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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Resenhas: "Trocas Macabras" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Compre agora. Pague depois.

Há uma nova loja na cidade. ARTIGOS INDISPENSÁVEIS, diz a placa. Um nome curioso, que se torna tema de rumores e especulações entre os moradores de Castle Rock.
Para cada cliente que entra na loja, Leland Gaunt tem algo perfeito ― um objeto há muito sonhado, desesperadamente desejado. O preço parece sempre razoável, mas vem acompanhado de pedidos estranhos.
O que começa como brincadeiras e pegadinhas inocentes aos poucos sai do controle, transformando a cidade em palco de disputas caóticas e brutais. Mas, quando você encontra um artigo indispensável, como saber se o custo para obtê-lo é alto demais?

Por Jayne Cordeiro: "Trocas Macabras" é um dos lançamentos de 2020, e da coleção especial que a Suma das letras tem lançado do autor Stephen King. Uma coleção com valor alto, mais feita com muito esmero, e bonita de ver. Achei o visual dessa edição maravilhosa. O material da capa, a textura e relevo dela, além da cor chamativa, foi bem atraente para mim. E por ser capa dura, ele já ganha pontos a mais.

Esse livro foi bem aguardado aqui no Brasil, porque era muito difícil achar a única edição dele que foi lançada por aqui e que fazia muito tempo. E o que dizer sobre esse livro? "Trocas Macabras" se passa no Maine, local onde muitas histórias do autor se passam, e nesse caso aqui, é em uma cidade já mostrada em outros livros dele, Castle Rock. Eu não tinha lido nenhum desses livros, e isso não atrapalhou a leitura. O livro é longo, mas muita coisa acontece nele  também. Temos muitos personagens, que em um primeiro momento, não parecem ter nenhuma ligação, além de morarem na mesma cidade. Mas então ,  as situações vão saindo de isoladas, para se unirem em uma rede bem interessante no final.

Por um lado, a escrita do autor é bem envolvente, o que já era esperado, pelos outros livros que li dele. "IT - A Coisa" é bem maior que "Trocas"  e consegui ler sem pena. Mas, da mesma forma, esse aqui não dá para você ler rapidamente. É um livro denso, com detalhes. O autor dá muita importância a descrições, e pequenos acontecimentos, e isso pode deixar o livro cansativo para alguns. Eu, particularmente, gosto muito da forma como o autor decidiu contar essa história. Mas esse é um livro de extremos. Há quem ame e quem odeie.

De qualquer forma, acho que é um livro interessante, e que tem muito da identidade do autor. Vemos o sobrenatural, mas também o mal que existe dentro das pessoas. É uma característica do autor, trazer essa maldade humana como um personagem de terror. Muitas vezes, ficamos mais abalados pelo que o humano faz nos seus livros, do que um monstro sobrenatural é capaz de fazer. No geral, é uma edição linda, e uma história que precisa ser degustada. Acho que vale a pena a leitura, e que vocês possam tirar suas próprias conclusões.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Resenha: "Terror a Bordo" (Stephen King e Bev Vincent)

 

Tradução: Regiane Winarski 

Sinopse: Stephen King odeia voar.E agora, junto com seu coeditor Bev Vincent, ele está pronto para compartilhar esse medo com você.Bem-vindos a Terror a bordo, uma antologia sobre tudo que pode dar terrivelmente errado quando se está a 20 mil pés de altura, cortando os céus a 800 km/h, preso em uma caixa de metal com centenas de desconhecidos.

Aqui você vai encontrar todas as maneiras como sua agradável viagem pelos ares pode se transformar em um pesadelo, incluindo algumas formas que você nunca imaginou… mas que vai imaginar da próxima vez em que estiver atravessando a ponte de embarque e entregando sua vida nas mãos de um estranho.
Incluindo histórias inéditas de Joe Hill e Stephen King, além de catorze contos clássicos e um poema de mestres como Richard Matheson, Ray Bradbury, Roald Dahl, Dan Simmons e muitos outros, Terror a bordo é, nas palavras de Stephen King, "perfeito para ler em aviões, principalmente durante aterrisagens turbulentas".


Por Jayne Cordeiro: Sou daquelas que tem vontade ler qualquer coisa que traga o nome de Stephen King. E aqui temos um livro que trás seu nome bem grande na capa, mas que não foi totalmente escrito por ele. "Terror a bordo" é uma antologia focada em um tema bem interessante. Quem nunca se preocupou com que poderia acontecer durante um voo? E aqui, tudo isso é aumentado ao dar uma conotação sobrenatural a todas essas possibilidades. Não vou falar sobre cada conto, mas sim no que o conjunto em si conseguiu passar.

