sexta-feira, 17 de março de 2017

Resenha: “Peça-me o que Quiser” (Megan Maxwell)

Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Rapaaaaaaaaaaaaaaz, tirem as crianças da sala!

Quando li o aviso na capa do livro, não levei a sério. Juro.

Mas levem. Façam o que eu digo e não o que eu faço.

Apesar dos livros eróticos não serem a minha categoria literária predileta, leio até a lista de compras da Megan Maxwell. E não é que me surpreendi? Apesar das descrições explícitas, Peça-me o que quiser não chega a ser vulgar, o que me parece um grande acerto, além de contar a história de uma maneira interessante e que não centraliza o sexo como cerne único e absoluto da obra. Outro grande acerto!
- Acho que você supõe demais. – Cheia de curiosidade, digo: - Pelo seu sotaque você é...
- Alemão.
Não me espanta. Minha empresa é alemã, e gringos como aquele aparecem todos os dias por aqui. Mas, sem conseguir evitar, eu o olho com um sorrisinho malicioso.
- Boa sorte na Eurocopa!
Para começar, deixo aqui a playlist do livro, que irei atualizando conforme for lendo os demais da série:




Meio moleca, apaixonada por motocross e viciada em Coca Cola, Judith Flores é um espanhola de sangue quente. Divertida, curte sair com os amigos para beber e assistir futebol, não está em busca de compromisso sério e não parece sonhar com o príncipe encantado. Pensando bem, provavelmente Jud sonha apenas com uma chefe mais gente boa e que não a deixe tão atolada de trabalho.

Certo dia, presa no elevador por conta de uma queda de energia, esbarra em um executivo bonitão, a quem oferece um chiclete de morango e fala besteira para passar o tempo. A partir daí, sua vida não voltará a ser a mesma. E não apenas por Eric – o executivo bonitão – ser seu chefe, mas também por se apaixonar por ele e ser apresentada a um universo desconhecido de jogos sexuais, voyers e treesome.

O conturbado relacionamento, no entanto, precisará sobreviver a mais empecilhos do que pequenos fetiches. E, para isso, terão que compatibilizar dois temperamentos bem difíceis, ciumentos, o qual, talvez, apenas a atração irresistível que sentem um pelo outro não será suficiente.

Narrado em primeira pessoa, Megan Maxwell se vale da linguagem coloquial, conjugada no presente, para aproximar seu leitor. É como se fôssemos a melhor amiga de Jud, ouvindo-a contar sua história de amor com o difícil Eric.
Por alguns minutos, nenhum de dois fala nada. Ficamos abraçados, curtindo esse contato tão gostoso, até que Eric beija meu pescoço e me aperta com força.
- Te amo, e contra isso, pequena, não posso fazer nada.
Escutei direito?
Ele está dizendo que me ama?
A felicidade de faz rir, eu o beijo com voracidade e murmuro:
- Se é verdade o que você diz, não fique mais longe de mim.
- Foi você que foi embora.
- Você que me expulsou.
- Falei pra você ficar.
- Mas me expulsou!
Pronto, já começamos tudo outra vez!
Eu não seria justa, se fizesse a clássica comparação com Cinquenta Tons de Cinza, porque, apesar dos motes semelhantes, a forma como as autoras desenvolvem suas tramas são muito distintas. Se, por um lado, E. L. James explora o sadomasoquismo como um tipo de perversão que deve ser “curada” pelo amor da mocinha; Megan Maxwell eleva o fetichismo a um novo patamar, retratando-o como uma maneira corriqueira de se relacionar e cujo principal requisito é o consentimento mútuo.

Acredito que o grande diferencial de Peça-me o que quiser reside no fato de a autora não centrar sua história nas peripécias sexuais do casal protagonista, mas sim na conturbada relação deste. Além disso, a extensa e profunda pesquisa realizada por Megan Maxwell contribui para evitar as cansativas repetições tão comuns nos livros eróticos.

Sem medo de me equivocar, posso dizer que de todos os livros eróticos que li, os quais se propuseram abordar os fetiches humanos, nenhum deles foi capaz de fazê-lo com tanta maestria, de maneira tão intensa e ao mesmo tempo natural, quanto Megan.

