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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Resenha: “Por Onde Andam As Pessoas Interessantes?” (Daniel Bovolento)


Por Kleris: Fiz o caminho inverso – li primeiro Depois do Fim (reveja resenha aqui) – o que se revelou uma experiência interessante, ver o Dan mais “novinho”, mais incerto, à procura do tom ou do caminho a seguir, mas já mostrando de cara seu ouro: a escrita

Despretensiosa, fui saboreando-a devagar no dia a dia – aliás, vou sentir falta da acolhida após minhas caminhadas – de maneira seus pequenos textos foram trabalhando diversas de minhas acepções. Acho que é esse o ritmo natural das crônicas na rotina: um dia de cada vez, alguns textos por vez, uma boa companhia para pausar um pouquinho e ir além da realidade sem sair totalmente dela. 

Prepare os marcadores adesivados (de novo) – você vai precisar de muitos deles.
Se você reparar bem nas ruas, em toda multidão, os rostos que você não conhece, um dia, poderão fazer parte do seu mundo. São todos estranhos procurando uma chance pra deixarem de ser, pra tomarem função e papel na vida de alguém, às vezes até na própria. [...] Nós, os estranhos, só queremos deixar esse vício de anda-pra-lá-anda-pra-cá, para finalmente conhecer alguém que nos dê nome.


Fora de um roteiro manjado, as 45 crônicas traçam umas perfeitas histórias imperfeitas. São relatos, intervalos, fluxos de pensamentos, confissões, conversas... Vários deles carregados de platonismos, autossabotagens diárias, algumas bads, e, sim, aprendizados. Diria que o livro não se pauta tanto pelo cotidiano, mas pela zona de conforto. Na verdade, uma busca de conexões frente à nossa zona de conforto. É nessa forte resistência ou mesmo na falta dessa desejada ligação, que muitas vezes deixamos o imaginário tomar conta, seja para o bem, seja para o mal. 

[...] só porque acontece dentro da sua cabeça, quer dizer que não seja real? É real pra burro. Você já sentiu isso. E, se não sentiu, paciência. É só questão de tempo. 

A gente acaba se prendendo tanto ao que poderia ter acontecido, que arrasta uma culpa imaginária a toa. E se culpar pelo que não pode ser desfeito é um daqueles errinhos bobos que fazem da gente um pouco infeliz num mundo em que a vida já não está fácil.


O livro segue um caminho natural de fases. Estações conhecidas, agasalhos emocionais, relutâncias (in)voluntárias, que, apesar de nos fazer sentir gente como a gente, estão ali para contribuir para nosso despertar. Nesse processo, assim como a vida, Dan nos dá e nos toma “pessoas”. Da fantasia ao primeiro passo de sair dessa zona confortável – mas já não tão agradável – é que vivemos as possibilidades e nos medimos pelas expectativas. 
A gente sempre abafa o que tenta incomodar a apatia com algum som familiar, com alguma memória preenchida ou com a desculpa de que a gente tá sempre ocupado e não pode prestar atenção. Eu, assim como um monte de gente, não quero sair da inércia, não quero sair daquele limbo sentimental, a menos que alguém me puxe. 
E, de repente, é um fracasso. A gente não entende. Por quê? Tava tudo tão certo, tudo tão exato, a fórmula era aquela, o espetáculo parecia tão atraente no folhetim e fuén. 
No fim do dia, sabe quando você chega em casa, tira os sapatos, bebe um cappuccino quente e sente o corpo todo esquentar? Sou essa sua sensação.

Dose a dose, entre ideais, tantas buscas e esperanças, Dan tem uma escrita sincera que te agarra de pronto. Vai falar daquilo que a gente não admite, daqueles conflitos que a gente tenta se sobrepor, do apego que nos bagunça, de como a gente insiste em agradar pessoas antes de nós mesmos, e dá lição, a sua maneira, como sobre ser inteiro e não metade. A sensação mesmo é de “se dar conta”. É uma leitura que sugere olhar pra si, mesmo depois de olhar pro outro, e se questionar se é ou não pra ser, em um exercício de autoconsciência. Exercício esse que lembra um pouco de Do que eu falo quando falo de corrida (aqui), do Murakami. 
Você nunca quer se molhar; quer sempre se sentir seguro, quer pintar e bordar nessa figura íntegra e imponente de quem não sente nada e tá tudo bem. Tá tudo bem? Tá nada, não adianta mentir pra mim [...] 
A gente é o corredor, não a sala. É a maçaneta ou o corrimão. Somos caminho, nunca o destino final. Tem gente que pira quando percebe isso, porque, ao contrário do que o outro sente, talvez a gente veja nele uma droga de uma porta, um caminho final, uma faixa de chegada. E as expectativas não batem.

