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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Resenha: "Uma Coisa Absolutamente Fantástica" (Hank Green)

Tradutor: Lígia Azevedo

Sinopse: Em seu aguardado livro de estreia, Hank Green traz a história original e envolvente de uma jovem que se torna uma celebridade sem querer - mas logo se vê no centro de um mistério muito maior do que poderia imaginar. Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência - uma espécie de robô de três metros de altura -, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial. Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas - e o que querem de nós.

Por Jayne Cordeiro: Sabe quando você pega um livro pra ler, imaginando uma coisa, e acaba sendo completamente surpreendida pelo rumo que o livro toma? Pois Uma Coisa Absolutamente Fantástica é exatamente isso. Para começar, eu não sabia que o autor era irmão do famoso John Green, autor de A Culpa é das Estrelas e Teorema Katherine (entre outros). Além de parecidos fisicamente, eles conseguem fazer uma mistura bem legal entre ciência e ficção (no caso de John Green, por Teorema Katherine). E para seu livro de estreia, Hank Green conseguiu uma obra muito legal.

Olha, sei que você está esperando uma história épica com intriga, mistério, aventura, quase morte e morte de verdade, mas, para chegar a isso (a menos que pule direto para o capítulo treze - não sou a sua mãe), você vai ter que lidar com o fato de que eu, April May, além de ser uma da coisa mais importantes que já aconteceu à raça humana, também sou uma mulher de vinte e poucos anos que cometeu alguns erros.

Bom, você pode pensar que este livro é mais uma obra de ficção científica, sobre invasões alienígenas, mas o livro acaba surpreendendo, porque esse tema, por mais que esteja em todo o livro, acaba sendo apenas a base para uma história mais profunda, e que trás uma crítica bem interessante sobre as mídias sociais e como somos influenciados e mudados por ela. Como isso acontece? A April, sem grandes pretensões (e sem ser muito ligada às redes sociais), acaba se tornando manchete e posteriormente ícone de uma situação, que mexe a dinâmica do mundo todo. O livro mostra como as pessoas lidam com isso através das redes sociais, e como outros se utilizam da mídia para conseguir atingir seus propósitos.

Eis algo realmente idiota sobre o mundo: o segredo para parecer interessante é não se importar em parecer interessante. De modo que o momento em que você chega ao ápice do interesse também é o momento em que você não está nem aí.

O livro trás uma temática bem legal, questionando a força que a internet tem em ligar e afastar pessoas, criando situações perigosas e solidárias, e como muitas vezes a busca pela atenção pode mexer com as pessoas e como lidamos com o dia a dia. Dá pra ver que o livro é bem mais que uma ficção, certo? Mas ele também trás um lado misterioso, enquanto todos tentam descobrir o que são os robôs que aparecem, e o significado de diversos acontecimentos estranhos que acontecem com todos.

- Está tudo bem? - Pode me contar mais sobre esse sonho? - Hum, claro, mas sé bem esquisito. Tive o mesmo sonho quatro vezes. Estou no lobby de um escritório todo chique, mas meio estranho...Ele terminou para mim:-Com um robô recepcionista, enquanto toca uma musiquinha que não sai da cabeça no fundo. Essa que você estava cantarolando agora.- Como você sabe?- Faz dias que estou tendo esse sonho April.

O livro é muito bem escrito, tem uma dinâmica que segura o leitor o tempo todo. Achei legal, como a história é contada pela April, diretamente para quem lê o livro, como se ela estivesse realmente contando a história para o leitor. Gostei da protagonista, exatamente porque ela não era perfeita. Tinha uma série de defeitos e más atitudes, mas acho que isso é importante para entendermos o que acontece com ela, e como ela chega até aquele ponto.

- Como eu estava dizendo, mesmo no mais terrível dos dias, mesmo quando só conseguimos pensar no nosso pior, tenho orgulho de ser humana.

Uma Coisa Absolutamente Fantástica é um livro divertido, mas ao mesmo tempo sério, capaz de mostrar as engrenagens que movem as mídias e as pessoas, que parece surpreendente, mesmo pra quem já mexe com elas, como se finalmente percebêssemos uma camada de tudo, que nunca tínhamos visto antes. Também é uma história que fala sobre união. É uma história envolvente, e com um final impactante, e que pode vir a ser um gancho para uma continuação ou não. É um livro que super indico!

