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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resenha: “Os príncipes encantados também viram sapos” (Megan Maxwell)

Tradução de: Tamara Sender

*Por Mary*: Sabe aquele livro que a gente não sabe dizer se gostou ou não? Pois é.

Quem me acompanha aqui, sabe que sou doida pela Megan Maxwell. Deixei isso muito claro em todas as minhas resenhas de livros dela e sobretudo em Você se lembra de mim?, que acabou comigo de uma maneira... Sendo bem franca, não tenho muita certeza se já superei essa DPL.

Os príncipes encantados também viram sapos aborda o relacionamento de Kate e Sam, que se conheceram muito jovens, enfrentaram um relacionamento à distância durante anos e, após terminarem a faculdade, finalmente se casaram e formaram uma família linda, com duas filhas maravilhosas.

Sam, que foi criado em um orfanato e nunca soube o que significava realmente ter uma família, realiza com Kate o seu grande sonho. Com muita luta, junto a Michael – seu melhor amigo e quase um irmão – Sam e Kate abrem o seu próprio escritório de advocacia, vão viver em uma casa confortável e criam, juntos, as duas filhas. Contudo, este conto de fadas se vê ameaçado pela rotina e uma traição pode colocar tudo a perder.

A trama, em si, é muito boa; apresenta um lado até então desconhecido da autora. Pelo menos, para mim. Apesar de Megan Maxwell não ser uma escritora de perfeições – vida cor-de-rosa e pessoas maravilhosas de personalidades perfeitas – este livro parece acentuar ainda mais as imperfeições de seus personagens, suas fraquezas e as agruras da vida.
- Você sabe o que o Sam significava pra mim – disse Kate, enxugando as lágrimas. – Era meu príncipe encantado. O homem ideal! Mas sabe o que eu concluí com essa história toda?
- O que você concluiu?
Com a dor refletida em seu rosto, respondeu:
- Que a vida não é o maravilhoso conto de fadas que eu imaginava... porque os príncipes encantados viram sapos.
As informações vão sendo reveladas aos poucos, o que parece ser feito de propósito, porque você começa detestando um personagem para depois ir descobrindo suas motivações. Isso acabou me fazendo refletir sobre as notícias totalmente descontextualizadas que às vezes recebemos e nos fazem julgar uma pessoa, até que você conhece o panorama real da situação e se dá conta de que, talvez, você se equivocou ao se posicionar antecipadamente.

Há alguns meses - tá bom, faz alguns anos já - comentei com vocês que às vezes não temos a maturidade necessária para um determinado livro (falei disso em P. S. Eu te amo). Penso que talvez tenha ocorrido isso comigo e, lendo futuramente, chegarei a uma conclusão distinta. Todavia, hoje, se me entregassem esse livro sem contarem que é a Megan, eu não saberia.

Apesar de termos aqui uma trama bastante adulta, os personagens não agem de acordo. Temos adolescentes agindo como adultos, adultos agindo como adolescentes e crianças de três anos sendo anormalmente sábias. 

Além disso, as quebras de cena também não são fluidas, falta um dos recursos que a escritora tão bem domina, que são os ganchos elaborados com maestria para não te deixar ir dormir antes de terminar o livro.
- Terry, você realmente me espanta. O cara de quem você é a fim e que estava incrível hoje te pega de jeito, te beija e diz que está louco por você. E você, em troca, humilha o sujeito na frente de dezenas de pessoas, dando uma joelhada onde mais dói. Sério, por que não pensa um pouquinho antes de agir?
Conversando com a Kleris, ela comentou comigo que talvez este seja um dos primeiros livros escritos pela autora e que somente foi publicado depois dos que anteriormente a tornaram Best-seller. Pode ser, não tenho essa informação para garantir ou refutar.

Fato é que não seria honesto dizer que Os príncipes encantados também viram sapos é um livro ruim - porque não é. E também não seria justo com as pessoas que nunca leram Megan Maxwell afirmar algo neste sentido. Como já conversei com vocês, sou muito reticente em realizar afirmações tão incisivas, principalmente porque há inúmeros fatores que podem influenciar o leitor no que tange às emoções causadas pela leitura.

Os príncipes encantados também viram sapos é um livro que aborda, essencialmente, o perdão, as segundas chances, a sobrevivência do amor e o crescimento de uma família a partir dos percalços da vida.
- Roncando?! – gritou. – Foi mal, gatinho, mas sinto te informar que eu não ronco, não.
- Tem certeza?
- Absoluta!
Michael sorriu e fez menção de dizer alguma coisa, mas ela se antecipou:
- Você disse que são sete da manhã?
Michael se levantou e foi se acomodar ao lado dela no balanço.
- Pra ser mais exato, são sete e vinte.
Confusa, Terry retirou o cabelo do rosto, que estava despenteado por causa da brisa, e sussurrou:
- Sentei aqui pra tomar um copo d’água e... putz, devia ser uma ou duas da madrugada!
- Então que belo cochilo você deu no balanço, hein! Hoje você vai ficar com o corpo todo moído.
O que me dói é não ter coragem de te beijar, seu idiota, pensou ela, acalorada. Ter Michael tão perto era pertubador, mas Terry se esforçava para aparentar normalidade.