Quem lê as minhas resenhas, sabe que não sou muito fã de antologias. Por mais que eu acabe gostando dos contos, terminar um livro deles, é uma tarefa mais difícil. Eu não consigo ter aquele animo para continuar lendo (o que explica nunca ter terminado Black Mirror), mas para quem gosta desse tipo de livro, não vejo motivos para não gostar desse aqui. O mais interessante sobre ele, é que os contos são dos anos mais variados, e o telespectador é situado com uma introdução que ocorre no começo de conto. E essa introdução já é interessante por si própria.

Individualmente, eu gostei de quase todos o contos. Eles não são longos, e você acaba vendo diversas escritas diferentes, com temáticas diferentes, e isso mantem a atração da coisa. Alguns me deixaram bem tensa, e outros me fizeram pensar "que estranho" e ficar com aquilo remoendo na mente. Todas as escritas me convenceram, e se mostraram bem coesos ao tema principal. Muitos contos até pareciam algo que o Stephen King teria escrito. E não foi a toa, que foram escolhidos por ele, para fazer parte dessa coletânea. Para quem gosta do gênero suspense/terror, e ainda gosta de contos, esse é um livro que vai entreter totalmente o leitor.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Resenha: "It - A Coisa" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Durante as férias de 1958, em uma pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança... e do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permaneceu em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Neste clássico de Stephen King, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Por Jayne Cordeiro: Sempre ouvi falar do livro "It - A Coisa", mas nunca me atrevi a ler. Talvez por ser um livro de terror, talvez pela quantidade de páginas ou pelo preço do livro. Mas depois de ver  mais nova adaptação para o cinema, fiquei mais curiosa para ler, e consegui entrar em uma leitura coletiva. E o que dizer?

Eu já li outros livros do Stephen King, e gostei de todos eles, incluindo O Iluminado. Mas "It" me conquistou de uma forma única. Começou como uma leitura diferente, em que eu só lia um capítulo por dia (e eles são enormes, no começo), e isso me deu a sensação de estar vendo uma série, onde cada dia havia um episódio novo. E depois veio a história, os personagens e um pouco do carinho já adquirido pelos filmes.

O livro é uma história de terror, mas também é muito mais do que isso. Ele passa mensagens importantes sobre familia, amizade, infância, e como o passado pode nos moldar, sem nem perceber. O jeito como ele apresenta o mal, não só como um ser "mágico", mas também como as facetas do ser humano, é de fazer o leitor se questionar sobre como o livro pode ter um tema sobrenatural, mas também tão realista.

O revezamento entre os personagens que contam a história, incluindo aqueles que nem são protagonistas, dá uma amplitude muito boa a história. Os personagens são cativantes, emocionantes e nos apegamos  a eles facilmente. O livro mistura terror, suspense, drama e consegue ser divertido também. Trás temas importantes, como bullying e preconceito, de formas cruas e reais. Para mim foi um livro que trouxe mais do que só tensão, foi um livro que me fez pensar. E ele tema uma coisa ótima. O autor não te entrega as respostas fáceis. Ele te faz analisar e depois quando você já criou mil teorias, ele vem  responde.

Deu pra ver que foi um livro que adorei, e que recomendo para todo mundo. Até quem não tem o costumo de ler terror. Ele tem cenas tensas, mas não chega  ser pesado como um filme de terror consegue ser. A história é bem construída  e segue um ritmo bom. Só teve uma cena que não gostei, e acho que é unanimidade entre os leitores, mas fora isso é um livro sem defeitos. E apesar de bem grande, não tiraria nada dele.


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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Resenha: "O Menino na Ponte" (M.R. Carey)

 

