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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Resenha: "Os Números do Amor" (Helen Hoang)

Tradução de Alexandre Boide

Atenção: este livro possui conteúdo adulto. Não é recomendado para menores de 18 anos.

Por Stephanie: Os Números do Amor é o livro de estreia da autora Helen Hoang e conta a história de Stella, uma jovem de 30 anos que é bem sucedida em sua carreira, tem uma família estruturada e precisa conviver diariamente com seu diagnóstico, já que ela se encontra dentro do espectro autista. Sua dificuldade de estabelecer relações em geral faz com que ela ainda seja solteira e não tenha muito sucesso no amor. A pressão de sua mãe para que Stella arrume um namorado a faz tomar uma decisão drástica: contratar um garoto de programa para ajudá-la a ser uma boa namorada e adquirir experiência sexual. É então que ela conhece Michael, um acompanhante profissional que é a promessa de que seus problemas de relacionamento finalmente irão acabar. Mas será que as coisas são assim tão simples?

Você pode imaginar que essa história é semelhante a algo que já viu por aí, e é mesmo Helen Hoang se inspirou em Uma Linda Mulher para escrever sua história, porque sempre achou interessante a ideia de trocar os gêneros em uma situação como a do filme. Como a autora também foi diagnosticada com autismo, ela utilizou suas próprias experiências para criar Stella e deixar a personagem mais verossímil, o que na minha opinião funcionou muito bem.

Eu acho que não tenho muito o que falar sobre o enredo; qualquer pessoa que tenha lido ou assistido a uma comédia romântica pode imaginar como o desenrolar da história se dá. O que acredito valer a pena de ser mencionado são os fatores que tornam essa obra um pouco “fora da curva”, como a abordagem da cultura vietnamita e o detalhamento sobre os hábitos e características de uma pessoa diagnosticada com TEA, que não é só aquilo que imaginamos ou ouvimos falar. Stella tem aspectos de sua personalidade que são únicos, por mais que ela possua uma condição compartilhada com outros indivíduos. E eu gostei muito de compreender a individualidade dela.
Ela tinha uma síndrome, mas a síndrome não era aquilo que a definia. Ela era Stella. Um indivíduo único.
Outro aspecto muitíssimo importante da obra é a discussão sobre respeito e consentimento. Michael, mesmo sendo experiente em relação ao sexo, trata Stella de forma respeitosa, considerando suas limitações e sempre aguardando o momento em que ela se sinta para qualquer coisa: desde um toque, um abraço, até outras interações mais íntimas.

Por falar em intimidade, achei as cenas adultas bem inseridas, sem forçar. Há apenas um momento bem desnecessário, que parece ter sido esquecido no meio do livro sem querer. Mas todas as outras cenas são românticas e sensuais, sem exagero. Isso vindo de uma pessoa que não lê livros eróticos, ou seja, pode confiar que aqui não tem nada explícito demais ou tão absurdo que chegue a ser cômico.
(...) Para ela, Michael era como sorvete de menta com gotas de chocolate. Até podia experimentar outros sabores, mas ele sempre seria seu favorito.
O desenvolvimento do relacionamento entre Stella e Michael é muito bacana de acompanhar. Vemos a resistência de ambos em se entregar ao sentimento, e como a vida de cada um tem suas peculiaridades. Adorei a família de Michael e a relação dele com a mãe; ele é um mocinho quase perfeito e nada machista ou babaca, que é algo difícil de encontrar em livros desse tipo.

Tenho apenas algumas ressalvas que acho que valem a pena serem citadas. Primeiro, o livro tem algumas cenas e passagens um pouco machistas, e apesar de não ser o tom da obra como um todo, me incomodaram nas vezes em que aconteceram. Outra coisa que não curti muito foi o fato de Stella não ter amigos. Eu entendo que para uma pessoa com TEA, é bem mais difícil fazer amizades, mas poderia ser alguém da família ou alguma pessoa de um grupo de apoio ou algo do tipo… Não sei, pode ser algo bobo mas ficou meio inverossímil, pra mim.

No geral eu recomendo muito a leitura. Os Números do Amor tem uma escrita super fluida, com passagens engraçadas, românticas, sexys e emocionantes. O final é um pouco corrido e as coisas são resolvidas um pouco rápido demais mas, mesmo assim, eu adorei esse livro!

Obs.: Ano que vem um segundo livro será lançado, mas não é uma continuação, e sim, uma nova história com outros personagens.

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quarta-feira, 25 de abril de 2018

#Infinistante: Clube do Livro (Abril 2018)

Olá, Pessoas!!!

