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quinta-feira, 2 de março de 2017

Interrogação #11 – O caminho fácil e o caminho difícil na escrita


Com Melissa de Sá, autora parceira convidada


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.


O que é o caminho fácil e o caminho difícil pra você na escrita?

M: Vixe, bem que me avisaram que as perguntas por aqui não eram fáceis, hein?

Para mim, o caminho fácil na escrita é continuar na zona de conforto. Todo escritor tem aquele gênero que tem mais afinidade, aquele tipo de cena que “flui do nada”. É fácil seguir escrevendo só isso, um caminho muito menos doloroso. Sair da zona de conforto é entrar no caminho difícil, pois nos força a expandir nossos horizontes, procurar coisas onde não imaginamos. É escrever algo que nunca imaginamos escrever. E às vezes isso é complicado, nos faz bater cabeça, reescrever mil vezes. Mas também é um processo que nos faz escritores melhores.

Seguir “modinhas” pode parecer um caminho fácil, inicialmente, mas é preciso lembrar que a literatura segue em ondas: aquilo que é o ápice durante alguns anos, depois já não é mais tão interessante. Os livros que permanecem são aqueles que conseguiram transitar entre velho e o novo, que conseguiram atingir seu público, mas que trouxeram algo que ficará para além de sua época. Eles podem até ter feito parte de uma certa modinha, mas tinham algo a mais.

Obviamente os leitores são importantes, mas atender às expectativas do público sempre e a qualquer custo faz com que surja uma leva de livros completamente iguais. É muito fácil cair em velhas fórmulas literárias e clichés e usá-los de forma pouco problematizada. Encher um livro com triângulos amorosos, sacrifícios de herói e protagonistas ruivas muito especiais pode parecer inicialmente uma solução fácil que vai agradar a todos, mas sem dosagem nenhuma faz com que aquele texto só seja mais um na multidão.

Trilhar esse caminho difícil também pode colocar público e escritor em rota de colisão. Quando um escritor ou escritora é associado a um determinado gênero, pode parecer loucura para os leitores quando uma publicação diferente aparece. Mas precisamos lembrar que Stephen King escreveu uma fantasia clássica em Os Olhos do Dragão e um drama emocionante em A Espera de um Milagre. Margaret Atwood escreveu a distopia O Conto da Aia, mas também tem um livro de poemas maravilhoso chamado Os Diários de Susanna Moodie.

Em relação à minha escrita, tive que sair da minha zona de conforto algumas vezes e foram desafios dolorosos, mas que me ensinaram muito. O mais notável foi o conto “Erva Daninha”, para a antologia Medieval da Editora Draco. Foram várias e várias reescritas, vários comentários de “não tá bom ainda” e eu tive que trabalhar no texto de forma muito intensa fazendo pesquisas sobre a Veneza medieval, como as pessoas viviam na época e figuras históricas. Foi um parto, foi difícil, não era nada daquilo que eu estava acostumada a escrever, mas aprendi muito no processo.

Outro caso meu foi com Metrópole: Despertar, minha distopia também publicada pela Draco, em que tive que mexer em metade do livro porque a história não estava fluindo tão bem quanto eu esperava. Foi difícil ouvir e perceber isso, sentar na cadeira e repensar tudo, mas hoje vejo que o livro ficou bem melhor.

  

É sempre mais fácil viver dentro da nossa bolha, mas a bolha é sempre o caminho fácil. Na vida e na escrita temos que sair dela.


Melissa de Sá tem medo do escuro, mas escreve sobre ele mesmo assim. Desde 2012 traz suas ideias da gaveta para o mundo. Publicou Metrópole: Despertar, uma distopia Young Adult pela editora Draco em 2016. Esteve presente em diversas antologias, dentre elas Excalibur (2013), Boy’s Love (2014), Piratas (2015) e Medieval (2016), além de possuir vários trabalhos independentes. Seu e-book infantil, A Última Tourada, teve mais de 51 mil downloads no site, o que levou à publicação da versão impressa. É de Belo Horizonte e mestre em Literaturas de Língua Inglesa pela UFMG. Gosta de doce de leite, música e verões preguiçosos.