Tradução: Edmundo Barreiros

Sinopse: Aos 15 anos, Stephen Greaves é um gênio científico precoce, cujo trabalho pode dar à humanidade sua melhor arma contra uma praga devastadora que assola o mundo. Ele e a epidemiologista Samrina Khan são dois dos dez tripulantes do Rosalind Franklin, um laboratório blindado sobre rodas liderado por um comandante prepotente e autoritário, que cruza uma terra devastada em busca da cura para esse vírus que alterou para sempre a vida como conhecemos. A viagem é longa, e a restrição do espaço físico para toda a tripulação faz com que a tensão do confinamento seja também uma ameaça considerável. O veículo torna-se um caldeirão de diferentes agendas, crenças e visões de mundo prestes a explodir. Em meio a esse ambiente hostil, Stephen tem em Samrina uma figura maternal que o protege dos demais cientistas, que o tratam com cautela, desprezo ou verdadeiro ódio. Mas o menino não se importa com confrontos físicos, mentiras e incertezas; encara todos os seus desafios com interesse, astúcia e muita habilidade. Todos carregam aspirações e sonhos, mas sabem que, se tudo der errado, sua perda poderá ser suportada. Eles sabem muito bem que são dispensáveis. Estranho, surpreendente e assustador, O menino na ponte é uma história emocionante e poderosa que fará você questionar o que significa ser humano em um mundo onde a esperança pode ser o maior dos desafios. M.R. CAREY, sob o nome de Mike Carey, escreve para a Marvel e a DC, incluindo uma elogiada passagem pelos X-Men e a série Lúcifer, baseada no universo de Sandman. Seus trabalhos autorais aparecem com regularidade na lista de ficção gráfica do The New York Times."

Por Jayne Cordeiro: "O Menino na Ponte" é o segundo livro do autor M. R. Carey. O anterior "A menina que tinha dons" se passa no mesmo universo, mas não é necessário ter lido ele para ler este aqui. Eu mesma não li, mas já fiquei curiosa para procurar o livro e ler. Quem sabe acontece uma resenha dele por aqui. Peguei esse livro sem muita disposição, e acabei gostante bastante dele. Gosto de histórias envolvendo zumbis (caso dos chamados Famintos aqui), e esse livro conseguiu juntar ficção e ciência de uma forma bem estruturada. A história é densa, mas não é cansativa.

Acompanhamos vários personagens. Alguns de forma mais superficial, e outros de forma mais profunda, como Stephen Graves, um jovem com provável autismo, e extremamente inteligente. Sendo uma peça pouco valorizada, mas fundamental, em uma equipe que não tem muitas esperanças de achar a cura para a infecção que causou o Colapso. Stephen é um personagem cativante, mesmo que não tenha a intenção de ser simpático. Acompanhar essa história, principalmente através dele é uma ótima escolha, já que é um personagem inteligente, dedicado e com uma racionalidade bem interessante.

O enredo é bem estruturado e conectado. E as situações vão acontecendo, e o leitor precisa continuar lendo e ver aonde essas ações vão levar. Como saber que algo vai dar errado, mas a gente não consegue parar de olhar. Conseguimos nos apegar a esse grupo e sentir com eles as reviravoltas e dilemas. O livro consegue prender o leitor até o final, e mesmo sabendo, mais ou menos, aonde as coisas vão levar, ainda assim, acabamos surpreendidos no final. É uma leitura que recomendo, e que me deixou bem pensativa quando acabei. Com certeza, quero mais livros ambientados nesse universo, porque há muita coisa que pode ser tirada de lá.


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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Resenha: "O Instituto" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Sinopse: O novo livro de Stephen King, o Mestre do Terror, traz uma história inesquecível sobre um grupo de crianças com talentos especiais que precisam se unir para derrubar um grande mal.

No meio da noite, em uma casa no subúrbio de Minneapolis, um grupo de invasores assassina os pais de Luke e sequestra silenciosamente o menino de doze anos. A operação leva menos de dois minutos.

Quando Luke acorda, ele está no Instituto, em um quarto que parece muito o dele, exceto pelo fato de que não tem janela. E do lado de fora tem outras portas, e atrás delas, outras crianças com talentos especiais, que chegaram àquele lugar do mesmo jeito que Luke. O grupo formado por ele, Kalisha, Nick, George, Iris e o caçula, Avery Dixon, de apenas dez anos, está na Parte da Frente. Outros jovens, Luke descobre, foram levados para a Parte de Trás e nunca mais vistos.

Nessa instituição sinistra, a equipe se dedica impiedosamente a extrair dessas crianças toda a força de seus poderes paranormais. Não existem escrúpulos. Conforme cada nova vítima vai desaparecendo para a Parte de Trás, Luke fica mais e mais desesperado para escapar e procurar ajuda. Mas até hoje ninguém nunca conseguiu fugir do Instituto.

Tão aterrorizante quanto A incendiária e tão espetacular quanto It: a Coisa, este novo livro de Stephen King mostra um mundo onde o bem nem sempre vence o mal.

Por Stephanie: O Instituto é um dos últimos livros publicados por Stephen King e, apesar de conter uma atmosfera bastante macabra, não é exatamente um livro de terror. A obra navega entre a ficção científica, aventura e o suspense e entrega uma história rica em detalhes, além de bastante intrigante, como já é típico do autor.

