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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Resenha: "Corações na Atlântida" (Stephen King)

Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? esse mês de setembro foi dedicado à leitura e resenhas do King, o rei do meu coração 💖. Há tempos eu vinha querendo ler Corações na Atlântida, mas esse é um daqueles livros raros, difíceis de encontrar.

Tenho resolvido esses problemas desde que comprei meu kindle, e lendo livros que estavam em "lista de espera" há muito tempo. Tanto tempo, que eu confesso que até já havia esquecido por que havia adicionado esse liro à minha lista de leitura com tanto entusiasmo.

Assim foi com uma grata surpresa e alegria imensas que descobri que este livro contém alguns easter eggs da saga A Torre Negra! São cinco contos, dois mais longos e três curtos, tendo personagens que se entrelaçam em todas as histórias.

Como não achei nenhuma versão em português, vou colocar o título dos contos e falar um pouquinho sobre eles, e juro que vou tentar dar o mínimo possível de spoilers!


No primeiro dos contos, Low Men in Yellow Coats, vamos conhecer o jovem Bobby Garfield e sua mãe Nora. A relação dos dois parece seguir um fluxo constante de críticas e palavras amargas, ficando claro que talvez a mãe de Bobby o veja como um peso, um fardo deixado por seu marido falecido. 

De maneira totalmente improvável e inesperada, Bobby acaba por se tornar amigo do velho Ted Brautigan, quando o mesmo se muda para o mesmo prédio onde ele a mãe moram. Ted, que percebe a animosidade da mãe de Bobby, precisa de ajuda. Como subterfugio, explica que precisa que Bobby leia os jornais para ele, mas na verdadeTed está fugindo de um grupo de seres que querem raptá-lo, os homens maus em casacos amarelos. 

Para quem acompanha a Torre, Ted é um Sapador, e os homen maus estão à srviço do Rei Rubro, e como uma fã de carteirinha, só por poder ter esse pequeno vislumbre da Torre esse se tornou meu conto favorito do livro!

O segundo conto, que intitula o livro, vai nos trazer  um grupo de estudantes que, em meio ao caos vivido pela guerra do Vietnã, refugiam-se em um jogo de cartas de forma alucinante, deixando de lado os estudos e ameaçando serem expulsos da universidade e ter de servir no exército. Nesse conto, vamos encontrar Carol Gerber, a melhor amiga de Bobby (isso mesmo, o do primeiro conto!), e presenciaremos sua quase relação com Peter Riley, o personagem principal.

Confesso que, de todos, esse foi o conto que menos gostei. Não senti empatia nenhuma pelos personagens (exceto a Carol, claro) o drama não me convenceu e o final ficou tipo meio "ahn???". Mas, claro, que se dependesse inteiramente da minha vontade,  Low Men in Yellow Coats teria sido um livro inteiro, melhor elaborado, e os outros contos nem existiriam.

Os contos que se seguem a esse são curtos: em Blind Willie, vamos encontrar um veterano de guerra que, em sua adolescência, ajudou a ameaçar Booby e espancar Carol. Além disso, serviu no exército com John Sullivan, ex-namorado de Carol. Nessa história, vamos acompanhar Willie pedindo esmolas e se fingindo de cego.

E por falar em John Sullivan, é ele o protagonista de  Why We're in Vietnam. John Sullivan é ex de Carol, amigo de infância de Bobby, lutou ao lado de Willie e de um dos colegas de faculdade de Peter Riley, aquele do jogo de copas. O drama aqui refere-se às alucinações de John com uma senhora vietnamita, bem como algum estresse pós traumático.

E fechando o ciclo em Heavenly Shades of Night are Falling, vamos reencontrar nosso querido, meigo e carinhoso Bobby Garfield, de volta a sua cidadezinha natal após quarenta anos de ausência, ele próprio tendo de encerrar alguns ciclos que ele imaginava que já houvessem se resolvido. Mas nem tudo pode ser curado somente com o tempo.

No geral, foi um livro que eu gostei muito mas, sinceramente, você pode ler somente o primeiro e último conto sem prejuízo nenhum à leitura. Recomendo!





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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resenha: "A Incendiária" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.
Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Por Sheila: Oi pessoas!!!! Vários pontos de exclamação por que eu sempre fico super, hiper, ultra MEGA empolgada quando o assunto é Stephen King. Juntamos o querido King com a Suma (sua linda!) + edição em capa dura + relançamento de livro esgotado e o que acontece? Eu SURTO, obviamente.

Lançado em 1980, estava esgotado há vários anos, e era um dos pedidos constantes de inclusão na Biblioteca Stephen King - Inclusive por mim! E a nossa querida Suma, mais uma vez, conseguiu se superar na escolha e no capricho!

Para quem ainda não leu, vamos ao livro: no melhor estilo sci-fi, King irá nos apresentar aos jovens Andy e Vicky McGee, que foram usados em uma experiência secreta ainda adolescentes. Enquanto Andy consegue "empurrar" as pessoas e levá-las a pensar o que ele deseja, sua filha Charlene (Charlie) herda os genes modificados dos pais e parece ter poderes muito mais proeminentes. Enquanto Andy fica esgotado ao usar seus poderes, Charlie consegue fazê-lo sem nenhum efeito colateral.

Andy pegou a carteira, que tinha só uma nota de um dólar. Agradeceu a Deus por não ser um daqueles táxis com divisória à prova de balas, que não permitia contato entre passageiro e motorista, exceto por uma abertura para o dinheiro. Contato direto sempre facilitava o impulso. Nunca conseguiu descobrir se eraalgo psicológico ou não, e agora não importava.
— Vou dar a você quinhentos dólares — informou Andy, baixinho —, para você levar a minha filha e eu até Albany. Certo?
— Jeee-sus, moço… Andy colocou a nota na mão do taxista, e quando o sujeito olhou, Andy deu outro impulso… com força.
O motorista estava satisfeito. Não estava pensando na história enrolada do passageiro. Não estava questionando o que uma garotinha de sete anos estava fazendo visitando o pai por duas semanas em outubro, época de aulas. Não estava pensando no fato de que nenhum dos dois possuía bagagem . Não estava preocupado com nada. Ele tinha sido impulsionado. Agora, Andy pagaria o preço.