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P.S.: Tem Metrópole – O Despertar no Buscapé. Veja os melhores preços ;)


sábado, 8 de outubro de 2016

[Novidades] Lançamentos Editora Draco

Novidades da Editora Draco

Oi galera linda!! Mais novidades MARAVILHOSAS chegando ( \0/ ) e é da editora Draco, uma das editoras quem tem como seu ponto forte a mistura de fantasia com um toque da realidade.
Nesta bienal e no que eu acompanho, as novidades estão e estará nos surpreendendo. Ótimos escritores, pessoas maravilhosas com seus conto alucinantes.
Confiram algumas resenhas feita pelo Dear Book

E que tal nós vermos essas novidades?!

Metrópole – Despertar , Melissa de Sá
Nada é real. Nenhum lugar é seguro. Abra os olhos.
Após o Grande Caos, Metrópole se ergueu sobre os escombros da civilização humana. Andrella é apenas mais uma adolescente que busca a excelência intelectual no meio dessa sociedade que preza a perfeição e o controle acima de tudo. Mesmo tendo sido criada pelo excêntrico Argorio, tudo que Andrella deseja é ser uma Metropolitana exemplar e viver do jeito que esperam que viva.
Mas quando o próprio Argorio é vítima de um crime que não acontece em Metrópole há mais de vinte anos, Andrella começa a perceber que talvez o Conselho da cidade queira seus segredos bem escondidos. Agora ela puxará os fios de uma teia que oculta uma verdade terrível não apenas sobre a cidade, mas também sobre si mesma. Afinal, o que há além das fronteiras de Metrópole? Estariam lá as respostas sobre quem Andrella realmente é?
Metrópole – Despertar, de Melissa de Sá, é uma distopia que culmina em uma trama de violência, poeira e perseguições em que nada é o que parece. Tensão, suspense e romance estarão presentes para aqueles que ousarem ler nas entrelinhas. E você? Está pronto para descobrir o que está por trás dos muros das aparências?

Jornada para Far Lands – uma aventura não oficial de Minecraft,
 Karen Alves
Para cruzar o Nether e chegar a Far Lands, é preciso muito mais que ferramentas e habilidade!
Davi tem certeza de duas coisas: ele ama jogar Minecraft e detesta aquela tal de Minako, a menina mais irritante da sua classe.
Mina também sabe de duas coisas: Minecraft é seu jogo preferido e ela não aguenta mais Davi, aquele menino insuportável que vive para atormentar sua vida na escola.
O que os dois não sabem é que vão acabar presos dentro do game e precisarão unir forças para lutar contra inimigos, sobreviver aos perigos do Nether e chegar à misteriosa Far Lands. Com coragem, um pouquinho de paciência e uma boa dose de amizade, juntos tentarão desvendar o grande segredo do servidor mais sinistro de Minecraft!
Jornada para Far Lands é uma aventura não oficial de Minecraft por Karen Alvares. Uma história bem contada por quem adora games e vai levar os fãs por uma viagem inesquecível. Mas atenção! Depois dessa missão, eles nunca mais serão os mesmos. Pressione start e comece a ler agora mesmo!

Dezoito de EscorpiãoAlexey Dodsworth
Seria melhor se estivéssemos sós
Fim do século XX. Um astrofísico brasileiro descobre que uma pálida estrela da Constelação do Escorpião é uma gêmea perfeita de nosso Sol. Segunda década do século XXI. Vários adolescentes brasileiros entram em surto psicótico ao mesmo tempo, durante uma explosão solar.
Como podem eventos tão distintos ameaçar um mesmo segredo? De que forma esses fatos podem afetar uma vila no coração da selva? A Vila Muhipu, resguardada por índios da etnia Tukano, é um paraíso onde o sofrimento não passa de lembrança. Uma utopia que deve ser mantida escondida a todo custo, e o doutor Ravi Chandrasekhar não poupará esforços nesse sentido.
Em Dezoito de Escorpião, romance vencedor do Prêmio Argos 2015, Alexey Dodsworth (de O Esplendor) se apropria de fatos científicos reais e os recria, compondo uma trama que se debruça sobre a mais intrigante questão: estamos sós no Universo? Descubra por sua conta e risco.

