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segunda-feira, 26 de março de 2018

Resenha: “Louca para Casar” (Madeleine Wickham)


Tradução de Alice França

Para Kleris: Como uma chicklitter de coração, não teria livro melhor pra começar o ano. Estava, aliás, precisando de um romance assim, bem gostosinho. Louca para casar calhou de esperar cerca de quatro aninhos na minha estante porque da última vez que o peguei, fora totalmente do clima, não rolou. Agora só penso em renovar meu estoque de chick-lits, pois de tempos em tempos preciso de doses cavalares de amorzinho assim.

Em seus 18 anos, Milly se aventurou num curso profissionalizante em outra cidade, e lá conheceu seu futuro marido, Allan. Mas não era um casamento comum... ou real. Eles casaram para que Allan pudesse ficar no país e ficar com Rupert, sua grande paixão. Após voltar pra casa, Milly nunca mais os viu.

Ao passar 10 anos, Milly está para subir o altar com Simon. Aquele casamento da juventude meio que foi esquecido, abandonado... apagado. Era o que Milly achava, sem se ligar dos trâmites legais e que poderia estar cometendo bigamia. O destino (in)felizmente traz alguém do passado para recobrar a consciência da mocinha e tratar de colocar desespero resolver a situação – antes que alguém descubra.

Enquanto Milly se revira para cuidar dos preparativos do casório, lidar com a família e suas crises, Madeleine nos leva para um significativo e maravilhoso passeio pelos relacionamentos de cada personagem envolvida nesta trama de família.

Primeiramente, a autora caprichou MUITO na construção da história e narrativa. Ao explorar de maneira primorosa os pontos de vista, ela instiga e guarda cada bomba que AAAAAAAAAAAAAAA! Mesmo na gana de querer sempre saber de um e outro personagem, o suspense da narração se torna algo tão gostoso que não te deixa largar o livro por coisa nenhuma.

Mas o que mais impressiona é como Madeleine retrata a vulnerabilidade de seus personagens e como se utiliza de uma situação para despertar a todos de suas realidades. Nesse sentido, sua voz narrativa funciona quase como um microscópio emocional que nos conduz perfeitamente às emoções e papeis de cada um na história. E assim se pauta o status, a instituição do casamento, as insatisfações pessoais, problemas familiares, preconceitos, as maneiras para agradar pessoas e as maneiras de ser feliz. 
Mas não era. Ele precisava de mais, queria mais. Desejava uma vida diferente, antes que fosse tarde. 
— [...] Quer dizer que o seu relacionamento perfeito não é tão perfeito como você pensava. E daí? Isso significa que você tem que jogá-lo fora, descartá-lo?

Não é uma mera história sobre casar e casar por status, ou de que o casamento deva ser uma relação pautada em regras (sociais ou religiosas), mas entender como todos têm seus problemas e que devem lidar não só com as consequências de suas escolhas, mas com seus reais sentimentos sobre tais escolhas. Chamada para tortas de climão? Com certeza!

Minha admiração pela Sophie Kinsella – sim! – aumentou. Para quem não sabe, Madeleine é o nome real oficial da nossa amada Sophie. Sem deixar suas tramoias de Kinsella de lado, Madeleine aqui desenvolve com uma escrita suave, realista e sóbria – sem aquele típico desespero ou mel exagerado, sabe?

Geralmente ela me deixa a sensação de estar sempre à frente de tudo. Não foi muito diferente em Louca para casar – que, me perdoem, me parece um título injusto para tal obra. Com toques de girl power, desromantização de instituições sociais, feminismo e femismo, love is love, e conflitos, muitos conflitos internos, Madeleine dá um show de ficção. 
Sem a intenção de enganá-lo, mas também sem querer desapontá-lo, ela lhe permitiu formar uma imagem que, sinceramente, não era de todo verdadeira. [...] Tudo o que era precisava era mudar o modo de se vestir, fazer alguns comentários inteligentes ocasionais e permanecer discretamente calada o restante do tempo. 
— O que estou dizendo é que não existe casamento baseado na verdade — corrigiu Esme. — Felicidade é outra coisa.  