Nos primeiros capítulos, tive um pouco de dificuldade de entrar de cabeça na história; King opta por trazer um background rico e que a princípio não parece ter ligação com o enredo apresentado na sinopse, e isso acabou me deixando meio desanimada. A partir do momento em que o ponto de vista muda e conhecemos o protagonista, Luke, fui fisgada pela obra e senti que a coisa toda estava mesmo começando.

Luke e os personagens infantis são muito bem desenvolvidos e eu adorei ler a jornada deles. Eu sofri e quase chorei por eles em vários momentos, pois as cenas de tortura são bem gráficas e desesperadoras, o que já era de se esperar. Com certeza esses momentos foram os mais aterrorizantes e difíceis de ler.

O elenco adulto é praticamente todo composto pela escória humana; tirando poucas pessoas, como Maureen e Tim (além de outros moradores de DuPray), a obra nos mostra como os seres humanos são capazes das maiores atrocidades quando julgam possuir uma justificativa plausível para tal, por mais absurda que seja.

Acho que o que mais gostei em O Instituto foi o constante clima de conspiração. Como fã de Stranger Things, sou fissurada nesse tipo de assunto e senti que o autor soube explorá-lo bem, principalmente mais para o final, quando somos agraciados com a maioria das respostas.

Sobre o final propriamente dito, eu gostei bastante! Esperava que algumas coisas fossem acontecer mas foi bastante gratificante ver o desenvolvimento e a luta de Luke em busca de seus objetivos.

Minha única crítica diz respeito à quantidade de páginas. King é um autor bastante descritivo, mas em alguns momentos achei que ele se repetiu, principalmente nos momentos em que narra a rotina de Luke e seus amigos dentro do instituto. Fora isso, achei o livro muito competente em todos os aspectos e recomendo a leitura!

Era tão simples, mas era uma revelação: o que você fazia por si mesmo era o que lhe dava o poder.

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Resenha: "Nightflyers" (George R. R. Martin)


Tradução: Alexandre Martins

Sinopse: Nas fronteiras do universo, uma expedição científica composta de nove acadêmicos dá início à missão de estudar os volcryn, uma misteriosa raça alienígena. Existem, no entanto, mistérios mais perigosos a bordo da própria nave. A Nightflyer, única embarcação que se dispôs à missão, é uma maravilha tecnológica: completamente automatizada e pilotada por uma única pessoa. O capitão Royd Eris, porém, não se mistura com a tripulação – conversando apenas através de comunicadores e se apresentando somente por holograma, ele mais parece um fantasma do que um líder. 

Quando Thale Lassamer, o telepata do grupo, começa a detectar uma presença desconhecida e ameaçadora por perto, a tripulação se agita e as desconfianças aumentam. E a garantia de Royd sobre a segurança de todos é posta à prova quando uma entidade malévola começa uma sangrenta onda de assassinatos.


Por Jayne Cordeiro: Este livro do autor de Game of Thrones não é um lançamento, afinal o livro é antigo, mas essa é uma edição nova lançada pela Editora Suma. A edição é muito bonita, de capa dura, e com ilustrações em alguns pontos. É um livro curto e que consegue prender o leitor até o final. Em um primeiro momento a história segue um pouco devagar, apresentando os personagens. Não sei se a ideia é fazer o leitor se apegar a eles, porque isso não acontece. A escrita do autor é muito impessoal, e eu senti como se estivesse vendo tudo de fora, o que não é tão legal, como quando o leitor se sente vivenciando aquilo.

Não sei quem ou o que ele é, não sei se aquela história que nos contou é verdade, e não ligo. Talvez ele seja uma mente hrangan, o anjo vingador dos volcryn ou o segundo advento de Jesus Cristo. Que diferença isso faz, porra? Ele está nos matando! — Ele olhou para cada um deles. — Qualquer um de nós pode ser o próximo. Qualquer um de nós. A não ser… Temos que fazer planos, fazer alguma coisa, acabar com isso definitivamente.

Apesar dessa questão, a história se desenvolve bem, e um mistério vai surgindo, incentivando a leitura. Dá para perceber que a história vai tendo uma crescente, e consegue surpreender o leitor no final. Adoro uma história de ficção cientifica, e esse livro cumpre todos os requisitos. Tem conversas sobre temas espaciais e sobre um povo misterioso, tem personagens cibernéticos, acidentes e mortes suspeitas, ação e mistérios para resolver. É uma obra bem interessante. O livro já virou um filme, e tem previsão de se transformar em outro. Uma série estava sendo planejada, mas parece ter sido deixada de lado.

