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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Vale a Pena Ler de Novo: "Peça-me o que Quiser” (Megan Maxwell)

Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.

Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.


Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Rapaaaaaaaaaaaaaaz, tirem as crianças da sala!

Quando li o aviso na capa do livro, não levei a sério. Juro.

Mas levem. Façam o que eu digo e não o que eu faço.

Apesar dos livros eróticos não serem a minha categoria literária predileta, leio até a lista de compras da Megan Maxwell. E não é que me surpreendi? Apesar das descrições explícitas, Peça-me o que quiser não chega a ser vulgar, o que me parece um grande acerto, além de contar a história de uma maneira interessante e que não centraliza o sexo como cerne único e absoluto da obra. Outro grande acerto!
- Acho que você supõe demais. – Cheia de curiosidade, digo: - Pelo seu sotaque você é...
- Alemão.
Não me espanta. Minha empresa é alemã, e gringos como aquele aparecem todos os dias por aqui. Mas, sem conseguir evitar, eu o olho com um sorrisinho malicioso.
- Boa sorte na Eurocopa!
Para começar, deixo aqui a playlist do livro, que irei atualizando conforme for lendo os demais da série:



Meio moleca, apaixonada por motocross e viciada em Coca Cola, Judith Flores é um espanhola de sangue quente. Divertida, curte sair com os amigos para beber e assistir futebol, não está em busca de compromisso sério e não parece sonhar com o príncipe encantado. Pensando bem, provavelmente Jud sonha apenas com uma chefe mais gente boa e que não a deixe tão atolada de trabalho.

Certo dia, presa no elevador por conta de uma queda de energia, esbarra em um executivo bonitão, a quem oferece um chiclete de morango e fala besteira para passar o tempo. A partir daí, sua vida não voltará a ser a mesma. E não apenas por Eric – o executivo bonitão – ser seu chefe, mas também por se apaixonar por ele e ser apresentada a um universo desconhecido de jogos sexuais, voyers e treesome.

O conturbado relacionamento, no entanto, precisará sobreviver a mais empecilhos do que pequenos fetiches. E, para isso, terão que compatibilizar dois temperamentos bem difíceis, ciumentos, o qual, talvez, apenas a atração irresistível que sentem um pelo outro não será suficiente.

Narrado em primeira pessoa, Megan Maxwell se vale da linguagem coloquial, conjugada no presente, para aproximar seu leitor. É como se fôssemos a melhor amiga de Jud, ouvindo-a contar sua história de amor com o difícil Eric.
Por alguns minutos, nenhum de dois fala nada. Ficamos abraçados, curtindo esse contato tão gostoso, até que Eric beija meu pescoço e me aperta com força.
- Te amo, e contra isso, pequena, não posso fazer nada.
Escutei direito?
Ele está dizendo que me ama?
A felicidade de faz rir, eu o beijo com voracidade e murmuro:
- Se é verdade o que você diz, não fique mais longe de mim.
- Foi você que foi embora.
- Você que me expulsou.
- Falei pra você ficar.
- Mas me expulsou!
Pronto, já começamos tudo outra vez!
Eu não seria justa, se fizesse a clássica comparação com Cinquenta Tons de Cinza, porque, apesar dos motes semelhantes, a forma como as autoras desenvolvem suas tramas são muito distintas. Se, por um lado, E. L. James explora o sadomasoquismo como um tipo de perversão que deve ser “curada” pelo amor da mocinha; Megan Maxwell eleva o fetichismo a um novo patamar, retratando-o como uma maneira corriqueira de se relacionar e cujo principal requisito é o consentimento mútuo.

Acredito que o grande diferencial de Peça-me o que quiser reside no fato de a autora não centrar sua história nas peripécias sexuais do casal protagonista, mas sim na conturbada relação deste. Além disso, a extensa e profunda pesquisa realizada por Megan Maxwell contribui para evitar as cansativas repetições tão comuns nos livros eróticos.

