sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Resenha: “Amor Plus Size” (Larissa Siriani)



Por Kleris: Algumas leituras nos tocam num ponto tão delicado que por um momento a gente não consegue dizer nada a respeito, só espera estar pronta para falar. Amor Plus Size foi esse livro que me arrebatou duas vezes. Lembro-me que a Larissa fez um especial para promover o livro e pediu depoimentos de leitoras-beta; na época, quis muito participar, mas eu não estava naquele ponto aberto para escrever e publicar algo pessoal de tamanha magnitude (admiro quem fez!) – ao invés disso, fiz um post de indicação (reveja aqui). Com o lançamento do livro, devorei rapidinho, mas de novo, querendo trazer uma resenha, travei. E se tem uma coisa que aprendi nesse ano foi: quando a gente não conta algo ou foge de uma situação desconfortável, ela se torna algo bem maior do que é e de alguma forma nos aprisiona muito mais em nós mesmas. Mas isso é outra história. Vamos ao livro!

Maitê é uma garota que em 9 de 10 batalhas diárias se vê na luta contra seu corpo. Acima do peso “ideal”, ela sobrevive às pressões e ideias malucas da mãe, da médica, da Maria Eduarda que faz questão de gritar para toda a escola ouvir, das revistas, da mídia e de toda a sociedade que estampa que felicidade é pensar e ser magro. Em uma fase da vida borbulhante então, Maitê se vê praticamente todos os dias acuada por estas impressões. Esse horizonte começa a mudar quando surge a oportunidade de modelar como plus size, um mercado da moda ainda pouco acessível ou explorado, principalmente quanto a adolescentes. Paralelo à procura pelo seu verdadeiro eu entre as tantas afirmações sobre o que representa ou não ser gorda, Maitê vive seu terceirão como qualquer garota de 17 anos: com muitas paixões, interesses e desilusões.

Em outras resenhas já mencionei que gosto quando autores pegam algo comum do cotidiano e tornam toda a trama muito crível. Siriani nos entrega isso muito bem, articula uma história que pode parecer simples e razoável a olhos comuns, porém imprime algo que, por incrível que pareça, ainda precisa ser muito reforçado. Para muito além do bullying, autoconhecimento, aceitação e empoderamento são palavras fortes neste livro. Representatividade!

Vide aqui @mulherzinhasqn

Precisamos de mais livros assim. É repensando sobre isso que a lembrança bate forte na Brené Brown e na Chimamanda N. Adichie quando dizem que precisamos lutar e mudar essa cultura que tanto nos faz mal. 
[...] O tipo de livro que eu gostaria de ter lido quando tinha meus 15,16 anos, ou mesmo agora. Um livro que me lembrasse que eu posso ser sensacional sem precisar me enquadrar no modelo de beleza de ninguém [...] Mas gosto de acreditar que a Maitê vai conseguir fazer alguma diferença na vida de quem leu, como fez na minha vida. Ela aprendeu tanto comigo quanto eu com ela – com ela e com todos os personagens do livro, cada qual com a sua batalha. No fim do dia (ou do livro), espero que vocês, leitores, possam olhar pro espelho e ver o mesmo que ela viu: que todo mundo, à sua própria maneira, é espetacular. Larissa, 2014, link – Como nasceu Amor Plus Size.
“Você é uma garota bonita demais pra usar 48”, ela me dissera uma vez. Uma das inúmeras frases que ela soltava ao acaso, sem se dar conta de como me magoava. As opiniões sempre controversas em que me elogiava e me criticava ao mesmo tempo eram tão frequentes que era de se esperar que eu tivesse criado algum tipo de escudo contra elas. Só que não. Toda e qualquer briga me machucava como se fosse a primeira.

Amor Plus Size passeia por família, amizade, transtornos alimentares, imagem, amor-próprio e aprendizados. É de uma leitura gostosinha, humorada, sensível e muito shipável. A escrita da Larissa nos envolve e guia fácil, serena. Melhor combo <3 
Mas aquela garota... aquela garota ali da foto, ela não era assim. Ela não era como eu. Quero dizer, era eu, mas como se fosse uma... versão 2.0! Ou 10.0, na verdade. Uma versão melhorada, destemida, descarada, confiante e incrivelmente maravilhosa. Olhar para ela era inspirador e humilhante ao mesmo tempo: eu queria muito ser como ela, mas não me considerava capaz. Como poderia? Eu nem sabia como ela tinha surgido. 
Outra pessoa além de mim e do Isaac tinha visto aquelas mesmas fotos e enxergado outra garota – aquela Maitê orgulhosa de si mesma, alegre e exposta. Alguém tinha visto quem eu queria ser e estava botando a maior fé.
Mas a questão era a seguinte: Será que eu mesma botava fé? Em mim? Era difícil saber. Eu estava fazendo o possível para mudar, claro, e tentava todos os dias me aproximar daquela outra garota, mas ainda não estava pronta para dar tamanho tiro no escuro.  Quem ia gostar de uma modelo gorda?
 
— Você estava linda — o Isaac comentou, de repente. Soou como um comentário casual, mas ainda assim me fez corar. — Ainda tá.
— Quando foi que eu fiquei bonita assim? — indaguei com um riso, mais para mim do que para ele. — Você sempre foi — ele disse, levando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha. — Só precisava de um empurrãozinho para enxergar.
Aparei a mão dele no meio do movimento, segurando-a junto ao rosto. Sorri, aproveitando aquele sentimento bom e sem nome que se espalhava pelo meu peito.
— Obrigada por me mostrar.

Obrigada por mostrar isso aos leitores, Larissa!

Leve este potinho de amor pra casa o mais rápido possível!
Recomendadííííííssimo! 

Eu tinha escolhido ser eu mesma. 


Até a próxima!
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