Acontece que os McGee nunca deixaram de ser vigiados pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora pessoas que apresentem qualquer tipo de poder especial. E assim, quando a pequena Charlie herda de seus pais a capacidade de produzir fogo, conhecida como pirocinesia, o casal faz de tudo para evitar que a mesma se exponha, ou exponha seus poderes especiais.

O início do livro é muito rápido, já começa com a fuga de pai e filha. Infelizmente, como Charlie tinha dificuldade em controlar seus poderes por causa de sua pouca idade, a Oficina descobriu seu dom, e tentou tirá-la de Andy e Vicky. Em meio a fuga, descobrimos que Vicky não os acompanha por que foi assassinada pela Oficina em sua tentativa de proteger a filha.

Papai, estou cansada — disse com agitação a garotinha de calça vermelha e blusa verde . — A gente não pode parar? — Ainda não, querida. Ele era um homem grande de ombros largos, vestindo um paletó de veludo gasto e puído e uma calça marrom de sarja. Ele e a garotinha estavam de mãos dadas, andando pela Terceira Avenida em Nova York. Caminhavam rápido, quase correndo. Ele olhou para trás, e o carro verde ainda estava lá, seguindo lentamente junto ao meio-fio. — Por favor, papai. Por favor. Ele olhou para ela e viu como seu rosto estava pálido. Havia círculos escuros embaixo dos olhos da menina. Ele a pegou no colo e a apoiou na dobra do braço, mas não sabia por quanto tempo conseguiria seguir assim. Também estava cansado , e Charlie não era mais tão leve. 

Um dos grandes antagonistas desta trama é o agente da Oficina, Rainbird, um indígena que persegue  a menina não pelos ideiais da organização que representa, mas por um motivo muito mais bizarro: Rainbird acredita que, ao matar Charlie, precisa olhar em seus olhos para receber uma grande revelação espiritual.

Adaptado para as telonas em 1984, chegou ao Brasil com o título Chamas da Vingança e tinha Drew Barrymore, ainda muito pequena, como Charlie e David Keith como Andy McGee, o pai. Infelizmente à época foi considerado um fracasso de bilheteria, mas ainda tenho a esperança de um remake.


Repleto de cenas de fuga desesperada, amizades desfeitas, dúvidas horrendas e muita ação nas mãos da pequena Charlie, que precisa usar seu dom para se defender, A Incendiária é um livro maravilhoso, que irá nos prender do início ao fim, não só por sua escrita, mas por nos fazer questionar a ética por trás da existência de diferenças que impactem a vida de outras pessoas.

Afinal, até onde podemos esperar que Charlie se torne uma pessoa "normal", ou que se torne uma incontrolável máquina de matar, incendiando tudo e todos em seu caminho? Teria tirado alguma vida se não tivesse sido tratada como um monstro? Seria seguro mantê-la em meio as ouras pessoas, sem poderes?

Um clássico obrigatório aos fãs de nosso querido King, e um trabalho mais que espetacular da nossa querida editora Suma, mais uma vez com capa dura em alto relevo, folhas amarelas, ótima revisão e diagramação que tornam a leitura um prazer. Recomendo!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Resenha: "Belas Adormecidas" (Stephen King & Owen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Eu, como boa kingmaníaca que sou, acabei a leitura deste lançamento - que, confesso! comecei a ler um tanto quanto receosa - e estou em êxtase! Isso sempre me coloca num grande conflito: é muito mais fácil escrever uma resenha para um livro que não gostei, do que para um que amei. 

Já o meu receio, totalmente infundado, provinha do fato de termos dois Kings como autores e, como não conheço a escrita de Owen, não sabia muito bem o que esperar. Já eu e o King pai, depois de quase 50 livros lidos, somos quase velhos amigos kkkkkkkkkkk.

Mas vamos à sinopse:
Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir.
Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”, incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir.
Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis.
Tudo começa com Evie Black. Como a Eva do mito, ela é a Mãe, e é chamada por algo muito maior do que ela mesma, e para a qual não chega a dar uma explicação à cidade atônita que só consegue entender uma coisa: é com ela, por ela, e em razão dela que o sono nos casulos aparece. E é na cidade de Dooling que o que ela traz junto com o sono será decidido.

A mariposa fez Evie rir. Pousa no antebraço exposto, e ela passa o indicador de leve pelas ondas marrons e cinzentas que colorem as asas.
- Oi, lindinha - diz ela para a mariposa. O inseto levanta voo. Subindo, subindo, subindo segue a mariposa, e é engolida por um raio de sol emaranhado nas folhas verdes e brilhantes seis metros acima de onde Evie esta, entre as raízes no chão.
Uma comprida cabeça de cobre sai pelo buraco negro no centro do tronco e desliza entre placas da casca. Evie não confia na cobra, obviamente. Já teve problemas com ela antes.
Sua mariposa e dez mil outras surgem da copa da árvore em uma nuvem crepitante e parda. O enxame rola pelo céu na direção da floresta debilitada de replantio de pinheiros do outro lado da campina. Evie detecta os primeiros odores químicos (amônia, benzeno, petróleo, tantos outros, dez mil cortes em um único pedaço de pele) e abandona a esperança que não tinha percebido que tinha.
Em sua casa, o Dr. Norcross, um psiquiatra da prisão feminina de Dooling, se olha no espelho sentindo o peso dos anos acumulando na cintura, sem saber que está prestes a ter de lidar com o surto de Aurora, como a epidemia de mulheres que não acorda passa a ser chamada; que terá de lidar, muito em breve, com Evie Black, a única mulher a não virar um casulo quando dorme; e com uma crise familiar com sua esposa, a xerife Lila Norcross, que parece ter descoberto algo do passado do marido que a perturbou consideravelmente.

Quando o caos começa, caberá aos homens, e algumas poucas  mulheres que conseguiram continuar acordadas, decidir os rumos que serão tomados pela humanidade. Dooling será palco dessa luta, onde o bem e o mal parecem estar difusos, misturados, sendo uma parte integrante de cada uma das pessoas - com algumas exceções, claro.

Imbuído nas diversas vozes femininas que falam no livro, há uma forte crítica social à sociedade machista, e um constante retorno a como muitos homens - as vezes sem querer, as vezes sendo uns completos babacas escrotos - fazem mal às mulheres e, concomitantemente, à sociedade.