— Entende o quê? — perguntou D’Branin, perplexo.— Você não entende — disse Royd com firmeza. — Não finja que sim, Melantha Jhirl. Não! Não é sábio nem seguro estar lances demais à frente.

Como disse, a história é bem escrita e coesa. Apresenta vários personagens, e apesar da forma como a história é contada, é possível simpatizar com alguns personagens e torcer por eles no final. A história é bem entendível, e o autor procura deixar as informações claras para o leitor que é novato nesse universo. Nunca tinha lido nada do autor, e para um primeiro contato, foi uma boa experiência. E a Suma está de parabéns pela edição que está linda.

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resenha: "Minha Coisa Favorita é Monstro" (Emil Ferris)

Tradução de Érico Assis

Sinopse: A história de um assassinato misterioso, um drama familiar, um épico histórico e um extraordinário suspense psicológico sobre monstros — reais e imaginados. A história em quadrinhos mais impactante desde Maus.

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.

Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.

Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.


Por Stephanie: Desde que vi a capa dessa HQ, fiquei encantada. A capa tem uma ilustração lindíssima da autora, Emil Ferris, e é claro que o conteúdo não poderia diferir disso. Com uma história rica e fascinante, Minha coisa favorita é monstro foi uma experiência totalmente diferente de tudo o que eu já li.

A protagonista, Karen, é uma narradora encantadora; uma criança bastante madura que precisa lidar com diversos problemas durante a história, dos mais simples aos mais duros e complexos. Eu adorei seu jeito sonhador e suas frases de impacto; ela soa sábia sem parecer inverossímil, pois é uma garota que precisou crescer muito cedo.




Quanto aos outros personagens, todos são repletos de características marcantes e falhas. Emil soube criar pessoas reais, tridimensionais, que nem sempre tomam as melhores decisões mas que nos fazem sentir bastante empatia.

O enredo é bem diferente e passeia entre diversos gêneros, como terror, suspense policial e ficção histórica. Inclusive, os trechos que se passam na Segunda Guerra Mundial me encantaram, foi algo inesperado e muito bem elaborado pela autora. Cheguei a me emocionar em algumas dessas partes.

Acho que nem é preciso falar muito sobre a arte da HQ. Os traços de Ferris são lindíssimos e eu nem consigo mensurar o tempo que ela levava para desenhar cada página, principalmente com suas dificuldades motoras (conheça a história de superação da autora aqui). É um trabalho de encher os olhos, e a obra certamente vale o preço elevado.




Fica a minha indicação para leitores de quadrinhos experientes ou não. Minha Coisa Favorita é Monstro é uma história completa, que aborda temas importantes e pesados com a visão de uma menina esperta, curiosa e sonhadora. Um prato cheio para os amantes de enredos de tirar o fôlego!

Até mais, pessoal!

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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Resenha: "A Colônia" (Ezekiel Boone)

Tradução: Leonardo Alves

Por Sheila: Oi pessoas! Quem ai, como eu, tem pavorrrr desses seres rastejantes de oito patas???? Confesso que foi com muita, mas muiiiiita relutância que comecei a ler A Colônia. Não por que esperava que a leitura não valesse a pena. Mas por medo de depois não conseguir dormir à noite mesmo.

Apesar do autor no início fazer um pouco de suspense, narrando ataques em diferentes partes do mundo por meio de seres pretos, que se movimentam como um rio e devoram tudo em seu caminho, nós já sabemos que se tratam de aranhas - por causa da capa não é? Nenhuma novidade aí.

Mesmo assim, o estilo da narrativa de Boone me faz lembrar de Stephen King em alguns momentos, com seus vários personagens, todos de alguma forma interligados pela mesma tragédia/momento apocalíptico em comum, todos alheios da existência uns dos outros, mas com mundos prestes a convergir de um jeito ou de outro.

Nossa história começa no Peru, com um bilionário acima do peso, suas três modelos semifamosas/acompanhantes do momento, um guarda costas zeloso e um guia, Miguel, que já teve dias melhores. Nas selvas do Peru, ele esta acostumado a ter que lidar com grupos de turistas que ele considera estúpidos, mas se sente particularmente cansado nesse dia.

Além de suspeitar que sua namorada o está traindo, ele precisa parar o passeio do grupo peculiar que o acompanha a cada 20 minutos mais ou menos, não só por que o ricaço gordo parece não conseguir acompanhar o ritmo do restante do grupo, mas por que este também parece estar tendo problemas em manter a comida dentro de si, tendo que parar constantemente para se aliviar aos lados da trilha que seguem.