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Resenha: "Querido Mundo" (Bana Alabed)

Tradução: Claudia Gerpe Duarte


Sinopse: Aos 3 anos de idade, Bana Alabed tinha uma infância feliz que foi interrompida abruptamente por uma guerra civil. Durante os quatro anos seguintes, Bana viveu em meio a bombardeios, destruição e medo. Sua provação angustiante culminou em um cerco brutal em que ela, seus pais e os dois irmãos mais novos ficaram presos em Aleppo, com pouco acesso a comida, água, medicamentos e outras necessidades básicas. Com o potencial revolucionário da Internet, Bana, em um gesto simples, mas inédito, usou o Twitter para pedir paz e mobilizar pessoas ao redor do mundo pelo mesmo intuito. Contendo palavras da própria Bana e cartas comoventes de sua mãe, Fatemah, Querido Mundo não é apenas um relato envolvente de uma família ameaçada pela guerra — o livro oferece, também, uma perspectiva única sobre uma das maiores crises humanitárias da história, vista pelos olhos de uma criança. Bana perdeu sua melhor amiga, a escola onde estudava e seu lar. Mas não perdeu a esperança — com relação a si mesma e às outras crianças ao redor do mundo, vítimas e refugiadas de guerra que são dignas de vidas melhores.

Por Jayne Cordeiro: Foi pela sorte de um sorteio que este pequeno livro (com um pouco mais de 150 páginas) veio parar em minhas mãos. Eu, que nunca tinha ouvido falar de Alana Alabed, mas tinha ouvido sim, sobre o sofrimento de milhares de pessoas que estavam vivendo em uma Síria destruída pela guerra. Foi por curiosidade que parei para ler um livro que foi escrito em sua grande maioria por uma menina de 8 anos, mas que tinha tanta história para contar.

Quando a primeira grande bomba caiu, eu não entendi o que tinha acontecido. Era apenas um dia comum; eu estava com Mohamed na casa de Nana Samar e do vovô Malek... Foi o barulho mais alto que eu já tinha ouvido na minha vida, um barulho tão grande que eu pude senti-lo no corpo, não apenas ouvi-lo. O som e a surpresa fizeram meu corpo parecer gelatina.

Querido Mundo, é um livro que trás uma dinâmica bem interessante. Bana, a autora, conta para nós o que vivenciou e ouviu falar sobre o período em que viveu na Síria antes e depois da guerra ter estourado por lá. Falando diretamente com o leitor, nos encantamos pelo o que acompanhamos através dos olhos e pensamentos, de uma menina tão nova, mas que precisa amadurecer cedo, ao conviver com uma situação tão delicada e tensa quanto uma guerra. Vemos  como todo um conjunto de vidas, costumes e lugares são devastados e modificados em questão de segundos por decisão de pessoas que não parecem estar preocupadas com outras pessoas. 

Eu não tive permissão para estar lá quando o médico tirou o bebê, mas a Nana e o vovô me levaram ao hospital para ver a mamãe no dia seguinte. Ela parecida doente, mas estava sorrindo. Ela estava segurando um cobertor que parecia enrolado em volta de um pão de forma. Mas não era um pão - era o bebê. Surpresa: era um menino. De novo. 

É meio óbvio dizer que o leitor vai se emocionar em alguns momentos, principalmente nas cartas que a mãe de Bana escreve direcionada a ela, em que vemos um pouco do ponto de vista de uma mãe que precisa proteger o filhos fisicamente e emocionalmente durante um conflito. Então, pode ser que você derrame algumas lágrimas. Mas é um livro que também vai te fazer sorrir, e te passar mensagens muito importantes sobre o que significa um Lar, a importância da família, e da solidariedade, nos momentos em que precisamos de toda a força possível.

Se é possível ter algum consolo, é que essa lição e outras que você aprendeu na guerra tenham fortalecido seu caráter e lhe conferido novas perspectivas. Acredito que suas experiências, por mais que eu possa ter desejado poupá-la delas, a tornaram mais generosa e grata, ponderada e tolerante. Porque você viu a alternativa. Você viu o pior, e expressou o que tem de melhor. E isso é alguma coisa, Bana. Isso é tudo.