Até aquele ponto, Tiffany tinha suposto que abusadores, gente como seu primo Truman, deviam viver em negação. Se não era assim, como eles podiam viver? Como era possível uma pessoa degradar outra se estivesse totalmente ciente do que estava fazendo? Bom, acontece que era possível, homens como o segurança porco faziam exatamente isso. Foi um choque essa percepção, que explicou abruptamente tanto da vida de merda dela.

Mas, ao mesmo tempo, há a evidenciação de que um mundo só de mulheres também não seria perfeito. E de que,  no próprio discurso feminino há a presença de incongruências, relativizações, que sustentam esse machismo - afinal, todo homem veio de um ventre feminino. Ou seja, não cabe somente aos homens a mudança, mas a TODOS E TODAS NÓS.

Belas Adormecidas pode ser lido como uma alegoria, uma fábula lindíssima a respeito de muitos temas atuais como feminismo, bullying, preconceito racial e social, uso e abuso de drogas, sistema carcerário e brutalidade policial, além da fragilidade das relações advinda da anestesia que o dia-a-dia as vezes impõe às nossas vidas. Nada como um evento cataclísmico para fazer com que as pessoas parem e repensem quem elas realmente são. Quem sabe nos utilizamos desse exemplo dado pela ficção e tentamos fazer algo a respeito de nós mesmos sem que as coisas precisem chegar nesse ponto?

Preciso dizer que recomendo? Forte abraço a todos!

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Resenha: "A hora do lobisomem" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

UMA CRIATURA CHEGOU A TARKER’S MILLS. A HORA DELA É AGORA, O LUGAR DELA É AQUI.

O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. 
Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? 
Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. 
Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? Eu estou em ÊXTASE com esse livro lindo, perfeito, MARAVILHOSO lançado pela Suma de Letras. Na verdade, este é o segundo livro do projeto da Suma de Letras intitulado Biblioteca Stephen King. A ideia é relançar toda uma coleção de livros raros do nosso popular escritor de suspense e terror para os fãs. Você encontra a resenha de "Cujo", primeiro livro lançado, aqui.


Mais uma vez, o livro veio em capa dura, folhas amarelas, mas este exemplar veio todinho ilustrado pelo Bernie Wrightson, além de conter ilustrações extras, no final, de quatro ilustradores brasileiros. Segundo a editora, a ideia era que eles "escolhessem e representassem sua cena preferida de A hora do lobisomem"


Para quem ainda não conhece esse clássico de Stephen King, tudo começa quando, na cidade de Taker's Mill, um ataque brutal é encoberto pela primeira nevasca do ano. Sozinho e preso em um barracão devido a nevasca, Arnie Westrum, sinaleiro da Ferrovia, houve algo arranhar a porta. Seria um cachorro perdido? Ele descobrirá da pior forma que estava errado em sua suposição.
Antes que ele possa decidir o que fazer sobre o visitante, o choramingo baixo se transforma em um rosnado. Um baque soa quando uma coisa incrivelmente pesada bate na porta ... recua ... bate de novo. A porta treme na moldura, e um  borrifo de neve entra pelas frestas.
A porta fica no lugar por mais um tempo, curvada em torno da linha vertical e, enfiado nela, investindo e atacando, com o focinho franzido em um rosnado e olhos amarelos ardentes, esta o maior lobo que Arnie já viu ...
E os rosnados soam terrivelmente como palavras humanas.
Agora, em Taker's Mill sabe-se que existe um lobo voraz. Mas há uma certa similaridade nos ataques, que parecem acontecer apenas uma vez por mês, sempre quando a lua cheia esta bem alta no céu.

Enquanto a besta caça pessoas, Marty, um garotinho apenas, começa sua própria investigação para caçar o que vem se tornando o grande tormento daquela pequena cidade, fazendo com que até mesmo o quatro de julho seja cancelado. Ele acha que talvez saiba quem a besta é. Mas o que pode um garotinho contra uma criatura que é a encarnação do próprio mal?

A hora do lobisomem é um livro curto, lançado pela primeira vez em 1982, por muitos considerado mais adequado à uma coletânea de contos do que figurar como obra independente, por ter menos de 100 páginas em sua edição original. Dividido em 12 capítulos, um para cada mês do ano, foi adaptado para as telinhas em 1985, sendo também conhecido como Bala de prata.

Dentre as obras de Stephen King, este não pode ser dito como um dos que mais se destaca. Tem uma narrativa simples e fluída, mas não é memorável. Agora, esta edição relançada pela Suma de letras, esta sim configura-se como aquisição indispensável a qualquer fã das obras de King. Afinal, mais do que um livro, a capa, diagramação e ilustrações são quase uma obra de arte. Este não é um livro para se Ler, é um livro para se Ter. E Suma, sua linda! Fiquei tão feliz com o livro, por tocá-lo, por você existir e ter lançado essa coleção FANTÁSTICA que meu marido já esta ficando com ciúmes.

Abraços e até a próxima!


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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Resenha: "A Zona Morta" (Stephen King)

Tradução: Maria Molina

Por Sheila: Oi pessoas! Resenha de livro M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O para vocês!! (ok, perdoem o entusiasmo, mas eu sou uma Kingmaníaca confessa) seguindo com esse presentão aos fãs do Stephen King preparado pela nossa querida Suma de letras.

Lançado originalmente em 1979 e adaptado para as telinhas em 1983, com o título um pouquinho modificado - "Na hora da Zona Morta" - esse pode ser considerado um dos clássicos de Stephen King, e talvez também uma das melhores adaptações para o cinema, o que pode ser explicado pela simplicidade do seu enredo.

Já no prólogo, ficamos sabendo que algo aconteceu a John Smith em janeiro de 1953, quando ele tinha apenas seis anos de idade, algo que talvez explique por que ele se tornou o que se tornou, mas uma daquelas narrativas bem ao estilo King: ele nos relata os fatos, e deixa a nosso cargo decidir no que queremos ou não acreditar.

- Ei moleque! - gritou alguém. - Sai da frente!
Johnny não ouviu. Estava conseguindo! Estava patinando para tras! Tinha pegado o jeito - de uma hora para outra. Tudo dependia do ritmo no vaivém das pernas ...
Chuck Spier viu o que ia acontecer. Ele se levantou e gritou:
- Johnny! Cuidado!
O pequeno John Smith ergueu a cabeça ... e um instante depois o desengonçado patinador, com todos os seus setenta e três quilos, bateu a toda velocidade contra ele.