Destaque para a personagem principal, Milly, que apesar de ser a mocinha confusa, é uma heroína e tanto. Madeleine, aliás, trabalha bem essa questão de impressões e narrativas que pessoas têm de outras pessoas. Rupert, Isobel, Simon, Allan, James, Olivia e – vá lá – Harry também não ficam pra trás. Só sei que foi difícil deixá-los ao finalizar o livro. Você quer descobrir tudo, acompanhar tudo, pirar com tudo, menos deixar o livro acabar. 
— Não vivo para o trabalho. — Isobel pousou a caneca na mesa com força. — Sou apenas uma pessoa que trabalha.
— Eu não quis dizer...
— Mas disse! — retrucou Isobel, exasperada. — Vocês pensam que minha vida se resume a isso, não é? Uma carreira e nada mais. Vocês esqueceram todos os outros aspectos.

Por fim, Louca para casar é aquele livro que sabe ser amorzinho, mas sabe também nos deixar em reflexão com nossos ideais internos. Recomendadíssimo! 
— Tenho certeza de que você e Milly serão muito felizes. Nem todo mundo tem a mesma sorte.
— Não é uma questão de sorte — retrucou Simon furioso. — Sorte não conta! — Ele fitou James e Olivia. — O que vocês acham que faz um casamento dar certo?
— Dinheiro — respondeu Olivia antes de dar uma gargalhada. — Brincadeira!
— É cumplicidade, não é? — perguntou Simon. Ele se inclinou para frente com ar sério. — Compartilhar, dialogar, conhecer um ao outro profundamente.



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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resenha: “Minha Vida (Não Tão) Perfeita” (Sophie Kinsella)


Resenha publicada originalmente no Chalé Cult


Tradução de Carolina Caires Coelho

Por Kleris: “Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?” – Mário Sérgio Cortella me representa aqui. Que mixed feelings! Tão acostumada ao estilo da Sophie, estou um pouco sem saber escrever como me sinto em relação a este livro. Mas tentarei.

Cat está imersa numa rotina bem louca enquanto caminha atrás de seu sonho – trabalhar com branding (conceito de marcas/design). Assistente em uma agência, ela está esperando e trabalhando pela sua grande oportunidade. Sua chefe, Demeter, é um furacão que deixa um rastro de inveja a qualquer um – e tem, aparentemente, uma vida perfeita, badalada, glamorosa. Cat também “sustenta” uma vida baseada no status, só que um bem distante do seu. Comete até loucuras (como entrar em cafeterias e tirar foto de cafés gourmet) pra mostrar a todos que ela está bem, está feliz e satisfeita.

Quando Cat é demitida, por conta de problemas na empresa, ela se joga em um novo empreendimento de seu pai, o que se torna uma grande aventura. Mas Cat ainda não resolveu o que quer ou como seguir em frente. Nesse ínterim, ela sugada de volta aos problemas e à empresa quando Demeter torna-se sua cliente e Alex, seu chefe crush, está ali para terminar um trabalho.

Minha vida (não tão) perfeita tem uma pegada diferente dos demais livros da Sophie. É bem mais suave, lúcida até. Apesar do que diz a capa (“Chorei de rir”, Jojo Moyes), eu não consegui rir como antes, em outros livros da autora, pois este não é bem uma tragicomédia. Não há casos extraordinários, improváveis, tresloucados ou surreais. Sophie traz a realidade. Algo mais próximo de um drama de costumes, mas sem perder, claro, o seu jeito Kinsella de ser.

Outro ponto diferente foi o gênero de público. Sophie é conhecida por tratar de mulheres adultas fortes e/ou independentes, e neste livro, ela ousou em se colocar na pele de uma millenium (geração Y). Vemos muito de uma garota em seus 26 anos que tá começando de baixo e está em desespero sempre – porque nossa geração é aquela acelerada, que se joga e vai em busca dos seus sonhos, não importa de que maneira, e que também se ferra muito por isso. Mas nem tudo é exasperação. Um ponto forte do team Y é justo transformar o limão numa boa limonada – ou melhor dizendo, transformar qualquer coisa em oportunidade (de mercado, se possível). 
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo?
Mas, quando olho pra ela, sinto uma comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela.