Sem medo de me equivocar, posso dizer que de todos os livros eróticos que li, os quais se propuseram abordar os fetiches humanos, nenhum deles foi capaz de fazê-lo com tanta maestria, de maneira tão intensa e ao mesmo tempo natural, quanto Megan.

Se, de início, as situações descritas parecem coisa de outro mundo; no fim, até conseguimos entender a dinâmica desse tipo de relacionamento – ainda que, talvez, não queiramos levá-lo para a vida pessoal. Penso que uma das coisas de que mais gostei no livro foi justamente o tom de naturalidade utilizado para direcionar uma trama que perpassa por temas até polêmicos, sem esbarrar em preconceitos e pré-julgamentos, pois também acredito que cada relacionamento é ímpar e cada casal tem uma maneira própria de fazê-lo funcionar.
- Diga-me, senhor Zimmerman. Em que posso ajudá-lo?
Eric abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta:
- O que você está fazendo, Jud?
Surpresa por voltar a ser “Jud”, respondo:
- Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos.
Minha resposta irreverente o desespera. Sei disso e gosto disso.
- Por que você está me irritando o tempo todo? – pergunta, me deixando desconcertada.
Que cinismo...!
- Eu?! – sussurro. – Mas que cara de...
Devo confessar que, a princípio, não curti muito o Eric. Autoritário, possessivo e pavio curto são apenas os principais elogios que lhe faço. Todavia, no decorrer da leitura, vamos conhecendo melhor o personagem e compreendemos que por trás daquela máscara de frieza, há um homem carinhoso, confiável e presente.

Nossa protagonista feminina, por outro lado, me conquistou de cara. Sem estereótipos, conhecemos uma mulher decidida, independente e alto astral, que corre atrás do que quer e, mesmo com certo medo do desconhecido, encara os desafios que vão surgindo pelo caminho, nos surpreendendo a cada página. O defeito dela é não saber dizer não para o Eric, mas, cá entre nós, quem nunca teve um boy que nos fazia agir como uma boba, que atire o primeiro vibrador.
- Vem cá, Eric, sua mãe disse que sou sua namorada?
- Disse.
- E como ela ficou sabendo disso antes de mim?
Megan nos presenteia com a construção de personagens muito humanos, que assim como todo mundo, são falhos, cheios de defeitos e imperfeições, mas que tentam acertar e buscam a felicidade.

Se você é uma pessoa mais puritana, talvez Peça-me o que quiser não seja a leitura mais acertada, tendo em vista que até eu – que normalmente me acho bem moderninha – me senti totalmente careta diante das “brincadeiras” apresentadas.

Peça-me o que quiser é um livro para você que quer uma trama recheada de sensualidade, que não tem pudores para conhecer um mundo de voyersménage à trois e swing e não abre mão de um livro bem escrito, cheio de humor e muuuuuuito romance.

Sou uma mulher normal, sem grandes pretensões, que trabalha pra sua empresa. Tenho um pai, uma irmã e uma sobrinha que adoro e, até ontem, tinha um gato que era meu melhor amigo. Sou treinadora de futebol feminino e não cobro nem um centavo por isso, porque essa atividade me faz feliz. Tenho amigos e amigas com quem curto assistir a jogos, viajar, ir ao cinema ou sair pra jantar. Agora você vai perguntar por que estou te contando tudo isso, né? – Eric balança a cabeça afirmativamente. – Não sou deslumbrante, não gosto de me vestir de forma provocativa, e nem mesmo tento fazer isso. Meus relacionamentos com homens têm sido normais, nada de outro mundo. Sabe como é: a garota conhece o garoto, eles se sentem atraídos um pelo outro e vão pra cama. Mas ninguém nunca conseguiu me tocar do jeito que você conseguiu em poucos dias. Nunca pensei que o sexo pudesse me deixar tão louca. Nunca pensei que eu pudesse fazer o que estou fazendo contigo. Você me domina e me submete de tal maneira que não consigo dizer não. E não consigo dizer não porque meu corpo e eu inteirinha querem fazer tudo que você quiser. Odeio receber ordens, principalmente na cama. Mas a você, inexplicavelmente, eu permito que mande em mim. Nunca na vida eu poderia imaginar que um desconhecido como você, que mal sabe meu nome, minha idade e qualquer coisa da minha vida, me exigiria sexo só de olhar pra mim e eu cederia. [...]