E foi assim, num esbarrão quase bobo, que John bateu a cabeça pela primeira vez. Mas, como não pareceu nada grave e, apos um breve período de confusão o menininho levantou-se e voltou  a falar como se nada tivesse acontecido, ninguém deu muita ênfase ao ocorrido. Na verdade, os pais de John nem chegaram a ficar sabendo.

Da mesma forma, os pequenos atos premonitórios que começaram a acompanhar John desde então passaram completamente despercebidos. Ora, saber a próxima musica a tocar no rádio não é considerado um ato premonitório sério, é apenas coincidência, e algo que afeta nada ou quase nada a vida de uma pessoa.

É apenas após o segundo acidente que a vida de John Smith realmente se modifica, e após a segunda pancada na cabeça.

Mais ou menos ao mesmo tempo, seremos apresentados a Greg Stillson, com seus 22 anos de idade no verão de 1955. Stillson vendia biblias, após seu negócio com pinturas de casas haver falido. Greg vivia como uma espécie de caixeiro-viajante, sempre na estrada. Começamos a descobrir que Greg talvez não seja uma boa pessoa quando, na ausência dos donos de uma fazenda que visitava, ele borrifa amônia no cachorro de guarda da familia, e depois quase o mata a pontapés.

Há algo de errado com John Smith, em sua cabeça, que o faz enxergar e saber coisas que não gostaria. Mas, definitivamente, há algo de errado com Greg Stillson, em sua cabeça. E ele fará de tudo para esconder isso das outras pessoas.

Algumas semanas antes, levara uma moça para o celeiro (...) Depois de ser possuída, a moça disse que teve a impressão de ter sido seduzida por um pastor. Então Greg a esbofeteou, ele mesmo não sabia por que. Deu-lhe um tapa e foi embora.
Bem, não.
Na realidade, ele deu três ou quatro tapas. Até ela começar a chorar e depois gritar pedindo socorro. Então ele parou e de alguma forma (teve que usar cada grama do charme que Deus lhe deu) conseguiu consertar as coisas com a moça. Foi nessa ocasião que sua cabeça começou a doer, os grão pulsantes e brilhantes disparando, dando cambalhotas no seu campo de visão. Ele tentou dizer a si mesmo que era o calor, o calor explosivo do celeiro. Mas não foi apenas o calor que fez sua cabeça doer: foi a mesma coisa que sentiu no pátio da fazenda quando o cachorro rasgou sua calça, uma coisa obscura e insana.
- Não estou louco! - gritou ele no carro.


Bem, Greg pode até não estar louco, mas certamente vemos aqui e em outras passagens subsequentes que, a fim de conseguir o que quer, acaba tomando decisões e atitudes no mínimo duvidosas. E, já aqui, percebemos que Johns Smith e Greg Stillson estão em rota de colisão.

Não sabemos onde, não sabemos como, e com certeza ainda não sabemos mas podemos adivinhar o por que: Greg Stillson é perigoso. Como isso vai acontecer, onde, quando, e quais serão as consequências desse encontro deixarei a você descobrir ao se aventurar nas 479 páginas de muito suspense, drama e angústia que King nos reserva neste livro.

Preciso dizer que eu super, hiper, mega recomendo? E preciso reafirmar meu infinito amor pela Suma de letras? Acho que não precisa, não é mesmo?

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Abraços e até a próxima!



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Resenha "Revival" (Stephen King)


"Às vezes estamos próximos demais de alguma coisa para conseguir enxergá-la."

Por Gabi: A mão chega a tremer falando do Rei do Terror, escritor do século e todos os milhares de títulos e honrarias de King. Quase nunca venho aqui falar deste gênero, mas vamos lá... Começando com essa capa lindaaa que a Suma nos presenteou, com um design holográfico que, à medida que movimentamos o livro parece que os raios o vão permeando. 

No interior do Estado do Maine somos apresentados sob a perspectiva do narrador/personagem Jaime Morton sua grande família que mora em uma pequena e religiosa comunidade. Todos se conhecem, os filhos frequentam os encontros de jovens toda quinta, enquanto as famílias se veem nos cultos da igreja etc.

Mas o que Jamie não imagina é que a sombra que viu enquanto brincava com seus soldadinhos de brinquedo no quintal de casa, estaria sobre ele durante toda a vida. E esta tinha nome e sobrenome: Charlie Daniel Jacobs. O reverendo Charlie e sua família-de-margarina mudam-se para a cidade  e logo conquistam a todos. Ele com seus discursos fraternos e a facilidade em lidar com as crianças e jovens, a mulher por tocar piano lindamente e o filho "Chaveirinho" por encantar por sua fofura extrema. 

Uma tragédia acontece à família de Jacobs e o faz colocar em cheque nuas crenças em Deus e na religião e depois do que ficou conhecido como o "Sermão Terrível" ele desaparece da cidade. Jaime vira um guitarrista e segue com sua banda na estrada regado a muito sexo, drogas e rock'n'roll. Em seus  trinta-e-poucos anos ele é um viciado em heroína, sem rumo na vida e tentando fugir das memórias tristes do que aconteceu com sua família. Eis que seu destino se choca com Charlie, que através da "eletricidade secreta" o salva do vício, mas depois ele vê que há um preço muito caro por esse revival (com o perdão do trocadilho, não resisti) 

- Alguma coisa aconteceu.
Espetada-espetada.
- Alguma coisa...
Botei a língua para fora e mordi. O clique voltou, mas não nos ouvidos, mas enterrado nas profundezas da minha cabeça. [...]
Olhei para a Lua, tremendo e imaginando quem ou o que estivera me controlando. Porque eu tinha sido controlado. 

Ao longo da narrativa somos guiados por temas delicados, como fanatismo religioso, a fé, drogas, discriminação racial e morte,  sempre aliados a uma boa dose de terror, sarcasmo e do sobrenatural que está tão próximo do real que talvez seja o ponto crucial do livro. O final surpreendente quebra a narrativa um pouco descritiva demais e em alguns momentos meio "arrastada". 

