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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Resenha: "Selvagem" (Mia Sheridan)

 

Tradução: Laís Medeiros

Sinopse: Quando a guia florestal Harper Ward é convocada ao escritório do xerife da pequena cidade em Helena Springs, Montana, para prestar assistência em um caso, fica chocada ao descobrir que o único suspeito na investigação de um duplo homicídio é um homem descrito como um selvagem. Mas quanto mais ela observa o homem, conhecido apenas como Lucas, pela câmera de vigilância da delegacia, mais intrigada fica. Ele certamente parece primitivo com sua aparência desleixada e trajes de pele de animal, mas ela também vê inteligência em seus olhos, sensibilidade em sua expressão. Quem é ele? E como é possível que ele tenha vivido sozinho na floresta desde criança? Conforme segredos começam a surgir, Harper se vê diante de algo maior e mais diabólico do que ela jamais poderia ter imaginado. E bem no centro de tudo, está Lucas. Mas ele é realmente o homem selvagem que parece ser? Um assassino a sangue frio? Uma vítima inocente? Ou uma mistura desconcertante de todos os três? Harper precisa descobrir as respostas para essas perguntas, porque, quanto mais tempo ela passa com ele, mais corre o risco de perder seu coração. 


Por Jayne Cordeiro:  Após dois assassinatos que acontecem uma pequena cidade, a guia florestal Harper Ward, é chamada na delegacia, para ajudar a policia, a entender o que aconteceu. E é assim que ela acaba conhecedo Lucas, o principal suspeito do crime. Lucas é visto como um selvagem, vivendo em meio a florestal, sem contato nenhum com a civilização, e suas roupas feitas de pele de animal. Mas ao mesmo tempo, Lucas demonstra inteligência e sensibilidade. 

Na medida em que sua história vai sendo desvendada, Harper e a policia vão precisar entender, se Lucas é um assassino ou uma vítima em toda a trama que envolve esse caso. E quando ele também pode ser a chave para Harper entender o que aconteceu com ela, anos atrás, a convivência pode levar a sentimentos, que ela não esperava.

Eu nunca tinha lido nada da Mia Sheridan antes, e posso dizer que gostei bastante desse livro. Ele não é só um livro focado em romance, mas também uma bpoa história de investigação policial. Enquanto Harper e Lucas vão se conhecendo, vamos também vendo a investigação sobre os mistériosos assassinatos, e como as peças vão se encaixando entre os personagens e acontecimentos.

Os protagonistas são muito cativantes, principalmente o Lucas, que misturou um homem sem muitos manejos sociais e ligado aos instintos, com um jovem doce e atencioso. Harper também é uma personagem doce e forte, que passou por coisas dificeis na vida, e vive com a sompra do acidente dos pais. E que apesar de ter vivido em sociedade, consegue levar em consideração seus próprios instintos.

O romance evolui de forma lenta e bem construída. Podemos aproveitar as interações entre os dois, além de trazer bons personagens secundários, e que conseguem seu destaque nos momentos merecidos. Quanto ao mistério, alguns pontos são fáceis de o leitor resolver, ao contrário dos personagens, que demoram um pouco, mas também conseguimos receber algumas surpresas até o final do livro.

A escrita da autora é dinâmica e envolvente. Apesar de ser um livr longo, com um pouco mais de 450 páginas, a história não é cansativa ou parada em nenhum momento. Para quem gosta de um romance, que tenha um pouco de suspense no fundo, esse livro é uma boa pedida.


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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Resenha: "Billy Summers" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Billy Summers é o homem com a arma; um assassino de aluguel e um dos melhores atiradores do mundo. Mas ele tem um critério: só aceita o serviço se o alvo for realmente uma pessoa ruim.

Agora, Billy quer se aposentar, mas antes precisa realizar um último trabalho. Veterano da guerra no Iraque e um mágico quando se trata de desaparecer depois do crime, o hábil assassino tinha tudo planejado. Então, o que poderia dar errado?
Basicamente tudo.
Quando Billy se acomoda em uma cidadezinha do interior, disfarçado como um escritor tentando superar um bloqueio criativo enquanto espera seu alvo ser transferido para julgamento, ele não imagina a trama de traições, perseguições e vingança que o aguarda.

Por Jayne Cordeiro: Billy Summers é um assassino de aluguel, que se tornou especialista em tiro ainda no exercito. Ele possui como regra só matar pessoas ruins, e agora está no seu último e grande trabalho, para se aposentar. Nesta missão, ele precisa ficar em uma cidade pequena, disfarçado de escritor, enquanto espera o grande momento. Enquanto assume seu personagem, Billy acaba aproveitando para escrever e contar sua história. Mas nem todo o planejamento, pode evitar que as coisas possam dar errado, e Billy terá que tomar decisões importantes, sobre até onde irá para acertar as coisas.

Eu gosto muito da escrita do Stephen King, mas nunca tinha lido nada dele que não fosse do gênero terror. "Billy Summers" já segue mais para o estilo suspense policial. Acompanhamos todo o desenvolvimento do personagem, no seu papel fictício, e nos relatos do seu passado, e depois, partimos para parte em que o assassinato deve acontecer, e o que vem a seguir.

Eu achei o livro bem interessante, e mas eu teria reduzido bastante a primeira parte. É quase como ter dois blocos bem delimitados: Antes do assassinato e Depois do assassinato. E a parte "Depois" foi bem melhor. Bem mais dinâmica, com boas participações de outros personagens. Todo o enredo dessa parte prende o leitor, porque precisamos saber o que irá acontecer. Para mim, a primeira parte ficou um pouco cansativa, sem atrativos, e a  maior parte que  narra o passado de Billy, parece ter ficado um pouco solta.