Embora muito se queira, também muito nos contentamos, muito tentamos fazer algo dar certo ou fazer algo acontecer sem, na real, pensar sobre o esforço necessário – e um esforço de duas vias. Nesse sentido, alguns textos já se aproximavam do limbo de Depois do Fim, fazendo de Por Onde Andam As Pessoas Interessantes? uma grande e excelente introdução. 
Uma das manias mais dolorosas que a gente tem é de sempre renunciar a uma história inteira por conta da forma como ela acaba. 
Percebi que amor nenhum dá certo quando a gente precisa se esforçar pra fazer acontecer a mágica. 
Só com o tornozelo torcido, na última consequência do acontecido, foi que percebi o que estava na minha cara. Que não adianta insistir quando a forma não cabe na gente. Às vezes até cabe, mas depois de um tempo incomoda.

Recomendadísssssimo! Leitura para revisitar sempre :) Apesar dos comentários sobre a capa do livro ter traços “infantis”, gosto dela. Gosto por inteiro da edição. Já mal posso esperar pelo terceiro livro – em processo de publicação.

Abaixo, a playlist que ambienta todo o livro <3 
Mais importante que isso tudo: que você exista. E que não demore tanto pra chegar à minha vida. 
E aí que mora o problema: quando eu percebo. Depois que a gente percebe, não dá mais pra ignorar, e começa a acontecer de a gente perceber mais ainda.




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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Vale a Pena Ler de Novo: “Depois do Fim” (Daniel Bovolento)

Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.
Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.

Por Kleris: Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada? É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação: o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra de rotina – que tudo se evidencia. 
Você sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com você. 
Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí. 
As coisas nunca acabam pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário, confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.

Amores, desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro, marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz encarar vários estágios do fim. Ele costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida, filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva. 
Como é que a gente explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar nem pra mim. 
Tô te implorando lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de desistir de você. 
Cê acha que isso aqui vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um dia passa.Acho que sim, acho que não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida.

Mesmo as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas. É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora passa. 
“Com Bovolento, mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)

Daniel também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro amigo. 
E a gente se força a achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras, suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara. 
Olhamos todos o lado do mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida dela. 
Mais do que isso, tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita para ser sozinha. Discordo.

Há crônicas para arranhar, para amainar, para rasgar, para descansar, para rir (de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta, o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos. Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre que puder. Ao fim você vai se sentir melhor. 
Será que um dia eu voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe? 
Vão bater na tua porta, vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique bem. Mas você não reage aos estímulos.

Aliás, com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro, parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.



De plus, temos um projeto gráfico maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas, amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra que não há experiência sem aprendizado.  

Ademais, em diversos momentos, lembrei do livro Que Ninguém Nos Ouça (aqui), pela vibe de lavar a alma, e dos livros da Brené Brown (aqui), quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua própria jornada. 
Você pode não ter se candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara, sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais Forte do Que Nunca – Brené Brown

Depois do Fim é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde, mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore Girls com junky food. É um mergulho profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra outra. 
De vez em quando, seremos essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só não era o tempo certo, só não estávamos curados.

Fonte de imagem: @_poematizar

A playlist do livro

 

Eu ainda adicionaria as lentas de Alexz Johnson e de Boy (duo) de doida mesmo.
Pois é, deixe uma leitora aloprar...

Até a próxima!

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Resenha: “Peça-me o que quiser e eu te darei” (Megan Maxwell)

Tradução de Monique D’Orazio

Leia também:
Surpreenda-me


*Por Mary*: Essa mulher não é escritora pra cardíaco, não.

Se tem uma frase que ecoa na minha cabeça sempre que leio os livros dessa série é: “Miga, assim não dá pra te defender”. Tá pra nascer protagonista com maior talento pra dar tiro no pé do que essa Judith, francamente. 
- Quanto? – perguntou ele. Elas se entreolharam, e Mel pergunta, intrigada:- Quanto o quê? Com um sorriso encantador, o homem pegou a carteira, mostrou a elas e insistiu: - Cem para cada uma se me acompanharem por uma hora. As amigas trocaram um olhar.- Desculpa – replica Jud, achando graça – mas tenho que comprar um iPhone 6 e cem não dá nem pro cheiro.
Aliás, tem sim: Ana; que, por sinal, também pertence a Megan e quase me mata de raiva quando li Pela Lente do Amor.

Mas falemos disso mais adiante. Primeiro, quero deixar a playlist atualizada desta série maravilhosa:


E esse vídeo aqui pra você ouvir e sofrer junto comigo:


Como diria Jud: a gente até quer ouvir uma música dançante, mas o lado sofrente sempre fala mais alto.

Mas antes de começar esta resenha, preciso deixar um aviso aos navegantes, de que este texto contém SPOILER dos livros anteriores – incluindo seu spin-off. Então, se você ainda não começou a ler Surpreenda-me e não tolera saber finais antes da hora, fique avisado e não venha me xingar depois.