A Rainha Sombria, Vivianne Fair
Liberte o seu lado sombrio nesse mundo mágico
Jade é uma jovem universitária que perdeu a memória aos doze anos de idade. Até aí tudo bem, mas a cada dia que passa sente-se mais agressiva enquanto coisas estranhas acontecem ao seu redor. Desejos de vingança, frascos de ácido que explodem, superforça. Não pode ser só a puberdade, afinal nem todo adolescente tem tanta força assim, certo?
Quando retorna à biblioteca onde foi encontrada ferida há muitos anos, a cena se repete, mas desta vez Jade é sugada para dentro de um mundo que parece ter saído de um conto de fadas.
Lá um feiticeiro explica que há uma rainha vivendo dentro dela. Mas é uma rainha cruel e muitos virão tentar matá‑la. Tentando conviver com o mal dentro de si, Jade sai em jornada para descobrir como se libertar, tentando não morrer no processo. Mas ela terá a ajuda de heróis, então provavelmente vai dar tudo certo.
A Rainha Sombria é uma divertida aventura de Vivianne Fair, autora da série A Caçadora. Quando a definição do que é ser bom ou mau está em jogo, Jade descobrirá coisas sobre a Rainha Sombria que ninguém mais sabe. Então deverá tomar uma difícil decisão – e nessa hora é você quem vai escolher o final da história.

Mistérios do Mal – contos de horror
Carlos Orsi
Medo, mistério e morte
A humanidade sempre acreditou que eles fossem deuses ou demônios, mas ninguém imaginava que essas são criaturas que habitam dimensões infinitas onde pesadelos indescritíveis se tornam reais.
Mas há aqueles que insistem em chamar a atenção desses Grandes Antigos. Quando isso acontece, a busca pelo conhecimento levará os seres humanos a entrar em contato com osMistérios do Mal.
Nesta coletânea, Carlos Orsi (Tempos de Fúria e Guerra Justa) conduzirá o leitor por horríveis caminhos traçados pela curiosidade humana. Encontre um mago do Terceiro Reich escondido na Mata Atlântica. Conheça monumentos soterrados nas areias marcianas. Assista a uma montagem da peça maldita O Rei Amarelo nos anos de chumbo da ditadura militar. Presencie o preço pago quando tecnologia alienígena for posta a serviço do capitalismo mais selvagem. E, por fim, descubra por que o autor é considerado uma das mentes mais afiadas da literatura fantástica brasileira. Isso é, se você conseguir despertar.

Seres das trevas – histórias de terror,
 Alex Mir e Alex Genaro
Quando a noite cair, não abra a porta.
Pegue um punhado do espírito dos monstros clássicos do cinema, uma pitada de quadrinhos da cripta, acrescente doses generosas de horror brasileiro bem apimentado e leve a um forno pré-aquecido com chamas infernais. Essa é a receita de Alex Mir para criar seus apavorantes e surpreendentes contos, na melhor tradição das antigas publicações da literatura de terror.
Aqui vagam hordas de zumbi. Máquinas transportadoras de almas. Um lobisomem atrás de uma porta de aço. Vampiros na noite paulista. Navegadores portugueses que se deparam com tribos sanguinárias. Crianças que recebem ordens sinistras de um bicho de pelúcia. Rituais de feitiçaria que não saem como o previsto. O Boto e o Saci brigando por uma bela mulher. A convocação do Anhangá. Experiências extraterrestres.
Com texto de Alex Mir e ilustrações de Alex Genaro, Seres das trevas – histórias de terror conduz o leitor de volta para o tempo em que ficava até tarde no sofá da sala, assistindo a filmes que gelavam a espinha e faziam cada ruído se transformar em uma deliciosa fonte de medo. Antes de começar a ler, porém, verifique se a porta está trancada e se não há nada debaixo da cama. Será que aquela sombra é apenas uma sombra?