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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Resenha: "Só por hoje e para sempre" (Renato Russo)



No fundo achava muito romântico e até heroico estar me destruindo assim.

Por Marianne: Muita gente tem preguiça de Legião Urbana e Renato Russo por achar over e tal. Eu gosto do cara, gosto das composições, da banda... Foi aos pulinhos de alegria que li o curtinho, mas devastador, relato escrito por Renato Russo nos dias em que ficou internado em uma clinica de reabilitação no Rio de Janeiro.
   O livro alterna entre trechos do diário mantido por Renato durante a internação e trecho das atividades escritas desenvolvidas por ele na clínica para autoavaliação e autoconhecimento, como parte do plano de tratamento.
   A desenvoltura e coesão da escrita de Renato, mesmos quando narra alguns dos momentos mais difíceis de sua vida por consequência de seus vícios, deixam claro o porquê do músico ser tão celebrado até hoje por suas composições.


Na verdade, para mim, o Poder Superior não se explica por palavras. Sua existência é percebida não pelo intelecto, mas sim pelo coração. É como o vento, não se vê o vento, mas vemos as árvores em movimento, ouvimos o som e sentimos o vento no corpo. Só que o vento se explica, e o Poder Superior não. É importante para mim porque minha vida agora depende disso.

   O livro é difícil por ser uma leitura muito forte e em alguns momentos perturbador. Renato era uma pessoa de alma extremamente sensível, que foi dominado por sua dependência química e quase o chegou ao fundo do poço. E ele não faz questão de esconder isso no seu texto. O trecho onde o autor conta que era viciado em ler jornal apenas para acompanhar as tragédias ocorridas e, para logo em seguida, se drogar – heroína e cocaína eram suas preferidas – demonstra a fragilidade consequente de sua sensibilidade e delicadeza na percepção dos eventos da época.
   Acompanhamos as reações e desenvolvimentos físicos e emocionais do músico no decorrer do tratamento e toda a complexidade por trás das etapas de um tratamento para dependentes químicos.
   Nos relatos Renato cita brevemente sua relação com alguns nomes conhecidos do rock nacional da época e, claro, sua relação com os outros membros do Legião Urbana.
   Percebemos todo o impacto que o vício causou não apenas em sua vida pessoal, como também no desenvolvimento do Legião Urbana e sua relação com os músicos.

O comentário típico é: “Mas logo ele, tão talentoso e inteligente, se destruindo desse jeito...” 

   Eu fiquei bastante chocada e emocionada porque vemos a situação de um ângulo completamente diferente do que estamos acostumados, através de noticiários sensacionalistas. Renato cita alguns famosos da época que também sofriam com problemas de dependência química e eram tratados como os “bobos da corte” pela mídia. Todo alvoroço que causavam em suas polêmicas aparições públicas eram mais que bem vindos para um jornalismo cruel e despreparado que não sabia – e ainda não sabe – lidar com a situação.

De dois meses pra cá, qdo. cheguei ao “fundo do poço”, a imprensa começou a acompanhar meu caso com interesse mórbido e sensacionalista próprio dos meios de comunicação de massa, e me dói muito ver meu rosto, nome e vida estampados nos jornais, junto com toda a vergonha e insanidade dos meus atos.

   É triste pensar que mesmo anos depois a situação não tenha mudado. Artistas com problemas de dependência química ainda são um prato cheio na mão de jornalistas, temos a talentosa Amy Winehouse como recente exemplo disso.
   O livro é uma viagem a mente genial de Renato e em determinado momento me serviu quase como auto ajuda. A honestidade nas autoanálises do músico muitas vezes tem a capacidade de nos fazer refletir sobre as nossas formas de encarar a vida.
   O que eu mais gosto em diários e biografias é o paradigma quebrado da imagem montada que temos de alguns famosos, que tem sua vida tão exposta que é quase como se os conhecêssemos intimamente.
   O livro é curtinho, são menos de 200 páginas, e é o primeiro de alguns dos diários de Renato Russo que serão publicados. Recomendo muito, não só por ser uma oportunidade de conhecer melhor um pouquinho do músico, mas por ser um livro tocante que faz o leitor pensar enxergar fora da caixa de conforto um pouquinho.



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Ana Liberato