Trata-se de uma  lição de vida, sobre como somos capazes de sobreviver as mais diversas situações, e como nós todos podemos fazer a diferença na busca por um mundo melhor. Querido Mundo é uma história real, sobre uma menininha que usou uma rede social - @AlabedBana - para mostrar ao mundo o que estava acontecendo no país dela, e fazer um apelo por Paz. O livro é encantador, emocionante e uma leitura fluida, quando você vai ver, já está nas últimas páginas. É uma história que deve ser indicada para todo mundo. Espero que vocês gostem.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Resenha: “Minha Vida (Não Tão) Perfeita” (Sophie Kinsella)


Resenha publicada originalmente no Chalé Cult


Tradução de Carolina Caires Coelho

Por Kleris: “Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?” – Mário Sérgio Cortella me representa aqui. Que mixed feelings! Tão acostumada ao estilo da Sophie, estou um pouco sem saber escrever como me sinto em relação a este livro. Mas tentarei.

Cat está imersa numa rotina bem louca enquanto caminha atrás de seu sonho – trabalhar com branding (conceito de marcas/design). Assistente em uma agência, ela está esperando e trabalhando pela sua grande oportunidade. Sua chefe, Demeter, é um furacão que deixa um rastro de inveja a qualquer um – e tem, aparentemente, uma vida perfeita, badalada, glamorosa. Cat também “sustenta” uma vida baseada no status, só que um bem distante do seu. Comete até loucuras (como entrar em cafeterias e tirar foto de cafés gourmet) pra mostrar a todos que ela está bem, está feliz e satisfeita.

Quando Cat é demitida, por conta de problemas na empresa, ela se joga em um novo empreendimento de seu pai, o que se torna uma grande aventura. Mas Cat ainda não resolveu o que quer ou como seguir em frente. Nesse ínterim, ela sugada de volta aos problemas e à empresa quando Demeter torna-se sua cliente e Alex, seu chefe crush, está ali para terminar um trabalho.

Minha vida (não tão) perfeita tem uma pegada diferente dos demais livros da Sophie. É bem mais suave, lúcida até. Apesar do que diz a capa (“Chorei de rir”, Jojo Moyes), eu não consegui rir como antes, em outros livros da autora, pois este não é bem uma tragicomédia. Não há casos extraordinários, improváveis, tresloucados ou surreais. Sophie traz a realidade. Algo mais próximo de um drama de costumes, mas sem perder, claro, o seu jeito Kinsella de ser.

Outro ponto diferente foi o gênero de público. Sophie é conhecida por tratar de mulheres adultas fortes e/ou independentes, e neste livro, ela ousou em se colocar na pele de uma millenium (geração Y). Vemos muito de uma garota em seus 26 anos que tá começando de baixo e está em desespero sempre – porque nossa geração é aquela acelerada, que se joga e vai em busca dos seus sonhos, não importa de que maneira, e que também se ferra muito por isso. Mas nem tudo é exasperação. Um ponto forte do team Y é justo transformar o limão numa boa limonada – ou melhor dizendo, transformar qualquer coisa em oportunidade (de mercado, se possível). 
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo?
Mas, quando olho pra ela, sinto uma comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela.

Ao tratar desse desejo de crescer na vida, Sophie insere sensivelmente sua crítica sobre a rede de mentiras que se constrói na internet. Sobre como usamos as redes para nos sufocar e demonstrar uma vida que não é nossa. Como os filtros podem ser tão tóxicos e arrasadores quanto um ambiente de trabalho competitivo. Como essa competição pela foto ou vivência mais glamorosa nos faz perder o real momento. Como isso cria uma narrativa bem diferente para quem nos lê. E como essas mentiras todas podem interferir ou confundir a vida real. 
Depois de algumas semanas de funcionamento, percebi que alguns clientes só querem saber de perguntar: Vocês são sustentáveis? Porque isso é muito importante para nós.   
Sinto vontade de rir quando Demeter se esconde atrás de uma árvore. É inacreditável ver como uma pessoa inteligente pode se tornar uma tola que acredita em tudo o que ouve assim que ouve as palavras “orgânico”, “autêntico” e “Gwyneth Paltrow”. 
— Esse cavalo é especialmente místico. — Eu me aproximo de Carlo e passo uma mão pela anca dele. — Ele traz calma às pessoas. Calma e paz.
Mentira. Carlo é tão preguiçoso que a emoção que ele causa na maioria das pessoas é frustração. Mas não hesito e continuo:
— Carlo é o que chamamos de um Cavalo da Empatia. Nós classificamos nossos cavalos de acordo com seus predicados espirituais, como Energia, Empatia e Detox.
Quando digo isso, percebo que exagerei. Um cavalo de detox? Mas Demeter parece estar engolindo tudo. 