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Resenha: “Peça-me que quiser agora e sempre” (Megan Maxwell)


Tradução de: Ernani Rosa e Tamara Sender

Você já leu a resenha de Peça-me o que quiser?

*Por Mary*: CHEGOU!

CHEGOU!

CHEGOU!

(Essa foi a minha reação ao ver o carteiro dobrando a esquina)

(Ele nem estava trazendo o livro e agora tem certeza de que eu sou doida, mas tudo bem)

(Nem é como se ele já não desconfiasse disso)

Como vocês bem sabem, esta série chegou, me arrebatou e deixou-me desorientada. De onde veio a porrada? Não sei, não vi, só sei que estou aqui em prantos esperando o carteiro aparecer outra vez.
- Não posso viver sem você. O que você fez comigo, hein?
Isso me faz sorrir. Depois de lhe dar um beijo casto na boca, respondo:
- Fiz o mesmo que você fez comigo. Fiz você se apaixonar.
Que afronte, hein?

Mas antes de começar esta resenha, preciso deixar um aviso aos navegantes, de que este texto contém SPOILER do livro anterior. Então, se você ainda não começou a ler o primeiro livro e não tolera saber finais antes da hora, fique avisado e não venha me xingar depois.

E aqui está a playlist atualizada pra você curtir enquanto lê:




Pois bem, no primeiro volume desta série, descobrimos que Judith despiroca REAL OFICIAL após Eric terminar com ela. A bicha grita com a chefe, xinga o magya, pede demissão da empresa, joga um punhado de roupas no carro e foge para Jerez, onde mora seu pai.

Eric, óbvio, fica desesperado e, arrependido, vai atrás.
- Querida, não duvide um segundo de que você é o mais importante em minha vida e que estou louco por você. – Eu o olho, ele pergunta: – Você não me ama mais? – Não respondo. – Se me diz que não, prometo te soltar, ir embora e nunca mais te incomodar de novo. Mas se me ama, me desculpe por ser tão cabeça-dura. Como você disse, sou alemão! E estou disposto a continuar insistindo que você volte comigo, porque já não sei viver sem você.
Meu coração vai estourar. Que coisas mais bonitas Eric está me dizendo! Mas... não. Não devo ouvi-lo. Então murmuro com um fio de voz:
- Não me faça isto, Eric.
Sem me soltar, suplica, colando sua testa na minha.
- Por favor, meu amor, por favor. Me escute, por favor, por favor. Uma vez você me cobrou que eu me abrisse com você, mas eu não sei fazer isso. Eu não tenho nem sua magia, nem sua graça, nem sua doçura para demonstrar os sentimentos. Sou apenas um alemão sem sal que se põe diante de você e te pede... te suplica uma nova oportunidade.

A partir de então, o moço faz de tudo para conseguir o perdão de Jud, que está disposta a fazê-lo sofrer bastante antes de tê-la de volta em sua vida. Quando reatam, logo surge um novo conflito: as obrigações familiares exigem a presença de Eric em Munique e ele fica dividido.

Judith parte com Iceman para a Alemanha e, além da necessidade de se adaptar ao novo ambiente, ela também precisa conquistar Flyn, o difícil sobrinho de Eric, que não parece disposto a facilitar sua vida na nova casa. Como se já não fosse o bastante, há ainda a convivência diária e o problema de conciliar o gênio de cão que ambos têm, resultando em brigas faraônicas.
- Uau...! Eric tem razão. Você é esquentada, hein?
Fecho os olhos. Solto o ar bufando. Coço o pescoço e ele diz:
- Para de se coçar, mulher, que não faz bem pras suas brotoejas.
Olho para ele, que faz cara de reprovação.
- Pois é, linda. Eric está me deixando louco. Não para de falar de você e eu já não aguento mais. Sei até das tuas brotoejas, teus ataques de mau humor. Sei que adora trufas. Chiclete de morango. Por favor, já não aguento mais!
Assim como o primeiro volume da série, Peça-me o que quiser agora e sempre é narrado em primeira pessoa, no ponto de vista da protagonista Judith, mantendo-se uma narrativa linear e no presente.