Lançamento da Dracomics:

O despertar de Cthulhu em quadrinhos
org. Raphael Fernandes
O desespero é verde
A cultuada obra de H. P. Lovecraft é a principal inspiração dessa coletânea com oito HQs que transportarão a imaginação para o lado mais obscuro da mente humana, um horror cósmico em preto, branco e verde.
São 168 páginas desesperadoras onde criaturas tão antigas quanto o universo são capazes de corromper a alma humana apenas com sua presença. Onde a doença, a loucura e a perversão são pano de fundo para histórias que vão testar os limites de sua sanidade.
A organização do álbum envolveu Raphael Fernandes, que maculou a alma do time de quadrinistas formado por Dudu Torres, Antonio Tadeu, LuCas Chewie, Airton Marinho, Fabrício Bohrer, Caiuã Araújo, Marcio de Castro, Lucas Pereira, Samuel Bono, Jun Sugiyama, Daniel Bretas, Hilton P. Rocha, Bárbara Garcia e Elias Aquino. Todos perdidos em uma enigmática capa de João Pirolla.
O despertar de Cthulhu em Quadrinhos é o horror que não pode ser pronunciado, perca-se em imagens e histórias que não deveriam ter sido concebidas. Agora não há mais volta para os envolvidos pelos tentáculos do desespero, é hora de acordar para uma realidade decadente e tingida em apenas duas cores.

E ai galera, gostaram das novidades? Bom eu amei e quero todos na minha estante. Minha lista só vai aumentando e creio que de todos XD
Alguns escritores já tem suas resenhas no DB e um carinho enorme, garanta já o seu livro!
Tem muitos livros para todos os estilos e gostos, vai de HQ's a distopia.
Deixem nos comentários quais vocês amaram e que não podem deixar de ter na estante.

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Clarissa e
toda equipe Dear Book
segunda-feira, 16 de maio de 2016

Resenha: “Fora da Luz” (Melissa de Sá)

Por Kleris: Já havia lido esse conto faz um tempinho, mas no outro dia reli quando passeava pelo Kindle do celular e pensei em vir escrever sobre ele. Outras resenhas da Melissa, vocês podem ver aqui. 
Vou contar minha história pra você, cara, mas acho que você não vai gostar.

Fora da Luz é um conto super curto que demonstra a perspicácia da Melissa de Sá. Semelhante à Karen Alvares (falei sobre isso aqui), ela gosta de capturar cenas inusitadas de uma dada situação e dar seu toque curioso. Neste conto em particular, Melissa transita rapidamente entre mundos e deixa a sacada para o final. Gosto de sua maneira de como nos conduz na história, ela faz com tamanha naturalidade que super vende o pequeno enredo. Gosto também do controle que ela tem para não entregar o ouro logo de primeira, Melissa bem curte um suspensezinho. 
Capital Inicial ainda tocava alto e eu, no banco de trás, não prestava atenção em nada. É sempre assim que as grandes coisas acontecem. Do nada. Pum. Sua vida gira. Pum. Gira de novo.


Para acessar o conto, clique aqui
(É possível ler de graça se você tiver o Kindle Unlimited.)


Nem preciso dizer que sou FÃ dessa moça, né? Tenho conhecido aos poucos mais trabalhos dela e quando vejo por aí, já sei que vale a pena. Melhor, recomendo!

A propósito, já viram que ela está postando um livro lá no wattpad? Vem aqui que já contei mais sobre isso. Deixem-se seduzir por essa escrita multi e me digam que também apostam no talento dessa autora.


Até a próxima!


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Resenha: “Space Opera – Um Novo Começo” (Karen Alvares e Melissa de Sá)

Por Kleris: Até o mais experiente leitor ainda não experimentou de tudo... Foi basicamente o que senti ao mergulhar nessa noveleta de Space Opera, um subgênero de ficção científica ainda pouco comum entre minhas leituras. Perdoem minhas impressões sobre esse estilo, sou noob nessa área ^^

Jout é um dos humanos que vive numa espaçonave – inclusive, um dos últimos a ter nascido após a Terra ter acabado. Ele é um menino que nunca viu o raiar do sol, nunca sentiu a natureza sob os pés e, veja só, nem tomou banho com água, elemento já quase escasso. Também é um garotinho que nunca conheceu a mãe, sofre pela distância do pai, o Capitão Jones, e não sabe o que esperar de uma nova Terra.