Mais um mês e mais uma leitura do Clube do Livro #Infinistante. E para Abril a proposta da Loma foi:

Abril é o mês de Conscientização do Autismo (dia 02 é conhecido como o dia mundial da conscientização) e queríamos ler mais a respeito. Buscamos títulos de ficção, mas que trazem a realidade do autismo e da síndrome de asperger (Transtorno Global do Desenvolvimento que pertence ao grupo de perturbações do espectro do autismo) para dentro da história.

Pensando nisso, nossa escolha foi:
 foto linduda por Melina Souza
📚EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS, de Clare Vanderpool. 📚

Escolhemos esse livro pelo motivo que já mencionei acima, mas também porque ele é um romance cheio de fantasia! Um tipo de livro que eu (Loma) e Maki não lemos com muita frequência (a Mel já tem mais experiência com livros do tipo).
Sem contar que a sua edição capa dura é linda, um item de colecionador!
Ele conta a história de Jack Baker, que perdeu sua mãe na Segunda Guerra e foi colocado em um internato por seu pai. Se sentindo isolado de todos e solitário, ele conhece o enigmático Early Auden, que tem Síndrome de Asperger. Early é um prodígio, mas por trás de sua genialidade há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor. Os dois se aventuram juntos em um mundo de fantasias e muita coisa acontece (muita mesmo).

Estamos bem curiosas para conhecer essa aventura!

Tradução: Débora Isidoro

Por Eliel: Posso dizer que esse foi um dos livros mais emocionantes que li recentemente. Foi muito interessante conhecer um pouco do que é conviver com uma criança autista pelos olhos de uma outra criança que se quer sabe o que é o autismo.

Uma coisa interessante é que, exceto nos agradecimentos, a palavra autismo não é se quer citada em toda a aventura. Tudo fica claro por analisarmos o comportamento de Early Auden, o que acontece muitas vezes com a própria síndrome que dificilmente é diagnosticada em seus graus mais leves por pessoas que não são do convívio.

Jack Baker vai parar em um colégio interno após a sua mãe falecer e seu pai militar ter que voltar para seus afazeres. Esqueci de mencionar que a época que em essa história é contada é pouco após a Segunda Guerra Mundial. Embora não seja o plano de fundo oficial ela está presente e norteando alguns fatos dessa aventura.

Senti as lágrimas se formarem e me entreguei por um momento à lembrança dela.
Minha mãe era como a areia. Do tipo que o esquenta na praia quando você sai da água tremendo de frio. Do tipo que gruda no corpo, deixando uma impressão na pele para fazer você se lembrar de onde esteve e de onde veio. Do tipo que você continua achando nos sapatos e nos bolsos muito tempo depois de ter ido embora da praia.
Ela também era como a areia que os arqueólogos escavam. Camadas e camadas de areia que mantiveram os ossos dos dinossauros juntos por milhões de anos. E por mais que areia fosse quente, árida e simples, os cientistas agradeciam por ela, porque sem a areia para manter os ossos no lugar, tudo teria se espalhado. Tudo teria desmoronado.

Por vezes perdi o ar ao acompanhar Jack Baker e Early Auden em sua jornada em busca dos números perdidos de pi, do irmão mais velho de Auden e do Grande Urso da Trilha Apalache. Em outras passagens a emoção fica à flor da pele e é difícil segurar a emoção. É disso que gosto nos bons livros (tendencioso), essa capacidade de mexer com os sentimentos mesmo sendo uma ficção.

Sem falar que a edição da Darkside é uma verdadeira obra de arte, capa dura, ilustrações e um marca páginas (eu acho que era) que tem tudo a ver com a história. Aqui vai uma dica faça a leitura com o acompanhamento musical sugerido:


Certa vez, ouvi um poema sobre lançar a linha. Ele dizia que, quando o pescador joga a linha, é como se jogasse seus problemas para a correnteza levá-los embora. Por isso, continuo jogando. [...] Ninguém pode dizer nada sobre saber o nome das estrelas. O céu não é um campeonato ou uma prova. A única pergunta é: você consegue olhar para cima? Absorver tudo aquilo? Quanto ao nome das constelações, elas não são meio nem fim. As estrelas não estão presas umas às outras. Estão lá para serem admiradas. Olhadas, desfrutadas. É como pescar com vara. Pescar com vara não é sobre pegar o peixe. É aproveitar a água, a brisa, os peixes nadando à sua volta. Se pegar um, ótimo. Se não... melhor ainda. Significa que você pode voltar e tentar de novo!
Vocês estão acompanhando o Clube #Infinistante? o que estão achando da curadoria das meninas? Eu estou cada mês mais encantado.

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Ana Liberato