Foi um livro que conseguiu me prender do meio para fim, e o final pareceu bem coeso com tudo o que o livro se propõe, mas deu uma leve sensação agridoce. Mas o livro é bom, e a escrita do autor continua ótima, mesmo sendo um gênero diferente. As avaliações do livro são boas, mas não diria que é um dos melhores livros dele. Mas acredito que seja uma daquelas obras que vai ter quem goste e quem não.


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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Resenha: "Não Existe Amanhã" (Luke Jennings)

 

Tradução: Leonardo Alves

Sinopse: Em um quarto de hotel em Veneza, onde acabou de concluir um assassinato de rotina, Villanelle recebe um telefonema tarde da noite.

Eve Polastri, a funcionária do governo inglês que está em seu encalço há meses, conseguiu rastrear um oficial do MI5 a serviço dos Doze e está prestes a levá-lo a interrogatório. Enquanto Eve se prepara para procurar respostas, tentando desesperadamente encaixar as peças de um terrível quebra-cabeça, Villanelle avança para o abate.
O duelo entre as duas mulheres se intensifica, assim como sua obsessão mútua, com a ação passando dos altos picos do Tirol até o coração da Rússia. Eve enfim começa a desvendar o enigma da identidade de sua adversária, e Villanelle se pega correndo riscos cada vez maiores para se aproximar da mulher que pode ser sua ruína.


Por Jayne Cordeiro: "Não Existe Amanhã" é o segundo livro da trilogia de Luke Jennings, que deu origem a série de TV "Killing Eve". Sendo que o primeiro livro já foi resenhado na nossa página, no ano passado. Nesta continuação, temos ainda o jogo de gato e rato entre Villanelle, uma assassina profissional e sem emoções, e Eve Polastri, a responsável pela investigação que segue atrás da identidade de Villanelle, e de sua captura. 

Enquanto Villanelle continua cumprido suas missões, ela não consegue deixar de lado a necessidade de manter Eve seguindo seus passos. Da mesma forma que Eve não consegue abandonar a investigação, certa de que está cada vez mais perto de conseguir pegar a mulher que matou seu colega de trabalho, e tem matado diversas outras pessoas pelo mundo, sem ser descoberta.

Eu tinha ficado com um pé atrás, em relação ao primeiro livro, porque ele acabou de forma muito abrupta, como se faltasse outras páginas. O primeiro livro também funciona muito mais como uma introdução, mostrando o passado de Villanelle, importante para esse livro, e como Eve acabou parando nessa investigação. Mas este segundo livro conseguiu sem bem melhor que o primeiro, com a história se desenvolvendo mais, e com nossas duas protagonistas, se relacionando de forma mais próxima.

É uma verdadeira história de espionagem, com viagens e investigações, disfarces e mortes elaboradas. Temos ação, mistérios e dramas. A forma como Villanelle e Eve se conectam é muito interessante de ver, mostrando uma evolução nos pensamentos e comportamentos, de ambas as mulheres. A história é curta (achava até que poderia ser um único livro em vez de três), mas consegue ser bem completa e prender o leitor até o final, com uma bela surpresa no final. Fiquei bem curiosa quanto ao que vem por aí.


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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Resenha: "Garota, 11" (Amy Suiter Clarke)

 

Tradução: Helen Pandolfi

Sinopse: Elle Castillo é a apresentadora de um podcast popular sobre crimes reais. Depois de quatro temporadas de sucesso, ela decide encarar um caso pelo qual sempre foi obcecada ― o do Assassino da Contagem Regressiva, um serial-killer que aterrorizou a comunidade vinte anos atrás. Suas vítimas eram sempre meninas, cada qual um ano mais jovem que a anterior. Depois que ele levou sua última vítima, os assassinatos pararam abruptamente. Ninguém nunca soube o motivo.

Enquanto a mídia e a polícia concluíram há muito tempo que o assassino havia se suicidado, Elle nunca acreditou que ele estava morto. Ao seguir uma pista inesperada, no entanto, novas vítimas começam a aparecer. Agora, tudo indica que ele está de volta, e Elle está decidida a parar sua contagem regressiva.


Por Jayne Cordeiro: "Garota, 11" é um suspense focado em Elle Castillo, uma investigadora independente, e apresentadora do podcast "Justiça Tardia". Nos episódios da nova temporada do podcast, Elle está investigando o Assassino da contagem regressiva, que cometeu crimes contra jovens mulheres e adolescentes anos atrás, caindo de 21 a 11 anos de idade, até que parou misteriosamente. Muitos acreditam que ele morreu, mas Elle quer descobrir sua identidade, e acredita que o assassino ainda está vivo. 

Na medida em que entrevista familiares de vitimas, profissionais que atuaram na investigação e segue novas pistas deixadas por seus ouvintes, Elle vai desvendando a teia que envolve o caso, e tudo fica mais complicado, quando um novo assassinato ocorre, e parece que o assassino volta a atuar.

Eu peguei esse livro sem expectativa nenhuma, mas fiquei imersa nele. Gostei da ideia de utilizar entrevistas em um podcast para juntar informações sobre o assassino e seus crimes, e tornando esses relatos, os momentos do passado, enquanto acompanhamos Elle com o presente, em que novas vitimas surgem. A história se desenrola bem, apresentando a protagonista e seus personagens secundários, e entrelaçando fatos de forma bem concisa. 

Existe uma surpresa revelada durante o livro que não me surpreendeu em nada, mas ainda assim, torna toda a história ainda mais especial. Para quem gosta de livros ou filmes de suspense, não vejo como não gostar desse aqui. Tem todo o relato sobre o assassino e como seus crimes acontecem, discussão sobre suas motivações e porque realizada determinados atos, mas também mostra as consequências de um crime para as famílias e vitimas, e os profissionais envolvidos na resolução desses crimes. 