Ao tratar desse desejo de crescer na vida, Sophie insere sensivelmente sua crítica sobre a rede de mentiras que se constrói na internet. Sobre como usamos as redes para nos sufocar e demonstrar uma vida que não é nossa. Como os filtros podem ser tão tóxicos e arrasadores quanto um ambiente de trabalho competitivo. Como essa competição pela foto ou vivência mais glamorosa nos faz perder o real momento. Como isso cria uma narrativa bem diferente para quem nos lê. E como essas mentiras todas podem interferir ou confundir a vida real. 
Depois de algumas semanas de funcionamento, percebi que alguns clientes só querem saber de perguntar: Vocês são sustentáveis? Porque isso é muito importante para nós.   
Sinto vontade de rir quando Demeter se esconde atrás de uma árvore. É inacreditável ver como uma pessoa inteligente pode se tornar uma tola que acredita em tudo o que ouve assim que ouve as palavras “orgânico”, “autêntico” e “Gwyneth Paltrow”. 
— Esse cavalo é especialmente místico. — Eu me aproximo de Carlo e passo uma mão pela anca dele. — Ele traz calma às pessoas. Calma e paz.
Mentira. Carlo é tão preguiçoso que a emoção que ele causa na maioria das pessoas é frustração. Mas não hesito e continuo:
— Carlo é o que chamamos de um Cavalo da Empatia. Nós classificamos nossos cavalos de acordo com seus predicados espirituais, como Energia, Empatia e Detox.
Quando digo isso, percebo que exagerei. Um cavalo de detox? Mas Demeter parece estar engolindo tudo. 

A escolha de tratar a história por um viés mercadológico e marketeiro foi um grande acerto, pois dessa maneira Sophie pôde nos demonstrar melhor do princípio que manipula as pessoas pelas suas fraquezas. Esse realismo coloca em xeque nossos desejos, sonhos e ilusões. É muito louco como a gente vive para reforçar, com palavras bonitas, sacadas de marketing, neurociência, um estilo de vida que não reverbera quem nós somos, mas quem queremos parecer que somos. E é tudo lorota! É como usar a sabedoria para semear o mal – para si e para todos. 
Talvez eu devesse entrar no Instagram agora. Postar alguma coisa divertida.Mas, quando rolo as imagens na tela do celular, parece que elas estão rindo de mim. A quem estou querendo enganar com essas coisas falsas e felizes? É sério: a quem estou querendo enganar?

Com certeza a gente fecha o livro pensando no que estamos postando em nossos perfis, quaisquer redes sociais que sejam. Toda a história, toda a abordagem, foram caminhos arriscados para se tomar, vide o grande histórico da autora, mas achei bacana que ela tentou sair dessa redoma. E me surpreendeu para onde ela levou a história. A alguns leitores pode parecer até morno em relação aos outros livros (e é em alguns pontos mesmo), por outro lado, prefiro encarar como uma história para exercer nossa empatia, senão nossa consciência. No mais, para ir sem grandes expectativas.


Minha vida (não tão) perfeita é um livro sobre as várias versões da gente. Sobre ser verdadeiros conosco, assumir nossa realidade. Sobre se arriscar em um projeto, mas não esquecer aquele sonho, nem de deixar de trabalhar por ele. Não poderia dizer que este é meu favorito da autora, mas relembro aqui uma frase de O sorriso das mulheres (aqui) que, como o trecho de Cortella no início do texto, vale como uma ótima conclusão: “Um bom livro é bom em todas as suas páginas”. 
Não posso deixar um contratempo destruir meu sonho, posso? Claro que não. Um dia vou trabalhar com branding. Ainda vou atravessar a Waterloo Bridge e pensar: Esta é a minha cidade. Eu vou chegar lá.

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Resenha: “Fiquei com seu número” (Sophie Kinsella)

Tradução de Regiane Winarski

O livro já foi resenhado anos atrás pela Juny – aqui.


Por Kleris: Ao decidir por uma releitura, a gente já imagina o que vai encontrar, porque, bem, já passou por aquele lugar. Costumo reler livros em viagens, porque não quero ficar naquela de “será se vai ser uma boa leitura?”; quero entrar na leitura com a certeza de que vou gostar. E foi assim, my friends, que puxei mais uma vez Fiquei com seu número da prateleira e Sophie me deixou no chão: rolando de rir, sem ar, chocada. Quase sem palavras sobre como eu a admiro.

