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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Resenha: "Crônicas de Espada e Feitiçaria" (Vários Autores edt. Gardner Dozois)

Tradução: Alexandre Martins, Maria Helena Rouanet e Paulo Afonso

Sinopse: Uma antologia com o melhor do gênero de histórias conhecido como “espada e feitiçaria”, incluindo uma novela inédita de George R.R. Martin passada no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” o aclamado editor e autor best-seller Gardner Dozois apresenta uma antologia com contos épicos originais escritos por um grupo de autores de elite. Junte-se aos melhores contadores de histórias do mundo da fantasia como George R.R. Martin – e uma novela inédita ambientada em Westeros, muito antes dos eventos passados em a guerra dos tronos –, Scott Lynch, Robin Hobb e Walter Jon Williams, e mergulhe em jornadas cheias de ação, universos encantados ou sombrios, acompanhando espadachins e aventureiros destemidos. Uma verdadeira homenagem ao gênero considerado o precursor da fantasia épica.

Fonte: Amazon

Por Eliel: O gênero conhecido como Espada e Fantasia é um dos meus favoritos. Me apaixonei quando tive contato com o Senhor dos Anéis de Tolkien e desde então conheci autores como C. S. Lewis, George Martin, Robin Hobb. O editor desse livro, Gardner Dozois, reuniu grandes nomes do gênero e a editora LeYa fez uma grande escolha ao apresentar ao público brasileiro esses mesmos nomes.

Dozois é um apaixonado desse gênero literário e grande amigo de muitos dos autores dessa antologia. Inclusive tem parceria em algumas obras com titio Martin. Dá para perceber todo esse amor através da introdução que ele escreveu. Simplesmente tocante.

Precursor da Ficção, esse gênero tem o poder de nos transportar para mundos fantásticos, nos apresentar personagens incríveis e histórias envolventes. Gardner Dozois escolheu 16 contos para compor esse épico, eu diria que ele foi um curador, pois cada conto é uma verdadeira obra de arte. Todos compartilham de um mesmo gênero, porém cada um é uma aventura única e diferente.

Os autores escolhidos para essa antologia são muito importantes para o desenvolvimento do gênero, porém me entristece um pouco a maioria deles nunca ter sido publicado em nosso país. Acredito que coletâneas como essa são uma abertura de mercado para a chegada de autores de renome fora e um incentivo para nossos autores experimentarem um gênero não tão novo, porém pouco explorado/conhecido.

É um livro para fãs de fantasia épicas, aliás o próprio volume é um épico de mais de 500 páginas com autores conhecidos e já queridos por nós e também autores que nunca foram publicados por aqui. Essa obra é um belo encerramento para a carreira de Dozois (1947-2018). Recomendo para quem quer conhecer ainda mais esse gênero e para quem já é fã e quer ter contato com autores menos conhecidos.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Resenha: "Santuário dos Ventos" (George R. R. Martin & Lisa Tuttle)

Tradução: Luís Reyes Gil

Sinopse: George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. O romance, ambientado num planeta distante, conta a história de Maris e seu sonho de se tornar um dos voadores, grupo de habitantes mais prestigiado do Santuário dos Ventos. Para isso, recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

Fonte: Editora Leya

Por Eliel: Quando uma situação não te agrada o conselho mais comum e mais óbvio é mudar. Porém isso às vezes não é tão fácil. No santuário dos Ventos tem uma sociedade engessada que faz distinção social entre os voadores e os confinados à terra, herança dos seus antepassados. Os Voadores são uma classe de prestígio no Santuário dos Ventos, são eles que são o principal meio de comunicação entre as nações. Os Confinados à Terra são todos os outros membros do povo que habitam as ilhas desse planeta tomado por grandes quantidades de água e fortes ventos.

Maris é uma confinada à terra de nascença que teve acesso à asas porque seu pai adotivo, Russ, é um voador. Ele ensina a arte do voo para Maris que tem um talento nato, mas devido ao seu nascimento e as regras não terá o direito de se tornar uma verdadeira voadora.

Muito em breve, ela deverá passar as asas que lhe deram tanto prazer para seu irmão mais novo, Coll (filho biológico de Russ), que não tem o mínimo talento e vontade de ser um voador. Sua verdadeira paixão é a música.