Com sua escrita fluida e envolvente, característica típica de Megan Maxwell, esta guia o leitor para dentro da relação de Eric e Jud, que se aprofunda. Assim como a relação muda, os conflitos dos personagens avançam e se tornam mais complexos. Nada é repetitivo. Nós sentimos como a trama prossegue e se desenvolve, levando-nos a novas situações, tão reais, que conseguimos crer plausíveis. Acho que essa é uma das grandes sacadas da história de Megan: um mote aparentemente clichê e muito distante da nossa realidade, mas que é contado de uma maneira tão verossímil, e com conflitos tão comuns, que tornam o livro atraente e promissor.

Aliás, outro grande acerto da escritora, em minha opinião, é apostar em uma trama concreta, que não se alicerça no sexo, em palavras chulas ou cenas criadas para chocar. Assim como os personagens costumam dizer, os jogos são um complemento para a relação; e a gente conclui que também para a história. Apenas complementam
Não há ciúme. Não há reprovação. Apenas sexo, brincadeira e loucura. Nós três fazemos um trio maravilhoso e curtimos nossa sexualidade plenamente a cada encontro. Nada é sujo. Nada é obscuro. Tudo é absolutamente sensual.
Outro grande destaque desta obra, que ressaltei na resenha anterior e acho que vale mais uma vez o comentário, é a maneira natural como se retratam as fantasias sexuais, sem pudores ou tabus. Não se julga e muito menos condena, deixando-se muito claro que o consentimento é a peça fundamental para a realização plena da sexualidade.

Se no livro anterior, eu reclamei que a Jud não sabia dizer não a Eric; neste, ela continua não sabendo, mas também quando diz... passa de todos os limites, é fora da casinha. Me vi, em incontáveis momentos, irritadíssima pela teimosia dela.
O bichinho corre na minha direção e Eric o detém, preocupado que me machuque. Mas o cachorro está radiante de alegria, e eu mais ainda. Dou um abraço em Susto e faço carinho nele. Depois me viro para meu homem de olhos azuis e, sem me importar com a presença de Simona, me jogo nos braços dele e digo:
- Que ganbang que nada! Você é a coisa mais linda do mundo e juro que eu casava contigo agorinha e de olhos fechados.
Eric sorri. Está agitado. Me beija.
- Você que é a coisa mais linda. E quando quiser a gente pode casar.
Ai, meu Deus! O que foi que eu disse?! Eu realmente o pedi em casamento? Merda, vou me matar!
É bacana a construção dos personagens, que faz jus à analogia fogo e gelo. Vocês já pararam para imaginar como seria se o fogo e o gelo se relacionassem? Muito provavelmente há, em alguma parte do mundo, um mito a esse respeito. Tem que ter. Judith e Eric têm personalidades fortíssimas. Suas brigas são como um terremoto de grau máximo rachando tudo o que vê pela frente. E, ainda assim, não se trata de relacionamento abusivo ou violento, e é aí que está a graça.

