segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resenha: "A Incendiária" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.
Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Por Sheila: Oi pessoas!!!! Vários pontos de exclamação por que eu sempre fico super, hiper, ultra MEGA empolgada quando o assunto é Stephen King. Juntamos o querido King com a Suma (sua linda!) + edição em capa dura + relançamento de livro esgotado e o que acontece? Eu SURTO, obviamente.

Lançado em 1980, estava esgotado há vários anos, e era um dos pedidos constantes de inclusão na Biblioteca Stephen King - Inclusive por mim! E a nossa querida Suma, mais uma vez, conseguiu se superar na escolha e no capricho!

Para quem ainda não leu, vamos ao livro: no melhor estilo sci-fi, King irá nos apresentar aos jovens Andy e Vicky McGee, que foram usados em uma experiência secreta ainda adolescentes. Enquanto Andy consegue "empurrar" as pessoas e levá-las a pensar o que ele deseja, sua filha Charlene (Charlie) herda os genes modificados dos pais e parece ter poderes muito mais proeminentes. Enquanto Andy fica esgotado ao usar seus poderes, Charlie consegue fazê-lo sem nenhum efeito colateral.

Andy pegou a carteira, que tinha só uma nota de um dólar. Agradeceu a Deus por não ser um daqueles táxis com divisória à prova de balas, que não permitia contato entre passageiro e motorista, exceto por uma abertura para o dinheiro. Contato direto sempre facilitava o impulso. Nunca conseguiu descobrir se eraalgo psicológico ou não, e agora não importava.
— Vou dar a você quinhentos dólares — informou Andy, baixinho —, para você levar a minha filha e eu até Albany. Certo?
— Jeee-sus, moço… Andy colocou a nota na mão do taxista, e quando o sujeito olhou, Andy deu outro impulso… com força.
O motorista estava satisfeito. Não estava pensando na história enrolada do passageiro. Não estava questionando o que uma garotinha de sete anos estava fazendo visitando o pai por duas semanas em outubro, época de aulas. Não estava pensando no fato de que nenhum dos dois possuía bagagem . Não estava preocupado com nada. Ele tinha sido impulsionado. Agora, Andy pagaria o preço.

Acontece que os McGee nunca deixaram de ser vigiados pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora pessoas que apresentem qualquer tipo de poder especial. E assim, quando a pequena Charlie herda de seus pais a capacidade de produzir fogo, conhecida como pirocinesia, o casal faz de tudo para evitar que a mesma se exponha, ou exponha seus poderes especiais.

O início do livro é muito rápido, já começa com a fuga de pai e filha. Infelizmente, como Charlie tinha dificuldade em controlar seus poderes por causa de sua pouca idade, a Oficina descobriu seu dom, e tentou tirá-la de Andy e Vicky. Em meio a fuga, descobrimos que Vicky não os acompanha por que foi assassinada pela Oficina em sua tentativa de proteger a filha.

Papai, estou cansada — disse com agitação a garotinha de calça vermelha e blusa verde . — A gente não pode parar? — Ainda não, querida. Ele era um homem grande de ombros largos, vestindo um paletó de veludo gasto e puído e uma calça marrom de sarja. Ele e a garotinha estavam de mãos dadas, andando pela Terceira Avenida em Nova York. Caminhavam rápido, quase correndo. Ele olhou para trás, e o carro verde ainda estava lá, seguindo lentamente junto ao meio-fio. — Por favor, papai. Por favor. Ele olhou para ela e viu como seu rosto estava pálido. Havia círculos escuros embaixo dos olhos da menina. Ele a pegou no colo e a apoiou na dobra do braço, mas não sabia por quanto tempo conseguiria seguir assim. Também estava cansado , e Charlie não era mais tão leve. 

Um dos grandes antagonistas desta trama é o agente da Oficina, Rainbird, um indígena que persegue  a menina não pelos ideiais da organização que representa, mas por um motivo muito mais bizarro: Rainbird acredita que, ao matar Charlie, precisa olhar em seus olhos para receber uma grande revelação espiritual.