Talvez por seus problemas pessoais, não presta muita atenção ao fato da floresta estar tão silenciosa, ou na ausência até mesmo de insetos, o que distrairia um pouco seus turistas. Mal sabe ele que esta prestes a lidar com uma situação inusitada - e, infelizmente, fatal - e que seus problemas anteriores estão prestes a se tornar irrelevantes.

Até os pássaros estavam quietos. Ele tentou prestar mais atenção, e então ouviu alguma coisa. Sons ritmados. Folhas esmagadas. Quando se deu conta do que era, um homem apareceu de repente no ponto onde a trilha desaparecia em uma curva. Até mesmo a cem metros de distância, estava nítido que havia algo errado. O homem viu Miguel e gritou, mas Miguel não entendeu as palavras. O homem então olhou para trás e, ao virar a cabeça, tropeçou e tombou com força. Algo que parecia um rio preto surgiu de repente atrás dele. O homem só conseguiu ficar de joelhos antes de a massa escura o cercar e cobrir. Miguel deu alguns passos para trás, mas percebeu que não queria se virar.

Ao mesmo tempo, o autor nos apresentará a outros lugares e personagens que irão, aos poucos, fazendo parte dessa trama envolvendo aracnídeas assassinas sedentas de sangue: 

Manny e Steph estão na Casa Branca. Ela é a primeira presidente mulher dos Estados Unidos; ele é um amigo, que virou amante, que casou - e depois se separou - com uma bióloga que será também importante na trama, que virou político e novamente amante de Steph  e agora tenta ajudá-la a descobrir como alguns incidentes isolados parecem estar intimamente conectados. 

Mike Rich é um agente do serviço secreto com dificuldades em aceitar o divórcio e, mais ainda, o fato de que sua ex-mulher quer mudar o sobrenome de Annie, a filhinha deles de 09 anos. Quando ele precisa investigar um avião que caiu de forma misteriosa, ele é o primeiro a notar que a aranha que encontra não parece ser uma aranha comum, e a capturar uma delas viva.

... ele já estava virado de novo para o corpo de Henderson, torcendo para que aquilo saindo do rosto do cadáver fosse só uma ilusão causada pelas sombras. Não era. Mike estava vendo claramente. Era uma aranha, e três quartos do corpo peludo do tamanho de uma bola de golfe estavam se arrastando para fora do rosto de Henderson por um buraco na parte superior da bochecha direita. Mike sentia a mão latejar, e agora o sangue gotejava livremente. Os únicos sons dentro do avião eram a respiração de Mike e o esforço da aranha para sair do rosto de Henderson. Parecia… Ah, merda. Parecia som de mastigação. Mike sentiu ânsia de novo e não conseguiu se conter. Saiu correndo até a abertura por onde tinha entrado no jatinho, apoiou a mão boa na lataria, se inclinou para fora e despejou o que restava do almoço.

Já Melanie é uma especialista nessas pequenas aracnídeas e tem por elas um fascínio arrebatador. Assim, no início parece uma surpresa agradável que um amigo de sua pós graduanda, do Peru, envie para seu laboratório uma bolsa de ovos que parece ter quase dez mil anos e, muito estranhamente, estar viva e prestes a eclodir.

Além disso, teremos vários outros personagens que, de maneira maior ou menor, irão contribuir para encher a narrativa, não por que sua história particular os tornem personagens principais, mas por que são peças importantes de um quebra-cabeça que vamos construindo até que finalmente possamos ter uma idéia geral do que está acontecendo com um mundo.

"A Colônia" é um livro angustiante aos aracno fóbicos, e eletrizante para quem curte uma boa narrativa de cenários apocalípticos. Haverá muito suspense, ação, enquanto o autor vai contando pedacinho por pedacinho do que esta acontecendo, sendo que vamos descobrindo um pouco junto com os personagens e no desenrolar da história.

Apesar do tema "aranhas do mal" já ter sido bastante explorado, principalmente por Hollywood, a escrita de Boone consegue ter uma originalidade inquietante, e uma narrativa que prende o leitor do início ao fim e o faz ficar desejando por mais.

Este é o primeiro livro de uma trilogia, e muitas pessoas criticaram bastante o final muito aberto, mas como o segundo livro, "A Expansão", já foi lançado, e pretendo emendar uma leitura na outra, não fiquei assim tão decepcionada. Recomendo com ressalvas, algumas descrições são bem explícitas e se você tem muiiiitooo medo de aranhas, não leia. Sério.