Lembram que eu disse uma vez que acompanhar esta série é como acompanhar, de fato, a vida real de um casal, desde os primeiros encontros? Pois bem, em Peça-me o que quiser e eu te darei, Judith e Eric já estão juntos há cinco anos, mantendo acesíssima a chama da paixão – apesar de permanecerem discutindo dia sim e outro também. Com três filhos e um amor avassalador, a relação vai de vento em popa, até que o retorno de uma mulher do passado de Eric e os conflitos do dia a dia faz ruir todas as certezas de Jud.

Outro casal que vai muito bem, obrigado, é Björn e Mel. Embora tudo pudesse melhorar se a teimosa ex-tenente do Exército Americano finalmente aceitasse o pedido de casamento do nosso James Bond predileto. Ao lado de Sami, os três formam uma bela família, que precisará provar toda sua força mesmo diante de rivais perigosos e presentes surpreendentes. 
- Vamos fazer uma troca. Eu te dou uma coisa. Você me dá outra.Mel pensa. Poderia ser uma boa ideia. Ela concorda, balançando a cabeça.- Está bem. O que você quer?- Qualquer coisa? – pergunta o advogado, com segundas intenções.Mel passa as mãos pelo cabelo curto e bagunçado e afirma:- Se isso faz você ficar mais tranquilo, querido, claro que sim!O sorriso de Björn se alarga e, de repente, ela entendeu o que ele pensava. Mel inclina o corpo para a frente e se apoia na mesa.- Você é um trapaceiro – sussurra.- Por quê? – diz ele, dando risada.- Porque sei muito bem o que vai me pedir e parece péssimo.- E o que eu vou pedir? – pergunta ele, rindo outra vez, consciente de que a namorada tinha razão.Mel se remexe na cadeira, bufa e diz, apontando para ele:- Você vai pedir para me casar com você e para termos um pequeno Homem-Aranha para chamar de Peter, não é?O alemão sorri. Nada lhe agradaria mais.- Seu sobrenome já é Parker, querida. 
Alternando sua narração entre a primeira e terceira pessoa – dando voz para Judith e Mel, respectivamente – neste volume Megan Maxwell abre mais espaço para a trama secundária de Björn (que eu, francamente, amei). Arrisco dizer que, sob todos os protestos que eventualmente surjam, a trama de Björn e Mel me pareceu muito mais interessante do que a principal. Espetacularmente, Björn não decepciona nunca e fiquei ansiando por mais desse casal surpreendente.

Confesso que comecei essa leitura acreditando que não havia mais assunto para explorar. Aliás, Megan Maxwell tem esse talento de nos surpreender, porque sempre tira um bom conflito da manga e zás! nos captura até a última página. 
- Grávida... Você, grávida.- Sim, mamãe. Eu, grávida. Vou ter um bebê! – Marta sorri. – Legal, né?- Que loucura – suspira Eric.Minha sogra se abana com as mãos. Ela está sem ar, mas então consegue dizer:- Mas, filha, se até suas plantas de plástico morrem... 
Entretanto, esteja preparado para sofrer.

Desde o primeiro livro, estabelecemos um padrão: Eric pisa na bola várias vezes, Judith vai relevando, relevando, até que explode. Eu apoio. E aí, brava, ela começa a fazer merda atrás de merda (merdas dessas catastróficas, piores do que as dele). Aí eu desapoio. Dá vontade de entrar no livro só pra dizer “Desse jeito tu perde a tua razão, mana”.

Apesar dessa raiva que a Megan faz a gente passar, penso que estes “defeitos” dos personagens são muito positivos, porque criam uma identificação com o leitor. Sobretudo se considerarmos que se trata de uma história cuja temática é muito distante da maioria das pessoas, esse aspecto verossímil das personas proporciona que o leitor se reconheça em, pelo menos, algum momento. Seja com o cara bonitão que se sente solitário, com a mulher durona que acredita não precisar de ninguém, no homem que criou uma muralha de gelo ao redor de si para se proteger da dor ou na garota impulsiva que vive enfiando os pés pelas mãos. E talvez seja esse aspecto humano de seus personagens que causam tanto fascínio nos diversos países em que Megan Maxwell é publicada. 
- Sabe, morena?- O quê?Apaixonado como um bobo por aquela descarada de cabelos curtos, o advogado crava os olhos azuis nos dela e fala baixinho:- Ao seu lado sou capaz de qualquer coisa.- Ah, é? E por que esse comentário?Ele então olha para o adolescente que ria com os pequenos e, sem pensar duas vezes, responde:- Porque, desde que estou com você, aprendi que as coisas que valem a pena nunca são simples. Graças a você, posso dar essa oportunidade a Peter. 
E você acha que acabou aqui? Na-nani-nanão. Mete um #HABEMUS aí, porque, além de Passe a Noite Comigo, spin-off lançado em maio pela Editora Planeta, recentemente Megan anunciou em sua página oficial no Facebook que será publicado ainda este ano lá na Espanha, precisamente no dia 7 de novembro, o livro Yo soy Eric Zimmerman, contando a trama de Peça-me o que quiser do ponto de vista do nosso protagonista. O anúncio causou muito burburinho nas redes e as opiniões se dividiram a respeito.