Adaptado para as telonas em 1984, chegou ao Brasil com o título Chamas da Vingança e tinha Drew Barrymore, ainda muito pequena, como Charlie e David Keith como Andy McGee, o pai. Infelizmente à época foi considerado um fracasso de bilheteria, mas ainda tenho a esperança de um remake.


Repleto de cenas de fuga desesperada, amizades desfeitas, dúvidas horrendas e muita ação nas mãos da pequena Charlie, que precisa usar seu dom para se defender, A Incendiária é um livro maravilhoso, que irá nos prender do início ao fim, não só por sua escrita, mas por nos fazer questionar a ética por trás da existência de diferenças que impactem a vida de outras pessoas.

Afinal, até onde podemos esperar que Charlie se torne uma pessoa "normal", ou que se torne uma incontrolável máquina de matar, incendiando tudo e todos em seu caminho? Teria tirado alguma vida se não tivesse sido tratada como um monstro? Seria seguro mantê-la em meio as ouras pessoas, sem poderes?

Um clássico obrigatório aos fãs de nosso querido King, e um trabalho mais que espetacular da nossa querida editora Suma, mais uma vez com capa dura em alto relevo, folhas amarelas, ótima revisão e diagramação que tornam a leitura um prazer. Recomendo!

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Resenha: "Pequenas Grandes Mentiras" (Liane Moriarty)

Tradução de Adalgisa Campos da Silva

Sinopse: Depois do sucesso de O Segredo do meu Marido, a autora australiana Liane Moriarty apresenta um livro ousado sobre as perigosas meias verdade que contamos a nós mesmos para sobreviver.

Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre.
Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou?
Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.
Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.
Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade.
Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida.
Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.

Fonte: Skoob

Por Stephanie: Eu já tinha ouvido falar bastante das obras de Liane Moriarty, principalmente de O Segredo do Meu Marido. Mas acabou que a oportunidade (e a vontade) de ler Pequenas Grandes Mentiras apareceu e eu decidi começar por esta que agora é sua obra mais famosa, graças à série Big Little Lies da HBO, que estreou em 2017.

Vou ser bem claro: isso não é um circo. É uma investigação de assassinato.

Desde o início da história já sabemos que um crime - mais precisamente, uma morte - aconteceu. Não sabemos quem e nem como ocorreu, mas aos poucos o mistério vai sendo desenrolado e a expectativa vai aumentando para sabermos logo tudo o que se passou na fatídica “Noite de Perguntas”.

Os capítulos são no passado, quase como uma contagem regressiva que vai diminuindo de acordo com o passar dos dias. O começo da história serve para nos situar nas vidas dos personagens principais e nos apresentar aos primeiros dramas da obra (que não são poucos). Adorei o fato de a história se passar em Sidney, em meio a praias e paisagens incríveis. Dá um ótimo contraste com todas as situações complicadas apresentadas no livro.

A narrativa de Pequenas Grandes Mentiras é em terceira pessoa, alternando os pontos de vista principalmente entre Celeste, Jane e Madeline. Gostei das três personagens mas minha favorita foi Madeline. Ela se mostrou uma excelente amiga, esposa e mãe, mesmo sendo um pouco impulsiva às vezes.

A obra aborda três principais assuntos: violência doméstica, abuso sexual e bullying. A forma com que esses temas vão se entrelaçando é muito bem feita e nos mantém curiosos para saber como tudo se resolverá no final, e claro que esse é o maior destaque da obra.

Porém, mesmo com a curiosidade a mil, achei o livro um tanto arrastado. Liane Moriarty passa muito tempo descrevendo dias comuns nas vidas de seus personagens, que muitas vezes soaram bem monótonos e desinteressantes pra mim. Acho que o livro poderia ter facilmente umas 80 páginas a menos, sem perder sua força ou sua mensagem principal.