Forte Abraço!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Resenha: "O Iluminado" (Stephen King)

Tradução : Betty Ramos de Albuquerque

Por Sheila: Oi pessooasss! Já comecei empolgada! Sabem por que? Sim, por que a Suma, essa linda, conseguiu mais uma vez! Depois dos lançamentos de Cujo e A Hora do Lobisomem através do projeto Biblioteca Stephen King, chega aqui nas terras tupiniquins esse relançamento lindo, divino MARAVILHOSO de O iluminado, de novo em capa dura, alto relevo, e uma diagramação que é quase uma obra de arte.

Apesar da proposta inicial desse projeto ser o relançamento de obras clássicas esgotadas do mestre Stephen King, a Suma resolveu apostar em "O Iluminado", mesmo possuindo edição recente do mesmo em brochura. Eu, como fã incondicional fico felicíssima e, não fosse ter recebido meu exemplar de cortesia, com certeza compraria a edição em capa dura.

Afinal, O iluminado, terceiro livro da carreira de King, foi o seu primeiro a virar Best-Seller, e aquele que alavancou sua carreira como escritor. Essa é também uma das primeira obras em que notamos um ar de autobiografia em alguns dos personagens de King. Sendo ele mesmo um alcoólatra em recuperação na época, pode haver muito de Stephen King no Jack Torrance que ansiava por apenas um copo, só um.

Para aqueles que estão adentrando agora no mundo "kingano" e quiserem saber um pouco da trama, segue uma pequena sinopse:

“O lugar perfeito para recomeçar”, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria, os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita. Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto... e mais sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais. Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai... 

Acontece que Danny é um iluminado, alguém que consegue se comunicar por pensamentos, e o poder de saber de coisas que ainda não aconteceram. Antes mesmo de ir para o Overlook, Danny já sabia que aquele era um lugar ruim. Muito ruim.

- Danny... Danniii...Levantou os olhos e lá estava Tony, no final da rua, acenando ao lado de uma placa de "PARE". Danny, como sempre, sentiu uma  calorosa explosão de alegria ao ver o velho amigo, mas dessa vez parecia sentir também uma pontada de medo, como se Tony tivesse vindo com alguma escuridão nas costas. Um vidro de vespas que, quando soltas, picariam profundamente.- Cuidado velhinho...
As visitas de Tony eram assim. As vezes, ele mostrava onde estavam coisas que haviam desaparecido, o que era bom, por que isso deixava mamãe e papai felizes. Em outras... bom, em outras era como foi dessa vez. Danny sendo transportado para um lugar (o futuro?) onde coisas horríveis estavam acontecendo, coisas que na verdade ele não queria saber. Por que Danny era só um menininho de 5 anos, que ainda amava seu pai mais que tudo. Mesmo que um dia ele tenha quebrado seu braço por molhar alguns de seus papeis.

Enquanto isso, Jack Torrance está em meio à sua entrevista de emprego para trabalhar no Overlook e, bom, ele realmente acreditava que as coisas poderiam ser melhores. Ele de fato acreditava nesse recomeço. E talvez, no fim, o mais triste seja que ele não era um homem mau, e ele também amava seu menininho acima de todas as coisas. Mas, infelizmente, Jack era fraco.

E no Overlook, existia um mal. Que parecia estar apenas esperando a chegada de alguém como Danny, com seus poderes extremados, para poder expandir-se para além das paredes que lhe aprisionava há tanto tempo. 

Adaptado para as telonas em 1980 por Stanley Kubrick, essa versão de "O Iluminado" acabou se tornando uma adaptação altamente controversa, devido às mudanças na trama e final, tendo recebido duras críticas do próprio  Stephen King; e, numa menos conhecida mini série em 1997 com Rebeca De Morney de "A Mão que Balança o Berço". Ganhou uma sequência em 2013, onde vamos encontrar o personagem principal, Danny, 30 anos mais velho na obra intitulada "Doutor Sono".

Quem sabe com essa onda de adaptações do King neste 2017 alguém resolve assumir a frente e produzir um remake dessa obra aterrorizante? Oremos!

AH, e Suma, sua linda, não pare! Esperando ansiosa o relançamento de "A Incendiária" para trazer para vocês! Abraços e até a próxima!


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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Resenha: "Réquiem" (Bianca Sousa)

Sinopse: Amadeus, professor universitário de história da arte, é um homem solitário que encontrou na arte sepulcral uma maneira de sublimar a dor da perda.


Entre esculturas que guardam túmulos e segredos, ele encara a morte em carne e osso. Um encontro que o mudará para todo o sempre.



“Há quanto tempo espero por você?”


Fonte: Bianca Sousa

Por Eliel: Rápido e mortal, vou definir assim a leitura desse conto de Bianca Sousa. 