QUAL O LIMITE ENTRE A LOUCURA E A SANIDADE? ENTRE O REAL E O SOBRENATURAL? 

ATÉ ONDE PODE NOS LEVAR A CURIOSIDADE AO REDOR DO "ALÉM DA MORTE"?

E vocês fans de King e do terror, o que acharam da obra?

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sábado, 22 de março de 2014

Resenha: "Novembro de 63" (Stephen King)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Resenha que eu demorei a escrever por que eu AMEI o livro. Confesso que o último que resenhei do King, "Sob a Redoma", me decepcionou um pouquinho ... é que o final não era, de jeito nenhum, o que eu esperava. E também me pareceu um tantinho batido. Mas, fora isso, escrita impecável de sempre, personagens complexos, subtramas intrincadas...

Mas neste novo romance - que King diz já estava guardando "na gaveta" de seus pensamentos há bastante tempo - trata de um tema que não é novo. Afinal, a questão da viagem no tempo já foi bastante explorada por diversas mídias ao longo dos tempos. E é exatamente aí que reside meu encantamento: King conseguiu pegar um tema batido, e criar uma trama tão surpreendente, que me prendeu do início ao fim da leitura.

E a capa então? Nem se fala! o pessoal da SUMA de letras caprichou mesmo! Ela realmente parece uma folha velha de jornal, inclusive com algumas letras um tanto quanto apagadas, com uma mancha de sangue na parte superior, onde foi escrito o título do livro. E, mesmo com essa aparência de "coisa velha", a capa foi feita em um papel trabalhado. A textura da capa é ... não sei explicar. Só sei que não paro de namorá-la na minha estante, tanto que meu marido esta começando a ficar com ciúme ...

Mas chega de reticências e vamos à trama: JFK foi um dos presidentes mais famosos e queridos dos Estados Unidos, até ou por causa de sua morte, não sabemos ao certo. Tudo pode ser romanceado, passado algum tempo. Mas sua popularidade é inegável. Sua morte, foi um dos grandes instigadores de inúmeras teorias da conspiração. Afinal, realmente foi Lee Oswald quem o assassinou? Ou foi tudo uma grande conspiração?

Bom, Jake Epping é um professor de inglês que nunca havia parado para pensar nesse assunto com profundidade. Al é o dono da lanchonete local, que vende hambúrgueres a preço tão acessível, que todos acreditam que esta seja a explicação para o desaparecimento eventual de algum bichinho de estimação. Mas ninguém acreditaria numa explicação ainda mais bizarra: a carne que Al utiliza, vem de tão longe no passado, que o preço se torna irrisório.
Dei outro passo à frente e desci mais um passo. Os meus olhos ainda me diziam que eu estava em pé no chão da dispensa do Al's Diner, mas eu estava ereto e o topo da minha cabeça não batia no teto o que, naturalmente, era impossível (...) atrás de mim – mas um pouco distante, como se estivesse a quinze metros de distância, e não apenas a um metro e meio – Al disse: 
- Feche os olhos amigo, é mais fácil assim. (...) 
Desci com o pé esquerdo. Desci com o pé direito de novo e, de repente, ouvi um estalo dentro da cabeça, exatamente do mesmo tipo que a gente sente quando está no avião e a pressão muda de súbito. O campo escuro dentro das minhas pálpebras se avermelhou e havia calor na pele. Era a luz do sol. Nenhuma dúvida a respeito.
Difícil de acreditar? Do jeito que eu estou contando sim, mas King consegue não só contar de forma maestral, como também nos faz acreditar, de verdade, que talvez - mas só talvez - possa ser possível acontecer conosco o que aconteceu com Al: um belo dia, quase sem querer, dar de cara com uma passagem para o passado e ter o poder de mudar o futuro.
- Então – disse. – Você foi e voltou. O que acha?
- Al, não sei o que pensar. Estou abalado até meus alicerces. Você achou isso por acaso?
- Totalmente. Menos de um mês depois de me instalar aqui. Eu ainda devia ter poeira da rua Pine no salto do sapato. A primeira vez, eu realmente caí por aquela escada, como Alice na toca do coelho, achei que tinha enlouquecido.
Dava para imaginar. Pelo menos eu pude me preparar, um pouco que fosse. Enfim será que existiria algum modo adequado de preparar alguém para uma viagem de volta ao passado?
- Quanto tempo fiquei lá?
- Dois minutos. Já lhe disse, são sempre dois minutos. Não importa quanto tempo fique. – Ele tossiu, cuspiu num novo maço de guardanapos, que dobrou e enfiou no bolso – E quando você desce os degraus, é sempre 11h58 da manha de 9 de setembro de 1958. Toda viagem é a primeira viagem.
Mas há mais duas coisas que você deve saber. Al não vai ao passado apenas para comprar carne pagando mais barato. Não, ele pretendo fazer muito mais que isso. Afinal, ele fica se perguntando se os Estados Unidos teria lutado no Vietnã, por exemplo, se Kennedy ainda estivesse vivo? E como estaria a situação econômica? É o que ele decide verificar, modificando o passado. Só que Al está doente, muito doente. E é aí que entra Jake, a quem Al confia sua missão secreta: salvar Kennedy em Novembro de 63.
Eu tinha certeza de que Al estava maluco, mas tinha igual certeza de que dizia a verdade sobre o seu estado. Os olhos pareciam ter recuado mais fundo nas órbitas no pouco tempo em que estávamos conversando. Ele também estava exausto. Bastaram as duas dúzias de passos da mesa numa ponta da lanchonete até a despensa na outra ponta para que Al cambaleasse. E o lenço ensanguentado, disse a mim mesmo. Não esqueça o lenço ensanguentado.
Mas será que modificar o passado será assim tão fácil? Al testou com uma garotinha que sofrera um acidente que a deixara paraplégica; Jake com a família de seu ex-aluno, um zelador da escola tentando se alfabetizar que havia perdido a família inteira e parte dos movimentos da perna quando seu pai, alcoólatra, matou todos à machadadas, e as coisas saíram um pouquinho fora do esperado. E quanto a JFK? Quais seriam as consequências para uma modificação como essa? Afinal, há coisas estranhas e bizarrisses sem explicação, como o Homem do cartão amarelo, por exemplo, ou a sensação que Al tem de que, as vezes, o passado não quer ser modificado ...

