandes escolhas pelo caminho. 

Sara, como muitas pessoas, é uma pessoa de percepção frágil, que se entrega muito às expectativas irreais. Por conta disso, decepciona-se muito. Mas está lá, tentando mais uma vez, mesmo que isso envolva se meter nas mais loucas (e perigosas) situações, mesmo que dê uns closes errado bem errados. Quem equilibra essas doidices é sua amiga Denise, quem tá “na guerra” pra tudo. 

— Não. Se apaixonar é ótimo. Só lembra de não colocar todas as suas expectativas nesse cara! Você tem que conseguir ser feliz mesmo que as coisas não deem certo com ele também.
— Denise, para de querer cortar minha vibe! Você viu como o Tiago me trata, não viu? ele é superamoroso. Some de vez em quando, mas faz parte do jogo.
— Tá, pode ser. Mas lembra o que eu sempre digo? Para ser um bom par, você precisa saber ser um bom ímpar. Então, quando ele sumir, você tem que saber ficar bem consigo mesma. É isso que eu estou tentando...

Em uma primeira impressão, o livro é bem clichê e não traz nada muito novo no meio literário contemporâneo – é como a primeira temporada de Crazy Ex-Girlfriend, misturado com filmes brasileiros babacas (como aquele S.O.S. Mulheres ao Mar), umas romantizações e ganas dos anos 90 (em que mulheres precisam ou definem quem são por ter um homem ao lado), e umas tiradas meio #fail. Mas esse ar tragicômico exagerado é apenas um pano de fundo que vai tirar nossa personagem das órbitas e, durante sua jornada, perceber o que é preciso fazer pelo seu final feliz. 
— Peraí. Se você é frustrado, o problema é seu. Não vem querer dizer que meus sonhos são impossíveis.

Esse ponto de quebrar os tais ideais limitantes que torna o livro interessante. Aliás, passei o livro inteiro torcendo por isso! Queria que Sara não tivesse a Gio (a socialite), como inimiga e sim contasse a verdade sobre o pilantra que só queria tirar vantagem delas #sororidade Queria que a Sara se libertasse dessas noias que diminuem e prendem as mulheres por anos a fio e queria que ela não se contentasse com um amor meio bosta (ou com qualquer coisa mais) #yougogirl Nesse sentido, o livro traz sim algo bom, algo novo, algo verdadeiro, e acho ótimo que isso seja reverberado pela audiência que acompanha a autora. 
Essa pergunta ainda me assombra. Tenho procurado muito de mim por aí.

É um livro curto, super rápido e bem gostosinho de ler, excelente para aqueles momentos de pausa ou quando a gente tá querendo pegar o ritmo de leitura após uma ressaca. Não pense que por ser a Kéfera a autora, é um livro ruim ou sem conteúdo – dê tchau a esse preconceito. Muito pelo contrário, foi uma boa estreia da autora na ficção.

Recomendo!
Até a próxima o/


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quarta-feira, 1 de março de 2017

Resenha: “Tá Gravando. E agora?” (Kéfera Buchmann)


Por Kleris: Em Muito mais que 5inco minutos (reveja resenha aqui), Kéfera nos contou tragicomédias de sua vida que a levaram ao canal; em Tá Gravando. E agora?, ela conta sobre a experiência do canal 5inco minutos, justo para quem tem interesse em começar algo do tipo. Sabe quando um projeto dá muito certo e os fãs pedem dicas? É este livro.

Tá Gravando. E agora? fala bastidores do canal, fatos e dados, para nortear principiantes. No caso de Kéfera, foi tudo muito intuitivo, atropelado até, mas seguindo um caminho comum de quem começa algo novo (semelhante ao que falei aqui: apostar no novo). Trata-se de escolhas, autoconhecimento, compromisso e riscos. E por isso mesmo as razões certas contrapostas às erradas – como quem começa um projeto já pensando no sucesso, fama e etc. Expectativas é algo que se não souber equilibrar, pode matar antes mesmo de dar partida naquela ideia legal. 
Conteúdos bombam quando geram IDENTIFICAÇÃO. E na internet você vai ter certeza se agradou mesmo. As palmas no teatro podem ser por educação, mas na internet serão sempre verdadeiras. Se quer produzir conteúdo, faça com TESÃO. Não pra ser aplaudido, mas para se sentir realizado.