Na expedição, estão os últimos sobreviventes em busca de uma nova casa para habitar. Os Experientes são aqueles que ainda viveram na Terra, eles comandam e perpetuam a ideia de um recomeço para a humanidade – a qualquer custo. Quando estacionam em um planeta semelhante ao perdido, é essa humanidade que pesa na hora de colonizar. 
— [...] O planeta Kepler finalmente apareceu em nosso radar, após tantos ciclos de espera! Nós vamos chegar ao nosso lar em breve, meus amigos!
Murmúrios de expectativa e de alegria correram entre os tripulantes. Aquela era a notícia que todos esperavam. Um lar. Um lar de verdade.

Conhecemos essa história por uma narração onisciente, porém, há uma voz que de tempos em tempos aparece em interlúdios para contar a sua versão pessoal. Essa voz é quem introduz o mistério da trama, visto que não sabemos de quem se trata. Vez e outra eu me perdia porque tentava ligar esse ponto de vista à trama principal. Com o passar das páginas (e das perguntas na cabeça que não param), você percebe que é essa a intenção. Aliás, o suspense só aumenta.

Enquanto a gente nada pode compreender sobre essa figura, nos agarramos à Jout, esse menino ingênuo, sonhador e esperançoso... e que é esperto o suficiente para explorar o novo mundo a seu jeito. Jout é núcleo de bondade ao meio de uma sociedade perdida, é a esperança. Dá vontade de dar um abraço, coisa que ele tampouco sabe o que é, até conhecer Lena, uma nativa da terra desconhecida e... aparentemente humana. Mas haveria humanos de verdade neste novo planeta? A tripulação não foi a última a sobreviver? O que haveria naquele mundo? O desconhecido poderia ser tão conhecido assim?

Como se percebe, Um Novo Começo concentra muita história, e muita história para suas poucas páginas. As autoras fazem isso muito bem, sabem nos convencer da trama, pontuam os dilemas e cativam. Elas também demandam um pouco de nossa atenção, visto que exploram tanto, do universo, da sociedade, da existência, o que confere uma bela riqueza de detalhes à noveleta por completo. Curti bastante esse tom distópico, conspiratório e de esperança cega. 
Eu sou humana. E não nasci na Terra. Como diabos se explica uma coisa dessas, não? 
A primeira coisa que Jones pensou foi que precisava de uma dose. Alguma coisa forte, daquelas que desciam pela garganta queimando, deixavam o corpo tenso e a cabeça relaxada. Mas é claro que não podia ter nada daquilo ali. Era coisa de outro tempo, outro espaço. Quando se podia ir até um bar e comprar essas coisas. Era por essas e outras coisas que estava naquela missão. Tinha que dar certo. Pelos velhos dias.

Karen e Melissa mais uma vez mostram que têm um ritmo impressionante, elas sincronizam seus potenciais de modo que sabe-se lá onde começa uma e termina a outra. Isso se revela tanto na maneira com que escrevem, como sustentam a trama e como se arriscam no mote. Você vê tudo como exatamente te guiam. E quando chega ao fim, te arrebatam. Dá vontade de reler a história – e bem, eu reli e gostei ainda mais. É uma leitura fantástica! Quem já as conhece de longas datas, sabe que elas podem ser amorzinho quando querem, mas também têm um belo domínio quando se trata de suspense e mistério, NADA misericordiosas.

Se você quer sair das órbitas costumeiras – e cair da cadeira – essa leitura é pra você sim! Já admirava as duas autoras, agora sinto imenso orgulho de ver quão bem elas estão elevando nossa literatura. Segurem aí meu RE-CO-MEN-DO \O/ 
O que faz com que alguém queira continuar mesmo depois de ter perdido tudo? Será que é isso que nos faz humanos? Será essa a chave da nossa humanidade?



Opções de compra estão
no site da Editora Draco (lá tem várias vitrines, como Amazon, Kobo, Cultura e Saraiva). O ebook é baratinho e vale totalmente a compra. 