E agora? Preciso dizer algo mais? Leia! Você se deparará com a Viagem no tempo como nunca imaginou, e se surpreenderá com o final, apesar de que talvez tenham algumas coisinhas que nem sempre ficam fáceis de entender, já que King tem o hábito de inserir personagens de outros livros no enredo, e é sempre bom ter uma idéia do universo de "A Torre Negra" - que é o meu sonho resenhar TODA para vocês um dia.

Se eu recomendo? Recomendo a leitura, o livro, a capa tudo! E desculpem se exagerei no entusiasmo ...
Beijos e até a próxima!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Resenha: "Sob a Redoma" (Stephen King)

Por Sheila: Oi pessoas! Hoje venho apresentar para vocês o último lançamento de Stephen King, mestre do suspense e terror. O livro se chama "Sob a Redoma" e nos trás um Thriller eletrizante do início ao fim.

Logo nas primeiras páginas, King nos apresenta à pequena cidade de Chester's Mill, localizada no interior do estado do Maine. Todas as pessoas estão vivendo pacificamente suas vidas e cotidianos quando algo inusitado acontece: um avião e um caminhão são bloqueados por uma espécie de campo de força invisível, sofrendo um fatal acidente que marca a descoberta de que algo vai terrivelmente errado.
Não muito longe à frente, do outro lado da estrada, havia uma marmota. Uma marmota danada de gorda ... Então duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. A primeira foi a marmota. Estava inteira e então estava em dois pedaços. Ambos se contorciam e sangravam. Barbie parou, a boca aberta com a articulação do maxilar subitamente frouxo. Foi como se a lâmina de uma guilhotina invisível tivesse caído. E foi então que, diretamente acima da marmota cortada, o pequeno avião explodiu. 
 Passado o choque inicial, a cidade descobre que não é apenas em sua principal estrada de acesso à cidade em que existe esta espécie de barreira. Na verdade, esse campo de força - já que invisível aos olhos - rodeia toda a cidade, está fixada por dentro da terra e também pelo ar. Pelo formato esférico que este campo comporta, passa a ser chamado simplesmente de redoma.

Há muitos personagens marcantes que nos são apresentados no início do livro. Stephen King faz uma listagem logo no início (que eu particularmente consultei diversas vezes) de mais de 50 personagens, todos importantes e todos com alguma função na estória. Destaca-se o veterano de guerra e chapista do restaurante local, o Rosa Mosqueta, Dale Barbara ou simplesmente "Barbie", que estava prestes a fugir da cidade quando tudo começou e foi um dos primeiros a notar o que estava acontecendo; e Big Jim Rennie, vereador ganancioso e corrupto que tenta se aproveitar da tragédia que cai sobre a cidade para a conquista de poder absoluto.

Em Chester's Mill todos se conhecem. Muitos assistiram aos jovens crescer, ou cresceram juntos, constituíram família, fizeram carreira. Mas o isolamento do mundo exterior, a possibilidade de falta de mantimentos, de gás para manter a cidade, tudo isso faz com que isso mude. De uma hora para outra, passa a ser difícil saber quem é quem, e o caos é instaurado em favor da suposta ordem. Além disso, um desentendimento entre Barbie e Júnior, filho de Big Jim Rennie, recém eleito policial emergencial, promete deixar o clima dentro da redoma ainda mais tenso.
- O que você tá fazendo aqui? - Perguntou a Barbara.
- Tenho uma pergunta melhor - disse Júlia Shumway, lançando mão de seu sorrisinho apertado - O que você tá fazendo agredindo um homem com um quarto do seu peso e três vezes a sua idade?

Júnior não conseguiu pensar em nada para dizer ...

- Qualquer problema com a polícia deve ser encaminhado ao novo chefe senhora. Enquanto isso é bom lembrar que por enquanto estamos por conta própria. As vezes quando se esta por conta própria é preciso se estabelecer certos exemplos ...

Júnior olhou Barbie mais um instante e disse:

- É bom ter cuidado com essa boca perto de mim. E cuidado com o que faz. - Ele tocou de propósito a nova insígnia brilhante com o polegar. - Perkins morreu e eu sou a Lei.
Aliado ao declínio da cooperatividade entre os moradores e a progressiva caminhada para um funcionamento mais rústico e desorganizado, está a crescente angústia por não saber o que está acontecendo. Afinal de onde veio a Redoma? O que ela é? Qual seu propósito. E, principalmente: QUEM teria a criado e colocado ao redor da cidade?

Provando mais uma vez sua excelência como escritor (ok, sou uma grande fã e minha avaliação é um tantinho tendenciosa) Stephen King nos faz entrar na vida desta pessoas e realmente sentir a precipitação dos acontecimentos e a loucura em que esta pacata cidade parece ir mergulhando ao longo das horas e dias (sim, tudo dura cerca de apenas uma semana).

Escrito num ritmo acelerado, vibrante e viciante, "Sob a Redoma" não é, na minha modesta opinião, o melhor livro já escrito por Stephen King. No entanto, sua excelência se encontra justamente no fato de retratar o bem e o mal existentes dentro de cada pessoa, e o quanto nosso lado irracional pode ser despertado com relativa facilidade em situações extremas.

Afinal, até onde você estaria disposto a ir pela sua sobrevivência? O livro tem quase mil páginas, mas realmente vale muito a pena lê-lo, não consegui largar até as últimas páginas. Recomendadíssimo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Resenha: "O Iluminado" (Stephen King)

Por Sheila: Olá pessoas! Quem acompanha minhas resenhas talvez tenha notado minha tendência para o policial, suspense e terror. Hoje eu terei o imenso privilégio de resenhar para vocês um livro de um autor que eu sou super-hiper-MEGA  fã, de um autor que eu simplesmente adoro: "O Iluminado" do nosso mestre do terror e suspense Stephen King.

Danny é apena um garotinho, mas já teve que vivenciar muitas coisas em sua curta vida. O pai, Jack Torrance, é um escritor e alcoólatra em recuperação que mais de uma vez já descontou sua raiva e frustração no frágil corpinho de seu filho que, mesmo assim, o ama incondicionalmente.