E me perguntando seriamente POR QUE RAIOS EU PASSO TANTO TEMPO SEM LER CHICK-LITS. Descobri o porquê, mas ainda não estou satisfeita – o que é outra história. Vamos à resenha!

Poppy se vê numa situação bem... complicada. Ao meio de uma reunião com as amigas e colegas para surtar sobre o anel de noivados, o hotel que hospeda um evento social vira um pandemônio quando a sirene de incêndio soa, e ao meio do transtorno, Poppy perde o anel – da família do noivo, Magnus. Entramos na história justo no momento de maior desespero de Poppy, enquanto ela revira o saguão do hotel atrás da joia. Sem muita esperança, ela tem que esperar notícias e então... lhe roubam o celular na rua. Nem preciso dizer que sua síncope toma maiores proporções, né? Mas no meio do pânico, uma luz surge: ela acha um celular no lixo e resolve usá-lo até arranjar outro, até porque Poppy NÃO PODE perder nenhuma notícia sobre o anel nesse meio tempo.

É assim que ela entra no mundo de Sam, o responsável pelo aparelho. Que, aliás, acaba de perder a assistente e precisa da ajuda de Poppy para fechar um negócio ali mesmo no hotel. É apenas ÉPICA a cena que ela salva o mundo corporativo – ou pelo menos a empresa de Sam. E é essa gentileza – e mico da vida – que faz Sam repensar sobre o aparelho celular e permitir que eles dividam a caixa de mensagens. Chamar mais confusão que isso não sei dizer – que é, na verdade, só uma pontinha do iceberg desta trama. São tantas reviravoltas que não consigo dizer mais que isso.
Conforme vou descendo os e-mails, começo a me sentir desconfortável. Nunca tive tanto acesso ao celular de outra pessoa. Nem ao dos meus amigos. Nem mesmo ao de Magnus. Tem certas coisas que não se compartilha. 
Isso é totalmente surreal. E emocionante. E um pouco angustiante. Tudo ao mesmo tempo. 

Confesso que tinha um receio de reler este livro por motivos de 1) li tem quase 5 anos, e 2) depois que se muda algumas filosofias de vida (como o feminismo), diversos livros ganham nova visão e é provável que essa nova experiência de leitura seja... ruim. Estaria eu preparada para deixar minha Sophie ir? Ou melhor, estragar minha visão da autora? Posso dizer agora que: não se preocupem, não só continua MARAVILHOSA, quanto minha admiração subiu mais uns degraus e marquei ainda mais cenas do que já tinha marcado #totalwin

Sophie entrega mais que uma história apaixonante, ela OUSA, ela quebra barreiras, e chuta na cara de quem fala que chick-lit é uma narrativa fácil ou rasa. Bem, tudo depende da abordagem, né? Apesar de apresentar situações que encaixam fácil no estilo, a maneira com que Sophie nos induz faz toda a diferença. Em Fiquei com seu número então, tem inúmeras razões que confirmam isso. Diria até que é a marca da autora dar essa rasteira nos desconfiados e/ou haters.
Não.
 Não não não não não.
 :( Não faz isso.
 Você não pode.


Arrisco dizer ainda que os melhores “e se?” se encontram também nesta leitura. São situações absurdas e totalmente plausíveis. Não tem nada que te faça ficar “hmmmm, não me parece possível” ou “aham, colega”. São fatos que seguram nossa atenção do começo ao fim em um mega deleite do chamado “romance slow burn” – aquele que queima devagar e de maneira progressiva.
E não quero soltar. Não quero que isso termine. Embora eu esteja tropeçando e com frio e no meio do nada. Estamos num lugar onde jamais nos encontraremos de novo.