O título já nos dá uma pista de qual será o rumo dessa estória, Réquiem é uma missa especial celebrada pelas igrejas cristãs em homenagem aos mortos.

Esse conto é como se fosse essa homenagem, mas o nosso protagonista se vê do outro lado diante de um ponto de vista totalmente inusitado. Principalmente para nós, leitores de fantasia, que estamos rodeados de vampiros, lobisomens e zumbis, ser surpreendido por uma criatura pouco utilizada na literatura é uma sensação muito boa.


Decidi então persegui-la; assim, quando chegasse minha hora, eu a encararia de frente e diria: "Há quanto tempo espero por você?"

Só pela ousadia e a qualidade da escrita da autora eu já indico a leitura. Vocês não vão se arrepender. Uma homenagem grotesca e horripilante aos mortos que vai te assombrar por um bom tempo.

Compre seu e-book na Amazon e participe do Grupo de Leitores da Bianca, sempre tem novidades por lá.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Resenha: "A hora do lobisomem" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

UMA CRIATURA CHEGOU A TARKER’S MILLS. A HORA DELA É AGORA, O LUGAR DELA É AQUI.

O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. 
Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? 
Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. 
Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? Eu estou em ÊXTASE com esse livro lindo, perfeito, MARAVILHOSO lançado pela Suma de Letras. Na verdade, este é o segundo livro do projeto da Suma de Letras intitulado Biblioteca Stephen King. A ideia é relançar toda uma coleção de livros raros do nosso popular escritor de suspense e terror para os fãs. Você encontra a resenha de "Cujo", primeiro livro lançado, aqui.


Mais uma vez, o livro veio em capa dura, folhas amarelas, mas este exemplar veio todinho ilustrado pelo Bernie Wrightson, além de conter ilustrações extras, no final, de quatro ilustradores brasileiros. Segundo a editora, a ideia era que eles "escolhessem e representassem sua cena preferida de A hora do lobisomem"


Para quem ainda não conhece esse clássico de Stephen King, tudo começa quando, na cidade de Taker's Mill, um ataque brutal é encoberto pela primeira nevasca do ano. Sozinho e preso em um barracão devido a nevasca, Arnie Westrum, sinaleiro da Ferrovia, houve algo arranhar a porta. Seria um cachorro perdido? Ele descobrirá da pior forma que estava errado em sua suposição.
Antes que ele possa decidir o que fazer sobre o visitante, o choramingo baixo se transforma em um rosnado. Um baque soa quando uma coisa incrivelmente pesada bate na porta ... recua ... bate de novo. A porta treme na moldura, e um  borrifo de neve entra pelas frestas.
A porta fica no lugar por mais um tempo, curvada em torno da linha vertical e, enfiado nela, investindo e atacando, com o focinho franzido em um rosnado e olhos amarelos ardentes, esta o maior lobo que Arnie já viu ...
E os rosnados soam terrivelmente como palavras humanas.
Agora, em Taker's Mill sabe-se que existe um lobo voraz. Mas há uma certa similaridade nos ataques, que parecem acontecer apenas uma vez por mês, sempre quando a lua cheia esta bem alta no céu.

Enquanto a besta caça pessoas, Marty, um garotinho apenas, começa sua própria investigação para caçar o que vem se tornando o grande tormento daquela pequena cidade, fazendo com que até mesmo o quatro de julho seja cancelado. Ele acha que talvez saiba quem a besta é. Mas o que pode um garotinho contra uma criatura que é a encarnação do próprio mal?

A hora do lobisomem é um livro curto, lançado pela primeira vez em 1982, por muitos considerado mais adequado à uma coletânea de contos do que figurar como obra independente, por ter menos de 100 páginas em sua edição original. Dividido em 12 capítulos, um para cada mês do ano, foi adaptado para as telinhas em 1985, sendo também conhecido como Bala de prata.

Dentre as obras de Stephen King, este não pode ser dito como um dos que mais se destaca. Tem uma narrativa simples e fluída, mas não é memorável. Agora, esta edição relançada pela Suma de letras, esta sim configura-se como aquisição indispensável a qualquer fã das obras de King. Afinal, mais do que um livro, a capa, diagramação e ilustrações são quase uma obra de arte. Este não é um livro para se Ler, é um livro para se Ter. E Suma, sua linda! Fiquei tão feliz com o livro, por tocá-lo, por você existir e ter lançado essa coleção FANTÁSTICA que meu marido já esta ficando com ciúmes.

Abraços e até a próxima!


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Ana Liberato