Dominador, o Eric até gostaria de ser, mas a Jud não deixa. E por falar em Eric, QUE HOMÃO DA PORRA, hein, menina? Eu não aguentava nem um mês com um homem daqueles, mas é um homão sim. A protagonista, por sua vez, foge absolutamente das mocinhas ingênuas e frágeis – uma autêntica Guerrera Maxwell – Judith Flores é forte, decidida e teimosa pra cacete. Se eu fosse homem, também não aguentava um mês com ela.
- Quer me pedir pra eu ir embora, né? Só falta eu descumprir mais uma regra pra você me expulsar de novo de sua vida.
Não responde. Nos olhamos como rivais.
Meu desejo é beijá-lo. Mas não é o momento para isso. Então a porta do escritório se abre e Björn aparece com uma garrafa de champanhe. Olha para nós dois e, antes de dizer qualquer coisa, chego perto dele, seguro seu pescoço e beijo seus lábios. Enfio a língua na sua boca, e ele me olha com espanto. Não entende o que estou fazendo. Em seguida me viro para Eric e digo diante da expressão de incredulidade de Björn:
- Acabo de descumprir uma regra superimportante: a partir de agora, minha boca não é mais sua.
A cara de Eric é indescritível. Sei que não esperava isso de mim. E, diante do olhar assustado de Björn, explico:
- Vou facilitar para você. Não precisa me expulsar, porque agora quem decidiu ir embora fui eu. Vou juntar minhas coisas e desaparecer da sua casa e da sua vida pra sempre. Estou por aqui contigo. Cansei de ter que esconder as coisas de você. Cansei das duas regrinhas. Cansei! – grito.
O que mais posso dizer? Essa série me agarrou bem agarrado. AMO!

Portanto, se você está cansado dos livros eróticos típicos – do ricaço com a menina ingênua –, quer uma leitura que vai te prender do início ao fim, ama espanholadas e latinidades, está disposto a passar muita raiva e morrer de ansiedade pela visita do carteiro com o próximo volume da série, você não pode, em hipótese alguma, deixar de ler Peça-me o que quiser agora e sempre.
- Sua irmã Hannah morreu e você cuida do filho dela. Acha que ela aprovaria o que você está fazendo com ele? – Eric bufa. – Eu não a conheci, mas, pelo que sei sobre ela, tenho certeza que ensinaria a Flyn a fazer tudo o que você proíbe. Como Marta disse outra noite, as crianças aprendem. Caem, mas depois levantam. Quando é que você vai se levantar?
- Do que você está falando? – pergunta com raiva.
- De você deixar de se preocupar com as coisas quando elas ainda nem aconteceram. De você deixar os outros viverem e de entender que nem todo mundo gosta das mesmas coisas. De você aceitar que Flyn é uma criança e que deve aprender mil coisas que...
- Chega!


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sexta-feira, 17 de março de 2017

Resenha: “Peça-me o que Quiser” (Megan Maxwell)

Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Rapaaaaaaaaaaaaaaz, tirem as crianças da sala!

Quando li o aviso na capa do livro, não levei a sério. Juro.

Mas levem. Façam o que eu digo e não o que eu faço.

Apesar dos livros eróticos não serem a minha categoria literária predileta, leio até a lista de compras da Megan Maxwell. E não é que me surpreendi? Apesar das descrições explícitas, Peça-me o que quiser não chega a ser vulgar, o que me parece um grande acerto, além de contar a história de uma maneira interessante e que não centraliza o sexo como cerne único e absoluto da obra. Outro grande acerto!
- Acho que você supõe demais. – Cheia de curiosidade, digo: - Pelo seu sotaque você é...
- Alemão.
Não me espanta. Minha empresa é alemã, e gringos como aquele aparecem todos os dias por aqui. Mas, sem conseguir evitar, eu o olho com um sorrisinho malicioso.
- Boa sorte na Eurocopa!
Para começar, deixo aqui a playlist do livro, que irei atualizando conforme for lendo os demais da série:




Meio moleca, apaixonada por motocross e viciada em Coca Cola, Judith Flores é um espanhola de sangue quente. Divertida, curte sair com os amigos para beber e assistir futebol, não está em busca de compromisso sério e não parece sonhar com o príncipe encantado. Pensando bem, provavelmente Jud sonha apenas com uma chefe mais gente boa e que não a deixe tão atolada de trabalho.