Peça-me o que quiser e eu te darei não é uma leitura para cardíacos. Definitivamente.  Todavia, é numa leitura para quem quer emoção, desejo, riso, lágrimas e raiva. Mais ainda, este livro é para quem exige uma boa trama, com conflitos contundentes e personagens reais em uma história aparentemente distante. 
Passam alguns minutos e, quando me dou conta de onde estou, como estou, e ainda por cima presa, sinto que vou explodir a qualquer momento. Ficar encerrada em um elevador nunca me agradou. Como a suar. Por sorte, estou com a mesma bolsa que trouxe de Jerez e dentro está o leque de flores que Tiaré, uma amiga, me deu de presente. Rapidamente eu o pego e começo a me abanar.Mãe do céu... mãe do céu, que calorão estou sentindo, e que angústia!Merda... Merda... Será que vou desmaiar?- Você está bem?Ao ouvir essa voz, eu me abano mais devagar. Giro no lugar para olhar e fico sem fala quando encontro o homem que já não sei se me partiu o coração, a alma ou sei lá o quê.
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Resenha: “Surpreenda-me” (Megan Maxwell)

Tradução de Monique D’Orazio

Leia também as resenhas da série principal:


*Por Mary*: Olê, elê! Cheguei trazendo mais este spin-off da série que, com o perdão do trocadilho, surpreendeu-me irreparavelmente.
- Se eu te beijar, vai me morder outra vez?- Se eu fosse você não tentaria.
Sem dúvida, aguardei ansiosamente por este livro. E não apenas porque Björn é um de meus personagens prediletos, mas também porque este foi o verdadeiro chamariz para que eu iniciasse a leitura da série Peça-me o que quiser.

Há algum tempo, navegando pelos Submarinos da vida, me deparei com esta obra, de uma autora que adoro e com uma sinopse tentadora, e fiquei muito interessada. Porém, ao perceber que se tratava do spin-off pertencente a uma série – que, a princípio, não me chamou tanta atenção – acabei deixando pra lá; até mesmo porque, até então, eu não estava em um bom momento para me comprometer com uma série de tantos volumes.

De lá pra cá, minha admiração por Megan Maxwell aumentou e achei que valia a pena dar uma chance para esta série, mesmo que, lá no fundo, eu estivesse mais interessada pelo spin-off que estava por vir. Me comprometi a ler na ordem, como manda o figurino, e, olha, o meu único arrependimento é não ter lido esta série antes. Que livros maravilhosos!
- Escuta, Björn, se o seu coração escolheu a Melanie, nada vai conseguir se opor a ele. Meu conselho é que você se deixe levar pelos sentimentos e se concentre no presente. O que tiver que ser, será.- Porra, cara, você está me assustando!Eric sorriu antes de desligar, zombou:- Pode ficar assustado!
Esta experiência até me tem feito repensar uma outra série que tenho deixado de lado, sempre passando para depois...

Enfim, trago música boa, nesta playlist que melhora a cada atualização:


UM MUSICÃO DESSES, BICHO!


Mas antes de começar esta resenha, preciso deixar um aviso aos navegantes, de que este texto contém SPOILER dos livros da série principal. Então, se você ainda não começou a ler o terceiro livro e não tolera saber finais antes da hora, fique avisado e não venha me xingar depois.
Saiu uma gotinha de sangue e Mel, sem pensar, pegou um band-aid das Princesas e, da mesma forma que tinha feito na filha, colocou na mão dele.- Pincesaaaass! – aprovou a menina, chegando perto.Assim que Mel terminou, olhou para Björn e disse animada ao perceber que a filha os observava:- Saiba que a Bela Adormecida vai fazer você sarar, num passe de mágica a dor vai passar, tchan... tchan... tchan!, para nunca mais voltar.Pergo de surpresa por aquela bobagem, Björn olhou bem para ela e disse piscando:- Tá de brincadeira, né?

Björn Hoffmann, nosso advogado bonitão, melhor amigo – e principal conciliador – do casal de Peça-me, conheceu Mel quando esta socorreu Judith, que entrara em trabalho de parto dentro do elevador de um shopping center.