Se, de início, as situações descritas parecem coisa de outro mundo; no fim, até conseguimos entender a dinâmica desse tipo de relacionamento – ainda que, talvez, não queiramos levá-lo para a vida pessoal. Penso que uma das coisas de que mais gostei no livro foi justamente o tom de naturalidade utilizado para direcionar uma trama que perpassa por temas até polêmicos, sem esbarrar em preconceitos e pré-julgamentos, pois também acredito que cada relacionamento é ímpar e cada casal tem uma maneira própria de fazê-lo funcionar.
- Diga-me, senhor Zimmerman. Em que posso ajudá-lo?
Eric abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta:
- O que você está fazendo, Jud?
Surpresa por voltar a ser “Jud”, respondo:
- Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos.
Minha resposta irreverente o desespera. Sei disso e gosto disso.
- Por que você está me irritando o tempo todo? – pergunta, me deixando desconcertada.
Que cinismo...!
- Eu?! – sussurro. – Mas que cara de...
Devo confessar que, a princípio, não curti muito o Eric. Autoritário, possessivo e pavio curto são apenas os principais elogios que lhe faço. Todavia, no decorrer da leitura, vamos conhecendo melhor o personagem e compreendemos que por trás daquela máscara de frieza, há um homem carinhoso, confiável e presente.

Nossa protagonista feminina, por outro lado, me conquistou de cara. Sem estereótipos, conhecemos uma mulher decidida, independente e alto astral, que corre atrás do que quer e, mesmo com certo medo do desconhecido, encara os desafios que vão surgindo pelo caminho, nos surpreendendo a cada página. O defeito dela é não saber dizer não para o Eric, mas, cá entre nós, quem nunca teve um boy que nos fazia agir como uma boba, que atire o primeiro vibrador.
- Vem cá, Eric, sua mãe disse que sou sua namorada?
- Disse.
- E como ela ficou sabendo disso antes de mim?
Megan nos presenteia com a construção de personagens muito humanos, que assim como todo mundo, são falhos, cheios de defeitos e imperfeições, mas que tentam acertar e buscam a felicidade.

Se você é uma pessoa mais puritana, talvez Peça-me o que quiser não seja a leitura mais acertada, tendo em vista que até eu – que normalmente me acho bem moderninha – me senti totalmente careta diante das “brincadeiras” apresentadas.

Peça-me o que quiser é um livro para você que quer uma trama recheada de sensualidade, que não tem pudores para conhecer um mundo de voyers, ménage à trois e swing e não abre mão de um livro bem escrito, cheio de humor e muuuuuuito romance.

Sou uma mulher normal, sem grandes pretensões, que trabalha pra sua empresa. Tenho um pai, uma irmã e uma sobrinha que adoro e, até ontem, tinha um gato que era meu melhor amigo. Sou treinadora de futebol feminino e não cobro nem um centavo por isso, porque essa atividade me faz feliz. Tenho amigos e amigas com quem curto assistir a jogos, viajar, ir ao cinema ou sair pra jantar. Agora você vai perguntar por que estou te contando tudo isso, né? – Eric balança a cabeça afirmativamente. – Não sou deslumbrante, não gosto de me vestir de forma provocativa, e nem mesmo tento fazer isso. Meus relacionamentos com homens têm sido normais, nada de outro mundo. Sabe como é: a garota conhece o garoto, eles se sentem atraídos um pelo outro e vão pra cama. Mas ninguém nunca conseguiu me tocar do jeito que você conseguiu em poucos dias. Nunca pensei que o sexo pudesse me deixar tão louca. Nunca pensei que eu pudesse fazer o que estou fazendo contigo. Você me domina e me submete de tal maneira que não consigo dizer não. E não consigo dizer não porque meu corpo e eu inteirinha querem fazer tudo que você quiser. Odeio receber ordens, principalmente na cama. Mas a você, inexplicavelmente, eu permito que mande em mim. Nunca na vida eu poderia imaginar que um desconhecido como você, que mal sabe meu nome, minha idade e qualquer coisa da minha vida, me exigiria sexo só de olhar pra mim e eu cederia. [...]

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