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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Resenha: "O caso dos dez negrinhos" (Agatha Christie)

Tradução de Leonel Vallandro

Por Thaís Inocêncio: Dez pessoas que não se conhecem recebem um convite misterioso para passar alguns dias na famosa Ilha do Negro. Embora não se lembrem muito bem do anfitrião, elas aceitam o convite, afinal, parece ser um lugar muito agradável que abriga uma mansão luxuosa. O que elas não esperavam é que a estadia na ilha não seria nada relaxante, e sim muito assustadora.

Ao chegarem ao local, os dez convidados descobrem que o anfitrião não está lá e que o barco que os levou já partiu, deixando-os sem possibilidade de sair da ilha. Mas a mansão está abastecida com muitos alimentos, então eles ficam tranquilos. Até que, após o primeiro jantar, eles ouvem uma gravação acusando cada um deles de ter cometido um crime que, direta ou indiretamente, resultou numa morte.

Logo, eles descobrirão que, dentro da casa, existe alguém que pretende fazer justiça com as próprias mãos, vingando-se de um por um dos convidados. Para isso, o justiceiro desconhecido vai se inspirar num poema infantil em que dez negrinhos são eliminados, um de cada uma vez, de maneiras diferentes (É tipo a musiquinha dos 5 patinhos da Xuxa, que cada um vai sumindo de uma vez, sabe? Só que o poema do livro explica como cada um “some”). Ao mesmo tempo, dez figuras negras que estavam em cima de uma mesa começam a desaparecer. Mas quem é o assassino? É alguém de fora ou um dos dez convidados? E como eles vão escapar dessa? Só lendo pra saber!

Esse foi o segundo livro da Rainha do Crime que eu li e gostei bem mais do que o outro – que foi “Assassinato no Expresso do Oriente”). O livro é curtinho, mas tem muita ação, emoção e consegue prender a gente até o fim! Além disso, percebi que não tem como ler Agatha Christie sem ficar tentando adivinhar quem é o culpado. Durante quase toda a leitura, eu desconfiei de uma pessoa e é claro que eu estava errada, porque a dona autora sempre segue pelo caminho que a gente menos imagina!

No Brasil, o livro foi relançado em 2014 pela Globo Livros com o título “E não sobrou nenhum”. Isso ocorreu porque a versão original, lançada em 1939, é “Ten Little Niggers” e a palavra “nigger”, nos Estados Unidos, tem cunho racista; ela era usada para insultar os negros ou se referir a eles de maneira pejorativa. Na nova versão, o local se chama Ilha do Soldado e o poema fala sobre dez soldadinhos. Minha edição, comprada por 5 reais em um sebo, ainda leva o título antigo. De todo modo, a história não é sobre a morte de pessoas negras; o nome original se refere ao poema.

Recomento muito a leitura!

Até a próxima, galera!
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Resenha: "Os Crimes ABC" (Agatha Christie)

Agahta Chistie nasceu em uma pequena cidade da Inglaterra, Torquay, em 1890 e tornou-se a romancista mais vendida de todos os tempos. Escreveu 80 romances policiais e coleções e foi traduzida para mais línguas do que Shakespeare. Suas obras atemporais recebem constantes adaptações para TV e cinema.

Por Gabi: Narrado pelo Capitão Hastings, mais um dos brilhantes personagens criados pela digníssima Rainha do Crime, este livro publicado em 1936, nos apresenta uma série de crimes que aparentemente não tem nenhuma ligação entre si.

- Bem… Não acha que se trata de um demente?
- Sim, meu amigo, deve ser.
Ele falara em tom grave, e olhei-o meio intrigado, comentando:
- Está levando esse assunto muito a sério, Poirot.
- Um louco, mona mi, deve ser levado a sério. Um tipo assim é realmente perigoso.
Entretanto, este assassino audacioso cometeu seu maior erro: desafiar o perspicaz e inteligentíssimo detetive belga Hercule Poirot. Antes de cometer um crime ele enviava uma carta a Poirot indicando o local e o dia que o próximo crime seria cometido.
“Sr. Hercule Poirot: Não é fato que supõe solucionar mistérios que desfiam a capacidade intelectiva reduzida de nossa pobre polícia britânica? Pois vejamos, sr. Sagaz Poirot, até que ponto é inteligente. Talvez não considere o assunto difícil de desvendar. Fique de olho em Andover, no dia 21 deste mês.
ABC."
O assassino escolhe suas vítimas de modo que a inicial do nome da pessoa coincida com a inicial de sua cidade e que também estejam em ordem alfabética. Começou em Andover, seguiu para Bexhil, continuou em Churston e, se ninguém o travar a tempo poderá chegar ao fim do alfabeto.