Foi uma leitura rápida, envolvente e bem escrita. Nunca li nada da autora, e achei que ela soube misturar bem passado e presente, utilizando o poder da narrativa em primeira pessoa, dando chance de ouvirmos exatamente o que a protagonista está pensando, através de suas narrações para o podcast. Fiquei bem satisfeita com várias das participações secundárias, como do marido da Elle e da afilhada deles.  Recomendo com certeza, para quem gosta do gênero.



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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Resenha: "Hideaway" (Penelope Douglas"

 

Tradução: Marta Fagundes

Sinopse: BANKS

Imerso nas sombras da cidade, há um hotel chamado The Pope. Decadente, deserto e sombrio, encontra-se abandonado e rodeado por um mistério há muito esquecido.

Mas você acha que é verdadeira, não é, Kai Mori? A história a respeito do décimo segundo andar. O mistério que cerca o hóspede sombrio que nunca se registrou para entrar ou sair. Você acha que vou ajudá-lo a encontrar o refúgio secreto para chegar até ele, não é?

Você e seus amigos podem até tentar me assustar. Podem tentar me pressionar. Porque mesmo que eu lute para disfarçar o que sinto quando você olha pra mim — desde adolescente —, acredito que talvez o que está procurando esteja mais perto do que imagina.

Eu nunca vou traí-lo. Então se prepare. Na Devil’s Night, você será a caça.

KAI

Você não faz a menor ideia do que estou procurando, pequena. Você não sabe o que tive que fazer para sobreviver aos três anos na prisão, quando fui condenado por um crime que cometeria outra vez com o maior prazer.

Ninguém pode saber o que me tornei.Eu quero aquele hotel, quero encontrá-lo e acabar logo com isso. Quero minha vida de volta. Mas quanto mais tempo passo ao seu lado, mais percebo que este novo eu é exatamente quem sempre fui destinado a ser.

Então pode vir, garotinha. Não se acovarde. Minha casa fica na colina. Existem muitas maneiras de entrar, mas apenas com sorte você conseguirá sair. Eu vi o seu refúgio. Está na hora de você ver o meu.


Por Jayne Cordeiro:  Neste segundo livro da série "Devil' s Night", vamos conhecer mais profundamente Kai, um dos quatro amigos responsáveis pela famosa Noite do Diabo. Depois de alguns anos preso, Kai está recuperando a sua vida, mas ainda precisa lidar com seu amigo Damon, que causou uma grande confusão no ano passado, e agora está espreitando o grupo de amigos. Além do perigo físico que Damon representa, este guarda um segredo importante, que se revelado, pode colocá-lo de volta na prisão.

Do outro lado, temos Banks, uma mulher que anos atrás, durando uma Noite do Diabo, conquistou Kai, mas depois nunca mais foi vista. Ela guarda um segredo muito importante, que a liga a Damon, que ela vai precisar participar de um jogo difícil com Kai, se quiser garantir a segurança de Damon. Ao mesmo tempo, atração entre ela e Kai, parece a mesma de anos atrás, mas Banks precisa lidar com suas próprias dúvidas e medos, quando passou a vida toda se escondendo do mundo e dos homens.

Eu adoro os livros da Penelope Douglas, e não seria diferente com esse aqui. Eu gosto de como os seus personagens não são mocinhos perfeitos, e toda a história tem um ar de suspense e sensual. Acho Kai um personagem muito interessante, porque ele tem código moral, sendo muito apegado ao correto, pela própria criação familiar, mas também não teme em sair da linha, em alguns assuntos. Ele é muito leal aos amigos, e busca ajudar a Banks, mesmo quando ela não merecia.

Quando a Banks, não posso dizer que ela é uma das minhas mocinhas favoritas da Penelope. Eu entendo toda a realidade dela, mas as vezes queria dar uma sacudida nela. Personagem bem na defensiva, e tão imersa em um relacionamento abusivo, que ela deixa de aproveitar  as oportunidas que Kai dava a ela, de mudar. Mas a autora soube abordar com maestria, como a personagem se via presa naquela relação ruim, mas vivia achando justificativas para isso, como realmente acontece no mundo real.

O livro trás algumas temas interessante e até pesados, como abuso, violência e relacionamento abusivo. As interações dos protagonistas são muito interessantes, pois eles começam bem naquela pega de "gato e rato", sendo que os dois são muito espertos e fortes. É sempre bom ver a relação entre Kai, Michael, Will, Rika e Damon. Aqui temos mais um gostinho do casal do primeiro livro, e mais sobre a vida de Damon, que será o protagonista do próximo livro, e promete ser muito interessante, já que ele é com certeza o personagem mais perigoso e imprevisível da série.

A escrita da autora continua envolvente, sensual, correndo entre certo e errado, com personagens complexos, e cenas que te prendem até o final. Vale muito a oena, dar uma chance a essa série maravilhosa.


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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Resenha: "Malorie" (Josh Malerman)