A escolha de tratar a história por um viés mercadológico e marketeiro foi um grande acerto, pois dessa maneira Sophie pôde nos demonstrar melhor do princípio que manipula as pessoas pelas suas fraquezas. Esse realismo coloca em xeque nossos desejos, sonhos e ilusões. É muito louco como a gente vive para reforçar, com palavras bonitas, sacadas de marketing, neurociência, um estilo de vida que não reverbera quem nós somos, mas quem queremos parecer que somos. E é tudo lorota! É como usar a sabedoria para semear o mal – para si e para todos. 
Talvez eu devesse entrar no Instagram agora. Postar alguma coisa divertida.Mas, quando rolo as imagens na tela do celular, parece que elas estão rindo de mim. A quem estou querendo enganar com essas coisas falsas e felizes? É sério: a quem estou querendo enganar?

Com certeza a gente fecha o livro pensando no que estamos postando em nossos perfis, quaisquer redes sociais que sejam. Toda a história, toda a abordagem, foram caminhos arriscados para se tomar, vide o grande histórico da autora, mas achei bacana que ela tentou sair dessa redoma. E me surpreendeu para onde ela levou a história. A alguns leitores pode parecer até morno em relação aos outros livros (e é em alguns pontos mesmo), por outro lado, prefiro encarar como uma história para exercer nossa empatia, senão nossa consciência. No mais, para ir sem grandes expectativas.


Minha vida (não tão) perfeita é um livro sobre as várias versões da gente. Sobre ser verdadeiros conosco, assumir nossa realidade. Sobre se arriscar em um projeto, mas não esquecer aquele sonho, nem de deixar de trabalhar por ele. Não poderia dizer que este é meu favorito da autora, mas relembro aqui uma frase de O sorriso das mulheres (aqui) que, como o trecho de Cortella no início do texto, vale como uma ótima conclusão: “Um bom livro é bom em todas as suas páginas”. 
Não posso deixar um contratempo destruir meu sonho, posso? Claro que não. Um dia vou trabalhar com branding. Ainda vou atravessar a Waterloo Bridge e pensar: Esta é a minha cidade. Eu vou chegar lá.

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Resenha: “365 Tweets de Deus” (Leo Cardoso, @OCRIADOR)


Por Yuri: 365 tweets de Deus, publicado por Leo Cardoso, reúne os melhores ensinamentos postados no Twitter sob o pseudônimo de @OCriador desde 2008.
“Para que entendas a trindade: Eu posso ser três, assim como o companheiro do Ash pode ser Pichu, Pikachu e Raichu.”

@OCriador é onisciente, onipresente, onipotente e on-line. Na definição de Pe. João Carlos Almeida (@padrejoaozinho), o autor dessas pérolas viaja ao plano superior para tentar ver a Terra com os olhos de Deus.
“Hoje estou de ótimo humor. Penso até em dar o prêmio da Mega-Sena a todos que têm pedido constantemente. Vai dar 50 centavos para cada um."

Considero a definição perfeita no que se refere às publicações de @OCriador. O usuário do Twitter consegue transmitir com muito humor e sarcasmo as questões políticas, futebolísticas, religiosas e cotidianas de uma forma que Deus certamente faria se não fosse um ser tão paciente.

“Uma comissão de anjos contabiliza os pecados do batedor e do goleiro para decidir a que reza responderemos na hora do pênalti.”

A cada tweet lido, eu ri muito, pois autor conseguiu captar muito bem as bizarrices humanas.
“Que tédio! Vou interromper mais um download em 99%...”

Acredito que ao mesmo tempo em que @OCriador alcançou seus 1,5 milhões de seguidores, deve ter feito muitos inimigos também. Seu humor pode ser facilmente interpretado como ofensivo para os mais intolerantes, por isso gostaria de dizer antecipadamente que é preciso ler esse livro com muito amor no coração.
“Ao ressucitar, Jesus apareceu primeiramente para uma mulher, pois queria que a notícia se espalhasse rapidamente.”

Não vale a pena levar a sério cada palavra acerca de temas polêmicos como feminismo e religião. Quando se lê com bom humor é possível rir de cada piada. Fica a dica para se divertir!

Até a próxima!

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

#Indicação: "Nada Mais Que O Normal" (Melissa de Sá)

Por Kleris: Você já teve aquela boa sensação de ler uma história que te ganha e pensar “POR QUE NINGUÉM ME AVISOU QUE ERA BOM ASSIM”? 