Certo dia, presa no elevador por conta de uma queda de energia, esbarra em um executivo bonitão, a quem oferece um chiclete de morango e fala besteira para passar o tempo. A partir daí, sua vida não voltará a ser a mesma. E não apenas por Eric – o executivo bonitão – ser seu chefe, mas também por se apaixonar por ele e ser apresentada a um universo desconhecido de jogos sexuais, voyers e treesome.

O conturbado relacionamento, no entanto, precisará sobreviver a mais empecilhos do que pequenos fetiches. E, para isso, terão que compatibilizar dois temperamentos bem difíceis, ciumentos, o qual, talvez, apenas a atração irresistível que sentem um pelo outro não será suficiente.

Narrado em primeira pessoa, Megan Maxwell se vale da linguagem coloquial, conjugada no presente, para aproximar seu leitor. É como se fôssemos a melhor amiga de Jud, ouvindo-a contar sua história de amor com o difícil Eric.
Por alguns minutos, nenhum de dois fala nada. Ficamos abraçados, curtindo esse contato tão gostoso, até que Eric beija meu pescoço e me aperta com força.
- Te amo, e contra isso, pequena, não posso fazer nada.
Escutei direito?
Ele está dizendo que me ama?
A felicidade de faz rir, eu o beijo com voracidade e murmuro:
- Se é verdade o que você diz, não fique mais longe de mim.
- Foi você que foi embora.
- Você que me expulsou.
- Falei pra você ficar.
- Mas me expulsou!
Pronto, já começamos tudo outra vez!
Eu não seria justa, se fizesse a clássica comparação com Cinquenta Tons de Cinza, porque, apesar dos motes semelhantes, a forma como as autoras desenvolvem suas tramas são muito distintas. Se, por um lado, E. L. James explora o sadomasoquismo como um tipo de perversão que deve ser “curada” pelo amor da mocinha; Megan Maxwell eleva o fetichismo a um novo patamar, retratando-o como uma maneira corriqueira de se relacionar e cujo principal requisito é o consentimento mútuo.

Acredito que o grande diferencial de Peça-me o que quiser reside no fato de a autora não centrar sua história nas peripécias sexuais do casal protagonista, mas sim na conturbada relação deste. Além disso, a extensa e profunda pesquisa realizada por Megan Maxwell contribui para evitar as cansativas repetições tão comuns nos livros eróticos.

Sem medo de me equivocar, posso dizer que de todos os livros eróticos que li, os quais se propuseram abordar os fetiches humanos, nenhum deles foi capaz de fazê-lo com tanta maestria, de maneira tão intensa e ao mesmo tempo natural, quanto Megan.

Se, de início, as situações descritas parecem coisa de outro mundo; no fim, até conseguimos entender a dinâmica desse tipo de relacionamento – ainda que, talvez, não queiramos levá-lo para a vida pessoal. Penso que uma das coisas de que mais gostei no livro foi justamente o tom de naturalidade utilizado para direcionar uma trama que perpassa por temas até polêmicos, sem esbarrar em preconceitos e pré-julgamentos, pois também acredito que cada relacionamento é ímpar e cada casal tem uma maneira própria de fazê-lo funcionar.
- Diga-me, senhor Zimmerman. Em que posso ajudá-lo?
Eric abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta:
- O que você está fazendo, Jud?
Surpresa por voltar a ser “Jud”, respondo:
- Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos.
Minha resposta irreverente o desespera. Sei disso e gosto disso.
- Por que você está me irritando o tempo todo? – pergunta, me deixando desconcertada.
Que cinismo...!
- Eu?! – sussurro. – Mas que cara de...
Devo confessar que, a princípio, não curti muito o Eric. Autoritário, possessivo e pavio curto são apenas os principais elogios que lhe faço. Todavia, no decorrer da leitura, vamos conhecendo melhor o personagem e compreendemos que por trás daquela máscara de frieza, há um homem carinhoso, confiável e presente.