Além daquele lance de ver/ler coisas que não tinha percebido na primeira leitura, outra coisa super interessante sobre reler livros é o quanto de informações que a nossa mente apaga! Costumamos nos agarrar a algumas coisas, e esquecemos totalmente outras, tão marcantes quanto, e é isso que faz ser uma experiência tão impressionante. Não achei que seria possível amar muito mais a Kinsella <3

Nem preciso dizer o que foi reviver minhas cenas preferidas, né? A cena da Poppy enrolando os japoneses, a cena do sabão na janela, as NOTAS DE RODAPÉ, as palavras-cruzadas, o BOSQUE... FEELS EVERYWHERE. Não duvido que serão, em sua maioria, as mesmas das de vocês ^^ entendedores entenderão e não, não é spoiler!
Não há resposta, mas não ligo. É catártico apenas digitar.

Enfim, é uma leitura gostosa, alucinante, mil e umas reviravoltas aloucadas, apaixonante, genial, irresistível... I N C R Í V E L. Procura uma leitura contemporânea bem fresh? De cair o queixo e lhe faltar o ar pelas gargalhadas? Com conspiração, mistérios e armações? Mulheres em busca de sua independência? Com muita tragicomédia e amor? Pois se prepare pra vomitar arco-íris e ao mesmo tempo nadar neles. Leve Fiquei com seu número a g o r a <3 E se já leu, vale ler de novo!

Se recomendo?! Minha vontade é de sentar o dedo na letra i e não soltá-lo nunca mais: recomendadíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimo!
50. Antiético é o mesmo que desonesto? Esse é o tipo de debate moral sobre o qual eu poderia ter perguntado a Antony. Em circunstâncias diferentes.

Até a próxima!

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domingo, 1 de dezembro de 2013

Resenha: "O Segredo de Emma Corrigan" (Sophie Kinsella)

Por Juny: Todo mundo esconde alguns segredos, mesmo que não sejam coisas tão bombásticas, mas que não devem ser revelados à ninguém sobre nenhuma circunstância.

Após o fracasso de sua primeira reunião representando a Panther e um dia péssimo, Emma Corrigan conta com a solidariedade da aeromoça que a muda para a primeira classe no voo de volta para a Inglaterra. Ela já tem medo de avião e pra piorar começam turbulências assustadoras, o que a faz concluir que o avião vai cair e todos vão morrer. No desespero ela começa a contar todos os seus segredos mais íntimos ao cara da poltrona ao lado, coisas que nem ela percebia até então. Desde que usa 42 ao invés de 38, não ama o namorado, odeia calcinha fio dental, joga suco de laranja na planta da colega de trabalho, finge gostar de jazz, se sente inferior a prima bem sucedida, enfim, tudo! O estranho ouve tudo com atenção, sem interrompe-la, até que a aeromoça os avisa que o avião já pousou há algum tempo. Em meio ao transe que estava enquanto fazias as revelações Emma nem percebeu e ficou morrendo de vergonha, mas pensou que ao menos nunca mais iria ver o cara.

“Na manhã seguinte acordo cheia de um pavor doentio. Sinto-me como uma criança de cinco anos que não quer ir a escola. Uma criança de cinco anos com uma tremenda ressaca.”
No dia seguinte em seu trabalho, Emma esta preocupada com o resultado de sua reunião e com a avaliação que pode resultar em uma promoção ou não. Tudo isso é abafado pelo caos que gera a noticia de que o dono da empresa, Jack Harper, o gênio da marca, recluso há 3 anos desde a morte de seu sócio e melhor amigo, irá visitar a filial de Londres. E quando Emma o vê se dá conta que o chefe supremo de sua empresa é o cara do avião que sabe todos seus segredos íntimos e profissionais! Um completo desastre!

Emma e Jack começam a se envolver, discretamente para não atrair a atenção do restante da empresa e a vida de Emma vira uma completa confusão. Poderia dar certo um romance com um multimilionário que sabe de todos os seus segredos?