A revelação final é muito boa. Apesar de eu ter desconfiado de tudo lá pelos 60% do livro, fiquei feliz de ter acontecido como eu imaginei. Passa uma mensagem de sororidade, de apoiar outras mulheres sempre, apesar das diferenças que possamos ter umas com as outras.E também faz refletir sobre a maldade do ser humano; se é algo que se nasce ou se aprende. Eu já sei no que acredito, mas vou deixar o suspense para que você tire sua conclusão sozinho.

A origem de todos os conflitos é o momento em que alguém se sente ofendido.

Já tive a oportunidade de assistir à série e gostei, apesar das diferenças de roteiro. O final é um pouco diferente no desenvolvimento, mas o resultado é idêntico e a mensagem principal também. Palmas para o elenco super competente e para a produção impecável, com certeza mereceu todos os prêmios que levou!

Essa e outras resenhas vocês encontram no meu blog, o Devaneios de Papel!

Até a próxima, pessoal!
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quinta-feira, 14 de junho de 2018

[Cineclube]: Sense8 - Episódio Final





Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.





Titulo: Sense8 -  Episódio Final
Data de lançamento (Brasil): 08 de junho de 2018
Diretor: Lana Wachowski
Elenco principal: Jamie Clayton, Max Riemelt, Miguel Ángel Sulvestre, Brian J. Smith, Bae Doona, Tina Desai, Tuppence Middleton, Toby Onwumere.
Gênero: Drama, ficção-cientifica.


Finalmente o grupo está reunido em um mesmo lugar, com exceção de Wolfgang que está preso nas instalações da OPB. Will e os outros precisam elaborar um plano audacioso para resgatar seu amigo e ao mesmo tempo impedir que os planos de Sussurros e da OPB sigam em frente, e destruam a eles e aos outros de sua espécie. É preciso então buscar a ajuda de aliados inesperados, antes que seja tarde demais.


Finalmente aconteceu o lançamento do episódio final da série Sense8 que conquistou milhares de fãs em todo mundo. Fui uma das muita pessoas arrasadas quando a série foi cancelada em 2017, após um final de temporada bombástico. Para muitos era inadmissível ficar sem um final para essa história que encantou a tantos, então uma campanha enorme nas redes sociais foi feitas e a Netflix decidiu lançar um último episódio dando as telespectadores a chance de ver mais um pouquinho do grupo que gostamos tanto e ter algumas respostas para questões que martelavam nossas cabeças: Será que Wolfgang vai sobreviver a OPB? Com quem Kala irá ficar no final? O que aconteceria com Sussurros e a OPB? Essas e outras questões foram realmente respondidas nesse episódio de 2:30 hs, que podia parecer longo, mas passou bem rápido.



Este episódio começou praticamente de onde a temporada acabou no ano passado. Com Wolfgang preso na OPB e resto do grupo conseguindo pegar Sussurros e Jonas. E com a missão de resgatar o amigo e de lidar com a OPB de uma vez por todas, acabando com a perseguição contra a especie dos homo sensorium. Com o tempo disponível, conseguiram criar um enredo interessante e completo, sem dar aquela sensação de correria, que muitas vezes acontece quando uma série deixa muita coisa pra última hora.

É claro que se houvesse uma terceira temporada completa como era idealizado, muito mais coisa teria sido explorado, principalmente em relação a história secundárias e outros personagens. Mas acredito que souberam dosar bem o que era importante ser colocado nesse episódio final. Alguns finais ficaram bem claros e em outros casos ficaram bem encaminhados, ou realmente abertos, mas nada que tenha deixado o telespectador preocupado. 


Um dos pontos altos da série sempre foi o elenco e a forma como as relações deles eram exploradas. E esse último episódio conseguiu manter isso. Há muitas cenas divertidas e aquelas que você logo pensa que só poderia acontecer em Sense8, onde não existem regras ou medo de fazer algo diferente. As cenas de luta estão ótimas, e a forma como a edição é feita, trocando os personagens,  continua espetacular. Já vi quem reclamasse da forma como os episódios são conduzidos,  em relação as tomadas longas, mostrando o grupo junto em cenas que podem não parecer tão necessárias. Mas talvez sejam as minhas cenas favoritas, porque são as que aproximam mais o telespectador dos personagens, e também são os momentos mais descontraídos e divertidos, e muitas vezes com uma alta carga emocional.