- Não se preocupe - disse Russ, com uma voz cordial, mas meio forçada. - Foi só um suporte, filho; eles quebram à toa. Não é difícil consertar. Você estava um pouco instável, mas todos nós ficamos no primeiro voo. Da próxima vez será melhor.- A próxima vez, a próxima vez, a próxima vez! - repetiu Coll. - Eu não consigo, pai, não consigo. Eu não quero uma próxima vez! Eu não quero suas asas! - Ele chorava abertamente agora, e seu corpo tremia com os soluços.O grupo ficou mudo, chocado, e o rosto de seu pai ganhou um ar severo.- Você é meu filho, um voador. Haverá sim uma próxima vez. E você aprenderá.Coll continuava tremendo e soluçando, as asas já desatadas aos seus pés, quebradas e inúteis, pelo menos por ora. Não haveria voo para Eyrie naquela noite.

As asas dos Voadores são feitas de um material metálico provenientes das velas das grandes embarcações estrelares dos primeiros exploradores a chegarem nesse planeta formado por vários arquipélagos. Dessa forma esse material é bem escasso, e as asas são passadas de geração a geração o que mantém essa cultura viva. Como mensageiros a serviço dos Senhores da Terra, que são os governantes das nações, eles mantém a comunicação e a sobrevivência em comunidade do planeta.

Maris não deseja se separar da liberdade e das sensações proporcionadas pelas asas. Diante de um grande Conselho dos Voadores ela vai lutar bravamente pelo seu direito contra todas as tradições impostas por séculos de história, afinal para ela as asas deveriam ser passadas por mérito e habilidade ao invés por hereditariedade. Dessa forma, menos asas seriam perdidas e vidas seriam poupadas se não caíssem em mãos inexperientes e sem talento.

- Somos pessoas, e se temos algum instinto é o instinto, o desejo de mudança. As coisas sempre mudam e se formos inteligentes faremos as mudanças nós mesmos, e para melhor, antes que sejamos obrigados a fazê-las. A tradição de passar as asas de pai para filho funcionou razoavelmente bem por muito tempo. Com certeza, ela é melhor que a anarquia, ou que a antiga tradição de se defender isso num combate, que apareceu no Leste durante os Dias de Sofrimento. Mas não é a única maneira, nem é a maneira perfeita.

Maris se tornará uma lenda no Santuário, porém terá que lidar com as consequências de seus sonhos e atitudes. Um fardo que pode ser bem pesado para carregar, mas toda revolução tem fardos e consequências diante das mudanças necessárias.

Um livro escrito à quatro mãos e com uma única voz. O mestre Martin e Lisa Tuttle escreveram esse livro em 1981 e somente agora chega uma tradução encantadora chega às nossas mãos por meio da Editora LeYa. Uma aventura ao melhor estilo Espada e Feitiçaria que trata de temas como a busca de sonhos e a importância de questionar sistemas opressores. Com uma protagonista feminina forte e bem construída e à frente do seu tempo.

- Crescer pode ser doloroso - comentou Evan. - E toda cura leva tempo. Dê tempo ao tempo, Maris.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Resenha: “Raio de Sol” (Kim Holden)

Tradução: Regiane Winarski

Por Yuri: Olá pessoal! Hoje é dia da resenha do livro Raio de Sol. Eu achei esse livro tão gracinha que queria muito ter na minha estante pra reler várias e várias vezes (alguém mais faz isso???). Mas no amigo desapego do blog, eu tirei a resenhista Clarissa pelo segundo ano consecutivo e achei que ela ia gostar de ler esse livro também (achei o livro a cara dela!!!). Como o próprio nome já diz, tem que se desapegar mesmo T.T.

Kate Sedgwick é uma jovem de dezenove anos, que após a morte da mãe e da irmã e ser abandonada pelo pai, entra na faculdade para fazer épico (o seu lema de vida).
O melhor amigo da jovem, Gus, é um guitarrista famoso, que a chama de Raio de Sol porque mesmo em meio a tantas tragédias, Kate consegue sempre ver o lado positivo das coisas (a típica Poliana). No entanto, se tem uma coisa que Kate é pessimista é em relação ao amor.