Mais uma peculiaridade desses crimes é que sempre é deixado um exemplar do "ABC, um guia de estradas ferroviárias", sempre aberto no nome da cidade onde o crime foi cometido, ao lado do corpo da vítima.

A partir daí, Poirot, Hastings e toda a equipe ligada ao mistério se vê diante de um mistério instigante e desafiador, mas não impossível. Afinal, nenhum criminoso pode se esconder deste detetive belga!

Posso ser suspeita, porque amo as obras de Agatha, mas o livro é simplesmente ótimo! Possui uma narrativa fluida e repleta de diálogos, o que facilita a leitura.

Além disso, a trama é muito bem construída e o final é surpreendente (Estou me segurando para não contar nada a vocês -rsrs). Ficamos sedentos pela descoberta do assassino, principalmente, no finalzinho onde Poirot expõe todo seu plano para matar a charada.
Agatha Christie
O mistério não era o enigma desses assassinatos, mas sim o mistério de ABC. O motivo que o levara a cometer esses crimes. Por que ele me escolheu como seu adversário?
Espero que tenham gostado da dica. Estarei esperando os comentários de todos.

ATÉ A PRÓXIMA!! *-*


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resenha: "O Assassinato de Roger Ackroyd" (Agatha Christie)

Por Sheila: Mais um Romance de Agatha Christie que tem como personagem principal o brilhante e extremamente meticuloso detetive belga Hercule Poirot. Decidido a aposentar-se da vida de investigações sobre assassinatos, traições, vinganças, Poirot resolve mudar-se para a pacata vila Britânica Kings About. No entanto, um grande amigo de seu mais recente vizinho, Dr Sheppard - que é quem nos narrará a história a partir de seu particular ponto de vista - é assassinado, cabendo a este narcisista homenzinho de bigodes pronunciados a sua solução.

A trama gira em torno do assassinato, logo no início do livro, de Roger Ackroyd que é um cidadão rico e proeminente, paciente e amigo do Dr Sheppard. Morto a punhaladas com adaga tunisiana de sua propriedade, Roger havia recebido uma carta de sua falecida amante, Mrs Ferrars, logo antes de ser assassinado.

A carta foi escrita por Mrs Ferrars antes de suicidar-se, onde esta revelava haver cometido tal ato por estar sofrendo chantagem. A partir desta, denuncia o nome do responsável por seu gesto, selando também o destino de Ackroyd - morto para não levar o criminoso à justiça. Dr Sheppard, que estava com Ackroyd quando este recebeu e começou por lê-la, é a única testemunha da existência da carta incriminadora.
Avançamos e curvamo-nos sobre aquele corpo inanimado. Ouvi o mordomo soltar um profundo gemido de angústia.

- Apunhalado pelas costas - murmurou - . É horrível! ...

- Olhe há cartas no chão. Olhei.

No soalho havia três ou quatro cartas, no lugar onde Acroyd as deixara pouco antes, durante a nossa conversa. Mas o sobrescrito azul que continha a carta de Mrs Ferrars desaparecera.
Começa então a caçada de Hercule Poirot, ajudado pelo Dr Sheppard, à solução deste mistério e busca da identidade do assassino. Escrito em 1926, O Assassinato de Roger Acrkoyd é considerado por muitos uma das mais famosas e intrigantes histórias de Agatha Christie, não só pelo jogo sutil entre verdades e mentiras e detalhes secundários que se explicam ao longo da trama e se encaixam no todo, mas por que o desenrolar da estória, inicialmente complexa, acaba por nos levar a um desfecho genial em sua lógica e simplicidade.