Emma, como todas as protagonista de Sophie que eu conheço, é engraçada, atrapalhada e tem muitos defeitos que tornam fácil a identificação por parte das leitoras. Jack é o empresário milionário, lindo, extremamente misterioso e apaixonante.
“Não. Não. Não. Jack não vai estar em lugar nenhum. Eu superei Jack. Tenho de lembrar isso. Talvez escreva na mão.”
O romance começa como uma relação de trabalho tensa, vira uma amizade e depois não tem limites. O casal passa por muitas provações. Há diversas reviravoltas, a leitura é frenética, difícil parar de ler e conviver, mesmo que por algumas horas, com a curiosidade sobre o desfecho da trama.
“Ontem a noite, quando Jack perguntou “Em que você está pensando?” e eu respondi “Ah, nada...”. Não era bem verdade. Eu estava imaginando os nomes dos nossos filhos.”
Fico impressionada cada vez que termino um livro da Sophie, as páginas passam tão rápido e tenho a sensação que assisti á um ótimo filme de comédia romântica, a escrita é tão ágil, é tão engraçado  e bate uma tristeza quando termina. Fica sempre aquela sensação de quero mais! Não foi diferente com “O Segredo de Emma Corrigan”. Recomendo muito!

domingo, 9 de junho de 2013

Resenha: “Fiquei com o seu número” (Sophie Kinsella)

Por Juny: Pense naquele livro leve, muito engraçado, cheio de romance, que a narrativa é tão legal que parece um filme de comédia romântica, é isso que sinto cada vez que leio um livro da Sophie Kinsella, minha autora favorita de chick-lit.

Poppy irá se casar e tem um lindo anel de noivado, uma joia rara da família de seu noivo. Porém em uma festa com as amigas acontece um incidente e ela perde o anel e o celular. Desastre total! Desesperada ela encontra um celular na lixeira do hotel onde ocorreu a festa e começa a usá-lo em sua busca para contatar as amigas e os funcionários do hotel. Porém o dono do celular acaba ligando (para a linha que deveria ser seu sua assistente que pediu demissão e jogou o celular fora) e fala com Poppy. Como ele precisa fechar um negocio urgente com um grupo de japoneses e esta atrasado, pede para Poppy fazer o que sua assistente deveria estar fazendo: ganhando a atenção dos empresários ate a sua chegada. Para isso ela faz uma cena engraçada e inusitada.
Meu instinto é mandar uma mensagem de texto para alguém dizendo “Ai, meu Deus, perdi meu celular!” Mas como posso fazer isso sem o maldito celular? Ele é meu companheiro. É meu amigo. Minha família. Meu trabalho. Meu mundo. É tudo. Sinto como se alguém tivesse arrancado de mim os equipamentos que me mantêm viva.
E com isso, Sam e Poppy criam um vinculo por causa do celular. Ela repassa os e-mails da caixa de sua assistente enquanto ele não arruma uma nova e ela fica com o numero pois deu a todos na esperança de noticias do seu anel, o qual ela omitiu a noticia do sumiço ao seu noivo. O envolvimento dos dois fica a cada dia mais intenso. Muitas confusões acontecem entre eles por causa do celular. E a trama toma rumos inesperados, colocando muitas situações de suas vidas à prova.
“Mas a gente não percebe, não é? O momento surge, a gente comete o erro terrível e ele acaba, e a chance de fazer qualquer coisa já era.”
Poppy é super engraçada e doida, em alguns momentos até sem noção, uma protagonista muito interessante que dá brilho ao livro. Sam a principio enigmático e muito sério, é um cara responsável e focado em seu trabalho, porém no fundo é muito fofo e encantador. Eles formam um belo casal, fazendo o leitor torcer muito pela felicidade deles.
“E por fim, ele olha para mim. Eu poderia ir para a cama com aquele sorriso”
A família de Magnus, noivo de Poppy, é composta por grandes estudiosos, especialistas em diversos assuntos complexos que ela desconhece. Sempre ela se sente pouco inteligente perto deles e não consegue acompanhar os diálogos. Isso gera alguns dos momentos mais engraçados do livro, quando ela tenta surpreende-los em um jogo de palavras, enquanto Sam passa a “cola” por mensagens de texto. O romance entre ela e o noivo é muito complicado.
(...) Não somos a história principal. Acho que somos... – Eu contorço meu rosto, tentando pensar numa maneira de dizer. – Acho que somos as notas de rodapé um do outro.
O enredo é tão divertido e engraçado que a leitura flui com muita rapidez, acredito que essa seja uma marca dos livros de Sophie. Sem contar que o romance é muito fofo e bem atual, combina muito com a nossa sociedade atual, imersa na tecnologia. Recomendo!

domingo, 5 de agosto de 2012

Resenha: "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" (Sophie Kinsella)