Tradução de Alexandre Raposo.
Por Thaís Inocêncio: Pra quem não conhece o livro nem o filme, Caixa de pássaros conta a história de um surto inexplicável que deixou poucos sobreviventes no mundo, entre eles Malorie e seus dois filhos. Aparentemente, ao ver alguma coisa, possivelmente uma criatura, as pessoas tiram a própria vida de maneira brutal. Por isso, o melhor a se fazer é não abrir os olhos. Nesse primeiro livro, Malorie sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas, para isso, terá que encarar, de olhos fechados, o mundo fora da casa em que está trancada.
Se você não leu Caixa de pássaros, talvez não queria ler o restante desta resenha.
Em Malorie, sequência de Caixa de pássaros, descobrimos que a estadia na escola para cegos não deu muito certo e conhecemos a vida da protagonista doze anos após a sua fuga anterior. Agora, ela vive em um acampamento apenas com os filhos, que estão com 16 anos de idade, mas o mundo continua o mesmo, portanto ainda não se pode vê-lo. Até que, um dia, um homem desconhecido que diz ser do censo bate à sua porta (Ok, eu ri muito nessa parte. Imagine que um mundo apocalíptico, tipo Walking Dead, terrível e perigoso, é incapaz de deter um homem do censo com sua prancheta. Hilário hahaha).
Malorie e os filhos não têm contato direto com esse homem, mas ele deixa para trás documentos contendo informações valiosas, inclusive a de que pessoas que Malorie acreditava estar mortas, na verdade, estão vivas. Então, ela terá que tomar a difícil decisão de se manter segura, protegida pela venda, ou partir em uma viagem incerta, cheia de riscos, em busca de esperança.
"Você pode fazer tudo o que puder para evitar o novo mundo, mas, de um modo ou de outro, em breve ele vai bater à sua porta."
Nos agradecimentos, o autor Josh Malerman conta que, após assistir à adaptação cinematográfica de Caixa de pássaros (que tem algumas diferenças em relação à obra original), ele se perguntou: O que acontece com Malorie agora? É o que ele nos conta neste livro. Não esperem explicações sobre as criaturas em si ou sobre o que originou tudo isso – o foco são Malorie, Tom e Olympia, três pessoas com maneiras completamente diferentes de lidar com um mundo que caiu na escuridão.
Malorie é uma pessoa que, há mais de uma década, vive pela venda (como ela mesma diz), seguindo fielmente as regras de não abrir os olhos e não confiar em ninguém. Olympia é uma garota tranquila e cuidadosa que demonstra respeitar as imposições da mãe. Já Tom é inquieto e, inconformado com o novo mundo, busca soluções para que não vivam mais escondidos. Essas diferenças de pensamentos e atitudes criam conflitos entre os personagens que acabam ditando o rumo da história. Porém, a descrição deles é tão boa que é perfeitamente possível compreender e até se identificar com cada um deles.
"Quero que vocês três saibam que o mundo não vai melhorar. Temos que começar de novo".
Essa sequência é menos eletrizante o primeiro livro, mas ainda carrega uma boa atmosfera de suspense e tensão que te mantém curioso o tempo todo. É inevitável comparar a história com o que vivemos hoje, que também parece ficção. O medo do desconhecido, do incompreensível. A sensação de impotências, as crescentes incertezas. As vendas deles são as nossas máscaras. Malorie diz que, pós-criaturas, a sociedade se dividiu entre pessoas prudentes e imprudentes. A obra ainda mostra que, embora as criaturas sejam terríveis, elas não são o problema; o homem é a criatura a ser temida. Hoje, no nosso mundo, não são os seres humanos imprudentes as verdadeiras criaturas a serem temidas?
"As criaturas podem ser monstros, mas, como evidenciado por sua mãe e pela vida que ela considerou adequada para você, essas coisas terríveis não são o problema. O homem é a criatura a ser temida."
Porém, o final do livro tem um tom de esperança que fez toda a jornada valer a pena pra mim – e até pensar que posso ter alguma esperança real por aqui.
Até a próxima, galera!
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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Resenha: "A Herdeira" (Daniel Silva)


Tradução: Laura Folgueira

Sinopse: "Em uma escola privada na Suíça, um mistério envolve a identidade da linda menina de cabelos pretos que chega todas as manhãs acompanhada por carros dignos de um Chefe de Estado. Alguns dizem que ela é filha de um rico homem de negócios, mas, na verdade, seu pai é Khalid bin Mohammed, o impiedoso príncipe da Arábia Saudita. No passado, o monarca foi celebrado por suas reformas sociais e religiosas, mas, agora, é detestado por seu papel no assassinato de um jornalista. Quando sua filha é sequestrada, ele se volta para o único homem capaz de encontrá-la antes que seja tarde demais.
Gabriel Allon, o lendário chefe da inteligência israelense, passou a maior parte da vida lutando contra terroristas, incluindo assassinos jihadistas financiados pela Arábia Saudita. No entanto, o príncipe Khalid está empenhado em quebrar o laço entre seu país e o islamismo radical. Apenas por essa razão, Gabriel o tem como um parceiro valioso, apesar de longe do ideal. Com a vida de uma criança e o trono da Arábia Saudita em risco, eles se tornarão aliados improváveis em uma guerra mortal pelo controle do Oriente Médio. Ambos fizeram sua cota de inimigos. E ambos têm tudo a perder.
Repleto de humor, reviravoltas impressionantes e personagens inesquecíveis, A herdeira é um viciante e sofisticado estudo sobre alianças políticas e a rivalidade de grandes poderes em um mundo perigoso, provando, mais uma vez, que Gabriel Allon é um dos grandes espiões da ficção."

Por Jayne Cordeiro: Suspense não é um gênero que eu costume de ler, e quando leio, é sempre ligado ao blog ou a leituras coletivas. Na maioria das vezes, eu tenho boas experiências com essas leituras. Dessa vez, "A Herdeira", de Daniel Silva, veio através de uma leitura coletiva, que entrei exatamente por ser de suspense (para incentivar a mim). Quando comecei essa leitura, não sabia que o autor já era bem estabelecido, com um nome no gênero. E nem que esse livro fazia parte de um universo composto por mais de uma dezena de livros, mostrando o mesmo personagem, Gabriel Allon.