Eu particularmente gosto dessa sensação – embora nem tanto do fato de não me avisarem – mas cá estou pra apresentar uma nova porque, bem, estou de antemão te avisando, e, olha só, é tão bom que estou resgatando a seção de Indicações do blog ^^
Tem muita coisa que eu não entendo nessa vida. Como por exemplo por que impressoras nunca funcionam quando precisamos ou por que em pleno 2015 ainda tem gente que não sabe usar uma hashtag. 
#TrueStory

Luísa é gente como a gente, normal, entediada e que gosta de pensar um pouco a mais sobre as coisas enquanto ainda não bem se estabeleceu em seus ideais. Quem poderia, afinal, em seus 15 anos?

Nada mais que o normal é uma história sobre a fase mais básica – e normal – da vida, em que Luísa Freitas, nossa protagonista, tenta conciliar vida real e virtual como todo mundo. Esse pézinho de realidade (+ as tiradas super humorísticas de cultura em geral) foi o que logo me abraçou. Me lembrou bastante dos livros Esposa 22 (resenha aqui) e O Diário Secreto de Lizzie Bennet (resenha aqui), só que sendo um jovem adulto bem brasileiro. No mais, a autora se despe de vários clichês literários e passa por cima deles tornando sua história bem crível. E ela promete ser apenas normal – talvez normal demais. 
— Você não pode mandar essas coisas pras pessoas assim!
— Por que não?
— Porque é freak!
— Ah, você e essas palavras em inglês...
— Não são palavras em inglês, mãe! — eu continuei enquanto o sabão escorria pelo meu braço. — É que você não pode agir assim recomendando anticoncepcionais bizarros pras pessoas. 


Vale a leitura porque... 

  • É uma comédia romântica (e comédia de costumes totalmente século XXI);
  • É um jovem adulto bem verde-e-amarelo;
  • Possui boa trama e boa escrita;
  • Você vai se identificar (provavelmente MUITO);
  • É uma história 100% gratuita, com direito a acompanhar todos os capítulos direto do celular/tablete/PC - através da plataforma (ou app) Wattpad.
Bônus: em breve será publicado como livro.  


Como os folhetins do século XXI, Nada mais que o normal é atualizado semanalmente no Wattpad. Lá você pode fazer comentários a cada capítulo, votar nos seus favoritos e trocar ideias com outros leitores. Se a história tem tudo o que você tem procurado ultimamente, tenho certeza que a Melissa vai te conquistar num piscar de olhos. Já quero logo é o livro <3

Onde ler? 
Nada mais que o normal no Wattpad: link


Sobre a autora

Melissa de Sá é escritora e blogueira. Esteve presente em diversas antologias, dentre elas Excalibur (Draco), Boy’s Love (Draco) e Piratas (Cata-vento) (resenha aqui). 
Sua parceria com a escritora Karen Alvares rendeu duas coletâneas independentes bastante elogiadas na blogosfera: Noites Negras de Natal e outras histórias Duas Doses de Amor
Também é autora do livro infantil A Última Tourada, que depois de seus 51 mil downloads no site do projeto de mesmo nome, agora está disponível na versão impressa. 
Melissa é de Belo Horizonte, professora de inglês no IFMG e mestre em Literaturas de Língua Inglesa pela UFMG. Administra o livrosdefantasia.com.br, blog referência no gênero na blogosfera, e mantém o mundomel.com.br, seu site oficial onde fala de livros, filmes e música, além de comentar suas publicações.

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Aos leitores, boa leitura!
À Melissa, sucesso!

Até a próxima o/

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Resenha: “Esposa 22” (Melanie Gideon)


Por Kleris: Home, sweet home! Nada como voltar a um chick-lit depois de tantas outras andanças pelo meio literário. Acho que fazia mais de ano que eu não lia um e a sensação foi essa, de volta em casa. E mais, Melanie, que estava na minha estante fazia uns dois anos à espera de uma viagem, com certeza me deixou com essa pulga atrás da orelha: POR QUE EU NÃO LI ANTES? Me lembrou Cecelia Ahern nesse sentido (aqui).

Alice Buckle é uma mulher bem casada com William e tem dois filhos. A vida parece ir muito bem, muito cotidiana, até que uma e outra crise querem fisgar a família. Nessa rotina de preocupações usuais surge uma pesquisa aleatória, um spam, no e-mail dela, uma pesquisa sobre casamento e ela decide ser uma correspondente. É assim que conhecemos verdadeiramente a vida de Alice (com perfil anônimo de Esposa 22), nas respostas que ela cede ao Pesquisador 101. 
1. Quarenta e três, não, quarenta e quatro.
2. Tédio.
3. Uma vez por semana.
4. De satisfatório a melhor que a maioria.
5. Ostras.
6. Há três anos.
7. Às vezes digo a ele que está roncando quando não está para ele ir dormir no quarto de hóspedes e eu ter a cama inteira só pra mim. 