Quando me falaram que esse episódio final estava bem fan service, eu já imagina como tudo seria, mas mesmo tendo certeza de que ele vai agradar a esmagadora maioria dos fãs da série, ele também vai surpreender muita gente. Do jeito certo que uma despedida deveria ser. Você vai se emocionar, dar risadas, ficar ansioso e tudo mais que se espera em um desfecho. E passando a mensagem que sempre foi destacada na série: que todos são diferentes e que devemos aceitar as pessoas como elas são ou como nós realmente somos. E como já falei anteriormente, o episódio vai passar tão rápido que vocês nem vão sentir, aproveitem!







Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.



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                         E você, o que achou da coluna? Deixe seu comentário!


Até o próximo Cineclube!
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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Resenha: "Tempestade de Guerra - A Rainha Vermelha 4" (Victoria Aveyard)

Tradução: Cristian Clemente, Guilherme Miranda, Zé Oliboni e Lígia Azevedo


Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.
Por Sheila: E chegou ao fim! Foram três anos, quatro livros (mais os dois livros de contos) mais de 2000 páginas de torcida, sofrimento, angústia e lágrimas (não, titia Victoria não nos deu muitas alegrias, cada ganho veio acompanhado de uma grande perda), mas, enfim chegamos ao término da Saga A Rainha Vermelha.

Iniciado com livro que nomeia a Saga, já resenhado aqui pelo blog, teve como segundo volume Espada de Vidro e Prisão do Rei, finalizando agora com Tempestade de Guerra. E para quem gosta de evitar spoilers, talvez fosse bom parar por aqui e ler os livros anteriores primeiro.

Gentes! Eu terminei A Prisão do Rei com uma raiva, mas uma raivaaaaaaa do Cal! Ahhhhh que vontade de entrar no livro e dar umas boas de umas sacudidelas naquele menino! Como fiquei braba com aquele final! Trocar a Mare por uma coroa? Por poder? Como assim? Revolta me definia.

Tempestade de Guerra ajuda começando EXATAMENTE onde o último livro terminou: Cal reunido com o "Rei" de Rift para definir as próximas estratégias para a guerra de retomada de Norta, e Mare se afastando com Diana e tentando aguentar a dor de carregar um coração em pedaços.

FICAMOS EM SILÊNCIO POR UM LONGO MOMENTO. Corvium se estende à nossa frente, cheia de gente, mas parecendo vazia. Dividir e conquistar. As consequências estão claras, as linhas foram nitinitidamente desenhadas. Farley e Davidson me encaram com a mesma intensidade, e eu os encaro de volta. Imagino que Cal não tenha ideia, nem uma suspeita, de que a Guarda Escarlate e Montfort não têm a menor intenção de deixar que permaneça em qualquer trono que assumir. Imagino que se importa mais com a coroa do que com o que qualquer vermelho pensa. E imagino que não devo mais chamá-lo de Cal. Tiberias Calore. Rei Tiberias. Tiberias VII.

Só que, mais uma vez, Mare não tem tempo de parar para lamber suas feridas. Uma guerra está acontecendo, com adversários temíveis. Ao mesmo tempo em que Cal aceita ser o próximo rei de Norta, tendo Evangeline como sua relutante consorte, as mulheres de Lakeland - Rainha e princesas - choram a perda de seu amado rei e, claro, em seu coração transborda somente um desejo: vingança.