Mas não se preocupe. Dá para ler perfeitamente sem ter tido acesso a nenhum livro anterior do autor. Acontece alguns comentários sobre situações anteriores e até aparece personagens antigos, mas tudo flui bem, e você consegue curtir a experiência sem problemas. "A Herdeira" foi um livro que conseguiu me prender, mas sem me deixar ansiosa pela leitura. Tem livros que a gente começa a ler e não consegue parar. Este aqui, eu conseguia sem esforço. Não pelo livro ser ruim, mas provavelmente pelo meu pouco gosto pelo suspense.

Agora, o livro é bom. A história é bem construída. É bastante dinâmica, com viagens para diversos países, perseguições, manipulações, ação e estratégias. Nenhum momento é deixado solto ou ocupando espaço a toa. O enredo é interessante, e com reviravoltas inesperadas. Não tem como saber o que vai acontecer na página seguinte. O livro também trás questões políticas bem legais e realistas. Quando acabei, fiquei pensando que daria um ótimo filme ou série. Não é aquele suspense assassino/polícia, mas ainda consegue levantar teorias, ppr causa do enredo voltado para serviços de inteligência. Acredito que este livro deixa evidente porque o autor conseguiu ser uma referência nas histórias de espionagem e agentes secretos. É uma ótima leitura para esse gênero.

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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Resenha: "O caso dos dez negrinhos" (Agatha Christie)

Tradução de Leonel Vallandro

Por Thaís Inocêncio: Dez pessoas que não se conhecem recebem um convite misterioso para passar alguns dias na famosa Ilha do Negro. Embora não se lembrem muito bem do anfitrião, elas aceitam o convite, afinal, parece ser um lugar muito agradável que abriga uma mansão luxuosa. O que elas não esperavam é que a estadia na ilha não seria nada relaxante, e sim muito assustadora.

Ao chegarem ao local, os dez convidados descobrem que o anfitrião não está lá e que o barco que os levou já partiu, deixando-os sem possibilidade de sair da ilha. Mas a mansão está abastecida com muitos alimentos, então eles ficam tranquilos. Até que, após o primeiro jantar, eles ouvem uma gravação acusando cada um deles de ter cometido um crime que, direta ou indiretamente, resultou numa morte.

Logo, eles descobrirão que, dentro da casa, existe alguém que pretende fazer justiça com as próprias mãos, vingando-se de um por um dos convidados. Para isso, o justiceiro desconhecido vai se inspirar num poema infantil em que dez negrinhos são eliminados, um de cada uma vez, de maneiras diferentes (É tipo a musiquinha dos 5 patinhos da Xuxa, que cada um vai sumindo de uma vez, sabe? Só que o poema do livro explica como cada um “some”). Ao mesmo tempo, dez figuras negras que estavam em cima de uma mesa começam a desaparecer. Mas quem é o assassino? É alguém de fora ou um dos dez convidados? E como eles vão escapar dessa? Só lendo pra saber!

Esse foi o segundo livro da Rainha do Crime que eu li e gostei bem mais do que o outro – que foi “Assassinato no Expresso do Oriente”). O livro é curtinho, mas tem muita ação, emoção e consegue prender a gente até o fim! Além disso, percebi que não tem como ler Agatha Christie sem ficar tentando adivinhar quem é o culpado. Durante quase toda a leitura, eu desconfiei de uma pessoa e é claro que eu estava errada, porque a dona autora sempre segue pelo caminho que a gente menos imagina!

No Brasil, o livro foi relançado em 2014 pela Globo Livros com o título “E não sobrou nenhum”. Isso ocorreu porque a versão original, lançada em 1939, é “Ten Little Niggers” e a palavra “nigger”, nos Estados Unidos, tem cunho racista; ela era usada para insultar os negros ou se referir a eles de maneira pejorativa. Na nova versão, o local se chama Ilha do Soldado e o poema fala sobre dez soldadinhos. Minha edição, comprada por 5 reais em um sebo, ainda leva o título antigo. De todo modo, a história não é sobre a morte de pessoas negras; o nome original se refere ao poema.

Recomento muito a leitura!

Até a próxima, galera!
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Resenha: "O Instituto" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Sinopse: O novo livro de Stephen King, o Mestre do Terror, traz uma história inesquecível sobre um grupo de crianças com talentos especiais que precisam se unir para derrubar um grande mal.

No meio da noite, em uma casa no subúrbio de Minneapolis, um grupo de invasores assassina os pais de Luke e sequestra silenciosamente o menino de doze anos. A operação leva menos de dois minutos.

Quando Luke acorda, ele está no Instituto, em um quarto que parece muito o dele, exceto pelo fato de que não tem janela. E do lado de fora tem outras portas, e atrás delas, outras crianças com talentos especiais, que chegaram àquele lugar do mesmo jeito que Luke. O grupo formado por ele, Kalisha, Nick, George, Iris e o caçula, Avery Dixon, de apenas dez anos, está na Parte da Frente. Outros jovens, Luke descobre, foram levados para a Parte de Trás e nunca mais vistos.

Nessa instituição sinistra, a equipe se dedica impiedosamente a extrair dessas crianças toda a força de seus poderes paranormais. Não existem escrúpulos. Conforme cada nova vítima vai desaparecendo para a Parte de Trás, Luke fica mais e mais desesperado para escapar e procurar ajuda. Mas até hoje ninguém nunca conseguiu fugir do Instituto.

Tão aterrorizante quanto A incendiária e tão espetacular quanto It: a Coisa, este novo livro de Stephen King mostra um mundo onde o bem nem sempre vence o mal.

Por Stephanie: O Instituto é um dos últimos livros publicados por Stephen King e, apesar de conter uma atmosfera bastante macabra, não é exatamente um livro de terror. A obra navega entre a ficção científica, aventura e o suspense e entrega uma história rica em detalhes, além de bastante intrigante, como já é típico do autor.