Sophie Kinsella é um dos maiores fenômenos da nova literatura britânica, faz muito sucesso na categoria "Chick-lit" e sua série mais famosa é "Os delírios de consumo de Becky Bloom".
Rebecca sou eu. São minhas irmãs, São todas as minhas amigas que já saíram para comprar um chocolate e voltaram para casa com um par de botas. Rebecca é todas as mulheres (e homens) que já se viram paradas diante de uma vitrine e souberam, com certeza absoluta, que precisavam comprar aquele casaco e..., ai, meu Deus, calças que combinassem com ele!!
Por Gabi: É com esse comentário de Sophie Kinsella, uma das mais prestigiadas autoras britânicas de chick-lit, a respeito da personagem principal de seu romance de estreia que começaremos a falar do livro.

Complementando a descrição de Rebeca Bloom (para nós, somente Becky): ouso dizer que ela possui uma "dupla personalidade", pois é uma jornalista financeira, que durante o expediente ensina às pessoas como administrar seu dinheiro e, ao andar pelas ruas de Londres, transforma-se em uma incansável e compulsiva compradora, que idolatra uma liquidação como ninguém e foge loucamente do gerente de seu banco. (rsrsrs)
Sabe quando você encontra alguém bonito e ele sorri e seu coração fica igual manteiga derretida em cima da torrada? É assim que eu me sinto quando eu vejo uma loja. Só que melhor.
Visando tal situação desesperadora, nossa querida Becky decide que, para quitar suas dívidas, deve cortar completamente seus gastos. Claro que é uma tentativa furada. Depois dessa, ela conclui que precisa ganhar mais dinheiro (sabendo que seu emprego está ameaçado) ou que um desconhecido pode pagar a fatura de seu cartão por engano. Mas nenhuma de suas tentativas dá certo e ela acaba se metendo em deliciosas confusões que vão arrancas deliciosas risadas dos leitores.
Tudo bem. Não entre em pânico. É só uma conta do VISA. Só um pedaço de papel; alguns números. Quero dizer, que poder têm uns poucos números para nos amedrontar?
Mas Becky não é uma personagem insensível e que só pensa em futilidades. Ela é sensível, carinhosa e muito otimista. Tanto que em meio a toda essa loucura de sua vida, ela ainda encontra tempo para se apaixonar pelo irresistível, expert, sedutor (e especialista em finanças), Luke Brandom.
Faço uma espécie de aceno desinteressado sem encarar Luke bem nos olhos, rapidamente me viro e volto para Suze, meu coração batendo rápido e meu rosto ardendo de vermelho. Deus, que fiasco.
Bom, a partir daí, vocês puderam perceber que temos todos os ingredientes para embarcar em um chick-lit de primeira qualidade. Bloom embarca em situações inusitadas e muito cômicas ao tentar vencer sua batalha contra o cartão de crédito, conquistar o coração de Luke (e, posteriormente, manter a relação) e ainda exercer bem seu trabalho.
- Tudo bem, eu estou mentindo – interrompe Luke – Eu estou mentindo. Eu não preciso simplesmente de alguém como você. Eu preciso de você.
Com uma mistura de romance e comédia, livro é encantador e divertido, tendo uma leitura dinâmica e muito rápida. Para os que gostam do gênero, podem investir na leitura sem medo! E para os que não curtem tanto, ou que têm um certo preconceito com os "livros de mulherzinha", é uma boa pedida pra começar a quebrar essa barreira boba.

Indico também o filme homônimo inspirado no romance de Kinsella. É muito engraçado , pessoal. Bem bacana! =D Ah! Não sei se repararam, mas a capa do livro se assemelha muito com o banner da nossa querida coluna "Ofertas por Aí". Por que será, hein? rsrs Segue o trailer para vocês:
domingo, 29 de julho de 2012

Resenha: "Samantha Sweet, Executiva do Lar" (Sophie Kinsella)


Sophie Kinsella é um dos maiores fenômenos da nova literatura britânica, faz muito sucesso na categoria "Chick-lit" e sua série mais famosa é "Os delírios de consumo de Becky Bloom"

Por Juny: Se eu soubesse que os chick-lits da Sophie Kinsella são tão bons teria começado a lê-los antes! Sério!