Apostar no novo também é desafiador. Só porque você está se expondo, não quer dizer que tem de expor tudo, tampouco dar entrada para pessoas aleatórias perguntarem coisas demais. Você tem que equilibrar esse controle, mediar sua relação com público/audiência. Sabe, levar a brincadeira mais a sério, ter que assumir os limites, seus e de sua proposta. 
Mas saiba que você vai assumir um relacionamento com seus seguidores. Como um namoro (dos bem ciumentos). [...] Será cobrança atrás de cobrança. A internet é doida! [...] É normal descontarmos parte de nossas carências em alguém que admiramos. É uma forma de fugirmos dos nossos problemas. Criamos outro foco – mesmo que esse foco seja a VIDA de outra pessoa.


Isso geralmente leva o creator a momentos de dúvidas, incertezas e bads. É completamente normal! Faz parte do pacote de ser criador de algo. Só temos de aprender a maneirar mais a autocrítica – na prática. Avaliar sobre o que estamos agregando a nós mesmos e aos outros pode ser uma luz nesse túnel.


O livro é um pacote Kéfera sobre fenômenos do Youtube. Me pareceu que ela pegou a câmera e saiu filmando o quarto, mostrando como tudo aconteceu, partes boas e não tão boas. Ou um vídeo FAQ (perguntas mais frequentes). Um tanto interativo, Kéfera, ao seu jeito espevitado, troca em miúdos o seu trabalho digital.




Além de relatos propriamente sobre vídeos, o livro entremeia depoimentos de fãs, opiniões sobre como o canal agregou algo bom em suas vidas, fez uma diferença. O canal pode não agradar muitos, e por isso mesmo ser polêmico vez que é um fenômeno que move milhões, porém, ele cumpre um papel que poucos, até então, conseguiram desempenhar. Ele abriu mil e umas oportunidades que Kéfera tinha como objetivo.

Diferente do primeiro livro, Tá Gravando. E agora? não é um livro para rir de histórias descabidas, é para dar um primeiro passo mais seguro ao colocar uma ideia em prática. É um pé nas nuvens e outro no chão e a iniciativa de “ok, agora vai”. Como na resenha passada, repito aqui o Chandler: inadequado para adultos – parte 2. 


O que uma criança vê pode, sim, influenciar no seu comportamento. Mas, se os pais derem conta do recado, ela não absorverá nada que não seja certo. Hoje é comum os pais jogarem a responsabilidade da criação dos filhos nas pessoas da internet. O que precisa ser entendido pelos pais é que somos produtores de entretenimento. Nós, youtubers, postamos vídeos com a função de sobretudo entreter e divertir quem assiste. Nenhum de nós está na internet com o objetivo de ser responsável pela nova leva de adolescente que chegaram ao mundo.


Até a próxima!

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Resenha: “Muito Mais que 5inco Minutos” (Kéfera Buchmann)

Por Kleris: Após Bienal do Livro de 2015, se você não sabe quem é Kéfera, atualize-se e rápido. Ao contrário de críticas e polêmicas, Buchmann representou e muito no maior evento literário do país, reconheçamos. Quantos não leitores você já trouxe para a leitura só esse ano? Pois é, duvido chegar na marca dela.

Como foi comentado nesta matéria, sucessos do youtube são sucessos por alguma razão e mostrar a história dessas pessoas é como qualquer outra: ela está lá, independente do que é capturado pela câmera e do gosto geral das pessoas. Todos temos uma história – no caso de Kéfera, coloque aí uns causos. Mas deixemos essas questões de fenômenos de lado.