Esperamos juntas, minha mãe, minha irmã e eu, com a atenção fixa na face sul do horizonte. Uma neblina baixa toma conta da boca estreita da baía, ocultando a península pontilhada por torres de vigia e o lago Eris mais adiante. Algumas luzes das torres piscam em meio à névoa, como estrelas baixas. Conforme ela se movimenta, levada pelo vento, mais e mais torres se tornam visíveis. Estruturas elevadas de pedra, aprimoradas e reconstruídas uma centena de vezes em centenas de anos. As torres viram mais guerra e ruína do que os historiadores podem contar. Suas luzes flamejam, muitas ainda vívidas tão perto do amanhecer. Os faróis continuarão acesos o dia todo, as tochas queimando e as luzes elétricas brilhando. As bandeiras que balançam ao vento são diferentes das que normalmente são vistas em Lakeland. Cada torre exibe o azul com faixas pretas. Para honrar os muitos mortos em Corvium. Para lamentá-los. Para se despedir do nosso rei.

Vamos encontrar diversos atores, em diversas situações distintas. Todos carregando sua dor. Todos com suas razões para fazer o que quer que tiverem que fazer. Cal com sua coroa. Mare com sua revolução. Lakeland com seu luto. Maven com sua loucura, plantada em sua cabeça pela rainha Elara ao longo de incontáveis anos. Evangeline, com sua rebeldia que esconde seu medo profundo em relação à autoridade do pai, o Rei Samos.

No fim das contas, se formos eleger vilões para essa saga, talvez reste a alguns poucos vender essa carapuça, todos das gerações anteriores. A geração mais nova, os adolescentes protagonistas de toda essa situação, Mare, Cal, Maven, Farley, Iris, Evangline, Ptolomeus. Todos estão só tentando fazer o melhor, perdidos entre o que foi, e a construção do Novo, em que eles são protagonistas em sua inépcia e esperança juvenis.

O que eu achei do livro? As lutas são mais políticas do que batalhas - apesar de que teremos uma grande batalha ao final. As palavras são mais usadas como armas do que qualquer outra coisa. Alianças improváveis se formam, máscaras caem, e aprendemos que por detrás de uma guerra não há apenas um exército, mas pessoas com emoções e sentimentos complexos, e que é isso o que pode fazer com que a balança penda, seja para um lado, seja para o outro.

Victoria escreve muito bem. Fluída, ágil, uma narrativa que prende, envolve, emociona e cativa. Mesmo que a ação tenha sido mais lenta, e algumas coisas tenham se desenvolvido de maneira aquém do esperado, foram todos desfechos possíveis, reais. Chegando a ser dolorosos em algumas passagens.

Por mais que muita gente (mas muita gente meeesssmooo) reclame do final aberto, cheio de possibilidades, eu gostei. Me pareceu um final REAL. Afinal de contas, acho que em meio a leitura talvez tenhamos esquecido mas todos eles eram adolescentes, nenhum com mais de 20 anos. Achei natural que o fim não fosse todo redondinho (e não posso explicar melhor para não lançar spoilers). 

E vocês o que acharam? Contem para a gente! Abraços!

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: "Mais que Amigos " (Lauren Layne)


Tradução: Alexandre Boide

Por Ili Bandeira: Sabe aquele livro que você está com altas expectativas? E quando termina a leitura elas todas são superadas. Apresento a vocês o livro Mais que Amigos, publicado pela Editora Paralela

"E se o cara certo... estiver bem na minha cara?"

Ben e Parker são melhores amigos desde a faculdade. Atualmente possuem uma vida financeira estável e moram juntos. Muitos acham impossível uma amizade entre um homem e uma mulher, mas nunca rolou nada entre eles. 

Na verdade, não poderia acontecer nada pois Parker namora Lance há 5 anos, enquanto seu melhor amigo é um galinha e não quer compromisso. A amizade deles é linda, tem uma conexão saudável e um apoio imenso. A dinâmica da casa é muito engraçada, com direito a lista de regras discussões tipicamente de casal.

"- Você não faz a menor ideia de como os hormônios funcionam.
- Na verdade, biologia é uma das minhas especialidades. 
- Você nem sabia o que era um útero. 
- Sabia, sim.
Quer dizer, mais ou menos."


Mas, agora Parker é dispensada pelo namorado. Então, por estar abalada com o término repentino, ela corre para os braços de seu melhor amigo e porto seguro.