Desde o primeiro encontro, surgiram faíscas diante do confronto de duas personalidades tão fortes e nem mesmo Björn, com seu jeito divertido e galante, consegue relevar o gênio mandão e provocador de Melanie Parker, uma piloto do exército americano que cuida sozinha da filha pequena e acha que não precisa de ninguém, que se basta sozinha.
- Olha, não faz diferença. Eu... eu não preciso de ninguém, Robert. Eu...- Como você não precisa de ninguém? Todos nós precisamos de alguém.- Eu achava que esse homem era... especial. Mas ele não quer falar comigo. Pra ele sou um maldito inimigo. Um militar americano. O que você quer que eu faça?- Porra, Mel... Se é dele que você gosta, convença-o de que, antes de ser militar, você é mulher. Faça o favor de se esquecer de uma vez por todas do seu passado e retome a sua vida. Deixa de ser a supertenente Parker 24 horas por dia e seja a Melanie. Juro que a vida vai ser melhor pra você, querida, porque todos nós precisamos de alguém especial que nos ame.
A implicância inicial, como é de se esperar, acaba se transformando em uma tensão sexual incontrolável e a sucessão de encontros furtivos acaba mostrando uma Mel alegre, doce, brincalhona e que desperta em Björn seu lado mais protetor.

Se tem um personagem que, definitivamente, merecia uma história só sua, essa pessoa é Björn; esse morenaço que conquista os leitores desde sua primeira aparição, lá em Peça-me o que quiser, e finalmente arrebata todos os corações em Surpreenda-me.
- Mas o que acontece com as duas Superwomen?Judith olhou para ele com tristeza e antes que explicasse Mel se adiantou.- Veja só, bonequinho, até as Superwomen têm sentimentos.Ele as encarou com surpresa. No caminho para o escritório, levando duas cervejas e querendo saber o que estava acontecendo, ele soube o que tinha que fazer. Chegando lá, ele colocou as garrafas na mesa de Eric e comentou:- A sua pequena está se acabando de chorar na cozinha.Não foi preciso dizer mais nada. Eric se levantou rapidamente e foi até lá. Björn foi atrás e ouviu o amigo perguntar logo que abriu a porta:- O que foi, querida?
Diferentemente dos livros da série principal, este spin-off é narrado em terceira pessoa, alternando os pontos de vista entre os protagonistas e, vez ou outra, quando conveniente, pegando um ou outro pensamento dos diversos personagens que figuram na história. Megan Maxwell costuma ser muito feliz na escolha de suas narrações e dessa vez não foi diferente. Ela administra os fatos e informações de acordo com as necessidades da trama a que se propõe contar, nunca deixando o leitor ter a sensação de que está sabendo demais ou de menos.

Esta é uma autora que parece saber perfeitamente a medida certa para tudo, seja do ponto de vista estrutural – narração, enredos, construção dos personagens – ou elementar da história. E isto, quem costuma se arriscar com as palavras em textos, poemas, contos e crônicas, sabe que é muito difícil de conseguir, porque quem está escrevendo, por saber tudo sobre a história que está contando, pode acabar se perdendo em extremos, não deixando espaço para a imaginação do leitor ou sufocando-o com informações muitas vezes desnecessárias.

Bicha, te venero.
Quando Mel e Björn ficaram sozinhos, ele ligou a água e a olhou nos olhos. A pergunta que ouviu dela em seguida foi um pouco inesperada.- Tudo bem?Ele respondeu que sim e algo em seu coração se descongelou naquele instante. Lembrou-se de Eric e sorriu ao entender o que o amigo tinha tentado explicar tantas vezes sobre ele e Jud. Sem saber por quê, naquele momento, tudo fez sentido. A química com uma mulher, e tudo o que isso significava, surgia quando menos se esperava. Finalmente havia encontrado aquilo com Mel e não ia perder.
De longe, este é o livro mais erótico da série. Se fosse outro escritor qualquer, eu recomendaria cuidado. Todavia, como já conversamos, Megan sabe dosar as ferramentas disponíveis, se renova de maneira a não permitir que o enredo caia na repetição e, mais importante, jamais perde a trama de vista. As cenas explícitas guardam relação com a proposta do livro, não parecem gratuitas ou descartáveis.

Algo que preciso destacar sobre Megan Maxwell, é o carinho imenso que ela parece ter por suas guerreras, como costuma chamar suas leitoras, parecendo homenageá-las a cada página, cena de ciúme, beijo arrasador, palavra de amor dos personagens. Acho louvável e maravilhoso.
- Uma rosa para a dama?Antes que Björn falasse alguma coisa, Mel se adiantou:- Dê uma ao cavalheiro, por favor.Enquanto Mel pagava, Björn pegou, atônito, a flor que rapaz lhe entregou.- É pra você – ela disse em voz baixa num jeito divertido, quando ficaram sozinhos.Confuso, Björn a encarou. Uma rosa para ele?- Não gostou? – Mel perguntou ao notar sua expressão.- Claro que gostei. Mas até agora era eu que...- Mas isso acabou – ela interrompeu. – Como é sempre você que me dá flores, hoje sou eu que te dou essa rosa. Igualdade entre os sexos, você não acha?
Além disso, é preciso ressaltar o significativo papel que esta autora exerce na representação da liberdade sexual feminina. Seguindo na contramão de muitos autores aclamados mundo afora, que evidenciam personagens femininas frágeis e submissas, Megan cria mulheres que representam seu séquito de leitoras: fortes, trabalhadoras, determinadas, que buscam o próprio prazer e não veem problema nenhum em demonstrar o que querem e nem por isso merecem menos respeito ou são menos mocinhas por isso. Mais ainda, o amor não as fragiliza, não as transforma em típicas donzelas indefesas; pelo contrário, as fortalece.