Nos primeiros capítulos, tive um pouco de dificuldade de entrar de cabeça na história; King opta por trazer um background rico e que a princípio não parece ter ligação com o enredo apresentado na sinopse, e isso acabou me deixando meio desanimada. A partir do momento em que o ponto de vista muda e conhecemos o protagonista, Luke, fui fisgada pela obra e senti que a coisa toda estava mesmo começando.

Luke e os personagens infantis são muito bem desenvolvidos e eu adorei ler a jornada deles. Eu sofri e quase chorei por eles em vários momentos, pois as cenas de tortura são bem gráficas e desesperadoras, o que já era de se esperar. Com certeza esses momentos foram os mais aterrorizantes e difíceis de ler.

O elenco adulto é praticamente todo composto pela escória humana; tirando poucas pessoas, como Maureen e Tim (além de outros moradores de DuPray), a obra nos mostra como os seres humanos são capazes das maiores atrocidades quando julgam possuir uma justificativa plausível para tal, por mais absurda que seja.

Acho que o que mais gostei em O Instituto foi o constante clima de conspiração. Como fã de Stranger Things, sou fissurada nesse tipo de assunto e senti que o autor soube explorá-lo bem, principalmente mais para o final, quando somos agraciados com a maioria das respostas.

Sobre o final propriamente dito, eu gostei bastante! Esperava que algumas coisas fossem acontecer mas foi bastante gratificante ver o desenvolvimento e a luta de Luke em busca de seus objetivos.

Minha única crítica diz respeito à quantidade de páginas. King é um autor bastante descritivo, mas em alguns momentos achei que ele se repetiu, principalmente nos momentos em que narra a rotina de Luke e seus amigos dentro do instituto. Fora isso, achei o livro muito competente em todos os aspectos e recomendo a leitura!

Era tão simples, mas era uma revelação: o que você fazia por si mesmo era o que lhe dava o poder.

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Resenha: "Uma Casa no fundo de um lago" (Josh Malerman)


 Tradução: Fabiana Colasanti

Sinopse: ames e Amelia têm dezessete anos. Em comum, além da idade, têm o fato de estarem um a fim do outro e de serem tomados pelo nervosismo quando James chama Amelia para sair. Mas tudo parece perfeito para um primeiro encontro: um passeio de canoa pelos lagos, levando um cooler cheio de sanduíches e cervejas.
À medida que se aprofundam na exploração, os dois chegam a um lago escondido e encontram algo impressionante debaixo d’água. Um lugar perigosamente mágico: uma casa de dois andares com tudo que tem direito — móveis, um jardim, uma piscina e uma porta da frente, que está aberta.
Enquanto, fascinados, vasculham o imóvel e tentam passar uma boa impressão para o outro, cresce o medo. Será que um local misterioso como aquele esconde alguém — ou algo — vivo? Uma coisa é certa: depois de mergulhar nos mistérios da casa no fundo do lago, a vida deles jamais voltará a ser a mesma.

Por Jayne Cordeiro: O primeiro livro que li de Josh Malerman foi Caixa de Pássaros, que foi uma surpresa muito boa. Li por causa de um clube do livro, sem expectativas, e me surpreendi. Por causa disso, eu acabei comprando Uma Casa no fundo de um lago, por achar a premissa do livro bem interessante e com um suspense legal. Dessa vez, também me surpreendi, mas negativamente. 

Este livro promete uma coisa e no final das contas não entrega nada. A história é bem curtinha, com 160 páginas. As coisas acontecem de forma rápida, mas sem ser apressada. O ritmo é bom, e até quase o final, você segue na leitura, preso e tentando adivinhar o porque da casa no fundo do lago, como isso acontece e o mais importante: Existe algo ou mais alguém lá? Mas quando o livro acaba, fica aquela sensação de que nada aconteceu. A questão não é nem a presença de uma explicação, porque Caixa de pássaros também não explica muita coisa, mas te entrega fatos para uma indução. Mas nem isso esse loivro faz.

O livro acaba sendo sobre um romance de verão, que trás algunas fatos inusitados, que o leitor não consegue de forma nenhuma analisar se é uma metáfora para esse romance ou se é algo sobrenatural/fantasioso, que realmente aconteceu com o casal. E não é nem para dizer que o autor deixa as peças lá para o leitor fazer sua analise. Porque isso seria o suficiente para mim. Mas ele não entrega nada mesmo, e foi o que todas as pessoas com quem conversei sobre o livro também concluiram. Foi realmente uma pena, porque o enredo é muito interessante, e a construção das cenas de suspense são boas, causando ansiedade no leitor. Mas o final acaba estragando tudo. No final você pensa:Ainda bem que o livro era curto.



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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Resenha: "Uma mulher no escuro" (Raphael Montes)

Por Thaís Inocêncio: Raphael Montes é, facilmente, meu escritor nacional favorito. Já li todos os cinco livros que ele assina com o próprio nome e tenho três deles autografados – só não li ainda o Bom dia, Verônica, que ele escreveu com a Ilana Casoy e lançou sob o pseudônimo de Andrea Killmore. Porém, pela primeira vez desde que o conheci, posso dizer que me decepcionei com uma obra dele. 

Uma mulher no escuro conta a história de Victoria Bravo, que, aos quatro anos de idade, perdeu toda a família em um crime brutal. Na ocasião, um homem invadiu sua casa, matou seus pais, seu irmão e, por algum motivo, poupou-a de um destino semelhante. Vinte anos depois, Victoria ainda carrega sequelas físicas e, principalmente emocionais: é tímida, desconfiada, tem muita dificuldade de se relacionar com as pessoas e nunca namorou.




"Olho pra você e vejo duas Victorias se equilibrando numa corda bamba. Por um lado, você é uma mulher madura, que trabalha, paga as contas e tem as responsabilidades comuns de uma pessoa de vinte e quatro anos que mora sozinha. Por outro lado, às vezes se comporta como uma criança, evitando relações afetivas mais complexas e idealizando uma família perfeita."