A mãe de Danny até já pensou em separar-se de Jack, mas também o ama incondicionalmente, e não consegue se ver privada de seu toque. Até que, em uma das surras, Jack perde completamente o controle e quebra o braço de Danny.
Danny gritou um pouco ... não ... não ... diga a verdade. Ele berrou ... O pai girou o filho para lhe dar palmadas, seus grandes dedos de adulto se cravando na escassa carne do braco da criança, fechando-se ao redor dele num punho, e o estalar do osso quebrando não foi alto mas foi muito alto, IMENSO ... nenhum braco deveria estar pendurado daquela forma, num mundo de famílias normais (...) Ele sentiu como se a morte estivesse chegando.
Você perdeu o controle.
 A partir de então, promessas são feitas, reuniões de A.A. passam a ser frequentadas, e um emprego se faz necessário até que Jack consiga terminar de escrever seu mais novo livro.

É então que surge uma vaga para zelador no hotel Overlook, uma oportunidade perfeita para Jack e sua família: um lugar isolado, que fica incomunicável o inverno todo, é verdade, por causa da neve e por ficar em lugar de difícil acesso, mas com um salário mais que razoável, acomodações para toda família, aquecimento interno - há uma caldeira sempre alimentada e vigiada - e uma dispensa com comida em quantidades e qualidades tal, que fazem com que a pequena família Torrance sinta-se maravilhada.

Isto é, todos exceto Danny. Acontece que Danny não é uma criança comum. Ele as vezes vê coisas. Noutras, escuta. Adivinha onde itens que foram perdidas podem estar - e em quase 100% das vezes acerta.  É capaz de ouvir pensamentos. E tem um amigo imaginário, Tony, que o adverte sobre o hotel. Na verdade, há um grande mal adormecido no hotel Overlook, que parece ser não só despertado, mas convidado à festa com a chegada de Danny.
- Nao papai - falou Danny. - Esta debaixo da escada. Os carregadores colocaram o bau bem debaixo da escada.
Papai lançou-lhe um olhar estranho e desceu para ver. O bau estava la, bem onde Tony mostrara. O pai sentou-o no colo e perguntou quem o levara ao porão ... Danny disse seriamente que nao estivera no porao. A porta estava sempre trancada. E mamãe concordou.
- Então como e que você fiou sabendo, velhinho
- Tony me mostrou. 
A capacidade que o garotinho possui pode ser dita como habilidades psíquicas, que parecem por em polvorosa antigos horrores presentes no hotel. Desde que o viu, o cozinheiro do lugar, Hallorann, preocupou-se grandemente com a família Torrance. Afinal, o Overlook não tem um bom histórico. Vários assassinatos e suicídios já ocorreram dentro de duas paredes, inclusive a  morte da família inteira do antigo zelador, que os matou e suicidou-se depois.
- Você tem um dom - disse Hallorann, voltando-se para ele. - Sempre chamei isso de luz interior. Era como minha avo chamava. Ela também tinha. A gente costumava sentar na cozinha  quando eu era um menino da sua idade, e tínhamos longas conversas sem nem abrir a boca. 
- E mesmo?
(...)
- Mas eu não entendo as coisas! - explodiu Danny. - Entendo, mas não entendo! As pessoas ... sentem coisas, e eu sinto, mas não sei o que sinto! - Olhou triste para o colo. - Queria saber (...)
- O que você tem, filho, eu chamo de luz interior, a Bíblia chama de visões  e ha cientistas que chamam de premonição  Ja li sobre isso filho. Ja estudei. Tudo isso significa ver o futuro. Entende?
Mas para um garotinho de apenas cinco anos, algumas coisas ainda são muito difíceis de entender ... Agora, isolados do mundo e com esse mal desperto, Danny terá que contar com seus poderes psíquicos para tentar chamar Hallorann, único que pode ajudá-lo de alguma maneira a salvar sua família das garras do Hotel Overlook - ou pelo menos parte dela.

O livro já foi adaptado duas vezes para as telonas de cinema, uma em 1980, por Stanley Kubrick com Jack Nicholson no papel de Jack Torrance, mas que não foi muito fiel à trama do livro - eu particularmente achei a mãe de Danny, Wendy, muito passiva nesta versão - e outra em 1997, com o menos conhecido Steven Weber, que eu particularmente gostei mais (do enredo do filme, a atua;'ao de Jack Nicholson e inigualável . Mas nada como o livro, que é muito mais carregado de suspense.

Uma estória surpreendente, que por mais que se torne um pouco extensa em alguns momentos, possui cenas de terror angustiantes, daquelas que nos fazem roer as unhas e colar os olhos nas páginas até descobrir o desfecho - nem sempre feliz - dos perigos escondidos em cada corredor e cada quarto deste hotel mais que macabro. Sou muiiiiiiiittto suspeita para dizer, afinal King é meu autor preferido, mas Recomendo, com R maiúsculo! Abraços a todo mundo.
domingo, 1 de julho de 2012

Resenha: "The Wind Through The Keyhole - A Torre Negra 4.5" (Stephen King)


- Clique aqui para ler a resenha de “O Pistoleiro – A Torre Negra #1”

Por Leo Rios:
“The Wind Through The Keyhole” (Tradução livre: O Vento Pelo Buraco da Fechadura) é o mais novo livro de Stephen King em relação a umas das mais volumosas e ricas estorias já escritas, A Torre Negra. Esta série possuia um total de sete livros, agora, como comentei anteriormente, temos um fantástico livro que pode ser colocado como o 4.5, pois interliga o quarto volume entitulado “Mago e Vidro” (para mim uma obra-prima) com o quinto e não menos interessante chamado “Os Lobos de Calla”.

Estou resenhando a versão original do livro (em inglês), pois adquiri a cópia digital um pouco depois de seu lançamento nos EUA. Por isso, disponibilizarei as citações em inglês, com as traduções realizadas por mim.

A Torre Negra em uma estória bastante envolvente que se passa em um mundo já devastado por uma guerra iniciada há muito tempo. Pois o personagem principal, Roland Deschain, sendo o ultimo de sua linhagem (A linhagem nobre do Eld - Pistoleiro), necessita impedir a destruição iminente do seu mundo alcançando a Torre Negra, o elo de conexão de todas as dimensões do espaço e tempo. Roland acredita que alcançado esta lendária Torre, ele conseguirá reveter todos os males já feitos em seu mundo.