Eu não poderia terminar esta resenha sem fazer um adendo para um personagem que me intrigou do início ao fim: Comandante James Lodwud. Passei boa parte da leitura na dúvida se gostava, desconfiava ou não me importava com ele e, por fim, fiquei bastante curiosa para saber mais sobre este homem durão que não superou o abandono da ex-mulher. Megan, fica aí o pedido!
- Espero que algum dia você supere a história da Daiana, como eu acredito ter superado a história do Mike. Você perece uma vida melhor, James, e eu sei que você vai tê-la. Eu sei.Ele olhou para ela quando respondeu:- Foi um prazer te conhecer, Mel.Ela andou até ele, se abaixou e o abraçou.- Digo omesmo, James. Obrigada por tudo, porque, à nossa estranha maneira, você me ajudou a seguir vivendo. – Eles sorriram. – Espero que nossos encontros já não sejam como os de antigamente.Eles sabiam que aquilo era uma despedida. Tinha chegado o momento de esquecer os fantasmas do passado e de tentar retomar suas vidas.
Portanto, se você quer ficar arrebatado, vidrado na leitura, quer se apaixonar, suspirar, grudar naquelas páginas e só conseguir largar depois de ler tudo, Surpreenda-me, com certeza, é a pedida certa.
- Sabe de uma coisa? – ele insistiu nervoso, sem deixar que ela falasse. – Meu pai me aconselhou que, pra eu fazer você se apaixonar por mim, eu devia fazer você rir. Mas fique sabendo que, cada vez que você ri, quem se apaixona ainda mais sou eu, como um idiota. Eu te amo. Te amo com toda a minha alma e nunca tive mais certeza de nada na minha vida.  E se você não me amar, vai precisar comprar um grande carregamento de band-aids das Princesas pra tirar de mim a dor tão terrível que...- Björn...- Antes que você diga qualquer coisa – ele interrompeu outra vez -, quero que você saiba que estou disposto a lutar por você. Não me importa que você seja militar, nem americana, nem russa, nem polonesa. Não vou permitir que você vá pro Texas. Se você for, prepare-se, porque eu vou atrás de você e não penso em deixa-la em paz até que você ceda e decida voltar comigo, porque eu te amo e preciso que você me ame.
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Resenha: “Depois do Fim” (Daniel Bovolento)


Por Kleris: Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada? É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação: o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra de rotina – que tudo se evidencia. 
Você sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com você. 
Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí. 
As coisas nunca acabam pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário, confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.

Amores, desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro, marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz encarar vários estágios do fim. Ele costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida, filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva. 
Como é que a gente explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar nem pra mim. 
Tô te implorando lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de desistir de você. 
Cê acha que isso aqui vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um dia passa.
Acho que sim, acho que não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida.

Mesmo as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas. É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora passa. 
“Com Bovolento, mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)

Daniel também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro amigo. 
E a gente se força a achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras, suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara. 
Olhamos todos o lado do mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida dela. 
Mais do que isso, tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita para ser sozinha. Discordo.

Há crônicas para arranhar, para amainar, para rasgar, para descansar, para rir (de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta, o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos. Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre que puder. Ao fim você vai se sentir melhor. 
Será que um dia eu voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe? 
Vão bater na tua porta, vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique bem. Mas você não reage aos estímulos.

Aliás, com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro, parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.




De plus, temos um projeto gráfico maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas, amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra que não há experiência sem aprendizado.  

Ademais, em diversos momentos, lembrei do livro Que Ninguém Nos Ouça (aqui), pela vibe de lavar a alma, e dos livros da Brené Brown (aqui), quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua própria jornada. 
Você pode não ter se candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara, sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais Forte do Que Nunca – Brené Brown

Depois do Fim é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde, mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore Girls com junky food. É um mergulho profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra outra. 
De vez em quando, seremos essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só não era o tempo certo, só não estávamos curados.

Fonte de imagem: @_poematizar

A playlist do livro



Eu ainda adicionaria as lentas de Alexz Johnson e de Boy (duo) de doida mesmo.
Pois é, deixe uma leitora aloprar...