Nossa protagonista feminina, por outro lado, me conquistou de cara. Sem estereótipos, conhecemos uma mulher decidida, independente e alto astral, que corre atrás do que quer e, mesmo com certo medo do desconhecido, encara os desafios que vão surgindo pelo caminho, nos surpreendendo a cada página. O defeito dela é não saber dizer não para o Eric, mas, cá entre nós, quem nunca teve um boy que nos fazia agir como uma boba, que atire o primeiro vibrador.
- Vem cá, Eric, sua mãe disse que sou sua namorada?
- Disse.
- E como ela ficou sabendo disso antes de mim?
Megan nos presenteia com a construção de personagens muito humanos, que assim como todo mundo, são falhos, cheios de defeitos e imperfeições, mas que tentam acertar e buscam a felicidade.

Se você é uma pessoa mais puritana, talvez Peça-me o que quiser não seja a leitura mais acertada, tendo em vista que até eu – que normalmente me acho bem moderninha – me senti totalmente careta diante das “brincadeiras” apresentadas.

Peça-me o que quiser é um livro para você que quer uma trama recheada de sensualidade, que não tem pudores para conhecer um mundo de voyers, ménage à trois e swing e não abre mão de um livro bem escrito, cheio de humor e muuuuuuito romance.

Sou uma mulher normal, sem grandes pretensões, que trabalha pra sua empresa. Tenho um pai, uma irmã e uma sobrinha que adoro e, até ontem, tinha um gato que era meu melhor amigo. Sou treinadora de futebol feminino e não cobro nem um centavo por isso, porque essa atividade me faz feliz. Tenho amigos e amigas com quem curto assistir a jogos, viajar, ir ao cinema ou sair pra jantar. Agora você vai perguntar por que estou te contando tudo isso, né? – Eric balança a cabeça afirmativamente. – Não sou deslumbrante, não gosto de me vestir de forma provocativa, e nem mesmo tento fazer isso. Meus relacionamentos com homens têm sido normais, nada de outro mundo. Sabe como é: a garota conhece o garoto, eles se sentem atraídos um pelo outro e vão pra cama. Mas ninguém nunca conseguiu me tocar do jeito que você conseguiu em poucos dias. Nunca pensei que o sexo pudesse me deixar tão louca. Nunca pensei que eu pudesse fazer o que estou fazendo contigo. Você me domina e me submete de tal maneira que não consigo dizer não. E não consigo dizer não porque meu corpo e eu inteirinha querem fazer tudo que você quiser. Odeio receber ordens, principalmente na cama. Mas a você, inexplicavelmente, eu permito que mande em mim. Nunca na vida eu poderia imaginar que um desconhecido como você, que mal sabe meu nome, minha idade e qualquer coisa da minha vida, me exigiria sexo só de olhar pra mim e eu cederia. [...]

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resenha: “Os príncipes encantados também viram sapos” (Megan Maxwell)

Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Sabe aquele livro que a gente não sabe dizer se gostou ou não? Pois é.

Quem me acompanha aqui, sabe que sou doida pela Megan Maxwell. Deixei isso muito claro em todas as minhas resenhas de livros dela e sobretudo em Você se lembra de mim?, que acabou comigo de uma maneira... Sendo bem franca, não tenho muita certeza se já superei essa DPL.

Os príncipes encantados também viram sapos aborda o relacionamento de Kate e Sam, que se conheceram muito jovens, enfrentaram um relacionamento à distância durante anos e, após terminarem a faculdade, finalmente se casaram e formaram uma família linda, com duas filhas maravilhosas.

Sam, que foi criado em um orfanato e nunca soube o que significava realmente ter uma família, realiza com Kate o seu grande sonho. Com muita luta, junto a Michael – seu melhor amigo e quase um irmão – Sam e Kate abrem o seu próprio escritório de advocacia, vão viver em uma casa confortável e criam, juntos, as duas filhas. Contudo, este conto de fadas se vê ameaçado pela rotina e uma traição pode colocar tudo a perder.