Para se recuperar do coração partido Parker decide se aventurar pelo sexo casual, mas com o tempo percebe que isso não funciona para ela. Mas será que funcionaria com alguém que ela possua uma conexão legal? Então, porque não o Ben?

"Eu não quero que Parker se torne uma versão feminina de mim."

  Será que os sentimentos de ambos estão de acordo para não se apaixonarem?


Minha opinião sobre o livro e o enredo:


Mais que Amigos é um livro bem clichê, me senti vendo um desses filmes de comédia romântica e simplesmente adorei!

"Passamos anos e anos tentando explicar para o mundo inteiro que não somos amigos que transam de vez em quando, que não reprimimos uma paixão pelo outro, e agora ela está querendo jogar tudo pela janela."

Pelo enredo e premissa do livro já é possível prever o rumo que a história vai tomar, no entanto, não torna o livro nem um pouco desinteressante. Foi bem bacana acompanhar cada passo que essa relação foi se tornando, as reviravoltas e complicações que criaram.


A narrativa é rápida, fluída, simples, bem gostosa e descontraída. É uma leitura muito fácil e tem um ritmo leve que é impossível parar, o que possibilita uma leitura rápida. Li o livro inteiro em apenas uma tarde, creiam!


"Quando encostei em você... eu desmoronei." 

Ben é meu personagem preferido por causa do seu jeito divertido, engraçado e apaixonante. 

Lauren Layne tem uma escrita fluída e dinâmica que mantém o leitor querendo mais do enredo e dessa história maravilhosa. Quero ler tudo que essa mulher escreve, virou uma das minhas autoras favoritas.

Super recomendo para todos vocês essa comédia romântica sobre melhores amigos que complicaram a vida deles se apaixonando!

        Postagem publicada Originalmente no blog O Clube da Meia Noite


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Resenha: "Estamos Bem" (Nina LaCour)


Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Estamos Bem, de Nina LaCour, é pura e simplesmente um livro sobre solidão. Aquela sensação que todos nós conhecemos e nem sempre gostamos, mas que por muitas vezes é necessária em momentos específicos de nossas vidas.

Marin é uma garota que terminou o ensino médio recentemente e acabou de perder seu avô. Sua mãe também faleceu quando ela era pequena, portanto esta perda recente faz com que ela se sinta sem nenhuma família. Por isso ela decide ir para faculdade alguns meses antes do previsto e, após este período, acaba se isolando no alojamento ao final do primeiro semestre letivo, já que teoricamente não há ninguém para quem ela possa retornar nas festas de fim de ano. A obra aborda os três dias em que Marin recebe a visita de sua melhor amiga no alojamento para tentarem resolver suas pendências pessoais e emocionais. Tudo isso enquanto a própria Marin lida com seu luto e sua sexualidade ainda mal compreendida.

Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu.

A narrativa de Nina LaCour nos leva pelo passado da protagonista, em seu último verão com seu avô e seus amigos antes da faculdade começar. Os capítulos alternam entre presente e passado, nos mostrando o contraste da vida de Marin e como tudo era simples e feliz antes de seu avô falecer. O presente é repleto de melancolia e, claro, solidão. Sentimos o peso de se estar completamente sozinho, em uma vida bem diferente daquela que se conhecia.

Apesar de curta, a história de Estamos Bem é profunda e nos traz muitas reflexões sobre o autoconhecimento e como precisamos da solidão para o alcançarmos. Marin tem um fluxo de pensamentos constante sobre sua situação atual e sobre quem ela é e quem poderá ser daqui pra frente, e o encontro com Mabel só a faz sentir ainda mais melancólica e até mais sozinha. Conseguimos ver com a clareza a profundidade da relação das duas e a ligação forte que ainda possuem, mesmo após ficarem tantos meses separadas.

Apesar de não concordar com boa parte das atitudes de Marin, principalmente em relação a Mabel, eu consegui sentir empatia por ela. Às vezes precisamos nos afastar de quem amamos para podermos nos compreender melhor e conseguir encontrar nosso lugar e nosso papel no mundo, e pra mim, foi isso que Marin fez.