 
P.S.: Será que só eu fico tentando desvendar quem é quem a partir da escrita dupla? Só eu, a diferentona, a leitora conceitual, a crítica suave, a desbravadora de entrelinhas, a quebradora de cabeça?!

P.P.S.: A Draco tem um bocadinho de contos e noveletas Space Opera que fiquei curiosíssima! Para ver, clique aqui.


Até a próxima!

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

#Indicação: "Nada Mais Que O Normal" (Melissa de Sá)

Por Kleris: Você já teve aquela boa sensação de ler uma história que te ganha e pensar “POR QUE NINGUÉM ME AVISOU QUE ERA BOM ASSIM”? 

Eu particularmente gosto dessa sensação – embora nem tanto do fato de não me avisarem – mas cá estou pra apresentar uma nova porque, bem, estou de antemão te avisando, e, olha só, é tão bom que estou resgatando a seção de Indicações do blog ^^
Tem muita coisa que eu não entendo nessa vida. Como por exemplo por que impressoras nunca funcionam quando precisamos ou por que em pleno 2015 ainda tem gente que não sabe usar uma hashtag. 
#TrueStory

Luísa é gente como a gente, normal, entediada e que gosta de pensar um pouco a mais sobre as coisas enquanto ainda não bem se estabeleceu em seus ideais. Quem poderia, afinal, em seus 15 anos?

Nada mais que o normal é uma história sobre a fase mais básica – e normal – da vida, em que Luísa Freitas, nossa protagonista, tenta conciliar vida real e virtual como todo mundo. Esse pézinho de realidade (+ as tiradas super humorísticas de cultura em geral) foi o que logo me abraçou. Me lembrou bastante dos livros Esposa 22 (resenha aqui) e O Diário Secreto de Lizzie Bennet (resenha aqui), só que sendo um jovem adulto bem brasileiro. No mais, a autora se despe de vários clichês literários e passa por cima deles tornando sua história bem crível. E ela promete ser apenas normal – talvez normal demais. 
— Você não pode mandar essas coisas pras pessoas assim!
— Por que não?
— Porque é freak!
— Ah, você e essas palavras em inglês...
— Não são palavras em inglês, mãe! — eu continuei enquanto o sabão escorria pelo meu braço. — É que você não pode agir assim recomendando anticoncepcionais bizarros pras pessoas. 


Vale a leitura porque... 

  • É uma comédia romântica (e comédia de costumes totalmente século XXI);
  • É um jovem adulto bem verde-e-amarelo;
  • Possui boa trama e boa escrita;
  • Você vai se identificar (provavelmente MUITO);
  • É uma história 100% gratuita, com direito a acompanhar todos os capítulos direto do celular/tablete/PC - através da plataforma (ou app) Wattpad.
Bônus: em breve será publicado como livro.  


Como os folhetins do século XXI, Nada mais que o normal é atualizado semanalmente no Wattpad. Lá você pode fazer comentários a cada capítulo, votar nos seus favoritos e trocar ideias com outros leitores. Se a história tem tudo o que você tem procurado ultimamente, tenho certeza que a Melissa vai te conquistar num piscar de olhos. Já quero logo é o livro <3

Onde ler? 
Nada mais que o normal no Wattpad: link


Sobre a autora

Melissa de Sá é escritora e blogueira. Esteve presente em diversas antologias, dentre elas Excalibur (Draco), Boy’s Love (Draco) e Piratas (Cata-vento) (resenha aqui). 
Sua parceria com a escritora Karen Alvares rendeu duas coletâneas independentes bastante elogiadas na blogosfera: Noites Negras de Natal e outras histórias Duas Doses de Amor
Também é autora do livro infantil A Última Tourada, que depois de seus 51 mil downloads no site do projeto de mesmo nome, agora está disponível na versão impressa. 
Melissa é de Belo Horizonte, professora de inglês no IFMG e mestre em Literaturas de Língua Inglesa pela UFMG. Administra o livrosdefantasia.com.br, blog referência no gênero na blogosfera, e mantém o mundomel.com.br, seu site oficial onde fala de livros, filmes e música, além de comentar suas publicações.

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Aos leitores, boa leitura!
À Melissa, sucesso!