Samantha Sweet é uma advogada, workaholic, que trabalha dia e noite com o objetivo de ser escolhida para se tornar uma sócia do escritório em que trabalha (um dos mais renomados de Londres). Ela é perfeita no faz, porém para isso, deixa de lado sua vida pessoal e vive somente para o trabalho.

Quando está tudo certo, todos já sabem que sua nomeação acontecerá no final da tarde, ela simplesmente encontra um documento no fundo de sua mesa extremamente bagunçada, sobre um empréstimo que deveria ter sido registrado para poder ter direito a seguro, mas ela não o viu antes e já passou do prazo. Ai começa o caos. Ela descobre que essa falha resultou em um prejuízo de 50 milhões de libras.
A Glazerbrooks vai falir. Agora nunca vão fazer uma nova documentação. Nem em um milhão de anos. (...) Perdi cinquenta milhões de libras do Third Union Bank. Parece que estou alucinando. Quero murmurar qualquer coisa, em pânico. Quero largar o telefone e correr. Bem depressa.
Após essa constatação ela foge sem rumo e vai parar em uma cidadezinha do interior. Morrendo de dor de cabeça, ela acaba entrando em uma casa para pedir um comprimido. Porém os moradores a confundem com uma candidata a empregada que veio para uma entrevista. No auge da loucura Samantha acaba concordando com tudo e ainda inventa qualificações. Quando acorda, na casa dos Geiger, ela começa a se lembrar dos desastres do dia anterior e do fato de que aceitou ser uma empregada doméstica!

O maior agravante é que Samantha não sabe fazer absolutamente NADA, não sabe cozinhar, limpar, passar roupas e etc. Ela é uma completa fraude. Mas admira a hospitalidade das pessoas que a acolheram e começa a tentar, sempre jurando que vai contar a verdade no dia seguinte e acabar com tudo isso. Cada confusão que ela faz ao tentar dar conta do serviço doméstico! Essa parte rende boas risadas.

E como todo bom chick-lit, tem romance. Nathaniel é o lindo jardineiro da família Geiger. Ele descobre facilmente que Samantha é uma fraude e passa a tentar ajuda-la.

E agora? Samantha deve tentar recuperar sua brilhante carreira de advogada? Como irá resolver essa confusão de empregada doméstica?

Pode parecer que contei muito da história né? Mas acredite, isso é só uma introdução. O livro é repleto de reviravoltas, cenas engraçadas, romance e até mesmo investigação! Sério! Sophie Kinsella faz um ótimo trabalho nas 510 páginas do livro.

Se você é como eu, um zero a esquerda no trabalho doméstico, é muito fácil se identificar com algumas confusões em que a Samantha se mete. Ela é uma protagonista muito humana, fácil de simpatizar. Só achei ela um tanto incoerente em alguns fatos nos acontecimentos finais.
Minha vida mudou e estou mudando com ela. É como se a velha Samantha convencional e monocromática tivesse se desbotado até virar uma boneca de papel. Joguei-a na água e ela esta se dissolvendo até o nada. E em seu lugar há uma nova eu. Uma eu com possibilidades. Nunca corri atrás de um homem antes. Mas, afinal, até ontem eu nunca havia assado um frango.
Também já passei por trabalhos extremamente estressantes, por isso não foi difícil entender os sentimentos de Samantha, a sensação de libertação, novas possibilidades. (Calma, não virei doméstica também HAUAHAU).

Nathaniel é especial, aquele cara simples do interior, lindo, rústico, sensual e encantador, o sonho de consumo de qualquer mulher. Só achei uma pena não explorar muito as cenas entre os dois, pois a cena da colheita das framboesas foi a MELHOR parte de todo o livro! *suspiros*
E dessa vez ele não se afasta. Dessa vez é de verdade. Suas mãos estão se movendo sobre o meu corpo, minha saia cai no chão, seus jeans estão escorregando (...) E as framboesas são esquecidas, espalhadas no chão, esmagadas sob nós.
Se você quer uma leitura descontraída, com boas doses de romance e risadas, não pode deixar de ler “Samantha Sweet, Executiva do Lar”! Recomendo! *-*


 
Ana Liberato