Até a próxima!

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domingo, 2 de julho de 2017

Music Trip Off (Tag) – minha vida em uma playlist aleatória

Algumas viagens acontecem nos intervalos


Não lembro a última vez que respondi uma tag aqui no blog (respondi?), só sei que ri demais dessa quando vi lá no Balaio de Babados e ri ainda mais quando brinquei no meu player. Então hoje a viagem é por uma suposta história de vida: a minha – e ao modo aleatório.

Regras
1. Abra a sua lista de música (Ipod, Itunes, Windows Media Player, Spotify...);
2. Coloque no modo aleatório;
3. Aperte o play;
4. Para cada pergunta abaixo, escreva o nome da música que esteja tocando;
5. Quando passar para a próxima pergunta, aperte o botão para avançar para outra faixa;
6. Não minta e nem tente parecer legal.


1. Tema do seu nascimento
Rachel Platten – Stand By You

A gente nasce pra criar vínculos, né?


Pois eu vou ficar ao seu lado
Mesmo se nós estivermos quebrados
Podemos encontrar uma maneira de contornar
Mesmo que nós não podemos encontrar o céu
Vou andar com você através do inferno
Amor, você não está sozinho
Porque eu vou ficar por você


2. Primeiro dia na escola
IMRI – I Feel Alive

A pequena menina sonhadora entrando em contato com o mundo real. E a escola quebrando toda sua noção já desde o primeiro momento. De boa maneira, acho. A verdade é que nos libertará, certo?


Eu estava esperando muito por algo bom para vir
E eu sou um pouco frágil
Estava esperando muito, é como uma ampulheta
E você gosta de problemas

Quebrando-me em pedaços
Eu queria que você soubesse que cada peça que quebrou de você
Quebrou-me em pedaços
Porque cada vez que você vem
Sinto-me vivo


3. Tema do seu primeiro amor
Isaiah - Don't Come Easy

HAHAHAHA Não é ~fáceo


Não, não, não quero mexer com a sua cabeça, mas meu amor
É difícil amar novamente

Não é fácil e não vem barato
Foi queimado muitas vezes para amar facilmente
Não se engane, meu amor corre profundamente, mas não é fácil
Não é barato, não, não comigo


4. Tema da sua primeira decepção amorosa
Kye Kye – Trees And Trust

O jeito é aceitar que não era pra ser, pra doer menos.
Só imagino que Trees and Trust é aquele consolo que nos torna pequena e nos dá colo.


Você perseguiu meu coração, então pude ver
Mas eu permaneci sem aceitar
Você chamou meu nome infinitas vezes
E eu perdi a visão tão facilmente

Depois, oh, eu fiquei em silêncio, eu me deitei à noite, e uma voz na quietude:
“Oh, meu amor, você é minha criança, tome todas essas coisas boas, elas suavizam seu coração”


5. Tema da sua vida escolar:
Laura Tesoro – What’s The Pressure

Eu odiava a escola e, quando não estava tomando notas e em desespero pelas notas, ficava bem fora do ar. Era quando eu podia respirar de fato e viver a vida ^^
No final eu soube mesmo oh
Devia ter um indie bem light por aqui


Qual é a pressão?
Você vai crescer
Você saberá no final
Isto é ficção
É na sua mente
Viva a sua vida em vez


6. Tema da sua primeira briga
Kasia Mos – Flashlight

Ninguém quer ceder, ninguém cede >,<


Como dois animais fugindo
Não tem medo de voar para o sol
Invencíveis, não deixamos rastro
Nós somos sombras apaixonadas, nós éramos fantasmas


7. Tema do seu primeiro porre
Strahan – Out Of Exile

Revolvendo aquela bad, né, non


Mas alguns não querem amor
Alguns não querem a paz
Alguns não querem resto para você
Alguns querem apenas lágrimas
E alguns simplesmente respiram ódio
Basta colocar alguma pressão sobre a ferida para ver a dor


8. Tema atual da sua vida
Timebelle – Apollo

Quando algumas coisas estão certas em nós, não podemos apenas abrir mão né
E não tem graça mesmo se vem fácil


Agora eu nunca vou deixar você ir
Dê um tempo e vamos crescer
não tem nenhum divertimento quando é fácil
Vou segui-lo, Apollo
Eu irei te seguir


9. Sua canção de namorados
Anja Nissen – Where I Am

#uiuiui


Essa noite vou tentar de verdade para você
Para te mostrar todo o amor que eu escondi
Te mostrar todo o amor que eu escondi
Vamos fazer isso do modo certo

Essa noite eu vou te mostrar, te mostrar o que você fez
Eu estou baixando minha armadura, baixando minha guarda
Essa noite eu vou te segurar mais perto do que antes
Para que você saiba onde eu estou, para que você saiba onde eu estou


10. Primeira traição
Alvaro Soler – Animal

A gente luta até onde dá


O tempo vem
Onde você é o vento
Hoje vou lutar como um animal
Como um animal, animal
Eu ouço no vento
Só o silêncio
Hoje vou lutar como um animal
Como um animal, animal


11. Música do seu casamento
Love And The Outcome - These Are The Days

Música pro final da cerimônia, quando a gente senta depois de tanto movimento, mas tá um dia tão maneiro, meio louco, mas maneiro, e a gente sente que tem que aproveitar mais um pouquinho.