Até a próxima o/

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Resenha: "Piratas" (Karen Alvares e vários autores)



Por Marianne:
—Não há como escapar. Só ficaríamos cansados, e nos alcançariam mais adiante — disse, sombrio. —Vamos pelo menos vender caro as nossas vidas.
(Os pilares de Melkart, Ana Lúcia Merege)
   Tinha todo um preconceito com livro de contos baseado em UM livro de contos que li nesses anos da minha existência. Estou sempre tentando me livrar dos meus preconceitos literários, mas esse deixei meio em stand by. Até que a oportunidade bateu em minha porta, e eu pensei “agora é a hora”, quando a autora Karen Alvares (já fizemos resenhas das obras dela aqui, aqui e aqui) me convidou pra participar do Book tour de, justamente, um livro de contos!
   Piratas reúne contos de vários autores brasileiros, incluindo a comandante Karen —idealizadora do projeto — sobre os temidos saqueadores que aterrorizavam os mares e, como descobrimos nos contos, os ares, o presente, o passado e até o futuro.
—Felipe, o tempo corre como um rio, e nenhuma força pode fazê-lo voltar —ela justificou com a voz pesada, carregada por um imenso remorso.
—Mas os fatos permanecem ao nosso redor como o mar, e são suas correntezas que guiam o futuro. Nós somos o que vivemos, Alteza.
(Vingadora, Paola Siviero)
   As histórias são envolventes e originais. Entramos na trajetória de cada pirata a quais somos apresentados. Descobrindo suas motivações pra viverem suas vidas de “pirataria”, seus medos, seus anseios e ambições.    Cada história mostra o lado mais humano de seus personagens, e devo dizer que grande parte do meu apego por cada um deles se deve a honestidade com que cada um é descrito. Nem bandido nem mocinhos, apenas indivíduos buscando seus interesses e, como vamos descobrindo nos contos, são os mais diversos os interesses de um pirata —  que nem sempre será um tesouro perdido.
Era como se tudo estivesse escrito sem que as páginas tivessem sido abertas. Como se os dias estivessem determinados sem que sequer tivessem começado. Era tanta certeza que viver tinha se tornado simplesmente desnecessário, mas, ironicamente, era essa sutil necessidade que agora a fazia arriscar tudo: viver.
(#BonnyRed, Fabiana Madruga)
   Os contos transitam pelos mais variados temas. Engana-se quem pensa que as histórias são, na maioria, focadas na fantasia. Encontramos fantasia sim, mas tem romance, tem busca pelo tesouro perdido, tem crítica social e até ficção
   Conhecemos também muitas mulheres comandando navios e liderando marujos com perspicácia. Marujas mais inteligentes que o próprio capitão e sua própria tripulação. Piratas está cheio de girl power gente, já morri de amor.
Por mais que a capitã tivesse falado que não havia violações ou outras violências entre a trupe, uma mulher chamada Preta, mas que respondia por Sete Quedas, deu a Amélia uma faca afiada.

—Coloque em uma das meias. Nunca se sabe, garota. A Irmandade pode tratar os homens e mulheres do mesmo jeito, mas alguns homens ainda não são homens.
(Mais pesado que o ar, Melissa de Sá)
   A arte da capa é excepcional, quando peguei o livro fiquei horas analisando cada detalhe. Particularmente, amo capas com desenhos bem detalhados cheios de informação.
   Superei, como podem ver, meu preconceito por contos. O livro é maravilhoso do começo ao fim, seu único defeito é que os contos acabam. A vontade de se aprofundar mais em cada história permanece ao desfecho de cada conto.
   Está recomendadíssimo, uma porta para conhecer melhor o trabalho de ótimos autores brasileiros. Espero que tenham gostado da resenha, até a próxima!
—Quando você  me pediu para se juntas a nós, eu permiti — começou Catarina (...).—Você me disse que não tinha para onde ir. Sei como é ser uma jovem mulher nesse mundo. Não há lugar para nos quando estamos sozinhas. Precisamos ajudar umas as outras.
(Mais pesado que o ar, Melissa de Sá)
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Ana Liberato