Os contatos da jovem se resumem à sua tia Emília, que a criou após a perda dos pais, Max, seu psicólogo, e um jovem nerd apelidado de Arroz, com quem mantém uma amizade muito superficial. Até que, certo dia, no café onde trabalha como garçonete, Victoria conhece um escritor chamado Georges, que parece conseguir adentrar o mundo tão fechado da protagonista. No entanto, tudo muda quando alguém invade a sua casa e deixa rastros semelhantes aos do crime que ocorreu no passado, o que a faz pensar que o assassino está de volta para terminar o que deixou inacabado vinte anos antes.

"Há algo de cruel sobre o passado. Ele não pode ser mudado."

Esse livro é bastante diferente dos outros que li do autor por dois motivos principais: 1) A protagonista é uma mulher e a história nos é apresentada do ponto de vista dela; 2) Trata-se de uma trama psicológica, e não de um suspense permeado por cenas de violência física. Achei interessante Raphael ter buscado um caminho novo nessa obra, mas, pra mim, a tentativa não foi bem-sucedida.

Sabemos muito sobre a protagonista – seus medos, suas necessidades e os segredos que esconde –, mas todos os outros personagens, que têm grande importância na história, são pouco explorados. Por isso, não entendemos muito bem suas motivações, inclusive a do assassino.

Além disso, ao longo da leitura, encontrei algumas contradições. Por exemplo: no começo do livro, Victoria é descrita como uma jovem de cabelos curtos; algumas páginas depois, sua tia Emília elogia seus cabelos compridos. O pior é que essa é uma característica que tem destaque na história!

"Naquele dia, vestia calça larga de pijama e um blusão azul-marinho confortável, mas não deixava de colocar o lacinho que sempre usava nos cabelos curtos." (p. 21)
"'Você está parecendo sua mãe', ela disse, com um sorriso. 'Os cabelos compridos, o brilho nos olhos...'" (p. 128)

Foi difícil reconhecer a escrita brilhante de Raphael Montes nesse livro, mas, felizmente, isso não foi suficiente para fazer eu deixar de gostar do autor. Só espero que, no próximo, ele volte a escrever aquele bom suspense de tirar o fôlego e deixar sem dormir!

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Resenha: "Minha Coisa Favorita é Monstro" (Emil Ferris)

Tradução de Érico Assis

Sinopse: A história de um assassinato misterioso, um drama familiar, um épico histórico e um extraordinário suspense psicológico sobre monstros — reais e imaginados. A história em quadrinhos mais impactante desde Maus.

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita é Monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.

Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmão Dezê, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, também conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventríloquo.

Num estilo caleidoscópico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita é Monstro é uma obra magistral e de originalidade ímpar.

Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.


Por Stephanie: Desde que vi a capa dessa HQ, fiquei encantada. A capa tem uma ilustração lindíssima da autora, Emil Ferris, e é claro que o conteúdo não poderia diferir disso. Com uma história rica e fascinante, Minha coisa favorita é monstro foi uma experiência totalmente diferente de tudo o que eu já li.

A protagonista, Karen, é uma narradora encantadora; uma criança bastante madura que precisa lidar com diversos problemas durante a história, dos mais simples aos mais duros e complexos. Eu adorei seu jeito sonhador e suas frases de impacto; ela soa sábia sem parecer inverossímil, pois é uma garota que precisou crescer muito cedo.




Quanto aos outros personagens, todos são repletos de características marcantes e falhas. Emil soube criar pessoas reais, tridimensionais, que nem sempre tomam as melhores decisões mas que nos fazem sentir bastante empatia.

O enredo é bem diferente e passeia entre diversos gêneros, como terror, suspense policial e ficção histórica. Inclusive, os trechos que se passam na Segunda Guerra Mundial me encantaram, foi algo inesperado e muito bem elaborado pela autora. Cheguei a me emocionar em algumas dessas partes.

Acho que nem é preciso falar muito sobre a arte da HQ. Os traços de Ferris são lindíssimos e eu nem consigo mensurar o tempo que ela levava para desenhar cada página, principalmente com suas dificuldades motoras (conheça a história de superação da autora aqui). É um trabalho de encher os olhos, e a obra certamente vale o preço elevado.




Fica a minha indicação para leitores de quadrinhos experientes ou não. Minha Coisa Favorita é Monstro é uma história completa, que aborda temas importantes e pesados com a visão de uma menina esperta, curiosa e sonhadora. Um prato cheio para os amantes de enredos de tirar o fôlego!

Até mais, pessoal!

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Resenha: "Gritos no Silêncio" (Angela Marsons)

Tradução: Marcelo Hauck

Por Sheila: Oi Pessoas. É com profunda dor no coração que trago a vocês minha última resenha como integrante da família Dear Book. Foram quase 8 anos cheios de muita troca, crescimento, descoberta de novos autores e gêneros, minha descoberta como autora, nossa tanta coisa!

Mas, enfim, a vida chama. Às vezes com um grito estridente que ameaça ensurdecer. E às vezes temos que deixar de lado, para trás, coisas que amamos, em troca de outros sonhos, desafios, projetos. Esses amadurecimentos fazem parte da vida e foi um prazer imenso ter passado esse tempo com vocês. 