Nós estamos dando apenas uma chance para viver, então viva
Estes são os dias, estes são os di-i-as
Os dias que nunca vamos voltar
Estes são os dias, estes são os di-i-as
E estes dias são tudo o que temos


12. Trilha sonora da sua primeira vez
Timebelle – Are You Ready?

*sem comentários*


Não temos preocupações, nem limites
Sem limite para diversão
Não temos estresse, não vamos desistir
Até que vejamos o sol
Não temos preocupações, nem limites
Sem limite para diversão
Porque não vamos parar a festa
Até o amanhã vir


13. Trilha sonora para as demais vezes
Nathan Trent - Running On Air

Errr… Aproveitar ao máximo, né?


Tenho certeza de que haverá bons momentos
Haverá momentos ruins
Mas eu não ligo porque estou correndo no ar


14. Primeira canção em seu carro
Royal Tailor - Ready Set Go (Feat. Capital Kings)

Tem que ter algo pra comemorar o carro novo!


Oh, você coloca a minha vida em movimento
Seu amor me faz me entregar por inteiro
Preparar, apontar, fogo, preparar, apontar, fogo!
Então não, eu não posso mais me segurar
Como uma dinamite pronta para explodir
Preparar, apontar, fogo, preparar, apontar, fogo!


15. Primeira viagem de carro
Jana Burceska – Dance Alone

Aquele momento que você deixa a música te levar e vaga de boa na estrada


Eu deixo que o pavimento seja minha passarela
Vou trazer o fogo e sentir o calor
E tudo o que precisa para manter em movimento
É o som do meu coração

Eu vou dançar sozinha onde quer que eu esteja
O ritmo segue
Eu vou dançar sozinha
Estou perdida no som
Me segurando em meu mundo


16. Tema dos teus flashbacks
Rend Collective - Simplicity

Porque Ele me amou primeiro <3


Estou voltando
Para o meu primeiro amor
Só Você

Você é a razão de eu cantar
A razão de eu cantar
Sim, meu coração vai cantar
Como eu Te amo
E para sempre eu vou cantar
Para sempre eu vou cantar
Sim, meu coração vai cantar
Como eu Te amo


17. Tema de nascimento do seu primeiro filho
Kari Kobe – Let The Heavens Open

É dia de adoração, claro!


Tu és bem-vindo neste lugar
Bem-vindo em nossos corações
Venha e faça Tua vontade
Deus, nos encontre face a face
Nos avivando com Teu fogo
Mova-se sem restrição


18. Música que estará ouvindo quando morrer
Dalal Deen - Ljubav Je (Feat. Ana Rucner & Jala)

Vai ser logo que eu aprender a língua servo-croata bósnia, né?
Ô negocinho difícil de cantar!
E a parte do ~rap então.


Ljubav je začarani krug
Svako dođe na svoj red
Svako plati svoj krug

Ljubav je sve što imamo
Svako bira svoj grijeh
Jedno drugom praštamo
Praštamo


19. Música do funeral
Bethel Music & Amanda Cook – Starlight

Tem que ter Bethel Music pra segurar consolar o povo!


Não há coração invisível
Não há nenhum espaço entre você e eu
Você está mais perto do que o próprio oxigênio que eu estou respirando
Você é Deus conosco
Você está aqui conosco, Emanuel
Você é convidado, a sua glória não tem fim, Jesus


20. Música que cantará para todos onde estiver
I Am They – We Are Yours

Cantar, dançar, exaltar, lá das nuvens mesmo ^^


Você colocou a eternidade em nossos corações
Fomos seus desde o início
Tudo o que conhecemos se foi
E agora nós temos o sempre

Tem umas que deram super certo, tem umas que deu pra embromar encaixar, e tem umas bem quê? Tá um bom saldo.

E se você é team spotify, pode curtir as músicas do post por lá.


Confira mais music trips aqui

Kleris Ribeiro é beletrista, produtora e agente cultural. Garota dos bastidores, se joga em marketing digital, comunicação e, recentemente, zines. Fascinada pelos mistérios do universo do livro, é administradora do blog Dear Book e diretora do Clube do Livro Maranhão. Fangirl, diz que mantém a cabeça nas nuvens e os pés no chão.


Até a próxima e boa viagem!
#blogdearbook #musictrip #boaviagem

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Ana Liberato