Uma das máximas mais utilizadas pelo detetive Poirot, neste e em todos os outros livros em que aparece como figura central, acaba sendo o ponto mais importante desta intrigante trama: numa investigação policial, nunca se esquecer que não se deve acreditar no que é dito, mas nos fatos. Se você é fã dos livros de Agatha Christie, esta é uma das leituras obrigatórias, onde nada é o que parece e o mistério não é solucionado até o surpreendente desfecho.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Resenha: "O Caso dos Dez Negrinhos" (Agatha Christie)

E Não Sobrou Nenhum // O caso dos 10 negrinhos
Autor:
Christie, Agatha
Editora:
Globo Editora
Número de Paginas :
390
Onde Comprar:
Saraiva

Por Sheila:
Considerado por muitos um de seus livros mais famosos, O Caso dos Dez Negrinhos é um romance policial de Agatha Christie, lançado pela primeira vez em 1939. Apesar de o título basear-se em uma cantiga infantil tradicional na Inglaterra, o título foi modificado em edições posteriores por algumas pessoas acreditarem que o termo “Negrinhos” poderia levar a interpretações racistas. A tentativa de renomear o romance, no entanto, fez com que algumas traduções do sofresse modificações lamentáveis, visto que a obra gira principalmente em torno de um poema e figuras de porcelana representando os personagens apresentados no desenrolar da narrativa.


A trama passa-se em uma mansão situada na Ilha do Negro, para o qual dez pessoas são atraídas pelo Sr e Sra. Owen (oito convidados, o mordomo e sua esposa). Em cada um dos quartos encontra-se a cópia de um poema que fala de “Dez Negrinhos bem como dez figuras de porcelana os representando na sala de estar.
Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.
Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.
Oito negrinhos vão a Devon de charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.
Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.
Seis negrinhos de uma colméia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.
Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.
Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez.
O arenque defumado, e então ficaram três.
Três negrinhos passeando no Zoo. E depois?
O urso abraçou um, e então ficaram dois.
Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.
Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não ficou nenhum.
Capa da versão adaptada ao
"politicamente correto"
Ninguém conhece o misterioso casal que teria despachado os convites e os meios providenciando sua vinda para a ilha, e acaba nunca aparecendo, deixando entrever aí o ardil que os leva à esta funesta reunião. Tendo sido convidados, instados ou contratados por meios impessoais – cartas, telefonemas, agências – nenhuma das dez pessoas reunidas na ilha teve contato direto com seus anfitriões. O temor substitui a curiosidade inicial dos convidados quando, após seu primeiro jantar na mansão, um gramofone toca acusando cada um deles de haver cometido um crime no passado, aliado ao mal estar por descobrirem-se impossibilitados de deixar a ilha devido ao mau tempo.

No decorrer da história os personagens vão sendo assassinados seguindo de forma fiel e bizarra os versos do poema, ao mesmo tempo em que as figuras de porcelana começam, uma a uma, a desaparecer. Isso faz com que as pessoas comecem a se questionar: haverá mais alguém na ilha? Ou será um deles um assassino? E se assim for, quem sobrará?

Um romance empolgante, com um final surpreendente. Só mesmo Agatha Christie, reconhecida mundialmente como “a Rainha do crime”, para elaborar um desfecho que nos surpreende tanto por sua simplicidade quanto pela engenhosidade do assassino. Recomendadíssimo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Resenha: "O Natal de Poirot" (Agatha Christie)


Por Gabi: Nesta semana especial de Natal não poderia faltar aqui um grande clássico que abordasse um Natal bem ao estilo de Agatha Christie, a digníssima Rainha do Crime.
Você queria um 'assassinato dos bons, violento e cheio de sangue'. Pois esta é a história que escrevi especialmente para você. 
É com essa dedicatória de Agatha a seu cunhado James, que mais parece algo escrito para cado um de nós leitores,  que começamos a sentir o espírito e o clima misterioso dessa obra. 

A estória começa e ser narrada no dia 22 de dezembro onde somos introduzidos aos personagens e suas peculiaridades.