Em Muito Mais que 5inco Minutos temos um retrato do espírito zombeteiro e zoeira que é Kéfera. Ê menina peidada da cabeça! De ponta a ponta, o livro traz uma porção de causos, daqueles que todo mundo meio que coleciona na vida (inevitavelmente) – e diz que vai escrever em um livro – e, por ser tão comum, é fácil se identificar: ser criança, ser (ou não) criativo, ir pra escola e lá passar basicamente os piores momentos da sua vida, ficar perdido, ter inúmeras dúvidas, aprender no erro e etc, etc.

Não conheci Kéfera há muito tempo, e, como todo mundo, só aquelas histórias que ela conta em 5inco minutinhos. Toda aquela confiança, esperteza, loucura, hiperatividade, imaginava eu ser algo que fazia parte dela há muitos anos... E não, não é bem assim – e quando se trata de primeiras impressões, não é bem assim com quase ninguém. Nos cinco minutinhos que aqui se prolongam, Kéfera traz pontos comuns da vida jovem e não é tão nonsense quanto se costuma pensar. Na verdade, há muitos alertas e dicas, daqueles que gostaríamos de saber quando éramos crianças sem perspectivas. 
Não estou dizendo que a escola é uma coisa inútil. Muito pelo contrário. Lá você vai aprender lições importantes até mesmo para construção do seu caráter e da sua personalidade. Também pode, quem sabe, descobrir qual a sua vocação :) 
Lógico, tudo tem limites e, caso um dia esteja sendo julgada em um tribunal (o que não é exatamente o que espero pra mim, mas enfim...), não serei louca de mandar a juíza tomar lá naquele lugar. Acho que ninguém seria louco a esse ponto (pensando bem, algumas pessoas, não sei não...), mas o exemplo extremo é para deixar bem clara a diferença entre agir com originalidade e fazer a mesma coisa abandonando o bom senso.
Direta e indiretamente, ela faz colocações sobre os temas com que mais tem a ver, guardando sempre essa vibe transloucada, e ainda assim, consciente – e isso tanto para os assuntos sérios quanto para os menos sérios. Com certeza você encontra umas situações bem cotidianas, outras razoáveis, umas alarmantes e umas bem HAHAHA MEU DEUS, KÉFERA (vide últimos capítulos – ATENÇÃO NA PÁGINA 132).

Enfim, tem muita besteira, e besteira da boa, rondando basicamente dos 5 aos 20 anos da moça, antes de seu estrelato. A gente já acredita que a vida é uma saga, mas Kéfera, ela mostra como alguns clichês permanecem vivos por aí – e lascando com todo mundo. Buchmann agora é desinibida, então acho que há sempre a esperança de uma reviravolta por aí. Ninguém precisa ser sempre uma extraordinária, peculiar e super heroína pra uma grande realização. 
Não demorou muito para o pessoal da minha classe me escolher como objeto de zoeira. E em pouco tempo eu já odiava a escola inteira e vice-versa. Sempre fui o tipo de garota que atrai treta. Talvez fosse porque eu fazia muita besteira.
A edição também não fica atrás. Já conhecia o primor da Paralela e mais uma vez fizeram um ótimo trabalho – tem Vilma pra todo mundo! Mara para o fandom, mara para o jovem leitor. Vocês nem vão sentir o quanto as páginas vão passar rápido.




(clique em cima para melhor visualização)
Kéfera, com certeza, é produto do seu enorme talento e da capacidade inesgotável de criar. Sempre focada nas pessoas, em emoções, na ressonância de sua comunicação inteligente, dinâmica e atual, que tão bem reflete o estilo de ação no mundo da internet. (Prefácio fofo)

 
(clique em cima para melhor visualização)

E para os costumeiros haters - haters gonna hate, a melhor expressão para esse livro é aquela que o Chandler (Friends) fala em uma peça publicitária quando tenta vender um tênis/patins (S09xE15): Inadequado para adultos. Ou seja, se você não é um jovem dessa era de conteúdo, não vai curtir tanto quanto um.
  
P.S.: Vale MUITO esse vídeo sobre livros de youtubers e preconceitos envolvidos, do Cabine Literária.


Se já leu ou tem interesse, fala aí nos comentários o que você acha :) VLW, FLW.

Até a próxima! 




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Ana Liberato