“- Podemos ser sinceros por um minuto? Aconteceu. Não podemos mais ignorar o elefante branco na sala. Temos que falar sobre isso.
Ele expira alto.
- Concordo.
Segue-se uma pausa que nenhum de nós dois quer encerrar, até que que Gus fala:
- Escuta, sei que estávamos bêbados e isso é um grande clichê, mas aconteceu. Eu não tinha nenhum plano grandioso de fazer você encher a cara e fazer o que eu quisesse com você.
- Eu não estava bêbada. Tinha tomado duas taças de vinho em umas quatro horas. E sei que você não tomou muito mais do que eu. Você está com raiva de mim? Não quero que as coisas fiquem esquisitas entre nós dois. Eu também não planejei isso sabe?
- É, eu sei. – A voz dele soa sincera de novo.
- E o que vai acontecer agora? Porque acho que não existe um manual para nos ajudar com isso. – Minha voz está calma, mas minhas entranhas estão dando um nó, coisa que odeio. Normalmente, não deixo aas coisas me incomodarem. Não consigo. Não me sinto assim há alguns meses.
- Você se arrependeu? – Ele soa quase tímido.
Eu solto o ar que estava prendendo nos pulmões, e um pouco do nervosismo vai embora junto.
- Você está me perguntando isso mesmo? Gus. Você me conhece. Esse é praticamente o meu lema: sem arrependimentos. Arrependimentos só servem para imaginarmos alternativas e sentirmos raiva e tristeza, e não posso me dar ao luxo de nada disso.”
Na pequena cidade em Minnesota para onde Kate se muda, a jovem acha que a última coisa que vai conseguir nessa cidade é se apaixonar, mas logo entra em cena o Deus da beleza encarnado no senhor perfeição, também conhecido como Keller Banks.
“A primeira coisa que reparo nela é o quanto é pequena. Em seguida, reparo nas roupas, no visual todo; ela não é daqui. A terceira é a cara feia para o sino pendurado na porta. Tenho a sensação de que ela tem uma história com esse sino. Ela é a coisa mais linda que já vi. O tipo de linda que faz você sorrir mesmo quando você não quer. Quando se aproxima do balcão, a cara feia some e é substituída pelo sorriso mais genuíno do mundo. Sorrisos não são sempre felizes, mas o dela é. É aberto, satisfeito e confiante. Ela parece simpática no sentido mais literal da palavra, como se você pudesse jurar que a conhece há anos e que ela sabe todos os seus segredos. E que ainda gosta de você apesar disso.”
Keller Banks, jovem, estudante e barista no café local onde Kate vai todos os dias para uma dose de cafeína, parece se apaixonar por ela também. Mas ambos tem um grande segredo, que torna muito difícil o relacionamento dos dois.
“- Bom dia, Keller. – Eu entrego o jornal para ele. – Aqui está seu jornal. Dei uma olhada nele. Não houve nenhum grande escândalo em Grant, mas tem uma liquidação de carne moída no Sam’s Meat Palace, caso você esteja interessado. Ah, e a igreja Our Lady of Eternal Light vai oferecer um jantar com espaguete no sábado, das 17h às 19h, para arrecadar dinheiro para as reformas no salão.
O sorriso torto surge e vira uma leve careta. Ele balança a cabeça de leve, como se o mero movimento fizesse sua cabeça doer.
- Isso é informação demais para as 5h45, Kate.
[...] – Você pode se surpreender. – Levanto o café em uma saudação. – Obrigada pela conversa. Tenha um dia estelar, Keller.
Ele responde a saudação.
- Nos vemos por aí, Katie. E obrigado pela dica da carne moída no Sam’s.
- Não esqueça do jantar com bolo de carne na Our Lady of Everlasting Glory. – respondo sem me virar. Às vezes, eu texto as pessoas só para saber se elas estão mesmo me ouvindo.
- É Eternal Light. Consigo ouvir o sorriso na voz dele. – E vai ser espaguete – acrescenta ele antes de a porta se fechar atrás de mim.
Também sorrio, porque ele passou com louvor.”
Eu só posso dizer que este livro superou as minhas expectativas. Quando eu comecei a ler, achei que a personagem seria daquelas chatinhas que se apaixona por dois ao mesmo tempo e não sabe qual quer, então fica brincando com ambos até decidir com qual vai ficar. 
Apesar de Kate ter tido uma breve noite de amor com o melhor amigo, não muda nada pra ela e não fica aquela amizade colorida ao longo do livro. A personagem é bem decidida, então não entra nesse joguinho imaturo. Ela foca naquilo que quer e investe. Adooooro isso na história.

Lógico que o livro tem a parte manjada também, já que Gus é um astro do rock em ascensão e Keller é o cara mais bonito da cidade, aquele cujo todas as garotas tentam conquistar o coração e desvendar o lado misterioso. Mas isso pouco me importou já que todos os personagens são carismáticos e divertidos, até mesmo Clayton e Shelly que são o amigo gay e a amiga grosseirona.

Eu recomendo esse livro pra quem gosta de história com personagens jovens, com uma pitada de drama, humor e lágrimas. O livro tem bastante páginas mas dá pra ler rapidinho. Espero que vocês curtam!

Até a próxima!

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Ana Liberato