Meu mais sincero agradecimento pela oportunidade de produzir e descobrir que, sim, era capaz! Lencinho a postos (snif, snif) vamos à resenha! Segundo a sinopse do nosso querido Skoob:

Os segredos mais obscuros não podem ficar enterrados para sempre…
Na escuridão da noite, cinco figuras se revezam para cavar uma sepultura, um pequeno buraco em que enterram os restos de uma vida inocente. Ninguém diz nada, e um pacto de sangue os une…
Anos mais tarde, Teresa Wyatt é brutalmente assassinada na banheira da sua casa, e, depois disso, mais mortes violentas começam a acontecer. Todas as vítimas têm algo em comum, e a detetive que encabeça o caso, Kim Stone, logo percebe que a chave para deter o assassino que está semeando o pânico na cidade é resolver um crime do passado.
Só o que ela sabe é que alguém esconde um segredo e está disposto a fazer qualquer coisa para que nada seja revelado.
Acredito que, logo de início, o que é mais impactante no livro é descobrir que a sepultura encerra uma criança. Os acontecimentos sinistros acontecem próximos a um orfanato, e é feito um pacto para que nenhum dos cinco jamais revele o que aconteceu naquela noite obscura.

Todos tinham conhecimento daquela vida inocente que havia sido tirada, mas o pacto estava feito. O segredo deles seria enterrado.

Pouco tempo depois seremos apresentados para a detetive Kim Stone que será a protagonista dessa série de livros (aqui ainda é o primeiro, mas lá fora já são 8 livros publicados). Kim é a típica detetive cheia de tragédias pessoais que vê na profissão uma forma de enterrar esses fantasmas do passado.

Utilizando-se de métodos nem sempre convencionais para resolver seus casos, a detetive se dá conta que, para solucionar este caso em particular talvez ela tenha de desenterrar alguns medos que tem bem fundo na mente, e dos quais vem fugindo há muito tempo. Irá ela conseguir deparar consigo mesma para que a verdade venha à tona?

Com uma escrita ágil e direta e capítulos bem curtinhos, Gritos no Silêncio é um daqueles livros em que se lê tudo de uma só vez bem fácil. Os acontecimentos passados e presentes vão se sobrepondo de forma a fazer com que as páginas praticamente se virem sozinhas. Os personagens são bem estruturados e as cenas são muito bem construídas, não deixando pontas soltas.

A única ressalva seria a de que a autora é um tanto quanto explícita em algumas passagens, mas se vocês lida bem é tranquilo. Prepare-se para muita ação, suspense, e um final que não deixa nem um pouco a desejar!

A todos e tod@s muito obrigada por todos esses anos juntos, forte abraço e espero voltar um dia!

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Especial de Halloween - Conto de "A Menina que Roubava Livros" (Markus Susak)


Minha autoria
Por Clarissa:

“18 de abril de 1944
O que está havendo com vocês?
Não estão vendo o que está ocorrendo?
Pessoas estão sendo mortas cruelmente.
Pessoas são levadas de suas famílias.
Seus pertences confiscados e vendidos por este homem sem escrúpulos e cruel.
Onde está mamãe?
Ouvi-a chorar e gritar de dor. Para onde levaram ela?
Por que ela não estava respirando? Ela estava tão magra!
Não come à dias para que eu possa comer.
Por que temos que ficar aqui?
Por que todos dormem uns sobre os outros?
Onde foi parar os cabelos das mulheres?
Por que bateram naquela outra garota?
Ela está muito machucada e não há remédios. Não há comida nem água.
Por que não nos dão cobertas para o frio?
Está nevando lá fora, mas na é mais engraçado rolar na neve. Não nos deixam brincar.
Levaram minhas bonecas.
Chamaram-me de criança suja e cretina. Disseram que as pessoas como nós, denigrem a população alemã.
Mas sei que na fizemos nada disso. Ou fizemos?
Por que nos odeiam tanto?
Outro dia levaram uma remessa de mulheres e crianças para um compartimento estranho.
Mandaram que todos tirassem as roupas, foram tomar banho?
Mas a água aqui é gelada. No inverno as pessoas estão morrendo pelo  frio.
Minha autoria
Por que aquelas pessoas não voltaram mais depois que entraram naquela câmara?
Deram às roupas delas para os novos amigos que chegaram. Por que eles choram tanto?
Me levaram para o banho também. E depois para aquela câmara. De repente vi um pequeno feixe de luz e jogaram alguma coisa aonde estávamos. Um cheiro horrível de gás começou a tomar conta do local.
Eu não conseguia respirar. Eu queria só sair dali e ficar com a mamãe de novo.
Por que estamos aqui?
E o banho? Por que não estamos vendo água?
Por que estão todos gritando?
Por que todos estão pedindo socorro? Por que não nos ajudam?
Os gritos pararam. E eu fui com a mamãe e os outros.”

Carta de uma meiga garota chamada Ingrid, meus eternos agradecimentos.

Minha autoria

Esta crônica foi feita pela minha amiga Ingrid. E me fez lembrar muito dos livros A menina que roubava livros e O menino do pijama listrado. E me fez imaginar como foi a destruição e os sofrimentos daquela época. O que as pessoas viveram nas Guerras Mundias, não sofreram somente pelos ataques aéreos, mas com as torturas, os trabalhos forçados que tinham muitos riscos de vida, e a prisão da liberdade, não podiam se expressar. Milhões de pessoas perdendo a vida injustamente, crianças perdendo suas infância por algo que mal sabiam.Na história de Markus Susak, quem narra o conto é a sabia e silenciosa Morte. Conta o que se passa em cada vida, seja as breves ou as longas vidas. Mas que levaram em suas vidas uma grande bagagem de delicadeza e brutalidade, perdas e glórias, amor e dor.
A mensagem deste livro é que devemos dar importância aos pequenos detalhes, aos momentos. Porque é isso que nos torna humanos.
Mas uma coisa é fato quando a morte conta uma história você deve parar para ler.

Para quem quiser conhecer melhor e ver suas lindas fotos, sigam a minha amiga Ingrid no instagram: https://instagram.com/winter_melancholy/

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Ana Liberato