O engraçado é que não temos acesso às perguntas, só às respostas, então você entra na história tentando adivinhar do que ela tá falando, ao mesmo tempo em que acompanha as altas descrições de Alice. Ela é professora de artes cênicas em uma escola e já esteve por trás da escrita de outras peças, então escrever cenas é com ela, mesmo que seja para um completo estranho. Assim como captura o Pesquisador 101, Alice nos prende em sua história de vida, seus hábitos e dramas pessoais e familiares.


(preferível mostrar a página que copiar uma cena inteira e, de quebra, mostrar como são os capítulos - clique em cima para melhor visualização)

Mas o livro não coloca só conversações diretas entre e-mails. Nessa comédia de costumes, Melanie une rotina e hábitos das redes sociais de um modo muito natural que fica impossível de largar o livro, pois ela consegue se equilibrar bem na narrativa. É, assim, multimídia, como diz a capa com citação de The Washington Post.


(clique em cima para melhor visualização)

Há muitos rolos e desenroladas nessa trama e achei bem impressionante como Melanie consegue concatenar e conciliar tudo em deliciosas e misteriosas 400 páginas. Isso porque Alice pode ser um pouco transloucada, ela tenta resolver os problemas antes que fiquem bem maiores, mas sua família e amigos têm outra ideia sobre o que são reais problemas.

Às vezes pode ser muito para uma matriarca, às vezes muita coisa pode passar por debaixo de seus narizes e aí que mora o perigo. Melanie mostra que até o mais perfeito-imperfeito-perfeito casal pode ter suas dúvidas e crises e às suas maneiras tentam dar um jeito nisso. Mistérios então, não faltam para embaralhar a cabeça dessa Esposa 22, que, por vez, pode estar se envolvendo demais com um tal Pesquisador 101. 
O que eu posso fazer?
Pode me dizer seu nome.
Não posso.
Imagino que você tenha um tipo de nome antiquado. Como Charles ou James. Ou talvez algo mais moderno, como Walker.
Você percebe que tudo muda quando sabemos os nomes uns dos outros. É fácil revelar o nosso eu verdadeiro a estranhos. Muito mais difícil é revelar essas verdades para quem a gente conhece.

Gostei bastante como a autora partiu de um momento tão crucial da história e trouxe mais quinhentos nesses entrelaces de cotidiano real e cotidiano virtual. Essa ideia de como ambas as esferas podem coexistir, e às vezes prejudicar nossa convivência e comunicação, é uma boa jogada nesse romance. Com uma escrita bem leve, clean e simples, a autora mostra que nem sempre é preciso absurdos ou tramas extraordinárias para apresentar uma boa história interessante e engraçada. Bateu até feelings de Martha Medeiros.
Isso é fácil. Muito fácil. Quem diria que a confissão poderia poderia trazer tamanha descarga de dopamina?

Entre mistérios, loucuras e costumes, Esposa 22 mostra ser uma verdadeira pegadinha para os leitores. Mais que mera comédia e mais que mera história de família, há ganchos e há grandes reviravoltas à espreita para surpreender. Quando você acha que vai ser clichê, a Melanie vai lá e te arrasa, simples assim. Já quero conhecer outros trabalhos dessa moça! 

Adorei a capa, guarda bem os mistérios que envolvem a trama. Quanto à edição e os momentos virtuais, ficaram todos bem apresentados dentre os curtos capítulos. Tem surpresinha também ao final, uma que vai fazer você praticamente voltar ao início e começar tudo de novo.

Preparem as etiquetas adesivas e o coração, porque esse, ah, esse é pra se encher de amor <3
Você está em guerra?  Possivelmente.
Como alguém pode estar em guerra “possivelmente”? Não seria óbvio?
A guerra nem sempre é óbvia, ainda mais quando a pessoa está em guerra consigo mesma.
Que tipo de guerra a pessoa normalmente trava consigo mesma?
Uma guerra em que um lado da pessoa acha que ela está cruzando uma linha e o outro acha que essa linha está pedindo para ser cruzada.
Pesquisador 101? Está me chamando de pedinte?
De jeito nenhum, Esposa 22.
Bem, então está me chamando de linha?
Talvez.
Uma linha que você está pisando?
Basta me mandar parar.
Esposa 22? 


Até a próxima!

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Ana Liberato