A trama, em si, é muito boa; apresenta um lado até então desconhecido da autora. Pelo menos, para mim. Apesar de Megan Maxwell não ser uma escritora de perfeições – vida cor-de-rosa e pessoas maravilhosas de personalidades perfeitas – este livro parece acentuar ainda mais as imperfeições de seus personagens, suas fraquezas e as agruras da vida.
- Você sabe o que o Sam significava pra mim – disse Kate, enxugando as lágrimas. – Era meu príncipe encantado. O homem ideal! Mas sabe o que eu concluí com essa história toda?
- O que você concluiu?
Com a dor refletida em seu rosto, respondeu:
- Que a vida não é o maravilhoso conto de fadas que eu imaginava... porque os príncipes encantados viram sapos.
As informações vão sendo reveladas aos poucos, o que parece ser feito de propósito, porque você começa detestando um personagem para depois ir descobrindo suas motivações. Isso acabou me fazendo refletir sobre as notícias totalmente descontextualizadas que às vezes recebemos e nos fazem julgar uma pessoa, até que você conhece o panorama real da situação e se dá conta de que, talvez, você se equivocou ao se posicionar antecipadamente.

Há alguns meses - tá bom, faz alguns anos já - comentei com vocês que às vezes não temos a maturidade necessária para um determinado livro (falei disso em P. S. Eu te amo). Penso que talvez tenha ocorrido isso comigo e, lendo futuramente, chegarei a uma conclusão distinta. Todavia, hoje, se me entregassem esse livro sem contarem que é a Megan, eu não saberia.

Apesar de termos aqui uma trama bastante adulta, os personagens não agem de acordo. Temos adolescentes agindo como adultos, adultos agindo como adolescentes e crianças de três anos sendo anormalmente sábias. 

Além disso, as quebras de cena também não são fluidas, falta um dos recursos que a escritora tão bem domina, que são os ganchos elaborados com maestria para não te deixar ir dormir antes de terminar o livro.
- Terry, você realmente me espanta. O cara de quem você é a fim e que estava incrível hoje te pega de jeito, te beija e diz que está louco por você. E você, em troca, humilha o sujeito na frente de dezenas de pessoas, dando uma joelhada onde mais dói. Sério, por que não pensa um pouquinho antes de agir?
Conversando com a Kleris, ela comentou comigo que talvez este seja um dos primeiros livros escritos pela autora e que somente foi publicado depois dos que anteriormente a tornaram Best-seller. Pode ser, não tenho essa informação para garantir ou refutar.

Fato é que não seria honesto dizer que Os príncipes encantados também viram sapos é um livro ruim - porque não é. E também não seria justo com as pessoas que nunca leram Megan Maxwell afirmar algo neste sentido. Como já conversei com vocês, sou muito reticente em realizar afirmações tão incisivas, principalmente porque há inúmeros fatores que podem influenciar o leitor no que tange às emoções causadas pela leitura.

Os príncipes encantados também viram sapos é um livro que aborda, essencialmente, o perdão, as segundas chances, a sobrevivência do amor e o crescimento de uma família a partir dos percalços da vida.
- Roncando?! – gritou. – Foi mal, gatinho, mas sinto te informar que eu não ronco, não.
- Tem certeza?
- Absoluta!
Michael sorriu e fez menção de dizer alguma coisa, mas ela se antecipou:
- Você disse que são sete da manhã?
Michael se levantou e foi se acomodar ao lado dela no balanço.
- Pra ser mais exato, são sete e vinte.
Confusa, Terry retirou o cabelo do rosto, que estava despenteado por causa da brisa, e sussurrou:
- Sentei aqui pra tomar um copo d’água e... putz, devia ser uma ou duas da madrugada!
- Então que belo cochilo você deu no balanço, hein! Hoje você vai ficar com o corpo todo moído.
O que me dói é não ter coragem de te beijar, seu idiota, pensou ela, acalorada. Ter Michael tão perto era pertubador, mas Terry se esforçava para aparentar normalidade.

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Ana Liberato