A vida é fina e frágil como papel. Qualquer mudança repentina pode rasgá-la.

A relação de Marin com o avô é mostrada de maneira delicada, e é difícil não sentir um carinho especial por um velhinho tão fofo. Só não gostei muito de uma coisa: Marin parece cobrar muito dele e dar muito pouco em troca. E acho que isso pesa bastante no resultado final e na culpa que ela sente após o falecimento do avô. Apesar de essa cobrança dela não ser algo distante da realidade, gostaria que a relação deles tivesse sido mais próxima e mais recíproca. Teria me feito sentir mais o luto da personagem.

No geral, é uma leitura fácil e bem fluida, que em nenhum momento me deixou entediada, por mais que nada “grandioso” aconteça. Não há revelações inesperadas ou plot twists, nenhum momento em que esperamos por um clímax. Mas mesmo assim, no final de tudo, sentimos que acompanhamos algo maior e mais esclarecedor do que o que esperávamos.

Essa e outras resenhas vocês podem encontrar no meu blog, o Devaneios de Papel! Espero vocês por lá :)

Até a próxima!
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Resenha: "Repeteco" (Bryan Lee O'Malley)

Tradução: Érico Assis

Sinopse: A vida de Katie vai muito bem. Ela é uma chef talentosa, dona de um restaurante de sucesso e com grandes planos para a vida. De repente, em um único dia ela perde uma grande chance de negócios, sua paquera com um jovem chef azeda, sua melhor garçonete se machuca e um ex-namorado charmoso aparece para complicar ainda mais a situação. Quando tudo parece perdido e Katie já não enxerga mais uma solução, uma misteriosa garota aparece no meio da noite com a receita perfeita para uma segunda chance.

E, assim, Katie ganha um repeteco na vida e precisará lidar com as consequências de suas melhores intenções.
Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: E se você tivesse a oportunidade de repetir algum momento da sua e reparar erros do passado? Essa oportunidade foi dada à Katie por uma garota misteriosa que deixa um presente na cômoda que já estava na casa antes de Katie se mudar.

Dentro da caixinha de presente têm um bloco de anotações intitulado "Meus Erros", um cogumelo e um cartão de instruções. Então para consertar algum erro basta apenas anotar no bloquinho, comer o cogumelo e dormir, assim terá uma nova chance.



Anos atrás, Katie abriu o Restaurante Repeteco - um ótimo nome para um restaurante onde se espera que as pessoas comam várias vezes - com seus amigos, mas aos poucos eles foram seguindo outros e rumos e Katie se viu só. Ela resolve abrir um novo restaurante em outro lugar para dar um novo rumo à sua vida.

A aparição dessa garota, que mais parece um fantasma que apenas Katie enxerga, trará muitas oportunidades de retificações da vida da nossa querida chef. Será que ela usará esse poder com sabedoria?

Com a ajuda de uma tímida funcionária do restaurante, Hazel, ela começa a entender como lidar com Lis, a garota misteriosa que ela descobre ser um espírito do lar. Katie passará por muitas coisas, aprenderá mais sobre si mesmo do que imagina dentro dessa jornada que vai além do espaço-tempo.

Essa é uma ficção científica com ares de magia e com um forte apelo filosófico. Uma graphic novel engraçada e com enredo bem denso sobre as consequências de mexer com o passado por melhores que sejam suas intenções. O humor único de Bryan Lee, já encontrado antes nos livros do Scott Pilgrim, deixam a leitura leve e fluída. As personagens são muito bem construídas e até mesmo o narrador participa - vemos isso pelas constantes discussões entre Katie e ele(a).



O trabalho de tradução feito por Érico Assis foi primoroso por acompanhar muito bem a irreverencia da narrativa. Ele conseguiu passar para o português as expressões, gírias e intenções do texto original com maestria, se você conseguir devorar as 336 páginas em um único dia, agradeçam a esse cara.

Recomendo esse livro que é um dos meus favoritos desse ano!

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Ana Liberato