É um pouco dificil comentar o livro tido como 4.5 sem entregar spoilers ou parte da estoria que não seria legal contar, assim tentarei limitar os meus comentários.

Um dos grandes momentos que esta saga contempla são as estorias que envolvem o passado de Roland, pois através do seu pai (Steven Deschain que era o governante real desta terra), Roland era designado para investigar casos que necessitariam de habilidades somente presentes em um pistoleiro (casos violentos, singulares e cercados de mistérios).

Comento com um grande afinco que a narrativa de The Wind Through The Keyhole é estruturada em três fases, como degraus em uma escada, pois somos levados a estórias narradas através de outras estórias, nos fornecendo com uma extrema riqueza de detalhes em cada momento que passamos.

Neste livro, vemos novamente uma das estórias do passado de Roland em um período logo após um acontecimento que marca sua vida. Pois com a ajuda de seu colega também pistoleiro Jamie DeCurry, eles irão investigar um possivel skin-man (metamorfo) que está matando a todos em um vilarejo distante chamado Debaria.
“I’m not sure I’m ready for another mission, Father, let alone a quest.” (Não tenho certeza se estou pronto para outra missão, Pai, muito menos uma caçada).

He looked at me coldly, “I’ll be the judge of what you’re ready for. Besides, this is nothing like the mess you walked in Mejis. There may be danger, it may even come to shooting, but at bottom it’s just a job that needs to be done ..but mostly because what’s wrong cannot be allowed to stand”.
(Ele encarou friamente, “Eu julgarei o que você está preparado. Além do mais isto não se parece com a bagunça que você vivenciou em Mejis. Lá talvez haja perigo, Poderá até acabar em tiros, mas no fundo isto somente é um trabalho que necessita ser concluído... mas principalmente porque o que é errado não deve ser permitido continuar”).
Após alguns acontecimentos importantes em Debaria, Roland começa a contar uma antiga estória a um garoto desta cidade que acabara de passar por uma situação traumatica. O nome desta estória contada por Roland quando jovem é The Wind Through The Keyhole.
The Wind Through The Keyhole é uma estória que foi contada a Roland quando criança por sua mãe em um tempo que ainda existia uma paz nas terras de Gilead, mesmo que segredos sombrios já ocorressem nos arredores.

Este conto nos mostra a estória de um garoto chamado Tim Stoutheart que após a morte misteriosa de seu pai na “Floresta sem fim”, Tim se vê em uma situação onde a sua mãe terá que casar novamente para não perder as terras da familia. Pois a cada ciclo um estranho e misterioso “Covenant Man” visita o vilarejo recolhendo impostos de acordo com os números de cada propriedade.

Assim, devido à violência imposta pelo seu padrasto a sua mãe, Tim recebe uma estranha ajuda deste coletor de impostos a exengar o real motivo da morte do seu pai. Pois ele enfrentará perigos em um longo caminho além da floresta amaldiçada para reveter o dano causado a sua mãe, como também trazer justiça ao seu falecido pai.
“What do you want?” (O que você quer?)

Only to send word to my mother, will it please ya. Tell her I’ve gone to the forest, and ill return with something to cure her sight”… At least she said. “wait here. Don’t skitter away wi’out taking leave…”. From the bag she brought a gun…”Joshua said a gun must never be pointed at a person unless you want to hurt or kill him. For, he said gun have eager hearts. Or perhaps he said evil hearts? (“Apenas enviar um recado para a minha mãe, se você puder entregar. Diga a ela que eu fui a foresta, e que eu irei retornar com alguma coisa para curar a sua visão”... Assim ela disse “Espere aqui. Não saia sem informar”... Ela trouxe um revolver... “Joshua disse que um revolver nunca dever ser apontado para uma pessoa ao menos que você queira feri-lo ou matá-lo... Por isso, ele disse que um revolver tem um coração insaciável. Ou será que ele disse que um revolver tem um coração sombrio?”).
De acordo com o prório comentário de Stephen King no prefácio do livro, este volume apesar de estar como o 4.5 da série, The Wind Through The Keyhole funciona como uma peça “independente da saga”, pois ele nos traz duas estórias intercaladas que se originam e se concluem neste livro, podendo ser apreciado mesmo que você não conheça o universo da Torre Negra.

O livro será publicado no Brasil pela Editora Suma das Letras, porém ainda não há previsão. Eu, particularmente, como fã da série gostei muito da trama e achei que se encaixou muito bem no universo de “A Torre Negra”. É muito bom ter a oportunidade de ler um pouco mais das aventuras de Roland, recomendo.
sábado, 19 de maio de 2012

[Quadrinhos]: Vampiro Americano


Chegaram as lojas esse mês uma nova Graphic Novel, lançada pela Panini, Vampiro Americano, que é nada mais nada menos que o primeiro quadrinho feito por Stephen King, outros trabalhos do autor já foram adaptados, mas esse foi o primeiro escrito pelo famoso autor de terror.

Como desenhista temos o brasileiro Rafael Albuquerque, que já ganhou diversos prêmios lá fora, inclusive o Oscar dos quadrinhos, pelo seu trabalho em Vampiro Americano e faz um trabalho magistral nessa obra e pra completar o grupo temos Scott Snyder, que ajudou Stephen no roteiro de algumas histórias.

A obra como dita pelo próprio King, vem para tentar recuperar o prestigio perdido dos vampiros, tirar glamour deles e voltar a origem gore e pesada da mitologia destes seres.
O enredo tem a intenção de mostrar a “evolução dos vampiros”, trazendo a origem dos novos vampiros, uma espécie americana e com novos poderes e características, assim a HQ foca como pano de fundo o velho combate entre o novo e o antigo, costumes e crenças, os vampiros seculares da Europa que povoaram a América e os atuais e suas diferenças culturais.

O protagonista da história é Skinner Sweet, um bandido do velho-oeste que após um roubo frustrado se torna um vampiro e através dele você conhecera todas as décadas já que cada saga se foca em uma época, começando pelo velho oeste, passando pelos anos 20,30,50,60, as primeiras e segunda guerra, até chegar na atualidade.

Pra quem quer entender os séculos passados, costumes e tradições, além de curtir uma boa história gore de vampiros, tem que ler essa Graphic Novel ou mesmo se você for fã do mestre do terror Stephen King.



 
Ana Liberato