Em um trem vagando pelas paisagens frias e nubladas do inverno britânico, Stephen Farr, um inglês apaixonado pela África do Sul e filho de Ebenezar Farr, amigo de longas datas de Simeon Lee se encontra com Pilar Estravados, a bela e ambiciosa espanhola neta de Simeon Lee. Em meio a uma conversa casual, eles acabam descobrindo um pouco mais a respeito um do outro. 
- Você tem inimigos, Señorita?
Pilar sacudiu a cabeça. [...]
- Se eu tivesse um inimigo - disse Pilar em tom grave -, se alguém me odiasse e eu também odiasse essa pessoa... acho que lhe cortaria o pescoço, assim...
Fez um gesto significativo.
Foi um gesto tão rápido e tão real que Stephen Farr foi tomado de surpresa.
Enquanto os dois convidados surpresa estão a caminho da mansão Gorston Hall em Longdale, Addlesfield, os filhos do patriarca Simeon Lee vão recebendo seus convites e se preparando para um natal em família. Sr. Lee sabe como essa comemoração será constrangedora já que os irmãos são pouco próximos e o laço mais aparente que os liga ao pai é o dinheiro. Entretanto, Simeon não se sente abatido com isso, pelo contrário, ele se diverte com a situação. 
Estou velho, dizem, e doente, mas ainda não estou acabado! Este velho cão ainda está cheio de vida. E ainda há prazer a retirar da vida. Ainda há prazer...
Ao longo dos dias 22 e 23 de dezembro, Alfred Lee e sua esposa Lydia, que já moram na mansão, vão recebendo os convidados. Ele, um homem terno, de meia idade e muito tranquilo; ela, uma bela mulher, esperta e enérgica que diz claramente não gostar do velho Lee vivem em uma eterna submissão a Simeon.

Seu irmão mais novo, David Lee, guarda uma mágoa de seu pai por ter feito sua mãe Adelaide sofrer tanto. Sendo assim, ele saiu de casa cedo e foi estudar pintura, não seguindo os negócios da família. Ele é casado com Hilda, uma bela e decidida mulher, 20 anos mais jovem que ele. 
"Hilda, foi terrível... horrível! Que desolação! Ela ainda era muito jovem, não precisava ter morrido. Ele a matou... meu pai! Foi ele o responsável por sua morte. Partiu-lhe o coração. Decidi, então, que não continuaria a viver sob o mesmo teto que ele e me afastei de tudo aquilo."
George Lee, um ilustre membro do Parlamento Inlgês é o mais sovina dos irmãos. É casado com a linda e loura Magdalane. Por último há Harry, o errado da família. Sua filosofia de vida é usufruir da liberdade, conhecer o mundo. 

Com toda a família reunida, eis que chega o dia 24 de dezembro. Logo após um jantar em família, acontece o que ninguém esperava: Simeon Lee é brutalmente assassinado em seu quarto!
Foi então que ouviu pela primeira vez o ruído vindo de cima: um som de louça quebrada, móveis derrubados, uma série de estalidos e baques. E depois, num som alto e claro, veio um grito, um grito horrível, sofrido, que terminou sufocado e engasgado. 
Nitidamente, acontecera ali uma luta terrível. Mobílias pesadas estavam derrubadas. Vasos de louça estilhaçados no chão. No meio do tapete, diante do fogo ardente da lareira, jazia Simeon Lee numa grande poça de sangue... Havia sangue espalhado por todos os lados. O quarto parecia um matadouro. 
As circunstâncias do crime foram bem atípicas: o quarto estava trancado por dentro, não foi achada nenhuma arma que indicasse o suicídio e as paredes externas da casa eram lisas, impedindo que alguém as escalasse. 

Depois desse inesperado acontecimento, um clima tenso e de desconfiança toma conta da mansão. O Superintendente Sugden e o Coronel Jhonson contam com a ajuda do perspicaz e inteligentíssimo detetive belga Hercule Poirot para solucionar esse caso. 


Nessa investigação são feitos muito mais que simples interrogatórios. Poirot analisa as características psicológicas de cada pessoa e além de tudo, como ele é muito observador, nenhum gesto passa despercebido. E isso faz com que desconfiemos a cada momento de alguém.  

- Mon cher, há no homem toda espécie de instintos profundos que ele mesmo desconhece. O desejo de sangue, a necessidade do sacrifício!

Agatha mais uma vez me surpreendeu nesse livro. Uma obra cheia de mistérios e um final repleto de surpresas. Só descobri quem era o assassino nas revelações finais de Poirot. Incrível!!

É uma leitura que recomendo aos apreciadores de bons livros de um belo romance policial e amantes da indescritível Agatha Christie. Tenho mais a dizer: Agatha é a romancista mais vendida de todos os tempos, escreveu cerca de 80 romances policiais e coleções e foi traduzida para mais línguas do que Shakespeare. 

Feliz Natal e VIVA A LEITURA!! *-*
 
Ana Liberato